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Conexão Brasília

Quem faz o blog
13/05/2013 às 14:54


Gustavo Lima/Ag. Câmara

Gustavo Lima/Ag. Câmara / Anthony Garotinho (RJ), líder do PR na Câmara dos DeputadosAnthony Garotinho (RJ), líder do PR na Câmara dos Deputados

Recomeça hoje a votação da medida provisória (MP) dos Portos no Congresso Nacional – e com ela a certeza de novos constrangimentos como a baixaria protagonizada pelos deputados Anthony Garotinho (PR) e Eduardo Cunha (PMDB) na semana passada.

Até quinta-feira, último dia para o texto ser votado na Câmara e no Senado antes de perder a validade, deve acontecer de tudo. Em Brasília, prazo apertado é sinônimo de mais combustível na fogueira do fisiologismo.

Em primeiro lugar, é necessário entender o que está em jogo na proposta. A MP é uma tentativa válida de modernizar os portos brasileiros. O texto pode não ser uma maravilha, mas melhora a situação bizarra de um país que tem uma das maiores faixas de costa oceânica do mundo e, ao mesmo tempo, um dos sistemas portuários mais arcaicos do planeta.

De acordo com o relatório global de competitividade 2012-2013 feito pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 135ª colocação em um ranking com 144 países no quesito qualidade de infraestrutura portuária. De um total de 111 itens aferidos, a situação só é pior em outros quatro – a mais gritante é o peso da regulamentação governamental, na qual o Brasil segura a lanterninha. Curiosamente, os dois temas estão conectados na polêmica sobre a MP dos Portos.

Não basta ter uma infraestrutura ruim, o país ainda tem leis ruins e, quando há uma tentativa de aprimorá-las, a histeria predomina. As bobagens começam com os velhos discursos antiprivatização. Engraçado como os brados contra o “entreguismo” do patrimônio público são feitos por políticos que, no fundo, querem melar o debate para favorecer entes privados que estão se dando bem deixando as coisas do jeito que estão.

Para essa gente, manter o inchaço do Estado também é sempre uma oportunidade futura. Afinal, eles precisam de um elefante branco cheio de penduricalhos para poder alojar aliados e parentes. Se a gestão for uma porcaria, dane-se: empresa pública não foi feita para dar lucro, pensam os espertalhões.

O que dói no dramalhão da MP dos Portos não é o antagonismo de ideias, como no caso dos royalties do petróleo, mas o choque de interesses obscuros. Garotinho, que batizou a proposta de “MP dos Porcos”, aproveitou o palco para ressuscitar uma briga pessoal com Eduardo Cunha. É de dar medo que o quiprocó entre dois deputados cale outros 511.

Outra constatação da patética noite da última quarta-feira é perceber como é frágil o modelo de coalizão partidária adotada por todos os presidentes após Fernando Collor. Quanto mais a presidente Dilma Rousseff abarca partidos no governo, mais derrotas acumula no Congresso. Não era para ser justamente o contrário?

Em um sistema ideal seria compreensível que o governo trombasse com os parlamentares, em respeito ao princípio da independência entre os poderes. Os reveses de Dilma, no entanto, parecem muito mais ligados a tentativas de chantagem. Ou algumas figuras recebem as benesses que desejam, ou não tem conversa.

Não se sabe ao certo qual será o custo de levar a votação da MP dos Portos adiante com um prazo tão exíguo. Vale lembrar que, na semana passada, a presidente abriu espaço para o PSD, com Guilherme Afif Domingos, ocupar o 39º ministério da Esplanada. O que não falta é político de olho no 40º, 41º, 42º...

07/05/2013 às 11:21


Antônio Costa/Arquivo/ Gazeta do Povo

Antônio Costa/Arquivo/ Gazeta do Povo / Marcelo Almeida (PMDB), que concorre a coordenador da bancada contra Assis do Couto (PT).Marcelo Almeida (PMDB), que concorre a coordenador da bancada contra Assis do Couto (PT).

Está marcada para hoje, às 18 horas, a eleição do novo coordenador da bancada federal do Paraná. Por enquanto, há dois nomes na disputa: os deputados Assis do Couto (PT) e Marcelo Almeida (PMDB). O atual ocupante do cargo é o também deputado Osmar Serraglio (PMDB).

