Quinta-feira, 11/03/2010
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Colin Firth e Julianne Moore: grandes atuações.O ator britânico Colin Firth (de Simplesmente Amor), em desempenho indicado ao Oscar e premiado pelo Bafta e pelo Festival de Veneza, arrasa em um papel muito difícil. Ele é George, um professor universitário inglês, radicado na Los Angeles do início da década de 60, que perde seu companheiro, o arquiteto Jim (Mathew Goode, de Match Point), com quem estava há 16 anos, num acidente de carro. A tragédia lhe tira o chão: acordar e levantar-se da cama todos os dias vira uma tortura; o simples ato de respirar é doloroso.
Diante do imenso vazio deixado pela morte de Jim, George decide se matar.
Perfeccionista e meticuloso, ele planeja tudo nos mínimos detalhes, mas a vida insiste, por meio de intervenções externas e simbólicas, em dissuadi-lo. Charlie (Julianne Moore), a melhor amiga e ex-namorada de adolescência, tenta, sem muito êxito, tirá-lo da depressão. Um aluno, o inquieto e arrebatado Kenny (Nicholas Hoult), parece lhe devotar um inesperado afeto que pode representar uma boia salva-vidas. O poço de tristeza em que George está mergulhado, entretanto, é profundo e escuro.
Por vezes hipnótico e sempre lindo de olhar, Direito de Amar anuncia o surgimento de um diretor talentoso. Disso não há dúvidas. Menos por seu relativo maneirismo formal, provavelmente resultado da exposição do estilista a referências que vão de Pedro Almodóvar (Tudo sobre Minha Mãe) e Wong Kar Wai (Amor à Flor da Pele), passando por Terence Davies (Vozes Distantes). E bem mais em decorrência de suas habilidades de dirigir atores (as atuações de Firth e Julianne são brilhantes) e transpor com grande impacto emocional a história do escritor britânico Christopher Isherwood, também autor da obra que originou o musical Cabaré..
Quando se libertar da obrigação de buscar a beleza em cada frame e permitir que a imperfeição também encontre seu lugar na tela, Ford dará um passo importante para se tornar um grande diretor. Mas já fez de Direito de Amar uma estreia memorável.
Reuters
Guerra ao Terror, produção independente lançada sem muito alarde no primeiro semestre de 2009, provou que Davi pode, sim, derrubar o gigante Golias, mesmo quando o campo de batalha é Hollywood. Na esteira de uma sucessão de prêmios da crítica, o longa de Kathryn Bigelow conquistou os votantes da Academia ao retratar a Guerra do Iraque de um ponto de vista muito particular e crítico: usa como microcosmo um esquadrão anti-bombas que vive sob eterna pressão num território literal e figurativamente minado. Nem mesmo nos Estados Unidos a presença norte-americana no país do Oriente Médio é vista hoje em dia com bons olhos.
Guerra ao Terror era, com certeza, o mais consistente entre os dez indicados a melhor filme e mereceu todas as seis estatuetas recebidas: melhor filme, direção, roteiro original, montagem, edição de som e som. O roteirista Mark Boal, também um dos produtores do longa (assim como Kathryn), usou como base para seu script experiências que vivenciou como jornalista na cobertura do confronto no Iraque. Até a abetura do envelope por Tom Hanks, muitos acreditavam que o monstruoso sucesso comercial de Avatar, que venceu os Oscars de melhor fotografia, direção de arte e efeitos especiais, atropelaria a concorrência. Felizmente, o cinema adulto prevaleceu diante do entretenimento high-tech.
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Leonardo DiCaprio estrela A Origem, novo filme de Christopher Nolan, número um das lista da EW.A proximidade do Oscar teve impacto evidente: James Cameron e Kathryn Bigelow,ambos indicados a melhor direção, ocupam, respectivamente, a 3.ª e a 4.ª posições. Não entendi muito bem o porquê Christopher Nolan, de Amnésia e Batman - O Cavaleiro das Trevas, ter ficado no topo do ranking. Talvez em razão de seu novo longa, A Origem (veja foto acima),já um dos mais badalados do ano sem mesmo ter sido lançado. É um thriller de ficção científica estrelado por Leonardo DiCaprio, Ellen Paige e Marion Cotillard.
Faltam à lista, na minha opnião, vários nomes importantes, como Michael Haneke, David Lynch, Wong Kar Wai, Lars Von Trier, Fernando Meirelles, Alejandro Iñarritu e outros. De quem você sentiu falta?
