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Diário de Antonio

Quem faz o blog
Enviado por Celi Anizelli - celi.anizelli@gmail.com, 03/05/2012 às 09:23


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“Embora você tenha que estar no mundo, não seja do mundo. Os verdadeiros iogues podem falar e se misturar com as pessoas, contudo suas mentes estão sempre absortas em Deus”.
(Paramahansa Yogananda)


Conversando com meu filho...

“Meu Lindo,
na primeira semana de junho, seu pai deu um curso na UEL em Londrina e fui junto.

Sabia que estes momentos seriam cada vez mais raros daqui para frente, e estar em família era o que eu mais queria.
Apesar de Curitiba ser uma cidade linda, não me acostumava com o clima e sentia muito a falta dos meus familiares e amigos.

Por muitas vezes seu pai precisou ter overdoses de paciência por conta das minhas crises de ausência familiar.

Logo que chegamos em Londrina fomos direto para a casa da sua tia Ana. Ela nos esperava para jantar e nos preparou uma sopa de lentilhas...daquelas que só a tia Ana sabe fazer.

Depois do jantar, seu pai foi visitar sua avó Regina enquanto eu fiquei curtindo seu primo Affonso.*

Quando ele tinha dois aninhos eu me lembro de
passear com ele no fusquinha do vô Gena.
De fraldas ainda, ele ficava em pé no meu colo segurando o volante e fazendo de conta que era o motorista.
Ele era loirinho, loirinho, tinha um sorriso sapeca que fazia derreter qualquer coração.
Quando passava perto de uns cabritinhos achava o máximo e apontava o dedinho dizendo: “bisso, bisso!” (bicho).”

*Affonso hoje tem 14 anos, um sobrinho querido, amado, especial.


Licões que aprendi...

Antes de engravidar, quando eu ouvia ou lia depoimentos a respeito da sensibilidade que a gravidez proporcionava, achava tudo crendice, bobagem de mulher grávida, mas só entendi o quanto tudo isso é verdadeiro, depois que o Antonio nasceu, bem depois.

Ao mudar-me definitivamente para Curitiba, em agosto de 2000, senti bastante o que muitas pessoas diziam a respeito da cidade, do curitibano, do clima:

"- As pessoas são difíceis de se relacionar!"
"- Será que vai se acostumar com o frio?"
"- O curitibano não faz amizade fácil."

E foi verdade.
Os poucos amigos que fiz aqui são de outras cidades ou estados. Salvo raras exceções. E o frio... não me adapto a ele até hoje.

Morei 23 anos em Londrina.
Trabalhei, estudei e fiz muitos amigos por lá durante todos esses anos.
Era difícil aceitar ficar longe de pessoas queridas que viveram comigo parte da minha vida.
Lembrar do abraço caloroso e do carinho destas pessoas por mim era torturar-me demais num período em que me encontrava tão sensível.

Com o passar do tempo tentei me acalmar.
Como fazia apenas um ano que eu estava aqui, minha vida e minhas amizades limitavam-se ao meu ambiente de trabalho e à faculdade.
Mas devo dizer que senti muita solidão.

Eu podia contar com um casal de amigos e seu filhinho para nos fazer companhia em alguns finais de semana e assim, aliviar um pouco a saudade da minha família.

Nas minhas horas de introspecção, lembrava de algo que meu amigo Roger sempre dizia: “ - Em tudo dai graças!”
Um parêntesis sobre o Roger para que entenda o significado da "frase de efeito":

Eu o conheci quando trabalhávamos numa agência de publicidade em Londrina.
A primeira vez que conversei com ele, falava tão rápido que mal conseguia entender o que dizia...

Naquela época, em 1995-96, contou-me que havia sofrido um acidente tão sério que os médicos o desenganaram... O diagnóstico previa apenas 3% de chance de sobreviver e sobreviveu!

Um teimoso, eu diria.
Baixinho, cartunista, um amigo que levarei para o resto da vida!
Amigo, aprendi com você em tudo dar graças!
Porque, de alguma forma, o bom ou o ruim que experimentamos transforma-se em boas lições.

Enquanto eu continuava no "casulo", reavaliei minha vida e minhas amizades.
Amadureci o meu relacionamento com meu marido e aprendi a importância da sua companhia.

Nestas idas e vindas à Londrina, quando encontrava meus familiares e amigos, uma luz se acendia dentro de mim, renovando minhas energias e fazendo-me apreciar cada minuto passado ao lado deles.

Laços e nós que fazemos e entrelaçamos.

Passado, presente e futuro... Família, amigos de algumas vidas.

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A proposta do DIÁRIO DE ANTONIO é a de um livro virtual.
Você poderá ler os assuntos alternadamente ou acompanhar desde o início capítulo por capítulo.

Você também poderá ler outros textos que publico no blog
Sal de Açúcar

Seja bem-vindo, seja bem-vinda, obrigada por sua companhia.

Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
ancora
Comentários
Valéria Rodrigues | 04/05/2012 | 12:11

Amooo ler seu blog! Simples assim: numa frase, tentei passar todo o prazer que tenho ler suas palavras. Val

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