Coluna publicada na Esportiva impressa dessa sexta-feira
Henry Milléo/ Gazeta do Povo

A campanha ruim no Brasileiro não ofereceu válvula de escape. Marcelo Oliveira foi demitido, Deivid chegou para resolver o problema do ataque e Felipe Ximenes acabou ficando 15 dias fora por motivos de saúde. Três movimentos que pacificaram o ambiente no Couto Pereira e criaram as condições para o time seguir na Série A.
Relembrar essa história é importante em um momento de pressão sobre Marquinhos Santos após a goleada por 4 a 1 para o Nacional de Manaus. Parte da torcida culpa o treinador pela derrota e pela instabilidade do time em 2013. A questão é medir quanto essa leitura - se é que é compartilhada pela diretoria -- pode levar a uma troca de treinador.
A direção do Coritiba já deixou claro que mudança de técnico é último recurso para ajustar o projeto. Ou seja, troca antes do duelo de quinta-feira é impossível - e seria uma irresponsabilidade fazer diferente. E mesmo depois de uma eventual eliminação, parece improvável. O clube procura três reforços (dois laterais e um atacante). Trazer nomes que deixem uma boa primeira impressão tiraria o foco de Marquinhos e não jogaria a pressão para a diretoria. Um fôlego para o treinador arrumar o time sem a necessidade uma mudança traumática.
Olhando para o histórico da diretoria alviverde, é mais provável esperar uma correção com as peças atuais do que a via comum de trocar o treinador para criar o batido fato novo.
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A derrota para o Nacional deriva muito mais de menosprezo e relaxamento do que de desconhecimento. Na véspera da partida, Marquinhos Santos relatou a esse blogueiro, ao fim de uma entrevista sobre o elogio de Felipão ao Coritiba, as virtudes do time manauara: velocidade e criação de Danilo Rios; avanço dos laterais; jogo um contra um de Felipe; aproximação de Roberto Dinamite. Foram as chaves do resultado.
O Coritiba pareceu vítima de um relaxamento pós-título estadual e de não acreditar que era possível perder para um adversário teoricamente tão inferior. É um problema recorrente no elenco coxa-branca. O time tem apagões recorrentes nos primeiros e últimos minutos de vários jogos, também diante de oponentes bem inferiores. Era assim com Marcelo Oliveira. É assim com Marquinhos Santos. Seria com Guardiola, Klopp, Mourinho ou quem fosse. Faz muito mais sentido atacar esse problema do que mudar o “professor”.
Brunno Covello/ Gazeta do Povo
Marquinhos Santos com o livro "Liderança, as lições de Mourinho", de Fernando Ilharco e Luis LourençoDiante desse cenário, a simples menção já merece ser comemorada. É bom para o estado, melhor ainda para o Coritiba e sensacional para Marquinhos Santos, que até três dias atrás estava com a corda no pescoço, com um monte de gente querendo chutar o banquinho que o mantinha firme. Com o título e o aval de Felipão, ganha um fôlego respeitável.
A surpresa maior é sob o aspecto prático da declaração. O único paralelo viável é do esquema tático das duas equipes. O Coritiba tem uma linha de quatro defensores, com dois laterais ofensivos (Ferraz e Patric ou Ferraz e Denis), protegida por um volante prioritariamente marcador e outro com saída de jogo. À frente, um meia centralizado, dois jogadores abertos (um mais agudo) que chegam ao ataque e recompõem o meio sem bola, um homem de referência no ataque. É o modelo que Felipão busca para a seleção também.
Como forma de jogar, porém, há uma distância considerável entre a teoria de Felipão e a prática. A compactação citada por Felipão só funcionou de fato em três jogos da temporada: 3 x 0 no J. Malucelli, 3 x 1 no Londrina e 3 x 1 no Atlético. É o parâmetro que o Coritiba leva para fazer um bom Brasileirão e ter vida longa na Copa do Brasil, mas ainda não é um padrão de jogo do Coxa, como é, por exemplo, para Corinthians e Atlético Mineiro, exemplos mais sólidos citados por Scolari.
A lembrança de Scolari é, sim, motivo para a comissão técnica alviverde comemorar e o torcedor se encher de orgulho. Mas não deve criar a ilusão de que o Coritiba já tem a solidez necessária para encarar a parte mais dura da temporada.
