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Terça-feira, 09/02/2010

Blogs > Blog do Caderno G

Blog do Caderno G

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Enviado por Marcio Renato dos Santos, 09/02/2010 às 09:23


Robson Fernandjes/AE

Robson Fernandjes/AE / A jornalista e agora escritora Claudia Belfort: loucura é ponto de partida para a problematização literária.A jornalista e agora escritora Claudia Belfort: loucura é ponto de partida para a problematização literária.

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho? E aí, tá louco? O cara enlouqueceu. Só pode ser mais uma do louquinho.

E quem não ouviu uma das frases do parágrafos anterior? Muitas vezes, são vozes a nos chamar: o Marcio é muito louco. O Fulano está louco e etc.

Mas, se loucura pouca é bobagem, mídia e academia há tempos tentam banir a expressão que insiste em ser verbalizada na rua, no boteco, na cantina, no blog, no chat, no twitter.

Claudia Belfort escreveu 13 contos, agora editados no livro Aqueronte, o Rio dos Infortúnios, que será lançado amanhã, quarta-feira, a partir das 19h30, no Quintana Café, aqui em Curitiba. Hoje, ainda terça, a Gazeta do Povo publicou dois textos que escrevi sobre o assunto: a matéria e a resenha. Já leu? Então, clique aqui.

Impressionante é a maneira como a autora transformou elementos da realidade em ficção. O louco é a regra. O fora do padrão é o que existe. Olhe ao seu redor. Caminhe nas ruas. Permaneça de olhos bem abertos e verás: não há normalidade. Há tentativas, fracassadas, e mal representadas, de se tentar ser e estar dentro de um padrão. Tudo fake. Tudo muito dissimulado. Pois foi a partir dessa percepção, de que a loucura é o que há, que essa autora fez ficção. Poderia dar tese, dissertação. Mas a literatura, sempre, o tempo todo, desde Homero, é mais, ilumina mais, deixa portas abertas, não afirma, não defende, e tem a beleza.

Enviado por Marcio Renato dos Santos, 06/02/2010 às 13:04


Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Marcelo Elias/Gazeta do Povo / Por que será que o verbo ler é tão pouco conjugado nesse Brasil de tanto batuque, cerveja e automóveis?Por que será que o verbo ler é tão pouco conjugado nesse Brasil de tanto batuque, cerveja e automóveis?

Hoje, 6 de fevereiro de 2010, é oficialmente o primeiro sábado sem Wilson Martins no Caderno G. Ele publicava os textos desde a década de 1990 na Gazeta do Povo, e a última aparição dele no G foi em outubro do ano passado. Há uma semana ele morreu. Algum dia, daqui a alguns anos, devo contar mais sobre a nossa amizade. Vou dizer, e preciso revelar, o quanto ele me ajudou. Mas por enquanto sigo com outros textos.

Hoje, por exemplo, a Gazeta do Povo publicou todo um Caderno G Ideias dedicado ao mercado editorial. Já leu? Caso não, clique aqui.

Durante semanas, eu e o Cristiano Castilho pesquisamos o tema, entrevistamos diversas fontes. Gostei muito do resultado, apesar de que cinco das maiores editoras se recusaram a falar sobre o assunto.

Entre as perplexidades do tema, é realmente difícil de acreditar que todo dia, incluindo sábados, domingos e feriados, são publicados 40 novos títulos no país, ao mesmo tempo em que cada brasileiro lê menos de dois livros por ano. E a sua média, qual é? Lê quantos livros por mês, por ano? Compra ou empresta?

31/01/2010 às 20:19

O longa-metragem dirigido por quatro diretores iniciantes do Ceará, “Estrada para Ythaca”, levou os prêmios dos dois júris da 13a edição da Mostra Tiradentes, encerrada ontem.

Tanto o júri jovem como o júri da crítica elegeram o road movie como o melhor filme apresentado na Mostra Aurora, dedicada a cineastas em seus primeiros trabalhos. Guto Parente, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes e Luiz Pretti receberam o troféu Barroco emocionados. “Um brinde à resistência e à amizade”, disse Ricardo Pretti, ao receber premiação. O filme “Mulher À Tarde”, de Afonso Uchoa, recebeu a menção honrosa do júri jovem.

O júri popular da 13ª Mostra escolheu “Herbert de Perto”, o documentário de Roberto Berliner e Pedro Bronz. Entre os curtas-metragens, foram premiados o curta "Obra-Prima", de Andréa Midori Simão e Thiago Faelli, foi premiado como melhor curta do júri popular da Mostra Panorama.“Recife Frio”, de Kleber Mendonça Filho, foi eleito o melhor curta do júri popular da Mostra Foco e “O Filme Mais Violento do Mundo”, de Gilberto Scarpa, recebeu o Prêmio Aquisição do Canal Brasil.