Nos bastidores, o favorito é Assis do Couto, que exerce o terceiro mandato na Casa. Representante do Sudoeste do estado, o parlamentar tem forte ligação com as cooperativas de agricultores familiares. Almeida assumiu o mandato em fevereiro como suplente de Reinhold Stephanes (PSD), atual secretário da Casa Civil do governo do estado.

De acordo com o atual coordenador, já foram feitas tentativas para evitar um bate-chapa entre os dois. Com 30 deputados e três senadores, a bancada paranaense é a sexta maior do Congresso Nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul.

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06/05/2013 às 10:54


Foto Marcos Labanca/ Arquivo Agência de notícias Gazeta do Povo

Foto Marcos Labanca/ Arquivo Agência de notícias Gazeta do Povo / Segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a inflação do tomate foi de 8,55% para 15,77%, na passagem de março para abrilSegundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a inflação do tomate foi de 8,55% para 15,77%, na passagem de março para abril

Lá se vai um mês da crise do tomate, que até já baixou de preço, e o governo ainda não sabe como se livrar das manchas espalhadas por ela. O tema caiu do céu para a oposição, que curiosamente também se atrapalha com a novidade. Enquanto isso, os brasileiros continuam sem entender como o principal ingrediente da salada subiu 120% em 12 meses.

Que a inflação está há algum tempo em viés de alta, todo mundo sabia. Agora, por que essa história do tomate tem tanto apelo político? Vale citar a tese da “geografia do voto” do marqueteiro Gaudêncio Torquato.

Segundo ele, os critérios de decisão política da nova classe média brasileira percorrem um mapa imaginário. O bolso cheio garante o primeiro instinto de sobrevivência: saciar o estômago. A barriga satisfeita agrada o coração, que transmite a mensagem de segurança ao cérebro.

Se todos esses pontos são ligados direitinho, o cidadão aprova o governante de plantão. Agora, se é preciso refazer as contas para comprar tomate, ele se perde no começo da trilha. E calcula quando isso pode chegar ao arroz e feijão.

A crise do tomate é uma crise diferente porque é uma crise do mundo real, em qualquer lugar do mundo. Quando esteve no Brasil, a blogueira cubana Yoani Sánchez, disse que em sua refeição cotidiana nunca havia tomate – e que isso não era culpa do embargo norte-americano, mas da incompetência da ditadura castrista. Um exemplo simples e mordaz.

Na maioria das vezes, parece haver um abismo intransponível entre a pauta política de Brasília e os problemas do país. Fala-se em siglas como PACs e PECs, mas se esquece do tomatinho. Em um país emergente, as pessoas estão mais preocupadas em tocar a vida para manter por conta própria a sua emergência do que ficar sonhando com o dia em que o pré-sal vai colocar o Brasil no primeiro mundo.

Nesse cenário, a inflação preocupa porque significa na prática uma ameaça aos ganhos recentes em qualidade de vida dos brasileiros. No dia 1º de maio, a presidente Dilma Rousseff fez um (ou melhor, mais um) discurso em cadeia nacional em que listou os feitos recentes da gestão petista em geração de renda e emprego. O medo, no entanto, é que os ganhos sejam comidos pela inflação.

O assunto também foi pauta das principais celebrações do Dia do Trabalhador, graças a uma proposta do sindicalista e deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que pede a volta do “gatilho salarial”. Pela ideia, os salários dos trabalhadores deveriam ser reajustados automaticamente quando a inflação acumulada chegar a 3%.

No palanque, pareceu lindo. Mas é só lembrar que o remédio está vencido - foi adotado nos anos 1980 e levou apenas a mais inflação. Um dos astros do evento em que a solução mirabolante foi defendida foi o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Aliás, os tucanos que tanto louvam os efeitos do Plano Real na estabilização da economia, aparecem perifericamente na discussão sobre a inflação. A proposta do gatilho é uma bobagem, porém é uma proposta. Enquanto isso, o PSDB não fala claramente em um novo modelo, não dá o passo adiante.

Talvez seja a falta de uma oposição afiada o que mais prejudique a qualidade do debate. Jogar tomates no governo é moleza. O duro é mostrar como eles não pesem nas contas do brasileiro.

