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16/05/2013 às 08:18


Jonathan Campos/ Gazeta do Povo

Jonathan Campos/ Gazeta do Povo /
Diante da recente entrega de tablets aos professores do ensino médio da rede pública de educação de diversos estados do país, fato que tem sido noticiado em diversos espaços da mídia, fui convidada a refletir sobre isso em reportagem de uma TV local. Com o olhar de alguém que atua na área da formação de professores e da mídia-educação, e que atualmente desenvolve pesquisa sobre o Programa Um Computador por Aluno, ProUCA, gestão e prática pedagógica no ProUCA e aprendizagem multimídia com o uso do laptop na escola, compartilho algumas questões que chamam minha atenção sobre os tablets na educação neste momento.

Antes de tudo é importante enaltecer a iniciativa das políticas públicas de inserção das tecnologias nas escolas. No entanto, defendemos uma perspectiva de inclusão digital que também seja inclusão social e cultural, ou seja, não basta o acesso às máquinas (laptops, tablets, etc), pois é preciso pensar na qualidade do acesso e nas possibilidades de mediação e participação na cultura no sentido de minimizar a exclusão digital, a digital divide. E isso implica assegurar desde as condições de infra-estrutura física, de rede banda larga e sua manutenção, até o desenvolvimento de propostas de formação de professores de modo eficiente aliado às mudanças na escola (arquitetura escolar, organização do espaço-tempo, currículo, planejamento, etc.).

Ou seja, não é suficiente entregar equipamentos tecnológicos cada vez mais modernos sem uma perspectiva de formação de qualidade e significativa, e sem avaliar os programas anteriores. O risco é de cometer os mesmo equívocos e não potencializar as boas práticas, pois muda a tecnologia, mas as práticas continuam quase as mesmas.

Nesse quadro de integração das tecnologias móveis e digitais nas escolas, grande parte dos discursos que enfatizam o tema da inovação na escola através das tecnologias envolve retóricas que produzem diferentes olhares da parte de quem está na escola e de quem atua com formação e pesquisa. Desde percepções de que isso apenas complexifica o processo de ensino-aprendizagem com riscos e potencialidades de diversas naturezas até uma visão de que o uso instrumental da tecnologia resolverá os problemas que seriam de ordem didática.

Com isso, podemos nos perguntar pelos desafios da didática diante da cultura digital: o tablet na sala de aula modifica a prática dos professores e o cotidiano escolar? Em que medida ele modifica as condições de aprendizagem dos estudantes? Evidentemente isso pode se desdobrar em inúmeras outras questões sobre a convergência de tecnologias e linguagens, sobre o acesso às redes na sala de aula e sobre a necessidade de mediações na perspectiva dos novos letramentos e alfabetismos nas múltiplas linguagens.

Outra questão que é preciso pensar diz respeito aos conteúdos digitais. Os conteúdos que estão sendo produzidos para os tablets realmente oferecem a potencialidade do meio e sua arquitetura multimídia ou apenas estão servindo como leitores de textos com os mesmos conteúdos dos livros didáticos? Quem está produzindo tais conteúdos digitais? De que forma são escolhidos e compartilhados?

Ou seja, pensar na potencialidade que o tablet oferece na escola - acessar e produzir imagens, vídeos, textos na diversidade de formas e conteúdos digitais - implica em repensar a didática e as possibilidades de experiências e práticas educativas, midiáticas e culturais na escola ao lado de questões econômicas e sociais mais amplas. E isso necessariamente envolve a reflexão crítica sobre os saberes e fazeres que estamos produzindo e compartilhando na cultura digital.

>> Monica Fantin é Doutora em Educação, Professora do Curso de Pedagogia da UFSC e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa Educação e Comunicação, PPGE/UFSC. Confira o blog dela aqui.


>> Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Siga o Instituto GRPCOM também no twitter: @institutogrpcom.

