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Quinta-feira, 28/08/2008
Saudações, notívagos! Dessa vez o oceano de silêncio foi intencional - estava me divertindo horrores com o duelo Paula/João/Alice contra "a rapa" (aliás, uso esse último termo com o maior respeito: os meninos devem se lembrar dos desafios nos campos de pelada, "eu e fulano contra a rapa", né?).
Então, primeiro queria cumprimentá-los pelo debate de altíssimo nível (até Herr Friedrich Nietzsche deu as caras por aqui, quem diria?) e pelo índice relativamente baixo de ofensas pessoais. E avisar que o abaixo-assinado continua valendo - não tive tempo esta semana de reunir todas as assinaturas, juntá-las com as dos comerciantes e remetê-las à Fundação Cultural de Curitiba. Enquanto isso, quem quiser cerrar fileiras pela reabertura da Pedreira pode mandar seu nome completo, RG e CPF para o e-mail anoitetoda@gazetadopovo.com.br (ao qual, repito, só eu tenho acesso).
Para evoluirmos enfim nesta celeuma em torno da Pedreira, gostaria de compartilhar com vocês outro assunto que me chamou a atenção nos comentários do post anterior. Quando a combativa Paula questiona a relevância cultural de shows, baladas e todo tipo de lazer noturno.
Se me permitem um pitaco, o enriquecimento cultural normalmente não é o objetivo principal de quem sai à noite. Creio que seja relaxar, aliviar o estresse de um dia ou uma semana de trabalho, reencontrar amigos, conhecer pessoas, paquerar, jogar conversa fora, dar risada... tipo um "protetor de tela" do cérebro, para ele voltar a funcionar renovado na segunda-feira ou no dia seguinte.
Luigi Poniwass
Acontece que, dependendo do lugar, das atrações e das pessoas com quem você se encontra, uma balada também pode ampliar os seus horizontes culturais. Tenho certeza de que muita gente que viu e ouviu a Mallu Magalhães pela primeira vez no Jokers, deve ter se interessado pelo folk e por nomes como Johnny Cash e Bob Dylan (ícones incontestes da cultura pop). Ou quem viu a Joss Stone no Teatro Positivo pode ter começado a prestar mais atenção no soul contemporâneo, para depois esbarrar nos mestres do gênero, como James Brown. Sem falar que você ainda corre o risco de encontrar pessoas como a Paula, que sem dúvida daria um ótimo papo de boteco...
Meus bravos baladeiros... desculpem mais esse oceano de silêncio, mas foi por motivo de força maior: fui vítima de uma maionese do mal, que comi no sábado passado, e hoje foi a primeira vez que consegui ingerir algo sólido desde então. Mas estou melhorando, e já posso reabastecer este espaço.
Então: como prometi, vou reunir hoje todos os nomes do abaixo-assinado sugerido no último post. Mas vou prorrogá-lo até o meio-dia de quinta-feira que vem, para fazer alguns ajustes. Notei que algumas pessoas ficaram intimidadas de expor o nome completo, RG e e-mail nos comentários.
Ofereço então o endereço do blog (anoitetoda@gazetadopovo.com.br), ao qual só eu tenho acesso, para que vocês possam mandar seus dados com toda a segurança. Mas ATENÇÃO: como bem lembrou o nosso advogado José Luís Ferreira Zorzi, para ter efeito jurídico, o abaixo-assinado precisa conter também o CPF, além do nome completo e do RG. Solicitei também o e-mail para que se possa contactar os signatários, se for preciso. Os que mandaram apenas o nome até agora, podem atualizar seus dados no mesmo e-mail.
Portanto, aqueles que não abrem mão da Pedreira Paulo Leminski como patrimônio cultural, artístico, urbanístico e afetivo da cidade - e desejam a sua reabertura - têm até o meio-dia de quinta-feira para enviar suas assinaturas. Aliás, teremos um reforço importante de um comerciante do entorno da Pedreira, que já coletou mais de 600 assinaturas no local e ficou de enviá-las para incluirmos no nosso abaixo-assinado eletrônico.