Bruno Covello / Gazeta do Povo

- Desde o início o Coritiba tratou como prioridade a conquista do título estadual, mas nem sempre jogou com tal nível de dedicação. Ontem foi um desses casos. A exemplo dos jogos contra J. Malucelli (3 a 0) e Londrina (3 a 1), o Coxa jogou com uma organização tática sólida que permitiu à individualidade aparecer. Uma fórmula imbatível;
- A isso soma-se uma tranquilidade admirável. Tomar 1 a 0 em casa, com cinco minutos, em um frango do goleiro, é para jogar qualquer time na lona. O Coritiba manteve o mesmo jeito de jogar, que foi ganhando intensidade gradual até chegar ao gol de empate, que saiu naturalmente, sem esforço;
- Não lembro de ter escrito isso aqui no blog, mas falei mais de uma vez na 98, então repito sem medo de parecer oportunista: Vanderlei estagnou a partir da saída de Edson Bastos. Falta uma sombra real ao goleiro coxa-branca, nervoso no Boqueirão e desatento ontem, no Couto;
- Essa sombra, claro, não é Bruno Fuso, que pode voltar do banco do XV de Piracicaba para o banco do Coritiba;
- A entrada de um terceiro zagueiro mais atrapalhou o Atlético do que ajudou. Erwin e Rafael Zuchi se confundiram várias vezes na constante troca de posição. E Zuchi falhou no segundo gol de Alex;
- Héracles não se tornou mais ofensivo na esquerda quando ficavam os três zagueiros. Pela direita o Atlético não deve subida. Hernani e Coutinho subiam quase sempre sozinhos, facilitando a marcação;
- Zezinho é um grande jogador, mas precisa saber que futebol se decide na bola, não na macheza. Não tem dividida em que ele não deixe o cotovelo ou a sola de troco para o adversário. Isso é deslealdade que não cabe em um potencial craque;
- Numa dessas, Zezinho perdeu a dividida para Gil no meio e permitiu ao Coritiba contra-atacar no mano a mano: Alex, Robinho, Rafinha e Deivid contra Zuchi, Erwin, Costa e Héracles. Zuchi e Héracles fecharam em Deivid, Costa não viu Alex surgir por trás dele para empatar o jogo;
- Deixei a pergunta semana passada sobre Marquinhos Santos ser o cara certo para o Coritiba na Série A. Como não expliquei, deixei aberto a qualquer tipo de interpretação, inclusive de ter sido uma ironia. Não foi. Acompanho vários treinos do Coritiba. Sei como é o trabalho diário de Marquinhos. E que o desempenho nos jogos não reflete o que é treinado. Ontem foi exceção, não regra. Para esse colunista, Marquinhos continua em aberto. Para a diretoria, que é o que importa, ele está mais firme do que nunca;
- Não há justificativa para Marquinhos Santos ter passado a perna em Edigar Júnio;
- Mesmo sem título, é provável que Arthur Bernardes reabra portas no mercado nacional com o vice-campeonato. Cabe um sincero “Vai com Deus, guri” a um treinador que mais atrapalhou do que ajudou a garotada rubro-negra;
- Santos, Bruno Costa, Renan Foguinho, Zezinho, Hernani e Douglas Coutinho. Seis belos reforços para o time principal do Atlético, que precisa de mais para ter um Brasileiro seguro;
- Um lateral-direito, um lateral-esquerdo e um atacante para a reserva de Deivid. É o mínimo que o Coritiba precisa para ter um Brasileiro seguro;
- Escudero foi menos trágico do que nos Atletibas anteriores, mas outra vez apresentou um futebol limitado. A saída de bola com ele na esquerda, se não acabava no pé do adversário, era porque um companheiro havia aparecido em seu socorro;
- Chico foi definitivamente salvo por Marquinhos Santos;
- Júnior Urso é o melhor primeiro volante que o Coritiba tem hoje. Mereceu ser titular na final;
- E Geraldo, definitivamente, quer dizer "cara muito largo" em português de Angola;
- Alex é o grande personagem do futebol paranaense atual. Pelo que joga e pela capacidade cada vez mais rara de manter um relação de amor com um time. Os dois gols na final foram uma recompensa justa.
