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25/08/2008 às 14:55
Com o fim das Olimpíadas, todas as atenções internacionais se voltam para as eleições nos Estados Unidos. Barack Obama já definiu seu candidato a vice, o senador democrata Joseph Biden. O vice de John McCain deve ser conhecido até sexta-feira. Alguns grandes jornais brasileiros publicaram no fim de semana edições especiais sobre a disputa nos EUA. A Folha de S. Paulo trouxe um caderno especial no domingo. A Gazeta do Povo dedicou a edição de sábado do Caderno G "Idéias" ao tema. O Certas Palavras reproduz dois artigos publicados no "Idéias", com pontos de vista distintos sobre os dois candidatos. Se posicione.
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A nova face dos EUA
Célio Martins
Scott Morgan/AFP
Oligarquia. Essa palavra, que designa os regimes políticos em que um pequeno grupo de pessoas se perpetua no poder, traduz a realidade dos Estados Unidos nos dias de hoje. Os conservadores governaram o país por 20 anos nas últimas três décadas. Os Bush ficaram no topo durante 12 anos.
A constatação do predomínio dos republicanos na história recente dos EUA, no entanto, não é suficiente para afirmar que a eleição de um democrata possibilitará a união de uma sociedade profundamente dividida entre o grotão e o cosmopolita, o urbano e o rural, o materialismo e a religiosidade.
Barack Obama e John McCain são peças de uma mesma engrenagem. São partes inseparáveis do império mais poderoso da história da humanidade.
E como explicar a preferência de grande parte dos eleitores dos EUA por um afro-americano e filho de pai muçulmano diante de um concorrente branco e que simboliza tradições profundas da nação?
Uma explicação razoável seria a busca pela superação dos erros do passado e do presente. Muitos norte-americanos vêem em Obama uma grande chance de reverter a crise que se instalou no país, hoje odiado por vários outros povos.
É exatamente nesse ponto, o da construção do entendimento e da paz, que ficam evidentes as diferenças entre Obama e McCain. Os defensores do republicano argumentam que, por ser veterano de guerra, o aliado de George W. Bush reúne as condições para conduzir a bom termo os conflitos com os países asiáticos. Do lado democrata, quem apóia Obama está convencido de que ele, um político jovem, filho de negro e sem os vícios das antigas gerações, poderá desfazer os equívocos do atual governo e iniciar um novo ciclo de relações internacionais. Com Obama a diplomacia iria se sobrepor aos tanques e às bombas.
No campo da economia, muito se questiona a capacidade de Obama para fazer as mudanças necessárias. Os norte-americanos já deram mostra de que estão cansados dos erros de Bush e esperam, mais do nunca, que os EUA voltem a ser a locomotiva do planeta. Opositores e muitos analistas apontam a falta de experiência executiva do democrata como um entrave para a realização das mudanças. Mas qual a experiência de gestão de McCain? Bush era “experiente” – foi governador do Texas – e arrasou com as finanças do país.
A popularidade de Obama não se dá simplesmente pela sua aparência de astro pop – McCain o comparou a estrelas de Hollywood, como Britney Spears e Paris Hilton. Celebridades à parte, a realidade é que o candidato democrata está livre das acusações que pesam sobre os republicanos, que deixaram em segundo plano temas relevantes, como o aquecimento global.
Talvez esses detalhes justifiquem o fato de muitos estudantes norte-americanos estarem ligados e mobilizados por Obama. Eles acreditam em mudanças. Principalmente porque consideram as políticas de Bush ultrapassadas. E McCain representaria a continuidade do atraso.
Para os países em desenvolvimento, e aí entra o Brasil, pesa contra Obama a tradição protecionista dos democratas. Isso é inegável. Porém, a abertura prometida pelos republicanos aos produtos brasileiros, especialmente os agrícolas, até agora ficou só no discurso.
Pelo sim e pelo não, o mundo vê em Obama o início de uma nova era. Se será melhor que a atual, só o tempo dirá. É a opção entre a continuidade e a esperança de melhora.
