ROTEIRO DE CAMPO

Sem efeitos do El Niño, São Paulo registra resultado histórico na colheita

Fenômeno climático não modificou o clima no estado, permitindo o bom desenvolvimento das lavouras de soja

Para a produtora Jane Villas Boas, em Santo Grande, no Sudoeste paulista, esta é uma das melhores safras desde 2006. |

Para a produtora Jane Villas Boas, em Santo Grande, no Sudoeste paulista, esta é uma das melhores safras desde 2006.

CÂNDIDO MOTA (SP) |

  • enviado especial

Texto publicado na edição impressa de 16 de fevereiro de 2016

Após duas safras de secas e perdas nas lavouras, o clima tem colaborado com os produtores paulistas. Enquanto outras regiões produtoras sentiram a força do El Niño, como Mato Grosso, que sofreu com uma forte estiagem, e a região Sul, que registra excesso de umidade, São Paulo parece ter sido ‘esquecido’ pelo fenômeno climático. A expetativa é que o estado do Sudeste registre a melhor colheita das últimas seis temporadas.

Ao longo de um roteiro de 1 mil quilômetros percorridos na semana passada, a equipe da Expedição Safra, que está completando 10 anos, pôde conferir que os produtores superando suas próprias médias, alguns com marcas históricas. “O El Niño não passou por aqui. O desenvolvimento da planta foi muito interessante. Mesmo a ferrugem asiática, que teve início de registro, foi controlada rapidamente”, destaca Aparecido Valdecir do Couto, produtor e presidente do Sindicato Rural de Itaberá, no Sudoeste do estado paulista. “Iremos bater recordes de produção nesta temporada”, complementa.

Confira imagens da Expedição Safra em São Paulo

A satisfação com o atual ciclo pode ser verificada nos painéis das colheitadeiras por várias partes do estado. Na propriedade da produtora Jane Villas Boas, em Santo Grande, no Sudoeste, o início da colheita dos 126 hectares dedicados à soja permite projetar uma das melhores safras desde que assumiu a administração da fazenda, em 2006.

“Fechamos o custo de produção em junho [do ano passado] para fugir do dólar alto. Fizemos acompanhamento detalhado do solo. Sem área de replantio. Não tive problema com doenças. E o começo da colheita está em 3,8 mil quilos por hectare”, diz Jane, que no ano passado teve uma média de 2,9 mil quilos/ha. “E tem área que projeto tirar 5 mil quilos”, completa.

Com cerca de 25% da soja colhidos, o produtor José Aparecido contabiliza, em média, 4 mil quilos por hectare na propriedade de 145 hectares em Itaberá. “Choveu certinho essa safra. Termino a colheita em 30 dias e essa produtividade ainda irá melhorar”, ressalta.

“Não sei se rezamos muito. Mas o clima favoreceu. Tem área que parece irrigada com pivô de tão boa que está a soja”, destaca Antônio Jabur, produtor e presidente do Sindicato Rural de Cândido Mota, outro importante produtor paulista da oleaginosa.

Reviravolta gera corrida por semente de milho e provoca escassez

A disparada da cotação do milho nos últimos meses fez com que muitos produtores de São Paulo refizessem o planejamento para a safra de inverno. Agricultores que antes programavam plantar aveia, cobertura verde ou mesmo deixar a terra descansar, estão semeando o cereal conforme a soja é colhida.

“Os preços melhoraram e a terra está ótima para o plantio do milho safrinha. A produção será grande por aqui, pois o pessoal está animando”, diz Aparecido Valdecir do Couto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itaberá.

Porém, a correria de última hora tem gerado transtornos. Como muitos produtores decidiram comprar a semente sem reserva prévia, as revendas, empresas e cooperativas estão demorando para entregar e, em casos pontuais, forçando o atraso do plantio da safrinha.

“Está havendo correria às revendas, que não estavam preparadas para atender a uma demanda tão grande. Como não tinha estoque, tem produtor que colheu a soja, mas não entrou com o milho porque não tem semente”, conta Antônio Jabur, presidente do Sindicato Rural de Cândido Mota. “Mas isso deve se normalizar em breve.” (CGF)

Confira imagens da Expedição Safra em São Paulo Ampliar

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