Terça-feira, 22/05/2012
Jefferson Bernardes/ Site Oficial do Internacional
Damião recebe o cumprimento de Dagoberto: não deu para VanderleiDamião fez um golaço em que aliou sorte e talento, deu o passe para o gol de Dagoberto, carimbou a trave de Vanderlei, quase fez um inacreditável gol de carrinho. Infernizou Demerson até não poder mais. É provável que o zagueiro coxa-branca sue frio na cama esta noite, sonhando que Damião está arrancando em sua direção. Recomendo a Demerson nem abrir os olhos. Vai que Damião está ao lado da cama, com uma bola nos pés, querendo demonstrar um pouco mais do seu repertório.
É verdade, o jogo não foi só tragédia para o Coritiba. Houve o gol mal anulado, que na melhor das hipóteses significaria não perder de zero. Houve o segundo tempo, em que o time jogou um pouco mais, errou menos passes, mas, no duro, ameaçou o gol colorado apenas no arremate de Lincoln defendido por Muriel. O suficiente para perder em pé. Pouco para merecer um ponto que fosse.
A derrota em Porto Alegre expôs a realidade do Brasileirão diante do Coritiba. O elenco existente hoje no Alto da Glória basta para estacionar na zona morta da tabela, mas não para tatear a classificação à Libertadores como no ano passado. Não falo de Copa do Brasil, em que o mata-mata reduz a distância entre as equipes.
Para conseguir mais no Nacional é preciso contratar. A começar por um 9 - não um Damião, pois neste nível somente São Paulo e Fluminense podem se gabar de ter alguém, mas que seja um minimamente confiável. E passa pela armação, pela lateral-esquerda e até pela zaga, pois o tranco hoje foi forte demais para o regular Demerson. É isso ou jogar o Brasileirão com a calculadora e a meta de 46 pontos sempre à mão.
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Para não posar de engenheiro de obra pronta, escrevi sobre as possibilidades do Coritiba no Brasileirão na Esportiva de sexta-feira.
O treinador tem um papel fundamental neste final feliz. Demonstrou humildade ao aceitar o pedido de Paulo Baier para colocar o camisa 10 um pouco mais avançado. E Baier retribuiu à altura, com três assistências (duas de bola parada e outra com a bola rolando) e uma grande exibição.
A primeira assistência de Paulo Baier, para o gol de Bruno Mineiro, pôs o jogo na mão do Atlético, Até ali o time era pressionado pelo Joinville e Zezinho tinha dificuldade para marcar o ótimo Eduardo, melhor que qualquer lateral-direito em atividade nos clubes de Curitiba. O Joinville sentiu o primeiro gol, logo tomou o segundo e o Furacão passou a controlar a partida.
No intervalo Carrasco corrigiu o lado esquerdo da defesa, trocando Zezinho por Cléberson. Depois foi reforçando gradativamente a marcação no meio. Primeiro com Alan Bahia, depois com Renan Teixeira. Trouxe o Joinville para o campo do Atlético, mas de uma maneira que o time catarinense só conseguia chuveirar na área, o que facilitou demais o trabalho de Manoel (excelente mais uma vez) e Renan Foguinho.
E como tudo estava dando certo mesmo, foi possível contra-atacar tendo Fernandão e Bruno Mineiro na frente. Com essa dupla em campo o Atlético fez o terceiro gol, passe de Baier e gol de Fernandão. Depois, ainda houve tempo para Bruno Mineiro dar uma assistência para Renan Teixeira.
Alguém pode até questionar a qualidade do Joinville, que de bom mesmo apresentou Eduardo e Ricardinho. Pouco importa. O jogo era fora de casa, a Arena estava lotado e são poucas as oportunidades que a Série B oferece de vencer como visitante. O Atlético teve a sua e a aproveitou jogando muito bem. Agora, é repetir mais uma vez a força fora de casa diante do Palmeiras, na quarta-feira.
Sempre que um campeonato termina e um clube não atingiu seus objetivos, todos olham para trás em busca de partidas em que foram perdidos pontos preciosos. O Paraná já pode colocar o empate com o Guarani nesta conta. A chance de enfrentar um dos times mais fortes da Série B totalmente desmontado era boa demais para ser desperdiçada. A forma como a vitória escapou reforça ainda mais os motivos para lamentação.
