Terça-feira, 22/05/2012
Marcelo Amorim
Este blog, dedicado desde sempre à Baixa Gastronomia, abre espaço hoje para a Baixa Coquetelaria. E como tudo que habita o universo da baixa coquetelaria é de alto nível alcoólico, nada mais adequado do que chamarmos para a mesa o ícone dos bebuns de bairro: sua excelência, o rabo-de-galo.
Encontrado desde biroscas a botecos tradicionais, esse brasileiríssimo engasga-gato está para os que bebem assim como o cigarro sem filtro esteve para os que fumam. Embora gozando de relativa fama, poucos sabem que o rabo-de-galo tem sua gênese ligada à história americana. Até seu pitoresco nome tem um pezinho lá nos states. O amigo leitor está curioso? Então, vou servir mais um parágrafo.
Marcelo Amorim
A máfia dominou a cena e passou a comercializar destilados produzidos clandestinamente. Inventar misturas foi a saída para compensar a falta de qualidade dos venenos feitos em fundo de quintal, e assim surgiu o barman e seus coquetéis, muitos dos quais se tornaram clássicos.
Marcelo Amorim
Assim nascia o rabo-de-galo (sobe o som dos violinos).
Agora vem a saideira desse papo: por que raios esse negócio foi ganhar esse nome tão, digamos, folclórico? Prepare-se, pois sua vida está prestes a mudar com a revelação que vem a seguir. Na mesma época da Lei Seca americana, particularmente na região do Mississipi, os apostadores de brigas de galo tinham o hábito de mexer seus drinques com uma pena tirada do rabo do galináceo campeão. Rabo de galo, em inglês, é o que? Cock tail, of course. Para cocktail virar coquetel, e a versão literal disso batizar nosso drinque mais pop, foi um pulo. Ou melhor, um gole.
Modo de fazer: em um copo martelinho, misture uma parte de cachaça com outra igual de vermute. Se preferir um sabor menos doce, substitua o vermute por Cynar. Sirva na temperatura ambiente.
Marcelo Amorim
Avaliação: o retrogosto vem só no dia seguinte, e lembra notas de arame farpado.
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Serviço
Armazém do Nico - Rua Ewaldo Schiebler, 422 – Jardim Social
Bar do Padre – Rua Dom João VI, 35 – Cajurú
Bar Santa Rita – Rua Santa Rita 257 – Ahú
Waikiki Bar e Mercearia – Rua Santo André, 116 - Cajuru
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Guilherme Caldas
No ramo há quatro décadas, o Bar do Altair, cinco anos atrás, precisou se mudar para o novo endereço. Mas ficou ali por perto e manteve a freguesia. "Hoje, atendemos o pessoal da universidade aqui ao lado", nos conta o Eduardo, "mas o bom mesmo é em dia de jogo do Coxa". Quando perguntado se os atleticanos não aparecem pra secar o Coritiba, seu Altair desconversa: "em outros dias, são muito bem vindos, mas em dia de jogo pode dar confusão".
Guilherme Caldas
Provando que torcedores rubro-negros são mesmo bem vindos, Carlos, atleticano de carteirinha, acertava sua despesa e arriscava que o jogo iria mesmo acabar nos pênaltis: "E aí...", faz uma pausa mas continua, "lembra do Zico contra a França? Baita jogador e perdeu aquele pênalti." O fato de torcer para o rival não o impede de frequentar a famosa feijoada do Altair: "O que existem são adversários, não inimigos".
Guilherme Caldas
No balcão, o rollmops, ms sábado é dia de feijoada.Talvez seu Altair esteja guardando a relíquia para a nova geração. O neto, Fernando, já segue o caminho da família, como atesta sua fotografia com o uniforme do Verdão. Uma freguesa nos conta que, em 85, o seu avô estava no Maracanã com o seu Altair. Ela jura que não se importa com futebol, mas lembra que seu primeiro bolão foi em meio aos imãs de geladeira e um brasão do Coritiba que não deixam dúvidas de que o coração ali é alvi-verde. "Conhecemos outros lugares com mais decoração do time, mas a gente procura não carregar demais", nos conta Eduardo, que não estava na final do Campeonato Brasileiro de 85 por um pequeno detalhe: "Naquele ano, eu estava nascendo. Meu pai deixou minha mãe aqui e viajou pra assistir à última partida no estádio".
Guilherme Caldas
O pessoal da casa garante que o Bom Retiro é um bairro onde a torcida coxa-branca é maioria absoluta. "Por isso é 'Bom' Retiro. Se fosse o contrário, seria 'Mau' Retiro", alfineta seu Altair, que, no começo, não queria se manifestar sobre o resultado do clássico. Mas logo mudou de idéia e mandou seu palpite: "2x0". Para o Coxa, é claro.
