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Caixa Zero

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 23/05/2013 às 10:53


Hedeson Alves/Arquivo/Gazeta do Povo

Hedeson Alves/Arquivo/Gazeta do Povo / Cachorros: animais Cachorros: animais "não humanos", como devem ser chamados agora.

O vereador Professor Galdino (PSDB) copiou um projeto que também foi apresentado na cidade de São Paulo: a ideia é permitir que cães sejam sepultados em cemitérios humanos de Curitiba.

Em São Paulo, a proposta tem a assinatura do vereador Roberto Tripoli (PV), que se tornou o mais votado pelos paulistanos justamente por defender os interesses dos bichinhos. Não é à toa que está sendo copiado...

O projeto mostra que a bancada "pet" está ficando cada vez mais forte. Por um único motivo, claro: há quem vote em alguém por causa de propostas como essas. Há quem vote pensando em cachorros e gatos.

O texto da justificativa do projeto de Galdino copia quase integralmente o da proposta de Tripoli. Diz que as famílias se apegam aos animais, que o falecimento deles causa dor e que as taxas em crematórios de animais são muito caras. Resta-nos a solidariedade com os bichinhos e seus donos.

Mas Galdino vai mais longe. E, em certo sentido, é mais sincero. Porém, ao mesmo tempo, mais assustador.

A justificativa do vereador diz que é preciso "extirpar o antropocentrismo também no encaminhamento pós-morte, e buscar cada vez mais uma postura biocêntrica, para que cada vez mais haja a compreensão de que todos os seres são uma Unidade".

A conversa meio hippie, se traduzida, quer dizer que temos de considerar os cachorros e os outros "animais não humanos", como define o projeto, como nossos iguais.

No fundo, é isso mesmo que os vários projetos do gênero, inclusive o que criou um hospital público para bichinhos em São Paulo, também de autoria de Tripoli, querem.

Esqueçamos que isso joga no lixo milhares de anos de cultura. Esqueçamos inclusive o bom senso que nos diz que um gato é um gato e não "um animal não humano" que precisamos tratar como um igual.

Vamos pensar apenas nas consequências práticas da proposta "biocêntrica" de Galdino. Por ela, tudo o que se faz para os homens é preciso fazer também para os animais.

Logo, a verba do SUS, que já é escassa, pagará também tratamentos veterinários. A verba do transporte escolar será redividida para pagar "táxidogs" para animais carentes. A Cohab gastará parte de seu orçamento para construir casinhas de cachorro.

De todos os pontos de vista - do histórico ao filosófico, do político ao social - trata-se de uma falta de bom senso que deve ser combatida. Se é que ainda se pode dizer isso sem apanhar de cachorreiros na rua.

Mas é preciso que alguém diga algo. Ou logo um de nós será preso por "desacato animal" se disser "passa" para o cachorro do vizinho.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 22/05/2013 às 10:41


Gilberto Yamamoto/Gazeta do Povo

Gilberto Yamamoto/Gazeta do Povo /

O projeto de se criar um ônibus cor de rosa exclusivo para mulheres em Curitiba já foi tão esculhambado nos últimos dias que seria redundante continuar criticando a ideia do vereador Rogério Campos (PSC). Acredito que, a essa altura, os vereadores curitibanos não aprovariam o projeto, até para não virarem alvo de chacota. Mas o que vale, sim, a pena, é ver o que está por trás da discussão.

Ontem, nesta Gazeta, meu professor Cristovão Tezza (lá se vão vinte anos desde que sentei numa sala de aula para ouvi-lo...) falou que a aprovação da proposta seria um recuo, uma “derrota da civilização”. E, às vezes, tenho a impressão de que é isso mesmo que algumas parcelas da população querem. Exatamente a derrota dessa ideia de civilização que Tezza está defendendo.

Ficou para trás, mas se puxarmos pela memória lembraremos que há pouco mais de dois anos a mesma Câmara de Curitiba aprovou um projeto para colocar cancelas em ruas sem saída da cidade. A ideia, do vereador Mario Celso Cunha, foi aprovada porque, segundo seus colegas, quem não mora na região não tinha nada o que fazer ali. E as cancelas (bem guardadas, é claro), ajudariam a manter a segurança no local.