***
MOMENTOS INESQUECÍVEIS
Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
Bruce Dickinson (Iron Maiden) no palco da Pedreira em março: THE SHOW MUST GO ON!Aproveito este post para perguntar para vocês: qual foi o show histórico, ou o momento inesquecível que você viveu na Pedreira? E por que marcou tanto a sua vida? Quem tiver fotos em boa resolução dos seus melhores momentos na Pedreira também pode remetê-las para o mesmo e-mail do abaixo-assinado. As melhores histórias serão publicadas na Gazeta do Povo. Afinal, a Pedreira é nossa!
Saudações, notívagos! Gostei de ver toda a mobilização e o debate em torno dessa nova interdição da Pedreira Paulo Leminski - apesar de alguns excessos de parte a parte. A propósito, o tal "Moderador" que apareceu aí nos comentários não sou eu.
No post anterior eu manifestei a minha opinião - e a reitero: mais que um criativo espaço para shows, a Pedreira Paulo Leminski é um patrimônio cultural (e afetivo) de Curitiba.
Denis Ferreira Netto
Curitiba não pode perder um espaço para shows como este...Centenas de milhares de curitibanos e forasteiros viveram momentos inesquecíveis dentro daquele simpático buraco. Ali testemunhamos performances históricas de grandes astros da música, de diversos países e dos mais variados estilos. Sem falar nas amizades, nas "ficadas" memoráveis e até em alguns namoros e casamentos que tiveram na Pedreira o seu primeiro beijo...
Em relação ao incômodo para os vizinhos da Pedreira, ele não é maior do que o que acomete quem vive perto da Arena da Baixada ou do Couto Pereira - com o agravante, nesses dois últimos casos, de que o "distúrbio" acontece pelo menos uma vez por semana. Portanto, se os shows respeitarem a Lei do Silêncio e se forem tomadas medidas para escoar o trânsito e coibir o vandalismo, os moradores não têm do que reclamar.
Diante disso, resolvi acatar a sugestão da Adriana Marques dos Santos e levar essa discussão adiante. Proponho então um abaixo-assinado: quem quiser se manifestar pela manutenção da Pedreira Paulo Leminski como espaço para a realização de shows e eventos, por favor deixe seu nome completo, RG e e-mail nos comentários.
Na próxima sexta-feira, dia 15, eu vou reunir todas as "assinaturas" e encaminhar ao presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Paulino Viapiana, e ao procurador do município, Ítalo Tanaka Junior, para subsidiar o recurso com o qual a Prefeitura tenta reverter a decisão da 4ª Vara da Fazenda. Já que a galera que freqüenta os shows na Pedreira não foi ouvida nem pela televisão, nem na matéria que demos aqui na Gazeta, é hora de nos fazermos ouvir. Vamos mostrar que a Pedreira é nossa, e que nós não somos poucos... abraços e bom fim de semana!
Salve, estimados boêmios! Sei que ando mais relapso do que de costume, abandonando-os à própria sorte, mas é que realmente estou com pouquíssimo tempo (novos afazeres aqui na Gazeta coincidiram com os preparativos para a minha mudança - pois é, vou morar no Centro...).
Tá, já sei, ema ema ema, cada um com seus "pobrema". Mas ainda bem que este modesto espaço noturno tem leitores como o Zed, que no último post forneceu uma brilhante sugestão para discutirmos: a proibição de shows e outros grandes eventos na Pedreira Paulo Leminski.
Entendo a reclamação dos moradores dos arredores da Pedreira. Nos dias de shows deve ser mesmo complicado viver ali. Acontece que não é todo dia (nem toda semana) que tem show ou outro evento no local. Nos meses mais férteis ela abre suas portas umas duas vezes... além disso, os produtores prometeram cumprir a Lei do Silêncio, e encerrar os eventos até as 22 horas. Os desobedientes seriam punidos com multas pela Prefeitura.
