Terça-feira, 22/05/2012
Luís Celso Jr./Gazeta do Povo
Mesa do Garoa Hacker Clube na Campus Party: iniciativa de laboratório comunitário de compartilhamento de conhecimentoEle segue a chamada Ética Hacker, que orienta a prática do hackering. Para explicar, precisamos desmistificar: hackers não são vândalos ou ladrões digitais – pelo menos não a maioria deles. O sentido original denomina indivíduos de profundo conhecimento que elaboram e modificam hardware e software. Um dos grandes criadores foi o filósofo finlandês Pekka Himanen, autor “A ética do hacker e o espírito da era da informação”. Entre vários outros tópicos, ela discorre principalmente sobre a liberdade da informação e que o compartilhamento beneficia a sociedade como um todo.
Felipe Sanches é um dos fundadores do Garoa Hacker Clube, localizado na Casa da Cultura Digital, no bairro Santa Cecília, em São Paulo. Em um painel realizado na quinta-feira (9), ele defendeu a necessidade de se ter maior liberdade para aprender. “O desejo de criar o hackerspace veio da falta de espaço para praticar engenharia com liberdade na faculdade”, conta.
Sanches foi aluno de mecânica na Universidade de São Paulo (USP) e conta que os laboratórios sempre foram usados em atividades muito direcionadas, sem dar espaço para que os alunos testassem seus conhecimentos livremente. Além disso, não era possível usar os espaços fora dos horários de atividades para desenvolver projetos.
O espaço é aberto e qualquer pessoa para usar. “É só chegar”, diz Sanches. No entanto, trata-se de um organização sem fins lucrativos e depende de doações e dos sócios para se sustentar. Quem se associa paga uma mensalidade fixa, ganha um armário, para guardar seus materiais, e tem direito a voto nas reuniões.
Luís Celso Jr./ Gazeta do Povo
Debatedores identificaram oportunidades oferecidas pela “geek economy”Isso parece meio complicado, mas talvez seja mais fácil pensar em um iPhone. Quem tem ou já mexeu em um sabe que pode fazer download de aplicativos com várias funcionalidades para o seu aparelho pagando alguns centavos ou poucos dólares por isso. Esse mundo, que envolve o desenvolvedor, a loja virtual e o usário cliente, é o que está sendo chamado de geek economy. E não é pouco dinheiro. “Só a lojinha de aplicativos da Apple movimentou mais de US$ 3 bilhões em 2011”, conta Bob Wollheim, sócio fundador da Sixpix Content, responsável por eventos como youPIX (cultura de internet) e SocialMediaWeek/Brasil (mídias sociais).
Como esse termo ainda está sendo criado, há várias interpretações. Uma das mais amplas é a defendida por Marco Gomes, fundador da boo-box, que é a primeira empresa brasileira de tecnologia de publicidade e mídias sociais. “É uma nova economia que está surgindo por meio da colaboração e do uso de infraestruturas que não necessariamente são suas. O pagamento pode ser feito por sistemas já prontos, como o Mercado Pago ou o PayPal, ou o site pode ter anúncios de outros sistemas, como a própria boo-box”, explica.
Oportunidades e ameaças
Independentemente dessas interpretações, trata-se de um negócio de muitas oportunidades, garantem os participantes do painel, que também contou com Stelleo Tolda, CEO do MercadoLivre, empresa de tecnologia líder no comércio eletrônico na América Latina; Breno Masi, um dos maiores especialistas do país em plataforma IOS (sistema operacional para dispositivos móveis da Apple) e Mobile; e Eduardo L’Hotellier, criador do site GetNinjas, no qual fornecedores de serviços podem anunciar e pessoas podem encontrar aqueles de que necessitam.
É justamente na área de serviços que há grandes oportunidades, conta Gomes. A área de produção e conteúdo, seja em vídeo, áudio, texto ou imagem, também traz muitas outras chances. “Um aplicativo para avaliação de bares, de notícias ou um game podem fazer muito sucesso”, diz.
“Geek economy é uma revolução na maneira de produzir tecnoliga”, diz L’Hotellier, citando os baixos custos de produção como uma boa vantagem para se apostar nessa área. “Você, sozinho, no seu quarto, pode iniciar um protótipo que daqui a quatro anos pode ser uma empresa grande”, completa Gomes. Ambos dizem também que os maiores entraves são os mesmos de toda pequena empresa brasileira: burocracia e excesso de impostos.
Para quem pensa em se arriscar nessa área, Gomes diz que é necessário ter perseverança e inteligência para se mover rápido; L’Hotellier lembra que é preciso ter menos medo de ter a ideia roubada e mais agilidade para colocá-la em prática com qualidade.
