Publicidade
Segurança

Isofix ainda está longe de ser popular

Presente em apenas 5% dos carros vendidos no país, sistema de fixação de cadeiras infantis será obrigatório a partir de 2020

Ao poucos, modelos mais acessíveis oferecem o acessório de série. | VALTERCI SANTOS / VALTERCI SANTOS
Ao poucos, modelos mais acessíveis oferecem o acessório de série. (Foto: VALTERCI SANTOS / VALTERCI SANTOS)

Ao se falar em segurança veicular, uma das palavras que se tornaram mais presentes nas listas de itens das montadoras é o Isofix, sistema de fixação de cadeiras infantis nos assentos traseiros dos carros. Antes presente apenas em modelos premium e importados, o mecanismo já é encontrado em modelos acessíveis ao grande público, como Volkswagen up!, Hyundai HB20 e Honda Fit. Mas para se popularizar no país, ele ainda tem um longo caminho pela frente.

Segundo um levantamento do Inmetro, só 5% dos carros vendidos no Brasil têm essa tecnologia, que consiste em um encaixe acoplado à carroceria para facilitar a colocação das cadeirinhas. Os pais que possuem veículos sem o sistema são obrigados a usar os cintos de segurança para prendê-las ao banco. “O Isofix é mais seguro porque evita o erro humano. É muito comum alguns pais não lerem o manual de instruções do carro e prender incorretamente as cadeiras com o cinto”, afirma a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Gabriela Guida de Freitas.

No início deste ano, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) determinou que até 2020 todos os carros fabricados no país deverão sair de série com o mecanismo, além de outros itens de segurança como cintos de três pontos e os encostos de cabeça nos assentos de trás. Entretanto, até lá é preciso primeiro que as marcas estejam autorizadas a produzir e comercializar os equipamentos com Isofix no Brasil. De acordo com a portaria 466 publicada no Diário Oficial da União em outubro passado, as fabricantes só poderão oferecer os produtos a partir de 2018, o que, na prática, significa que até lá os pais que quiserem adquiri-las só poderão comprá-las fora do Brasil. Na Europa, elas são certificadas desde 2011, enquanto que nos EUA não há uma legislação específica sobre o assunto.

O pesquisador da associação de consumidores Proteste Dino Lameira frisa que a portaria não obriga todas as cadeirinhas a terem o mecanismo até 2018, e acrescenta que os motoristas brasileiros têm pouco conhecimento dessa tecnologia. “Hoje não há muitos carros com o sistema, o que torna o acesso limitado. Mas quanto mais carros o disponibilizarem, maior será o interesse do consumidor”, conta. Outro entrave apontado por Lameira é o fato de os produtos com Isofix serem mais caros que os convencionais – estima-se que a diferença de preço possa chegar a R$ 700, tomando-se como base as cadeiras vendidas no Brasil antes das exigências do Inmetro.

Por outro lado, os testes realizados em outros países demonstram que o investimento compensa. O Latin NCap, órgão independente de avaliação de segurança veicular, por exemplo, considera um ‘método bem mais seguro’ de retenção, por evitar que os produtos ‘rodem’ em casos de colisão. “O Isofix facilita o trabalho e retira o peso da responsabilidade sobre os pais. Quando mal colocadas, as cadeirinhas podem pôr a vida da criança em risco, porque, com o tempo, o cinto alarga e diminui o desempenho da fixação em caso de impacto”, diz Lameira.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.