Célio Martins é jornalista.
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O valor da experiência
Sandra Gonçalves
Jim Young/Reuters
Ao redigirem a Constituição dos Estados Unidos, em 1787, os pais da pátria não previam a existência de partidos. Um dos arranjos institucionais propostos foi o colégio eleitoral, justamente para preservar a república nascente das facções políticas. Mas no início do século 19, os partidos surgiram como decorrência natural de um marco democrático: já não era preciso ser dono de terras para votar. Os partidos passaram a agrupar a nova massa de eleitores em dois grupos com os mesmos valores: a separação e o equilíbrio dos poderes, o federalismo e o liberalismo econômico. Não por acaso, Thomas Jefferson (1801-1809) passou para a história como um presidente democrata-republicano. Ainda hoje, tanto republicanos quanto democratas sustentam-se na origem federalista. Com o sarcasmo que é sua marca registrada, o escritor Gore Vidal já chegou a dizer que impera nos EUA o “Partido do Dinheiro”, dividido em duas alas.
Consolidou-se, ao longo do tempo, a noção de que os republicanos estão mais à direita e os democratas mais à esquerda. Mas inúmeras são as evidências a desmentir essa polarização. Como exemplo, cito a vigorosa oposição de John F. Kennedy aos direitos civis. O fato é que os dois partidos fundamentam-se na liberdade do povo, inscrita na Constituição americana, e na crença de que é ela a fonte de poder do governo.
Com tantas semelhanças, a escolha eleitoral é pautada, grosso modo, por aspectos pessoais. A vantagem da experiência de John McCain, com 27 anos de vida pública, sobre o jovem senador Barack Obama é uma razão que leva muitos americanos a optarem pelo candidato republicano. É verdade que McCain paga o preço de ser correligionário de George W. Bush, cujo governo vem sendo pontuado por ações desastrosas. Mas, como é óbvio, nem todo republicano é Bush.
Ao contrário do atual presidente, McCain tem defendido a exploração de fontes renováveis de energia. O fato de a bandeira também ser brandida por Obama só reforça a tese das semelhanças. Elas surgem também em relação à imigração (ambos defendem o controle rigoroso das fronteiras) e à economia (prometem reduzir impostos). Quanto ao Iraque, uma convergência: os dois candidatos falam em estabilidade no Golfo. Em termos de segurança interna, Obama, com uma visão idealista demais, dá mostras de que os EUA baixarão a guarda. É algo perigoso. McCain tem os pés no chão e sabe que, como alvo de tanto ódio, os americanos não podem fingir que não têm vulnerabilidades. Também não escapa aos eleitores atentos que a tal mudança personificada pelo democrata ficará mais no campo simbólico. Afinal, imaginar que o racismo e outras abomináveis expressões do preconceito desaparecerão do país apenas por haver um presidente negro na Casa Branca é apostar alto no pensamento mágico.
McCain tem ainda seu lado uma parte significativa do eleitorado que, assim como ele, se opõe ao aborto e às uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, ambas propostas defendidas por Obama.
Como se vê, há razões de sobra para justificar no experiente McCain. Num país de voto facultativo, minha maior torcida é para que haja maciça presença nas urnas, de modo que o eleito possa governar com grande legitimidade. Abraham Lincoln (1861-1865), um republicano histórico, ensinou, afinal, que “nenhum homem é bastante bom para governar a outro sem seu consentimento”.
Sandra Gonçalves é jornalista e tem especialização em Ciências Políticas.
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21/08/2008 às 21:28
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Tudo bem. A decisão do Supremo Tribunal Federal de acabar com o nepotismo nos três Poderes é uma avanço da democracia brasileira. Mas não é tudo. A medida não tem abrangência para alterar o poder dos governantes de fazer nomeações pagas com o dinheiro público conforme interesses de compadrio político.