Me refiro, sim, ao gol de empate do Guarani. A partida se encaminhava para o intervalo, o Paraná vencia, André Vinícius estava sozinho, tentou driblar Fabinho, perdeu a bola para o adversário e o Bugre empatou. André Vinícius não deve ser condenado, mas merece um puxão de orelhas. Tem sido o melhor zagueiro paranista, mas, muito novo, comete bobagens de jogador inexperiente. A chegada de Anderson é positiva também para isso, pois dá outra opção de experiência para quando Alex Bruno estiver fora.
O Paraná, no entanto, não errou apenas na defesa. Errou muito no ataque. Luisinho, Arthur e Dieguinho perderam chances incríveis no segundo tempo. Se o Paraná tivesse tempo para treinar, seria bom Ricardinho trabalhar mais finalizações. Como a genialidade da FPF não permite descanso ao Tricolor, o jeito será consertar o avião em pleno voo.
O lado bom é que o Paraná criou várias oportunidades. Packer assumiu a responsabilidade de armar o time mais até do que Wellington. Arthur e Luisinho levaram problemas à lenta zaga campineira com movimentação constante. Fernandinho foi opção frequente de apoio pela esquerda, tanto que Vadão mandou Fabinho e depois Clebinho jogarem nas suas costas.
O empate não deve ser considerado uma tragédia, longe disso. Mas se o Paraná quiser ser levado a sério na disputa pelo acesso, não pode perder chances como a que teve hoje, na Vila Capanema.
Reprodução
O Paraná precisa do pé esquerdo de Wellington calibradoAo longo da semana, Vadão perdeu Ewerton Páscoa (volante, para o Santos) e está na iminência de perder a dupla de zaga Neto e Domingos. Fumugalli está fora e Fabinho, também lesionado, é outro desfalque provável. Ou seja, exceção ao bom meia Danilo Sacramento, o melhor do Guarani no Paulistão não joga esta tarde, na Vila Capanema. E cabe ao Paraná explorar essas ausências. Como?
Ricardinho trocou os gordinhos Nilson e Douglas pelos rápidos Luisinho e Arthur. A movimentação da nova dupla de ataque é o melhor veneno para a lenta e desentrosada zaga bugrina, com Rodrigo Arroz e André Leone.
O ataque funcionará bem na proporção que o meio-campo trabalhar corretamente. A composição será, no papel, menos faceira que a dos últimos jogos. Ricardo Conceição é um volante mais clássico, pegador, daqueles para vigiar o principal armador adversário (no caso, Danilo Sacramento). Packer e Cambará devem fazer dupla função e Wellington será o responsável direto por fazer a bola chegar no ataque. Ano passado, o Tricolor ganhou pontos preciosos a partir do pé esquerdo do Sideshow Bob.
Mesmo remendado, o Guarani merece cuidado. Já mencionei duas vezes Danilo Sacramento. Lembro do Willian Favoni em uma Ponte Preta que eliminou o Coritiba de uma Copa São Paulo de três, quatro anos atrás. Volante de bom domínio e passe de bola, aparece bem para finalizar. Atenção a ele. E mesmo que Fabinho não jogue, seu substituto, Clebinho, é perigoso. Baixinho e muito rápido, é certeza de problemas para os laterais paranistas. Ele fez o gol que salvou o Botafogo de Ribeirão do rebaixamento no Paulista, além de nas horas vagas trabalhar como cabeleireiro dos colegas de time.
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Falei abaixo que o Atlético tem obrigação de subir. A do Paraná é não cair. Claro, seria maravilhoso ver os dois subirem, mas o Tricolor ainda aspira cuidados. O clube está se reerguendo e somente com o tempo sentiremos o impacto das duas competições simultâneas no rendimento do time na Série B. Subir este ano é possível, mas ainda soa como sonho. A realidade paranista é fazer um campanha sem sustos este ano e obter o acesso em 2013.