O coordenador da Campus Party, Mario Teza, prometeu reforçar a segurança do evento após o furto de três laptops e do arrombamento de barracas dentro do Anhembi. Ontem à noite, cerca de 80 pessoas interromperam a palestra de Julien Fourgeaud, da empresa de games Rovio, no palco principal, para exigir mais segurança. Alguns deles levaram barracas que foram arrombadas e as deixaram no chão. Teza subiu ao palco e anunciou que haverá rondas mais ostensivas no evento, principalmente na área de acampamento.
Na quinta-feira, três laptops foram furtados dentro da Campus Party. O autor do crime foi preso em flagrante, e as máquinas foram recuperadas. A estudante Nilma dos Santos, 20 anos, que veio à Campus Party numa caravana de Cruz das Almas (BA), afirmou que sua barraca foi arrombada e que dela foram levados celular, documentos, roupas e brindes. Até a noite de ontem, a organização ainda não havia identificado os responsáveis pela violação das barracas.
Luís Celso Jr./Gazeta do Povo
A mesa "Filhos da Internet" reuniu algumas das maiores celebridades da internet. Ao fundo, Rafinha Bastos, um dos grandes destaquesLuís Celso Jr./Gazeta do Povo
Público se aglomerou em frente ao palco principal para acompanhar o painelO assunto foi variado, com perguntas que foram da forma como eles encaram o sucesso, os processo que respondem na Justiça até a censura e os limites do que é dito na internet. Tudo com muito humor, é claro. Rafinha Bastos, foi o grande destaque, e defendeu seu direito de falar o que quer. Recentemente, o humorista foi envolvido em um escândalo por conta de uma piada sobre a cantora Wanessa Camargo no programa CQC, do qual é ex-apresentador.
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A sobrecarga de informação recebida por usuários de internet está mais ligada ao consumo que à produção, afirmou Luli Radfahrer, professor de Comunicação Digital da USP, ontem na Campus Party, em palestra sobre tendências de tecnologia. “É preciso filtrar corretamente a informação que chega até você, porque nos próximos anos isso vai piorar”, afirmou Radfahrer. “A água ainda está na cintura, mas é preciso ser rápido. Caso contrário, a água vai bater na boca, no nariz, na testa e, aí, vai ser tarde demais”, disse o professor, que usou o Facebook como exemplo. “Quando você abre o Facebook e vê a lista de updates inúteis dos seus amigos, precisa configurá-lo para que ele funcione melhor”, aconselhou.
Citando os movimentos Occupy Wall Street e as recentes revoluções no mundo árabe, Radfahrer afirmou que, com a internet e as mídias sociais, o interesse público se tornou ainda mais público. “O que era exclusivo de uma região é cada vez mais universal. O conhecimento está mais fragmentado, e sempre vai haver alguém interessado nesses assuntos”, disse.
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Crowdfunding é uma iniciativa de financiamento coletivo com o objetivo de viabilizar um projeto, seja um produto ou um serviço. Traduzindo em miúdos, é comumente explicada como uma vaquinha on-line. E, na Campus Party, deu origem ao painel “‘Cow-funding’, a vaquinha reload”. Entre as várias perspectivas e experiências apresentadas, um fato ficou claro: a comunidade envolvida é o que dá suporte para tudo acontecer. Ela é mais valiosa, portanto, que o dinheiro.
“Todos os projetos de crowdfunding que deram certo começavam já com uma comunidade sólida. Por mais que ela não coloque dinheiro, vai ajudar a passar o projeto para frente. Quem não tinha comunidade forte não se dava bem”, explicou Rafael Zatti, pesquisador da área e cofundador da startup ideias.me.
Mas o modelo não é necessariamente uma forma fácil de levantar dinheiro. Muitas vezes é mais difícil conseguir recursos para projetos via crowdfunding do que bater à porta de empresas, diz Pedro Markun, membro da Transparência Hacker, que trabalha criando novas manerias de fazer política por meio das redes. Ele é um dos responsáveis pelo ônibus hacker, projeto viabilizado graças ao crowdfunding.
Markun conseguiu levantar R$ 40 mil em 50 dias para a aquisição do ônibus, que visa espalhar a cultura hacker pelo país. Ele diz que não foi fácil, que a comunidade foi a responsável pelo sucesso e o mais difícil vem agora: colocar o projeto em execução. O ônibus fez duas viagens até agora. “Estamos nos planejando para fazer funcionar”, diz.
