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Terça-feira, 22/05/2012

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Central de Cinema

Quem faz o blog
17/05/2012 às 11:47


 / Xingu, épico de Cao Hamburguer sobre os irmãos Villas-Boas, é um dos fracassos do cinema nacional neste ano.Xingu, épico de Cao Hamburguer sobre os irmãos Villas-Boas, é um dos fracassos do cinema nacional neste ano.

Uma suspeita: os curitibanos não curtem muito o cinema brasileiro. Há alguns indícios fortes que sustentam essa hipótese. A partir de dados coletados entre 1.º de janeiro e 31 de setembro de 2011 em dez cidades brasileiras (confira quadro nesta página), o site Filme B, o mais completo portal sobre o mercado cinematográfico do país, constatou que as produções nacionais respondem por apenas 8,9% da audiência curitibana, a menor média entre as praças analisadas, e nenhum dos longas-metragens brasileiros ficou entre os dez mais vistos na capital paranaense. O filme brasileiro mais bem colocado, Cilada.com, ficou em 19.º lugar, com 57.373 pagantes. O campeão de bilheteria em Curitiba foi Os Smurfs, 197.524 ingressos vendidos, batendo Rio, o mais visto no país até então.

Em 2012, a situação na melhorou:grandes lançamentos, como Xingu, de Cao Hamburguer, e Paraísos Artificiais, também naufragaram retumbantemente no nosso circuito.

Assim como Curitiba, Porto Alegre, onde o market share correspondente à produção nacional foi de 10,3%, também não teve nenhum longa brasileiro entre as dez maiores bilheterias no período. O diretor do Filme B, Paulo Sérgio Almeida, não acredita que haja exatamente um preconceito contra o cinema nacional no sul do Brasil, mas é fato que as produções feitas no país têm um desempenho pior na região. Em 2011, filmes brasileiros responderam por 14% do mercado, atingindo médias ainda maiores em cidades como Recife (19,5%), Salvador (19%), Rio de Janeiro (17,3%), Belo Horizonte (15,6) e Manaus (14,5%).

Embora não exista uma razão que explique o comportamento do público em Curitiba ou na capital gaúcha, há algumas hipóteses. A primeira delas, diz Almeida, está relacionada ao perfil dos filmes brasileiros mais vistos neste ano: De Pernas pro Ar, Cilada.com, Bruna Surfistinha, Assalto ao Banco Central e Qualquer Gato Vira-lata. Todos são produções que contam com copatrocínio, utilizado no lançamento e na divulgação, da Globo Filmes, e têm forte sotaque carioca, com o qual o público, tanto em Curitiba quanto em Porto Alegre, teria menor idetificação, afirma Almeida. “Sem falar que De Pernas pro Ar e Cilada.com são filmes muito escrachados, com um tipo de humor que eu acho que não cola aí no Sul.”

Para se ter uma ideia, Cilada.com, apesar de ser o brasileiro mais assistido do ano em Curitiba, teve, na capital paranaense, o menor público entre todas as cidades pesquisadas.

Mas há outros motivos que dificultam as carreiras dos longas brasileiros no Sul. Há, conta o diretor da Filme B, um consenso entre produtores e distribuidores de que Curitiba e Porto Alegre não são boas praças para o cinema nacional. Portanto, os filmes costumam demorar mais para serem lançados e não há tanto investimento na divulgação das produções. “Aqui no Rio, em São Paulo, e mesmo no Nordeste, os diretores e o elenco vão às universidade, às escolas, fazem um corpo a corpo com a comunidade. No Rio Grande do Sul, o Festival de Gramado já teve esse papel, mas não tem mais.”

Assim, cria-se uma espécie de círculo vicioso. Como o público é menor, investe-se menos no lançamento. E, se há uma divulgação mais tímida, a bilheteria é menor. “Quem teria de mudar esse quadro são os filmes, os produtores e distribuidores. Há mercado, mas é preciso investimento na formação de plateia”, afirma Almeida.

Filmes para a família

O mercado curitibano de cinema é um tanto paradoxal. A cidade teve em 2011 a quinta maior renda, entre as grandes cidades brasileiras, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. E conta com um circuito bastante robusto: tem cerca de 15 mil assentos distribuídos em 70 salas de exibição espalhadas pela cidade.

Por outro lado, esse público de quase 4,3 milhões acumulados até a penúltima semana de dezembro, segundo dados da Filme B, parece concentrar seu interesse, primordialmente, em blockbusters, em filmes voltados para a família, crianças e adolescentes. “Detectamos em nossas pesquisas um desinteresse acentuado por filmes de arte em Curitiba, por exemplo.”

Com o fechamento, ao longo dos últimos anos, de cinemas que focavam sua programação nesse tipo de cinema, como o Groff, o Ritz e o Luz, todas salas administradas pela Fundação Cultural de Curitiba, o hábito de assistir a títulos mais autorais parece ter desaparecido em certa medida. “Essa é uma cultura que Curitiba tinha e parece ter se perdido”, diz Almeida.

Além da Cinemateca, apenas o Espaço Itaú de Cinema e o Cineplex Batel abrem algum espaço para essas produções, mas essas salas não chegam a corresponder a 10% do mercado exibidor local, já que nem todas só exibem filmes mais alternativos.

14/05/2012 às 16:05


Divulgação

Divulgação /

O incrível desempenho de Os Vingadores nas bilheterias de todo o mundo já colocou o filme em 11.ª lugar na lista dos filmes com maior renda em todos os tempos: até domingo, havia arrecadado US$ 1,002 bilhão.

Será que o filme merece esse sucesso todo?

