Quinta-feira, 23/02/2012
Daniel Castellano / Gazeta do Povo
Goleiro Rodolfo teve de trabalhar muito durante o AtletibaO Atlético chegava quase sempre por baixo, com trocas rápidas de passe e deslocamento em velocidade. Ninguém encarnou melhor esse espírito que Bruno Furlan, presente em todos os setores do ataque e chutando a gol sempre que abrisse uma brecha. Ricardinho cumpriu bem o papel de não deixar Jackson subir tanto e Pablo, pela primeira vez testado pra valer na marcação, foi bem não só atrás, como em alguns momentos apareceu no ataque.
No Coritiba, a contusão de Willian obrigou Marcelo Oliveira a abrir mão da dupla de volantes. Acaso muito bem-vindo, pois Júnior Urso na dele roubou muitas bolas e grudou em Ligüera o tempo todo; Tcheco melhorou a transição da defesa para o meio-campo. O efeito da entrada de Tcheco só não foi maior porque Renan Oliveira e Lincoln estavam apagados. De Renan já era de se esperar, pois essa é a tônica da carreira dele, mas Lincoln foi contratado muito para em ser o porto seguro em jogos mais duros. Hoje não foi, também porque Deivid não deixou. Rafinha, então, jogou sozinho pelo chão e mesmo assim fez estrago na defesa atleticana. O melhor atalho para ameaçar o gol atleticano foi pelo alto, como já era de se imaginar.
Então veio o segundo tempo e o bom futebol ficou no vestiário. Um pouco porque é duro manter o mesmo ritmo durante os 90 minutos do décimo jogo do ano em 30 dias. Um pouco porque as duas equipes tiraram o pé, aparentemente temerosos por perder um jogo que, na verdade, ambos precisavam ganhar. E um pouco porque as alterações foram mal feitas.
Fica difícil imaginar o que motiva Marcelo Oliveira a ainda por Geraldo em campo. O angolano estagnou e não é de hoje. Ele pega a bola, corre pela ponta esquerda e mata o lance sozinho. Carrasco, talvez sem jeito de ver o adversário deixar o Coritiba com dez, trocou Ligüera por Nieto. De uma vez só, matou a ligação meio-campo e ataque e pôs alguém para dividir espaço com Bruno Mineiro dentro da área coxa-branca. O que restou de chance de gol foi anulado por Rodolfo e Vanderlei, os melhores em campo, escoltados pelas suas duplas de zaga.
No fim, o Atlético foi levemente melhor. Talvez revertesse essa ligeira superioridade em gol se Héber Roberto Lopes marcasse o pênalti claro de Pereira em Bruno Mineiro, lance que dá mais munição aos atleticanos, que tanto reclamam das atuações do londrinense em Atletibas. Os coxas-brancas também reclamaram de um pênalti em Rafinha, lance que a TV mostrou apenas uma vez. A minha impressão imediata foi de jogada normal, mas quero ver o replay para tirar uma conclusão.
Considerando que o clássico foi o primeiro teste pra valer da temporada, o Atlético pode sair um pouco mais animado. Ainda está em formação e empatou com um time da Série A que carrega uma espinha dorsal da temporada passada. Para o Coritiba, se ainda havia dúvida de que o estágio atual desta equipe é pior que o do time 2011 após os mesmos dez primeiros jogos, ela se desfaz ao ver que o time foi inferior a um adversário da Série B ainda em montagem.
Torcida única
No momento em que finalizo este post começam a surgir informações de briga entre torcedores de Coritiba e Atlético na Praça Eufrásio Correia, exatamente como escrito no blog ontem à noite, no terminal do Cabral e próximo ao Couto Pereira. Não precisava ser gênio para prever que isso aconteceria, era só ter alguma noção de realidade. Aliás, espero que os iluminados que defenderam a torcida única, inclusive com ironias infantis de que clássico com duas torcidas é coisa de gente romântica, tenham a decência de vir a público corrigir a bobagem que disseram. O que resolve violência em dia de jogo é um esquema eficiente de segurança.
Osmar Antônio
O repórter Osmar Antônio, da Banda B, teve seu credenciamento para o clássico recusado. O Atlético ainda não justificou a medida, mas é difícil imaginar alguma explicação plausível para tal atitude. E que os órgãos de classe tomem atitudes eficazes para evitar que este episódio se torne regra.