Dado Cavalcanti começa a trabalhar hoje, no Paraná, com o cartão de visitas da ótima campanha do Mogi Mirim no Paulistão. A credencial anterior, no Luverdense, também tem valor -- título estadual e boa campanha na Série C. Dois times com esquemas táticos diferentes, mas com a mesma filosofia de “compactação e transição rápida para o ataque”, quesitos dos quais o treinador não abre mão. Vale a pena botar uma lupa nesses dois times e projetar como pode ser o Paraná de Dado Cavalcanti.
Mogi Mirim 2013

O eixo central do time é o meio-campo. Magal fica posicionado entre a defesa e meio-campo. Faz essa transição com bom passe e condução rápida de bola. É comum aparecer na área para finalizar como elemento-surpresa. Quando ele sob, Val guarda posição.
Na maioria das vezes, contudo, é Val quem comanda a ida do time ao ataque. É o grande nome do Sapão, com um futebol, na devida proporção, similar ao de Paulinho, do Corinthians. Wagner é o seu companheiro na parte de dentro da linha de meias. É um jogador mais de lançamento e especialista em bola parada.
Pelos lados do campo, o destro Roni cai pela direita e o canhoto Róger, pela esquerda. Aproveitam o pé trocado para cortar o marcador para dentro e finalizar. Em determinadas situações, trocam de lado.
Na frente, Henrique é o típico homem de referência. Aproveita as bolas levantadas pelos laterais e meias, além de fazer o pivô para quem chega como elemento-surpresa.
Paraná, versão Mogi Mirim

Anderson e Alex Alves são fortes no jogo aéreo. E Alex Alves tem a seu favor velocidade e saída de bola muito melhores que a da dupla do Sapão. Nas laterais, Roniery (contratação ainda a confirmar) pode ser novamente o lateral mais avançado, o mesmo vale para Edson Sitta, já contratado.
No meio-campo, Cambará é a peça talhada para se posicionar entre as duas linhas de quatro. Tem bom poder de marcação, excelente saída de bola e bom passe. Ricardo Conceição faria o papel de Val. Na verdade, pouco precisaria mudar no jeito de jogar. Ao lado dele, Lúcio Flávio - ou mesmo Fernando Gabriel, recém-contratado. São dois ótimos lançadores, peritos em bola parada.
Pelos lados do campo, as opções mais adequadas são Rubinho e Ronaldo Mendes. O canhoto Rubinho pelo lado direito; o destro Ronaldo Mendes pelo lado esquerdo. Ronaldo tem mais mobilidade como Roni; Rubinho cadencia um pouco mais o jogo como Róger. E outra: Rubinho já demonstrou no Paraná que funciona melhor quando não carrega o fardo da armação.
Na frente, uma bem-vinda diferença de estilo. Reinaldo tem muito mais mobilidade e inteligência tática que Henrique. O problema é contar com ele sempre. O Paraná busca pelo menos um atacante e chegou a cogitar o próprio Henrique. O caminho é esse, ter um homem de referência melhor que JJ Morales para substituir Reinaldo quando necessário.
Luverdense 2012

Na zaga, os altos Rafael Pedro (1,89m) e Alex Moraes (1,95, hoje no Operário) dividem a área, novamente tendo como virtude posicionamento e boa bola aérea. Nas laterais, Raul Prata apoiava o ataque bem mais do que Régis.
No meio-campo, Gilson e Dê fazem a dupla de volantes. Marcação forte combinada a qualidade na saída de bola. Os meias são Rubinho e Matheus, novamente mantendo a lógica de possibilitar a eles jogar com o pé trocado. Na frente, Rodrigo Paulista e Valdir Papel são jogadores de área com boa mobilidade. Nenhum dos dois chegava a ficar fixo na área adversária.
Paraná, versão Luverdense

No meio-campo, Ricardo Conceição recua para atuar na mesma linha de Cambará. Lado a lado, ambos se alternam na saída de bola e na chegada ao ataque. Lúcio Flávio é o armador esquerdo, enquanto Rubinho fica pela direita (a questão dos pés trocados).