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20/03/2013 às 14:36


Gervásio Baptista /Agência Br

Gervásio Baptista /Agência Br /

São comuns os comentários nos corredores de Brasília sobre a fragmentação da bancada paranaense no Congresso Nacional. Na comparação, parlamentares gaúchos e nordestinos são muito mais famosos por jogar juntos em temas de interesse local, deixando de lado as picuinhas políticas entre si. Na última quarta-feira, porém, deputados federais e senadores do Paraná escreveram uma página diferente dessa história.

Após dez anos engavetada, a proposta de emenda à Constituição (PEC) 544/2002, que cria mais quatro Tribunais Regionais Federais (TRFs), em Curitiba, Belo Horizonte, Manaus e Salvador, foi aprovada em primeiro turno pela Câmara. O projeto tem como pano de fundo a democratização do acesso à Justiça. O objetivo é diminuir o congestionamento dos atuais cinco TRFs, que funcionam no Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul (que atende Paraná e Santa Catarina) e São Paulo.

PR x RS

A sugestão parece simples de ser defendida, mas não foi por acaso que o texto ficou uma década na geladeira. Há receios no Poder Executivo sobre os custos da ampliação dos tribunais. Além disso, muitos dos beneficiários da atual concentração de poder não aceitam perder espaço.

Essas “forças ocultas”, até agora, sempre haviam sido mais hábeis do que a união das bancadas do Paraná, Amazonas, Bahia, Minas Gerais e de tantos outros estados atingidos colateralmente pela PEC. Na semana passada, elas se esforçaram de novo para evitar a votação da proposta, mas perderam. Em grande parte, graças à articulação dos paranaenses.

Recém-eleito vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT) fez um acordo com o presidente Henrique Alves (PMDB-RN) para comandar a sessão. De cara, Vargas ajudou a driblar um requerimento do colega Sibá Machado (PT-AC) que pedia a retirada de pauta da proposta, em nome da liderança do PT. Após muita discussão e a intervenção de outros petistas paranaenses, o partido acabou liberando a bancada para votar como quisesse.

A retirada de pauta caiu por 330 votos a 74. Estava aberto o caminho para a aprovação do relatório do paranaense Eduardo Sciarra (PSD), um dos mais envolvidos na questão, que dependia da maioria qualificada de três quintos (308).

Eis que o que era mais oculto se revelou: o PSB, a pedido da bancada gaúcha, apresentou um destaque para suprimir da PEC apenas a criação do TRF no Paraná.
Na prática, o Rio Grande do Sul não perde nada com a aprovação da proposta – aliás, ganha, já que fica com um tribunal só para cobrir o estado, enquanto o paranaense passa a abranger Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O problema é que os gaúchos encamparam a tese de que a proposta é uma injustificável perda de prestígio para o estado e jogaram contra – nos bastidores do Congresso, especula-se que desde 2003 eles foram responsáveis por barrar a proposta.

Nessa batalha, parlamentares paranaenses de diferentes partidos e épocas deram suas contribuições. Do PMDB, Osmar Serraglio e Sérgio Souza, do DEM, Abelardo Lupion, do PPS, Rubens Bueno e Sandro Alex, do PDT, Osmar Dias, do PSDB, Alvaro Dias e Luiz Carlos Hauly. Citar nomes chega a ser injusto, já que quase todos os congressistas do estado atuaram de alguma forma na questão.

Manobra derradeira

Todo esse esforço iria por água abaixo caso o destaque do PSB fosse aprovado. A proposição seria apreciada depois da votação do texto global da PEC e também seria necessário conseguir 308 votos para derrubá-la. O problema é que o quorum seria reduzido drasticamente, favorecendo a estratégia dos gaúchos.

Só depois de muita negociação com o líder do PSB, o gaúcho Beto Albuquerque, o destaque foi retirado. No resultado final, 347 deputados votaram a favor, 60 contra e houve seis abstenções. Dos 26 paranaenses presentes, todos votaram a favor da PEC, dos 24 gaúchos, 18 votaram contra. Agora, falta a apreciação em segundo turno, que deve ocorrer (com menos emoções) até a segunda quinzena de abril.

