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Quinta-feira, 28/08/2008

Blogs > Conversa Temperada

Conversa Temperada

Quem faz o blog
Enviado por Nádia Schiavinatto, 24/08/2008 às 22:54

Que tal um passeio por um buffet italiano?

Este post é apenas um convite para um passeio.... De uma volta pelo buffet italiano e delicie com os pratos... É só clicar no link abaixo. A página permite um giro de 360 graus ao mantermos o mouse apertado e movendo na direção desejada.

Dois amigos me mandaram a página... que é de dar água na boca...

http://flashificator.com/1/BlueMoon/Buffet/Buffet.html

Enviado por Nádia Schiavinatto, 22/08/2008 às 19:55

Desafio: que tal fazer uma senhora massa?


Arquivo - Gazeta do Povo

Arquivo -  Gazeta do Povo / Compartilhe aquela receita sua que faz sucessoCompartilhe aquela receita sua que faz sucesso
Você faz um macarrão gostoso? Aquele que todo mundo repete o prato? Então, aqui vai uma dica:


Este domingo (24) é o último dia para participar do Desafio do Chef, concurso do suplemento Bom Gourmet, da Gazeta do Povo. Desta vez o desafio será bastante concorrido, pois todo mundo tem uma deliciosa receita de macarrão na manga. Coloque, então, essa delícia no papel e mande.


Não importa a forma da massa, muito menos se leva molho branco ou vermelho, o que vale ao final é a criatividade!


Entre no site do Bom Gourmet
(www.gazetadopovo.com.br/bomgourmet), envie sua receita e enfrente este desafio!

Enviado por Nádia Schiavinatto, 21/08/2008 às 02:47

Em tempos de Olimpíada, comidinhas à moda chinesa

Como estamos em plena Olimpíada, que tal preparar uma comidinha à moda chinesa?
Aproveito e repasso uma receita de frango xadrez enviada por uma amiga que, segundo ela, sempre ganha elogios quando faz o prato.


Divulgação/Smart Café

Divulgação/Smart Café / Frango xadrez preparado pelo chef Tarciso LopesFrango xadrez preparado pelo chef Tarciso Lopes
Frango xadrez

Ingredientes:

2 peitos de frango
1/2 pimentão verde
1/2 pimentão vermelho
1 cebola média
1 talo de salsão
3 colheres de sopa de óleo
1 xícara de caldo de frango
1 colher de chá de amido de milho
2 colheres de sopa de shoyu (molho de soja)
1 colher de sopa de molho de ostras
3 colheres de sopa de amendoim torrado

Modo de preparo:

Corte o peito de frango em cubos de 3 cm e faça o mesmo com a cebola, pimentões e salsão. Aqueça uma panela do tipo Wok ou uma frigideira grande, coloque o óleo e esquente bem, coloque os peitos de frango e doure levemente. Em seguida coloque os pimentões e refogue por 1 minuto, acrescente o salsão e a cebola, refogue por mais 2 minutos e acrescente o shoyu. Misture bem e coloque o caldo de frango, reservando 3 colheres das de sopa do caldo que deve ser misturado ao amido de milho. Assim que ferver o molho, acrescentar o molho de ostras e a mistura de amido. Cozinhe até o molho engrossar, cerca de 3 minutos e sirva salpicando com o amendoim torrado. Acompanha muito bem um arroz branco.

Outra receita que faz sucesso é a do lombinho:

Lombinho à moda chinesa

Ingredientes:

500 g de lombo de porco
2 pimentões verdes
2 fatias de abacaxi
1 cebola grande
2 ovos
1 xícara de farinha de trigo
3/4 de xícara de açúcar
3 colheres de sopa de shoyu
1/3 de xícara de vinagre
2/3 de xícara de água
1 e 1/2 colheres de sopa de amido de milho
2 colheres de sopa de molho de tomate
sal e pimenta-do-reino a gosto
óleo para fritura

Modo de fazer:

