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Sábado, 04/02/2012

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Central de Cinema

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08/01/2012 às 11:30


Divulgãção

Divulgãção / Premiado em Cannes, O Garoto de Bicicleta segue inédito em Curitiba.Premiado em Cannes, O Garoto de Bicicleta segue inédito em Curitiba.

Quase todas as cinematografias do mundo têm uma vertente mais "apelativa", com filmes comerciais, de fácil assimilação, como Cilada.com e De Pernas pro Ar, campeões brasileiros de bilheria. E eles são importantes porque, muitas vezes, garantem um espaço no circuito exibidor que, sem eles, seria ocupado por produções igualmente descartáveis feitas em Hollywood.

O que lamento cada vez mais é a falta de espaço para o cinema de autoria, brasileiro ou não. Se o público não tiver a oportunidade de conhecê-lo, apreciá-lo, jamais vai sentir falta desses filmes. Concordam?

E, em Curitiba, mais do que em qualquer outra grande cidade brasileira, ficamos praticamente sem opções. Desde o fechamento Unibanco Arteplex para reformas, dezenas de produções ficaram sem ter onde estrear, porque os multiplexes de shopping não os exibe. Vou citar alguns: O Garoto de Bicileta, dos irmãos Dardenne; Declaração de Guerra, de Valérie Donzelli; Margin Call, de J.C. Chandor, e o extraordinário docudrama brasileiro O Céu sob os Ombros,de Sérgio Borges. Leiam reportagem publicada sábado no G Ideias: www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1210341&tit=Curitiba-rejeita-filmes-nacionais


06/01/2012 às 12:24


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Divulgação / A Árvore da Vida, de Terrence Malick, foi escolhido o melhor filme estrangeiro de 2011 pela Abraccine.A Árvore da Vida, de Terrence Malick, foi escolhido o melhor filme estrangeiro de 2011 pela Abraccine.

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou a sua lista de melhores filmes de 2011. Os membros votantes da entidade, entre eles este que vos fala, escolheram o drama metafísico

A Árvore da Vida, do diretor norte-americano Terrence Malick, o melhor longa-metragem estrangeiro lançado no país no ano passado. Melancolia, do dinamarquês Lars Von Trier, e Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, do tailandês Apichatpong Weerasethakul, ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares. Já Transeunte, ficção com traços de cinema documental de Eryk Rocha (filho de Glauber Rocha), foi eleito o melhor filme nacional, à frente de Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, e O Palhaço, de Selton Mello.

O experimental Praça Walt Disney, dos pernambucanos Renata Pinheiro e Sergio Oliveira, ganhou o Prêmio Abraccine na categoria de melhor curta-metragem, com a esmagadora maioria dos votos.

Criada neste ano, a Abraccine reúne cerca de 80 críticos de jornais, revistas, sites e portais de todo o país e é presidida por Luiz Zanin Oricchio, do diário O Estado de S. Paulo. Participaram da escolha dos longas-metragens 53 integrantes da entidade, de dez estados. Na eleição dos curtas, que são mais exibidos nos circuitos de festivais e mostras, 23 votaram. Além de Camargo, outro paranaense, o crítico Carlos Eduardo Lourenço Jorge, de Londrina, também é membro da Abraccine.

Leia mais no blog da associação: http://abraccine.wordpress.com/

29/12/2011 às 10:17


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Divulgação / Kirsten Dunst estrela o perturbador e magnífico Melancolia.Kirsten Dunst estrela o perturbador e magnífico Melancolia.

Depois de algumas semanas de "férias" do blog, volto à vida com a minha lista de melhores filmes de 2011. Escolhi 11, em vez de dez. Em ordem alfabética, aqui estão eles. Quais foram os destaques do ano para você?

A Árvore da Vida (EUA), de Terrence Malick

Cópia Fiel (Irã/França), de Abbas Kiarostami

Em um Mundo Melhor (Dinamarca), Susanne Bier

Meia-noite em Paris (EUA/França), de Woody Allen

Melancolia (Dinamarca), de Lars von Trier

Namorados para Sempre (EUA), de Derek Cianfrance

O Palhaço (Brasil), de Selton Mello


A Pele Que Habito (Espanha), de Pedro Almodóvar

Um Sonho de Amor (Itália), de Luca Guadagnino

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Tailândia), de Apichatpong Weerasethakul

Transeunte (Brasil), de Eryk Rocha

17/11/2011 às 15:48


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Divulgação / Robert Pattinson e Kristen Stewart: invasão vampira.Robert Pattinson e Kristen Stewart: invasão vampira.