Acervo Helênicos
O gol de Paulo Vecchio, no mais célebre Atletiba já disputado na Vila Capanema, o que decidiu o Paranaense de 1968
Torcida única é garantia de um clássico pacífico? Não. E fiquei preocupado com a informação de que a PM reduziria o efetivo caso fosse confirmada torcida única. A redução se justifica no estádio, mas não pela cidade. Haverá deslocamento de torcedores do Coritiba para assistir ao jogo nos bairros e na sede da IAV, próxima ao Couto Pereira. As brigas em dia de clássico costumam ser nos terminais de ônibus e afrouxar o policiamento nessas regiões (ainda mais em dia útil) é pedir para dar confusão. Portanto, atenção aos terminais do Pinheirinho, Sítio Cercado, Santa Cândida, Hauer, às estações-tubo do Círculo Militar e da Praça Eufrásio Correia. E mesmo no estádio há motivos para preocupação, vide o histórico de brigas entre Fanáticos e Ultras. Por sinal: o que a Polícia, o Atlético e o Ministério Público estão esperando acontecer para intervir na briga de gangues protagonizada pelas facções?
Dava para não colocar Héber Roberto Lopes no sorteio? Sim e não. Sim porque em um clássico já tão inflamado, colocar a bolinha do sortudo Héber na cumbuca é jogar mais gasolina no incêndio, diante da restrição antiga que o Atlético tem a ele. Não porque - com Evandro Roman mais dedicado à Secretaria de Esportes do que à arbitragem - Héber é o único árbitro do estado com cacife para apitar um Atletiba. Qualquer outro que saísse seria brincar de roleta-russa com o clássico. E árbitro de fora? Resolve a curto prazo, mas ainda assim continuamos com um quadro de arbitragem incapaz de dar conta do jogo mais importante do estado.
Urso ou Tcheco? Caio Vinícius ou Marcel? Ao que tudo indica, Urso e Caio Vinícius. Marcelo Oliveira está convencido de que pode fazer de Júnior Urso volante, exatamente como transformou Lucas Mendes em lateral. Com dois volantes, o Coritiba ganha poder de marcação e deve roubar mais bolas. Caio Vinícius jogou bem no domingo e Marcelo já reafirmou que não gosta muito de mexer no time. Acho que a experiência de Marcel justificaria queimar mais um cartucho com ele.
Como o Atlético pode ganhar o jogo? Pressão em Willian e, principalmente, Júnior Urso. É a chance de quebrar o passe do Coritiba e recuperar a bola - inclusive com a defesa alviverde aberta. Ricardinho também será fundamental. Aberto pela esquerda, terá a função de atrapalhar a saída de bola de Jackson (com Urso e Willian em campo, todas as jogadas começam com o camisa 2) e de explorar a deficiente marcação na diagonal direita da defesa coxa-branca. O Arapongas fez um gol por ali, o Operário também.
Como o Coritiba pode ganhar o jogo? Em cima de Pablo, confirmado na lateral direita. Contra adversários mais fracos, o atacante improvisado teve dificuldade na marcação. Amanhã, Marcelo Oliveira tem a chance de colocar Rafinha aberto para atacar por ali, um prato cheio. Outro casamento entre fragilidade do Atlético-virtude do Coritiba: bola alta. Rodolfo hesita muito para sair do gol e a dupla de zaga tem tido problemas para marcar o jogo aéreo dos adversários. E o Coxa tem Emerson, Pereira, Jackson e Marcel ou Caio Vinícius como bons cabeceadores.
Rick Dikeman/ Wikimedia Commons

Há alguns dias escrevi sobre o quanto a sociedade sai derrotado com um clássico de torcida única. Agora, acrescento o seguinte: o dirigente e a autoridade que endossa um clássico de torcida única está dizendo (mesmo que inconscientemente) que você, torcedor, é incapaz de viver em sociedade. Que você, torcedor, é incapaz de ver um rival do outro lado da calçada sem ter o instinto de agredi-lo. Que você, torcedor, só consegue conviver pacificamente com seus semelhantes, com aqueles que pensam igual a você. Que a única maneira de você, torcedor, controlar suas emoções em uma situação de tensão acima do normal é isolar-se de tudo que seja diferente.