Enviado por Paulo Camargo, 29/01/2010 às 13:44


Divulgação

Divulgação / Cine Luz está fechado desde novembro do ano passado.Cine Luz está fechado desde novembro do ano passado.

Fechado desde novembro do ano passado pela Prefeitura de Curitiba, o Cine Luz virou albergue para os sem-teto. A Fundação Cultural prometeu que a sala de exibição, que antes funcionava na Praça Santos Andrade, irá "reencarnar" num centro cultural a ser construído no antigo quartel do Exército na Rua Riachuelo. Será??

Pena que, enquanto isso não acontece, um espaço cultural esteja lá, fechado, sem uma utilização. Desativar o cinema foi mesmo a melhor solução?

Enviado por Annalice Del Vecchio, 28/01/2010 às 16:19

Qual a imagem do cinema brasileiro na Europa? A pergunta guiou um dos debates mais aguardados pelo público da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na última quarta-feira (27). Estavam presentes jornalistas, espectadores e jovens cineastas desejosos de mostrar seus filmes para uma mesa que reuniu dois curadores “gringos”: os franceses Fabien Gaffez, que participa da comissão de seleção da Semana da Crítica do Festival de Cannes, e Sylvie Debs, curadora do Festival Encontros de Cinema da América Latina de Toulose. Juntamente com Rachel Monteiro, consultora internacional do Programa Cinema do Brasil, eles debateram, principalmente, os estereótipos em relação ao cinema brasileiro e como fugir à imagem de exotismo.

“O exotismo funciona nas duas direções. A maior parte do mundo também vê a França como o país dos perfumes e da gastronomia. E o Brasil muitas vezes divulga esse exotismo, em propagandas de turismo que destacam o carnaval, o samba, as praias”, disse Sylvie Debs. Os curadores afirmam não estar atrás de filmes marcados pela brasilidade – o que muitos europeus ainda esperam encontrar em tudo o que se produz aqui desde que se acostumaram a associar a produção nacional ao engajamento do Cinema Novo. “Eu não busco filmes brasileiros, mas bons filmes, que me toquem”, diz Fabien Gaffez.

À procura de filmes que possam ser exibidos em Cannes, ele revela ter se surpreendido com a “força” de dois documentários exibidos em Tiradentes: Terras, da carioca Maya Da-Rin, e Morro do Céu, do gaúcho Gustavo Spolidoro. “São filmes que tratam de questões específicas do Brasil, mas não é isso o que de fato me interessa.”

Sylvie Debs aponta três janelas de entrada para a produção latino-americana na França. A primeira é o circuito exibidor de cinema, que já exibiu Central do Brasil para 800 mil pessoas. Mas não é fácil convencer um distribuidor europeu a apostar em um filme latino-americano. “Eles querem saber se no país há um ator conhecido como Gael García Bernal, no México, ou Penélope Cruz, na Espanha”, diz. A televisão, principalmente o canal TV Arte, exibe produções latino-americanas que, no entanto, precisam disputar acirradamente espaço em janelas de programação que privilegiam o cinema francês e o norte-americano. Por fim, os festivais também acolhe a produção latino-americana em geral – com destaque para o Festival de Toulose.

A curadora confirma que a próxima edição do evento terá Estômago, do paranaense Marcos Jorge, como filme de abertura, e fará homenagem ao crítico e cineasta Kleber Mendonça Filho, com exibição de seus filmes – entre eles, o curta-metragem Recife Frio, já premiado em Brasília, em dezembro passado, e ovacionado com entusiasmo pelo público de Tiradentes.

Enviado por Cristiano Castilho, 26/01/2010 às 11:20

“O que é isso, o que é isso?”, repetia o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi na noite da última sexta-feira, no Guairinha. Ao lado do gênio -- não há outra palavra -- violonista Guinga, uma catarse silenciosa invadiu as poltronas do espaço abarrotado.

A excelência dos músicos, somada à postura simples e à real entrega à arte proporcionaram um dos momentos mágicos da 28.ª Oficina de Música de Curitiba – o evento foi uma espécie de parceria entre a Fundação Cultural de Curitiba e o restaurateur e produtor Robert Amorim (Beto Batata).

Autodeclarado embaixador da música brasileira na Europa, Mirabassi voa no palco. Como se planasse em meio a um céu límpido, ergue-se na ponta dos pés em notas agudas; como se bailasse à vontade em algum salão, contorce-se nos solos e arpejos, fazendo do seu corpo a continuação da expressão musical que lhe é inerente.