08/05/2012 às 15:27


Divulgação

Divulgação / O filme Sangue do meu Sangue, de João Canijo está no festival.O filme Sangue do meu Sangue, de João Canijo está no festival.

Já está no ar o novo site do Olhar de Cinema -- Festival Internacional de Curitiba (www.olhardecinema.com.br)que acontecerá de 29 de maio a 4 de junho, com exibições de curtas e longas-metragens no Espaço de Cinema Itaú e na Cinemateca; debates, no Sesc Paço de Liberdade; e oficinas, no Sesc da Esquina. Na página oficial do evento, além da programação completa, o leitor vai encontrar informações sobre os filmes selecionados, como fichas técnicas completas e prêmios recebidos.

03/05/2012 às 10:57


Clara Gouveia

Clara Gouveia / Breno Silveira: seu À Beira do Caminho foi o grande campeão da noite em Olinda.Breno Silveira: seu À Beira do Caminho foi o grande campeão da noite em Olinda.

Pelo jeito, para ganhar prêmios no Cine PE, que se encerrou ontem em Olinda,a estratégia é ter problemas de projeção na sessão oficial. À Beira do Caminho, grande vencedor do festival (melhor filme, roteiro, ator e ator coadjuvante), e Boca, que ganhou em categorias importantes, como melhor direção e atriz (a recifense Hermila Guedes), enfrentaram esses percalços e acabaram sendo compensados pelo júri.

À Beira do Caminho, de Breno Silveira (de 2 Filhos de Francisco), foi exibido com sérios problemas de som na noite de abertura da mostra competitiva e foi reexibido dias depois. Conta a história de um caminhoneiro (João Miguel, melhor ator), que após sofrer um grande trauma em seu passado, cai na estrada sem olhar para trás. Tudo muda quando cruza seu caminho um garoto (Vinicius Nascimento, melhor ator coadjuvante) que acaba de perder a mãe e está a caminho de são Paulo, onde quer encontrar o pai que nunca conhceu.

Contruída em torno de canções de Roberto Carlos, a narrativa do filme peca pela obviedade do roteiro, que busca a todo custo emocionar o público com situações previsíveis e clichês, pontuada por frases de caminhão. Salvam-se a bela fotografia de Lula Carvalho, premiado por Paraísos Artificiais, e a participação breve, porém marcante, de Dira Paes.

O irregular Boca, de Flávio Frederico (melhor direção), teve seus rolos trocados, a sessão teve de ser interrompida e cancelada, no último domingo, e acabou sendo exibido na terça-feira. Conta a trajetória de Hiroito Joanides (Daniel Oliveira), que foi o rei do crime organizado na região da Boca do Lixo no centro de São Paulo, entre os anos 50 e 60.

Estradeiros, melhor filme segundo a crítica, não ganhou qualquer prêmio do júri. Estranho, não? A decisão do júri parece ter sido política, para apaziguar ânimos.

A boa notícia foi o Prêmio Especial do Júri concedido ao curta-metragem paranaense A Fábrica, de Aly Muritiba. Mais um troféu para a coleção já amealhada pelo filme.

Leia abaixo a lista oficial dos premiados:

OS VENCEDORES DO 16º CINE PE
MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme: “À Beira do Caminho”, de Breno Silveira
Direção: Flávio Frederico (Boca)
Ator: João Miguel (À Beira do Caminho)
Atriz: Hermila Guedes (Boca)
Atriz Coadjuvante: Divana Brandão (Paraísos Artificiais)
Ator Coadjuvante: Vinícius Nascimento (À Beira do Caminho)
Roteiro: Patrícia Andrade (À Beira do Caminho)
Fotografia: Lula Carvalho (Paraísos Artificiais)
Montagem: Quito Ribeiro (Paraísos Artificiais)
Trilha Sonora: BiD (Boca)
Direção de Arte: Alberto Grimaldi (Boca)
Edição de Som: Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima, Armando Torres Jr. (Paraísos Artificiais)
Prêmio Especial do Júri Oficial: ao compositor e músico Jorge Mautner (“Jorge Mautner - O Filho do Holocausto”, de Pedro Bial e Heitor D´Alincourt)
Melhor Filme do Júri Popular: “À Beira do Caminho”
Prêmio da Crítica - “Estradeiros”, de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro
Troféu Gilberto Freyre (honraria especial destinada à produção de longa-metragem que melhor expresse a valorização da identidade nacional): “À Beira do Caminho”.

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS
Melhor Filme: “Até a Vista”, de Jorge Furtado
Direção: Thais Fujinaga (L)
Roteiro: Jorge Furtado (Até a Vista)
Fotografia: André Luiz de Luiz (L)
Montagem: Bruno Bini (Depois da Queda)
Edição de Som: Pablo Lamar (Dia Estrelado)
Trilha Sonora: Everton Rodrigues (Até a Vista)
Direção de Arte: Amanda Ferreira (L)
Ator: Felipe de Paula (Até a Vista)
Atriz: Sofia Ferreira (L)
Melhor Filme do Júri Popular: “Depois da Queda”, de Bruno Bini
Prêmio da Crítica: “Isso Não é o Fim”, de João Gabriel
Prêmio Especial do Júri Oficial: “A Fábrica”, de Aly Muritiba
Prêmio Aquisição do Canal Brasil (no valor de R$ 15 mil para o melhor curta-metragem escolhido por júri composto por jornalistas e críticos de cinema): “Di Melo – O Imorrível”, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro


01/05/2012 às 10:59


Divulgação

Divulgação / Fernando Meirelles recebe homenagem no Cine PE: decepção com Xingu.Fernando Meirelles recebe homenagem no Cine PE: decepção com Xingu.