A ideia do ônibus cor de rosa, embora possa não parecer num primeiro momento, tem muita semelhança. Nos dois casos, o que se pretende é deixar alguém de fora. Quem? A resposta é vaga, mas importante: quer-se deixar de fora o outro, o “inimigo”. Eis o que tem verdadeiro potencial para destruir a civilização, a ideia de que o outro é sempre um inimigo em potencial. Pior: a ideia de que só estaremos a salvo se erguermos uma barreira física entre “nós” e “eles”.

A partir do momento em que pensamos que a convivência pacífica é improvável, estamos admitindo que não acreditamos mais no projeto civilizatório. Poderíamos muito bem desejar a volta das muralhas que cercavam as cidades na Idade Média. Mas, na verdade, é pior: agora, os que vemos como inimigos não são os distantes habitantes de outros continentes, nem são os bárbaros: são nossos vizinhos de bairro e de rua.

As propostas do gênero, por enquanto, têm esbarrado na legalidade ou no bom senso. Mas é de se perceber que a Câmara tem insistido em apresentá-las. Nossos vereadores são tudo, menos bobos. Estão percebendo que há um público que votará neles por isso. E há o risco real de a intolerância aumentar cada vez mais. De querermos resolver as coisas sempre na base da lei, do muro e da grade. Cada um ficará em seu canto, e a cidade se tornará mais pobre.

É um comportamento típico de uma Câmara que não consegue nem mesmo ouvir em plenário o depoimento de um líder de direitos civis. Nesta semana, nove vereadores da bancada evangélica saíram do plenário enquanto Toni Reis, que representa os homossexuais, pedia justamente mais tolerância. Diziam que o problema era que, para ouvi-lo, havia sido interrompida a discussão de um projeto importante: tratava-se da aprovação de uma homenagem a um pastor evangélico, que se arrastava por mais de uma hora, nitidamente para que os homossexuais não tivessem acesso à tribuna.

Há um ano, a Câmara era repudiada em Curitiba porque se descobriu que era uma ameaça a nossos bolsos. Hoje, o que se discute, pelo menos, são ideias. Mas, há que ficar claro: algumas dessas ideias são bastante perigosas.

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 20/05/2013 às 10:50


Roberto Custódio / Arquivo Jornal de Londrina

Roberto Custódio / Arquivo Jornal de Londrina / Enquanto na capital sobram vagas, no interior as cadeias estão lotadasEnquanto na capital sobram vagas, no interior as cadeias estão lotadas

Os mutirões carcerários, iniciados pelo CNJ e que agora vêm sendo feitos pelo governo do estado periodicamente, são um dos raros indícios de que nossos governantes pode estar preocupado em tornar esta uma terra civilizada.

O governo paranaense anuncia agora que libertou 348 presos que tinham direito a alvará de soltura ou indulto. Traduzindo: era gente que não deveria mais estar presa, mas que como não tem advogado caro para provar isso ficava mofando na cadeia.

Os mutirões em todo o país já libertaram milhares de presos. Gente que já tinha pagado a pena imposta pela sociedade e que estava apenas apinhando as celas, aprendendo mais bobagem com outros detentos e se tornando criminosos com mais "expertise".

Como diz a célebre frase da socióloga Julieta Lemgruber, cadeia é um jeito caro de fazer as pessoas piores. Finalmente parece que estamos aprendendo isso.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 16/05/2013 às 11:06


Wenderson Araújo/ Gazeta do Povo

Wenderson Araújo/ Gazeta do Povo / Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa CivilGleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil

Gleisi Hoffmann vai completar em breve dois anos no comando da Casa Civil. Elio Gaspari recentemente fez uma maldade com ela. Disse que, quando assumiu, Gleisi era vista como "a Dilma da Dilma". Hoje, seria apenas "a Gleisi da Gleisi".

É fato que a ministra ainda não ganhou a fama de boa gerente que Dilma, na Casa Civil, conquistou. E que a levou à Presidência. (Se a fama de boa gerente ainda persiste depois de mais de dois anos de governo, essa é outra história.)