Ajustando o foco somente para o futebol, a indefinição sobre quem poderá ver este Atletiba - e por consequência o do returno - é apenas mais um de uma série interminável de erros no futebol paranaense. No twitter, o amigo João Paulo Zanona listou alguns absurdos do Estadual-2012: sobe e desce do Paraná, Iraty ameaçando desistir do campeonato, FPF impondo o empréstimo do Couto Pereira, Atlético sem estádio, morte de torcedor no Ecoestádio, Atletiba de torcida única. Todos estes fatos derivam de desorganização, egoísmo, oportunismo, omissão, intolerância e da total incapacidade de estabelecer um diálogo em que se parta do princípio de que a solução, qualquer que seja, deva ser bom para todo mundo.
Restringindo ainda mais foco, agora para o Atletiba, afinal, para algumas cabeças coroadas do nosso futebol (especialmente aquelas lá da Avenida Victor Ferreira do Amaral) é difícil estabelecer qualquer linha de raciocínio com um contexto mais amplo. Desde que saiu a tabela do Paranaense, no dia 23 de novembro, a Federação foi alertada por toda a imprensa e por muitos torcedores da burrice que era marcar o clássico para uma Quarta-Feira de Cinzas. A FPF ignorou, assim como os clubes, que não aproveitaram o prazo previsto em lei para contestar a tabela e evitar este absurdo. Preferiram deixar a bomba relógio armada e, claro, ela estourou no último minuto.
No fim, passaremos o feriado sem saber ao certo se valerá o desejo de torcida única dos clubes e da Polícia Militar - e para a PM é uma loucura emendar uma operação de Carnaval com outra para um Atletiba, ainda mais se ele será realizado em uma região de grande fluxo de pessoas voltando de viagem, seja de carro, seja de ônibus. Ou se valerá a determinação do Ministério Público de respeitar os 10% da torcida visitante. Fora a possibilidade surreal de torcedores do Coritiba comprarem ingresso e, no fim, não poderem entrar no estádio.
A única certeza é que já estão bem definidos os papéis daquela velha marchinha de Carnaval. O riso e alegria fica com quem armou esta lambança. Enquanto todos nós, que gostamos de futebol, somos os palhaços no salão.
O empate entre Coritiba e Cianorte deixa uma pauta extensa para análise. Júnior Urso, arbitragem, elenco... Enfim, muitas coisas a falar, então já aviso que será um post longo. Respirem fundo e vamos em frente.
Apito
Daniel Castellano / Gazeta do Povo
Goleiro Fabrício, do Cianorte, defende o pênalti cobrado por RafinhaConsidero o pênalti dado a favor do Coritiba hoje (que Rafinha bateu com uma displicência de quem parecia consciente de ter sido ajudado) e o não marcado para o Rio Branco, no domingo, os erros mais graves. Especialmente o de domingo, na cara do auxiliar número 2. Sei que muitos discordam, mas não acho que houve pênalti a favor do Londrina. Mantenho o que escrevi semana passada: Alexandre e Artur caíram antes do choque. E os lances dos jogos contra Paranavaí (a bola que Vanderlei puxou de dentro do gol) e Corinthians-PR (impedimento inexistente em um ataque que resultou no que seria o gol de empate do Timãozinho) foram rápidos e difíceis o suficiente para explicar o erro. Nem tudo que é claro no quinto replay é claro visto de dentro de campo em tempo real.
O grande problema é o efeito da repetição de lances polêmicos com o mesmo desfecho. Causa insegurança nos outros times. Permite a quem quiser enxergar uma operação orquestrada, que, infelizmente, encobre o que é mais evidente: a arbitragem paranaense é fraca. Há mais de uma década vivemos de Héber e Roman, que daqui a pouco vão parar sem deixar herdeiros. As apostas para o lugar deles fracassaram (o próprio Edivaldo Elias da Silva, que apitou hoje em Cianorte foi uma) e não há no horizonte ninguém que possa substituí-los a curto prazo. Até que se prove o contrário, os erros (supostos ou reais) nos jogos do Coritiba derivam de má qualidade da arbitragem, não de má-fé.