Embates entre estados como esse sempre fazem mal ao conceito de federação, mas há questões em que é preciso atuar com espírito estadual. Aos paranaenses, que sirva de lição para outros temas. Em investimentos federais, por exemplo, os gaúchos continuam anos-luz na frente dos paranaenses.

Não é uma questão de cobiçar recursos dos vizinhos, mas de autodefesa e tratamento igualitário.

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11/03/2013 às 10:55


Josue Teixeira/Gazeta do Povo

Josue Teixeira/Gazeta do Povo / Gleise Hoffmann: agenda intensificada no estado; Beto Richa: composição de superaliançasGleise Hoffmann: agenda intensificada no estado; Beto Richa: composição de superalianças

Está cada vez mais comum escutar nas conversas entre lideranças políticas do Paraná, especialmente do PMDB, que será possível fazer uma aliança estadual e outra federal em 2014. Como justificativa, citam que não é da tradição brasileira (nem da paranaense) haver intervenção das executivas nacionais dos partidos nos acordos locais. Tudo aponta que eles vão cair do cavalo.

Tirando as legendas pequenas e as médias que se transformaram em um mero balcão de negócios, a ordem geral é de verticalização na formação das alianças. Tudo porque as últimas três eleições demonstraram que não há vitória fácil na disputa presidencial. Apesar da hegemonia, o PT nunca conseguiu vencer no primeiro turno.

Além disso, a margem de votos do segundo turno caiu consideravelmente em 2010. Em 2002, Lula fez 61,27% dos votos dos votos válidos contra 38,72% de José Serra. Há dois anos, a diferença entre Dilma Rousseff e Serra caiu mais de cinco pontos porcentuais – 56,05% a 43,95%.

Essa diferença corresponde, proporcionalmente, ao eleitorado do Paraná. Em 2012, segundo estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral, o estado se firmou como o sexto maior colégio eleitoral do país (atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul), com 7.727.727 aptos a votar. Na comparação com os gaúchos, há quase um empate técnico – a diferença é de apenas 500 mil eleitores.

Na sétima posição aparece Pernambuco, com 6.498.122 eleitores. Ou seja, mesmo que tivesse 100% dos votos em sua terra natal, o presidenciável Eduardo Campos (PSB) não passaria de 4,62% dos válidos. O jeito para ele – e para todos os outros candidatos – é fechar alianças regionais.

No Paraná, os primeiros três meses de 2013 foram marcados pelo esforço do governador Beto Richa (PSDB) para atrair o apoio de partidos que, em Brasília, são da base aliada de Dilma. Distribuiu secretarias para PSC, PSD e PMDB. Os dois primeiros dão pinta de que não têm como mudar de lado até 2014, já os peemedebistas...

Se a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), for mesmo a oponente de Richa, é inimaginável que o PMDB não esteja na coligação dela. Como é que o partido do vice-presidente da República, Michel Temer, não vai apoiar a gerente do governo Dilma? A presidente e o PT nacional admitiriam uma situação dessas?

Claro que há outros cenários de confusão entre petistas e peemedebistas pelo Brasil afora. No Rio de Janeiro, por exemplo, o PMDB quer uma chapa única em torno do vice-governador Luiz Fernando Pezão, enquanto o senador Lindbergh Farias (PT) bate o pé para ser candidato. Ainda assim, é um confronto bem mais fácil de ser explicado.

Na semana passada, Dilma deu uma de suas declarações mais desastradas ao dizer que se pode “fazer o diabo quando é hora de eleição”. Pega mal, mas é o indício do que se avizinha. Por mais que tenha bons índices de avaliação, o caminho para a reeleição não será só de flores.

Por outro lado, a questão suscita uma dúvida: até onde a verticalização faz bem? Em uma república federativa, é natural que os estados mantenham suas características políticas locais. O problema é quando isso se resume apenas a querer se dar bem, a ocupar cargos lá e cá.

No Brasil, vertical mesmo é o fisiologismo.

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04/03/2013 às 12:45


Fotos: Wenderson Araújo/ Gazeta do Povo

Fotos: Wenderson Araújo/ Gazeta do Povo /

Desde 2002, o espaço das eleições estaduais paranaenses fica cada vez menor para comportar os irmãos Alvaro e Osmar Dias. A cada uma das últimas três pré-campanhas, a novela se repetiu: há chance de uma disputa familiar direta? Aos trancos e barrancos, os dois conseguiram evitar um pleito fratricida, mas o cenário de 2014 é o mais difícil para ambos.