Um levantamento do IBGE mostra que apenas nas 5.564 prefeituras do país existiam, em 2006, 422.831 funcionários comissionados. Em 2005 eram 380.629. Um aumento de mais de 42 mil “compadres”.
Cargo comissionado é aquele que não precisa de concurso público. Basta de cacife político. E eles também se proliferam nos estados, na União, no Legislativo e no Judiciário. No total somam mais de 700 mil.
E se não bastasse os apadrinhados, tem gente defendendo cotas. Na Câmara dos Deputados, ontem mesmo já se cogitava a possibilidade de flexibilizar a decisão do STF. Imagine... Cada deputado ou senador teria uma cota: um tio, uma irmã e o pai ou a mãe. É demais para um país que pretende ser sério.
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13/08/2008 às 23:18
Marcel Proust, que eternizou a frase "À la recherche du temps perdu"
Se você ainda não encontrou uma pedra no caminho, dia desses ela estará lá. Há as pedras no sapato, que incomodam, e as pedras no caminho, inevitáveis.
E o tempo que se perdeu? Há tempo para tudo, mas não parece suficiente. Dia sim dia não saímos em busca do tempo perdido.
Por gerações e gerações, as frases “Em busca do tempo perdido” e “Tinha uma pedra no meio do caminho” permanecem. Talvez elas expliquem a eternidade de escritores e poetas.
Quando Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) publicou o poema No Meio do Caminho, não foram poucas as ironias. Criticaram o poeta por usar o “tinha” em vez de “havia”. O tempo foi justo com Drummond e cruel com seus opositores.
A obra Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (1871–1922), consumiu boa parte da vida do escritor. A sonoridade da frase que dá título aos sete volumes, em francês, impressiona: À la recherche du temps perdu.
Há uma enorme dívida com escritores e poetas autores de frases que se popularizaram. Uma imensa multidão que recorre a elas para expressar seus sentimentos não sabe quem as escreveu.
“Tudo vale a pena se alma não é pequena” é outra dessas criações do gênio humano. Fernando Pessoa é inigualável. Basta lembrar de “Navegar é preciso; viver não é preciso”.
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11/08/2008 às 22:47
Creative Commons
Você já se sentiu invisível dentro de uma loja? Uma mosquinha? Ao invés de colocar aquelas campainhas estridentes que soam quando alguém entra num estabelecimento, deveria haver um jeito de inserir chips de alerta no cérebro dos vendedores. Parece óbvio: “Brinquem como quiserem enquanto o gerente e o cliente estiverem do lado de fora, mas fiquem comportadinhos quando um dos dois entrar”. Não, isso não acontece.
“Que hora cê entrô?” Me assusto com a pergunta, pois é visível que acabei de entrar. Mas a pergunta do vendedor de camiseta vermelha não foi direcionada a mim, e sim a outra vendedora, que está ao meu lado, impedindo a visão da mercadoria.
(Não que eu goste do “Posso ajudar?”, porque prefiro só olhar, obrigada, mas um pouquinho de cerimônia pela minha presença iria bem. Ainda mais que sou a única consumidora ali dentro. Mas a conversa continua.)
“Às duas”. “Iiii, então vai longe.” “Vamo comê alguma coisa?” “Não tenho dinheiro nem pra ir no Pão de Queijo.” 6 por R$ 1.
Para que precisam de cinco vendedores? Talvez para ter mais assunto ao longo do dia.
Digo que vou dar mais uma olhadinha por aí. Para surpresa de todos, volto. Ao contrário do nível do atendimento, um penduricalho tinha me agradado.
A vendedora constata: “Voltou?”. Não entendo se foi ironia ou fracasso, já que o grupo havia feito um belo esforço para não vender.
Percebo então que a discussão agora era totalmente outra. “A Mari já nasceu andando!” “Ai, nada a ver”. “E eu, então, andei com 2. Dias.”
Débito, por favor.
Quem é
Helena Carnieri é jornalista formada pela UFPR e repórter de Mundo da Gazeta do Povo. Quando sobra tempo, escreve crônicas.