14/05/2013 às 11:41


Albari Rosa/Gazeta do Povo

Albari Rosa/Gazeta do Povo /
Em meio a tantas notícias sobre violência, desejar uma solução para o problema é um anseio perfeitamente legítimo da sociedade brasileira. Porém, quando as soluções propostas são rápidas e não baseadas em pesquisas científicas, corremos o risco de criar novos problemas em vez de melhorar o quadro atual.

Atualmente, a mídia, de modo geral, tem destacado bastante o jovem como uma das maiores ameaças que temos na sociedade. As justificativas para essa alegação recaem muitas vezes numa representação muito negativa que temos sobre a juventude e num mito sobre a impunidade dos adolescentes. Tal crença convoca a população a se posicionar sobre o tema, crendo que casos isolados são de fato a generalização. Dessa forma, acreditar que a redução da maioridade penal seria “a solução” para a questão da violência cometida pelo jovem acaba sendo algo esperado, ainda que equivocada.

Reduzir a maioridade penal é uma proposta de solução para a violência que coloca o adolescente como um dos principais responsáveis pelo problema. Entretanto as estatísticas demonstram que em média, 8% do total dos crimes são cometidos por adolescentes (entre 12 e 18 anos) e entre esses, apenas 10% são crimes contra a vida – de forma alguma esses números são irrelevantes, são graves e precisam ser diminuídos certamente, mas eles também não justificam uma política de redução da maioridade. Entretanto, 70% dos crimes de homicídio tem o jovem como sua principal vítima e, desses, 80% tem como vítima jovens negros. Esses são dados do Ministério da Justiça e do Mapa da Violência.

Dizer que o adolescente é culpado pela violência na sociedade é ignorar fatores objetivos que indicam problemas mais graves e mais, muito mais complexos do que pensar que prendendo indistintamente os jovens resolveremos a questão da violência e do aumento da criminalidade.

Há certamente um mito da impunidade. Todos pensam que nada acontece aos jovens que cometem crimes, talvez pouco aconteça com eles; porém os jovens pobres sofrem os rigores da lei de forma bastante acentuada. É importante lembrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê reclusão, mas há um limite de 3 anos para essa reclusão. Ignorar estas questões seria adotar uma solução reducionista e equivocada. A violência é um fenômeno complexo, que possui várias causas arraigadas na cultura e nas políticas sociais, de modo que as soluções também devem ser mais profundas, exigindo reflexão e mudança por parte de todos, pois todos nós temos uma parcela de responsabilidade no problema.

Muitas vezes somos levados a defender a redução da maioridade penal movidos pela indignação frente a alguns casos de menores que cometeram delitos graves. Este sentimento certamente é justificável, porém se considerarmos que os números apontam um verdadeiro “genocídio” de jovens no nosso país – somos o 4º país do mundo em violência contra o jovem - podemos entender que a grande maioria deles carecem muito mais de nossa preocupação, nosso cuidado, nossa compaixão, do que de nossa indignação. Não devemos ver os adolescentes como nossos inimigos, mas sim como seres humanos que precisam de nossa autoridade e orientação.

*Artigo escrito pela equipe do Instituto Não-Violência

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09/05/2013 às 16:27


Josué Teixeira/Gazeta do Povo

Josué Teixeira/Gazeta do Povo /
A ideia de que temos “professores analógicos” em escolas com “alunos digitais” me parece um pouco simplista. Temos que lembrar que professores cresceram em outros tempos e tiveram, durante sua formação, contato com tecnologias analógicas. Agora dão aulas para alunos que já nascem em contato com tecnologias digitais. O que precisamos rapidamente estruturar são formações continuadas para os professores que aí estão nas escolas, para que possam integrar suas aulas às tecnologias digitais.

Resgato aqui algo que já escrevi no Blog Educação & Mídia da Gazeta do Povo, pois para a estruturação desta formação possamos utilizar as etapas da aprendizagem tecnológica apresentadas por José Manuel Moran no livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá, da editora Papirus.

