Terça-feira, 09/02/2010
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O novato Jeremy Renner vive o personagem central de Guerra ao Terror.Indicado a nove Oscars (veja quadro), o drama bélico de Kathryn Bigelow não foi um grande sucesso ao ser lançado no primeiro semestre de 2009. Havia sido exibido no Festival de Veneza do ano anterior e, apesar das unânimes resenhas positivas, teve o mesmo fim de outros longas que ousaram discutir a Guerra do Iraque, como No Vale das Sombras, de Paul Haggis. Teve breve vida útil nos cinemas, acumulando uma bilheteria tímida de US$ 16 milhões. Esse desempenho talvez justifique o fato de Guerra ao Terror ter sido lançado direto em DVD no Brasil.
Laureado pelas associações de críticos nos EUA e, agora, pela Academia de Hollywood, o magistral longa-metragem de Kathryn Bigelow chega às telas do Brasil, onde merece ser visto até mesmo por quem já teve a chance de vê-lo em casa.
Tenso, vigoroso e envolvente da primeira à última cena, Guerra ao Terrornão discute a política externa americana o u mesmo se a intervenção militar no Iraque é justa ou não. Prefere – aos moldes de clássicos do gênero como Johnny Vai à Guerra, Apocalipse Now e Nascido para Matar –desvelar o absurdo de todo e qualquer conflito bélico. Para isso, centra seu foco em um esquadrão antibombas dos EUA.
Na primeira e eletrizante sequência, vê-se um oficial (Guy Pearce), especialista em desarmar artefatos explosivos, enfrentando uma missão da qual não sairá ileso. Para substitui-lo, entrará em cena o intrépido oficial William James (o novato Jeremy Renner, indicado ao Oscar de melhor ator). Sua postura entre a arrogância e a psicopatia tira seus companheiros do sério: ele parece obter prazer em estar no limite entre a vida e morte, colocando todos em risco.
Sem cair no panfletário ou ceder à tentação de apontar mocinhos e bandidos, Kathryn Bigelow, escorada pelo excelente roteiro de Mark Boal, perscruta a subjetividade dos seus personagens. Sobretudo o complexo e atribulado relacionamento entre William e os dois outros soldados da mesma unidade, o rígido JT (Anthony Mackie) e o frágil Owen (Brian Geraghty). Investe nas particularidades desse microcosmo, dissecando-o em detalhes, para refletir sobre um tema universal e atemporal. Fez o melhor filme americano de 2009.
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O projeto do governo federal, quando implementado, dará ao trabalhador o direito de escolher o que quiser comprar ou consumir (o filme, o livro, o DVD, o CD, a exposição). O cidadão poderá usar o dinheiro para assistir tanto a Lula, o Filho do Brasil quanto a Avatar. A escolha será dele.
Há quem defenda a ideia de que, com dinheiro público, a prioridade seja o apoio à produção nacional. Nada de usar a grana do Vale Cultura para assistir a blockbusters hollywoodianos, subsidiando uma produção que já é hegemônica e dominante em quase todo o mundo. Outros chamam essa postura, digamos, nacionalista de dirigismo cultural. Quem está certo?
Divulgação/Globo Filmes
Xuxa e suas princesas: 1 milhão de espectadores. Medo, muito medo.Sei que, talvez, o público de Xuxa (meu Deus!) seja mais amplo, mas seu filme custou, provavelmente, um quarto do melodrama de Fábio Barreto. Ou até menos.
Chequem abaixo as bilheterias nacionais, segundo boletim da Filme B:
Xuxa/Feiurinha: 1.060.114
Lula, o Filme: 800.110
Besouro: 459.000
Do Começo ao Fim: 80.662
É Proibido Fumar: 39.904
Alô, Alô Teresinha: 27.000
O Homem Que Engarrafava Nuvens: 8.893
Praça Saens Peña: 4.734
Caro Francis: 3.645
Só 10% é Mentira: 1.462
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O argentin O Segredo de Seus Olhos é um dos indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro.2009 foi um ótimo ano para filmes nacionais comerciais e descartáveis, na linha Divã, Se Eu Fosse Você 2 e A Mulher Invisível,mas não vimos bons títulos autorais rompendo o circuito dos festivais e chegando ao grande público. Alguém percebeu isso?
Sei que o Oscar não é lá um termêmetro muito confiável, mas a inclusão de dois títulos sul-americanos entre os cinco indicados a melhor filme estrangeiro diz alguma coisa, né?
O medíocre Salve Geral, drama policial de Sérgio Rezende que disputava uma vaga entre os concorrentes, ficou de fora. No entanto, entraram na briga o belíssimo peruano A Teta Assustada, de Claudia Llosa (Urso de Ouro no Festival de Berlim 2009), e o argentino O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella, já indicado uma vez pelo sucesso internacional de bilheteria O Filho da Noiva. Não gosto de seu filme seguinte, O Clube da Lua, mas dizem que este novo é bem melhor.
Completam a lista dos indicados deste ano o elogiado O Profeta, da França, e o teoricamente favorito, A Fita Branca, do alemão Michael Haneke, Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado e, francamente, um dos melhores filmes que vi nos últimos anos.
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Outros filmes entre os dez indicados ao prêmio de melhor filme incluem Amor sem Escalas, Um Sonho Possível, Preciosa, Distrito 9, Um Homem Sério, Bastardos Inglórios, Educação e a animação Up -- Altas Aventuras. É o primeiro ano que tantos títulos disputam a categoria principal.
A grande surpresa foi a inclusão, na categoria principal, do excelente Distrito 9 e do ainda inédito Um sonho Impossível, com Sandra Bullock.
Leia a cobertura completa das indicações ao Oscar 2010 amanhã na Gazeta.
