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Falta de chuva pegou soja ‘na veia’

Em São Paulo, duas semanas sem chuva na fase de enchimento de grãos já comprometeram parte do potencial de produtividade da soja

Adilson Andreotti Foto de 16 de dezembro mostra estágio da soja plantada em 4 de outubro na propriedade de Adilson Andreotti, em Cândido da Mota (SP) | Adilson Andreotti

Foto de 16 de dezembro mostra estágio da soja plantada em 4 de outubro na propriedade de Adilson Andreotti, em Cândido da Mota (SP)

  • Marcos Tosi

A principal região produtora de soja em São Paulo, no sudoeste do estado, respira aliviada neste início de semana após a chegada da chuva, aguardada há pelo menos quinze dias. As precipitações devem ajudar a minimizar as perdas de produtividade que, no entanto, já são dadas como certas na safra atual.

“Estamos no meio do ciclo, entrando na fase de enchimento de grãos, em que a chuva é muito importante. A falta de umidade pegou a soja na veia, já se fala em quebra de uns 20%”, diz José Dias, gestor de comercialização da Coopermota, cooperativa com dois mil associados que tem sede no município de Cândido Mota e atua no Vale do Paranapanema, Alta Paulista, Sudoeste e Pontal do Paranapanema.

O produtor Adilson Geraldo Andreotti, de Cândido Mota, inspecionou a lavoura no final de semana e constatou: independentemente da normalização das chuvas, não há mais chances de alcançar o ótimo desempenho do ano passado. “No início do ciclo, o desenvolvimento da soja foi meio amarrado, por excesso de umidade. Agora tivemos esse problema grave da falta de chuva, e a soja vai acumulando essas duas perdas. Já não tem o mesmo potencial produtivo do ano passado”, aponta Andreotti, que cultiva 400 hectares no município de Cândido Mota.

Em relação aos índices de comercialização, José Dias calcula que cerca de 20% da leguminosa já foi vendida pelos produtores, dentro da média esperada. Andreotti vendeu menos do que isso. “Não tenho por tradição fazer venda antecipada muito grande. Estou com menos de 10% negociado, terei de vender mais uns 30% na colheita, para cobrir os custos de produção. Gosto de ficar analisando o mercado”, resume.

Segundo a Conab, São Paulo é o sétimo produtor de grãos no país, com 4% do total. Lideram a produção o Mato Grosso (26,2%), Paraná (17,2%), Rio Grande do Sul (15,1%), Goiás (9,4%), Mato Grosso do Sul (7,9%) e Minas Gerais (5,9%).

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