A primeira etapa da aprendizagem diz respeito a usar as tecnologias disponíveis para melhorar as suas aulas, ou seja, utilizar os recursos tecnológicos para: melhor apresentar e expor os conteúdos da sua aula; indicar aos alunos quais recursos utilizar para auxiliar seu processo de pesquisa e realização de tarefas;
disponibilizar seus materiais teóricos de diferentes forma, utilizando os recursos da Web 2.0.

A segunda etapa é aquela na qual o professor utiliza as tecnologias para realizar mudanças parciais na sua ação pedagógica em sala de aula:
criar novos espaços e atividades que vão além da sala de aula, por exemplo, blog ou comunidade no facebook da disciplina, utilizar o twitter para enviar avisos aos alunos; criar novas formas de avaliação, por exemplo realizar uma produção de vídeo utilizando câmeras fotográficas ou o próprio celular dos alunos, etc.

A terceira etapa é aquela que se fará uso das tecnologias para mudanças inovadoras. Esta etapa não depende só do professor, exige também uma completa reestruturação do ensino nos cursos de Pedagogia e Licenciaturas, principalmente no que diz respeito a flexibilização do currículo dos cursos e a estruturação de espaços com recursos tecnológicos diversos.

O professor poderá utilizar ambientes virtuais de aprendizagem para apoiar o ensino presencial, assim como utilizar os diversos recursos disponíveis na web 2.0 que combinam publicação e interação on-line. Desta forma os alunos podem expressar e tornar ideias visíveis, conferindo assim uma dimensão mais significativa aos seus trabalhos acadêmicos. Isso possibilita ao professor acompanhar em diversos momentos o processo de aprendizagem deste futuro professor. Para isto os professores devem saber o que é e como se estrutura um blog, um videolog, uma wiki, um podcast, etc.

Temos grandes desafios pela frente, no entanto precisamos (re)pensar e estruturar uma formação continuada os para os professores, pois cabe a ele decidir o que usar, quando usar e como usar as tecnologias digitais com seus alunos.

>> Glaucia Brito é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação.

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07/05/2013 às 17:13


Christian Rizzi/Gazeta do Povo

Christian Rizzi/Gazeta do Povo /
Depois da última “bomba” nas redações do ENEM, fazer esta pergunta é o mesmo que gritar aos quatro ventos que ensinar corretamente nossa língua é apenas um distante propósito nas escolas brasileiras. Aceitar que seja dito que, ao final do Ensino Médio, não se tenha concretizado o padrão de escrita em um indivíduo é no mínimo um grande equívoco. Padrões de escrita e erros ortográficos se trabalham no Fundamental I e II.

Com a afirmação do poder público com relação às provas do ENEM, os professores, pedagogos e os apaixonados pelo ensino de qualidade concluem que não há necessidade de boas escolas e bons professores. Para que se dedicar anos a fio a um bom padrão de estudo e de ensino? Para termos a certeza de que em nosso país isso não é sinônimo de sucesso, de ganho, pois os problemas de aprendizagem são justificados com uma simples colocação e a sociedade aceita. Nota máxima com erros tão arcaicos?

Se acordarmos para a realidade educacional vivida em nosso país perante testes como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), concluímos que jamais iremos melhorar nosso padrão educacional, pois avaliamos por baixo e não nos sacrificamos em pensar em melhorar. Essa postura é desanimadora ao nos colocarmos no lugar dos pedagogos que no Fundamental I usam o dicionário como mola mestra para a aprendizagem da escrita com qualidade.

Onde vamos parar? O que querem fazer com nosso país?