Homenageado neste ano pelo festival Cine PE, que acontece até amanhã em Olinda, o cineasta Fernando Meirelles confessou estar muito triste com o fracasso de Xingu, filme de Cao Hamburguer que produziu. A superprodução de US$ 14 milhões sobre os irmãos Villas-Boas não deve ultrpassar 400 mil espectadores nos cinemas brasileiros, quando a expectativa era de levar às salas de exibição ao menos 800 mil.

Em decorrência desse fraco desempenho, Meirelles, que pretendia filmar uma adaptação de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, depois de seu próximo filme, Nêmesis, disse que deve engavetar o roteiro de Braulio Mantovani (de Cidade de Deus). Segundo ele, o público brasileiro não estaria interessado nesse tipo de histórias.

O que você acha disso?

28/04/2012 às 17:07


Divulgãção

Divulgãção / Cena de Las Acacias, selecionado para o festival Olhar de Cinema.Cena de Las Acacias, selecionado para o festival Olhar de Cinema.

O festival Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, que acontece de 26 de maio a 4 de junho, divulgou os curtas e longas-metragens da Competitiva Janela Internacional e da Competitiva Olhares Brasil, assim como os jurados de cada categoria.

COMPETITIVA JANELA INTERNACIONAL

(Longas)



Ave (Ave)
De Konstantin Bojanov
Bulgária, 86’, 2011

SINOPSE
Enquanto pede carona de Sofia para Ruse, Kamen conhece Avé, uma garota fugitiva de 17 anos. Em cada carona que pegam juntos, Avé inventa novas identidades para eles, e suas mentiras compulsivas complicam cada vez mais a vida de Kamen. Relutantemente atraido por essa aventura, Kamen começa a se apaixonar por Avé.



Country Music (Musica Campesina)
De Alberto Fuguet
Chile/EUA, 105′, 2011

SINOPSE
Alejandro Tazo, um chileno de trinta e poucos anos, chega de ônibus em Nashville, vindo da costa Oeste dos Estados Unidos. Ele foi assaltado no caminho? Por que ele está ali? Como ele chegou ali? O que ele fará na cidade da música?



Habana muda (Habana muda)
De Eric Brach
França, 61’, 2011

SINOPSE
Esse cuidadoso filme de observação segue Chino, um homem surdo que tenta sustentar sua esposa, também muda, e dois filhos pequenos, em Havana. Chino mantem uma relação aberta com um homem que vive no México e que o ajuda financeiramente. Este triângulo amoroso aos poucos se desenrola cheio de surpresas, algumas vezes inusitadas, e revela motivos complexos que irão perturbar e comover profundamente.



Karen llora en un bus (Karen cries in a bus)
De Gabriel Rojas Vera
Colômbia, 98’, 2011

SINOPSE
Após dez anos de completa dedicação ao seu abastado marido, Karen percebe o quanto que abdicou de sua própria vida. Cansada de tudo isso, ela decide ir embora. Com suas economias ela aluga um quarto no centro de Bogotá e tenta arrumar um emprego, mas sua idade e inexperiência a deixam em desvantagem. Assim, ela precisa decidir se volta a sua vida estável, arriscando perder essa liberdade adquirida ou, se pela primeira vez, enfrenta as crueldades da vida sozinha.



Las acacias (Las acacias)
De Pablo Girogelli
Argetina/Espanha, 85’, 2011

SINOPSE
Estrada entre Assunção, do Paraguai e Buenos Aires. Um caminhoneiro precisa levar consigo uma mulher desconhecida. A mulher não está só. Ela embarca com seu bebê. Restam 1500 Km por percorrer.



Sangue do meu sangue (Blood of my blood)
De João Canijo
Portugal, 140′, 2011

SINOPSE
As dificuldades da vida na periferia de Lisboa e os sacrifícios que duas mulheres estão dispostas a fazer pela sua família. Marcia está determinada a encerrar o ciclo de pobreza de sua família e quando ela descobre que sua filha está namorando um professor mais velho, não medirá esforços para terminar essa relação indesejada.



Snackbar (Snackbar)
De Meral Uslu
Holanda, 83’, 2012

SINOPSE
Ali é dono de uma lanchonete no suburbio de uma grande cidade holandesa, que serve de refúgio para vários jovens descententes imigrantes marroquinos. Esses jovens são violentos e envolvidos com diversos crimes e para eles, Ali é como se fosse um tio, um homem turco mais velho e de confiança; compreensivo, divertido e também rigoroso. Mas e se Ali, com seu vício em jogar gamão, comprometer tudo isso? “Snackbar” é um filme tão duro, divertido, trágico, selvagem e imprevisível como a própria vida.



Sudoeste (Southwest)
De Eduardo Nunes
Brasil, 128’, 2011

SINOPSE
Numa vila isolada do litoral brasileiro onde tudo parece imóvel, Clarice percebe a sua vida durante um único dia, em descompasso com as pessoas que ela encontra e que apenas vivem aquele dia como outro qualquer. Ela tenta entender a sua obscura realidade e o destino das pessoas a sua volta num tempo circular que assombra e desorienta.



The Education (Die Ausbildung)
De Dirk Lütter
Alemanha, 85’, 2011

SINOPSE
Jan é um jovem bastante reservado, tímido e pouco ambicioso. Ele está em seu último ano de treinamento em uma empresa de médio porte e não há nenhuma garantia de um emprego no final desse processo. Preso em um departamento com desempenho ruim, Jan faz tudo o que pode para agradar seu chefe. Mas manter tamanha disciplina e produtividade fica difícil quando ele se apaixona por Jenny, uma colega de trabalho.