Alvaro não esconde o descontentamento com o PSDB local e a dificuldade de relacionamento com o governador Beto Richa. Mesmo com todo o prestígio na direção nacional do partido, será difícil manter esse cabo de guerra até o ano que vem. É surreal acreditar em uma chapa em que o candidato à reeleição para o Senado não reme para o mesmo lado do postulante ao governo.

O primeiro passo efetivo para uma reaproximação foi dado na semana passada. Alvaro anunciou que vai pedir, amanhã, urgência na votação do empréstimo de US$ 350 milhões negociado pela gestão Richa com o Banco Mundial. A tramitação da proposta, que está na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, vem sendo prolongada desde o ano passado por intervenções do senador Roberto Requião (PMDB).

Osmar não tem mandato, porém não enfrenta resistência de aliados. Após a vitória do correligionário Gustavo Fruet (PDT) em Curitiba, só não ocupa a vaga para o Senado em uma quase certa coligação com o PT de Gleisi Hoffmann se não quiser. Ou melhor, se o conflito familiar permitir.

Para entender melhor o que leva a esse imbróglio, é interessante traçar uma linha do tempo. Em 2002, Requião chegou a negociar um acordo com Osmar para apoiá-lo na disputa pelo Palácio Iguaçu. Como Alvaro decidiu concorrer, o trato foi desfeito. Requião disputou e ganhou o governo, Osmar reelegeu-se para o Senado.

Em 2006, Alvaro evitou um novo confronto com Requião. Osmar, que enfrentava problemas de saúde, só decidiu se candidatar a governador em cima da hora. Perdeu a disputa no segundo turno por 10 mil votos, em uma campanha que ficou marcada pelo distanciamento entre os irmãos.

2010 foi o ponto mais polêmico dessa trajetória. De olho nos votos de 7,5 milhões de paranaenses, as direções nacionais de PT e PSDB jogaram um irmão contra o outro. O tucano José Serra tentou arrastar Alvaro para sua vice e neutralizar a candidatura de Osmar, apoiado pelos petistas, contra Beto Richa.
Por pressão do DEM, que queria a vice de Serra, a estratégia não deu certo.

Novamente nos últimos minutos, Osmar saiu candidato a governador. Só que com o apoio de Lula e do campo político oposto ao do irmão.

Depois da eleição, Osmar continuou aliado aos petistas e assumiu a vice-presidência de agronegócios do Banco do Brasil. No Senado, Alvaro tornou-se o mais ferrenho nome da oposição à presidente Dilma Rousseff. É praticamente impossível eles estarem na mesma chapa em 2014.

Também é quase inimaginável, por outro lado, que eles mudem a regra de não disputar eleições entre si. O problema é que, como em 2010, isso vai desencadear uma nova briga para que um irmão neutralize a força política do outro. Ainda assim, a novela tem inúmeras possibilidades de desfecho.

Um pode ser candidato a deputado federal e outro a senador, Osmar ser vice de Gleisi ou até cabeça de chapa - caso a petista fique na Casa Civil. As peças mudam, mas o roteiro é o mesmo. O tempo passa, os Dias ficam, só não se sabe com qual tamanho.

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26/02/2013 às 10:42


Roberto Stuckert Filho/PR/Arquivo

Roberto Stuckert Filho/PR/Arquivo / Lula e Dilma: preocupação com a campanha de reeleição no ano que vemLula e Dilma: preocupação com a campanha de reeleição no ano que vem

Enquanto Lula deve desembarcar em Curitiba no dia 22 de março para celebrar os dez anos do PT no poder, o prefeito Gustavo Fruet (PDT), espera por uma resposta da presidente Dilma Rousseff ao convite para visitar a cidade em uma data próxima ao dia 29 de março, quando a capital completa 320 anos. O pedido foi feito por ele à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, no começo do mês. Não há ligação entre as viagens de Lula e Dilma, embora elas possam ocorrer em dias bastante próximos.

