Quarta-feira, 17/03/2010
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Aconteceu em Woodstock é desencanado, leve e alto astral.O diretor -- premiado com o Oscar por O Tigre e o Dragão e O Segredo de Brokeback Mountain -- defende essa tese, no entanto, sem o intuito de desmitificar a apoteose hippie e musical, que completou 40 anos em 2009. Apenas descreve, em detalhes pitorescos, os bastidores dessa "engenharia de produção". E prefere, como de hábito, focar em uma trajetória individual e não no evento propriamente dito.
A narrativa do filme é construída em torno de um personagem verídico, porém coajuvante na história de Woodstock: o designer de interiores Elliot Tiber (Demetri Martin), que sem querer teve papel decisivo na realização do festival.
Em 1969, o rapaz sobrevive aos trancos e barrancos como decorador no bairro nova-iorquino do Greenwich Village quando é forçado pelas circunstâncias a voltar para casa e ajudar os pais na administração de um motel decadente nas montanhas Catskills, o El Monaco.
A situação é tragicômica: endividado, o pai do decorador tem a ideia infeliz de pôr fogo no estabelecimento para ganhar como indenização o dinheiro do seguro, para então se dar conta de ter esquecido de pagar a mensalidade da apólice. Para piorar as coisas, Elliot tem um segredo para contar à família: é gay.
Em meio a toda essa confusão doméstica, o rapaz enxerga uma luz na escuridão. Numa cidadezinha próxima, ele ouve falar que estão planejando realizar na região um grande festival de "música hippie", como se tal gênero, de fato, existisse. Referem-se a Jimi Hendrix, Jefferson Airplane, Janis Joplin, Carlos Santana e outros menos cotados. Empolgado, ele telefona para os produtores na esperança de atrair uma clientela garantida para o El Monaco durante os dias do evento. Corta.
Três semanas mais tarde, nada menos do que meio milhão de pessoas segue rumo à fazenda de um vizinho dos pais de Elliot, no município rural de White Lake. Ao se juntar a essa turba, e mergulhar num mar de sons, drogas, paz, amor e lama, Elliot vai iniciar uma mudança irreversível em sua vida. Assim como a propria cultura pop americana.
Ang Lee, um dos diretores mais relevantes hoje em atividade no cinema, fez um filme pequeno e com menos pretensões do que seus longas anteriores, O Segredo de Brokeback Mountain e Desejo e Perigo, mas, de certa forma, não desvia da rota autoral. Próximo cronológica e sociologicamente de outro grande título em sua filmografia, o estupendo Tempestade de Gelo, que disseca com sutileza mas contundência o momento-chave da revolução sexual nos Estados Unidos, Aconteceu em Woodstock revisita um tema onipresente na obra do cineasta chinês.
No fundo do aparente tom de ludicidade e desbunde da trama, Lee está de novo a falar do eterno dilema entre o ser e o fazer, da tensão antagônica (e, muitas vezes, destrutiva) enfrentada por alguém diante da encruzilhada onde um caminho, o do dever e da responsabilidade, se opõe a outro, vinculado ao desejo.
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Leonardo DiCaprio e Michelle williams: nada é o que aparenta ser.Leonardo DiCaprio, que tomou o lugar de Robert De Niro como ator-fetiche do realizador nova-iorquino, vive com empenho e vontade o papel de um detetive do FBI designado para investigar, na década de 50, o desaparecimento de uma interna do manicômio judiciário instalado na ilha de Shutter, na costa de Boston. A mulher,condenada por ter afogado seus três filhos, sumiu do presídio como por encanto.
Lá chegando, Edward, personagem de DiCaprio, e seu novo parceiro, Chuck(Mark Ruffalo), descobrem que há algo de muito suspeito ocorrendo. Além de Rachel, a tal detenta desaparecida, outro interno teria evaporado. Edward, que participou da libertação do campo de concentração de Dachau (Alemanha) durante a Segunda Guerra, suspeita que o desaparecido seja o homem condenado por ter incendiado o prédio onde morava. Sua esposa (Michelle Williams), que lhe aparece em sonhos e delírios, morreu vítima do piromaníaco,que,desconfia o detetive, talvez esteja sendo usado como cobaia de experimentos médicos como os realizados pelos nazistas.