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Serviço
Bar do Altair
Rua Nilo Peçanha, 17o1 (veja a localização no Mapa da Baixa Gastronomia)
(41) 3078-4513 / 3078-4514
Aberto todos os dias das 11:00 às 23:00 (sábados, até 21:00)
Aceita cartões
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Guilherme Caldas
Ao entrar pela porta, fica fácil saber por quais cores bate o coração do seu Antônio Carlos, o Toninho, que empresta seu nome ao bar (embora na placa leia-se Bar Stela). Instalado no número 1776 da Ângelo Sampaio, encontra-se aquele que é tido como um dos maiores redutos atleticanos de Curitiba.
Seu Toninho não arrisca um placar para o Atletiba, mas seu filho Juba crava "2x1 pro Furacão", talvez por estar ainda sob o efeito do placar do jogo da véspera, em que o Atlético despachou o Cruzeiro pela Copa do Brasil. Do outro lado do balcão, um freguês opina "1x0", mas para o Coxa. É a opinião de Manoel, frequentador assíduo do bar, embora torça para o Coritiba.
Guilherme Caldas
Sim, porque o Bar do Toninho torce e sofre pelas cores vermelha e preta mas acolhe seguidores de todas as agremiações. E o fato de algumas delas serem extintas é só um detalhe. Que o diga o seu Pedro Ivo, torcedor do Paraná Clube desdes os tempos de Esporte Clube Água Verde e frequentador do lugar antes mesmo de se tornar o Bar do Toninho.
É ele quem puxa a história, que seu Toninho completa: "quem construiu tudo aqui foi o seu Salvador, que abriu a mercearia em 1947". Esta primeira fase se encerra em 1962, quando o estabelecimento, que ocupava um terreno que ia até a D. Pedro II, foi vendido para o Café Alvorada. Reaberto, ainda como mercearia, em 1978, o bar passou por mais alguns proprietários, antes de passar à família Stela (daí o nome na placa).
Guilherme Caldas
A identificação com o Atlético, ao contrário do que se imagina, não foi imediata. "Ali por 85, na época em que o Coritiba foi campeão brasileiro, vinham aqui uns fregueses coxa-branca, que eram meus amigos, mas eram também uns chatos!", nos conta o Toninho, justificando como ele – um são paulino convertido – sua família e o bar acabaram indo para o lado rubro-negro da força.
Funcionando ainda como mercearia, o lugar aos poucos foi se adaptando ao novo perfil de ocupação das redondezas, em que casas residenciais passaram a dar lugar a prédios e estabelecimentos comerciais. "Antes, dava 6:30 da manhã, a gente já estava aberto, vendendo leite, pão, verdura. Mas a calçada começou a ficar vazia e eu precisei fazer o meu sinal de fumaça, que nem índio, pra chamar as pessoas de volta".
A "Fumaça", no caso, é mais ou menos literal: saía de um latão cortado ao meio, posicionado na calçada, em que seu Toninho passou a preparar carnes, chamando de volta parte da freguesia que aos poucos migrava para as novas padarias abertas no bairro. Também serviu para atrair novos fregueses, agora funcionando como boteco.
A porção de torresmo é o campeão de pedidos, mas a porção de bolinho de carne e de pastel, provados pela Equipe BG, também são sensacionais. Uma das marcas registradas do balcão do Bar do Toninho é o molho da casa, feito a partir de uma combinação que lembra o vinagrete. O diferencial do molho é a adição de alguns ingredientes, que o seu Toninho até conta quais são, mas nós da BG vamos ficar moita, que é para você, leitor amigo, ir até lá e perguntar pessoalmente a ele.
Guilherme Caldas
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Serviço
Bar do Toninho
Rua Ângelo Sampaio, 1776 (veja a localização no Mapa da Baixa Gastronomia)
(41) 3225-3774
Aberto todos os dias das 10:30 à meia noite (domingo, até 21:00)
Não aceita cartões
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Christiane Buss
Calçamento da rua São FranciscoA rua São Francisco, antiga rua do Fogo, ali no Setor Histórico de Curitiba, na quadra situada entre Riachuelo e Barão do Serro Azul, está passando por reformas, orientadas pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano, Ippuc.
O plano de reforma da São Francisco naquele trecho é criar uma espécie de rua gastronômica, o que vem ao encontro de reivindicações do comércio local. Ouve-se dizer que as calçadas serão ampliadas e a pista de automóveis diminuída, de modo a não mais se estacionarem carros. Muito bem.