Divulgação/ Atlético
Fernandão is the new FinazziSob esse parâmetro, a caminhada começa de forma preocupante. A escalação do time em Joinville tende a dificultar um jogo que poderia ser vencido com esforço médio. Carrasco junta duas fórmulas que deram errado. Na defesa, repete a linha que terminou o jogo contra o Palmeiras: Pablo (centroavante), Manoel (zagueiro), Foguinho (volante) e Zezinho (meia-atacante).
Menos mal que o Joinville não deve abrir dois atacantes pela ponta, muito pelo contrário - Lima e Bruno Rangel são dois atacantes de área, que às vezes caem pelos lados. Mas Zezinho deve ter problemas com Eduardo, melhor lateral-direito do Catarinão e como liberdade total para atacar. É um risco imposto pela falta de opções defensivas.
A outra fórmula errada resgatada por Carrasco está no ataque - e essa por opção dele. Lembram do começo do ano, quando o Atlético tinha Bruno Mineiro, Nieto e Ricardinho ou Bruno Furlan no ataque? Escalar Bruno Mineiro, Fernandão e Ricardinho é basicamente a mesma coisa. O ataque fica torto e perde velocidade. E tirar Fernandão da área será um crime. Lá dentro, the new Finazzi pode fazer a diferença. Detalhe: Fernandão é 6 centímetros mais allto que Pedro Paulo e 7 centímetros mais alto que Maurício, os zagueiros do JEC. Portanto, bola na cabeça dele.
Pelo menos no meio Carrasco usa o que tem de melhor, Deivid, Baier e Ligüera. A conferir, porém, o fôlego do uruguaio, que esteve em campo domingo e quarta.
No JEC, atenção com o ofensivo lateral Eduardo e com o perigosíssimo centroavante Lima, ídolo da torcida e goleador do time. Lima é bom pelo alto e joga com muita desenvoltura quando tem a bola no pé. E tenho curiosidade para ver Thiago Real. Vi poucos jogos dele pelo Coritiba e nunca me impressionou. No JEC foi bem. É nos pés dele que começam as jogadas ofensivas do Tricolor catarinense.
Antonio More/Gazeta do Povo

Como sempre acontece fora do Couto Pereira, o Coritiba teve seu momento de apagão na volta do segundo tempo. É consenso entre os treinadores que os minutos iniciais dos dois tempos são aqueles em que o time da casa intensifica a pressão sobre o adversário. Se defender dessa situação quando ela acontece é natural e obrigatório. Mas provocá-la é burrice. O Coxa sistematicamente volta do intervalo encolhido, implorando para tomar pressão do oponente. Fez isso ontem e escapou da derrota.
A entrada de Lincoln nos dez minutos finais deu um pouco de ordem à correria do Coritiba - e do jogo em si. Era a peça que faltava, alguém para pensar e coordenar o jogo. Foi o momento mais dominante dos paranaenses, deixando claro que o time precisa de um cérebro presente em campo. Até o final da Copa do Brasil será Tcheco. Depois, a tendência é que seja Lincoln, mas Marcelo Oliveira precisa que a diretoria busque outra opção no mercado.
O 0 a 0 não foi ruim, mas é perigoso. A vitória simples classifica, mas qualquer empate com gols tira o Coritiba da Copa do Brasil. E o Vitória, mesmo com sérias limitações no meio-campo (Tartá como armador é uma piada) e na lenta defesa (Rodrigo e Victor Bahls ficavam perdidos diante de qualquer movimentação mais intensa do ataque alviverde), carrega o histórico de ter resolvido a classificação contra o Botafogo no Engenhão, após um empate em Salvador.
Daniel Castellano / Gazeta do Povo
Atlético x PalmeirasCom tantos fatores envolvidos, não surpreende que um simples lance conduza o time ao colapso. Este lance aconteceu aos 35 minutos do primeiro tempo, quando Ligüera recebeu de Edigar após corta-luz de Bruno Mineiro, invadiu a área, hesitou e foi desarmado no momento em que ia chutar. Ali, o Atlético deveria ter feito 3 a 1 e liquidado o jogo. Não fez e os erros começaram a ganhar relevo.