Corte o lombo em fatias de 1 cm e tempere com pimenta-do-reino e pouco sal. Corte o pimentão em cubos de 3 cm, fazer o mesmo com a cebola e as fatias de abacaxi. Reserve. Aquecer cerca de ½ litro de óleo em uma panela pequena. Bater ligeiramente os ovos, passar os cubos de lombo pelos ovos e depois pela farinha de trigo. Retire o excesso e dourar aos poucos no óleo quente, escorrer em papel absorvente e reserve. Em uma panela pequena, coloque o açúcar, vinagre e shoyu, leve ao fogo baixo até que o açúcar dissolva, acrescente o molho de tomates. Misture a água fria ao amido de milho e acrescente à mistura de açúcar e vinagre, ferva por 1 minuto e reserve. Em uma frigideira ou panela grande, coloque 4 colheres (sopa) do mesmo óleo em que fritou os pedaços de lombo. Aqueça e acrescente os cubos da cebola e do pimentão, refogue rapidamente em fogo alto, cerca de 3 a 4 minutos. Coloque os cubos de abacaxi e os pedaços de lombo, misture bem e regue com o molho agridoce. Cozinhe em fogo baixo por 3 minutos, se o molho estiver muito espesso, acrescente um pouco de água. Sirva com arroz branco.

Um prato diferente a cada dia

Se você preferir, aproveite que o Pestana Curitiba Hotel está oferecendo um cardápio olímpico no Smart Café. Neste mês de agosto, o chef Tarciso Lopes preparou um menu especial com pratos da culinária chinesa. A cada dia da semana, um prato diferente. São cinco sugestões. Segunda-feira, o prato é Yakisoba Tradicional (legumes e carne); Terça-feira, Frango Caramelizado com Laranja; Quarta-feira, Lombo de Porco com Molho de Gengibre; Quinta-feira, Rolinho Primavera; e, na sexta-feira, Frango Xadrez.

O Smart Café fica no Pestana Curitiba Hotel, localizado dentro do complexo Evolution Towers, situado entre as ruas Comendador Araújo, 499 e Brigadeiro Franco. Telefone: 41. 3017-9980.

Enviado por Nádia Schiavinatto, 17/08/2008 às 17:39

Ainda sobre risotos e outros cursos

Ainda falando sobre risotos, aqui vai uma dica para quem quiser saber mais alguns segredinhos para elaborar o prato italiano. Em sua programação de agosto, o Espaço Gourmet vai oferecer alguns cursos e entre eles está o do Risotos Italianos, que acontece dia 21. O preço é de R$ 95. Dois dias antes, dia 19, haverá o curso de Mignon e seus molhos, por R$ 100. Já dia 22 será a vez dos sushi e sashimi (R$ 110). Todos os três serão realizados no período da tarde.

Mas para aqueles mais ocupados à tarde outra opção é a "aula jantar" dos mesmos cursos no período noturno, das 19 às 22h. Na aula jantar, o aluno aprende com chefs renomados em três horas a fazer pratos que são servidos durante o curso, acompanhado de um bom vinho e bate-papo. À noite há ainda mais opções, veja quais:

Dia 19 - Mignon, molhos e segredos - R$ 105.
Dia 21 - Risotos italianos - R$ 100.
Dia 26 - Aula show - Cozinha brasileira - R$ 110.
Dia 28 - Aula show - Gastronomia francesa - R$ 115.
Dia 29 - Molho para massas - R$ 100.

Criado há três anos, o Espaço Gourmet Gastronomia trouxe um novo conceito em cozinha experimental. Ou seja, no mesmo local quem quiser iniciar a carreira na área gastronômica pode fazer o curso de chef de cuisine ou para aqueles que querem apenas aprender um determinado prato, ou uma sobremesa, participar de uma aula temática. Pra quem gosta de aprender e sempre quer saber um pouco mais de gastronomia, essas são boas oportunidades.

O Espaço Gourmet fica na Alameda Prudente de Moraes, 129, no bairro Mercês. O telefone é 41 3019-0437. Ou visite o site: www.espacogourmetgastronomia.com.br

Enviado por Nádia Schiavinatto, 13/08/2008 às 19:55

Risoto combina com vinho e boa conversa


Divulgação

Divulgação / Risoto deve manter-se úmidoRisoto deve manter-se úmido
Risoto é um daqueles pratos para ser feitos acompanhados dos amigos, uma taça de vinho e uma boa conversa. O prato originário da Itália ganhou fama internacional. O termo risotto quer dizer “arrozinho”, mas o tal arrozinho se bem preparado ganha grandeza na mesa.