Fábio Nunes
De minha parte, não concordo que uma anacrônica exigência por sossego permanente e ininterrupto dos vizinhos da Pedreira sobrepuje o direito de milhares de pessoas ao lazer e ao entretenimento - sem falar nos empregos e na renda gerada com a permanência da cidade no circuito de grandes shows nacionais e internacionais.
A Pedreira é talvez o mais engenhoso e criativo espaço para shows do mundo - não há uma única estrela internacional (de Paul McCartney a José Carreras, de Pearl Jam a Pixies, de Ramones a AC/DC) que não tenha ficado embasbacado ao deparar com aqueles paredões iluminados. Não podemos perder este patrimônio cultural da nossa cidade... e vocês, o que acham dessa história toda?
Crianças, crianças... falei que essa nova lei do cigarro ia dar o que falar? Mas não tinha a intenção de deflagrar uma guerra entre fumantes e não-fumantes, com direito a desejos de morte e pragas rogadas de parte a parte. Como também estou abarrotado de coisas a fazer por aqui – e o assunto estava rendendo – , deixei o barco correr. Mas agora já chega, né? Quando (e se) a lei for aprovada, a gente retoma o assunto. Vou seguir o conselho do Lucas e dar duas dicas para o fim de semana que se avizinha.
A primeira é o show que os intrépidos Bad Folks fazem daqui a pouco, às 19h30, no Teatro Universitário de Curitiba – o velho e bom TUC. A banda lança o seu primeiro álbum (apesar dos seis anos de estrada e de ter até clipe rodado em Nova Iorque), Impossible, lançado pela Discos Voadores com a produção do Marcus Gusso, o Coelio. Eu ouvi o disco e achei de alto nível, como vocês vão poder conferir por conta própria daqui a pouco. Os ingressos custam R$ 3 e R$ 1,50 (!).
Divulgação
O Bad Folks, que estará daqui a pouco no TUC.No domingo, a partir das 18 horas, a Mundo Livre FM (93,9MHz) estréia a sua série de acústicos com bandas locais, começando pelo Terminal Guadalupe. Só que Dary Jr. e companhia decidiram subverter o surrado formato acústico e criar versões exóticas das próprias canções – passeando por gêneros inimagináveis como jazz, salsa, brega, reggae, bossa nova e xote. Será no mínimo curioso.
No outro domingo, dia 10, será a vez da Black Maria. E as duas bandas voltam a se encontrar no Jokers, no dia 15. E essa será a fórmula do programa: a cada domingo, a rádio transmite um show acústico de uma banda paranaense – gravado no Nico's Studio – , com uma breve entrevista. E a cada dois programas, haverá um show reunindo os grupos contemplados. Portanto, fiquem de butuca na Mundo Livre no domingão. Afinal, é mais uma janela que se abre para o escuro e úmido (embora rico) underground paranaense... bom fim de semana!
Saudações, meus bravos notívagos! Peço desculpas pelo silêncio prolongado, mas estou de volta com um assunto que ainda vai dar o que falar.
Depois da polêmica da Lei Seca (que, apesar de todo o choro e ranger de dentes, teria ajudado a reduzir os atendimentos do Samu em 24% em 14 unidades do país), está em gestação outra norma que deve atingir em cheio os baladeiros do país: o endurecimento da legislação anti-fumo, com a proibição do cigarro em locais fechados.
LaboratóriO_rquestra
Esse aí vai ter que se controlar na balada...O assunto voltou à tona em maio do ano passado, quando a Organização Mundial da Saúde solicitou que se proibisse o fumo em locais públicos e de trabalho fechados, para proteger os chamados fumantes passivos.
Em resposta, no início deste ano o governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei banindo o fumo de todos os lugares fechados e proibindo áreas reservadas para fumantes em bares, restaurantes, shopping centers e empresas - além de estudar uma taxação adicional para produtos derivados do tabaco, o que aumentaria o preço dos cigarros no Brasil.