O projeto captou recurso por meio do Catarse. Diego Reeberg é cofundador desse site, considerado a primeira plataforma para financiar projetos criativos de forma colaborativa no país. Ele conta que há muitos bons projetos, e busca fazer uma espécie de consultoria para que as iniciativas efetivamente aconteçam. Há um cuidado até na curadoria dos projetos que serão aceitos, e a verba só é liberada para os autores se o financiamento atingir o total dos recursos necessários.
Paulo Alvim, que é gerente de Acesso a Mercados e Serviços Financeiros do Sebrae, também esteve na mesa e diz que o país ainda está bastante atrasado na consolidação desse tipo de iniciativa de financiamento. Seu uso para pequenas empresas e negócios é possível, mas Alvim alerta que este não é o único caminho a seguir, existindo muitas outras formas de captar recursos. O empreendedor deve estar atento a elas e escolher qual tem mais em comum com seu projeto.
Rumo ao sucesso
Ao longo do debate, surgiram várias dicas para um projeto ter sucesso na captação de recursos em crowdfunding. Confira as três principais:
• Tenha um grupo de pessoas apaixonadas – É necessário ter apoiadores para desenvolver um projeto desses. Eles vão precisar trabalhar duro, principalmente com comunicação, para levantar o dinheiro. Essa equipe é essencial. E ela precisa estar em sintonia com a causa defendida, seja ela qual for.
• Tenha uma rede articulada – Além do pessoal que vai trabalhar efetivamente, é preciso o apoio da comunidade. Um projeto relevante para a sociedade, uma causa, pode ser capaz de fazer um grupo se unir e apoiar seu projeto. E mesmo que essa comunidade não doe, ou não invista muito dinheiro, ela é essencial para espalhar a ideia e o projeto.
• Tenha um bom planejamento – Pode parecer fácil, mas não é. Um bom planejamento se torna essencial para conseguir o recurso, pois são muitas pessoas envolvidas e muitas pessoas mais vão participar. Além disso, em caso de sucesso, como você vai realizar o projeto? Tudo isso deve estar claro já de início.
Um homem foi preso em flagrante na Campus Party na tarde desta quinta-feira (9) por suspeita de roubo. Os policiais efetuaram a abordagem no meio da Arena do Campuseiros, algemando o suspeito e conduzindo para fora do pavilhão do Anhembi Parque, ondo ocorre o evento. A ação gerou agitação dos participantes, que acompanharam em massa o acontecimento com fortes vaiais.
Segundo nota oficial da assessoria do evento, ele portava três notebooks em sua mochila ao passar pela segurança que monitora a saída da Arena dos Campuseiros. A atitude suspeita fez com que a organização acionasse a Delegacia Especializada no Atendimento ao Turista (Deatur), que tomou as providências necessárias. A identidade do suspeito não foi revelada.
Em nota, a organização da Campus Party garante que está empenhada em garantir a segurança e tranquilidade de todos. Logo após o incidente, apresentadores das palestras do palco principal reforçaram o pedido para que os campuseiros façam o registro de seus computadores no evento.
Confira o vídeo do momento da prisão
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Luís Celso Jr./Gazeta do Povo
Kul Wadhwa, Diretor Gerente da Wikimedia Foundation, organização responsável pela Wikipedia, diz em entrevista coletiva que a insatisfação dos usuários em todo o mundo foi o verdadeiro responsável pelos protestos contra os projetos de lei norte-americanos Sopa e PipaMas nem tudo é tão bom assim. A Wikipedia em português, que tem 86% de brasileiros, precisa melhorar. Um em cada quatro brasileiros que a consultam preferem a versão em inglês. Um dos móvitos é a pequena participação do Brasil nas páginas. Apenas 2% dos usuários do site já editou algum artigo, contra 6% da média mundial. Portanto, uma Wikipedia melhor depende de você, usuário.
A Wikimedia Foundation é uma organização sem fins lucrativos e que recentemente liderou um movimento contra os projetos de leis norte-americanos Stop Online Piracy Act (SOPA, da sigla em inglês) e Protect Intellectual Property Act (PIPA), que poderiam limitar a liberdade na internet. Formado em Ciências Políticas e com mestrado em Políticas Internacionais, Kul Wadhwa, disse que o protesto foi em grande parte resultado da própria insatisfação dos usuários do mundo todo que, acostumados a compartilhar conteúdos, defendem a liberdade. Ele reafirmou essa posição em entrevista coletiva concedida logo após o evento.
