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Avião de pulverização em Nova Santa Rosa, no Paraná. Estado é um dos maiores  compradores de aviões agrícolas. | Lineu Filho/Gazeta do Povo
Avião de pulverização em Nova Santa Rosa, no Paraná. Estado é um dos maiores compradores de aviões agrícolas.| Foto: Lineu Filho/Gazeta do Povo

A expansão do agronegócio e a previsão de safra recorde de grãos estão diretamente relacionadas a outra atividade: o aumento da venda de aeronaves para o setor. Atualmente, a aviação agrícola é a segunda maior frota dedicada do Brasil.

Uma amostra do crescimento conjunto da aviação e do agronegócio é a Embraer, que detém 60% desse mercado no Brasil. A empresa vendeu apenas três unidades do avião Ipanema em 2016, desenvolvido especialmente para fins agrícolas. Neste ano, contudo, a companhia prevê a comercialização de 15 a 20 aviões em 2017.

“Além da utilização clássica de aviões na aplicação direta, na pulverização de defensivos agrícolas para controle de pragas, o uso de aeronaves no agronegócio vem ganhando cada vez mais relevância com a modernização das técnicas de cultivo e a necessidade de mobilidade em tempos de mercados cada vez mais globalizados”, analisa Shailon Ian, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e presidente da Vinci Aeronáutica.

Aviões agrícolas Embraer

Alexandre Solis, diretor da Unidade da Embraer em Botucatu, onde o Ipanema é produzido, informa alguns diferenciais do avião Ipanema: “Hoje, a aeronave está certificada para operar com itens como GPS Diferencial (DGPS), altímetro a laser e fluxômetro, que garantem a aplicação mais precisa, segura e eficaz.” É a primeira aeronave produzida em série no mundo a sair de fábrica certificada para voar com o mesmo etanol utilizado em veículos.

A operação de aviões para atividade aeroagrícola, como é conhecida, é uma das mais desafiadoras da industria da aviação. Ian, que já trabalhou com auditorias de aeronaves e fez parte da Agência Nacional de Aviação Civil, explica que uma operação de rotina com o modelo Ipanema exige habilidade do piloto, pois a decolagem ocorre com mais de 80 litros de produtos químicos, em pistas geralmente com pouca estrutura.

Também aumento o uso de aeronaves privadas por parte dos grandes proprietários e empresários do agronegócio. “A riqueza no campo permitiu que aviões privados e helicópteros, antes considerados um luxo, se tornassem ferramentas importantes de trabalho. A bordo de suas aeronaves, os fazendeiros se deslocam com rapidez entre diferentes propriedades, centro produtores e centros consumidores dos produtos agrícolas”, conclui Ian.

Estima-se que os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e são Paulo detenham cerca de 70% das aeronaves agrícolas. Os preços do modelo da Embraer saem a partir de R$ 1,6 milhão.

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