Totem (Totem)
De Jessica Krummacher
Alemanha, 86’, 2011

SINOPSE
Uma jovem chamada Fiona vai para uma cidade na região do Ruhr (Alemanha) para trabalhar na casa da família Baur. Pai, mãe, filha e filho vivem suas próprias vidas, co-existentes sem se comunicarem uns com os outros. Ninguém dessa família percebe que Fiona tomou uma decisão importante, apenas o vizinho começa a se preocupar. “Totem” mostra a rotina de uma família saindo do controle com a chegada de uma estranha.



Volcano (Volcano)
De Rúnar Rúnarsson
Islândia, 95’, 2011

SINOPSE
A história de um homem de 67 anos que está envelhecendo. Quando Hannes se aposenta de seu emprego de zelador um vazio se inicia em sua vida. Ele está afastado de sua família, praticamente não tem amigos e a paixão pela esposa desapareceu. Por causa de acontecimentos drásticos, Hannes percebe que ele tem que ajustar sua vida para ajudar alguém que ama. “Volcano” é uma história de amor sobre como lidar com as escolhas do passado e as dificuldades do presente, a fim de abraçar o futuro.



COMPETITIVA OLHARES BRASIL

(Longas)



As hiper mulheres (The hyperwomen)
De Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro
Brasil, 80’, 2011

SINOPSE
Temendo a morte da esposa idosa, um velho pede que seu sobrinho realize o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.



Estradeiros (Wanderers)
De Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira
Brasil/Argentina, 79′, 2011

SINOPSE
Terra à vista.



Girimunho (Swirl)
De Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr
Brasil/Espanha/Alemanha, 90’, 2011

SINOPSE
Bastú perde o marido Feliciano e busca nos sinais do dia a dia e em suas lembranças sentimentos que irão ajudá-la nessa transformação. Maria carrega em seu tambor as tradições de seu povo. Duas senhoras no sertão mineiro fazendo o redemoinho da vida girar.



HU (HU Enigma)
De Pedro Urano e Joana Traub Csekö
Brasil, 78′, 2011

SINOPSE
Um edifício partido ao meio: de um lado, o hospital do outro, a ruína. E no horizonte, a Baía de Guanabara, o Rio de Janeiro, a saúde e educação públicas. Inteiramente filmado no monumental, e apenas parcialmente ocupado, prédio modernista do Hospital Universitário da UFRJ. Uma metáfora em concreto armado da esfera pública brasileira.



Tudo que deus criou (All of God’s Creations)
De André da Costa Pinto
Brasil, 105′, 2012

SINOPSE
Um órfão, uma senhora cega e toda responsabilidade, em assumir uma família, jogada sobre os ombros de um jovem de 23 anos, que passa por um conflito de identidade. O que será que Deus criou pensando em cada um deles?





COMPETITIVA JANELA INTERNACIONAL

(Curtas)



Beast (Csicska)
De Attila Till
Hungria, 20’, 2011

SINOPSE
Balogh, um pequeno agricultor húngaro, domina sua esposa, seus filhos e seu escravo “contratado”. Isolado do resto do mundo em uma fazenda distante em Great Plains, ele tenta manter uma família ideal que formulou a partir de rígidas tradições.



Cross-country (Cross)
De Maryna Vroda
França, 15’, 2011

SINOPSE
No início, o garoto é obrigado a correr. Depois, corre por conta própria. Por fim, contempla outra corrida.



It is nothing (Ce n’est rien)
De Nicolas Roy
Canada, 14’, 2011

SINOPSE
Michel vive com sua filha, Marie. Hoje, suas vidas monótonas se transformam em um drama.



Juku (Juku)
De Kiro Russo
Bolívia/Argentina, 18′, 2011

SINOPSE
Cerca de dez mil pessoas entram diariamente na Posokoni, a maior mina de estanho da Bolívia, e fazem seus caminhos pela escuridão primitiva.



July 1st, An unhappy birthday (七一生日不快樂)
De Miao Li
Hong Kong, 25′, 2011

SINOPSE
Lau foi com sua namorada, Ranya, na última marcha de 01 de julho, em 2010. Este ano eles vão participar novamente da marcha para celebrar esse encontro, o seu aniversário e protestar contra o governo. O alegre dia muda completamente quando Ranya, por acaso, encontra seu colega de classe da China continental.



Late and deep (Late and deep)
De Devin Horan
Noruega/Estados Unidos, 17’, 2011

SINOPSE
Escuridão no norte. Ao acordar, claridade. Sob a vastidão do céu, uma noite de corpos tomados por febre. “Late and deep” é a segunda parte de uma tetralogia que explora os dizeres do escritor existencialista Sadeq Hedayat: “Na vida, é possível tornar-se um anjo, humano ou animal. Eu não tenho nenhuma dessas possibilidades”.



Memórias externas de uma mulher serrilhada (External Memories of an Aliased Woman)
De Eduardo Kishimoto
Brasil, 15’, 2011

SINOPSE
Fragmentos digitais da intimidade de Josi.



Mezanin (Mezzanine) – Premiere América
De Dalibor Matanic
Croácia, 14′, 2011

SINOPSE
Mezanin se passa em uma cidade alienada, ditada por princípios impiedosos da sociedade coorporativa, na qual uma jovem mulher aceita ser reduzida a simplesmente carne humana, pois essa é a única forma de existir dentro do jogo da sobrevivência. A mãe encoraja a filha a embarcar nesse mundo impiedoso, mesmo sendo consciente que sua própria filha está sendo irreversivelmente prejudicada. As duas jogam silenciosamente para alcançar seus objetivos – resolver os problemas da suas existências – ainda que conscientes que as futuras conseqüências serão maiores que as do presente.



