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Estudo fake?

Greenpeace diz que é veneno. Especialista diz que é mentira 

ONG divulga estudo sobre presença de agroquímicos em alimentos e é rebatida por pesquisador 

Creative Commons/Pixabay Pimentão foi um dos cultivos avaliados pelo relatório do Greenpeace, que afirma que foram encontrados sete resíduos de agroquímicos no tipo verde. Pesquisa destaca ter encontrado ‘problemas graves’ nos seguintes alimentos: banana-prata, mamão formosa, laranja, pimentão verde, tomate, couve, café e arroz branco | Creative Commons/Pixabay

Pimentão foi um dos cultivos avaliados pelo relatório do Greenpeace, que afirma que foram encontrados sete resíduos de agroquímicos no tipo verde. Pesquisa destaca ter encontrado ‘problemas graves’ nos seguintes alimentos: banana-prata, mamão formosa, laranja, pimentão verde, tomate, couve, café e arroz branco

  • Giorgio Dal Molin

A ONG Greenpeace divulgou nesta terça-feira (31) um relatório sobre o uso de agroquímicos (popularmente chamados de agrotóxicos) na agricultura brasileira. Entre os resultados, a entidade destaca que 60% das amostras continham resíduos de defensivos agrícolas e 36% tinham alguma irregularidade com o uso desses produtos. 

Esses dados apresentados com destaque na publicação, contudo, não são ameaças à saúde, na avaliação de Nicholas Vital, pesquisador do assunto e autor do livro Agradeça aos Agrotóxicos por Estar Vivo. “Resíduos em alimentos não significam problemas, isso é o grande sensacionalismo”, diz. Ele diz que, desde que esteja em limites certos, a presença é perfeitamente aceitável. 

Segundo o Greenpeace, “entre as irregularidades, encontramos agrotóxicos não permitidos para a produção do alimento específico e outros acima do limite máximo permitido por lei. E pior: encontramos um agrotóxico proibido no Brasil”. Na opinião de Vital, o agroquímico proibido seria ‘caso de polícia’, mas o argumento de uso de um agroquímico em mais de um alimento não é um problema de saúde pública, e sim da burocracia: 

“No mundo todo defensivos agrícolas são registrados por pragas: se você precisa combater um inseto, tem um inseticida, por exemplo. Só no Brasil é exigido registrar um defensivo por cultura. Aqui, se você tem uma praga que ataca quatro culturas, precisa fazer quatro registros. Então, por que as indústrias não registram quatro vezes? Porque custa caro todo o processo burocrático e existem culturas menores, como o pimentão, que não justificam esse processo”. 

Efeito coquetel

O Greenpeace também destaca que “a presença de diferentes tipos de resíduos no mesmo alimento pode acarretar no que é conhecido como efeito coquetel, quando se misturam diferentes substâncias químicas, e a combinação pode ter um efeito desconhecido, diferente do resíduo isolado”. 

Segundo Mariana Lacôrte, especialista do Greenpeace em Agricultura e Alimentação, “só no pimentão foram encontrados sete diferentes tipos de agrotóxicos”. Para Vital, a resposta neste caso é simples: “Se você vai ao médico e ele receita três remédios, você não vai morrer [de overdose]. Com alimentos é a mesma coisa”, afirma, alegando que os cultivos podem precisar de mais de um defensivo. 

Para Vital, o pimentão é um bom exemplo para ‘desmistificar’ o risco: “Ele é hoje símbolo de alimento intoxicado, mas uma das substâncias químicas mais detectadas no pimentão é um inseticida cujo índice de ingestão aceitável é 0,01 mg/kg de peso corporal. No caso de um homem de 85 quilos seria necessário ingerir pouco mais de 21 quilos todos os dias, por toda a vida, para sofrer uma intoxicação”.

Caso fosse possível tamanha ingestão diária, inclusive, a pessoa provavelmente morreria antes por conta da presença do magnésio, algo natural no pimentão. “Em 20 quilos de pimentão, são nada menos do que 2.200 miligramas de magnésio, ou dez vezes mais do que a dose letal estimada para esse ingrediente”, resume Vital. 

Seis quilos de agroquímicos por pessoa

Outra polêmica presente no estudo é sobre a média ingerida de agroquímicos pelos brasileiros, que o Greenpeace alega ser de 6 kg por ano. Vital argumenta que essa é uma soma da média do uso total de defensivos dividido por habitante:

“É o mesmo que falar que cada brasileiro fuma 400 cigarros por ano. O Greenpeace ‘esquece’ que 80% dos agroquímicos são utilizados em quatro culturas: soja, milho, algodão e cana, sem contar o alto número em pastagem, florestas e flores. Uma boa parte disso não vai para o prato, o que descredencia esse número”. 

O alto volume de produção de soja e milho, inclusive, foi alvo de críticas da ONG: “O modelo agrícola predominante no Brasil é altamente impactante e insustentável. Produz muito mais commodities do que comida de qualidade”. Neste sentido, o relatório incentiva o consumo de alimentos orgânicos. 

“Eles (o Greenpeace) sempre recomendam, o que leva a crer que tem ação orquestrada com produto orgânico. A pesquisa usou alimentos produtos que não pode rastrear a origem. O que eles querem? É gerar o pânico”, sugere Vital. 

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