Os vampiros da Saga Crepúsculo ameaçam sugar todo o sangue do mercado exibidor brasileiro: Amanhecer - Parte 1, que estreia neste fim de semana no Brasil, vai ocupar nada menos do que 1.100 salas de exibição. Ou seja, praticamente 50% do mercado. Isso não é demais, gente?

O problema é que muitos filmes, como O Palhaço, que estavam fazendo bonito nas bilheterias, arriscam ser prejudicados por essa ocupação ao meu ver desmedida.

16/11/2011 às 14:57


Rosano-Mauro-Junior-/Divulgação

Rosano-Mauro-Junior-/Divulgação / Cena do longa-metragem Circular, premiado em Goiânia.Cena do longa-metragem Circular, premiado em Goiânia.
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Três longas paranaenses foram premiados em festivais nacionais nos últimos dias:

Circular recebeu no 7.º FestCineGoiânia os prêmios de melhor roteiro (Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diego Florentino e Fábio Allon), ator (Marcel Szymanski) e montagem (Diego Florentino)

No mesmo festival, Iván - De Volta Para o Passado, de Guto Pasko, ganhou o prêmio de melhor som na categoria Documentário de Longa-metragem, atribuido a Marquinhos Ribeiro (captação) e Ulisses Galetto (edição de som).

No REcine 2011 - Festival Internacional de Cinema de Arquivo, o prêmio de melhor filme de longa-metragem foi atribuido a No Lixo do Canal 4, de Yanko del Pino, realizado inteiramente com acervo do MIS-Pr.

Outro filme paranaense, Vó Maria , de Tomás von der Osten, levou Menção Honrosa pela originalidade na categoria curta-metragem.

15/11/2011 às 09:34


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Divulgação / Além da estrada tem o charme dos filmes nos quais Além da estrada tem o charme dos filmes nos quais "nada acontece"

Há um charme bastante peculiar em filmes nos quais nada parece acontecer. Além da Estrada, longa-metragem de estreia do cineasta carioca Charly Braun – atualmente em cartaz na Sessão CineCult do Cinemark Mueller – se enquadra nessa categoria. Mas engana-se quem se deixa levar pelas aparências: há muito em jogo sob a aparente placidez que se desvela na tela ao longo dos 85 minutos de projeção dessa obra singular, que deu a Braun o prêmio de melhor direção no Festival do Rio de 2010.

Rodado no Uruguai, em regime de coprodução, Além da Estrada é um filme brasileiro no qual mal se ouve a língua portuguesa. Conta a história de Santiago (Esteban Feune de Colombi), um jovem argentino, filho de uma família de banqueiros, que perde os pais em um acidente de carro. Ele chega a Montevidéu, teoricamente com a missão de resolver uma questão relacionada a sua herança. Mas, na verdade, trata-se de uma viagem muito mais existencial do que prática.

Do mesmo barco que o protagonista desembarca na capital uruguaia, desce Juliette (Jill Mulleady), uma garota belga que diz estar atrás de um namorado perdido, mas que também parece estar um tanto à deriva, em busca de respostas, de um caminho para chamar de seu. Quando Santiago lhe oferece uma carona, e os dois começam a viajar juntos, há uma espécie de colisão entre a solidão de um e de outro.

Braun, a exemplo de cineastas contemporâneos como Sofia Coppola, procura se libertar da ditadura do cinema narrativo convencional, no qual sempre é necessário que algo esteja acontecendo no filme. De preferência, uma ação que faça a trama se mover, sem causar grande inquietação ao espectador. Além da Estrada vai na direção contrária disso.

O diretor se apropria das deslumbrantes paisagens do Uruguai para construir um road movie que parte de Montevidéu e mergulha pelas estradas do país platense como uma espécie de metáfora sobre os caminhos e descaminhos interiores percorridos por Santiago e Juliette, personagens que em momento algum parecem ser feitos um para o outro. Pelo contrário: há mais dissonância do que sintonia entre eles. Ainda assim brota algo especial desse encontro entre desiguais.

Como ele não fala francês e ela não domina o espanhol, eles se comunicam basicamente em inglês, e há muitos silêncios, que permitem aos dois se observarem, se criticarem, e se sentirem atraídos um pelo outro. E o espectador é colocado na posição de voyeur. Enquanto isso, o casal mergulha em um país que é ao mesmo tempo tão próximo do Brasil e tão distante do nosso imaginário – esse estranhamento familiar é um dos pontos fortes do longa.