Narcocorrido (Narcocorrido)
De Ryan Prows
Estados Unidos, 23′, 2011

SINOPSE
O Narcocorrido é uma balada folclórica mexicana criada por presos para mitificar contos que ilustram o decadente tráfico de drogas ocidental moderno. Quando uma policial da fronteira, gravemente doente, detém um carregamento do crime organizado em uma última disputa por sua sobrevivência, ela se vê representada em um Narcocorrido. Será que ela reconhecerá seu desespero diante dos traficantes ou reprimirá seus sentimentos para sobreviver?



One night with you (Une nuit avec toi)
De Jeanne Leblanc
Canada, 13′, 2011

SINOPSE
Desde a infância Samuel sempre foi gordo. Contudo, aos seus 23 anos, suas fantasias, como a de todos os homens de sua idade, são garotas magras. Diante da indiferença de seus desejos inacessíveis, ele tenta recorrer a Emily, uma jovem mulher na mesma situação.



Could see a puma (Pude ver un puma)
De Eduardo Williams
Argentina, 18′, 2011

SINOPSE
O acidente leva um grupo de garotos dos altos telhados das suas vizinhanças, passando pela sua destruição, às profundezas da Terra.



Tomorrow, Algiers? (Demain, Alger?)
De Amin Sidi-Boumediène
Argélia, 20’, 2011

SINOPSE
Três rapazes discutem nos fundos de um prédio sobre a viagem que um de seus amigos irá fazer e sobre um estranho evento que pode acontecer no dia seguinte. No andar de cima Fouad está fazendo suas malas, sem saber se terá coragem de despedir de seus amigos.



Wind session tiger woman (Wind session tiger woman)
De Paavo Hanninen
Estados Unidos, 11’, 2011

SINOPSE
“Wind session tiger woman” é a história de um jovem que se muda para uma nova cidade somente para constatar que está completamente sozinho. O único contato que ele faz é com uma vizinha de meia idade que vive no andar de baixo. Eles iniciam uma estranha conexão que pode ser mais profunda do que ele deseja.





COMPETITIVA OLHARES BRASIL

(Curtas)



Assunto de família (Family affair)
De Caru Alvez de Souza
Brasil, 13′, 2011

SINOPSE
Domingo. Dia de clássico no campeonato brasileiro. A família de Rossi se organiza em torno da TV. Eunice, sua mãe, olha através da janela enquanto Borges, seu pai, e Cauã, seu irmão mais velho assistem ao jogo. Rossi tenta achar seu lugar na casa.



Dona Sônia pediu uma arma para seu vizinho Alcides (Dona Sonia borrowed a gun from her neighbor Alcides)
De Gabriel Martins
Brasil, 18′, 2011

SINOPSE
Dona Sônia quer vingança.



Entre nós, dinheiro (Between us, money)
De Renan Rovida
Brasil, 25’, 2011

SINOPSE
É churrasco de fim de ano na firma, o Bar do Velho Cuba, e o que era para ser uma festa é trabalho para os funcionários. As relações mediadas pelo dinheiro e pela exploração se juntam ao discurso democrático do patrão e à sua própria ilusão no crescimento econômico do país. Trabalhando, é possível enriquecer? Um dia de “festa” na periferia do Capital.



Na sua companhia (By your side)
De Marcelo Caetano
Brasil, 21’, 2011

SINOPSE
A noite e a solidão estão cheias do diabo. Ai chega você. E a agridoce vida.



Oma (Oma)
De Michael Wahrmann
Brasil, 22′, 2011

SINOPSE
Ela fala alemão, eu falo espanhol. Ela não escuta, eu não entendo.



Praça Walt Disney (Walt Disney Square)
De Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira
Brasil, 21′, 2011

SINOPSE
Boa Viagem, Recife, Pernambuco, 51111-260, Brasil.



Realejo (Barrel organ)
De Marcus Vinicius Vasconcelos
Brasil, 13’, 2011

SINOPSE
A cada lua cheia, um realejo mágico decide o futuro de todos os habitantes de um misterioso planeta. Um desses seres, cansado desta rotina opressora, fará o impossível para mudar sua realidade.



Vereda (Pathway)
De Diego Florentino
Brasil, 20’, 2012

SINOPSE
O pescador paira sobre a correnteza e sobrevive das sobras do amor gasto. Toma pra si a beleza que o mar revolto lhe deu em troca de sua vida.

JURI
JÚRI

Competitiva Janela Internacional

Andrea Tonacci
Nasceu em Roma, Itália. Em 1953 a família transfere-se para São Paulo, onde reside até hoje. Dirigiu e fotografou curtas e médias metragens até 1970 quando realizou o clássico “Bang Bang”. Foi pioneiro na utilização de equipamento de vídeo portátil no Brasil e, entre 1977 e 1984, realiza ampla documentação de culturas indígenas das Américas. Profissionalmente produz, escreve, dirige e fotografa documentários, ficções e institucionais. É pesquisador de linguagem áudio-visual e atualmente dirige a Extrema.



Eloisa Solaas
Formada em Desenho de Imagem e Som (Univerdade de Buenos Aires), Eloísa Solaas colaborou na realização de filmes, desde o desenvolvimento do roteiro, como assistente de direção. Desde 2001 é parte da equipe de produção artística do festival BAFICI (Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente), e desde 2007 é membro do comitê de seleção e programação do mesmo festival. Também é professora de teorias do cinema em diversas faculdades de cinema de Buenos Aires.