O objetivo maior da proposta, segundo o ministro da saúde, José Gomes Temporão, é o mesmo da OMS: proteger os fumantes involuntários. Que em alguns casos podem ser mais prejudicados que os próprios tabagistas, conforme explica o ministro:
"Em alguns casos, o cigarro causa mais danos para quem não fuma. Se você trabalha num ambiente fechado, não fuma e convive com um fumante, você está inalando centenas de substâncias que são produzidas a partir da queima do papel e da nicotina, enquanto o fumante está protegido pelo filtro."
Ou seja: um garçom ou barman que trabalhe todas as noites num bar impregnado de cigarro teria mais chances de contrair doenças cardiorrespiratórias do que um fumante moderado que trabalhe em um ambiente livre do fumo.
O Ministério da Saúde ampara o projeto com pesquisas, que mostram que "os fumantes passivos têm um risco 23% maior de desenvolver doença cardiovascular, 30% mais chances de ter câncer de pulmão e 24% a mais de chances de sofrer um infarto de miocárdio. Esse não-fumante ainda teria maior propensão a desenvolver asma, ter redução da capacidade respiratória e maior risco de arteriosclerose."
***
Eu não fumo e não vejo charme, estilo ou glamour nenhum no cigarro - embora tenha vários amigos tabagistas. Nunca tive sequer a curiosidade de experimentar o gosto (que deve ser bom, para compensar o cheiro), não precisei do tabaco para me enturmar, para me aproximar das garotas ou para provar que eu era "adulto".
Mesmo assim, desde 1995, quando montei minha primeira banda, comecei a tocar na noite e a sair com mais freqüência, me tornei um fumante - involuntário, passivo, forçado, mas ainda assim fumante.
Naquela época, a gente brincava que voltava para casa com "cheiro de Potato", ou "cheiro de Hangar". Não era dos lugares, era do tabaco - misturado com gás carbônico, mofo e eflúvios gástricos de quem abusava do álcool.
Hoje a noite pode ser menos tosca, mas você (mesmo sem ser fumante) provalmente já voltou para casa com "cheiro de Empório", "cheiro de James" ou "cheiro de Wonka", e o carro, o cabelo e as roupas empesteadas. Quanto menor e menos ventilado o bar, pior.
Se para o público em geral essa névoa cancerígena pode ser considerada apenas um desagradável efeito colateral de uma noite divertida, para quem precisa trabalhar toda noite num ambiente assim - incluindo os músicos - ela é um suplício.
Prova disso foi o apelo feito no sábado passado por um dos músicos da big band paulistana Funk Como le Gusta, que se apresentou no John Bull Music Hall - onde em tese não seria permitido fumar. Ele precisou pedir aos fumantes da platéia que apagassem seus cigarros, pois não estava conseguindo cantar direito. Constrangedor.
Alguns bares já estão se preparando para a lei, criando áreas externas para os fumantes. Em São Paulo e Recife já existem leis municipais que restringem o fumo, e a vida noturna por lá ficou muito mais "respirável". E você, o que acha da noite sem cigarro? Participe da enquete
Salve, criaturas da noite! Que tal comemorarmos o Dia Internacional do Rock - domingo - de um jeito diferente? Tipo compartilharmos nossas mais recentes descobertas na música pop... vai que alguém garimpou uma super banda de ska da Indonésia, que o mundo PRECISA ouvir e tals.
A minha última banda nova favorita está longe do exotismo de um ska indonésio. Ao contrário, não tem nada de revolucionária: faz apenas a boa e velha música triste, aquelas de ficar contemplando a chuva pela vidraça. Mas de forma brilhante.
A banda se chama Glasvegas (copiou? Glasgow + Las Vegas?), e acaba de lançar o primeiro single, "Geraldine". A música, uma jóia do pop melancólico, conta a história de uma assistente social encarregada de evitar o suicídio de jovens deprimidos - estilo "CVV". Digite "Glasvegas + Geraldine" no Youtube e veja o clipe (ia disponibilizá-lo aqui, mas o atalho não está autorizado).