Duas preocupações, no entanto, devem ser anotadas, e o redator deste programa faz a título pessoal, isentando a terceiros de qualquer responsabilidade por estas observações.
Primeiro, o velho calçamento do lado esquerdo daquela quadra da rua São Francisco, mais do que centenário, e feito a base de “matacões”, grandes pedras de basalto negro justapostas com esmero e arte, acaba de ser desmanchado para a reforma das tubulações subterrâneas, destinadas ao escoamento das águas, sem qualquer indicação de que as peças serão recolocadas no lugar – o que já significa a destruição de um patrimônio histórico inestimável, que aliás não está nas pedras mas na arte com que foram colocadas.
Christiane Buss
A argolaO segundo ponto é o seguinte: um pequeno sinal remanescente do tempo em que se andava a cavalo pela São Francisco, uma solitária argola de prender animais, sobrevivente de outros tempos, até hoje está presa ao meio-fio da mesma calçada de velhos matacões. Fica na rua São Francisco, quase em frente ao número 171. Será que a argolinha vai sobreviver às reformas? Os moradores daquela rua já se mobilizam em sua defesa, e estão dispostos a lutar por ela. Será a batalha da Argolinha...
Jaques Brand para o piloto do programa Minutinho de História.
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Com a palavra, o Ippuc.
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Guilherme Caldas
Instalada logo ali na Cândido Lopes, a Pastelaria Brasileira por pouco não testemunhou de camarote a construção do atual prédio da Biblioteca Pública do Paraná. O Eliseu, da segunda, digamos, geração de proprietários depois dos fundadores, nos conta que Seu Mário e Dona Rosa, proprietários originais da pastelaria, se instalaram em 1958 no endereço que continua a ser um porto seguro para os frequentadores do centro da cidade.
Guilherme Caldas
Se a Pastelaria Juvevê nos cativa pela variedade e, por que não?, extravagância de alguns de seus recheios, a Pastelaria Brasileira segue o caminho oposto: receitas simples, clássicos da pastelaria que, acompanhados de uma laranjinha, saem por menos de cincão.
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Pastelaria Brasileira
Rua Cândido Lopes, 156 (Veja no Mapa da Baixa Gastronomia)
Aberto de segunda a sexta, das 7:30 às 19:00, sábados das 7:30 às 14:00
Atualização: Não aceita cartão
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Divulgação - Facebook Dudu Dog
Dudu Dog: sem misériaDivulgação - Facebook Dudu Dog
Também tem pros vegetarianos.Divulgação - Facebook Dudu Dog
Lulu (e não o Dudu) em ação.O cachorro-quente é no pão de hamburguer, porque o recheio não caberia no tradicional pão de leite, sem contar que ele usa queijo de verdade, é fatia de provolone, mussarela e queijo prato em cubos. Tem para carnívoros e vegetarianos (com carne de soja que a mãe dele tempera), peito de peru, calabresa, frango (que é desfiado na hora). Para os paladares mais refinado, tem gorgonzola com tomate seco.
Enfim, Dudu Dog é muito bom. O preço não é tão barato quanto um cachorro-quente simples mas vale cada centavo investido, pois, com certeza, é muito melhor do que qualquer fast-food. Sem contar que dá pra comer um cachorro-quente ouvindo um Rock'n'Roll, que sempre está rolando na radiola. E ainda corre o risco de sair de lá engatado com alguém.
Porque sempre rola um affair na Barraca do Dudu!
Divulgação - Facebook Dudu Dog

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Atualização:
De quinta a sábado, das 23:30 até acabar o pão
Outros dias da semana, sujeito ao clima (e ao humor do Dudu)
Encontre o Dudu Dog no Mapa da Baixa Gastronomia.
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Curitiba – Baixa Gastronomia
Feijoada do Cotidiano: ainda dá tempoO Cotidiano foi tema do post mais polêmico que publicamos por aqui, até agora. Trata-se de mais uma entre tantas vítimas da especulação imobiliária que assola Curitiba de uns anos pra cá. Então, além de uma das últimas chances de encarar uma das feijoadas mais bem faladas da cidade, você também pode fazer uma careta simbólica pra construtoras, imobiliárias, incorporadoras e quetais. Uma amiga nossa, inclusive, comentou que está mais dentro dessa do que o João Ratão da feijoada da Dona Baratinha.
Pros que não têm idade pra saber do que estamos falando, segue o trecho da história, que saiu na Coleção Disquinho em 1960 e fez parte da infância de muita gente com mais de 30 anos.