Confira a lista dos "melhores":
1. Christopher Nolan
2. Martin Scorsese
3. James Cameron
4. Kathryn Bigelow
5. Steven Spielberg
6. Quentin Tarantino
7. Peter Jackson
8. Joel e Ethan Coen
9. Pedro Alomdóvar
10. Hayao Miyazaki
11. Clint Eastwood
12. Tim Burton
13. David Fincher
14. Paul Thomas Anderson
15. Guillermo del Toro
16. Steven Soderbergh
17. Jason Reitman
18. Spike Jonze
19. Danny Boyle
20. Ridley Scott
21. Brad Bird (da animação Os Incríveis)
22. Wes Anderson
23. Ang Lee
24. Michael Mann
25. Lee Daniels
Divulgação/Disney
Johnny Depp vive o Chapeleiro Louco na Alice de Tim Burton.O crítico Todd McCarthy, apesar de afirmar que o filme tem momentos mágicos e bem engraçados, alguns até capazes de provocar deslumbramento no espectador, acaba resultando burocrático e mais comum do que promete.
O texto diz que a superprodução não consegue transpor para tela a envergadura e a complexidade do enredo criado por Lewis Carroll em Alice Através do Espelho. O filme reencontra Alice, agora uma jovem que, para escapar de um pedido de casamento indesejado, se perde de novo num mundo de fantasia ao mesmo tempo lúdico e aterrorizante.
A critica alega que o excesso de efeitos especiais em 3D, nos passos do estrondoso êxito Avatar, sufoca a história de Carroll. Mas, ainda assim, poderá levar milhões aos cinemas nas primeiras semanas de exibição, para depois perder o fôlego. Por aqui, o filme estreia no fim de abril.
A The Hollywood Reporter, publicação concorrente,discorda da Variety: em post de hoje, afirma que o filme é "realmente e loucamente maravilhoso".
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Guerra ao Terror está em disparada rumo ao Oscar.Quem acha que o filme é uma defesa à Guerra do Iraque, ou a qualquer guerra, realmente precisa ver o filme de novo. Ou começar a desconfiar da própria percepção. Álém de tudo, é um grande trabalho de direção.
No Bafta, tanto Guerra ao Terror como Avatar tinham recebido oito indicações cada, assim como a produção britânica Educação, que deu a Carey Mulligan o merecido prêmio de melhor atriz.
Dirigido por James Cameron, ex-marido de Bigelow, Avatar acabou conquistando apenas dois prêmios -- design de produção e efeitos especiais.
Parece que o único rival de Guerra ao Terror, que também levou o prêmio do Sindicato dos Roteiristas neste fim de semana,é Bastardos Inglórios.
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Bastardos Inglórios pode surpreender na última hora e levar o Oscar de melhor filme.Os irmãos Weinstein, meio Sopranos e meio Metralhas, andam investindo os tubos na campanha de marketing do longa de Tarantino. Acreditam que, num ano no qual 10 filmes foram indicados, o destino ainda não está selado e tudo pode ocorrer.
Para quem não se lembra, os Weinstein arrancaram a estatueta das mãos de Steven Spielberg quando O Resgate do Soldado Ryan foi atropelado por Shakespeare Apaixonado. Eles são bons de briga e capazes de tudo.
Eu torço por Guerra ao Terror, que alguns leitores do blog compararam ao Jornal Nacional (como assim???). Mas prefiro os Bastardos de Tarantino aos smurfs gigantes de James Cameron.
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Robert De Niro estrela o clássico Taxi Driver, de Martin Scorsese.Sinceramente, não encontro sentido em refazer filmes que se tornaram clássicos. A tecnologia de restauração e remasterização estão tão avançadas que assistir a uma nova cópia, com som e imagem de primeira, já são um enorme privilégio. Não sei se gostaria de ver novas versões de Casablanca, Cidadão Kane ou Jules e Jim.
Claro que a ideia de um diretor inventivo como Von Trier conduzindo um projeto desses é instigantes, mas tenho dúvidas sobre a validade do projeto.
O que vocês acham de remakes? Há algum do qual vocês gostem muito?