Sombrio e claustrofóbico, Ilha do Medo parte de um enredo bem armado já nas páginas do romance de Lehane. Porém, o que o torna uma obra cinematográfica menos corriqueira é a capacidade de Scorsese de trazê-la para o campo das imagens em movimento. Há, ao longo do filme, sequências memoráveis, como a chegada assustadora de Edward e Chuck ao presídio, que remete ao melhor do cinema de suspense e policial dos anos 50 - Alfred Hitchcock, Jules Dassin, Otto Preminguer, Fritz Lang, Samuel Fuller e Nicholas Ray parecem, por diferentes razões, ter sido referências para Scorsese.
A câmera de Robert Richardson, de Bastardos Inglórios, JFK e O Aviador (por estes dois últimos venceu o Oscar de melhor fotografia),alterna panorâmicas, planos abertos e grandiloquentes a closes intimistas, invasivos até, que confundem e enganam o espectador.
Outros momentos brilhantes do longa são os delírios surreais de Edward, sobretudo aquele em que sua mulher se desmaterizaliza em cinzas nos seus braços. E o que dizer das cenas de Edward e Chuck dentro da ala de segurança máxima do manicômio, que conseguem invadir quando há um colapso do gerador que alimenta a ilha de energia? Genial.
Ilha do Medo talvez não seja uma obra-prima como Touro Indomável ou Taxi Driver, mas é papa fina,um policial muito acima da média do que vemos no cinema contemporâneo.
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Cena do espetacular Sete Samurais.Autor de clássicos como Rashomon, no qual uma mesma história é narrada da perspectiva de diversos personagens, colocando em xeque o conceito de verdade, e de Ran, releitura brilhante da peça Rei Lear,de William Shakespeare, transposta para o Japão feudal, Kurosawa era um gênio da mise-en-scène. Mas não desfrutava no Japão do mesmo prestígio que tinha no Ocidente.
Para os nipônicos, o grande mestre do cinema do país era Yasojiro Ozu, dos sublimes (é essa a palavra certa) Era uma Vez em Tóquio e Pai e Filha,. Sua visão da sociedade japonesa do pós-Segunda Guerra, sob o impacto da presença invasiva (em todos os sentidos) norte-americana, e a sensibilidade para retratar a vida privada, os códigos familiares do país, justificam essa reputação. Outra das marcas registradas de Ozu é a câmera inconfundível, que enquadrava a ação muitas vezes ao nível do chão, onde os japoneses se sentam para as refeições,
Mas Kurosawa também é um tesouro da Terra do Sol Nascente, capaz de absorver traços da produção ocidental sem perder a identidade.
É difícil escolher um título favorito na vasta filmografia de Kurosawa. Além dos títulos que já citei, tenho grande apreço por Dersu Uzala (que vi na infância), realizado numa coprodução com a União Soviética, e Os Sete Samurais, espetacular épico que eletriza e hipnotiza até hoje, dando um banho em grande parte do que se faz no gênero hoje em dia.
Qual é o seu Kurosawa favorito?
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Colin Firth e Julianne Moore: grandes atuações.O ator britânico Colin Firth (de Simplesmente Amor), em desempenho indicado ao Oscar e premiado pelo Bafta e pelo Festival de Veneza, arrasa em um papel muito difícil. Ele é George, um professor universitário inglês, radicado na Los Angeles do início da década de 60, que perde seu companheiro, o arquiteto Jim (Mathew Goode, de Match Point), com quem estava há 16 anos, num acidente de carro. A tragédia lhe tira o chão: acordar e levantar-se da cama todos os dias vira uma tortura; o simples ato de respirar é doloroso.