Na frente, a solução atual seria jogar com JJ Morales e Reinaldo. Longe de ser a ideal pela presença de Morales. Com um companheiro melhor, Reinaldo poderia render mais fora da área, como fez em boa parte da sua carreira. No Flamengo, por exemplo, fez dupla com Adriano, que ficava mais dentro da área enquanto Reinaldo rodava mais pelo ataque.
Qual a melhor opção?
Pelo elenco atual do Paraná, me parece mais adequado o 4-1-4-1. São várias e boas opções no meio-campo. Mesmo nessa formação, por exemplo, Fernando Gabriel ficaria de fora. Gilson, que acabou de chegar, também. Até me parece natural que Dado comece com essa formação e siga com ela até a parada da Copa das Confederações, quando terá o tempo necessário para moldar o time como quer ver em ação.

É preciso separar a manifestação em duas partes. O Atlético tem todo o direito de denunciar Escudero pelas tuitadas. Há jurisprudência na Justiça Desportiva local. Petraglia e o vice-presidente do Atlético, Márcio Lara, já foram punidos por tuítes infelizes. Mesmo uma ação na Justiça Comum é perfeitamente cabível.
A outra parte, maior, tem uma série de colocações desnecessárias. Dizer que Edivaldo Elias da Silva “errou muito contra o Furacão” é distorcer a realidade. Seu erro foi não punir a agressão de Escudero a Crislan. Uma culpa maior do auxiliar Adair Mondini do que dele. Um erro. Falar em predisposição sem prova é leviano.
Projetar o que seria o jogo com 11 contra 10 é um exercício de futurologia improdutivo. Naquele momento, Escudero em campo era pior para o Coritiba do que fora dele. Dizer que o gol não sairia, ou que sairia do mesmo jeito, ou que o Atlético ampliaria, ou o que for caso Escudero recebesse o cartão vermelho é puro achismo.
Petraglia também remete aos protestos de arbitragem do ano passado. Lembro que na semana da final de 2012 o Atlético publicou uma carta em seu site pedindo um bom trabalho de Adriano Milczvski, sorteado para aquela decisão. Milczvski fez um ótimo trabalho no 0 a 0 do Couto Pereira, como também fez no 3 a 1 do Boqueirão, dia 21 de abril. O que fura o “como sempre”, então, pelo jeito, convém não mencionar.
Falar em W.O. na final beira a infantilidade. Um desrespeito ao próprio Atlético. E com esse jovem elenco que faz um campeonato muito acima do esperado.
Só não é pior do que falar em provar “ser mais homens que seus covardes agressores”. O Atlético jogou mais bola e esteve mais perto da vitória por isso. Não tem nada a ver com hombridade.
Como escrevi sobre Escudero, essa parte da declaração de Petraglia vira o álibi perfeito para qualquer descontrolado cometer um ato de violência. Uma beligerância irresponsável quando parte de um jogador de futebol com qualidade duvidosa. Mais ainda quando parte de um presidente notadamente venerado pela sua torcida - ou ao menos a maioria dela.
Ano passado, Petraglia deu várias demonstrações de como não se comportar nas redes sociais (escrevi a respeito aqui e aqui). Entrou em um longo período de silêncio, rompido agora com a clara demonstração de que não aprendeu nada nesse período. E jogou fora a oportunidade de criticar com grandeza as provocações destemperadas de Escudero. Em semana de Atletiba, ninguém precisa que dirigente venha apagar incêndio com gasolina.
Coluna publicada na Esportiva impressa desta terça-feira
Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Escudero: deficiência técnica e descontrole emocional.Da mesma maneira que aconteceu dentro de campo, Escudero perdeu a medida diante do computador -- ou do smartphone. Foi irresponsável. Desrespeitou seu clube, o rival, o futebol e sua profissão. Deu a qualquer descontrolado -- tem muitos em todas as torcidas -- o álibi esperado para um ato de violência.
O episódio diminui ainda mais o custo-benefício do argentino. Escudero comete pelo menos uma falha grave por jogo -- a mais visível foi a do Atletiba de 21 de abril, que deu um gol a Crislan. Seus carrinhos para desarmar o adversário sempre dão a impressão de que alguém vai sair da dividida com a perna quebrada. Há alguns dias, assistindo a um treinamento, vi Marquinhos Santos parar a atividade para corrigir um erro primário de Escudero na defesa.
