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Agricultores são maiores responsáveis pelas áreas de preservação

Estudo em andamento da Embrapa mostra que áreas de preservação dentro de propriedades rurais representam número maior que o de áreas de conservação administradas pelo Estado

VALTERCI/VALTERCI Nos estados do Sul do Brasil, os produtores chegam a deter dentro de suas propriedades até 23% de todas as áreas de preservação. | VALTERCI/VALTERCI

Nos estados do Sul do Brasil, os produtores chegam a deter dentro de suas propriedades até 23% de todas as áreas de preservação.

Se você é do time que acha que produtor rural não ajuda a cuidar a natureza, um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) veio para abalar suas convicções. A instituição aponta que os agricultores e pecuaristas são, hoje, os principais responsáveis pela preservação ambiental. Nos estados do Sul do Brasil, por exemplo, enquanto as áreas de conservação mantidas pelo Estado não chegam a 4% do território, os produtores chegam a deter dentro de suas propriedades até 23% de todas as áreas de preservação – dependendo da unidade da federação.

A conclusão é de um estudo feito pela Embrapa Monitoramento por Satélite, com sede em Campinas, interior de São Paulo. Evaristo Eduardo de Miranda, chefe-geral do local, explica que a análise foi possível graças aos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O CAR foi uma exigência do governo federal a partir da aprovação do Código Florestal de 2012. Assim, de lá até o ano passado todos os donos de terra do Brasil foram obrigados a fazer um cadastro detalhado, com base em imagens de satélite, das áreas que possuem e onde mantêm as áreas de preservação exigidas por lei.

O estudo ainda está em andamento, mas Miranda explica que antes de olhar para qualquer número preliminar é necessário fazer uma distinção. Nesse levantamento foram considerados dois tipos de áreas para a preservação. O primeiro deles é denominado de Unidade de Conservação (UC), que são basicamente áreas indígenas e/ou parques administrados pelo estado. O segundo tipo é de Áreas de Preservação (AP), que são partes de propriedades que os agricultores e/ou pecuaristas são obrigados a manter dentro de suas propriedades rurais por lei.

Miranda cita como exemplo do estudo (sempre com base em dados do CAR) os estados do Sul do Brasil para comprovar a hipótese de que os produtores rurais tem uma fatia muito maior preservada por meio de APs do que o Estado por meio das UCs. O Rio Grande do Sul tem 1% do seu território em UCs e 13% em APs. Já o Paraná tem 3% do território em UCs e 18% do território em APs. Santa Catarina aparece com 23% do território em APs e 4% do território em UCs.

“Não existe nenhuma categoria que proteja mais o meio ambiente do que o agricultor. Não existe militar, pesquisador, jornalista, que respeita tanto o meio ambiente. Nenhuma instituição, secretaria de meio ambiente, fundação etc. Ninguém chega perto do que os agricultores fazem pelo meio ambiente”, aponta o chefe-geral da Embrapa monitoramento por satélite.

Intuito não é controlar os agricultores

O pesquisador explica que ao pegar os dados do CAR e fazer um levantamento com base neles, a intenção é gerar informação para melhorar a compreensão do campo. “Não temos o intuito de controlar agricultores, ou de verificar se está certo ou errado. Queremos compreender a agricultura. Tanto é que o máximo de detalhe em que chegamos é em escala municipal”, enfatiza.

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