A principal característica do risoto é o arroz, que depois de cozido, deve manter-se bastante úmido e esta umidade é aumentada com a adição de manteiga. Um dos fatores essenciais é a escolha do arroz. O mais indicado é tipo fino que absorve bem os líquidos sem perder seu aspecto. Os tipos mais comuns são:

Carnaroli, o favorito dos italianos. O grão demora mais para cozinhar, mas mantém melhor o cozimento al dente.

Arbório é o tipo mais comum. Os grãos são grandes e de um branco mais perolado.

Vialone Nano, bom para risotos delicados, com ingredientes miúdos ou frutos do mar.

É importante lembrar que a alma do risoto é o caldo. Um caldo bem feito e saboroso vai valorizar ainda mais o prato.

O risoto muda de nome conforme os ingredientes utilizados. O risoto alla Certosina, por exemplo, vai ervilhas, tomate, queijo parmesão e camarões cozidos na manteiga e flambados no brandy. Já o risoto alla Veronese vem com presunto cozido e um molho de cogumelos servido à parte. Temos ainda o risoto com funghi, com cogumelos secos; o risoto di scampi, com camarões cozidos na manteiga e temperados com alho; o risoto di frutti di mare, com caldo de peixe e frutos do mar; o alla Milanese, com cebola, tutano de boi, vinho tinto e caldo de galinha para o cozimento, temperado com queijo parmiggiano e açafrão.

A literatura gastronômica conta que o alla Milanese nasceu em 1574, durante uma preparação desastrosa da festa de casamento da filha de Valério da Profondavalle, um artesão encarregado de montar os vitrais do duomo da capital da Lombardia. Naquela época, pistilos de açafrão eram usados como pigmento na pintura dos afrescos ou coloração dos cristais. Parece que um dos ajudantes teria deixado cair um pacotinho de pistilos no arroz. Inicialmente foi o maior susto. Mas resolveram experimentar e o chefe encarregado ficou admirado com o paladar da mistura e com a tonalidade dourada e assim acabou surgindo o risotto alla Milanese.

Como escreveu Silvio Lancelotti, em “O livro da cozinha clássica”, proliferam os estilos da feitura do risoto. Fritam-se os grãos? Usa-se ou não o vinho no seu cozimento? Branco ou tinto? E o queijo entra no meio ou no final da realização do prato? Diz Lancelotti, que “as alquimias mais antigas seguramente não ostentam o fermentado na sua composição e o álcool auxilia na dissolução das gorduras, por isso torna o prato mais digerível.

Para Lancelotti, o teórico Buonassisi, que consolidou a história inteira das comidas na Itália, considera o modo de preparar mais justo e correto, o Risoto alla Milanese desta forma:

Ingredientes para uma porção: 100g de arroz; 20g de manteiga, 20g de parmesão, ralado bem fininho; 15 g de tutano de boi bem picadinho; 3 filetes de açafrão (ou ½ colher de chá da especiaria em pó) ; 1 colher de sopa de cebola micrometricamente triturada; 1 ½ xícara de chá de vinho branco seco; sal e pimenta-do-reino.

Modo de fazer: Numa caçarola derreta metade da manteiga e nela rapidamente refogue a cebola, que até que murche. Agregue o tutano. Mexa de maneira a dissolvê-lo. Coloque o arroz, mexa vigorosamente, evitando que se pregue ao fundo da panela. Coloque um pouco do caldo. Mexa. Misture os grãos que começam a assumir o líquido, incorpore mais caldo, já com o açafrão bem desmanchado no seu interior. Reprise e reprise a operação até acabar o caldo. Coloque o vinho e acerte o ponto do sal e da pimenta. No último instante coloque o restante da manteiga e o queijo parmesão, para amalgamar o risoto.

Risoto de bacalhau
(Rendimento 4 porções)

Ingredientes
- 300 g de arroz arbório
- 400 g de bacalhau demolhado
- 4 colheres (sopa) de manteiga
- 2 colheres (sopa) de azeite
- 1/2 unidade de cebola ralada
- 1 folha de louro
- 1 copo de vinho branco seco
- 1 litro de caldo de peixe
- 3 tomates sem pele nem sementes
- 50 g de queijo ralado
- salsinha picada
- sal

Com um pouco de azeite, refogue o bacalhau, os tomates picados e reserve.
Aqueça metade da manteiga e o restante do azeite. Refogue a cebola levemente. Adicione a folha de louro. Acrescente o arroz e refogue levemente. Junte o vinho branco e deixe reduzir. Vá acrescentando o caldo de peixe aos poucos e mexendo sempre. Adicione o bacalhau puxado com o tomate. Corrija o sal. Retire a folha de louro. Desligue o fogo e junte o restante da manteiga e o queijo ralado. Mexa bem e sirva.