Durante a visita, a presidente participaria da entrega de duas mil residências construídas pela Companhia Habitacional de Curitiba (Cohab) no bairro Ganchinho, dentro do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. Apesar de o PT ter se coligado com o PDT de Fruet na eleição municipal do ano passado, Dilma e Lula permaneceram afastados da campanha curitibana. Ex-deputado federal pelo PSDB, Fruet foi um crítico do governo do ex-presidente Lula. Ele ocupou o cargo de sub-relator da CPI dos Correios, que investigou o mensalão em 2005.

25/02/2013 às 11:24


Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr / Yoani na Câmara dos Deputados: manifestantes, jornalistas e parlamentares causaram confusãoYoani na Câmara dos Deputados: manifestantes, jornalistas e parlamentares causaram confusão

Quem diria que a simples presença de uma cubana magricela faria o debate político brasileiro voltar aos anos 1960. Por onde passou no país, a blogueira Yoani Sanchéz resgatou as velhas birras entre esquerda e direita, dos comunas contra os ianques. Por que tanto furor?

Por relatar na internet as agruras do dia a dia dos cidadãos comuns de Cuba, Yoani transformou-se em ícone do combate à censura promovida pela ditadura castrista. A visita também tem simbolismo pelas dificuldades impostas pelo governo para quem quer viajar para fora da ilha. É notícia, mas até aí nada de muita novidade.

Na verdade, a blogueira cumpriria uma agenda periférica no Brasil. Foi pisar nos aeroportos de Recife e Salvador para a situação mudar. “Jovens socialistas” ficaram no encalço de Yoani o tempo inteiro, aos gritos de traidora da revolução para baixo.

A situação esquentou para valer em Feira de Santana, quando a cubana foi impedida de falar pela primeira vez. Sobre o episódio, escreveu em seu blog: “eles respondiam a ordens, eu sou uma alma livre”. Foi uma pena não deixarem-na concluir a fala, talvez depois disso os ânimos ficassem menos acirrados.

Fala-se muito sobre o personagem Yoani e pouco sobre o que ela realmente fala. Vale descrever o raciocínio da blogueira sobre o embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba. Na Bahia, ela citou três razões contrárias ao bloqueio: 1) é uma ação “ingerencista” dos norte-americanos; 2) é um “fóssil” da Guerra Fria, sem sentido na política internacional de hoje; 3) é o melhor argumento para o governo cubano justificar sua ineficiência econômica.

Depois, ilustrou o que é conviver com a censura promovida pelos irmãos Castro. “Vivo em uma sociedade onde ter opinião é traição.” Não sensibilizou os manifestantes e o evento desandou de vez.
O episódio catapultou Yoani do interior baiano para o Congresso Nacional.

Convidada pelo deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), foi ao Congresso Nacional. Recebeu convite até para visitar Curitiba, feito pelo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB).

Graças à intrepidez dos “jovens socialistas”, dividiu as manchetes da semana passada com eventos que anteciparam as candidaturas de Aécio Neves (PSDB-MG) e Dilma Rousseff (PT) para 2014. Yoani virou bandeira de última hora dos tucanos na luta pela liberdade de expressão – embora tenha sido ciceroneada a maior parte do tempo pelo senador petista Eduardo Suplicy. Vá entender.

O fato é que PT e PSDB tem tanta dificuldade de se diferenciar na prática que precisam se agarrar ao que encontram pela frente. Cada um tenta reconstruir a história do seu jeito. Os petistas exaltam o mito de que o Brasil só passou a existir nos últimos dez anos, enquanto os tucanos focam nos 13 fracassos petistas, sem dar o passo adiante de se mostrar como alternativa a esses problemas.

Pela escassez de argumentos, fica mais fácil resumir tudo a uma disputa entre azuis e vermelhos, entre os defensores da liberdade contra os defensores do povo. Não há um lado 100% mocinho e outro 100% bandido. Não é aconselhável cair na falsa polarização, na armadilha (como diria Yoani) de transformar opinião em traição.

O Brasil de hoje, plural e democrático, é muito mais interessante para se viver do que aquele de quase cinco décadas atrás.

