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Negócios de R$ 8 bilhões envolvendo a dona da JBS estão na mira do BNDES

Leo Pinheiro/Valor Como parte da política de “campeões nacionais”, o BNDES aportou R$ 8,1 bilhões na JBS. | Leo Pinheiro/Valor

Como parte da política de “campeões nacionais”, o BNDES aportou R$ 8,1 bilhões na JBS.

Rio de Janeiro (RJ) |

  • Estadão Conteúdo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contratou o escritório de advocacia americano Cleary Gottlieb para aprofundar investigações internas sobre as operações envolvendo empresas do grupo J&F, da família Batista, dona do frigorífico JBS. No fim de março, um comunicado interno informando sobre a investigação foi distribuído entre funcionários do banco que participaram dessas operações.

Segundo fontes que tiveram acesso à mensagem e pediram para não se identificar, além de informar da apuração interna a cargo do Cleary Gottlieb, o comunicado pede aos funcionários para que não apaguem e-mails que possam vir a ser solicitados nas investigações.

Questionada sobre quais seriam os instrumentos de investigação, além da análise de mensagens trocadas entre os funcionários, a assessoria de imprensa do BNDES afirmou que não poderia “dar detalhes acerca dos procedimentos utilizados na apuração”, no intuito de “preservar a eficácia e o sigilo”.

O BNDES já havia instalado uma comissão de apuração interna sobre as operações com a JBS, após a divulgação da delação premiada de executivos do grupo da família Batista, que envolveram os governos do presidente Michel Temer e dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

Como parte da política de “campeões nacionais”, o BNDES aportou R$ 8,1 bilhões na JBS. No valor, estão incluídos R$ 2,7 bilhões ao frigorífico Bertin, que seria comprado pela JBS em 2009, formando o maior produtor de proteína animal do mundo. As operações do banco com o grupo J&F incluem ainda R$ 3,1 bilhões em empréstimos para a Eldorado, fabricante de celulose da família Batista. Procurada, a J&F não quis comentar o tema.

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