Steve Gullick
Os escoceses do Glasvegas: música nova, boa e triste...Quem me apresentou foi o Abonico R. Smith, criador do site Bacana e garimpeiro incansável de boa música nova. O Lúcio Ribeiro também recomendou o cover que eles gravaram do The Korgis, "Everybody's Got to Learn Sometime", mas essa eu ainda não consegui ouvir. E vocês, o que andam ouvindo? O que recomendam no universo pop recente?
Salve, baladeiros! Sexta-feira, dia internacional da esbórnia, e eu chego com uma ótima notícia para quem ficou preocupado com a lei seca.
Enquanto os bares e casas noturnas ainda quebram a cabeça para garantir o movimento sob a nova legislação, o Vox Bar (Rua Barão do Rio Branco, 418) saiu na frente e contratou um serviço de vans para levar seus clientes para casa depois da balada. E sem custo adicional!
Nas festas Hang the DJ, às sextas e sábados, os freqüentadores do Vox que moram em Curitiba terão vans à disposição entre 3 e 6h30 da manhã, de graça. Mas os veículos só farão percursos dentro da capital.
O serviço, que começa hoje, inicia a programação de aniversário da casa, que em agosto comemora 10 anos. A cada semana, haverá um DJ convidado nas festas Hang the DJ. A programação começa amanhã, com o lendário Kid Vinil no comando das pick-ups. A entrada custa R$ 15 para mulheres e R$ 25 para os homens. Mais detalhes pelo telefone (41) 3233-8908.
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SEXTA SAUDOSISTA NA HELLOOCH
Vocês com certeza já sabem, mas faço apenas um lembrete para o Prime Rock Festival, que acontece logo mais, a partir das 22 horas na Hellooch (Av. Des. Westphalen, 4.000). Para os amantes do pós-punk e do gótico dos anos 80, como eu, será um prato cheio: Echo & The Bunnymen, Gene Loves Jezebel e T.S.O.L. A meia entrada, para estudantes, maiores de 60 anos e quem doar 1kg de alimento (aquela velha história), custa R$ 60. Informações: (41)3315-0808 e (41)3013-3374. Bom fim de semana!
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PS: E vocês viram que acharam o corpo do Padre Voador? Não é piada! Vejam isso...
Ilustres notívagos, prezados boêmios... hoje o assunto é sério: afinal, como vai ficar a balada depois da lei seca? Vocês sabem né, desde o dia 20 de junho está em vigor a lei federal n.º 11.705, que estabelece multa de R$ 957,70 e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação por um ano para quem for flagrado dirigindo com mais de dois decigramas de álcool por litro de sangue (ou 0,1mg por litro de ar expelido no bafômetro) – o que, na prática, veta a ingestão de qualquer quantidade de álcool aos motoristas.
Ivan Cabral
A mesma punição pode ser aplicada a quem recusar-se a passar pelo bafômetro. Pior: quem estiver ao volante com uma quantidade de álcool superior a 6 decigramas por litro – o equivalente a uma lata de cerveja – estará cometendo CRIME, sujeito a pena de até três anos de PRISÃO. Antes da nova lei, o limite para a multa e a suspensão da carteira era de 6 decigramas de álcool por litro de sangue, e só poderia ser preso quem fosse flagrado embriagado e se envolvesse em acidente ou dirigindo perigosamente.
Ou seja, a batata assou. Muito motorista – inclusive eu – vai pensar duas vezes antes de encarar um happy hour depois do trabalho. Nas baladas, já tem gente sem beber ou que está recorrendo ao táxi, carona ou ônibus. Os proprietários das casas noturnas também começam a pensar em alternativas para garantir o movimento sob a nova lei, como o convênio com empresas de táxi, conforme sugeriu o diretor da regional paranaense da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo.
