Domingo, 01/08/2010
A cena é tííca de um show de heavy metal. Um garoto de camisa preta chacoalha a cabeça ao som de um rock pesado. A música não para, muito menos o cabelo comprido do garoto. Como também não param os braços do público à frente dele.
Mas o local da cena não é um show de rock. Sim uma sala escura, de aproximadamente 10 metros quadrados. O garoto está sozinho. A plateia é uma simples projeção na tela, que marca sem parar uma pontuação já de cinco dígitos movida a chacoalhadas de um cabelo que não é dele. Trata-se de um capacete estilizado, com sensores que transformam cada movimento de cabeça em pontos. Quanto mais violento e ritmado com a música, mais pontos.
A descrição acima é de uma demonstração do HeadBang Hero. Mais um flhote do Guitar Hero, com a simples diferença de que o único instrumento a acompanhar o som dos riffs é a cabeça do jogador.
Um belo exemplo de uma tendência na Campus Party 2010. Estandes e palestras que tratam sobre games oferecem opções em que o controle remoto foi jogado no lixo e a interação direta do corpo com a máquina é que dita os rumos do jogo.
Wiispray segue a mesma tendência. Com um spray virtual, o jogador escolhe a cor da tinta e grafita o que bem entender na parede projetada na tela.
Flick Flock atende o velho sonho do ser humano de virar. Com braços abertos, virando para os lados, para cima ou para baixo, os ciberícaros sobrevoam uma cidade, com o devido cuidado de não entrar em órbita (se você se perde começa a vagar pelo espaço sideral)
Nem todos são games de entretenimento. Robot Probo, por exemplo, tem um propósito claramente social. A própria expositora define o robozinho verde com cara de Alf, o ETeimoso como um Tamagochi gigante.
Debaixo da pelúcia, uma série de sensores respondem ao toque do jogador. Cafuné nas orelhas, pernas e braços ou um afetuoso abraço acabam com a carência afetiva. Minicds levados à boca do bichinho melhoram sua higine e saúde, matam sede e fome. O público-alvo são hospitais infantis. Grupos de três ou quatro crianças ficariam incumbidas de cuidar do Probo, com o mesmo carinho que elas esperam receber durante o período de recuperação.
Em termos de interação corpo-máquina, porém, nada que supere o Projeto Natal. A esperadíssima extensão do X-Box foi tema na zona de games. Mais uma vez, apontado como o futuro dos jogos, um ponto em que o mapeamento da sala de casa bastará para levar à tela a perfeição e a complexidade dos movimentos humanos. O momento em que o corpo estará no comando dos consoles.
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Rafael Coelho Salles/ Campus Party

Empresto, então, um clique de Rafael Coelho Salles, no Flickr oficial da Campus Party. O garoto na foto é o Omar, presente às duas edições anteriores da Campus Party.
Nesse ano, ele fabricou um gabinete temático do Lost. Levou cinco meses para deixar a casca, em madeira e vidro, no formato do símbolo do Projeto Dharma.
Estava um pouco chateado, pois aqui não estava funcionando um dos charmes da geringonça: um visor similar ao da escotilha, com contagem de tempo de 108 minutos. Quando o tempo se esgota, ele tem de colocar o famoso código (4-8-15-16-23-42) para não deixar o computador resetar.
Coisas da Campus Party.
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