Um deles é anterior ao lance de Ligüera. Suspenso, Héracles não jogou. A opção natural seria improvisar Bruno Costa, machucado. Como Paulo Ninja parece ter caído em algum poço com crocodilos do CT do Caju, Carrasco deslocou Zezinho por ali. Ficou claro que a ideia era variar do 4-3-3 para o 3-3-1-3. Quando Zezinho avançava para a segunda linha, tudo bem. O problema era quando ele recuava para formar a linha de quatro ou se deslocava entre uma e outra. Zezinho e Renan Foguinho cansaram de bater cabeça nessa movimentação. A situação se agravou no segundo tempo, quando Pablo substituiu Cléberson. O Atlético tinha uma linha defensiva com um centroavante, um volante, um zagueiro e um meia-atacante que não conseguia marcar um time espertamente rearmado com três atacantes.
Outro problema grave foi a perda de rendimento de Ligüera a partir da chance desperdiçada. Com o uruguaio mal, os atacantes começaram a sofrer de inanição. E tirar Guerrón foi o remédio errado para o diagnóstico certo. La Dinamita caiu de produção porque a bola não chegava, Chegaria mais com a entrada de Paulo Baier no lugar de Alan Bahia ou mesmo Ligüera. Guerrón saiu, Ricardinho entrou e o nada mudou no ataque rubro-negro.
A essa altura, o time já estava sem comando presente à beira do gramado. Carrasco, em um descontrole imperdoável, agrediu Valdívia e foi bem expulso. É inadmissível que um treinador cometa um ato destes e é preciso de tempo para ver as consequências perante o elenco. Que moral um técnico que agride um jogador adversário terá para pedir calma aos seus comandados? E que moral terá a diretoria para enquadrar o treinador (deveria), sendo que ainda não oferece a ele um elenco completo?
Carrasco é induzido a improvisar mais do que seu estilo já ordena quando olha para o elenco e vê apenas dois especialistas para as laterais, Gabriel Marques para a direita e Héracles para a esquerda. Também se obriga a fazer malabarismos quando procura opções para jogar substituir Manoel ou Bruno Costa e encontra Rafael entregue permanentemente ao departamento médico. Ao menos para o Brasileiro haverá Fernandão para dividir com Bruno Mineiro o posto de 9 de ofício. E olha que falei apenas de quantidade.
Por isso, faz todo o sentido o protesto da torcida pedindo reforços urgentes para a Série B. O que não faz sentido é dar como perdida a classificação para a semifinal. O Palmeiras é tão limitado quando o Cruzeiro e na partida de volta o contra-ataque deve se oferecer mais vezes ao Atlético. E faz menos sentido ainda qualquer discussão envolvendo o Atlético descanbar para o lado político, como ocorreu mais uma vez ontem à noite. A eleição acabou em dezembro e, até onde se sabe, o Atlético continua sendo um só. E esse Atlético precisa criar condições para não viver cada minuto de um jogo em situação limítrofe.
Henry Milléo / Gazeta do Povo
Até agora, Ricardinho manejou muito bem o elenco tricolor na temporadaO jogo de amanhã, contra o Nacional, encerra a primeira parte da insana sequência de seis jogos da Série B estadual em 16 dias imposta pela Federação. O diagnóstico é de que o Paraná cumpriu com louvor a estafante missão. Venceu os cinco jogos que já disputou e deve ganhar o sexto. Caso isso realmente aconteça, encaminha a conquista do turno provavelmente para o jogo com o Cincão, dia 25. Ou seja, pode ter duas partidas de fim de turno para colocar garotos da base, sem a preocupação com os pontos que possa perder. Uma folga valiosa, fora a chance de testar a molecada em partidas de campeonato.
Até agora, Ricardinho manejou muito bem o elenco. Usou 27 jogadores em cinco jogos. É certo que o 28º entrará em campo em Rolândia, Jociel Henrique. Conseguiu reduzir o desgaste do grupo sem comprometer o resultado dentro de campo. Essa equação fará muita diferença a partir de agora, com o início da Série B.