Durante a transmissão do clássico na 98 FM, disse que Escudero não tem controle emocional para jogar um clássico do tamanho de um Atletiba decisivo. Seu desempenho geral e a mancada na internet deixam claro que ele não tem condições técnicas nem psicológicas de jogar no Coritiba.
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Para não deixar dúvida. Critico Escudero pelo seu futebol e suas atitudes, não sua nacionalidade, adendo necessário porque no Brasil essas coisas necessariamente descambam para o escroto “tinha que ser argentino”. O futebol argentino tem uma belíssima e rara combinação de técnica e dedicação. Olhar para lá na hora de contratar é dever de qualquer clube brasileiro. Escudero não representa o verdadeiro futebol argentino.
Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Alex e Zezinho: atuações antagônicas dos camisas 10.- Mais uma vez o Atlético se sentiu mais à vontade para jogar no Boqueirão. A diferença foi menor, por isso o 2 a 2 ao invés do 3 a 1 do dia 21 de abril. Mas por volume de jogo, o Atlético esteve mais perto da vitória;
- Desculpem-me o lugar comum, mas o gramado é ruim para todo mundo. Algumas declarações do lado do Coritiba dão a impressão de que o Coxa tem um time de bailarinos e o Atlético, de brucutus. Menos. O bom gramado do Couto Pereira favorece inclusive quem gosta de contra-atacar, caso do Atlético;
- Sim, imagino um Atlético de contra-ataque mesmo precisando da vitória. Se for campeão empatando ou depois de jogar para empatar, periga o Coritiba dar a volta olímpica sob vaias;
- Rafinha agitou o clássico durante a semana, reclamou da falta de luz e do gramado depois dele. Nos 90 minutos, onde deveria ter dado alguma resposta, não deu. Jogou menos que no Atletiba anterior;
- Bacana a iniciativa de Edivaldo Elias da Silva antes de a bola rolar. Chamou Rafinha e Crislan para promover a paz entre os dois. Deu o recado de que não toleraria excessos;
- A arbitragem, aliás, foi boa. O único senão foi não ter visto o soco de Escudero em Crislan, passível de vermelho direito;
- O que mais Escudero precisa fazer para ficar claro que ele não é jogador para o Coritiba?;
- Zezinho usou demais o cotovelo no jogo. Foi bem amarelado pelo lance com Alex. Foram as manchas de mais uma grande atuação do camisa 10 do Atlético. Em um time que corre tanto, ninguém pensa o jogo como Zezinho;
- Hernani foi o segundo melhor do Atlético. Fez um primeiro tempo ruim, mas voou no segundo. Cortesia do desastrado ajuste de marcação feito por Marquinhos Santos no intervalo. Um arranjo que durou 15 minutos, mas foi o suficiente para colocar Hernani no jogo e estabelecer o momento de maior desequilíbrio na partida;
- Relembrando. Sob o pretexto de evitar que Hernani e Coutinho jogassem nas costas dos laterais, Willian recuou para uma linha de três zagueiros com Leandro Almeida e Chico - Patric reconstituía o setor sem a bola. À frente, três marcaçõesd individuais: Gil em Coutinho, Robinho em Zezinho e Sérgio Manoel em Hernani. A movimentação rápida do Atlético deu um nó no um contra um do Coritiba;
- Arthur Bernardes também fez sua barbeiragem. Logo após a virada, pôs cinco jogadores na defesa e chamou o Coritiba pra cima. Ainda assim, levou o gol de empate com a defesa aberta;
- Geraldo tem graves deficiências técnicas, mas é iluminado;
- Alex fez o seu pior jogo na volta ao Coritiba. O segundo pior foi o Atletiba anterior. O gramado atrapalha Alex, Renan Foguinho marcou bem demais outra vez. Mas um jogador com o talento de Alex não pode se entregar da maneira que foi ontem;
- Não achei que Marquinhos Santos teria coragem de tirar Alex do time. Teve;
- Robinho foi o cara do Coritiba. Deu o passe para os dois gols e para as outras duas melhores chances do Coxa, a tentativa de drible de Alex sobre Santos e o tapa de Deivid defendido pelo camisa 1 atleticano;
- Como disse o Guilherme de Paula, a defesa de Santos nos pés de Alex valeu por um gol;
- Vanderlei deu sorte de o cabeceio de Hernani ter entrado na gaveta. O guapo coxa-branca não fez esforço nenhum para tentar buscar a bola. Pelo jeito gastou toda a energia fritando Patric no primeiro gol;
- Deivid jogou como centroavante. E foi muito bem;
- Léo engoliu Rafinha;
- Só uma vitória contundente no domingo evitará que o Coritiba seja um campeão constrangido;
- O título que o Atlético menos fez questão de ganhar pode ser um dos mais marcantes e espetaculares da história do clube;
- Marquinhos Santos é o cara certo para comandar o Coritiba no Brasileiro?
