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Pará e Roraima crescem em logística e produção agropecuária

Além dos investimentos em infraestrutura, cultivo de grãos também ganha espaço na savana

Gabriel Stefanelo estuda agronomia em Curitiba e, nas férias, ajuda a família a tocar propriedade no Pará. Soja e milho devem ganhar mais de 300 mil hectares em cinco anos no Pará e em Roraima |

Gabriel Stefanelo estuda agronomia em Curitiba e, nas férias, ajuda a família a tocar propriedade no Pará. Soja e milho devem ganhar mais de 300 mil hectares em cinco anos no Pará e em Roraima

Pará e Roraima crescem em logística e produção agropecuária Ampliar

As novas rotas de escoamento de grãos e a regularização das terras no Norte do Brasil dão novo impulso à agricultura. Hoje, a região segue um modelo de negócio sustentável – toda a produção é vendida com certificação ambiental. A área plantada com soja e milho no Pará e em Roraima deve ganhar de 300 mil a 500 mil hectares nos próximos cinco anos, conforme levantamento da Expedição Safra Gazeta do Povo. O maior incremento será no Oeste do Pará, com a incorporação de áreas que já foram agricultáveis ou destinadas à pecuária. “Temos a intenção de retornar de 20 mil a 30 mil hectares por ano ao processo agrícola ou pecuário, sem desmatamento, com todo o processo de licenciamento”, afirma Pio Stefanelo, um dos pioneiros na região. Dono de 1,8 mil hectares, ele faz parte do Grupo de Gestão Integrada (GGI), que reúne representantes de órgãos como a Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura. A missão é destravar ao menos 11 setores prioritários ao desenvolvimento da economia do estado, entre eles o turismo, a hotelaria, a agropecuária e a cerâmica.

Dados do Sindicato Rural de Santarém indicam que, num raio de 100 quilômetros, há pelo menos 200 mil hectares que podem ser transformados em lavouras de grãos. A 40 quilômetros dali estima-se que parte dos 400 mil hectares que atualmente estão sendo usados para pastos também seja passível de incorporação à soja e ao milho. Hoje, as duas commodities ocupam uma área de pouco mais de 70 mil hectares numa região que, além de Santarém, abrange também Belterra e Mojuí dos Campos. Em 2014, a produção de grãos ultrapassa as 330 mil toneladas, contra menos de 300 mil colhidos no ciclo passado.

Hemisfério Norte

No estado onde o cultivo de grãos respeita o mesmo calendário agrícola dos Estados Unidos (o plantio ocorre entre abril e maio e a colheita entre agosto e setembro), a soja também deve conquistar mais espaço no campo. Roraima destina atualmente menos de 20 mil hectares à oleaginosa. O terreno tende a duplicar de tamanho já na próxima safra. “A partir de 2015, vamos plantar 1 mil hectares só de semente, uma aposta no aumento da área (...)Devemos ter semente para atender pelo menos 35 mil a 40 mil hectares”, afirma o sementeiro Rodrigo Pratti, que também já testa variedades de algodão para uma segunda safra em sua propriedade.

A previsão de aumento na produção também atrai grandes grupos a Roraima. No próximo ano, uma trading com forte atuação em Mato Grosso abrirá uma filial na capital Boa Vista. Roraima não crescia por questão fundiária. A partir da Lei de Transferência de Terras, em 2009, o governo estadual passou a ter o direito sobre o território e maior autonomia na regularização junto aos órgãos ambientais e fundiários.

Limites: Expansão condicionada às questões ambientais e fundiárias

A expansão da agricultura no Norte do país, mais precisamente nos estados do Pará e Roraima, está diretamente relacionada a questões ambientais e fundiárias. O manejo e a tecnologia dos sistemas produtivos também têm seu peso, embora relativo, a considerar que a legalização das áreas é condição à produção. A agricultura só não aconteceu antes na região devido à necessidade de se garantir a preservação, no caso do Pará, e a documentação das áreas em Roraima, tradicional reduto de posseiros da época em que o estado era território da União.

A transformação veio na última década, com a moratória da soja no Pará, quando as multinacionais do setor deixaram de comprar soja produzida em áreas consideradas de desmatamento no estado. Com a pressão das organizações não-governamentais (ONGs) e a exposição na mídia mundial, a Amazônia ganhou ainda mais evidência e aos produtores rurais mais uma vez foi imposta a responsabilidade pelo desmatamento e degradação do meio ambiente.

Foi então que, entre 2005 e 2006, teve início na região um processo que forçou a regularização ambiental das áreas passíveis de cultivo. “Em 2004, a região de Santarém chegou a plantar 90 mil hectares, extensão que caiu a 22 mil e hoje está na casa dos 70 mil”, explica o agricultor Pio Stefanello. Segundo ele, a retomada está diretamente ligada à regularização.

Em Roraima, para que a produção encontre comprador, todas as lavouras devem estar em área legalizada ou em processo de legalização. O estado cultiva hoje em torno de 18 mil hectares de soja e outros 10 mil hectares de arroz. A área disponível, no entanto é bem maior. Marcelo Marcos Levi de Andrade, secretário estadual do Meio Ambiente, lembra que somente em 2014 foram liberados 30.140 hectares.

“A lei de transferência das terras da União para o estado, em 2009, foi o divisor de águas”, destaca Levi, informando que existem outros 70 mil hectares em fase de licenciamento ambiental. Para Álvaro Calegari, secretário de Agricultura de Roraima, “o grande balizador à expansão da agricultura no estado é o mercado, que se estiver favorável pode resultar em um acréscimo de até 20 mil hectares de lavoura por ano”.

Tanto no Pará como em Roraima, parte da incorporação de novas áreas vem de pastagens degradadas, que começam a ser reformadas com a produção de grãos.

Região não é para aventureiros

Pio Stefanelo, produtor rural em Santarém (Pará)

A produção de grãos é viabilizada no Norte graças ao esforço conjunto de agricultores com tradição na atividade. A maior parte é gaúcha ou paranaense. Um dos pioneiros, Pio Stefanelo, gaúcho “nascido na roça” cresceu na fazenda da família, se aventurou por outros estados no Sul, Centro-Oeste e Norte, mas escolheu o Pará como moradia.

Quantos produtores sobreviveram aos altos e baixos?

De 326 produtores em 2004, hoje são 160. Quem ficou é o produtor que nasceu, tem as raízes de fato na agricultura. Nenhum que tentou virar agricultor deu certo. Metade dos que estão aqui vieram de Mato Grosso e são naturais do Paraná ou do Rio Grande do Sul.

O que trouxe o produtor para a região?

Foi muita propaganda, de o cara ficar milionário plantando. Todo mundo entrou sem ter conhecimento agrícola. O dono da terra tinha crédito, mas na primeira crise abandonou o cultivo, que na época era dominado pelo arroz. Quando a agricultura tinha 90 mil hectares, 40 mil eram de produtores que vieram de fora e tinham tradição na atividade. Os outros 40 mil ou 50 mil hectares eram administrados por comerciantes.

Como tem sido a relação da pecuária com os grãos?

Em 2008 eram 120 mil cabeças de gado ocupando uma área de 300 mil hectares. O rebanho quase dobrou nessa mesma área. O boi tem sido a safrinha de muita gente aqui.

Cassiano Ribeiro

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