Aliás, Ricardinho e a diretoria tricolor estão de parabéns por tudo que foi feito até aqui. Não há objetivo que não tenha sido cumprido, nem mesmo na Copa do Brasil. O primeiro adversário era de divisão inferior no Brasileiro. O Paraná venceu. O segundo era um concorrente direto na B. Passou com direito a suportar a pressão fora e reverter um resultado adverso em casa. Parou em um oponente maior e mais rico.
O cenário para a Série B é o mais animador desde que o clube voltou a disputar essa divisão, em 2008. Pela primeira vez há um elenco, um estilo de jogo e um time-base definidos. Um elenco numeroso e realmente comprometido em crescer junto com o clube. Um estilo de toque de bola, em que o princípio é sempre jogar no campo do adversário, seja para atacar, seja marcar. Um time-base confiável, com um miolo de zaga sólido, um meio-campo criativo e atacantes que sabem fazer gol. Sim, faltam alguns ajustes e, pelo menos de partida, o Paraná habita o bolo intermediário da Série B. Mas o simples fato de poder escrever cinco parágrafos sobre o Paraná apontando apenas coisas boas já é um indício de como as coisas começaram a andar pra frente na Vila.
Arena CAP S/A
Foto de segunda-feira da ArenaSobre a Arena da Baixada, o relatório mostra o seguinte (os grifos são meus):
- Está entre os cinco estádios sob risco de não ficar pronto a tempo;
- Este risco considerado é baixo, como o do Beira-Rio. Manaus e Cuiabá apresentam risco médio e Natal, risco moderado;
- Até a conclusão do relatório, apenas 12% da obra havia sido concluída. Somente o Beira-Rio (4%) apresenta índice menor. A média nacional é de 34,4% de conclusão;
- Em e-mail à cúpula da Fifa (Blatter incluído), Botta comemora o fato de Curitiba e Porto Alegre enfim terem iniciado as obras, o que põe os 12 projetos em andamento;
- A conclusão da Arena está prevista para junho de 2013;
- Os maiores riscos à obra são: não atender às exigências da Fifa e a falta de expertise do clube para gerenciar a reforma;
- O orçamento do estádio é de US$ 131 milhões (R$ 249,8 milhões pela cotação do dia em que o relatório foi apresentado).
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Agora, comento os grifos.
Considero pouco provável que a Arena não fique pronta a tempo da Copa do Mundo. No próprio relatório, a Fifa comenta do afrouxamento de algumas exigências no início deste ano. É provável que outras concessões sejam feitas, anulando as diferenças entre o que a Fifa exige e o que as sedes podem entregar. Ainda assim, é de se lamentar que o cronograma nas mãos da Fifa não preveja mais a reabertura do estádio no mês do aniversário de 89 anos do clube, como Petraglia cansou de prometer.
Também acho bom relativizar a crítica à falta de expertise do clube, mesmo que ela seja real. Não podemos esquecer a ficha corrida de Blatter e sua turma. Para a Fifa, quanto mais intermediários (construtoras, empreiteiras, grandes corporações etc.) e mais dinheiro circulando, melhor.
A questão continua sendo a que custo tudo isso vai ficar pronto e quem vai pagar a conta. A diferença do orçamento que vinha sendo divulgado até então (R$ 184 milhões) e o mencionado no relatório (R$ 249 milhões) é grande. Se já havia alguns ruídos sobre os trâmites para que Atlético, estado e município dividissem a conta inicial, o que dizer desses R$ 65 milhões excedentes? O poder público abraça essa conta? O Atlético paga e assume o risco de arrebentar suas finanças? Há um meio-termo razoável?
Difícil saber diante da pouquíssima informação divulgada pelo clube. Não custa lembrar, mesmo sendo uma obra privada e um imóvel privado, o financiador é o poder público, o evento é do País, logo é dever dar transparência a cada estágio da construção. Transparência que não é simplesmente publicar fotos diárias, como se faz no site da Arena CAP S/A. Para essa finalidade, talvez fosse mais apropriado criar uma conta no Flickr ou no Instagram.