Divulgação

Divulgação / Guinga (esquerda) e Gabriele Mirabassi: dupla impressionou em concerto no Guairinha.Guinga (esquerda) e Gabriele Mirabassi: dupla impressionou em concerto no Guairinha.

Ao seu lado esquerdo, uma figura aparentemente recatada se transforma ao dedilhar um violão. Seu corpo cresce em cada acorde. Sua música, ainda que introspectiva, ecoa por todo o teatro, e gera olhares que complementam a frase do italiano: “O que é isso?” Momento “que não estava no script” foi a saída de Mirabassi do palco. “Ali atrás é mais tranquilo para chorar”, disse o clarinetista.

Então Guinga – parceiro de Aldir Blanc, Nei Lopes e Paulo César Pinheiro, entre outros – deixou o repertório de choros e sambas baseado no disco Grafiando o Vento e se abriu, como os origamis coloridos que batiam asas de papel sobre sua cabeça.

“Contenda” (Guinga/ Tiago Amud) foi a única canção da noite. Sua voz, ao vivo, tem algo de familiar, no sentido de pertencer a alguém que já conhecemos muito bem. A prosa é tocante, sua arte, enfim, é sublime. Os únicos momentos em que as mãos dos artistas não estavam em seus respectivos instrumentos surgia logo depois dos longos aplausos: encarnando naturalmente personagens humildes e humanos, um reverenciava a arte do outro, esticando os braços em sinal de respeito e admiração. Inesquecível. (CC) GGGGG

Enviado por Cristiano Castilho, 20/01/2010 às 06:00

O músico e compositor Otto lançou recentemente Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, seu quarto disco-solo. Catalisado (ao menos "30%") pelo fim do relacionamento com a atriz Alessandra Negrini, o álbum é vigoroso, genuíno e um dos melhores trabalhos pop da música brasileira recente -- leia resenha completa aqui.
De um quarto de hotel em São Paulo, entre quatro bocejos e uma barra de chocolate, o músico conversou com este jornalista. Confira a entrevista a seguir.

Sobre o que seu novo disco fala, afinal?
Fala sobre como estou vendo o mundo. Como eu vejo o mundo é como eu estou. Em cinco anos, casei, descasei, tive filho. Foi tanta coisa para esse disco. Foi tão penoso. Em alguns momentos o mundo estava contra mim. Minha vida estava chata, levava porrada de todo mundo em todo lugar. Acho que ele fala sobre o ser humano que passa pela Terra. Sobre esse final e recomeço de século. Toda essa melancolia e tristeza, esse vazio e essa descrença. Perdi minha mãe há pouco tempo também. Na verdade eu vivo para tentar entender como é essa porra desse mundo.

Quanto o fim do relacionamento com a Alessandra Negrini influiu no trabalho?
Pois é. As pessoas se espantam com essa coisa de se separar. A importância do fato, na verdade, é a diferença entre o cantor e a atriz. Ela não pode fazer trabalho autoral, enquanto eu suo, me espremo para tentar tirar algo de mim. Já passei por várias separações e elas são iguais. Mas aí fui pai, minha mãe morreu agora... te digo que vários processos foram mais relevantes. Se for prático, 30% do disco é inspiração baseada na separação. Acho que a música “O Leite” é a que fala mais abertamente disso. “Crua” é mais o casco, é sobre a dor que todo mundo tem que sentir uma vez na vida.

Como é seu processo de composição?
Eu tenho que ser o espelho da galera. Sou muito racional na hora de escrever, muito sincero comigo mesmo. Me exponho muito nas músicas,mas tenho que fazer isso. Porque o meu centro de gravidade é cheio de amor.


Talita Miranda/ Divulgação

Talita Miranda/ Divulgação / Otto: aos 40 anos, pernambucano lança seu quarto e melhor disco.Otto: aos 40 anos, pernambucano lança seu quarto e melhor disco.

Você optou por lançar o trabalho primeiro nos Estados Unidos. Como foi e por quê dessa escolha?
Eu tenho 40 anos e batalho pelas minhas coisas. A mídia por aqui soa indiferente e parece que eles dizem assim: “vou te botar naquele lugar ali e esperar você secar”. É difícil. A gente vai lutando por espaço na medida em que recebemos porrada. E lá foi espetacular. Foram dois shows em Chicago e um em Nova Iorque.

O que achou de ser chamado de “Moby do sertão” pelo jornal The New York Times?
Achei um luxo. A comparação foi maravilhosa e para mim tem muito valor. E tem a ver. Me considero inventivo também e vivo produzindo coisas. E essa comparação não é pejorativa. Eu sou da roça sim, mas a música dos recantos do mundo é importante. Muitos grandes da música vieram do interior. A roça muda a música.