Mas, se as coisas estão empacadas em várias obras, por outro lado também não se ouve mais falar em escândalos como aconteceu com outros chefes de Casa Civil petistas (leia-se José Dirceu, Antonio Palocci e Erenice).

A acusação de falta de jogo de cintura, porém, para alguém que está justamente responsável pela articulação política do governo, é grave. Afinal de contas, esse é um dos papéis de Gleisi, e também de Ideli Salvatti: fazer o meio de campo com o Congresso.

Agora, há que se ver o que é esse "jogo de cintura" que os deputados esperam. No caso de Eduardo Cunha, o líder do PMDB, que foi quem fez a acusação à mídia, pode bem ser que se trate de um elogio. Pode ser que o pessoal esteja sentindo falta dos métodos de Lula e José Dirceu...

No entanto, não resta dúvida, a essa altura, que a paranaense não agrada boa parte do Congresso. Quando assumiu, um tucano do Paraná disse que ela não aguentava um mês no cargo. Durou dois anos até aqui. Terá feito o suficiente para merecer até o final do governo Dilma?

Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 15/05/2013 às 11:11


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Hoje, o Brasil tem cerca de 400 mil postos de vendas de cigarros espalhados por seu território. Há cigarros em banquinhas de jornais, em padarias e em qualquer lanchonete por aí.

Um projeto que tramita no Senado quer mudar isso. Seria a nova arma para reduzir o poder letal do tabaco que, lembremos, custa 200 mil vidas por ano ao Brasil.

De acordo com a proposta do senador Paulo Davim (PV-RN), a restrição seria aplicada para diminuir o impacto do tabaco sobre a população.

É claro que a indústria do tabaco, que tem lucros com a venda seja para quem for, seja nas circunstâncias que for, chiou e novamente argumentou com a ameaça de uma invasão de produtos contrabandeados.

A indústria também diz que o país perderia impostos: hoje, são arrecadados R$ 6 bilhões com a venda de cigarros e congêneres por ano. Mas há um truque, lembra o senador Davim: o país gasta R$ 22 bilhões para curar e tratar doenças causadas pelo cigarro. A conta é negativa em R$ 16 bilhões, portanto.

Sem contar o sofrimento humano. O cálculo é que, se ninguém fumasse, o câncer de pulmão, por exemplo, seria reduzido em 90%.

"A indústria quer ter cada vez mais acionistas e vender mais cigarros, custe as mortes que custar", disse em audiência sobre o tema Guilherme de Almeida, representante da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT).

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 15/05/2013 às 10:16


AFP PHOTO / OLIVIER MORIN / FILES

AFP PHOTO / OLIVIER MORIN / FILES / Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, "banco dos pobres", ganhou o Nobel da Paz em 2006

Surgiu uma chance de Dilma Rousseff ajudar a fazer história. Para isso, o primeiro passo seria deixar de prestar atenção às picuinhas de quem só quer cargos e moleza em Brasília e parar por cinco minutos para ler o artigo que Muhammad Yunus escreveu para o jornal inglês The Guardian.

Yunus ficou conhecido mundialmente por ter criado um “banco para os pobres”. Emprestou dinheiro miúdo a juros baixos para multidões, salvando- as da pobreza e dando uma chance de as pessoas começarem a vida ou um negócio. Ganhou o Nobel da Paz e se tornou um respeitado comentador do capitalismo em nossos tempos.

Nascido em Bangladesh, a tragédia de Savar, que matou mais de mil trabalhadores deve ter doído nele ainda mais do que dói em qualquer um de nós. Yunus escreveu seu artigo para dizer que a solução não pode ser o fim da indústria têxtil local. Não adianta a Disney, por exemplo, que lucrou comprando roupas a preço de banana, anunciar agora, depois do escândalo, que está saindo e simplesmente abandonar o barco.