Talvez com o fim do prazo estipulado pelo Tribunal de Contas Estadual para a apresentação do cronograma e do orçamento detalhados (entre outras exigências que dependem exclusivamente do poder público) a obra na Arena, enfim, torne-se transparente como se espera de algo que consumirá tanto dinheiro público (mesmo que mediante empréstimo ou potencial construtivo). Até porque é duro engolir qualquer aula de transparência, mesmo involuntária, da Fifa.
Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Atletiba em dois momentos distintos: os rubro-negros lamentam a desvantagem da perda do pênalti de Guerrón...Sempre tive curiosidade de imaginar o que passa pela cabeça do jogador na caminhada antes de cobrar um pênalti decisivo. Dunga deu um depoimento muito bom sobre o seu pênalti na final da Copa de 94, dizendo o caminho até a marca da cal parecia ser de quilômetros e que ele simplesmente não ouvia o som do público de mais de 100 mil pessoas no estádio. Particularmente, acho que o filme Os Últimos Passos de um Homem é um retrato mais fiel, com a diferença de que não há uma freira a postos para dar auxílio ao condenado - digo, cobrador.
Domingo, foram nove cobradores e um condenado. E o Bola no Corpo traz com exclusividade o que passou na cabeça de cada um deles antes - e até depois - de ajeitar a bola na cal. Confiram!
Alan Bahia
- Cadê o Édson Bastos para eu meter a paradona nele?
- O pagode vai ser nervoso se a gente ganhar esse título.
- Se não ganhar também, foi nos pênaltis. Rola um pagode do mesmo jeito.
- Saudade da paradona.
- Pataquepa... gol!
- Mantém a pose! Mantém a pose! Provoca a torcida.
Lincoln
- Será que o gado pastou direitinho lá em Minas? Vou vender umas cabeças.
- Tô precisando dar um tapa no cabelo.
- Será que a gola da camisa tá levantada direitinho?
- Dez anos de Europa, alguém acha que eu vou perder pênalti em final?
- Eu avisei...
- Moral com a torcida! Moral com a torcida! Morde o escudo! Morde o escudo!
Deivid
- Ainda bem que o Alan entrou. Se eu precisasse cobrir o Renan por 90 minutos, não ia ter perna para bater pênalti.
- Imagina o cara que jogou do lado do Júnior Urso.
Roberto
- Certeza que se eu fizer amanhã tô na capa do site da L.A.
Zezinho
- Será que tem algum olheiro do Arsenal vendo o jogo?
- Se a gente for campeão, vou armar uma twitcam na concentração.
- Pensando bem, melhor desistir da twitcam. Se o Vinícius participar, periga chamarem ele de mão de alface.
Júnior Urso
- Estranho a torcida gritando o meu nome sem ser para me xingar.
- Acho que eu consigo tocar a bola para um companheiro a 2 metros de mim.
- Ih, rapaz, não tem mais ninguém?
- Já sei. Vou mirar no goleiro e chutar. Ele cai para o canto e a bola entra no meio.
- Mira no goleiro, mira no goleiro, mira no goleiro...
- Fu... Ufa! Amém, Jesus!
Guerrón
- Tentar matar essa porra aí!
- Miércoles!
Éverton Costa
- Nunca foi tão fácil chegar a uma final de campeonato.
- Será que o meu cabelo tá bem preso?
- Foi difícil desenhar o cavanhaque. Será que tá aparecendo bem na TV?
Ligüera
- Não sei por que reclamam tanto do Profe. Ele nem improvisou um atacante no gol para a disputa de pênaltis...
Éverton Ribeiro
- Será que se eu der cavadinha e acertar vão me chamar de Loco Éverton?
- Deixa pra lá, final de campeonato. Melhor não inventar.
- Loco Éverton... Loco Éverton... Loco Éverton... Gostei.
- Vou dar um canudo no meio do gol.
- Loco Éverton... Loco Éverton... Loco Éverton... Não!
- Se eu der na trave e ela entrar, será que cada jogador me paga cinquentinha?
- E aí, pessoal, quem vai pagar cinquentinha?
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Este é um post de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência
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Roteiro adaptado a partir da obra do grande Ricardo Henriques, o Calhau.
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