Elenco
Na coletiva após o jogo, Marcelo Oliveira falou que as dificuldades do Coritiba neste início de Paranaense têm relação com a negociação de alguns titulares. Um risco que havia sido apontado neste blog, por vários outros colegas de imprensa e por muitos torcedores, mas fora refutado com veemência por Felipe Ximenes.
Oito jogos depois, não resta dúvida de que o desmanche foi profundo demais. Marcelo Oliveira não consegue simplesmente colocar as peças que chegaram e reproduzir o jogo do ano passado. O estilo de jogo de quem veio não bate com o de quem partiu. É necessário achar outro caminho, que pode até levar o Coxa de 2012 tão ou mais longe que o do ano passado. Mas será preciso tempo, paciência e contratações. Hoje, o Coritiba tem um time menos pronto que o Atlético.
Júnior Urso
Outra boa do Marcelo Oliveira foi dizer que gostaria de vencer o jogo com um gol do Júnior Urso. Tirada espirituosa, mas que condensa demais uma questão mais complexa. Júnior Urso não era um cabeça de bagre porque não vinha dando conta de substituir Léo Gago nem viraria a solução para o meio-campo alviverde caso o Coxa vencesse com um gol dele.
Júnior Urso é um bom primeiro volante. Um carrapato. Uma máquina de desarmar. E só. Não se pode cobrar dele saída de bola, lançamentos, finalização. No Paraná, ele era o jogador mais recuado de um trio que tinha Everton Garroni e, principalmente, Serginho saindo mais para o jogo. Se Urso foi contratado para substituir Léo Gago, foi mal avaliado. Se é visto como o homem da transição no time, está sendo mal escalado. Júnior Urso disputa vaga com Willian. E não há gol que faça mudar essa realidade.
Contas
Coritiba e Cianorte viraram passageiros na disputa do título do primeiro turno. Não dependem mais de si para superar o Atlético. O Coxa tem de vencer o Atletiba, fazer o serviço nos dois outros jogos e secar o Cianorte. O Leão precisa fazer sua parte e torcer pelo Alviverde no clássico. Difícil achar um coxa ou um atleticano que, antes do campeonato, imaginasse este cenário.
Camisa
Momento fashion do post: o uniforme preto do Coritiba é muito, muito feio. E pela tevê, o laranja do BMG parece vermelho.
Walter Alves / Gazeta do Povo
Ligüera, meia do AtléticoEssa mudança não se restringe aos gols - todos importantes para as vitórias sobre Toledo, Iraty e Corinthians Paranaense - nem à empatia imediata com a torcida, que precisa forçar a memória para lembrar do último reforço a começar tão bem sua história no clube.
O Atlético que está sendo construído por Juan Ramón Carrasco tem o ritmo de Ligüera. O que não está nem perto de ser coincidência. Carrasco conhece Ligüeira há quase uma década, pediu sua contratação. E parecia estar preparando o time para o uruguaio, tão fácil o seu estilo casou com o do novo Atlético.
Há de se fazer o desconto da fragilidade dos adversários, é verdade, mas o Atlético de hoje, pela primeira vez com Ligüera titular, foi diferente. A correria natural de um time de garotos ganhou alguém capaz de dosar seu ritmo. Ligüeira acelerou e acentuou a rotação do time rubro-negro. Não com os passes longos e precisos de Paulo Baier nos seus bons momentos, mas se aproximando dos companheiros para trocar passes, mantendo a bola mais no chão do que viajando em lançamentos, e, claro, aparecendo na área para finalizar.
E o melhor de tudo, Paulo Baier ainda está lá, como uma reserva para qualquer emergência. Depois de anos na nota única da bola parada, é um colírio para os atleticanos olhar para o campo e encontrar mais de uma maneira de jogar, mais de uma maneira de vencer e outro maestro para o seu time. Muito prazer, este é o Atlético de Ligüera.
Andye Iore / Comunicação GMR
Paulo Turra: nos treinos do Cianorte, é proibido tirar a bola do chão“O fato de eu ter sido zagueiro me permite ter uma ideia mais clara de como você consegue furar uma marcação mais forte”, justifica Paulo Turra, 38 anos, que tem no seu currículo duelos dentro de campo com Ronaldinho, Owen, Larsson e, o mais difícil de todos, Van Nistelrooy. “Na boa fase, ele era muito grande e rápido, difícil de pará-lo”, explica, em conversa por telefone com o blog.