Arthur Bernardes e Marquinhos Santos vão segurar o máximo possível a escalação para o Atletiba. Não pelo mistério. As opções estão mais do que claras. É impossível surpreender o outro lado na escalação. Mas há alternativas que merecem ser estudadas pelos treinadores antes de bater o martelo em cima do time titular.
Enquanto não sai a papeleta, é possível especular com base no que os times apresentaram na primeira fase e - no caso do Coritiba - nos treinamentos e nas entrevistas de Marquinhos Santos. Então, mãos à obra, começando pelo mandante.
Meio com dois volantes cascudos

O Atlético tem um desfalque: Héracles, lateral-esquerdo, suspenso. Da posição tem Anderson Tasca e Myller Alves. Porém, acredito mais na improvisação de Léo, que fez a esquerda no sub-23 e no time principal, com a entrada de Renato na direita. O time ganha no passe e na capacidade de armação com Renato, além de uma alternativa de troca de posição com Hernani. Me prenderei, então, a onde realmente vejo dúvida, o meio-campo.
Renan Foguinho e Elivélton fizeram muito bem o papel de marcar Alex no jogo do dia 21. Uma marcação alternada, limpa e precisa. Aposto no repeteco da dupla, com Hernani aberto pela direita e Zezinho na esquerda, fechando a linha de quatro no meio. No ataque, sobra para Edigar Júnio. A dupla é Douglas Coutinho e Crislan.
Os dois volantes mais cascudos dificultam o passe - mais um motivo para apostar em Renato -, mas o gramado da Vila Olímpica permite (ou exige?) a ligação direta que criou muitas saias-justas para a defesa coxa-branca no Atletiba passado. E nessa formação Douglas Coutinho joga mais perto do gol, onde ele tem funcionado muito melhor.
Zezinho por dentro da linha de quatro

A segunda alternativa é sacar Elivélton e puxar Zezinho para dentro na linha de quatro. Renan Foguinho perde um assessor importante na marcação a Alex, mas o Atlético ganha maior capacidade de tratar bem a bola. Arthur Bernardes já disse que gosta de Zezinho armando pelo meio, mais atrás. E ele realmente faz melhor esse papel por ali.
A questão é se faz sentido ter um armador recuado em um gramado péssimo. Essa formação também recua Douglas Coutinho para a malfadada função de secretário de lateral. Coutinho é muito disciplinado e marca bem, mas deixá-lo longe do gol é um desperdício. No ataque, Edigar Júnio mais enfiado com Crislan aumenta a chance de induzir a zaga coxa-branca ao erro na ligação direta.
Coritiba com três volantes

Com Gil e Sérgio Manoel, o Coritiba consegue bloquear o avanço dos meias extremos do Atlético sem tirar Willian da frente da zaga. Willian poderia: 1) Juntar-se aos zagueiros para marcar a dupla de ataque rubro-negra; 2) Dedicar-se à cobertura dos laterais; 3) Ocupar-se de Zezinho, caso ele seja escalado por dentro.
Gil gosta de carregar a bola, algo que não funciona no gramado do Boqueirão, tão liso quanto a maioria das ruas do bairro. Sergio Manoel gosta de arriscar passes longos. Nos dois casos, o endereço é Alex e dele a bola viaja até Rafinha (opção A) e Deivid (opção B). Foi assim que Robinho jogou no domingo, contra o Londrina. Rafinha fez um gol e teve duas chances claras em lançamentos do camisa 20. Calcule com Alex.