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05/08/2008 às 23:30
O quadro original do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo e o alterado a mando do governo de Berlusconi para tapar o “seio da Verdade”.
A descoberta de que o governo do bilionário Silvio Berlusconi alterou um quadro do século XVIII mostra uma face desconhecida do primeiro-ministro italiano.
Parte da fortuna de Berlusconi veio de programas televisivos em que mulheres se apresentam quase despidas. Agora, numa tentativa de negar seu passado, ele busca medidas incompreensíveis para pessoas de bom senso.
No quadro original do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo, que fica na sala de imprensa, onde Berlusconi recebe jornalistas, a mulher, que representa a Verdade, surge com o seio esquerdo descoberto. A pintura, datada do ano de 1743, intitula-se La Verità svelata dal Tempo (A Verdade desvendada pelo Tempo).
Depois que se descobriu que o quadro foi adulterado para “tapar o seio da Verdade”, muitos argumentaram que a decisão não foi de Berlusconi, e sim daqueles que cuidam da imagem do primeiro-ministro.
O caso virou piada na Europa. "Os políticos da oposição podem agora dizer que, uma vez alterada a Verdade por Berlusconi, as mentiras vão sentir-se todas mais à vontade no gabinete do primeiro-ministro", escreveu o correspondente do jornal Guardian em Roma, John Hooper.
A foto original de 1920 mostra Trotsky e Kamenev ao lado do palanque de Lênin. Na versão adulterada, os dois adversários de Stalin foram substituídos por alguns degraus de madeira.
Deboches à parte, determinar a alteração de uma obra de arte é motivo para preocupações. Num dos mais conhecidos casos de falsificação na política, Stalin mandou tirar Trotsky e Kamenev da foto em que Lênin discursava para as tropas diante do Teatro Bolshoi, em 1920. Trotsky e Kamenev, adversários políticos de Stalin, acabaram assassinados.
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04/08/2008 às 13:54
Arquivo/Epitácio Pessoa/AE
Congestionamento na Régis Bittencourt: estrada precária terá pedágio.
Depois de uma tarde inteira à espera do visto no Consulado dos Estados Unidos, no bairro do Brooklin, em São Paulo, resolvo voltar para Curitiba.
- É muito tarde. Lembre que hoje é sexta-feira, alertou-me um amigo paulistano enquanto nos despedíamos.
Foi na sexta-feira da semana passada. Passava das 18 horas. Eu sabia que a viagem não seria das mais tranqüilas, mas não esperava por nenhum tormento.
- A fama de “Rodovia da Morte” é do passado. Hoje a estrada está duplicada. Vão até cobrar pedágio em breve, disse para o amigo.
Logo na saída de São Paulo, a primeira decepção. Deixar a capital paulista rumo a Curitiba numa sexta-feira, início de noite, é um verdadeiro inferno. A sinalização na Marginal Pinheiros é ruim e a avenida que dá acesso à rodovia Régis Bittencourt não tem a mínima estrutura para escoar o tráfego.
Mas o inferno estava apenas começando. Menos de 100 km depois de escapar do engarrafamento, a estrada de pista dupla acaba. E, para complicar, repentinamente o trânsito pára. A fila aumenta. Logo vêm as ambulâncias. Pronto, estava explicado: um acidente. Também pudera, com uma estrada naquelas condições.
O tempo passa e nada. Alguns motoristas desligam os carros. Poucos se arriscam a sair dos veículos naqueles ermos.
Quase uma hora depois o trânsito é liberado. Quando termina o trecho simples da rodovia, de cerca de 30 km, respiro aliviado. “Agora tudo bem”, penso. Puro engano. Os buracos e a falta de sinalização transformam boa parte do resto da viagem em pânico. Em alguns trechos falta até as faixas na pista.
Alívio mesmo só quando cheguei em casa, já de madrugada.