Diante do imenso vazio deixado pela morte de Jim, George decide se matar.
Perfeccionista e meticuloso, ele planeja tudo nos mínimos detalhes, mas a vida insiste, por meio de intervenções externas e simbólicas, em dissuadi-lo. Charlie (Julianne Moore), a melhor amiga e ex-namorada de adolescência, tenta, sem muito êxito, tirá-lo da depressão. Um aluno, o inquieto e arrebatado Kenny (Nicholas Hoult), parece lhe devotar um inesperado afeto que pode representar uma boia salva-vidas. O poço de tristeza em que George está mergulhado, entretanto, é profundo e escuro.
Por vezes hipnótico e sempre lindo de olhar, Direito de Amar anuncia o surgimento de um diretor talentoso. Disso não há dúvidas. Menos por seu relativo maneirismo formal, provavelmente resultado da exposição do estilista a referências que vão de Pedro Almodóvar (Tudo sobre Minha Mãe) e Wong Kar Wai (Amor à Flor da Pele), passando por Terence Davies (Vozes Distantes). E bem mais em decorrência de suas habilidades de dirigir atores (as atuações de Firth e Julianne são brilhantes) e transpor com grande impacto emocional a história do escritor britânico Christopher Isherwood, também autor da obra que originou o musical Cabaré..
Quando se libertar da obrigação de buscar a beleza em cada frame e permitir que a imperfeição também encontre seu lugar na tela, Ford dará um passo importante para se tornar um grande diretor. Mas já fez de Direito de Amar uma estreia memorável.
Reuters
Guerra ao Terror, produção independente lançada sem muito alarde no primeiro semestre de 2009, provou que Davi pode, sim, derrubar o gigante Golias, mesmo quando o campo de batalha é Hollywood. Na esteira de uma sucessão de prêmios da crítica, o longa de Kathryn Bigelow conquistou os votantes da Academia ao retratar a Guerra do Iraque de um ponto de vista muito particular e crítico: usa como microcosmo um esquadrão anti-bombas que vive sob eterna pressão num território literal e figurativamente minado. Nem mesmo nos Estados Unidos a presença norte-americana no país do Oriente Médio é vista hoje em dia com bons olhos.
Guerra ao Terror era, com certeza, o mais consistente entre os dez indicados a melhor filme e mereceu todas as seis estatuetas recebidas: melhor filme, direção, roteiro original, montagem, edição de som e som. O roteirista Mark Boal, também um dos produtores do longa (assim como Kathryn), usou como base para seu script experiências que vivenciou como jornalista na cobertura do confronto no Iraque. Até a abetura do envelope por Tom Hanks, muitos acreditavam que o monstruoso sucesso comercial de Avatar, que venceu os Oscars de melhor fotografia, direção de arte e efeitos especiais, atropelaria a concorrência. Felizmente, o cinema adulto prevaleceu diante do entretenimento high-tech.
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Leonardo DiCaprio estrela A Origem, novo filme de Christopher Nolan, número um das lista da EW.A proximidade do Oscar teve impacto evidente: James Cameron e Kathryn Bigelow,ambos indicados a melhor direção, ocupam, respectivamente, a 3.ª e a 4.ª posições. Não entendi muito bem o porquê Christopher Nolan, de Amnésia e Batman - O Cavaleiro das Trevas, ter ficado no topo do ranking. Talvez em razão de seu novo longa, A Origem (veja foto acima),já um dos mais badalados do ano sem mesmo ter sido lançado. É um thriller de ficção científica estrelado por Leonardo DiCaprio, Ellen Paige e Marion Cotillard.
Faltam à lista, na minha opnião, vários nomes importantes, como Michael Haneke, David Lynch, Wong Kar Wai, Lars Von Trier, Fernando Meirelles, Alejandro Iñarritu e outros. De quem você sentiu falta?
