Domingo, 01/08/2010
Divulgação
Anna Kendrick e George Clooney: voo solitário.O que aproxima Clooney de todo e qualquer ser humano, em algum aspecto, é sua capacidade de autoengano e o medo. Ele prefere quartos de hotéis a uma casa de verdade. Relacionamentos ocasionais, movidos a desejo e sexo, a intimidade, afeto e amor. Com a família, opta por se relacionar à distância, por telefone. Sem amarras. Tanto que, ao ser convidado pela irmã mais nova para seu casamento, tem receio de não ter o que dizer, não saber como se comportar.
Mais importante para ele é acumular 10 milhões de milhas em seu cartão de fidelidade, um recorde que lhe dará privilégios, prêmios e, simbolicamente, legitimará sua condição de desapego crônico de tudo e todos. É mais fácil, aparentemente, viver assim. Só. Quem nunca teve essa dúvida?
A vida de Bingham começa a mudar quando entra em cena Natalie (Anna Kendrick, da Saga Crepúsculo), uma jovem brilhante e ambiciosa que apresenta ao patrão uma forma de continuar demitindo gente mundo afora gastando bem menos. O processo pode ser feito on-line, com uma webcam. Bingham se revolta. Acha o método desumano, mas, no fundo, a possibilidade de parar de viajar é que o apavora. Com os pés em terra firme, terá de pensar em si mesmo, na vida que não tem.
Nesse mesmo momento, também atravessa seu caminho a sedutora Alex (Vera Farmiga, de Os Infiltrados), que diz ser uma versão feminina dele. Deseja viver uma história entre aeroportos, sem vínculos ou obrigações. Outro engodo entre muitos.
O grande trunfo do ótimo filme de Jason Reitman (de Obrigado por Fumar e Juno), cotado para múltiplas indicações ao Oscar, é sua contemporaneidade de forma e conteúdo. Tem uma edição ágil, pontuada pela transitoriedade geográfica - cada situação vivida pelo protagonista, cada sequência do longa, vem acompanhada de um voo, de uma cidade.
Os diálogos são muito bem escritos, mas não se sobrepõem à trama, ao dilema existencial de Bingham. Isso é raro: parece que bons roteiristas, capazes de produzir falas memoráveis acabam sendo vítimas do próprio talento. Parece que o enredo está a serviço da perspicácia, do humor, da inteligência do roteirista. Os filmes escritos por Woody Allen, Charlie Kaufman, pelos irmãos Coen e por Quentin Tarantino, embora muitas vezes brilhantes, estão sempre a lidar com esse risco.
Da pertinência de sua trama que Amor sem Escalas tira grande força. Fala do fantasma do desemprego em um momento de grande recessão nos Estados Unidos e de individualismo e desapego em tempos de internet e relações virtuais. E resiste à tentação de arriscar um desenlace edificante, redentor. Bingham (Clooney, em um grande desempenho) se percebe errado, à deriva e medroso. Tenta mudanças, corre riscos, mas seu destino é incerto. Como o nosso.
Amor sem Escalas pode não ser um grande filme, como Guerra ao Terror, ou um filme grande, como Avatar. Mas é um dos melhores deste ano.
Excelente filme, Paulo. Apesar do título chinfrim em português, eterna falha de quem trabalha no setor, a história simples e bem encadeada faz de "Amor sem Escalas" um filme muito melhor que "Avatar". Este último, me perdoem os fãs, nada mais é que um "Dança com Lobos" cheio de efeitos especiais. E George Clooney deve ter se sentido confortável no papel, já que o personagem tem um estilo de vida parecido com o dele.
Vagão | 24/01/2010 | 04:42Fui levado pela minha namorada ao cinema ver esse filme, ja contrariado, a começar pelo nome do filme (tristes "adaptações" para o nosso idioma), mas saí do cinema extasiado com a atuação do Clooney (nenhum ouro ator poderia ter se encaixado melhor no papel), e a história que se passa no filme, realmente soberba, uma pena é ele ter uma linha de raciocínio, uma ideologia, e se deixar levar por uma mulher, acabando com todo o "caminho" que traçava para sua vida, enfim, brilhante filme !
Doralice Araújo | 22/01/2010 | 11:13"Amor sem escalas" já ganhou a minha atenção, Paulo; vou ao cinema na primeira oportunidade. Abraço.
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