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As crianças em A Fita Branca representam mais do que inocência.Indicado a dois Oscars, melhor filme estrangeiro e fotografia, além de vencedor do Globo de Ouro e da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009, o filme busca encontrar em uma história ocorrida às vésperas da Primeira Guerra Mundial, em 1913, indícios de que já havia, nessa época, na sociedade alemã, sintomas de algo que fermentava sob a superfíce.
A trama de A Fita Branca se desenrola em um vilarejo protestante no norte da Alemanha. Numa paisagem bucólica, de aparente tranquilidade, incidentes estranhos começam a ocorrer.
O médico da aldeia se machuca feio ao cair do cavalo, derrubado por um fio de arame estendido de propósito entre duas árvores nas proximidades de sua casa. O filho pequeno do barão, rico proprietário de terras que domina a economia da região, é encontrado em um celeiro, pendurado nu e de cabeça para baixo, depois de ser chicoteado. Esses crimes desencadeiam um clima de crescente suspeita entre os moradores da localidade.
Toda a obra de Heneke (de Caché), discute três temas fundamentais na obra do cineasta, nascido em Munique (Alemanha), mas criado na vizinha Áustria. São eles: culpa, responsabilidade e confronto entre gerações. No caso de A Fita Branca, os três elementos são evidentes.
Na medida em que a história avança, e novos incidentes ocorrem no vilarejo, torna-se claro que a Alemanha atravessa um período de gestação de algo que ainda não tem nome, mas se manifesta por meio de vários sintomas. O principal deles é o autoritarismo e a violência com que essa conduta vem à tona.
Esse intenso desejo pela ordem inquestionável está encarnada em personagens-chave. No todo-poderoso barão, que oprime a esposa e explora seus empregados, impondo-lhes jornadas extenuantes de trabalho e os remunerando com migalhas.
Mas esse despotismo se dá de forma mais simbólica na figura do pastor, suposto líder espiritual da comunidade. É ele que amarra as mãos do filho adolescente para que não se masturbe à noite. Também é ele que, todas as vezes que seus vários filhos o contrariam e apresentam qualquer desvio de conduta, uma traquinagem que seja, os pune com o chicote em nome de Deus. Para lembrá-los que devem ser puros, imaculados, amarra (como as braçadeiras nazistas) uma fita branca ao redor dos seus braços.
Uma obra-prima instantânea, A Fita Branca estaria para a obra de Haneke assim como Fanny e Alexander está para a filmografia de Ingmar Bergman, cineasta que exerceu enorme influência sobre o austríaco.
Para Heneke, o modelo de autoridade representado pelo pastor, assim como seus métodos violentos, tanto no plano físico quanto no emocional, marcou profundamente os filhos desses pais retratados em A Fita Branca. Essas crianças, personagens de grande importância no filme, tornariam-se, ao término da Primeira Guerra Mundial, a geração que consolidaria o Nacional Socialismo.
O conteúdo explosivo de A Fita Branca ganha densidade graças ao genial roteiro de Haneke, mas também por meio do excepcional trabalho de fotografia de Christian Berger.
Rodado em preto-e-branco, com o máximo do uso de iluminação natural, o longa-metragem consegue materializar por meio de imagens que colam na memória do espectador. Narrado em tom de reminiscência confessional pelo antigo professor da aldeia, agora um ancião, a história, em princípio, parece se desenrolar em um passado mais distante do que na verdade é.
A Fita Branca fala de verdades escondidas, enterradas, e de mistérios não-desvendados, muitas cenas internas (vida privada) são propositalmente escuras. Ao ponto de o espectador mal conseguir divisar o que se passa sobre a tela. Como na sequência em que o filho pequeno do médico do vilarejo acorda no meio da noite e, sem encontrar a irmã adolescente no quarto, sai tateando pela casa, em busca da menina. O que ele não vê, inclusive seu futuro, é terrível.
Divulgação/Sony
Precious representa o estado de opressão a que milhões de jovens afro-americanas estão condenadas, mergulhadas em miséria e negligência emocional. A grande diferença entre os dois longas-metragens, além das dezenas de décadas que separam as histórias que contam, são os pontos de vista adotados pelos diretores que as assinam. Enquanto A Cor Púrpura (1985), apesar de belo e comovente, tem a marca do idealismo algo ingênuo de Steven Spielberg, deslumbrado com uma cultura que não é a sua, Preciosa é bem mais cru e, sobretudo, inventivo na forma. Talvez porque o ainda pouco conhecido Lee Daniels seja negro e tenha vivenciado na pele a realidade -- o bairro nova-iorquino do Harlem nos anos 80 --- que decidiu levar à tela.