Não pretendo repetir essa viagem tão cedo. Ainda mais que, em breve, teremos de pagar pedágio para transitar numa rodovia precária.
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01/08/2008 às 16:45
Por Helena Carnieri
Nosso quintal tinha muitos deles quando eu era criança. De noite, andando na calçada, meu maior medo não estava detrás das árvores, e sim no chão, onde aqueles seres feitos de geléia ficavam imóveis, prontos para serem esmagados pela pantufa. E se soltassem o leitinho, então... Soltaram, uma vez, na cachorrinha Baby. Ficou esfregando os olhinhos um tempão.
Isso era de noite. De dia, tinha as cigarras, com aquele coro ao ritmo de “colcheia, colcheia, breve com fermaaaaaata”. Depois, deixavam a casquinha para trás.
Elas também foram embora. Quem de vez em quando ainda dá as caras são os quatis. Antes, os cachorros matavam um por semana, mais ou menos. Amanhecia e o cheirinho de carniça denunciava. Lá estava o corpo, no gramado. Depois de reclamar um pouco, o pai o enterrava lá nos fundos, junto com os outros. E brincava: “No futuro, quando arqueologistas escavarem nosso quintal, concluirão que os quatis enterravam seus mortos.
Esses tempos, descobrimos que, na verdade, eram gambás. Foi mais ou menos quando desmascaramos o Google Earth.
O programa permite enxergar via satélite até o seu quintal. E lá está o nosso, com o terreno baldio ao lado. Imagem de 2001, quando começava a terraplenagem para a construção dos nove sobrados. Mas a turma do Vale do Silício tascou um 2006 no canto da tela. Ano em que não havia mais terreno baldio, mato, sapos, nem quatis. Só aranha-marrom.
Quem é
Helena Carnieri é jornalista formada pela UFPR e repórter de Mundo da Gazeta do Povo. Quando sobra tempo, escreve crônicas.
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30/07/2008 às 22:42
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
A Rua Visconde de Guarapuava nas eleições de 2004: poluição visual.
Curitiba ficou bem mais bonita durante as campanhas eleitorais desde que foi proibida a colocação de propaganda dos candidatos em postes. Era uma medida necessária.
Em 2002 fiz algumas reportagens para a Gazeta do Povo sobre as eleições na França. Eu não conseguia entender porque em Paris, uma cidade mais populosa que Curitiba, não havia tanta sujeira de propaganda eleitoral como na capital paranaense.
Conversei com eleitores e a explicação de alguns deles foi direta: quem faz sujeira na cidade acaba sendo rejeitado. Em Paris há lugares fixos – painéis públicos – destinados para a propaganda dos candidatos.
Curitiba melhorou muito desde 2002, não só em propaganda eleitoral. A adoção do projeto “Cidade Limpa”, instituído em São Paulo, ajudou a melhorar o visual da cidade. Nos livramos da poluição provocada pela publicidade comercial descontrolada.
Mas a caça ao voto não tem limites. Em alguns casos chega ao assédio. Numa democracia, pedir voto é um exercício de cidadania, no entanto, a insistência pode causar o efeito contrário do esperado.
Nos últimos dias, a caixa do correio da minha casa tem ficado entupida de propaganda dos candidatos. Todos querem me convencer a votar neles. Se não bastasse, todo dia algum marqueteiro descobre meu e-mail e envia publicidade. Isso sem citar a insistência dos cabos eleitorais nas calçadas do centro da cidade e nos cruzamentos.
Sou favorável ao debate de idéias e propostas. Mas propaganda demais não convence. Pelo contrário, tem a intenção clara de manipular o eleitor.
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27/07/2008 às 00:06
Creative Commons
O Nordeste de Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Graciliano Ramos, José de Alencar e Castro Alves, só para lembrar alguns nomes importantes, acaba de ter um filho agraciado com o maior prêmio da Língua Portuguesa. João Ubaldo Ribeiro, 67 anos, é o vencedor do Prêmio Camões 2008.