E como furar essa marcação forte? “Posse de bola. Sempre falo para os meus jogadores que é fundamental manter a posse de bola, trocar passes, controlar o jogo e achar o momento certo para atacar”, diz. A posse de bola é trabalhada exaustivamente nos treinamentos. Neles, Turra proíbe seus jogadores de tirar a bola do chão. Se alguém arrisca um chutão, o técnico para o treino e manda repetir a jogada.
Até o momento, o estilo de jogo falhou apenas uma vez, no primeiro tempo da partida contra o Atlético, no Albino Turbay. Na avaliação de Paulo Turra, seu time deu campo para o Rubro-Negro jogar no contra-ataque e construir o placar de 2 a 0 no primeiro tempo. A correção de rumo no intervalo daquela partida, com a abertura de Paulinho pela ponta-direita, em um típico 4-3-3, permitiu ao Leão o empate (Paulinho fez o primeiro gol) e a manutenção da invencibilidade no Estadual. Uma alternativa ao 4-4-2 que ele prefere usar. No geral, a variação está na disposição do meio-campo: dois volantes e dois meias, como o Cianorte atual; losângo; uma linha de quatro no estilo inglês.
Paulinho foi um dos reforços pedidos por Paulo Turra para reforçar uma base que praticamente não parou de jogar em 2011. O Cianorte disputou o Paranaense, parou por dois meses, jogou a Série D, teve outro breve período de férias e iniciou a pré-temporada para o estadual em novembro, duas semanas antes da contratação do treinador, que chegou sozinho.
Acrescentou ao grupo e à comissão técnica já prontas o seu estilo, forjado pelo convívio com treinadores como Ademir dos Reis (técnico de Turra na base do Caxias), Tite, Felipão e Muricy Ramalho. Com os últimos três Turra já fez estágio e mantém contato para trocar ideias (com Muricy, as conversas são quinzenais). De fora, diz gostar muito do trabalho de José Mourinho, do qual é consumidor voraz: assiste aos jogos e entrevistas, lê reportagens a respeito do português. “Mas tenho o meu perfil. Sou o Paulo Turra. Não o Felipinho ou o Mourinhozinho”, disse, em uma entrevista no fim de 2010.
É este perfil que o Cianorte leva a campo hoje à noite, para mais um jogo decisivo, contra o Coritiba. Paulo Turra evita a atrelar o resultado da partida a uma mudança nas metas da equipe. Ainda é cedo para ele repetir como técnico a façanha como jogador, quando, em 2000, liderava a zaga do Caxias de Tite, campeão gaúcho contra o Grêmio, no Olímpico. “Vim aqui para ser campeão do interior e conseguir vaga na Série D e Copa do Brasil. Estes são os objetivos”, enfatiza.
Por isso, faz questão de colocar o Coritiba como favorito ao jogo e ao título (ao lado do Atlético), mesmo sabendo que vencer o jogo desta noite significará tirar um concorrente direto da briga pelo primeiro turno. Para vencer, aposta na fórmula que livrou a equipe da derrota para o Atlético: bola no chão, troca de passes e ataque na hora certa, exatamente como nos treinamentos. Passar o serrote ficou no passado do jogador Paulo Turra.
Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

Este último tópico, aliás, está no centro da mais nova polêmica entre os dois dirigentes. Ontem, a coluna Painel F.C., da Folha de S. Paulo, trouxe queixas de Petraglia sobre o destino dado aos R$ 20 milhões que o Atlético já recebeu da Rede Globo, referentes ao novo contrato de TV. Seguem as duas notas.
“Zerado. O presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, empossado em dezembro, prevê dificuldades para o clube neste ano. A principal razão alegada é que a diretoria anterior antecipou e muito a receita de TV de 2012 no ano passado.
Pelo ralo. De acordo com Petraglia, seu antecessor adiantou R$ 20 milhões do valor a ser recebido pelo Atlético-PR em 2012.”