Serviço
Feijoada no Cotidiano
Sábado, dia 28/04, a partir das 13:00
Rua Guido Straube, 8 (veja onde fica no mapa da Baixa Gastronomia), (41) 3019-2019
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Maringas Maciel
Detalhe da fachada da panificadora (ou padaria?) Verdes Mares.Outro dia, surgiu uma polêmica aqui no blog da BG (Baixa Gastronomia) quando falamos sobre o peixe das sextas-feira na padaria Verdes Mares. Houve quem nos acusasse de paulistas, houve quem achasse que dava na mesma, houve quem ficasse sem entender de que raios estávamos falando. Pros que ficaram em dúvida, o fotógrafo Maringas Maciel nos ajudou... a ficar com mais dúvidas ainda.
Segundo o próprio Maringas, padaria são lugares que apenas vendem o pão enquanto panificadoras são os lugares que também os fabricam.
Já o dicionário Houaiss traz lá:
Padaria s.f. estabelecimento comercial que fabrica e vende pães, biscoitos etc; panificação.
Panificadora s.f. (brasileirismo) padaria.
Esta imagem é da fachada da própria Verdes Mares e a questão permanece: padaria ou panificadora?
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Correção: Confira a localização da Verdes Mares no Mapa da Baixa Gastronomia.
O Blog da Baixa Gastronomia também tem Twitter, Facebook e email. E também é um mapa.
Bia Moraes
O Cotidiano é um simpático restaurante de comida caseira encravado entre a República Argentina e a via rápida Centro-Portão, no Água Verde. Há 20 anos no bairro, serve um farto e saboroso buffet, durante e semana e, aos sábados, uma das melhores feijoadas da região.
Guilherme Caldas
Alguns dos antigos inquilinos deixaram sua marca no imóvel, construído a partir do final da década de 1940.Se você quiser provar, corra. O Cotidiano está com os dias contados. Culpa da especulação imobiliária que tomou Curitiba de assalto há coisa de alguns anos.
Ivan e Simone, casal de proprietários do Cotidiano, alugam o prédio onde está o restaurante de uma tradicional família do bairro, dona de quase todo o quarteirão. Há cerca de um ano, surgiram boatos de que o terreno seria vendido a uma construtora.
Meses atrás, o contrato de aluguel não foi renovado e, há pouco tempo, a sentença final – representantes de uma incorporadora procuraram os donos do restaurante para comunicar que tinham 90 dias para deixar o imóvel.
A ordem de despejo veio acompanhada de uma ação judicial em que a incorporadora pede a saída imediata do restaurante e de alguns vizinhos – uma agência de publicidade, uma escola de dança, uma banca de jornais e até uma igreja.
Reunidos, os inquilinos procuraram um advogado. Com a ação tramitando na Justiça, descobriram que a incorporadora sequer tem o registro legal do terreno – a escritura ainda está em nome dos antigos proprietários. Mas tem pressa. É o progréssio, o progréssio, cantam os entusiasmados!
Os donos do Cotidiano, que construíram vidas, fizeram amigos e clientes naquele imóvel da Professor Guido Straube, não têm esperanças de permanecer no local. Sabem que, na briga entre Davi e Golias dos dias atuais, não têm nenhuma chance contra o poder e o apetite gigantescos das construtoras.
O que Ivan, Simone o resto da família e os inquilinos que ainda estão nos imóveis querem é, ao menos, uma indenização que os ajude a recomeçar a vida. Afinal, se o dono tem todo o direito de vender o terreno quando e para quem quiser, também é verdade que a clientela conquistada e o ponto comercial que souberam construir têm seu valor. Nesse caso, aliás, são tudo o que têm os donos do Cotidiano.
“Temos pesquisado imóveis para o novo ponto. Mas, do jeito que estão custando os aluguéis, não conseguiremos ficar no Água Verde. Aliás, os preços estão altos até em bairros da periferia”, lamenta o casal. Mas, se forem pra longe dali, darão adeus à freguesia que cativaram oferecendo, durante anos, comida boa a preço justo.
O drama vivido pelos donos do Cotidiano e seus vizinhos não é, certamente, inédito na cidade. Muita gente que criou-se em bairros que hoje despertam a cobiça das construtoras está sendo expulsa do lugar em que nasceu e cresceu por não ter dinheiro para fazer frente ao absurdo aumento nos preços dos imóveis e aluguéis na cidade.
Guilherme Caldas
Alguns vestígios do antigo bairro ainda existem. Não por muito tempo.Isso deixa algumas perguntas que, embora óbvias, permanecem sem resposta: além das construtoras e incorporadoras, quem mais ganha com a especulação imobiliária? De que adianta uma cidade com centenas de imóveis novos se eles custam muito mais do que pode pagar sua população? Desejamos viver numa cidade em que o interesse econômico expulsa os moradores para cada vez mais longe dos bairros centrais?