O escritor baiano, natural da ilha de Itaparica, escreveu grandes obras, como Setembro não faz sentido, Sargento Getúlio – vencedor do Prêmio Jabuti em 1972, Viva o Povo Brasileiro, O Sorriso do Lagarto e A Casa dos Budas Ditosos.
O livro Viva o Povo Brasileiro, para mim, é sua obra prima. Nele, Ubaldo recria quase quatro séculos da história do país. Realidade e ficção se misturam para dar origem a um épico brasileiro com passagens heróicas e cômicas, tendo como pano de fundo momentos decisivos para a história do país.
Jornalista desde 1957, João Ubaldo até hoje não deixou de escrever em jornais. O escritor fez ainda a adaptação para a tela do romance de Jorge Amado Tieta do Agreste, com Sônia Braga no papel principal.
A obra de Ubaldo é merecedora da distinção máxima concedida a um escritor de língua portuguesa. Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Camões premia anualmente um autor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.
Dos oito prêmios concedidos a brasileiros, metade foi para autores nordestinos, os outros quatro para escritores do Sudeste. O Sul, o Centro-Oeste e o Norte ainda não tiveram escritores premiados com o Camões, apesar da importante literatura produzida nessas três regiões.
Os brasileiros vencedores do Camões
1990 – João Cabral de Melo Neto (1920–1999)
1993 – Rachel de Queiroz (1910–2003)
1994 – Jorge Amado (1912–2001)
1998 – Antonio Candido (1918)
2000 – Autran Dourado (1926)
2003 – Rubem Fonseca (1925)
2005 – Lygia Fagundes Telles (1923)
2008 – João Ubaldo Ribeiro (1941)
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14/07/2008 às 23:25
“Em politica, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã." Nicolau Maquiavel
No Brasil, todos os dias os escândalos políticos estão estampados nos jornais. São casos escabrosos de corrupção em todos os níveis: nos municípios, nos estados, na União, nas câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas, na Câmara de Deputados e no Poder Judiciário.
Em outras parte do mundo não é diferente. À corrupção soma-se a violência. A perpetuação no poder do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e as denúncias de genocídio praticado pelo presidente do Sudão, Omar al-Bashir, são exemplos claros da falta de decoro e crueldade na política.
Nesses tempos de absoluta depravação, vale a pena refletir sobre a política.
"A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política."
Albert Camus
"A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra uma política com derramamento de sangue."
Mao Tse-Tung
“O homem é um animal político.”
Aristóteles
"A ação política é cruel; baseia-se numa competição animal, é preciso derrotar, esmagar, matar, aniquilar o inimigo."
Otto Lara Resende
"Um jovem promissor deveria ingressar na política para assim poder continuar prometendo por toda a vida!"
Robert Byrne
"Quem não se ocupa de política serve o partido dominante."
Max Frisch
"Política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa. Na guerra, você só pode ser morto uma vez, mas, em política, muitas vezes."
Winston Churchill
"A política baseia-se na indiferença da maioria dos interessados, sem a qual não há política possível."
Paul Valéry
"Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência."
Karl Marx
"Quando as pessoas temem o governo, isso é tirania. Quando o governo teme as pessoas, isso é liberdade."
Thomas Jefferson
"A política é um charco. As pessoas de bem têm de andar com um lenço no nariz."
Jéferson Peres
"O capitalismo conserva-se o mesmo sistema frágil e injusto, produtor de guerras, de miséria, baseado no lucro, na ânsia do dinheiro. São razões muito miseráveis."
Jorge Amado
"A diferença entre a galinha e o político é que o político cacareja e não bota o ovo."
Millor
“Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta.”
Galbraith
“Os políticos são os mesmos em toda parte. Prometem construir pontes até onde não há rio.”
Nikita Krushev
“As tempestades políticas são mais espantosas ainda que as atmosféricas.”
Voltaire
“O Estado cumpre o seu objetivo quando assegura a liberdade de todos.”
Immanuel Kant
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