>> Esther Cristina Pereira – diretora da Escola Atuação, de Curitiba (PR), e diretora de Ensino Fundamental do Sinepe/PR (Sindicato das Escolas Particulares do Paraná)

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29/04/2013 às 16:44


Divulgação

Divulgação / Alunos do Colégio Sesi realizam atividades com o jornal pelo projeto Ler e Pensar, da Gazeta do PovoAlunos do Colégio Sesi realizam atividades com o jornal pelo projeto Ler e Pensar, da Gazeta do Povo
O jornal é mais do que um simples suporte de textos. Ele é um recurso pedagógico que instiga a reflexão sobre as causas e efeitos das contradições sociais. Com isso, permite que possa ser analisada a realidade com vistas à afirmação da cidadania. E todo este potencial está em pleno acordo com as diretrizes do Ensino Médio. Professores de todas as áreas podem levar a Gazeta do Povo para suas aulas e ter bons resultados.

No Ensino Médio, além de esperar estudantes com maior nível de maturidade, também se organiza o ensino de forma integrada. O objetivo é construir uma aprendizagem efetiva dos aspectos teóricos e práticos da vida, replicando o modelo de sociedade onde alunos e professores estão inseridos. Dessa forma, mais uma vez o jornal se mostra um aliado essencial, espelhando a sociedade e permitindo reflexão e análise no ambiente escolar.

As mudanças da sociedade, os assuntos do momento, as notícias da semana, as descobertas e tantos outros assuntos podem incentivar a pesquisa, análise e construção de argumentos sólidos. Tudo isso permite que o estudante aprenda a selecionar informações, sintetizar e relacionar os conhecimentos construídos em sala de aula com as demandas práticas da vida cotidiana.

Além de ampliar a competência linguística, o jornal também contribui para a politização, conhecimento e apropriação cultural e contextualização. Assim, as Ciências da Natureza e Matemática encontram neste recurso um importante parceiro, não só para desenvolver as competências citadas anteriormente, mas também para estimular a investigação e a compreensão das diversas realidades que são originadas ou dão origem a problemas e discussões abordados na sala de aula.

As Ciências Humanas também encontram no jornal o potencial pedagógico para o desenvolvimento de noções de cidadania, política, ética, justiça. É por meio do contato com os mais variados fatos e entendendo sua forma de aparecer na mídia que o estudante pode se tornar cada vez mais crítico e participativo. A afirmação de sua cidadania também se dá neste momento em que todas as áreas se relacionam com sua vida cotidiana. Neste caso, o jornal é mais do que o espelho; é também fonte de análise, reflexão e comparação.

É com a prática pedagógica constante que o sucesso vai aparecer. É importante considerar a Gazeta do Povo como recurso fundamental nesta etapa não só para trazer atualidades para as aulas, mas também para estimular as competências e habilidades esperadas. O Ler é Pensar é seu parceiro nesta busca, aproveite nossas dicas!

> Criado em 1999 pela Gazeta do Povo, o Ler e Pensar é um projeto de incentivo à leitura, dirigido a alunos do Ensino Fundamental e Médio de escolas e instituições públicas e particulares do Paraná.

Everton Renaud é professor de filosofia e atua como gestor e-learning e projetos educacionais no Instituto GRPCOM.

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26/04/2013 às 14:19


Agência Pública

Agência Pública /
Um aluno da 1a série assiste à aula encharcado. Ele caiu do barco de madeira superlotado que faz o transporte escolar. Na mesma cidade, funcionários da prefeitura circulam em lanchas enviadas pelo Ministério da Educação, equipadas com colete salva-vidas.

Um professor com problemas de saúde recorre ao INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e descobre que não tem direito ao benefício. Suas contribuições, descontadas mensalmente há 15 anos na folha de pagamento, nunca foram recolhidas pela prefeitura.

Pais têm medo de deixar os filhos na escola. As paredes foram pintadas por fora, mas por dentro rachaduras se estendem do teto ao piso. Na prestação de contas da secretaria municipal de Educação, mais de um milhão de reais gastos em reforma.

Escolas fecham as portas uma hora mais cedo. A merenda, que deveria durar todo o mês, acaba em menos de duas semanas – e os professores não conseguem ensinar aos alunos com fome. Nas notas fiscais da prefeitura, os alimentos foram comprados. Por até três vezes o preço do mercado local.