Jose Luis Torres Leiva
Realizador chileno com importantes curta metragens e vídeos independentes, tais como “Ningún lugar en ninguna parte” (2004), “Obreras saliendo de la fábrica” (2005), “Trance” (2009), dentre outros com os quais participou de vários festivais internacionais. “O Céu, a terra e a chuva”, seu primeiro longa metragem de ficção, estreou no festival de Rotterdam de 2008, onde foi agraciado com o prêmio FIPRESCI. Seu segundo longa metragem, “Verano”, estreou na seção “Orizzonti” do Festival de Veneza.



JÚRI

Competitiva Olhares Brasil



Fernando Severo
Graduado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda (UFPR) e pós-graduado em Comunicação e Cultura (UTFPR). Ganhou mais de 60 prêmios como diretor de curtas, médias e longas metragem, roteirista e montador, Realizador de filmes de longa, curta e média-metragem como diretor, roteirista e montador, tornando-se um dos mais importantes cineastas paranaenses. Ele também é professor de cinema na FAP e na PUCPR. Desde 2011 ele é o diretor do Museu da Imagem e Som do Paraná.



Leonardo Cata Preta
Leonardo Cata Preta tem 36 anos, é profissional Independente de Cinema e Vídeo, Animador, Ilustrador, Designer e Artista Plástico. O filme Moradores do 304, foi o marco inicial de sua atuação cinematográfica, tendo recebido vários prêmios. Em 2009 produziu o Vídeo Clip Calango na Cidade, do músico Bilora. O Céu no andar de baixo, seu último trabalho como diretor, foi exibido em diversos festivais e mostras nacionais e internacionais e recebeu mais de 30 prêmios em apenas um ano. Atualmente está produzindo seu primeiro curta em live action (Até que não haja mais lugar) e também atua como diretor de arte no primeiro longa mineiro de animação (Nimuendaju).



Lina Chamie
Graduada e mestre em música e filosofia pela Universidade de Nova Iorque, trabalhou durante dez anos no departamento de cinema da universidade. Seu segundo longa metragem, A via láctea, estreou mundialmente na Semana da Crítica, em Cannes, e foi exibido em diversos festivais nacionais e internacionais. Além disso, ela foi professora de cinema na UFSCar e na FAP.


20/04/2012 às 10:57


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E quem disse que reclamar não adianta? Uma semana depois de falar sobre o atraso na estreia de Raul Seixas – O Começo, o Fim e o Meio e Heleno nos cinemas de Curitiba, os dois filmes entraram em cartaz neste fim de semana. Segue meu comentário sobre o belo documentário de Walter Carvalho.

Raul Seixas – O Começo, o Fim e o Meio não vai decepcionar os fervorosos fãs do cantor e compositor baiano, um dos maiores ícones do rock nacional. Mas, ironicamente, o grande acerto do documentário de Walter Carvalho é o de não ter sido feito para eles. O diretor preferiu contrariar a frase de um dos principais, e mais polêmicos, entrevistados do filme, o escritor Paulo Coelho, para quem uma figura das dimensões do roqueiro não teria uma história, e sim uma lenda.

A opção de Carvalho é por problematizar o mito, buscando sua essência mais humana, não para necessariamente desconstrui-lo, mas para dar-lhe complexidade.

Lançado em 23 de março, Raul Seixas – O Começo, o Fim e o Meio já pode ser considerado um sucesso de bilheteria: depois de ter levado 26 mil espectadores aos cinemas no primeiro fim de semana de exibição, vem mantendo ótima média de público, um feito e tanto para um documentário. Esse êxito é mais do que merecido.

Para construir sua narrativa, Carvalho ouviu em torno de 70 fontes, de amigos de infância de Raul na Bahia ao porteiro do edifício onde o cantor deu seu último suspiro no dia 21 de agosto de 1989, aos 44 anos. Também estão no filme suas mulheres, filhas, o único irmão, a mãe, parceiros, amigos e fãs, além de críticos e jornalistas que o entrevistaram.

O diretor e sua equipe incorporaram ao documentário fotos, registros de shows, apresentações em programas de tevê, videoclipes, filmes, entrevistas, além de fotos e documentação em áudio. Ouvimos, por exemplo, a voz de Raulzito, ainda menino, cantando em inglês, já anunciando, em textos rabiscados nos cadernos escolares, que queria ser artista, brilhar no mundo.

Mas essa apuração detalhada não tem como meta uma precisão biográfica científica, mas a costura de um retrato multidimensional, que confirma a genialidade do artista e também a fragilidade do homem por trás de sua excêntrica e provocativa persona pública. O resultado, memorável, comove, faz rir, emociona e encanta em vários momentos. É uma aula de História Cultural do Brasil.

12/04/2012 às 15:39


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Divulgação / O documentário Raul Seixas - O Início,o Fim e o Meio permanece inédito em Curitiba.O documentário Raul Seixas - O Início,o Fim e o Meio permanece inédito em Curitiba.

Curitiba continua no prejuízo quando o assunto é a variedade de filmes em cartaz nas salas de exibição da cidade. Mesmo com a abertura, em 30 de março, do Espaço Itaú de Cinema, que colocou em cartaz obras há muito aguardadas pelos cinéfilos locais, a programação segue em defasagem em relação a outras cidades brasileiras.