Atenção: O ponto desse arroz é um pouco durinho e bem papa. Desta forma, regule a quantidade de caldo.

Risoto a Parmegiana

(Ingredientes para duas pessoas)
- 1 xícara de arroz do tipo Carnarolli
- 2 litros de caldo de carne
- 3/4 de xícara de vinho branco seco
- 100 g de queijo parmesão ralado
- 2 colheres de sopa de cebola ralada
- 100 g de manteiga sem sal.

Acenda o fogo e deixe o caldo sempre quente durante o preparo. Derreta a manteiga junto com a cebola e deixe apenas murchar. Acrescente o arroz e de uma leve mexida junto com a cebola e um pouquinho de manteiga. Acrescente o vinho e cozinhe por cerca de dois minutos. Em seguida, sempre com o fogo alto, vá colocando aos poucos o caldo. Sempre coloque uma boa quantidade e não mexa muito. O tempo de cozimento é sempre de 17/18 minutos. Verifique a textura do arroz. Deve estar "al dente". Desligue o fogo e acrescente a manteiga e o parmesão ralado. Dê agora uma boa mexida e tampe por uns dois minutos. Esse procedimento é chamado de "mantecatura". E está pronto o seu risoto. Sirva com medalhões de mignon ou outro acompanhamento de sua preferência. E bom apetite!

Enviado por Nádia Schiavinatto, 07/08/2008 às 18:20

Região Sudeste lidera no consumo de vinho; Sul está em 2.º lugar

A empresa brasileira Two of Us, por meio de seu site Vinho Virtual
realizou uma pesquisa bem interessante com 1 mil consumidores brasileiros de vinho para revelar seu perfil, hábito e preferências.

Olha só o resultado da pesquisa:


Pedro Serápio - arquivo Gazeta do Povo

Pedro Serápio - arquivo Gazeta do Povo / A grande parte dos consumidores encontra-se na região Sudeste, seguido pela região SulA grande parte dos consumidores encontra-se na região Sudeste, seguido pela região Sul
Dos consultados, 79% são homens e 21% mulheres. A grande parte dos
consumidores encontra-se na região Sudeste, seguido pela região Sul. Cerca
de 40% dos consumidores de vinho encontram-se em São Paulo.

SUDESTE..........67%

SUL............17%

NORDESTE........8%

CENTRO-OESTE............6%

NORTE...........2%

A faixa etária entre 30 e 50 anos representa 60% dos consumidores de vinho.
Sendo que a faixa entre 18-29 já consome mais do que entre 50-59 anos.

18 - 29 anos.......17%

30 - 39 anos......32%

40 - 49 anos.......30%

50 - 59 anos.......15%

60 ou mais........6%

Boa parte dos consumidores (43%) costuma beber vinho de 2 a 3 vezes por
semana. E 16%, uma ou mais vezes ao dia.


Mais de uma vez por dia......3%

Uma vez por dia..........13%

4-6 dias por semana.........13%

2-3 dias por semana.........43%

1 dia por semana ou menos......26%

Raramente........2%

Entre aqueles que consomem vinho com maior freqüência, a pesquisa revelou
que este público mora nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande
do Sul, e tem idade média de 46 anos. Já os mais jovens costumam beber vinho
com menos freqüência do que os de mais idade.

12% dos entrevistados revelaram fazer parte de uma confraria de vinho (grupo
de pessoas – confrades - que se reúne para degustar, estudar e comentar
diferentes tipos de vinhos).

Preferências


Aniele Nascimento - arquivo Gazeta do Povo

Aniele Nascimento - arquivo Gazeta do Povo /
Quanto à preferência por tipo de vinho, os tintos lideram com folga. Depois
vem os brancos e espumantes quase juntos, com pequena vantagem para os
brancos. Após os rosés e, por último, os licorosos.