Pois bem. A proposta de Yunus é a criação de um salário mínimo internacional. Segundo ele, poderia ser algo em torno de US$ 0,50 por hora. Ou seja: R$ 1,00 a cada hora trabalhada, o que segundo ele é o dobro do que se recebe hoje por lá, para quem trabalha para grandes grifes, inclusive. Mesmo com esse aumento, veja bem, o sujeito trabalharia 12 horas por dia, 25 dias por mês, e só receberia R$ 300, menos da metade de um salário mínimo brasileiro.

Não foi à toa que o papa Francisco disse que se trata de trabalho escravo. Esse pessoal se esfalfa para produzir roupas que em Nova York são vendidas a US$ 35. Custaria pagar US$ 35,50, ele pergunta? Os outros US$ 0,50 seriam para forrar um fundo de ajuda aos trabalhadores. Ninguém nem notaria a diferença de preço, quase, e estaríamos a caminho de evitar novos desmoronamentos. O fundo, com esses meros R$ 0,50, teria US$ 1,8 bilhão por ano.

Onde entra Dilma na história? Yunus diz que não espera que a adesão seja completa num primeiro momento. Mas seria importante que alguns nomes de peso entrassem numa campanha pelos trabalhadores de todo o mundo. A Igreja começou a fazer sua parte. O governo brasileiro poderia dar apoio formal à ideia.

O Brasil comprou em 2012 US$ 187 milhões de Bangladesh. Cerca de 86% disso era de roupas. E as grifes daqui estão apenas começando a aproveitar o trabalho barato de lá: de 2011 para o ano seguinte, o valor das importações mais do que dobrou. Por enquanto, as lojas brasileiras ficam só com 0,5% do que se produz em lugares como Savar, mas a proporção está aumentando e o país poderia dar o bom exemplo.

Para quem estiver se perguntando o porquê de nós termos de nos preocuparmos com isso, ficam algumas possíveis respostas. Primeiro, marcas que atuam por aqui, como Zara, C&A e Walmart estão entre as grandes clientes de Bangladesh. Você pode ter algo feito em Savar na sua casa, sem saber. Segundo, se o salário melhorar em outras partes do mundo, deixando de haver trabalho escravo, a competição fica menos desleal e o Brasil tem chance de vender mais lá fora. Terceiro, e mais importante: somos todos humanos, e ficarmos impassíveis diante da tragédia não deveria ser uma possibilidade.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 13/05/2013 às 13:37


Albari Rosa / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Albari Rosa / Agência de Notícias Gazeta do Povo /

O vereador Rogério Campos (PSC) apresentou um projeto de lei para que a cidade de Curitiba passe a ter ônibus dedicados exclusivamente às mulheres. A ideia é evitar assédio sexual e outros incômodos que as mulheres têm no ônibus, principalmente quando a lotação é alta.

Na justificativa do projeto, o vereador lembra o trágico acontecimento do Rio de Janeiro, em que uma mulher foi estuprada por um assaltante dentro do ônibus, na frente dos demais passageiros.

Já há lugares em que há separação de homens e mulheres no transporte coletivo. No Rio, por exemplo, há vagões de trem exclusivos para mulheres, justamente para evitar que elas sejam assediadas.

A proposta do vereador para Curitiba é que durante os horários de pico, tanto de manhã quanto no fim da tarde, circulem ônibus cor de rosa exclusivos para mulheres e filhos menores de 12 anos.

Seriam destinados 20% da frota para esse serviço. Os outros 80% continuariam para uso de todos, comunitariamente.

Há vários pontos a ser analisados na proposta. Um deles, claro, é o econômico. Num momento em que a tarifa já é alta (R$ 2,85) e o sistema tem déficit, quanto isso custaria a mais para toda a população?

Mas outro, ainda mais importante, talvez seja o de definir a sociedade que queremos. É claro que acontecem abusos. Alguns gravíssimos, como o caso do Rio indica. Outros mais comuns, mas nem por isso sem gravidade (quem já não ouviu uma amiga indignada porque passaram a mão nela no caminho do trabalho?)

Mas será que o melhor jeito, ou o único, é separar homens e mulheres, como se a convivência pacífica fosse simplesmente impossível? Será que não deveríamos acreditar que é possível melhorar as coisas pela educação e, quando necessário, pela repressão?