Dois títulos nacionais, que mereceram destaque na imprensa nacional nas últimas semanas, permanecem inéditos na capital paranaense. Curiosamente, ambos os filmes falam de personagens importantes da história do país: Heleno, de José Henrique Fonseca, sobre o jogador de futebol Heleno de Freitas; e Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho, que busca desvendar a trajetória do roqueiro baiano.

Atormentado

Estrelado por Rodrigo San­toro, Heleno conta, em preto e branco, a trágica história do atacante Heleno de Freitas, craque do Botafogo e do Vasco que tinha o apelido de “Gilda”, por conta de seu temperamento instável, semelhante ao da personagem da atriz norte-americana Rita Hayworth no filme clássico de Charles Vidor, realizado em 1946.

O longa de Fonseca, em cartaz no país desde 30 de março, em 60 salas, acompanha a vida do atacante nos anos 1940 e 1950, quando ele sonhava defender o Brasil em uma Copa do Mundo. No entanto, a Segunda Guerra Mundial fez com que os campeonatos de 1942 e 1946 fossem cancelados. No Campeonato Mundial de 1950, realizado no Brasil, Heleno estava em declínio e não foi convocado.

Mulherengo e boêmio, Heleno de Freitas ficou conhecido por ser irascível e pela falta de espírito de equipe. Em 1948, foi vendido para o time argentino Boca Juniors, na maior transação do futebol brasileiro registrada até então. Na década seguinte, foi internado como louco em um sanatório em Barbacena (MG), em decorrência de uma sífilis que não havia sido curada, e lá morreu.

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato, por telefone, com a assessoria de imprensa da produção de Heleno, no Rio de Janeiro, e foi informada que o filme deve ser lançado em Curitiba, mas ainda não foi definida a data de estreia na cidade.

Há alguns indícios fortes que sustentam a hipótese de que esse atraso tem a ver com o fato de a capital do Paraná ser considerada um mercado ruim para produções brasileiras. A partir de dados coletados entre 1.º de janeiro e 31 de setembro de 2011 em dez cidades brasileiras, o site Filme B, o mais completo portal sobre o mercado cinematográfico do país, constatou que filmes nacionais respondem por apenas 8,9% da audiência curitibana, a menor média entre as praças analisadas, e nenhum dos longas-metragens brasileiros ficou entre os dez mais vistos na capital paranaense.

Esperança

Mas nem todas as notícias são ruins. O documentário Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio, que fez 83 mil espectadores até o fim de semana passado no país, um ótimo público para o gênero, deve estrear em Curitiba nos dias 20 ou 27 de abril, segundo previsões de sua assessoria.

O filme de Walter Car­valho, que estreou em 23 de março, é considerado um sucesso: em exibição em apenas 36 salas no país, manteve uma ótima média de 421 espectadores por sessão, superior à de Xingu (393), superprodução de Cao Hamburguer que estreou em 6 de abril, com um total de 77 mil ingressos vendidos, número bem abaixo do esperado.

Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio, premiado na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, desvenda diversas facetas de Raul, como as parcerias com Paulo Coelho, seus casamentos, a fase do sucesso e o impacto de suas composições sobre gerações de fãs.

04/04/2012 às 14:04


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Divulgação / Mia Wasikowskabrilha como a protagonista do filme.Mia Wasikowskabrilha como a protagonista do filme.

Joan Fontaine, em 1940, e Charlotte Gainsbourg, 56 anos mais tarde, foram duas das muitas atrizes que já viveram o papel de Jane Eyre, um dos personagens mais importantes e emblemáticos da literatura inglesa do século 19, protagonista do romance que leva seu nome, escrito por Charlotte Brontë. A mais recente adaptação do livro, e uma das melhores, é estrelada pela talentosa australiana Mia Wasikowska (de Alice no País das Maravilhas) e acaba de chegar às locadoras.

A trama é, basicamente, a mesma do romance publicado em 1847. Jane, que no romance conta a própria história, é órfã de pai e mãe e vive na casa de uma tia (Sally Hawkins, de Simplesmente Feliz) que, por alguma razão, a hostiliza e humilha o tempo todo. Quando o relacionamento entre as duas se torna intolerável, Jane é expulsa de casa e enviada a uma escola, onde descobre o prazer da leitura e, aos poucos, conquista um pouco de autoestima. Depois de se formar e trabalhar por dois anos como professora, ela decide, enfim, retornar ao mundo.

Acaba sendo contratada como preceptora da jovem Adèle, a pupila de Edward Rochester (Michael Fassbender, de Shame), proprietário de uma grande residência rural no interior da Inglaterra, chamada Thornfield Hall. Arredio e misterioso, Rochester parece, em princípio, refratário à presença de Jane, mas acaba se rendendo à sua beleza tímida e a sua personalidade capaz de se impor ainda que com serenidade.

Um segredo no passado de Rochester impede que ele e Jane se unam e ela resolve fugir, se expondo a todo tipo de dificuldades, como o frio e a fome, até encontrar refúgio na casa de St John Rivers (Jamie Bell, o garoto, agora crescido, de Billy Elliot), de quem descobrirá ser aparentada e que se apaixonará por ela.

Heroína arquetípica da literatura da época, mais assertiva e potente que Catherine Earnshaw, protagonista de O Morro dos Ventos Uivantes, outro clás­­sico do período, assinado por Emily Brontë, irmã de Charlotte, Jane se alinha mais às personagens femininas de Jane Austen, mais do início do século 19, ainda que essas sejam menos dramáticas. Mas também é uma jovem que busca escrever o próprio destino.