Tinto.........41%

Branco..........26%

Espumante...........24%

Rose:...........6%

Destilado/Licoroso.........3%

Um dado curioso da pesquisa é que apesar de toda a fama dos importados, o Brasil foi o mais citado como o país produtor preferido, seguido pelo Chile, França, Argentina e Itália.

Brasil.........20%

Chile..........16%

França.........13%

Argentina.......12%

Itália..........11%

Portugal.........11%

Espanha...........7%

Austrália..........3%

África do Sul.......2%

Alemanha............1%

Outros..............4%

Fonte: Vinho Virtual

Enviado por Nádia Schiavinatto, 03/08/2008 às 22:09

Aos gourmets da vida

Abri esse blog em julho de 2007 convidando a todos para uma conversa temperada. A idéia não era e não é apenas trocar receitas e sim trocar experiências, informações sobre um livro, um filme, um restaurante que foi inaugurado, uma dica de um petisco, uma crônica, um conto, enfim ....papos ao redor de uma mesa...Como já faz algum tempo que o convite foi aberto, gostaria de fazê-lo novamente, dando uma receita desse tempero que gosto de usar na comida, nas conversas e na vida.

Como é comum na tradição de várias culturas, em minha família preparar uma mesa farta e apetitosa sempre foi uma desculpa para reunir os amigos e conversar sobre a vida. Ainda que a comida, amorosamente preparada por minha mãe, tome ares de protagonista em minhas lembranças, sei que o tempero que preparávamos juntos não era colocado somente sobre ela.

O tempero podia ser sentido no ar, nos olhares, nos gestos de todos que se reuniam na cozinha e depois em torno da mesa. Entre os que ainda hoje mais aprecio está o respeito pela comida, por aqueles que cozinham, por aqueles que vão atrás do último ingrediente que faltou ou daqueles que dividem aquela última porção que guardavam. Está também o esforço de todos por cozinhar e falar e comer e ouvir com várias pitadas de alegria e interesse em compartilhar um momento de nossas vidas.

Família italiana tende a se exaltar nas conversas e, assim como ríamos e nos alegrávamos juntos, às vezes saía uma discussão, alguém levantava a voz e lá ia embora o irmão magoado, a tia tristonha, deixando todos meio sem graça à mesa. A comida “azedava” de um momento para o outro. Tínhamos de esperar o outro dia, a outra semana, o lanche da tarde, o café da manhã, um longo café amargo às vezes, para que as camadas de desculpas mútuas fossem bem colocadas à mesa e recuperássemos o paladar.

Abri o espaço Conversa Temperada como quem expande o tamanho da mesa e o número de amigos. Espero que dê para perceber que o protagonista do blog realmente não é apenas a comida - embora ela seja essencial, ela não é suficiente. Protagonistas somos nós que experimentamos e compartilhamos nossos sucessos e fracassos na cozinha, construímos nossas lembranças boas e ruins, lutamos para achar a medida certa de criatividade, respeito, amor, saudade, alegria - temperos que realçam o sabor da comida e das conversas que dão sustento às nossas vidas.

É com essa receita que convido novamente todos os gourmets da vida para mais um brinde às nossas conversas. Aproveito e passo para vocês alguns endereços de outras mesas virtuais:

Mais você culinária

Tudo gostoso

Receitas culinárias

Só Receitas

Basílico - A Gastronomia na Web

E para aqueles que querem aprender um pouco mais sobre vinhos, vale a pena visitar a Associação brasileira de Enologia

Já para os apreciadores de café vale a pena dar uma olhadinha nas receitas da Associação Brasileira de Cafés Especiais

Enviado por Nádia Schiavinatto, 01/08/2008 às 23:44

A alcachofra e uma vida vazia!!!

Meu colega de trabalho José Luiz Sykacz enviou esse texto para o Conversa temperada... Achei que o texto veio num momento muito oportuno!

A alcachofra


Jonathan Campos - arquivo Gazeta do Povo

Jonathan Campos - arquivo Gazeta do Povo /
Ao contrário de toda sexta-feira a noite, quando o Márcio chegava em casa todo feliz depois da já tradicional ida no bar com os amigos, dessa vez ele estava meio esquisito: quieto, desanimado... Mais reflexivo que o comum. A Luiza estranhou:

- Aconteceu alguma coisa, Márcio? Você está estranho desde que chegou. Não disse uma palavra!

- Aconteceu sim!