Numa decisão certeira, Braun costura um jogo improvável em que muitos dos personagens são vividos por não atores, que parecem interpretar a si mesmos, dando ao filme uma aparência híbrida, entre o documental e a ficção. Mas também há rostos famosos em cena, como Guilhermina Guinle, irmã de Braun, que vive Manuela, uma namorada socialite de Santiago. E a modelo britânica Naomi Campbell, que faz uma pequena participação, na qual critica o racismo de alguns estilistas, como o italiano Roberto Cavalli, que nunca trabalha com manequins negras.

Pequeno e intimista, Além da Estrada pode ser uma agradável surpresa para quem busca no ci­­nema mais do que mera diversão. Vale a pena experimentar.

11/11/2011 às 10:33


Divulgação/Warner

Divulgação/Warner / Elenco de rostos desconhecidos é ponto forte em Os 3.<br />
Elenco de rostos desconhecidos é ponto forte em Os 3.


Embora todo mundo diga que a indústria cultural é excessivamente voltada para o público jovem, o cinema, de uma maneira geral, produz muito poucos filmes que conseguem ir além de fórmulas testadas e aprovadas, construídas a partir de clichês, daquilo que os adultos pensam sobre o que seja ser adolescente no mundo atual. Os 3, primeiro longa-metragem solo do diretor Nando Olival, que codirigiu Domésticas com Fernando Meirelles, consegue escapar dessa armadilha

Distribuído pela Warner, e com ambições de produção voltada ao grande público, a love story triangular, escrita em parceria por Olival e Thiago Dottori (de VIPs), se não chega a ser tão subversiva quanto pretende, cativa o espectador por vários motivos, a começar por sua premissa instigante.

Narrado como um longo flashback por Rafael (Victor Mendes), um dos protagonistas, Os 3 conta como ele, um jovem estudante de Comunicação e aspirante a escritor, se muda de uma cidade do interior para São Paulo e, antes mesmo de as aulas começarem de verdade, acaba colidindo com dois colegas que vão mudar a sua vida: Camila (Juliana Schalch), que sonha ser atriz, e o festeiro e amalucado Cazé (Gabriel Godoy).

O trio se conhece em uma festa e decide morar sob o mesmo teto, um apartamento espaçoso, mas caindo aos pedaços, que Cazé en­­controu numa região dilapidada da capital paulista. Para evitar transtornos futuros, decorrentes do convívio entre uma garota e dois rapazes, todos com os hormônios bem à flor da pele, Camila estabelece uma regra: não haverá, sob qualquer circunstância, qualquer envolvimento sexual e romântico entre eles.

Apesar de o desejo e o afeto permearem o relacionamento entre os três, que se tornam inseparáveis ao longo dos quatro anos de faculdade, eles conseguem manter o pacto, ainda que aos trancos e barrancos. Até o convite para colocar em prática, como protagonistas, o seu projeto de conclusão de curso: um reality show na web, cujo objetivo é vender tudo que os cerca, de mochilas a videogames.

O jogo de faz de conta acaba por evidenciar que Rafael, Camila e Cazé não apenas são mais do que bons amigos, mas também que o amor que os une só faz sentido se vivido a três – e em todos os sentidos. Nesse aspecto, o filme é cauteloso, pudico até, e poderia ousar um pouco mais, explorando a complexidade dessa teia romântica pouco convencional. Mas, graças ao carisma do elenco – e talvez ao fato de os atores ainda serem rostos pouco conhecidos –, há algo de bem verdadeiro em Os 3. E isso é valioso.

04/11/2011 às 14:42


Divulgação

Divulgação / Antonio Banderas e Elena Anaya: criador e criatura.Antonio Banderas e Elena Anaya: criador e criatura.

Se A Pele Que Habito não chega a ser um grande filme de Pedro Almodóvar, da estatura de obra-primas como Carne Trêmula ou Fale com Ela, o longa tem o mérito de se revelar, ao longo de seus 117 minutos de duração e em vários aspectos, uma das obras mais ousadas do cineasta espanhol, que não se rende ao comodismo e continua explorando novos territórios estéticos, narrativos e temáticos.

Baseado no romance Tarântula, de Thierry Jonquet, A Pele Que Habito tem uma daquelas tramas sobre as quais o crítico não deve falar em detalhes, sob o risco de estragar a experiência do espectador que gosta de ser surpreendido.