Fale um pouco sobre a música “6 Minutos”.
Ela tem seis minutos, [na verdade, 5 minutos e 58 segundos], mas não foi planejado. Já toco ela com o Wax Poetic [projeto paralelo] e surgiu meio de improviso. A banda fez o tema e eu comecei a cantar. Ela é para estádio. Sugere um climão. O título é porque eu acho que quando uma pessoa morre, ela tem seis minutos para virar bebê de novo. É uma coisa minha. E ela lembra a Elis [Regina] também, não? “Quero uma casa no campo... “

Quem te ouve hoje?
Olha, se me matassem, iria ter muita gente chorando no enterro. Acho que tenho um público grande, que me acompanha de verdade. Sinto isso nos shows e faço um trabalho cirúrgico com meus fãs. Essa é a minha defesa: a relação com o público. E tive sorte de conhecer o Fred 04 e o Chico [Science]. Sabia que estava entrando em uma portinha da MPB. Espero contribuir para o meu país. Porque a música brasileira é respeitada. Então temos que ir furando, perfurando.

Onde está o manguebeat?
Ele está pavimentado em mim, no meu processo de criação. Nós, de lá de cima, não temos apoio, mas temos o talento e o público que nos aprova. O Dengue, o Catatau, a turma toda está junta. Não é mais um movimento, mas uma cooperativa de amigos. O mangue é isso. Não tocamos em rádio, ninguém faz reality show com a gente, mas conseguimos muita coisa. E existe algo desde aquele tempo do Chico [Science] que está nos segurando. A essência é essa, já que nunca vamos ter nada de mão beijada.

“Naquela Mesa”, de Sérgio Bittencourt, é uma homenagem ao pai famoso (Jacob do Bandolim). Você quis fazer o mesmo com a releitura?
Além de estar no filme, eu ouvi muito essa música durante a minha vida. Lembrei do meu pai, mas ela remete ao Brasil. Ela tem uma dignidade, e gosto de pegar coisas que remetem e simbolizam a infância, a adolescência. E eu fui pai. Então é quase uma consulta psicanalista, eu tento enxergar alguma coisa que ficou perdida por ali, na canção inclusive.

Você esteve no Festival Lupaluna, em Curitiba, em novembro. Acompanhou o Los Sebozos Postizos. Vocês andam juntos, fazem coisas juntos ainda?
Estava tocando com a Nação Zumbi em Santos. Fizemos um show especial do disco “Da Lama ao Caos”. Eu estava parado e eles me chamaram. Isso é também o manguebeat. Eu revivi muito o movimento mangue nos últimos tempos, tocando com eles, convivendo com eles.


Enviado por Cristiano Castilho, 12/01/2010 às 15:37

O antigo gabinete do prefeito de Curitiba, no terceiro andar do Paço da Liberdade, estava lotado como há muito não se via. A explicação chama-se Guilherme de Camargo, instrumentista paulista que se apresentou às 12h30 de hoje no novo espaço, que estreia na Oficina de Música.

Tocando alaúde renascentista e guitarra barroca, Camargo atraiu mais de 100 pessoas, entre músicos que empunhavam seus instrumentos, turistas que disparavam seus flashes e curiosos que levantavam a cabeça para compreender melhor aqueles instrumentos antigos.


Luiz Cequinel

Luiz Cequinel / Guilherme de Camargo: instrumentista paulista elogiou o calor do público curitibano.Guilherme de Camargo: instrumentista paulista elogiou o calor do público curitibano.

Foram executou obras de Thomas Robinson, Francis Cutting, John Dowland, Robert Visèe e Gaspar Sanz. O floreio acústico – não havia amplificação a pedidos do músico – combinou bem com as árvores que balançavam às costas do instrumentista e às vistas da plateia. Bem-humorado, apesar do calor que o incomodou um pouco, o instrumentista viu-se assustado logo depois do fim da primeira música. “Quando levantei a cabeça, não percebi que tinha tanta gente, mas tem”, disse.

Pois havia pessoas de pé, outras na ponta dos pés fora da sala para tentar ver algo. Figuras como o produtor Álvaro Colaço, o contador de histórias Carlos Daitschmann e o músico e coordenador da fase erudita da 28ª Oficina de Música Ricardo Kanji estavam por lá. Parece que o local é mesmo um novo point cultural da cidade – leia matéria sobre o espaço e a Oficina de música na versão impressa do Caderno G do próximo domingo, dia 17.