Os casos acima são uma amostra da série de crimes cometidos contra os estudantes do Pará. As evidências de desvio de recursos – e as suas consequências – são encontradas fartamente dentro das escolas. Aqui, a relação de causa e efeito é clara: quanto mais corrupção, pior é o ensino oferecido.

Antes de chegar a essa conclusão, a Pública coletou informações sobre a qualidade da educação no norte do país e fez um detalhado cruzamento dos dados sobre os desvios na verba que deveria ser investida nas escolas do Pará. Depois, visitou as escolas do Pará, estado que divide com o Amapá o último lugar no ranking em educação na região norte, por sua vez a que oferece pior ensino no país, de acordo com os novos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação.

A reportagem visitou as cidades de Portel e Anajás, ambas na Ilha de Marajó. Anajás foi a campeã paraense de irregularidades na educação detectadas nas fiscalizações feitas pela CGU ao longo de 2010 e 2011. Portel foi uma das cidades onde houve condenação do prefeito devido a desvios da verba para as escolas. A ideia da visita era a descobrir se a punição surtiu efeito sobre o modo como o novo prefeito gere a educação.

A verba para educação repassada pelo governo federal representa mais de 70% da receita dessas prefeituras, como acontece em 25% dos municípios brasileiros. Boa parte dela é proveniente do Fundeb, (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), que distribui os recursos da educação básica em todo o país. Os recursos se destinam ao pagamento de diretores, professores e coordenadores, aquisição de equipamentos e reparos. As verbas para merenda, transporte, construção de escolas e livros didáticos vem através de convênios diretos com o Ministério da Educação (MEC).

Portel, 52 mil habitantes, recebeu 40,7 milhões do Fundeb em 2011; Anajás, 25 mil habitantes, recebeu 20,2 milhões. Pelo peso que têm na receita, as escolas deveriam oferecer o melhor serviço público dessas cidades. Não é o que se vê nas salas de aula.

Leia mais em Agência Pública.

>> Artigo escrito por Ana Aranha, jornalista da Agência Pública.

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25/04/2013 às 16:05

O projeto Navegando nos Direitos retoma as atividades de enfrentamento ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes em Paranaguá, nesta quinta-feira (25). Realizado pela Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência há oito anos, o projeto em 2013 tem o patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania. Atua desde 2006 em Paranaguá buscando o fortalecimento e colaborando na articulação da rede de proteção através de práticas de prevenção que são desenvolvidas por meio da educomunicação, em diversas escolas do município. Para a gestora do projeto e educomunicadora, Lucimeire Martins, este encontro é essencial para fortalecer as parcerias. “As articulações vem acontecendo desde dezembro de 2012, mas é neste momento que todos os parceiros têm oportunidade de se conhecer, trocar contatos e alinhar propostas”, afirma.

Além de professores e estudantes das escolas envolvidas, deverão estar presentes ainda apoiadores do projeto, representantes da rede de proteção de Paranaguá e ex-participantes.

Expectativa
O convite para participar foi enviado a todos os colégios estaduais de Paranaguá, mas apenas cinco foram selecionadas e serão conhecidas no dia do lançamento. A escolha foi realizada com apoio do Núcleo Regional de Educação e a seleção dos alunos contou com apoio da equipe pedagógica de cada colégio. “As escolas que, porventura, não tenham sido selecionadas poderão acompanhar o projeto de outras maneiras”, avisa a gestora.

Atuação política e participativa

Uma das principais propostas para o Navegando, em 2013, é aproximação dos jovens e da rede de proteção. De acordo com a gestora, o município conta com um número significativo de jovens que atuam no movimento estudantil, são engajados em lutas sociais e em incidência política. “Queremos que o projeto seja um canal de diálogo entre os jovens e os órgãos que atuam na proteção de crianças e adolescentes no município, possibilitando assim uma ação conjunta, dinâmica e forte”, ressalta Martins.

