final é neste sábado

Esqueça a CBF: agronegócio promove o maior campeonato de futebol do Brasil

14ª edição da Copa Coamo de Futebol Suíço mobiliza mais de 7 mil agricultores-atletas do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Véio, Queijinho e Bolacha são alguns dos craques do torneio.

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Jogos decisivos acontecem neste sábado

  • Marcos Tosi

Dezenas de ônibus do interior do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul chegam nas próximas horas à cidade de Campo Mourão levando os agricultores-atletas que vão disputar neste sábado (29) as finais do maior campeonato de futebol do Brasil. A competição começou três meses atrás com 7500 jogadores distribuídos por 500 equipes. A título de comparação, a Série A do Campeonato Brasileiro reúne 20 times e cerca de 600 atletas.

Em sua 14ª edição, a Copa Coamo de Cooperados de Futebol Suíço é uma febre entre produtores rurais do Sul do país. O evento acontece em anos ímpares para não dividir as atenções com a Copa do Mundo nem com as Olimpíadas.

“A turma tá animada, só se fala em Copa Coamo por aqui”, conta Antonio Pierezan, o Pereirinha, de 59 anos, zagueiro e líder da equipe dos Caipiras, campeões por Aral Moreira, pequeno município do Mato Grosso do Sul distante 500 km da sede da cooperativa. “Fizemos o último treino mais leve, para não machucar os atletas. Fomos campeões regionais, só que aqui a veiarada é mais mansa. Lá em Campo Mourão é difícil, mas vamos tentar ir longe”, avalia Pereirinha.

Escalado para colher milho, o atacante Sucata será o grande desfalque dos Caipiras. Sem o artilheiro, resta ao time sul-mato-grossense torcer para que os veteranos Véio, Queijinho e Bolacha consigam transformar em gols o entrosamento conquistado na disputa das três últimas copas.

Copa Coamo: o maior torneio rural de futebol suíço do país Ampliar

Fôlego de menino

Para levantar o caneco, os agricultores-atletas vão precisar de todo o fôlego proporcionado pelo trabalho na lavoura. As equipes que chegarem à grande final terão disputado cinco jogos em um único dia. Tudo bem que as partidas são de apenas 10 minutos para cada lado, ainda assim, serão quase duas horas correndo atrás da bola. E com um detalhe: a qualquer momento do jogo é obrigatória a presença em campo de três veteranos, ou seja, três jogadores com mais de 42 anos.

Outra equipe que sonha alto é o Mexerica, de Boa Esperança. “A gente se criou junto, nosso time tem mais de 25 anos, entrosamento é que não falta. Nosso time não é ruim mas também não é bão”, brinca o meia-armador Luiz Carlos Carbonera, capitão dos mexericas.

A copa terá um forte componente emocional para o time UTI, do município paranaense de Pitanga. O fundador e líder do grupo, César Luiz Schon, o Viquinho, que levantou a taça da Copa Coamo em 2013, morreu no ano passado em acidente de carro, aos 49 anos. Os filhos Robson, 28, e Gustavo, 22, estarão em campo. “Vai ser difícil segurar a emoção. Meu pai era o cabeça, nosso líder. Vamos dar o máximo para honrar o nome dele e de Pitanga”, diz Gustavo Schon, que usará uma camisa por debaixo do uniforme com a foto de Viquinho.

A Coamo, maior cooperativa da América Latina, que faturou no ano passado R$ 11,4 bilhões, se orgulha de promover o que considera o maior evento esportivo rural do país. Para as finais do campeonato de futebol suíço, todas as delegações viajam em ônibus fretados pela cooperativa. Árbitros federados são contratados para apitar os jogos. E antes de a bola rolar nos campos da Associação Recreativa dos Funcionários da Coamo, no sábado, haverá uma atração artística surpresa, seguida de acendimento da Pira olímpica, desfile de delegações e bandeiras. E, claro, um grande churrasco. “É um dia diferente, que reúne não só os cooperados e funcionários, mas também as comunidades. É uma grande festa de integração, muito bem aceita”, avalia o “cartola” e presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini.

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