- O que houve homem de Deus?

- A alcachofra Luiza, a alcachofra!

O Márcio explicou o ocorrido: é de conhecimento público que toda conversa de bar entre homens tem quatro fases distintas que se sobrepõe à medida que o número de garrafas vazias sobre a mesa aumenta. A primeira diz respeito aos assuntos do trabalho. A segunda, que só é alcançada depois de umas duas doses de cerveja, trata do futebol. Na terceira, as mulheres passam a ser o assunto principal na mesa, quando, finalmente, depois de uma dúzia de chopps somadas a intervenção de algumas generosas doses de whisky e vodca, chegamos até a quarta fase, conhecida como a das “filosofias de botequim”. Nesse estágio, tudo pode virar assunto (e geralmente vira): desde a política econômica do governo até a cor do cabelo do garçom.

Foi mais ou menos nesse período que os amigos do Márcio começaram a falar de um tema relativamente inusitado: as alcachofras.

O Daniel comentou, meio ao acaso, que sua mulher tinha cozinhado uma dúzia de alcachofras, todas maravilhosas, no dia anterior. Já o Fábio reclamou que sua esposa não preparava alcachofras havia pelo menos um ano. O Tavares por sua vez, descreveu com “requintes de crueldade” uma alcachofra com molho de manteiga, divina, que tinha degustado certa vez num restaurante em São Paulo. Comoção geral. O testemunho do Tavares arrancou suspiros de toda a mesa, exceto do Márcio. De uma hora para outra, tinha se dado conta: jamais tinha comido uma alcachofra na vida!

- Tá... Mas por que diabos você está triste? Isso eu ainda não entendi!

- E não é óbvio, Luiza?

-Não!

-Ora: você não vê? Eu tenho quase 40 anos e nunca pus uma alcachofra na boca!

- Tá, e daí?

- Que tipo de pessoa tem a minha idade e ainda não comeu uma alcachofra? Entende? Isso mostra como minha vida é vazia! Como eu perdi tempo com coisas inúteis! Como eu deixei de aproveitar os prazeres mais básicos da minha existência!

- Mas...

- E tem mais Luiza: as alcachofras precisam ser comidas rápido, você sabia? Eu andei pesquisando. Elas têm toxinas! Quer um simbolismo maior do que esse? Se a gente não aproveita a vida rápido, se a gente não come logo a alcachofra, ela perde o sentido, fica imprópria para o consumo... Se torna venenosa!

- Mas se esse é o problema, eu posso comprar umas alcachofras amanhã e preparar para você!

- Não é isso! A alcachofra é só uma metáfora! Um símbolo do vazio que a minha vida se tornou!

- Sua vida não é vazia, Márcio!

- É vazia sim, Luiza!

- Você está exageran...

- É VAZIA LUIZA!!!

A Luiza demorou um pouco para dissuadir o marido da idéia de largar tudo para ir morar em uma chácara qualquer, no meio do nada, lá no interior. Segundo ele, iriam “viver de amor”. Disse que os filhos já estavam grandes, tinham 17 e 13 anos, podiam se virar sozinhos na cidade grande.

Só quando Márcio já estava colocando uma placa de “vende-se” no quintal, foi que sua esposa conseguiu convencê-lo a permanecer ali, alegando que “não teriam TV a cabo no meio do mato”.

No dia seguinte, só por garantia, a Luiza escondeu o caderno de culinária do jornal que trazia uma receita de “Couve-de-Bruxelas ao Fricassê”.

Sabem como é: melhor prevenir!

José Luiz Sykacz

*****
Ah... sim pra quem quiser saber um pouco mais sobre as alcachofras é só dar uma olhadinha neste post do ano passado

Enviado por Nádia Schiavinatto, 01/08/2008 às 01:14

Bolinhos de carne seca da dona Maria e uma cervejinha gelada...


Divulgação

Divulgação / Olha só que delícia! Olha só que delícia!
Para quem pensa fazer um happy-hour uma hora dessas, aqui vai uma dica. Provar os bolinhos de carne seca da dona Maria Takahashi. É “quituteira” desde 1996, quando começou a fazer salgadinhos para festas infantis. O dono do bar Aos Democratas, Leandro Yanagui Teixeira, a conheceu por meio de parentes e resolveu contratá-la quando abriu o bar, há cinco anos.