Sem trabalhar com Almodóvar desde Ata-Me (1990), Antonio Banderas reencontra o diretor que o colocou em evidência no mundo do cinema e encara um personagem que foge – e muito – dos papéis aos quais foi reduzido por Hollywood. Berto é tudo menos um latin lover.

Cirurgião plástico, ele é apresentado no início do filme como pesquisador obcecado pela descoberta de uma pele transgênica, capaz de revolucionar o tratamento de vítimas de queimaduras graves e outras doenças dermatológicas degenerativas. Desafiando os limites da ética médica, Berto vem usando há alguns anos uma cobaia humana chamada Vera (Elena Anaya, de Lucia e o Sexo), sobre quem se sabe muito pouco.

O que aos poucos é revelado é que Vera, com o tratamento de reconstituição epidérmica ao qual vem sendo submetida, se torna mais e mais parecida com Gal, mulher de Berto, que morreu de forma trágica. E essa não é a única perda traumática na vida do cirurgião: sua filha, a emocionalmente instável Norma (Blanca Suárez), se suicidou depois de ter sofrido um estupro em uma festa de casamento.

Em um longo flashback, as peças do quebra-cabeças que envolve o projeto de Berto vão se encaixando e revelando uma história muito mais terrível do que aparentemente se supõe.

Esteticamente impecável, como de hábito, Almodóvar constrói um misto de melodrama, um de seus gêneros cinematográficos prediletos, e thriller psicológico, flertanto com o grotesco e o absurdo. Berto é uma espécie de doutor Frankenstein pós-moderno, cuja criação é resultado de seus muitos traumas e obsessões, e que faz uso da ciência e da tecnologia para dar vazão a sua loucura.

O resultado é uma perturbadora e sombria fábula de vingança que discute, entre outros temas, como se dá a construção de gênero, e brinca com os limites entre a orientação e a identidade sexual do ser humano.

Mais do que isso, é proibido contar.

18/10/2011 às 11:42


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Divulgação / Laurent Couson e Audrey Dana estrelam Esses Amores; destinos cruzados.Laurent Couson e Audrey Dana estrelam Esses Amores; destinos cruzados.

Para celebrar seus 50 anos de cinema, o diretor francês Claude Lelouch resolveu fazer um filme que fosse ao mesmo tempo autobiográfico e uma síntese de sua extensa obra. Nesse sentido, Esses Amores, em exibição no Unibanco Arteplex desde a última sexta-feira, é um projeto bem sucedido.

Aos moldes de um de seus longas-metragens mais populares, Retratos da Vida (1981), que ficou vários meses em cartaz em Curitiba na década de 1980, Esses Amores é um melodrama no mais preciso sentido da definição do gênero: a trama caudalosa, que atravessa décadas e se mostra capaz de arrancar lágrimas do público em vários momentos, é pautada pela exuberante trilha sonora, assinada pelo veterano Francis Lai (premiado com o Oscar por Love Story – Uma História de Amor), colaborador de Lelouch há décadas.

A heroína do enredo chama-se Ilva (Audrey Dana), uma jovem de origem italiana criada em Paris a quem tudo de bom e de ruim acontece ao longo das duas horas de projeção do filme. Ela é filha de uma atriz pornô que encontra na França o homem de sua vida, o projecionista Maurice, vivido por Dominique Pinon, ator-fetiche de Jean-Pierre Jeunet (de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain).

Para salvar Maurice, preso pelos nazistas durante a ocupação, Ilva não vai medir esforços – e, assim, mudará para sempre seu destino. Na tentativa de libertar o padrasto, acusado de participar da Resistência, a jovem acaba se envolvendo com Horst (Samuel Labarthe), um oficial alemão com quem viverá uma breve, porém intensa paixão. A relação revela muito sobre a natureza vulcânica da personagem.

Impulsiva, Ilva é lanterninha do cinema onde Maurice trabalha e é lá que conhece Coco, um garoto judeu que ela esconde no escuro da sala de projeção durante o dia para evitar que o pior aconteça e ele seja enviado a um campo de concentração. A jornada desse menino, que sobreviverá à Segunda Guerra e se tornará cineasta, é o elemento autobiográfico do filme – Lelouch viveu a mesma situação na infância.

Paralelamente à história de Ilva, Esses Amores também narra o triste percurso de Simon (Laurent Couson), jovem pianista de origem judaica enviado com a mãe a um campo de extermínio nazista, de onde apenas sai vivo graças a sua música: ele compra sua vida com horas ao piano, a dedilhar obras de Rachmaninoff, um dos compositores favoritos dos comandantes alemães, apesar de russo.