Mobilização
Durante o carnaval de 2013, ex-participantes do projeto realizaram uma mobilização contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes que resultou em um vídeo que será apresentado durante o lançamento. A ação foi realizada no Balneário de Santa Terezinha, litoral paranaense.

>> Artigo escrito pela Central de Notícias do Direitos da Infância e Adolescência - Ciranda.

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19/04/2013 às 15:40


Aniele Nascimento / Gazeta do Povo

Aniele Nascimento / Gazeta do Povo /
Entre 16 e 18 de abril o auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília, esteve lotado com representantes de 16 países e mais de 500 inscritos e palestrantes para o Seminário Internacional Marco Legal da Primeira Infância.

Educadores, gestores públicos, parlamentares, médicos e nutricionistas ouviram experiências brasileiras e internacionais que mostravam a importância dos investimentos nessa fase para o desenvolvimento de um país e, ao final de três dias, uma só conclusão: investir na primeira infância (desde a gestação) é o investimento que maior retorno gera a um país. Seja em termos de desenvolvimento cognitivo dessa criança, seja na redução da pobreza e da violência. Teoria confirmada pelo Premio Nobel de Economia James Flickman, professor das universidades de Chicago e Dublin, que abriu o evento por videoconferência.

Flickman falou mais: "Pobreza e inequidade social existem em todo o mundo. O que o Estado moderno não pode fazer é apenas transferir renda aos pobres. É preciso não fragmentar as soluções, as políticas, como se contratando mais policiais resolvêssemos a questão da criminalidade".

Nesse sentido, ele explicou que é preciso uma política integral para garantir que as capacidades e habilidades humanas sejam desenvolvidas a partir da promoção da educação e das corretas estimulações e nutrição das crianças, já que a primeira infância é fundamental no restante do seu desenvolvimento.

Outro ponto importante de se destacar é que não é apenas a cognição a responsável pelo sucesso na vida das pessoas. Muitos estudos mostram que habilidades não cognitivas, como a arte de se relacionar com as pessoas e lidar com as emoções, como o autocontrole, também devem ser levadas em consideração. E normalmente são muito negligenciadas. E isso, em boa parte, é fruto de relações familiares.

É bom lembrar que a família não é responsável apenas pelas transmissões genéticas e que os genes sozinhos não fazem muita coisa. Há todo um ambiente estrutural, social, familiar, cultural e de estímulos (ou não) onde a criança cresce. E esse ambiente é fundamental para seu desenvolvimento.

Nos primeiros anos de vida, nossa formação sináptica é super rica. É nessa fase em que as crianças adquirem a linguagem, por exemplo. Por outro lado, se temos crianças mal nutridas e com anemia, com falta de vitamina A (problema comum no Brasil), vamos ter problemas para desenvolver as habilidades dessas crianças.

Se pensarmos bem, há quantos anos condenamos tantas crianças neste país a um futuro medíocre pela falta de estímulos e nutrição correta?

Segundo um estudo de Hart & Resley, de 1995, crianças em famílias com mais educação e estímulos chegaram a ter aos até os três anos um vocabulário três vezes maior do que aquelas que viviam em famílias em condições de vulnerabilidade. Ainda segundo Flickman, alguns estudos longitudinais que acompanharam crianças do nascimento aos 40 anos, perceberam que aquelas que receberam investimentos na primeira infância, quando adultos tiveram menor taxa de obesidade, menor pressão, não se envolveram em crimes, etc. Por tudo isso, o Nobel de Economia tem se dedicado a esse tema e defendido "a educação é muito mais efetiva para reduzir a criminalidade do que o aumento do efetivo policial", afinal é melhor prevenir que remediar.

>> Cristiane Parente é jornalista, educomunicadora, blogueira, membro da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação – ABPEducom, coordenadora do Programa Jornal e Educação – ANJ.