Dona Maria conta que pegou, por acaso, a receita do bolinho de carne seca com recheio de abóbora, em um programa de televisão. Isso há uns 5 anos... Experimentou e, confessa que não gostou muito, aí resolveu dar um toque próprio e aprovou sua criação. Além dos bolinhos de carne seca, ela faz croquetes de bacalhau (o batatalhau), rabinhos de camarão, coxinhas, quibes e provolone. Tudo isso pra tomar com aquela cervejinha gelada! Que tal?

Agora pra quem quer fazer o happy-hour em casa mesmo, a dona Maria passa a receita pra gente... Olha só:

Receita de Bolinho de Abóbora com carne seca

Ingredientes:

-1 kg de abóbora japonesa descascada

- 1 copo de água (250 ml)

- 1 colher de sobremesa de sal

- 1 folha de louro

- 2 colheres de sopa de salsinha picada

- 3 xícaras de farinha de trigo

- óleo

- 1 cebola média

- 500 g de carne seca ‘dessalgada’ e desfiada

- 1 ovo (para empanar)

- 300 g de farinha de rosca

Modo de preparo:
Refogue a carne seca com cebola, cheiro-verde e pimenta em duas colheres de óleo. Reserve.

Separadamente cozinhe a abóbora com água e folha de louro, amassando com o garfo.

Esquente o óleo (3 colheres) na panela e refogue a cebola, acrescente a abóbora, o sal, a farinha de trigo e a salsinha. Deixe amornar.

Recheie o bolinho com a carne seca, passe na farinha de trigo, no ovo e na
farinha de rosca. Frite em óleo não muito quente.

E aí é só cair de boca! Bom apetite!!!

Enviado por Nádia Schiavinatto, 27/07/2008 às 21:42

Polenta na chapa


Divulgação

Divulgação / Além de polenta na chapa, uma outra forma de saboreá-la é fritaAlém de polenta na chapa, uma outra forma de saboreá-la é frita
Como descendente de italianos que sou e uma polenteira de marca maior, gostei muito do texto que Elói Zanetti mandou para o Conversa temperada. Lembrei, quando criança lá no interior de São Paulo, que íamos ao rancho do meu tio Zé. E lá, quando anoitecia meus tios iam pescar cascudos com tarrafas. Quando chegavam, limpavam os peixes, temperavam e já fritavam. Minha mãe sempre esperava os pescadores com uma gostosa polenta. Eu adorava. Pegava um pedaço generoso, cortava-o ao meio e dentro recheava com queijo... que derretia... Bons tempos aqueles!

Mas, vamos ao que interessa... vamos ao conto de Elói Zanetti ...


Caia uma fria garoa naquela manhã de sábado. Levantamos cedo, juntamos as tralhas, carregamos a velha Brasília e saímos para pescar lambaris. Destino: um riozinho que corta a antiga estrada da Ribeira e atravessa o sítio de um velho imigrante. Contentes, apesar do tempo feio, encontramos fácil o lugar.

Na porteira um senhor nos recebeu.
- Bom dia!
- Bom dia!
- Seu Inácio?
- Chim! - o sotaque italiano revelava a descendência do sitiante.
Seus amigos do Juvevê nos disseram que no rio do seu sítio dá bons lambaris. O senhor dá licença de pescar?
- Ah! Sei. Se quiserem pescar podem, mas não vão pegar nada.
- Por quê?
Esta semana, a fábrica lá da estrada andou despejando veneno nas águas, matou tudo.
- Mas a gente pode tentar, só para não perder a viagem? - perguntamos.
- Entrem, se acomodem. Coloquem o carro ali perto do paiol. Ninguém mexe.
O rio fica seguindo este caminho.

Descemos a trilha, um rio de águas claras, bonito e bem margeado nos esperava. Não fosse o aviso do velho, teríamos certeza de que ali era um bom pesqueiro. Mas para nossa tristeza, ele tinha razão, não deu nada. O veneno industrial havia matado todos os peixes em um bom trecho de rio. Mesmo assim, tentamos durante algumas horas, até que a fome começou a rondar.

Desanimados, recolhemos os apetrechos, as varas e subimos em direção à casa. Pensávamos comer alguma coisa e seguir em frente. Quem sabe à tarde, em outro rio, tivéssemos mais sorte. O velho, na soleira da porta, pitando um cigarro de palha, nos perguntou de longe.