Escapando da tentação de fazer de seu longa um estudo sociológico,ou uma obra de denúncia, Daniels permite ao espectador um mergulho na subjetividade de Precious. O ótimo trabalho de edição costura de forma orgânica o cotidiano da personagem a suas digressões fantasiosas e escapistas. Quando o mundo parece desabar sobre sua cabeça, ela sonha estar em um videoclipe, na vant-première de um filme ou dançando com um rapaz de pele mais clara do que a dela, capaz de resgatá-la do inferno em que vive. É quando vem à tona a porção adolescente de alguém cuja infância lhe foi usurpada sem piedade.
Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe), a protagonista do filme, tem 16 anos, é obesa mórbida e, apesar de ir à escola todos os dias, não consegue aprender. Teve sua primeira filha, portadora da Síndrome de Down, aos 12 anos. Além de ter sido, desde a infância, estuprada pelo pai, Precious também sofre em seu dia a dia toda a espécie de abuso por parte da mãe (Mo'Nique, em desempenho extraordinário), que não a perdoa por ter lhe "roubado seu homem".
Quando a direção da escola de Precious descobre que ela está grávida de novo, a suspendem e a encaminham a outra instituição de ensino, um colégio alternativo onde terá atenção individualizada. A mãe prefere que a garota abandone os estudos e passe, como ela própria, a receber dinheiro da Previdência Social.
Críticado por parte da comunidade afrodescendente por reforçar estereótipos dos negros que vivem nas grandes cidades americanas, Precious causou furor no Festival de Sundance de 2009, onde recebeu diversos prêmios, e está indicado a seis Oscars, inclusive melhor filme, direção, atriz e atriz coadjuvante. É um filme forte, moderno visual e narrativamente, com excelentes interpretações e a coragem de não dourar a pílula. Resulta numa obra devastadora e necessária.
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O novato Jeremy Renner vive o personagem central de Guerra ao Terror.Indicado a nove Oscars (veja quadro), o drama bélico de Kathryn Bigelow não foi um grande sucesso ao ser lançado no primeiro semestre de 2009. Havia sido exibido no Festival de Veneza do ano anterior e, apesar das unânimes resenhas positivas, teve o mesmo fim de outros longas que ousaram discutir a Guerra do Iraque, como No Vale das Sombras, de Paul Haggis. Teve breve vida útil nos cinemas, acumulando uma bilheteria tímida de US$ 16 milhões. Esse desempenho talvez justifique o fato de Guerra ao Terror ter sido lançado direto em DVD no Brasil.
Laureado pelas associações de críticos nos EUA e, agora, pela Academia de Hollywood, o magistral longa-metragem de Kathryn Bigelow chega às telas do Brasil, onde merece ser visto até mesmo por quem já teve a chance de vê-lo em casa.
Tenso, vigoroso e envolvente da primeira à última cena, Guerra ao Terrornão discute a política externa americana o u mesmo se a intervenção militar no Iraque é justa ou não. Prefere – aos moldes de clássicos do gênero como Johnny Vai à Guerra, Apocalipse Now e Nascido para Matar –desvelar o absurdo de todo e qualquer conflito bélico. Para isso, centra seu foco em um esquadrão antibombas dos EUA.
Na primeira e eletrizante sequência, vê-se um oficial (Guy Pearce), especialista em desarmar artefatos explosivos, enfrentando uma missão da qual não sairá ileso. Para substitui-lo, entrará em cena o intrépido oficial William James (o novato Jeremy Renner, indicado ao Oscar de melhor ator). Sua postura entre a arrogância e a psicopatia tira seus companheiros do sério: ele parece obter prazer em estar no limite entre a vida e morte, colocando todos em risco.
Sem cair no panfletário ou ceder à tentação de apontar mocinhos e bandidos, Kathryn Bigelow, escorada pelo excelente roteiro de Mark Boal, perscruta a subjetividade dos seus personagens. Sobretudo o complexo e atribulado relacionamento entre William e os dois outros soldados da mesma unidade, o rígido JT (Anthony Mackie) e o frágil Owen (Brian Geraghty). Investe nas particularidades desse microcosmo, dissecando-o em detalhes, para refletir sobre um tema universal e atemporal. Fez o melhor filme americano de 2009.
ATUALIZADOhá 8h
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ATUALIZADOhá 8h
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