Expedição Safra

O pequeno Uruguai caminha para uma safra recorde

Com uma produção muito menor que a dos vizinhos Argentina e Brasil, o país espera quebrar a barreira das 3,5 milhões de toneladas de soja

Albari Rosa/Gazeta do Povo Andrés Feuer cultiva 1.080 hectares na região de Paysandu, no Uruguai: “Nunca tivemos uma safra tão boa assim”. | Albari Rosa/Gazeta do Povo

Andrés Feuer cultiva 1.080 hectares na região de Paysandu, no Uruguai: “Nunca tivemos uma safra tão boa assim”.

Mercedes e Paysandu (Uruguai) |

  • Gabriel Azevedo enviado especial

Lar de 3,5 milhões de habitantes (mesma quantidade de pessoas que vive somente na Região Metropolitana de Curitiba), que vivem em uma área de 177 mil km²(o Paraná sozinho tem 199 mil km²), o Uruguai pode não ser grande, mas é eficiente no campo. Na última década, o país localizado às entro o oceano Atlântico e do rio da Prata aumentou em 50% a área dedicada à agricultura e em 70% sua produção.

Nesta safra, o país pretende colher 3,5 milhões de toneladas de soja, 1 milhão a mais do que na última temporada, quando sofreu problemas com o clima no plantio e na colheita. Segundo os produtores, a marca será facilmente alcançada. “Nunca tivemos uma safra tão boa assim”, diz Andrés Feuer, que administra o cultivo de 1.080 hectares na região em Paysandu, no Departamento de Rio Negro. Segundo Feuer, enquanto no ano passado a média não passou das 45 sacas por hectare (sc/ha), neste ciclo ela está em 53 sc/ha . “O tempo se comportou de maneira surpreendente”, explica.

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Expectativa é que o Uruguai colha 3,5 milhões de toneladas de soja nesta temporada.

O agrônomo Tomás Mayol, da empresa de insumos Solaris, que atua no Departamento de Mercedes, endossa o discurso. “No ano passado tivemos secas entre os meses de janeiro e fevereiro e muita chuva durante a colheita. Neste ano o tempo foi bastante regular. Estou há seis anos na região e nunca vi nada igual”, conta.

Preços e problemas

Mas não é apenas de boas notícias que vive o país. Com custos de produção e venda calculados em dólar, o Uruguai sente diretamente os efeitos da desvalorização da oleaginosa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). “Aqui não é muito comum à venda antecipada, ainda mais depois do fracasso do ano passado, isso faz com que muitos produtores percam dinheiro”, conta Feuer.

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A média de produtividade nas terras uruguaias tem ficado em torno de 53 sacas por hectare.

Como não há consumo interno, praticamente tudo que é produzido vai para exportação. “Nós temos um problema muito grande com o frete. Aqui, ele custa US$ 26 por tonelada. Um valor altíssimo. E não temos muita infraestrutura para armazenamento, o que acaba prejudicando nossa rentabilidade”, complementa.

O gerente comercial da empresa de consultoria TerraNova, em Paysandu, Fabricio Chinazzo, também avalia que o governo mais atrapalha do que ajuda. “Aqui no Uruguai, o produtor precisa estar capitalizado ou tomar dinheiro de bancos privados, que não têm linhas especiais de crédito para agricultores”, diz.

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Produtores da região dizem que há potencial para ampliação em 1 milhão de hectares de soja no país.

Segundo Chinazzo, o país poderia aumentar em 1 milhão de hectares o tamanho da área dedicada à agricultura, mas isso não acontece por causa de preços e dos pecuaristas. “O Uruguai tem muitas áreas boas para serem exploradas. Mas agricultura entra em choque com a pecuária, que é uma cultura muito enraizada no país. E os pecuaristas têm receio de entrar numa atividade que pode ou não dar lucro, dependendo do ano”.

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