- E daí, tiraram alguma coisa?
- Naaada - meu sogro falou desconsolado - mataram tudo mesmo.
- E ninguém liga. Fazem o que querem.
- Pretendemos comer nosso lanche e seguir adiante, podemos ficar aqui no galpão, por causa da chuva?
- Ah! Non! Tragam suas coisas para a cozinha. Lugar de cristão comer é na mesa. Fiquem à vontade, se precisarem de prato e talher a mulher ajuda vocês. A casa é simples, mas o coração é grande, arrematou.

A hospitalidade e a boa vontade do velho impressionavam. Acredito que ele estava à procura de alguém para conversar e nós fomos os escolhidos. Começou a especular sobre as coisas da cidade, o que fazíamos, nossos parentes, os lugares em que pescávamos e sobre a nossa amizade com o pessoal do Juvevê. Meu sogro puxou da sacola uma garrafa de vinho e disse:
- O senhor bebe vinho?
- Mas claro, mulher pega uns copos para gente beber com os amigos.

Foi quando percebi, ao lado do fogão, onde a lenha crepitava ligeira, soltando gostoso e acalentador ruído, uma senhora, vestindo um avental já gasto e manchado pelo uso, que se ocupava da feitura do almoço. Ela abriu um sorriso simpático, pegou os copos e coloco-os na mesa. Em seguida, voltou-se para o que estava fazendo. Fiquei preso à cena, fascinado pelas chamas produzidas no velho fogão. Eram de um vermelho vivo, quase intenso, fogo típico de madeira seca, bem escolhida e cortada. Acordei do pequeno transe e comecei a prestar atenção no seu trabalho, os gestos eram de extrema mestria. O ritmo calmo e preciso com que lidava com os afazeres me encantavam. Era gostoso vê-la destampar panelas, mexendo nos diversos preparados com uma colher de pau. A cada abertura de tampa erguiam-se bafos, chiados e aromas diferentes. Foi então que aconteceu o seu movimento mais bonito, aquele que ficou preso na minha memória para sempre e, graças a ele, hoje, posso relembrar esta história. Em determinado momento, ela passou um pano pela chapa azulada limpando com suavidade o ferro que ardia. Pegou a panela onde uma polenta acabara de ser cozida, virou o conteúdo na chapa e, com uma espátula, espalhou-o com gestos elegantes. A massa estalou ao contato com o quente e foi ganhando forma. A mulher mexia pelas beiradas, acompanhando o queimado das pontas e com cuidado foi moldando o formato da peça. Quando a polenta começou a pegar consistência, cortou-a em vários pedaços passando a virá-los um a um, ora tostando um lado ora o outro.

Estava tão compenetrado em observar o trabalho da mulher que havia me esquecido do velho. Ele acabara de nos convidar para juntar nossas comidas e almoçarmos juntos. Confesso que fiquei com medo de que meu sogro recusasse a oferta. Mas não, ele estava tão interessado naquela polenta quanto eu e nem titubeou. Espalhou nossas coisas na mesa e exclamou do fundo do coração.

- É um prazer enorme almoçar com vocês!
E no seu sotaque também de italiano disse:
- Criiiiisto! Que polenta bonita, faz anos que não vejo nada assim, desde os tempos da minha nonna.

Na parede, retratos da família e um velho quadro Sagrado Coração de Jesus abençoava aquele santo almoço. A senhora tirava as lascas mais tostadas da chapa colocava-as nos pratos, despejava em cima o molho encorpado com um bom pedaço da galinha cozida e nos servia. O maravilhoso cheiro dos temperos caseiros tomava conta do ambiente.

A conversa continuou, causos foram relembrados. Lá fora a chuva caía fina, fria e intermitente. No rio, a água fluía limpando o descuido dos homens. O meu coração foi tomado de uma saudade imensa. Saudade de coisas que ainda viriam, porque aquilo não se repetiria mais, nunca mais.

Eloi Zanetti é publicitário, foi diretor de comunicações e marketing do Bamerindus e do Boticário, hoje é consultor em Marketing e Comunicação, e autor dos livros: Administração, Futebol & Cia, O Encantador de Clientes, O General que Sabia Ganhar Batalhas, O Mago Pareto, O nó do afeto e Posso Ajudar?

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