Três zagueiros em uma linha de quatro

Victor Ferraz é dúvida, não treinou a semana inteira. Sua possível ausência pode levar Marquinhos Santos a retomar os três zagueiros (Leandro Almeida, Pereira e Escudero ou Chico -- aposto mais no Chico, apesar de ter usado Escudero no campinho) dentro de uma linha de quatro jogadores. O princípio é simples: Coritiba com a bola, Patric avança e os três zagueiros ficam; Atlético com a bola, Leandro Almeida vira lateral-direito e fecha-se a linha de quatro.
Nesse caso, Robinho reaparece no meio-campo. Na verdade, uma segunda linha de quatro, que sem a bola tem Gil, Willian, Robinho e Rafinha. Com ela, Gil, Willian, Robinho e Patric. Essa formação permitiria ao Coritiba ter dois jogadores agudos pelo lado com liberdade para atacar, Patric e Rafinha.
O uso dos três zagueiros inviabiliza a escalação de três volantes, e vice-versa. Notem que nos dois últimos jogos Marquinhos Santos usou essas duas formações, mas nunca ao mesmo tempo.
Fotos: Josué Teixeira e Antonio More/ Gazeta do Povo

Está aberta a semana (ou quinzena) do Atletiba. Até a bola rolar no domingo, uma série de questões precisa ser respondida. E todas terão influência direta na decisão. Vamos a elas...
Onde será o clássico?
Uma questão leve para começar. É 99,9% certo que será na Vila Olímpica. Atlético e Paraná fecharam um acordo para as competições nacionais - e creio que só não anunciaram para o Paranaense porque o Atlético ainda não estava na final. A operação de segurança no jogo de 21 de abril funcionou bem. Seria melhor fazer os clássicos no Couto Pereira? Seria. Mas por tudo que já se falou, isso virou matéria vencida. Não vale mais perder tempo. Próximo...
Como Marquinhos Santos vai coordenar a semana de trabalho do Coritiba?
A ida dos reservas a Sousa garante um descanso bem-vindo aos titulares, mas não uma boa semana de trabalho ao Coritiba. Marquinhos Santos estará com o time no Nordeste. Certamente deixará uma programação a ser cumprida, mas que não terá sua ação direta na execução. Além disso, qualquer treino coletivo ou tático terá do outro lado a equipe sub-20, um sparring menos potencialmente menos perigoso que os reservas imediatos.
Como Arthur Bernardes irá trabalhar a derrota para o Operário?
O Atletiba de 21 de abril levou o jovem time atleticano ao céu. A goleada para o Operário puxa o sub-23 novamente para o chão. Essa é a referência que Arthur tem de trabalhar. Só foi possível engolir o Coritiba no Boqueirão porque o Atlético jogou o máximo. Na outra mão, uma jornada menos inspirada terminou em goleada.
Qual a influência do 3 a 1 de 21 de abril?
Essa resposta fica para os dois jogos. Há bagagens muito claras para cada lado. Para o Atlético, ensinou um caminho para vencer um rival teoricamente mais forte. Para o Coritiba, expôs uma série de carências e virou uma bomba motivacional. A forma como esses fatores funcionar nas partidas poderá determinar o resultado.
O Coritiba ainda carrega algum favoritismo? Qual o peso?
Carrega, mas bem menos que nos confrontos anteriores. Se no jogo do turno dava para colocar uma proporção 90-10 a favor do Coritiba, no returno a balança pré-bola rolando apontava 60-40. Agora, no máximo é 55-45. Diferença mínima, que o Atlético já provou ser capaz de tirar.
Vale a pena o Atlético apostar nas mesmas peças de marcação do clássico passado?
Renan Foguinho e Elivélton foram fundamentais para o 3 a 1 ao anular Alex - Bruno Costa fez o mesmo com Deivid. Manter a dupla de volantes no domingo implicará em abrir mão de uma peça ofensiva que tem rendido bem. Entre Hernani, Zezinho, Douglas Coutinho, Edigar Júnio e Crislan, um teria de ficar fora para acomodar a dupla de volantes.
O Coritiba adaptará o seu jogo ao gramado da Vila Olímpica?