No melhor estilo Lelouch, os caminhos de Ilva e Simon, que parecem nada ter a ver um com o outro, vão se cruzar depois de ambos terem passado por poucas e boas. Antes, ela vai se apaixonar, simultaneamente, por dois soldados americanos, em um trágico triângulo amoroso. Ele, movido pela culpa de ter sobrevivido, acabará desistindo da música e se tornando advogado criminalista.

Citando a si próprio, ao ponto de inserir na narrativa de Esses Amores uma sequência de Retratos da Vida, do qual o filme é uma obra quase gêmea, Lelouch faz uma celebração ao cinema e ao destino.

Do diretor mais comedido de Um Homem e Uma Mulher (1966), pelo qual ganhou dois Oscars (de melhor filme estrangeiro e roteiro original), resta pouco. Em vez do estilo cool, influenciado pelas ondas da Nouvelle Vague, Lelouch opta pelo arrebatamento do melodrama, que se por vezes flerta com o exagero e o inverossímil, acaba não decepcionando seus fãs.

15/10/2011 às 09:28


Divulgãção

Divulgãção / Nova versão de Os Três Mosqueteiros foi criada para agradar quem gosta de pensar pouco.Nova versão de Os Três Mosqueteiros foi criada para agradar quem gosta de pensar pouco.

Tentar, de alguma forma, dar uma nova roupagem a uma história tantas vezes filmada como Os Três Mosqueteiros, romance clássico do estilo capa e espada de Alexandre Dumas (1802-1870), não é tarefa muito fácil. A mais recente versão, que chega hoje aos cinemas brasileiros antes de ser lançada nos Estados Unidos, até consegue conferir algum frescor à trama. Isso ocorre, possivelmente, por conta da pegada moderninha de um diretor como o britânico Paul W. S. Anderson, que tem no currículo dois filmes da série Resident Evil, baseada no videogame homônimo, e a ficção científica O Enigma do Horizonte.

A história continua a mesma: o jovem e impetuoso D’Artagnan (Logan Lerman, de Percy Jackson , o Caçador de Raios) parte do interior da França com o desejo de se tornar, como seu pai um dia foi, um mosqueteiro, espadachim da guarda particular de Luís XIII (Freddie Fox) – que reinou entre 1610 e 1643 e é aqui retratado como um jovem hesitante a manipulado pelo cardeal Richelieu (Christoph Waltz, premiado com o Oscar de melhor coadjuvante por Bastardos Inglórios).

Só que, ao chegar a Paris, D’Artagnan descobre que os lendários Athos (Matthew MacFadyen, de Orgulho e Preconceito), Portos (Ray Stevenson, da série Roma) e Aramis (Luke Evans, de Robin Hood) andam meio em baixa, substituídos pela brigada do cardeal, liderada por Rochefort (Mads Mikkelsen, de Coco Chanel & Igor Stravinsky ), um ás da espada e do florete que os trata como cães sarnentos.

Traição

Richelieu, se aproveitando da ingenuidade do rei, arma com a traiçoeira, porém sedutora Milady (Milla Jovovich, estrela da série Resident Evil), ex-amante de Athos, um plano que visa a desestabilizar a coroa francesa: provocar uma guerra contra a Inglaterra. Para isso, conta como aliado o maquiavélico Buckingham (Orlando Bloom, de Piratas do Caribe), homem forte da monarquia inglesa e igualmente enredado por Milady. A ele também interessa um conflito armado entre os dois países.

Se a história é para lá de manjada, a direção de Anderson, com toques de videogame e de filme ação europeu, à la Carga Explosiva, traz alguma novidade e um ritmo frenético a Os Três Mosqueteiros, que também será lançado em cópias em 3D. Ainda que, para isso, detalhes históricos e do próprio romance de Dumas sejam diluídos ou simplesmente jogados pela janela sem dó ou cerimônia.

Carismáticos como os personagens que dão título ao filme, MacFadyen, Stevenson e Evans se saem bem, assim como o jovem astro hollywoodiano Logan Lerman, que deve ajudar a renovar o público da história. Waltz, apesar de ótimo, apenas reprisa o vilão que já fez neste ano em O Besouro Verde, e precisa ficar atento para não virar ator de um papel só. Melhor sorte tem Milla Jovovich, que traz a Milady – papel que já foi de Faye Dunaway, em dois filmes na década de 70, e de Rebecca de Mornay, na versão de 1993 – traços da heroína dura na queda que vive na saga Resident Evil.

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