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Dieta de escritório?

Americanos saudáveis se derretem pela nova geração de comida congelada

Alimentos prontos já não são mais um triste refúgio de gente que trabalha em escritório; aposta é numa “roupagem” pautada na saúde e bem-estar

Pixabay/Creative Commons “As empresas de comida congelada perceberam: ‘nós podemos levar à casa dos consumidores alimentos autênticos e com ingredientes integrais com um alto nível de conveniência’”. | Pixabay/Creative Commons

“As empresas de comida congelada perceberam: ‘nós podemos levar à casa dos consumidores alimentos autênticos e com ingredientes integrais com um alto nível de conveniência’”.

  • The Washington Post

Consumidores estão comendo mais vegetais e proteína, e suas ressalvas quanto à comida congelada – tida durante muito tempo como uma opção insatisfatória de dieta ou turbinada com ingredientes artificiais – estão começando a “derreter”.

Nesse meio tempo, as fabricantes estão renovando seus produtos, incluindo opções mais saudáveis e saborosas. E enquanto pratos “diferentões”, como a “Mango Edamame Power Bowl” (uma tigela de salada com soja verde, vinho tinto, aveia, quinoa e por aí vai), levam um toque criativo à seção de frios, um dos principais atrativos da comida congelada continua sólido como Iceberg: praticidade.

“As empresas de comida congelada perceberam: ‘nós podemos levar à casa dos consumidores alimentos autênticos e com ingredientes integrais com um alto nível de conveniência’”, afirma David Portalatin, conselheiro do NPD Group. “Vamos dar a eles um rótulo ‘limpo’, orgânico ou não geneticamente modificado. Vamos trazer a qualidade de volta.”

Consumidores estão ávidos por opções que facilitem suas vidas na cozinha. Fora isso, alguns kits de comida “se mostraram alternativas rentáveis”, aponta um relatório recente da RBC Capital Markets. Nele, analistas avaliam se as pessoas estão dispostas a pagar mais por uma forma de preparar comida que dá mais trabalho e consome mais tempo.

O estudo mostrou que o mercado de alimentos congelados cresceu nos Estados Unidos pela primeira vez em cinco anos, à taxa de 1% no último trimestre. Isso na esteira da geração millennial (ou geração Y, aqueles que nasceram entre os anos 1980 e 1990), que busca refeições nutritivas e atrativas sem abrir mão da praticidade. Com isso, vegetais, frutas e pratos congelados surgem como opções relativamente baratas e acessíveis. Isso vale ainda para famílias e pessoas mais jovens, que estão menos interessadas em comer fora, seja porque trabalham em casa ou simplesmente não “desgrudam” da Netflix na hora do jantar.

Como pano de fundo, está caindo por terra o estigma com relação à seção de frios nos supermercados, que geralmente ficam até do lado oposto às prateleiras de alimentos frescos. Especialistas dizem que a comida congelada já não tem sido necessariamente associada à adição de sódio e açúcar, podendo encontrar espaço na mesa, do café da manhã à sobremesa.

Os congelados podem até reivindicar algumas vantagens nutricionais e ambientais sobre produtos frescos, já que, geralmente, passam por esse processo logo após a colheita ou preparo, mantendo nutrientes ‘evaporados’ no caminho entre o campo e a mesa.

Além disso, estima-se que o índice de desperdício de comida nos Estados Unidos alcance os 40% ao ano, segundo o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, de modo que congelar, neste caso, significa ampliar o tempo de vida de ingredientes que se perdem muito rápido.

“Todos nós amamos comprar frutas e vegetais no ápice do frescor, mas, frequentemente, nossas vidas são corridas demais e é desafiador administrar a rotina de refeições que precisamos preparar para nossas famílias”, comenta JoAnne Berkenkamp, membro-sênior no Conselho. “O congelamento pode ser um ótimo complemento à comida fresca, assim as pessoas podem ter o que necessitam sempre à mão.”

O relatório da RBC destaca a Conagra Brands – que inclui marcas como a Healthy Choice, Banquet e Marie Callender’s – como líder na reinvenção da comida congelada. A companhia cortou os descontos de alguns produtos, turbinou o teor de proteína em suas refeições e modernizou as embalagens.

No top 20 de marcas de alimentos processados e congelados nos Estados Unidos, a Healthy Choice tem apresentado o maior crescimento anual – 21% no trimestre anterior, segundo o estudo da RBC. Em linha com as tendências de consumo, a empresa descartou ingredientes artificiais e palavras difíceis de pronunciar em suas embalagens, destacando as fibras e proteínas. Em contrapartida, as vendas da tradicional concorrente Weight Watchers caíram 23%.

Sonia Vora, analista da Morningstar, conta que a Conagra levou vantagem ao sair do foco restrito em “produtos diet” para uma abordagem mais ampla em saúde e bem-estar. “Não é apenas uma questão de livre de açúcar ou gordura, mas abrir caminho para coisas que são mais naturais ou integrais”, salienta.

O conselheiro do grupo NPD compara a geração dos millennials aos baby boomers (aqueles que nasceram após a Segunda Guerra Mundial), os primeiros a enxergar nos restaurantes e alimentos processados uma forma de terceirizar as refeições. Assim como seus pais, os millennials constituem uma geração que procura por soluções mais simples na hora de ir à cozinha. “Eles querem comer em casa, querem um caminho para ter pureza e qualidade quando comem em casa”, afirma Portalatin. “Mas eles não dispensam a praticidade, pois ainda estão num estágio de construção de carreira e família, e nós continuamos valorizando a conveniência.”

Em novembro passado, a Healthy Choice tuitou a respeito de sua tigela de frango adobo, destacando as pepitas – “uma maneira chique de dizer sementes de abóbora” – e a pimenta poblano (uma espécie de pimentão) como sabores criativos para comida congelada. “E não os ingredientes da sua comida congelada usual”. Em outras palavras: comida congelada já não é mais comida congelada (pelo menos não no sentido antigo da coisa).

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