Convidamos nossos poucos (mas bravos) leitores a pensar nisso. E, também, a fazer uma visita ao Cotidiano, a quem somos, desde sempre, solidários.
Guilherme Caldas
É fácil de encontrar o primeiro toldo na Guido Straube. Ao lado, já se vê um dos tapumes da demolição.Serviço
Rua Professor Guido Straube, 8, Água Verde, (41) 3019-2019 (veja no Mapa da Baixa Gastronomia).
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Guilherme Caldas
Um clássicoA esquina no Pilarzinho é o novo endereço da Lanchonete da Lombada, onde Seu Carivaldo criou aquele que é visto por muitos como o desafio supremo dos apreciadores da Culinária Ogra: o Mega-Lombada.
Guilherme Caldas
Dá pra esperar nas mesinhas sob o toldo. As motos são para as entregas.Inicialmente numa barraquinha de cachorro-quente, Seu Carivaldo havia se tornado dono de uma lanchonate na Hugo Simas, em frente a uma lombada, donde o nome, da lanchonete e do sanduíche. Recentemente, se mudou para o local de esquina na Raposo Tavares, onde os fregueses aguardam de 15 minutos a 1 hora, dependendo do movimento da casa, pelo seu X-Lombada, como é chamado mesmo pelos que nunca se atreveram a enfrentar esta lenda da Baixa Gastronomia. Tem gente que leva pra casa, tem quem coma no local – simples mas bastante ajeitado e, pelo menos numa sexta à noite, com bastante lugar para todos os fregueses – e quem preferir pode fazer o pedido por telefone.
Guilherme Caldas
Nem só de X-Lombada vive a Lanchonete do CarivaldoA mudança para um local mais afastado do centro poderia soar como desvantagem, mas Luana, filha do proprietário, nos contou que não foi bem o que aconteceu: "Na Hugo Simas, as pessoas só passam de carro. Aqui, elas andam mais a pé e o nosso movimento acabou melhorando", ela explica, aproveitando pra nos informar que este é, como muitos dos melhores estabelecimentos BG (Baixa Gastronomia), um restaurante familiar. Além dela e de mais alguns empregados, trabalham no local Dona Silvana, esposa do Seu Carivaldo e Paulo, genro dos donos.
Guilherme Caldas
Os pedidos são feitos no balcão, de onde se pode observar o próprio Carivaldo pilotando a chapa.Quem não tiver a coragem ou a disposição de encarar o carro-chefe da casa pode ainda se servir no buffet de cachorro quente ou pedir um "modesto" X-Tudo.
Padrão Carivaldo, ou seja, pelo menos o dobro de um X-Tudo normal. E quando eu chamo de modesto, é porque ele serve "apenas" quatro pessoas por R$ 15,00 (o que não me impediu de testemunhar dois valentes encarando um desses).
Guilherme Caldas
No final, sobrou "apenas" esta sacola, para levar pra casa.Por R$ 35,00, o X-Lombada serve, com folga, oito pessoas e vem numa caixa de pizza com uma tampa que, óbvio, não vence o tamanho do, digamos, sanduíche. Sim, porque o X-Lombada é grande, impressionante mesmo, mas é um sanduíche. O Adilson, um dos simpáticos atendentes, explicou que o pão – imenso - é encomendado especialmente.
Foi ele também quem listou os ingredientes:
. 6 hamburguers
. Maionese
. Presunto
. Mussarela
. 6 ovos
. 6 vinas
. Frango
. Carne
. Bacon
. Calabresa
. Cheddar
. Catupiry
. Provolone
. Tomate
. Alface
Confesso que, até o momento de enfrentar o primeiro pedaço (que, em escala normal, equivale ao mais monstruoso X-Tudo) eu cheguei a ter dúvidas a respeito do gosto dessa combinação insólita. Mas quem pensa que a Lanchonete do Carivaldo se baseia numa Gastronomia de Resultados (muito tamanho, pouca qualidade) não pode estar mais enganado: o X-Lombada tem tamanho mas tem, principalmente, sabor para figurar desde sempre como um clássico.
Guilherme Caldas
Se a gente tivesse reunido apenas mais quatro pessoas, acho que tínhamos dado conta.Serviço
Rua Raposo Tavares, 528, (41) 3338-9515, 3014-9524, 9127 9582 (veja no Mapa da Baixa Gastronomia).
Horário de atendimento: de segunda a sábado, das 16h30 às 23h30.
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