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Pressionado pela alta do milho, preço do frango dispara

HENRY MILLEO / Gazeta do Povo Segundo os avicultores, o aumento no preço da proteína branca é resultado da escassez de milho, usado como ração nas granjas. | HENRY MILLEO / Gazeta do Povo

Segundo os avicultores, o aumento no preço da proteína branca é resultado da escassez de milho, usado como ração nas granjas.

O recente avanço da cotação do milho no mercado doméstico está mudando o cardápio do brasileiro. A carne de frango, eleita a substituta oficial da bovina durante a crise, está cada vez mais cara para o consumidor. O quilo do frango congelado nos supermercados subiu 26% em 2015, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). E o cenário não deve mudar tão cedo. Só nos primeiros dias do ano, o preço do quilo congelado, por exemplo, passou de R$ 5,60, em média, para R$ 6,15 (+10%).

O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, diz que não há dúvidas de que o preço do frango vai continuar subindo. “O impacto do preço do milho é muito grande. Somos a cadeia produtiva que mais consome a cultura. Não tem como não repassar”, diz.

Segundo os avicultores, o aumento no preço da proteína branca é resultado da escassez de milho, usado como ração nas granjas. A redução da área de plantio de verão e as exportações aquecidas diminuíram drasticamente o estoque do cereal, impulsionando os preços. O milho – que representa 65% do custo de produção da ave –, aumentou 42% no ano passado, de R$ 20,73 a saca em janeiro de 2015 para R$ 29,60 no primeiro mês deste ano no Paraná. Em várias praças do país, a saca do cereal disparou e ultrapassa a casa dos R$ 40.

Dados da Expedição Safra mostram que o balanço de oferta e demanda da safra brasileira 2014/15 de milho, ano comercial 2015, indica um estoque de passagem muito baixo para o início de 2016, entre 3,5 a 4,5 milhões de toneladas. A estimativa considera uma produção entre 85 a 88 milhões de toneladas, um consumo interno de 56 a 58 milhões de toneladas e a exportação de 34,5 milhões de toneladas. Do estoque citado, 1,5 milhão de toneladas pertencem a Companhia Nacional de Abastecimento. Isso fez o preço do grão disparar.

O analista Paulo Molinari, da consultoria Safras & Mercado, afirma que o Brasil exportou milho demais e que os avicultores demoraram a ver o que estava acontecendo. “O estoque de passagem está muito baixo, e os preços devem se manter neste patamar até junho, quando a nova safra será colhida, isso caso não aconteça nenhuma surpresa”, diz.

Leilões

Para segurar o preço do milho, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou um edital para vender 500 mil toneladas do grão estocado na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já foram realizados dois, o último aconteceu nesta terça-feira (16), quando 150 mil toneladas foram disponibilizadas no mercado. “Os leilões do governo até atenuaram, mas não de maneira significativa”, diz Domingos Martins, do Sindiavipar.

Conforme estimativas do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), o setor irá utilizar 43 milhões de toneladas do grão em 2016.

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