O que diferencia este Jane Eyre, dirigido pelo norte-americano Cary Fukunaga (do ótimo Sin Nombre), é o ótimo roteiro de Moira Buffine (de O Retorno de Tamara), que rompe a linearidade cronológica da história original, o que lhe acrescenta uma dose generosa de suspense, ainda que seja uma trama célebre, de domínio público. Outros trunfos são a bela direção de fotografia do brasileiro Adriano Goldman (de Xingu, que estreia na sexta-feira, e 360, novo filme de Fernando Meirelles), que reconstitui o clima de bruma e sombras do romance, e os figurinos de Michael O’Connor (de A Duquesa), indicados ao Oscar deste ano.

Além disso, Mia e Fas­­sbender têm química perfeita, dando a Jane Eyre uma certa (e bem-vinda) dose de erotismo, ausente na maioria das versões anteriores.

Enquete: Qual sua adaptação literária favorita? Por quê?

31/03/2012 às 10:48


Divulgãção

Divulgãção / A espacialidade tem papel fundamental no filme em 3d de Wim Wenders.A espacialidade tem papel fundamental no filme em 3d de Wim Wenders.

Quem gosta de documentários biográficos em tom didático-pedagógico, que contam a vida do personagem do berço ao túmulo, vai ficar confuso, senão decepcionado, diante da experiência de assistir a Pina. O filme de Wim Wenders, que estreou ontem no Espaço Itaú de Cinema, faz questão de não ser uma obra sobre a coreógrafa alemã, que morreu em 2009, aos 68 anos, de câncer. É dedicado a ela e ao seu legado, o abordando como organismo vivo, pulsante e em movimento, para além da existência da artista.

“Seja um pouco mais louco” ou “Supreenda-me” são alguns dos conselhos que Pina costumava dar a seus bailarinos, que são ao mesmo tempo personagens e atores no comovente espetáculo audiovisual regido pelo diretor de Asas do Desejo (1997). Em alemão, russo, inglês, francês, português, espanhol ou japonês, entre outros idiomas, eles contam, muitas vezes em depoimentos sobrepostos a suas próprias imagens em silêncio, sobre o impacto transformador de terem convivido e compartilhado experiências criativas com Pina, para quem o trabalho era uma obsessão, um vício.

Faz sentido que, ao embarcar no Tanztheater, nome da companhia da coreógrafa, eles estivessem assinando um contrato que também previa profundos mergulhos existenciais. Uma das fundadoras de uma vertente da dança que dialoga intensamente com outras manifestações das artes cênicas, Pina queria mais do que pensar o movimento: buscava conhecer as motivações que o desencadeiam, para talvez, em certa medida, compreendê-las.

Por conta dessa busca pelo por vezes imponderável por trás do gesto, é totalmente justificável que Wenders tenha optado por realizar Pina em 3D. Afinal, é uma obra tridimensional em todos os sentidos. O recurso, que muitas vezes tem sido usado por mero exibicionismo tecnológico, pouco ou nada acrescentando aos filmes, aqui se revela essencial: capta, em detalhes, desde feixes de músculos que se movem a cada gesto até a respiração que acompanha expressões faciais, tão importantes ao conjunto da obra quanto saltos, quedas e contorções que tanto expressam por meio do corpo.

Também em decorrência do uso muito inteligente do 3D, o espectador se dá conta da importância da espacialidade no trabalho de Pina Bausch. Como seu foco sempre foi o humano, mas jamais o desvinculando do mundo, o entorno das coreografias é fundamental. Seja em palcos tradicionais, à beira de piscinas ou cânions, nas calçadas das ruas ou no algo surreal bonde suspenso de Wuppertal, cidade-sede do Tanztheater, os números de dança presentes no filme falam tanto das pessoas quanto do que as cercam. E a profundide de campo possibilitada pela tridimensionalidade nos permite estar mais próximos do que está na tela – e em vários sentidos.

Wenders, buscando escapar do acadêmico, do previsível, faz questão de trazer para o filme algumas das obras-primas de Pina, que só aparece em imagens documentais, cigarro em riste, sempre soberana como um espírito que paira e permeia o filme, sem se impor como protagonista. Está lá o Café Müller, obra magistral sobre solidão, incomunicabilidade e amor, dançada entre cadeiras ao som da música do compositor barroco Henry Purcell (1659-1695). Também aparece no documentário a desconcertante e ousada versão do Tanztheater para A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky (1882-1971), coreografada em 1913 por Vaslav Nijinsky. Mas nenhuma das peças surge inteira, linearmente, porque o intento do diretor alemão é transcender o registro e usar a criação como parte orgânica de um discurso sobre a criadora, sem defini-la, classificá-la.

Por fim, o que Pina revela de mais importante em sua estrutura fragmentada, pelo menos para mim, é o espírito libertário da artista. Avessa a fronteiras de qualquer ordem, tinha em sua companhia bailarinos de todo o mundo – que dão seus depoimentos no idioma que preferem – e das mais diversas faixas etárias. Uma das integrantes conta que Pina a fez descobrir a beleza e as muitas possibilidades de seu corpo de mais de 40 anos. E é um homem maduro, com o belo rosto marcado pelo tempo, que executa uma coreografia minimalista, porém muito expressiva, ao som da voz macia de Caetano Veloso, que canta “O Leãozinho”.

Outra bailarina, um pouco mais jovem, negra e brasileira, diz à câmera que sua forma de prestar tributo a Pina foi tentando materializar o intangível frente a sua ausência: a leveza, que ganha corpo e movimento em saltos, quase voos, entre cadeiras (elas de novo!) que tombam enquanto o corpo e seus movimentos triunfam em um momento de indiscritível beleza. Um entre tantos.

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