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18/02/2013 às 18:43


Gervásio Baptista /Agência Br

Gervásio Baptista /Agência Br /

Lá se foi o recesso de carnaval do Congresso Nacional (duas vezes mais longo que a folia em Salvador) e a partir de amanhã começa, para valer, o ano legislativo em Brasília. Trabalho acumulado é o que não falta - além do orçamento, encalhado desde dezembro, estão na pauta 23 medidas provisórias e 3.210 vetos presidenciais. É só o início da fase mais importante dos mandatos dos atuais deputados federais e senadores.

Fica a dica: também é o melhor momento para ficar de olho na bancada paranaense. Por quê? Os terceiros anos das legislaturas não enfrentam a concorrência do calendário eleitoral e são decisivos para a apreciação de reformas e dos projetos mais relevantes para o (a) presidente deslanchar o seu plano de governo.

Por exemplo, é certo que se a reforma política não for votada até dezembro, só voltará ao debate em 2015, com novos parlamentares, que possivelmente vão jogar a proposta para 2017. Após dois anos com um crescimento medíocre da economia, 2013 também será a hora da verdade para Dilma Rousseff. O “pibão bem grandão” que ela tanto persegue vai depender de uma forcinha do Parlamento.

Como os paranaenses entram nessa história? Recapitulando: o Paraná tem a sexta maior bancada do país, com três senadores e 30 deputados federais (apenas um a menos que a quinta maior, do Rio Grande do Sul). A questão é saber se os representantes do estado vão ocupar um espaço proporcional ao seu tamanho.

No começo do mês, a mesa diretora da Câmara voltou a ter um paranaense após quatro anos. André Vargas (PT) foi eleito vice-presidente. No Senado, nenhum paranaense foi candidato a qualquer dos sete cargos de direção.

Outras funções de destaque, como a de líder partidário, também tiveram reviravoltas para os parlamentares do Paraná. Após dois anos, Alvaro Dias deixou a liderança do PSDB no Senado. Na Câmara, Eduardo Sciarra é o novo líder do PSD, quarto maior partido da Casa.

Nesta semana, começa a ser definido o comando das comissões permanentes da Câmara e do Senado, momento chave para saber quem é quem. Das 20 comissões permanentes da Câmara, apenas uma foi presidida em 2012 por um paranaense – a de Fiscalização e Controle, por Edmar Arruda (PSC). No Senado, há 11 comissões e a de Educação teve como presidente Roberto Requião (PMDB).

Para chegar ao cargo, é preciso ter prestígio interno nos partidos, já que a direção das comissões é distribuída pela proporcionalidade das bancadas partidárias. A simples participação como membro titular em comissões badaladas como a de Constituição e Justiça também é disputada a tapa.

A propósito, vai passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nos próximos dias o empréstimo de US$ 350 milhões do Banco Mundial para o governo do Paraná. Até o ano passado, o único paranaense titular da comissão era Requião.

Também será interessante ver o comportamento da bancada como um todo em votações que terão impacto direto no estado, como a apreciação do veto de Dilma sobre a distribuição mais igualitária dos royalties do petróleo. Sem falar em projetos de investimentos federais para o estado. Seguir os votos dos parlamentares paranaenses em 2013 será fundamental para saber o que fazer com o seu em 2014.

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07/02/2013 às 10:27


André Rodrigues/Gazeta do Povo

André Rodrigues/Gazeta do Povo /

A notícia do começo de fevereiro em Brasília foi o começo do ano legislativo. Depois de mais de um mês de recesso, Câmara e Senado acabam de eleger seus novos presidentes.

Ambas as eleições tiveram quoruns altíssimos, perto de 100%. Pois os parlamentares escolheram seus novos líderes – em voto secreto, por sinal – e ontem logo tiraram o time de campo para o carnaval.

O mais marcante é que eles só voltam ao trabalho no dia 19 de fevereiro. Sim, o carnaval do Congresso dura 14 dias – enquanto isso, o Orçamento Federal de 2013 segue sem ser apreciado.

Hoje a Folha de S. Paulo fez uma comparação entre o recesso do carnaval congressual e nas principais cidades do país. No Rio de Janeiro, o carnaval dura cinco dias. Em Salvador e Olinda, sete.

Na pior das hipóteses, os congressistas terão o dobro de tempo para cair na folia que baianos e pernambucanos...

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