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Luís Celso Jr./Gazeta do Povo
Crowdfunding foi discutido em painel na Campus Party. Você já conhecia?“Todos os projetos de crowdfunding que deram certo começavam já com uma comunidade sólida. Por mais que ela não coloque dinheiro, vai ajuda a passar o projeto para frente. Quem não tinha comunidade forte, não se dava bem”, explicou Rafael Zatti, pesquisador da área e empreendedor, co-fundador da startup ideias.me.
Mas quem está achando que é uma forma fácil de levantar dinheiro está enganado. É muitas vezes mais difícil levantar verbas para projetos via crowdfunding do que bater à porta de empresas, diz Pedro Markun, membro da Transparência Hacker, que trabalha criando novas manerias de fazer política através das redes. Ele é um dos responsáveis pelo ônibus hacker, projeto viabilizado através de crowdfunding.
Na sua experiência, conseguiu levantar 40 mil reais em 50 dias para aquisição do ônibus, que visa espalhar a cultura hacker pelo país. Ele diz que não foi fácil, que a comunidade foi a responsável pelo sucesso e o mais difícil bem agora: colocar o projeto em execução. O ônibus fez duas viagens até agora. “Estamos nos planejando para fazer funcionar”, diz.
O projeto captou recurso por meio do Catarse. Diego Reeberg é co-fundador desse site, que é considerado a primeira plataforma para financiar projetos criativos de forma colaborativa no país. Ele conta que há muitos bons projetos, e busca fazer uma espécie de consultoria para que as iniciativas efetivamente aconteçam. Há um cuidado até na curadoria dos projetos que serão aceitos e a verba só é liberada para os autores se o financiamento atingir o total dos recursos necessários.
Paulo Alvim, que é gerente de Acesso a Mercados e Serviços Financeiros do Sebrae, também esteve na mesa e diz que o país está bastante atrasado ainda na consolidação desse tipo de iniciativa de financiamento. No entanto, seu uso para pequenas empresas e negócios é possível. Mas alerta que não é o único caminho a seguir, existindo muitas outras formas de captar recursos. E empreendedor deve estar atento à elas e escolher qual tem mais em comum com seu projeto.
Algumas dicas para ter sucesso
Ao longo do debate, várias dicas foram para um projeto ter sucesso na captação de recursos em crowdfunding. Confira as três principais:
Tenha um grupo de pessoas apaixonadas – É necessário ter apoiadores para desenvolver um projeto desses. Eles vão precisar trabalhar duro, principalmente com comunicação, para levantar o dinheiro. Essa equipe é essencial. E ela precisa estar em sintonia com a causa defendida, seja ela qual for.
Tenha uma rede articulada – Além do pessoal que vai trabalhar efetivamente, é preciso o apoio da comunidade. Um projeto relevante para a sociedade, uma causa, pode ser capaz de fazer um grupo se unir e apoiar seu projeto. E mesmo que essa comunidade não doe, ou não invista muito dinheiro, ela é essencial para espalhar a ideia e o projeto.
Tenha um bom planejamento – Pode parecer fácil, mas não é. Um bom planejamento se torna essencial para conseguir o recurso, pois são muitas pessoas envolvidas e muitas pessoas mais vão participar. Além disso, em caso de sucesso, como você vai realizar o projeto? Tudo isso deve estar claro já de início.
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Quer acompanhar o que está rolando na Campus Party a todo o tempo? Siga o repórter no Twitter: @celso14
Luís Celso Jr./Gazeta do Povo
Painel sobre cultura livre e educação discutiu também a figura do professor“O bom professor deve atrapalhar, e não ajudar”, foi uma referência a educação pensada pela ótica da cultura livre, na qual, na concepção de Pretto, ele deve ter papel central na hora de ensinar a pensar, provocando, e não dar fórmulas prontas em sala de aula. “Ele deve ser um negociador permanente de referências, trazendo e lidando com o novo em sala de aula também”.
Pretto também ataca o atual uso ferramental das tecnologias em sala de aula, como meros instrumentos de reprodução de conteúdos. Para ele, os professores devem deixar de ser atores para se tornarem autores de conteúdo. “Precisamos nos apropriar da tecnologia. Passar da lógica da reprodução para o processo de criação”, completa.
Muitas perguntas foram lançadas no painel, que também contou com a presença de Tel Aimel, pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação da Universidade de Campinas (Unicamp); Regina Helena Alves da Silvia, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); integrante do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a Web (INWEB); e Felipa Sanches, um dos criadores do Garoa Hacker Clube, laboratório aberto e comunitário de São Paulo para trocas de conhecimento em tecnologia. No entanto, poucas respostas foram alcançadas, dando a tônica de que a perspectiva da cultura livre para a educação é produtiva, mas precisa ser mais discutida.
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