Por volta das 22 horas, Malucelli entrou em contato com o blog, para falar dos R$ 20 milhões mencionados por Petraglia - o ex-dirigente diz que fará o mesmo hoje com a Folha. Segue, em resumo, a explicação de MM para o repasse feito pela Globo. Segundo o dirigente, explicação amparada por documentos do clube dos quais ele tem cópia:
- Os R$ 20 milhões não são adiantamento das cotas de 2012, mas sim luvas pela assinatura do contrato (Malucelli cita a cláusula de confidencialidade para manter o valor anual em sigilo, mas a informação amplamente divulgada é de que o Atlético receberá R$ 29 milhões/ ano);
- Estes R$ 20 milhões foram pagos em maio. R$ 1 milhão ficou retido em forma de imposto, outro R$ 1 milhão foi colocado no fluxo de caixa normal do clube, restando R$ 18 milhões, investidos em aplicações financeiras na Caixa e no Itaú. O dinheiro permaneceu lá até dezembro;
- Um dia depois da eleição, Malucelli diz ter usado R$ 2 milhões para quitar o empréstimo tomado na Caixa para a construção do piso inferior da Brasílio Itiberê. Sobram R$ 16 milhões;
- Na mesma época, outros R$ 2 milhões foram somados ao dinheiro recebido do São Paulo, por determinação judicial, pela liberação de Dagoberto para pagar dívida do Atlético com o PSTC. Segundo Malucelli, essa dívida se referia à participação do clube londrinense nas negociações de Dagoberto com o São Paulo, do goleiro Guilherme com o Lokomotiv Moscou e do meia Fernandinho com o Shakhtar (no caso de Fernandinho, não a primeira venda, em 2005, mas dos 20% que o Atlético manteve do jogador por mais um tempo). Assim, ficaram no caixa do clube R$ 14 milhões das luvas pagas pela Globo em maio;
- Esta quantia foi registrada por Malucelli em um termo de transferência, apresentado e assinado pelo diretor financeiro indicado por Petraglia para a atual gestão.
Além da explicação sobre o dinheiro recebido da Globo, Malucelli passou outras informações interessantes sobre receitas que entrariam no caixa rubro-negro entre o fim do ano passado e o início deste ano. São elas: 1) 1,5 milhão de euros da terceira parcela da venda de Neto para a Fiorentina, com vencimento dia 30 de dezembro; 2) R$ 850 mil de um residual que o Corinthians ainda devia da negociação de Cristian, com previsão de pagamento para a segunda quinzena de dezembro; 3) R$ 1,7 milhão de metade do repasse da venda do pague-pra-ver do Brasileiro-2011, previsto para janeiro.
Somando o que sobrou das luvas da TV com estes três pagamentos previstos, dá algo em torno de R$ 20 milhões.
Em uma outra categoria estão, de acordo com o ex-dirigente, residuais das transferências de Galatto para o Málaga, Dinei para o Tenerife e Pedro Oldoni para o Valladollid. O total é de 600 mil euros, mas provavelmente o Atlético terá de recorrer à Fifa para receber.
Outra informação relevante: a folha de pagamento do futebol está abaixo de R$ 1 milhão (natural com a saída dos emprestados e a promoção de vários garotos).
*****
Claro que ao abrir estes valores Malucelli pretende preservar o seu nome. Com o rebaixamento no Brasileiro, a gestão financeira restou como último bastião da sua administração. E se há informação errada, ele está mais do que certo em procurar corrigi-la.
Para o torcedor, fica uma oportunidade rara de ter acesso a dados da receita do clube que geralmente ficam entre quatro paredes, ou, no máximo, diluídos na numeralha do balanço patrimonial. O que não pode é o Atlético passar mais um ano de sua história com os dirigentes gastando energia em responsabilizar os seus antecessores. Um argumento que (se bem fundamentado) faz sentido por um tempo, mas logo ganha ares de desculpa pronta.
Coluna publicada na edição impressa da Gazeta do Povo, nesta terça-feira
Perfil do Atlético-PR no Facebook
O Atlético sub-18 da Copa São Paulo de 2012.O diretor de futebol profissional do Atlético, Sandro Orlandelli, confirmou ao blog a intenção de reclassificar as divisões de base. A alteração só não é 100% certa porque ainda estão sendo discutidos os últimos detalhes da criação do departamento sub-23 e o novo método de trabalho das categorias de formação no CT do Caju. “Estamos alinhando o nosso trabalho de base ao que é feito na Europa”, disse Orlandelli.
