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TOMBO NA SAFRA

Capital da soja, Sorriso tenta amenizar prejuízos em ano de quebra

Daniel Castellano / Produtores vivem dias de incerteza na capital da soja, | Daniel Castellano /

Produtores vivem dias de incerteza na capital da soja,

  • Da redação com Folhapress

O maior produtor mundial de soja, o município de Sorriso (MT), está com sérios problemas. Os produtores da região, que sempre tiveram o clima como um grande aliado, são vítimas de uma intensa seca, o que vem comprometendo a produtividade.

Esse efeito climático ocorre em um momento delicado para o setor, que já vive os efeitos negativos dos problemas políticos e econômicos do país, da queda dos preços internacionais, da alta do dólar e, consequentemente, do aumento no valor dos insumos utilizados na produção. Até os ares novos da vizinha Argentina, que reduziu impostos e favoreceu o aumento de vendas de soja, preocupam os brasileiros.

A soma de todos esses problemas, mais a intensa crise hídrica, traz uma “tempestade perfeita” sobre o setor. Uma tempestade sem chuva.

O produtor Elso Vicente Pozzobon, vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), diz que “tudo está atrapalhado. Com tanta incerteza sobre o clima, não há como nem pensar em um planejamento”.

Ildo José Damiani, produtor em uma das áreas mais afetadas de Sorriso, caminha desolado pela produção. Com um sistema produtivo de alta tecnologia, ele se preparou para colher de 60 a 70 sacas por hectare, a média para a região em anos recentes. Após 80 dias na terra, a soja semeada não cresceu e tem menos de 30 cm -deveria estar com 80 cm a 100 cm. A planta tem de 10 a 12 vagens, quando deveria ter de 40 a 60. Os grãos não desenvolveram.

O resultado é que a produção, se ele optar pela colheita, deverá ficar bem abaixo do previsto: próxima de 11 sacas por hectare. Só para colher, os gastos equivalem a três sacas por hectare. Diante desse baixo potencial de produção, ele se pergunta: O que fazer? Eliminar essa planta e semear outra? Plantar algodão, milho? Terei crédito para isso? Provavelmente não, porque parte da sua plantação já está financiada.

Ironicamente, Damiani está em uma localidade denominada Barreiro. O nome é dado devido ao excesso de chuva na região em todos os anos. Neste, a chuva não veio. “Em 31 anos em Mato Grosso, nunca tinha visto coisa parecida. Vou lutar para pelo menos manter o meu CPF.”

A quebra da safra de soja e a falta de perspectiva na produção do milho amedrontam Luiz Carlos Nardi. O produtor fez vendas antecipadas de 50 sacas de soja por hectare. Provavelmente não terá soja para cumprir esses contratos.

Sorriso tem 620 mil hectares plantados com soja, e pelo menos 20% dessa área tem lavouras em estágio ruim. Nesses 20%, a produção deverá ficar abaixo de 40 sacas por hectare. Para compensar todos os gastos, incluindo a mão de obra da própria família, o produtor necessita de ao menos 50 sacas.

Prejuízo

A soma dos casos individuais afeta todo o município, segundo Laércio Pedro Lenz, produtor e presidente do Sindicato Rural de Sorriso. O município vive 100% do agronegócio. Perspectivas ruins para o setor acabam influenciando na atividade de toda a cidade, de vendas de roupa a um aumento de custo de vida, segundo Lenz.

Com um baque desse, o produtor demorará de dois a três anos para se recuperar. Ou seja, o município ficará pelo menos dois anos sem investimentos, acrescenta ele. Com a economia da região altamente ligada à soja, o problema também pode afetar a arrecadação do estado.

Várias regiões de Mato Grosso têm problemas na produção, mais ainda é cedo para uma avaliação precisa. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que o estado já perdeu perto de 4% da produção prevista para a safra de 2015/16 -- ou 1 milhão de toneladas. Mas há estimativas de perda de até 3 milhões de toneladas no Estado.

Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja em Mato Grosso, e produtor na região leste do estado, diz que, devido à seca, os produtores vão virar o ano plantando soja. radicionalmente, o plantio termina na primeira semana de dezembro. Devido à seca, o governo estendeu o prazo até 16 de janeiro. Dalcin diz que há uma dificuldade em se quantificar os estragos na região, mas “acendeu o alerta amarelo”.

A Aprosoja faz um acompanhamento detalhado da situação para auxiliar produtores que vão ter problemas com bancos e quebra de contratos nos próximos meses.

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