Confira a lista dos "melhores":
1. Christopher Nolan
2. Martin Scorsese
3. James Cameron
4. Kathryn Bigelow
5. Steven Spielberg
6. Quentin Tarantino
7. Peter Jackson
8. Joel e Ethan Coen
9. Pedro Alomdóvar
10. Hayao Miyazaki
11. Clint Eastwood
12. Tim Burton
13. David Fincher
14. Paul Thomas Anderson
15. Guillermo del Toro
16. Steven Soderbergh
17. Jason Reitman
18. Spike Jonze
19. Danny Boyle
20. Ridley Scott
21. Brad Bird (da animação Os Incríveis)
22. Wes Anderson
23. Ang Lee
24. Michael Mann
25. Lee Daniels
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Johnny Depp vive o Chapeleiro Louco na Alice de Tim Burton.O crítico Todd McCarthy, apesar de afirmar que o filme tem momentos mágicos e bem engraçados, alguns até capazes de provocar deslumbramento no espectador, acaba resultando burocrático e mais comum do que promete.
O texto diz que a superprodução não consegue transpor para tela a envergadura e a complexidade do enredo criado por Lewis Carroll em Alice Através do Espelho. O filme reencontra Alice, agora uma jovem que, para escapar de um pedido de casamento indesejado, se perde de novo num mundo de fantasia ao mesmo tempo lúdico e aterrorizante.
A critica alega que o excesso de efeitos especiais em 3D, nos passos do estrondoso êxito Avatar, sufoca a história de Carroll. Mas, ainda assim, poderá levar milhões aos cinemas nas primeiras semanas de exibição, para depois perder o fôlego. Por aqui, o filme estreia no fim de abril.
A The Hollywood Reporter, publicação concorrente,discorda da Variety: em post de hoje, afirma que o filme é "realmente e loucamente maravilhoso".
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Guerra ao Terror está em disparada rumo ao Oscar.Quem acha que o filme é uma defesa à Guerra do Iraque, ou a qualquer guerra, realmente precisa ver o filme de novo. Ou começar a desconfiar da própria percepção. Álém de tudo, é um grande trabalho de direção.
No Bafta, tanto Guerra ao Terror como Avatar tinham recebido oito indicações cada, assim como a produção britânica Educação, que deu a Carey Mulligan o merecido prêmio de melhor atriz.
Dirigido por James Cameron, ex-marido de Bigelow, Avatar acabou conquistando apenas dois prêmios -- design de produção e efeitos especiais.
Parece que o único rival de Guerra ao Terror, que também levou o prêmio do Sindicato dos Roteiristas neste fim de semana,é Bastardos Inglórios.
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Bastardos Inglórios pode surpreender na última hora e levar o Oscar de melhor filme.Os irmãos Weinstein, meio Sopranos e meio Metralhas, andam investindo os tubos na campanha de marketing do longa de Tarantino. Acreditam que, num ano no qual 10 filmes foram indicados, o destino ainda não está selado e tudo pode ocorrer.
Para quem não se lembra, os Weinstein arrancaram a estatueta das mãos de Steven Spielberg quando O Resgate do Soldado Ryan foi atropelado por Shakespeare Apaixonado. Eles são bons de briga e capazes de tudo.
Eu torço por Guerra ao Terror, que alguns leitores do blog compararam ao Jornal Nacional (como assim???). Mas prefiro os Bastardos de Tarantino aos smurfs gigantes de James Cameron.
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Robert De Niro estrela o clássico Taxi Driver, de Martin Scorsese.Sinceramente, não encontro sentido em refazer filmes que se tornaram clássicos. A tecnologia de restauração e remasterização estão tão avançadas que assistir a uma nova cópia, com som e imagem de primeira, já são um enorme privilégio. Não sei se gostaria de ver novas versões de Casablanca, Cidadão Kane ou Jules e Jim.
Claro que a ideia de um diretor inventivo como Von Trier conduzindo um projeto desses é instigantes, mas tenho dúvidas sobre a validade do projeto.
O que vocês acham de remakes? Há algum do qual vocês gostem muito?