Realmente há países e clubes europeus que seguem um escalonamento etário diferente do consagrado pela Fifa. Na Inglaterra, que Orlandelli conhece bem pelo seu trabalho de olheiro do Arsenal, a última divisão de base é a sub-18. Acima disso, há os reservas, sem limite de idade e com campeonato próprio. É a versão britânica dos aspirantes, tão comuns no Brasil há algumas décadas.
O Barcelona também define o sub-18 como teto para as categorias de base. Acima dele há o Barcelona B, com jogadores sub-23, disputando a segunda divisão espanhola. A Inglaterra não é referência em categorias de base, mas o Barça usa seu expressinho para lustrar suas joias, estejam elas em campo ou no banco - Guardiola treinava o time B antes de substituir Rijkaard. Escrevo isso para dizer que somente na prática será possível medir o acerto da medida do Atlético.
Passando da informação para a opinião, o que me preocupa na extinção do sub-20 é colocar garotos de 19 anos, ainda em formação, no mesmo balaio que um atleta de 23, já pronto física e tecnicamente. Questionei Orlandelli a respeito. Segundo ele, questão de ponto de vista, pois o garoto de talento, mesmo com 18, 19 anos, irá se sobressair, seja no sub-20, seja no sub-23.
Este pensamento me lembra um pouco o de Mário Iramina, presidente do PSTC. Certa vez, ele me disse que se um jogador não estiver pronto aos 18 anos, é melhor esquecê-lo. Não há maneira de salvá-lo. Pode até ser regra, mas há exceções. (Alguém aí falou Leandro Damião e Dedé?)
Outro ponto que não pode ser desprezado é a agenda de amistosos e torneios fora do Brasil que deve ser montada para a equipe sub-23. A partir de 18 anos, qualquer jogador está apto a se transferir para outro país. Sem um calendário sub-20 a cumprir, o Atlético pode dar mais experiência aos seus jovens ao mesmo tempo que os exibe a potenciais compradores estrangeiros.
Site Oficial do Cerro Porteño

Cáceres joga de volante direito. Ajuda na marcação, encosta no meia de ligação para ajudar na armação e arrisca chutes de fora da área. É um Léo Gago destro, mas que prefere jogar mais com a bola no pé a arriscar lançamentos longos.
Os seus melhores momentos foram entre 2009 e 2010, quando assumiu a condição de titular do Ciclón, foi campeão nacional, teve oportunidades na seleção paraguaia e despertou a atenção de clubes de outros países. O Atlético foi um deles. A negociação, ano passado, só não avançou porque o Cerro estava na Libertadores.
E foi a partir da Libertadores que Cáceres começou a perder espaço no clube e a ter problemas com os treinadores. Leonardo Astrada o deixou no banco e até fora da concentração em algumas partidas. "Não sei disse algo que ele não gostou, não sei se não gostou da sinceridade que tive com ele", chegou a declarar Cáceres.
No segundo semestre, Astrada foi substituído por Mario Grana, que reduziu ainda mais o espaço do jogador no time titular. Lucho chegou, inclusive, a falar em determinação da diretoria para que ele fosse deixado de fora de algumas partidas, ao mesmo tempo em que rebatia tabloides paraguaios que falavam sobre sua vida noturna.
Cáceres terminou 2011 e começou 2012 da mesma maneira: na reserva de Jorge Rojas, garoto de 19 anos da base do Ciclón. Foi banco nas duas partidas do clube pelo Campeonato Paraguaio deste ano, sempre entrando no segundo tempo. Ou seja, fez pré-temporada, está jogando e, se acertar, pode estrear assim que estiver regularizado.
Os problemas do ano passado indicam que o ciclo de Cáceres no Cerro estava encerrado e uma troca de time pode ser a chave para ele recuperar o bom futebol do início de carreira. Se isso acontecer, Marcelo Oliveira, enfim, poderá respirar aliviado por não ser mais tão dependente de Tcheco.
Antonio Costa / Gazeta do Povo
Geraldo entrou no segundo tempo contra o Rio Branco, mas não foi bem
Atletiba de uma torcida, um tempo e dois paredões
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