Na mensagem publicada na Gazeta do Povo no dia 26 de junho, o delegado Armando Braga de Morais Neto, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba, assegurou que “o objetivo não é punir quem consome 'uma' simpática taça de vinho, mas tirar de circulação os criminosos bêbados que causam mais de 40 mil mortes por ano em acidentes de trânsito em todo Brasil, e praticamente 500 mil feridos com seqüelas gravíssimas, como tetraplegias, paraplegias e invalidez permanente.” E acrescentou: “Na verdade a 'tolerância zero' diz respeito à norma administrativa com aplicação de multa e suspensão da CNH por um ano.” Portanto, não deve haver uma caça às bruxas. Porém, só a multa e a suspensão da carteira já são dor de cabeça suficiente, né?
Ao meu ver, há dois aspectos que precisam ser levados em consideração. Primeiro, o endurecimento da lei era necessário, para que o motorista brasileiro abandone de uma vez por todas essa mania (às vezes letal) de dirigir embriagado. No Reino Unido, conhecido por seus beberrões, todo o mundo vai para a “fila do táxi” depois de se esbaldar nos pubs. Quando não, a figura do “motorista da vez” é obrigatória, e ele realmente não bebe. Mas só é assim porque a lei é dura. Aliás, se não fosse a lei mais severa, até hoje ninguém usaria cinto de segurança no Brasil.
O outro lado da questão envolve a corrupção. Já tem muita gente dizendo que a lei seca vai fazer a alegria dos policiais corruptos, por inflacionar o “cafezinho” tradicionalmente cobrado dos motoristas infratores. De fato: não vai faltar quem prefira pagar o tal “cafezinho”, mesmo que ele saia por R$ 300, R$ 400 ou R$ 500, do que bancar uma multa de quase R$ 1 mil e ainda ter a carteira suspensa.
E vocês, o que estão fazendo para continuar aproveitando a balada sob a lei seca? Confiam na sorte e/ou na deficiência da fiscalização? Vão de táxi? Carona? Deixam de beber? Ou passam a freqüentar só os bares perto de casa? E que tal aproveitar o anonimato para serem brutalmente sinceros a esse respeito?
Ave, notívagos! Quando já me inebriava pela quantidade de atrações e shows bacanas que passaram por aqui neste primeiro semestre, por pouco não me engasgo com a notícia que a brava Juliana Girardi me deu ontem - e que está na Gazeta de hoje, além de ter sido lembrada pela Brunna no post anterior - sobre o cancelamento do braço curitibano do Tim Festival.
Divulgação
O grau de perplexidade foi o mesmo de quando a gente vê o técnico sacar o craque do time quando ele brilhava em campo. Sabe, tipo mexer (errado) em time que estava ganhando?
Porque as edições do festival em Curitiba foram sucessos absolutos, de público e crítica. Nos dois últimos anos, tivemos o privilégio de ver passar pela Pedreira ídolos como Beastie Boys, Patti Smith, Yeah Yeah Yeahs, Hot Chip, Björk, Arctic Monkeys e The Killers, em shows impecáveis.
A produção do evento nega, mas o que corre à boca pequena é que Curitiba teria sido "limada" por competir - em preço e formato - com a edição paulistana. Como bem lembrou a Juliana, no ano passado a galera de São Paulo ficou no veneno porque as atrações foram espalhadas em quatro datas e três locais diferentes - com ingressos variando entre R$ 200 e R$ 400.
Resultado: muitos paulistas e cariocas preferiram ver o Tim Festival em Curitiba, onde os artistas se apresentaram todos no mesmo dia e lugar (a Pedreira), com ingressos a R$ 60. Ou seja, dessa vez os curitibanos que quiserem ir ao Tim Festival é que terão que se deslocar a São Paulo, Rio ou Vitória, e se submeter ao que for cobrado lá.
Ah, as atrações confirmadas até agora são os britânicos do Klaxons, o incendiário trio norte-americano The Gossip, a cantora de jazz Stacey Kent e o saxofonista Sonny Rollins.
E eu só espero que essa fartura de bons shows em Curitiba continue no segundo semestre, já que estaremos órfãos do Tim Festival. E vocês, o que acham de tudo isso?
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