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Os outros cinco indicados devem incluir:
Up - Altas Aventuras
An Education
Invictus
E disputam as duas últimas vagas:
Distrito 9
Star Rek
Um Homem Sério
A Single Man
Young Victoria
Nine
Entre os diretores, os indicados devem ser:
James Cameron (Avatar)
Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)
Jason Reitman (Amor sem Escalas)
Lee Daniels (Preciosa)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)
Clint Eastwood, por Invictus, corre por fora.
A briga nas duas categorias deve ficar entre Avatar e Guerra ao Terror.
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É Proibido Fumar, um dos filmes nacionais mais elogiados da temporada, já está em cartaz em Curitiba.O melhor do ano, na minha opinião, foi Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte,que muito pouca gente viu aqui ou em qualquer outro lugar do país. Estou ansioso para ver É Proibido Fumar, da Anna Muylaert, mas, por enquanto, é só.
Acho intrigante esse paradoxo sucesso comercial/mediocridade da produção e estava me sentindo um pouco culpado por pensar assim até ler que representantes do Festival de Cannes vieram ao Brasil para "descobrir" filmes para a mostra e ficaram impressionados com a qualidade dos documentários feitos por aqui. E com razão. Os franceses, contudo, nada disseram das obras de ficção às quais tiveram acesso. Por que será?
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A animação Fantástico Mr. Fox: um dos filmes mais elogiados do ano permanece inédito em Curitiba.A sensação de exclusão é péssima, não acham? Faz com que me sinta como um habitante da Amazônia. Já consultei as distribuidoras, os exibidores, e a desculpa (ou justificativa) parece se repetir: poucas cópias circulando pelo Brasil; maior demanda em cidades como Rio, São Paulo, Brasília e Porto Alegre; desempenho fraco desses filmes em Curitiba.
Mas e quem gosta de fugir um pouco da mesmice dos blockbusters, como fica? À deriva, né? Tem de baixar os títulos pela internet ou encarar um fim de semana em São Paulo.
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Jeremy Renner: excelente desempenho em Guerra ao TerrorNos últimos 20 anos, em 13 ocasiões o filme escolhido pela associação de produtores, com 4.200 integrantes, venceu também o Oscar de melhor filme, inclusive em 2009 e 2008 -- embora nos três anos anteriores essa coincidência não tenha ocorrido.
No sábado, Bastardos Inglórios, outro filme excelente, venceu o prêmio de melhor elenco do Sindicato dos Atores, o que o coloca junto a Guerra ao Terror e Avatar numa das brigas mais acirradas pelo Oscar dos últimos anos. Vamos esperar para ver.
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Anna Kendrick e George Clooney: voo solitário.O que aproxima Clooney de todo e qualquer ser humano, em algum aspecto, é sua capacidade de autoengano e o medo. Ele prefere quartos de hotéis a uma casa de verdade. Relacionamentos ocasionais, movidos a desejo e sexo, a intimidade, afeto e amor. Com a família, opta por se relacionar à distância, por telefone. Sem amarras. Tanto que, ao ser convidado pela irmã mais nova para seu casamento, tem receio de não ter o que dizer, não saber como se comportar.
Mais importante para ele é acumular 10 milhões de milhas em seu cartão de fidelidade, um recorde que lhe dará privilégios, prêmios e, simbolicamente, legitimará sua condição de desapego crônico de tudo e todos. É mais fácil, aparentemente, viver assim. Só. Quem nunca teve essa dúvida?
A vida de Bingham começa a mudar quando entra em cena Natalie (Anna Kendrick, da Saga Crepúsculo), uma jovem brilhante e ambiciosa que apresenta ao patrão uma forma de continuar demitindo gente mundo afora gastando bem menos. O processo pode ser feito on-line, com uma webcam. Bingham se revolta. Acha o método desumano, mas, no fundo, a possibilidade de parar de viajar é que o apavora. Com os pés em terra firme, terá de pensar em si mesmo, na vida que não tem.
Nesse mesmo momento, também atravessa seu caminho a sedutora Alex (Vera Farmiga, de Os Infiltrados), que diz ser uma versão feminina dele. Deseja viver uma história entre aeroportos, sem vínculos ou obrigações. Outro engodo entre muitos.
O grande trunfo do ótimo filme de Jason Reitman (de Obrigado por Fumar e Juno), cotado para múltiplas indicações ao Oscar, é sua contemporaneidade de forma e conteúdo. Tem uma edição ágil, pontuada pela transitoriedade geográfica - cada situação vivida pelo protagonista, cada sequência do longa, vem acompanhada de um voo, de uma cidade.
Os diálogos são muito bem escritos, mas não se sobrepõem à trama, ao dilema existencial de Bingham. Isso é raro: parece que bons roteiristas, capazes de produzir falas memoráveis acabam sendo vítimas do próprio talento. Parece que o enredo está a serviço da perspicácia, do humor, da inteligência do roteirista. Os filmes escritos por Woody Allen, Charlie Kaufman, pelos irmãos Coen e por Quentin Tarantino, embora muitas vezes brilhantes, estão sempre a lidar com esse risco.
Da pertinência de sua trama que Amor sem Escalas tira grande força. Fala do fantasma do desemprego em um momento de grande recessão nos Estados Unidos e de individualismo e desapego em tempos de internet e relações virtuais. E resiste à tentação de arriscar um desenlace edificante, redentor. Bingham (Clooney, em um grande desempenho) se percebe errado, à deriva e medroso. Tenta mudanças, corre riscos, mas seu destino é incerto. Como o nosso.
Amor sem Escalas pode não ser um grande filme, como Guerra ao Terror, ou um filme grande, como Avatar. Mas é um dos melhores deste ano.
Ney repetirá seu feito de 2008?
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