O Paço da Liberdade recebe mais um concerto daqui a pouco, às 18 horas. Elizabeth Fadel e Trio se apresentam. Se você pretende ir e sentar-se, recomendo chegar cedo. Na quinta-feira, dia 14, também às 18 horas, o Duo Crossover se apresenta (Jairo Wilkens e Clenice Ortigara, clarineta e piano). A programação completa da 28ª Oficina de Música está no site www.oficinademusica.org.br

Enviado por Marcio Renato dos Santos, 06/01/2010 às 13:49

E lá estou eu. Na cabine do VU. Sou o DJ do bar que fica na Manoel Ribas, nas Mercês. A casa está cheia. Ou, com mais precisão: o porão está lotado. Ligo "Teu Inglês", da banda Fellini. Os 176 presentes no local olham para a cabine de som. A música, de não mais de três minutos, acaba. Ligo, então, "Cena Beatnik", do Nei Lisboa. Vejo um movimento, que depois saberei o que é: duas dúzias de clientes foram embora. A linda canção do Nei Lisboa acaba e ligo "Jacu", do Troy. Faço uma sequência de canções que ouço em casa. Músicas do Yahoo, dos Engenheiros do Hawaii, do Terminal Guadalupe, da Banda Gentileza. Depois, ainda, músicas do Bach e do Octávio Camargo (Nanoépicos). Quando termino a sessão, o bar está vazio. Só o dono, que chega até onde estou e apresenta uma fatura. É uma conta de uns R$ 3 mil. Referente ao prejuízo da noite. Que eu terei de pagar porque optei pelo meu repertório, o que afugentou todo mundo (que estava no VU).

O que você leu no parágrafo anterior diz respeito a um sonho que se repete comigo há algum tempo. Venho sonhando que sou o DJ do VU e que só coloco canções e músicas que eu gosto. Depois de cada performance, sou obrigado a pagar uma conta, que é o prejuízo, pela fuga em massa dos clientes.


Divulgação

Divulgação / Vampire Weekend: músicas da banda estão no setlist de amanhã.Vampire Weekend: músicas da banda estão no setlist de amanhã.

Conheço um dos sócios do bar, o Marcio Reinecken, e já contei para ele esse sonho. Ele até falou que eu poderia fazer uma experiência real por lá, mas não; vou esperar mais um pouco.

Amanhã, dia 7, quinta-feira, o Cristiano Castilho, colega aqui do Caderno G, será o DJ no VU, que fica na Avenida Manoel Ribas, 146. A partir das 21h, o Cristiano executará um repertório de canções bacanas. Antes, porém, demarcará território fazendo soar "O Guarani", ópera de Carlos Gomes, o mesmo som que dá início ao radiofônico programa "A Voz do Brasil".

Outro sonho que tenho é que sou o apresentador de um programa de rádio, e só coloco no ar as canções que ouço em casa.

Mas, amanhã ainda, o Cristiano vai fazer o público do VU dançar com o rock mundialista do Vampire Weekend, o jazz bem-humorado de Louis Prima e até com as guitarras barulhentas de Ride.

Eu não vou, porque tenho de cuidar de meu filho Vitor, de 1 ano e 3 meses. Mas se pudesse eu iria. Mesmo. Além do Cristiano, o Luiz Moura, carioca radicado em Curitiba, também fará o que um dia já chamaram de discotecagem. O ingresso custa R$ 2.

23/12/2009 às 17:24


Divulgação

Divulgação / Heath Ledger brilhou como o Coringa de Betman - O Cavaleiro das Trevas, em um dos desempenhos da década.Heath Ledger brilhou como o Coringa de Betman - O Cavaleiro das Trevas, em um dos desempenhos da década.

O que Amy winehouse, Heath Ledger e Cristovão Tezza têm em comum?

Na década que se encerra, o trio fez história em suas respectivas áreas. Não há como falar em música, cinema ou literatura brasileira sem tocar nos nomes deles.

A equipe do Caderno G preparou para a edição dupla de sábado e domingo da Gazeta do Povo,que circula a partir do dia 26 de dezembro, duas páginas de retrospectiva dos anos '00. É um apanhado que não se pretende definitivo, porque seriam necessários alguns cadernos inteiros para colocar em revista dez anos de produção artística e cultural.

Focamos em três áreas: literatura, cinema e música popular, buscando expoentes, nomes e obras-cheve. Como nosso objetivo é oferecer a vocês, caros leitores, um painel do que rolou na década, estamos abertos a discussões. Leiam e opinem.

Este é um espaço público de debate de idéias. A Rede Paranaense de Comunicação (RPC) não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
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