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Reflexo do IPI alto freia invasão chinesa

Mesmo mantendo os preços estáveis, marcas tiveram vendas reduzidas pela metade desde setembro de 2011

Por menos de R$ 30 mil, o JAC J2  1.4 chega em outubro para brigar entre os populares |
Por menos de R$ 30 mil, o JAC J2 1.4 chega em outubro para brigar entre os populares
 
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Reflexo do IPI alto freia invasão chinesa

No último Salão do Auto­mó­vel de São Paulo, em outubro de 2010, as marcas chinesas atraíram os holofotes ao prometer chacoalhar o mercado brasileiro com carros recheados de itens de série a preços acessíveis. Os “completões” da JAC Motors e o Chery QQ, “o popular completo mais barato do Brasil”, puxavam a fila asiática naquela feira, que ainda contava com outras seis representantes: Effa Motors, Lifan, Haima, Brilliance, Cha­na e Hafei.

Em 2011, o desempenho das duas principais marcas chi­nesas no país mostrava um futuro promissor. Tanto a JAC quanto a Chery viram seus carros-chefes, o hatch J3 1.4 e o subcompacto QQ 1.1, registrarem pico de vendas próximo das duas mil unidades/mês. Até que veio o anúncio da majoração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em setembro no ano passado. A medida do governo elevaria em 30% a alíquota para os carros importados a partir de dezembro.

Foi um duro golpe para as pretensões chinesas. Mesmo não repassando a alta para o consumidor (os preços ficaram estáveis), as marcas tiveram um declínio nas vendas e até o momento esse cenário ainda não foi revertido, apesar de o IPI ter sofrido uma pequenaredução em maio.

O volume mensal negociado pela JAC caiu 43% em relação a 2011 – não considerando o sedã J5, lançado este ano. Já a retração na Chery é de 32% – não computado o S-18, que também estreou em 2012. “Tivemos um desempenho muito bom (até setembro de 2011). Chegou a faltar carro (devido à forte demanda)”, lembra Fábio Calligari, gerente de Operações da Hong Kong, concessionária Chery no Paraná.

Mas a tímida ação de mar­keting da marca, aliada ao impacto psicológico do IPI, colaborou para esfriar a procura pelos modelos Chery. “Teremos mais mídia a partir de agora”, garante Calligari, citando também o anúncio da futura fábrica em Jacareí (SP) como uma propaganda positiva para o fortalecimento da marca no país.

Subsídio

A JAC Motors, por sua vez, fez da publicidade agressiva sua principal arma para estrear com pompa no mercado brasileiro. Contratou o apresentador Faustão, da Rede Globo, como garoto-propaganda e abriu num só dia 50 concessionárias. Com a subida do IPI, e também do dólar nos últimos meses, parte deste investimento promocional teve de ser redirecionado para subsidiar os preços dos produtos e assim evitar possíveis reajustes. “A única gordura que tínhamos era a do marketing. Incorporamos esse investimento para subsidiar os valores dos carros”, explica Eduardo Pincigher, diretor de Comunicação da JAC. Tal medida fez com que a marca praticamente não tivesse mídia no último trimestre de 2011 e início deste ano. “Caímos no esquecimento”, aponta.

Se a JAC buscou no remanejamento da verba publicitária uma solução para ainda praticar preços competitivos, a Chery preferiu importar lotes maiores de veículos antes de a nova alíquota começar a vigorar – em 15 de dezembro. A marca ainda comercializa a linha 2011/12, do estoque do ano passado. Por isso, o QQ continua a ser tabelado em R$ 23.990, por exemplo. Segundo Calligari, com a alta da alíquota de importação, o preço real do modelo saltaria para R$ 32.990, e depois, com desoneração em maio deste ano, cairia para R$ 29.990.

Ele explica que a Chery está encontrando maneiras para não mexer muito nos preços quando a reserva de 2011 acabar. “A linha 2013 virá da China sem o atravessador (empresa importadora). Assim, os custos diminuirão. Além dis­so, vamos inaugurar a fábrica em Jacareí, o que fará a carga tributária reduzir”, salienta.

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