O risco de adotarmos esse tipo de política é resolver as coisas sempre a facão, pelo caminho mais curto, sem querermos pensar que modelo de sociedade queremos. É erguer sempre mais muros, mais barreiras, e eliminar a possibilidade da convivência pacífica entre nós.

No fundo, este parece ser mais um projeto que não acredita na humanidade...

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 13/05/2013 às 11:20


Marcelo Andrade / Gazeta do Povo

Marcelo Andrade / Gazeta do Povo / Gustavo Fruet, prefeito de CuritibaGustavo Fruet, prefeito de Curitiba

Finalmente, Gustavo Fruet parece ter acordado para os problemas da Urbs. Na campanha, o pedetista chiava e dizia que havia uma caixa preta no transporte coletivo da capital

Os quatro primeiros meses de administração, marcados pela lentidão e pelo chororô em relação às dívidas do prefeito anterior, foram de completa inação.

Para se ter uma ideia, os diretores da Urbs, aqueles que supostamente tocavam uma caixa preta, só foram retirados das funções na semana passada, já em maio. Se fossem um bicho, tinham devorado o prefeito antes de ele tomar uma decisão.

Agora, Fruet finalmente diz que vai começar uma auditoria na Urbs. Mais do que bem-vinda. O órgão acumula dívidas, suspeitas e contas secretas. A planilha do ônibus é o ponto central: quanto de pneu e combustível realmente se gasta?

O ponto mais importante, porém, virá ao final do processo. Descobertas irregularidades (se houver), Fruet fará o que? Virá mais choro para a imprensa ou pedirá de vez a punição de alguém.

Em tempo, o ICI, apontado como a outra "caixa preta" da gestão passada, continua nadando de braçada? Cadê os contratos rompidos? Ou não havia caixa preta?

São perguntas que Fruet precisa responder o mais rapidamente possível.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 08/05/2013 às 10:28


Gilberto Yamamoto/Gazeta do Povo

Gilberto Yamamoto/Gazeta do Povo /

Da coluna Caixa Zero, publicada nesta quarta, na Gazeta do Povo:

Gustavo Fruet e Beto Richa estão fazendo uma competição para decidir qual dos dois é o governante com menor criatividade. O primeiro que tiver uma boa ideia e implementá-la, perde. Richa chegou ao terceiro ano de seu mandato com uma administração absolutamente sem novidades. Fruet parece seguir pelo mesmo caminho do imobilismo e da falta de planejamento, embora no caso dele ainda haja a desculpa de que se passaram “apenas” quatro meses do mandato de prefeito.

Antes de pegar a sua bicicletinha para tomar posse, Fruet dizia que o mandato de quatro anos é uma “maratona” e que não adianta fazer as coisas como se fosse uma corrida de cem metros rasos. É justo. Isso não justifica, porém, que alguém que estava há 12 anos pedindo, quase implorando, para ser prefeito de Curitiba chegue lá sem ter nada para mostrar nos primeiros meses de trabalho. Pelo menos de dois anos para cá, quando saiu do PSDB já para preparar a candidatura, Fruet tinha a obrigação de ter construído um plano sólido de trabalho que lhe permitisse agir desde o primeiro dia. Pois é.

Até aqui, a obra mais notável do prefeito foi despintar as faixas de ciclistas no Centro e mandar repintá-las no Centro Cívico. Não há registro de que esse fosse um ponto central do plano de governo de Fruet, mas é o que ele tem para mostrar. Ah, claro, também há o destacamento da Guarda Municipal para atender cachorros.

De resto, a coisa funciona assim: alguém reclama (principalmente se for alguém com influência, da classe média para cima) e o objeto da reclamação é suspenso. Calçadas de granito causaram chiadeira: Fruet mandou suspender. Não querem que se mexa na Praça do Japão: Fruet mandou parar tudo. O metrô não é consensual: estude-se o assunto por tempo infinito. Tomara que ninguém reclame da coleta do lixo, senão já viu.

Richa é o retrato do imobilismo. Seu grande projeto até o momento foi a inserção de comerciais na tevê mostrando uma força-tarefa fabulosa de policiais invadindo bairros na cidade. São as UPSs. Na vida real, quando o câmera vai para casa e o filme já está em rede de tevê, ficam dois PMs no meio de uma vila imensa. Eles montam guarda sentados em um contêiner, com uma viatura do lado.