É uma questão obrigatória para ter melhor sorte no clássico de domingo. A Vila Olímpica não permite jogo terrestre. É preciso fazer a bola viajar, seja com ligação direta, seja com lançamentos longos. As saídas costumeiras de Deivid da área também tendem a ser improdutivas em um piso que não permite a troca rápida de passes.
Quem apitará o clássico?
Foco costumeiro de polêmica, o apito não deve ter surpresas na final. Afonso Victor de Oliveira tem três homens de confiança: Antonio Denival de Moraes, Edivaldo Elias da Silva e Adriano Milczvski. A aposta do blog: Denival e Milczvski, ausentes na escala do fim de semana, vão para o sorteio do primeiro jogo. Quem perder entre os dois acompanha Edivaldo no sorteio da semana que vem.
Lucas Elam/Portal da Copa/março de 2013
Para a Fifa, Atlético diz que a Arena será entregue no prazoNa defesa do pedido de financiamento ao BNDES, o Atlético apresentou uma projeção de R$ 4,5 milhões anuais de faturamento com o batismo do estádio. O cálculo foi feito pelo Amir Somoggi, um dos principais consultores de marketing e gestão esportiva do país. O próprio Somoggi admitiu ter sido conservador no estudo. E o próprio mercado tratou de reposicionar essa estimativa. Fernando Trevisan, outro consultor da área, prevê um ganho de R$ 6 milhões/ ano.
Acontece que mesmo a projeção conservadora, se confirmada, levará o Atlético a por mais dinheiro no bolso que o Palmeiras. Como? A explicação está nos contratos de gestão do estádio firmado por cada clube.
O Palestra Itália tem toda a operação comandada pela WTorre. Em troca da segurança de ter o respaldo de uma empresa consolidada no mercado da construção civil, o Palmeiras ficará com apenas 20% das receitas do estádio pelo período de 30 anos. Isso quer dizer que, dos R$ 15 milhões anuais pagos pela Allianz, somente R$ 3 milhões entrarão efetivamente no caixa palestrino. Dá R$ 60 milhões até o fim do contrato.
No caso do Atlético, a escolha assumidamente mais arriscada da autogestão da obra traz como benefício deixar no próprio clube uma fatia maior do que for faturado. O único valor que ficará pelo caminho serão os 12% a que a AEG tem direito das publicidades do estádio, conforme prevê o contrato firmado entre as duas partes -- a AEG também opera o Palestra Itália, mas a sua comissão sai dos outros 80%.
Caso feche um naming right na estimativa conservadora, o Atlético ainda assim ficará com R$ 3,96 milhões/ ano. Ao final dos dez meses do contrato -- está na projeção, mas nada impede de ser maior --, serão R$ 39,6 milhões no caixa rubro-negro. É uma receita líquida 30% que a do Palmeiras.
É preciso, claro, relativizar as coisas. A comparação trata de um contrato firmado com um que ainda não existe. O bom valor fechado pela Fonte Nova deriva diretamente da atuação da Itaipava no mercado -- acabou de instalar uma fábrica na Bahia, quer se expandir no Nordeste, o carnaval de Salvador é uma mina de ouro para quem vende cerveja.
São Paulo tem um mercado muito maior. Grande a ponto de valer a pena para uma empresa injetar milhões em uma ação que, à primeira vista, vai deixar uma torcida apaixonada e outras duas, maiores, ressabiadas com sua marca.
Curitiba tem suas particularidades. Investir aqui em um estádio particular talvez cause receio em quem atua diretamente com consumo - basta lembrar que a TIM patrocinou o trio de ferro e a Claro estampou a marca nas camisas de Coxa e Atlético. Mas continua sendo uma pedida interessante para quem tenha clientes mais empresariais e queira começar a acostumar o mercado nacional com a sua marca -- sim, me refiro à Kyocera.
Ainda assim, mesmo com esses senões, os dois primeiros passos concretos do mercado de naming rights da nova leva de estádios brasileiros devem ser vistos com otimismo pelo Atlético. E a decisão do clube de gerenciar o próprio estádio dá a segurança de fazer negócios realmente bons, mesmo aqueles que à primeira vista soem menos lucrativos que os de outras arenas.
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