Tudo no governo, quando não é fantasia, é mera continuidade. Quando se vê uma ideia que parece nova, basta escavar um pouco e se descobre que é mais um projeto copiado de Minas Gerais, terra do político favorito de Richa, Aécio Neves. Desde os contratos de gestão até o bilionário Tudo Aqui, tudo vem de Minas, tudo vem de Aécio. É como nos anos da Guerra Fria: na época, o que era bom para os Estados Unidos, era bom para o Brasil. Agora, o que é bom para Minas, é bom para o Paraná. De resto, o grande trabalho de Richa parece ser mesmo o de atrair cada vez mais partidos para o seu governo. Cooptou quase todos. Por sua sorte, sempre há gente criando mais legendas, e assim dá para negociar mais.

Espera-se, se nada mais servir de estímulo, que pelo menos o ano eleitoral e a necessidade de votos faça com que os dois governos se mexam um pouco mais. Está mais do que na hora.

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Enviado por Rogerio Waldrigues Galindo, 06/05/2013 às 17:34


Diogo Xavier/Ag. Câmara

Diogo Xavier/Ag. Câmara / João Campos, autor do projeto: proposta prevê supressão de artigos de resolução do Conselho Federal de PsicologiaJoão Campos, autor do projeto: proposta prevê supressão de artigos de resolução do Conselho Federal de Psicologia

Pois, então, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara quer decidir se, afinal de contas, psicólogos podem ou não fazer tratamento para a cura de homossexuais.

Sim, porque no fundo é isso mesmo. Teve gente que disse que não é esse o ponto do projeto de João Campos, que chega à comissão presidida por Marco Feliciano. Mas, vejamos quais são os dois trechos da resolução do Conselho Federal de Psicologia que seriam derrubados:

Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

É bastante claro: o psicólogo, por essa resolução, não pode tratar a homossexualidade como doença, adotar "ação coercitiva" que oriente a tratamento "não solicitado", nem participarão de ações que a divulguem que a homossexualidade é uma doença.

Simples assim: a comunidade científica (no caso, os psicólogos) chegou à conclusão de que algo (a homossexualidade) não é uma doença, e portanto proíbe que seja tratado como tal. Ponto.

A discussão toda começa, de fato, com o que seja a homossexualidade: é uma característica inerente da pessoa ou um comportamento? Há muita gente que defende que é algo que a pessoa simplesmente é, sem escolher. Faz parte dela, assim como outras pessoas simplesmente são heterossexuais, sem jamais terem decidido isso.

Em qualquer caso, obviamente não é uma doença. Não é algo que cause mal a ninguém: nem ao homossexual nem a qualquer outra pessoa. Não porque ser "tratado", portanto.

A confusão, unicamente, surge em função de um ponto de vista moral que, aliás, é de muitos brasileiros. Há quem considere a homossexualidade como algo moralmente condenável.

Não consigo concordar nem de longe com essa visão: o homossexual, não custa repetir, não está fazendo mal a absolutamente ninguém, assim como o heterossexual não está fazendo mal a ninguém em razão de sua orientação sexual.

É o tipo do ponto que demorará outras décadas para que haja qualquer consenso ou possibilidade de concordância. Mas o ponto, em política, pelo menos, não é nem esse.

Como mostra a bela matéria de Chico Marés na Gazeta deste domingo, há uma corrente importante, representada na reportagem pela professora Vera Karam, da UFPR, que defende que as opiniões religiosas não são apropriadas para a discussão política.

É claro que religiosos podem participar da discussão, mas os argumentos têm de ser políticos, não religiosos. Ou seja: para os liberais, não há como "legislar sobre moral".

E, sem a ideia de que a homossexualidade é "moralmente errada", não sobra muito para os defensores do projeto de João Campos discutirem. Ficarão perorando, mas não terão força.

O que será muito bom: deixe-se que os psicólogos, afinal, decidam o que é assunto de psicólogos.

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