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16/04/2013 às 16:51


Henry Milleo/Gazeta do Povo

Henry Milleo/Gazeta do Povo /
A diversidade de recursos nos novos ambientes que contribuem para a aprendizagem é impressionante. São aulas virtuais, fóruns, comunidades, videoaulas, bate-papos, entre outros. Desde os mais simples aos mais sofisticados - todos eles refletem como a sociedade se organiza atualmente, de forma cada vez mais integrada e conectada. As mídias se integram para compor os conceitos dos ambientes virtuais de aprendizagem, abertos à interdisciplinaridade e à proposição de novas relações com o conhecimento. Os professores, entendidos como agentes e formadores dessa sociedade, são chamados para a atualização constante, o que acontece com sua inserção em um novo modelo de formação continuada.

A necessidade de o professor se atualizar é hoje mais do que um desejo pessoal, mas uma demanda social e profissional. A busca docente por formação continuada é intensa. No entanto, não pode ser suprida somente de forma presencial. Fatores como limitação de tempo, ausência de espaços adequados para formação de grandes grupos, dispersão geográfica e até mesmo a oferta de profissionais que possam ministrar são exemplos de barreiras encontradas neste processo.

Com isso, a formação realizada em ambientes virtuais de aprendizagem ganha cada vez mais expressão e representa um caminho possível de atendimento às demandas atuais. Ao mesmo tempo, esta solução significa um desafio para os docentes e também para quem está na outra ponta, pensando nas atividades formativas direcionadas a professores.

Distância e proximidade
O potencial de aprendizagem em ambientes virtuais é efetivo mesmo que ainda surjam dúvidas quanto à importância das trocas coletivas comuns em ambiente presenciais. Nesse sentido, sem desqualificar ou desmerecer a troca gerada pelo compartilhamento físico dos grupos, é importante lembrar que por si só a interação física é insuficiente para garantir o sucesso da aprendizagem.

Para o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Romero Tori, os meios de comunicação e as tecnologias interativas representam uma maneira eficiente de promover aproximação. Isso significa que a distância entre os aprendizes representa um desafio já superado. Tori defende ainda, que os discursos sobre educação a distância acentuam o problema e não a solução. As atividades de aprendizagem realizadas em ambientes virtuais precisam ser entendidas como uma forma de fazer educação apesar da distância, desfazendo o antagonismo histórico que envolve a questão.

Dessa forma, é preciso perceber que as atividades de aprendizagem presenciais e online têm inúmeros pontos em comum, o que indica que a modalidade a distância não só é possível, mas também produtiva. Um bom exercício para reforçar esta tese é lembrar que desde o nascimento da escola, a aprendizagem acontece em parte na sala de aula, e em grande parte fora dela. São tarefas de casa, leituras complementares, trabalhos em equipe, pesquisa na biblioteca, entre outras atividades com orientação do professor, mas sem a presença dele.

Leia o artigo na íntegra na 34ª edição da Revista Aprendizagem.


Everton Renaud é professor de filosofia e atua como gestor e-learning e projetos educacionais no Instituto GRPCOM.

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11/04/2013 às 10:05


 / Prédio da Universidade do Paraná em 1918.Prédio da Universidade do Paraná em 1918.
Tente imaginar as instituições que mais resistiram às inovações processuais, tecnológicas e até lógicas dos últimos vinte anos, não só no Brasil. Não é difícil chegar a três deles: Igreja, governos e escolas. Durante anos, estruturar uma maneira com que a educação pública se transforme para acompanhar a evolução da sociedade tornou-se uma quebra-cabeças complexo por justamente ter que lidar com duas dessas áreas mais conservadoras da sociedade.

O terceiro setor viveu recentemente um período de difamação midiática e esquartejamento público como se somente as ONGs fossem alvos de corrupção passiva no país; mas foram justamente elas o importante lastro de inovação no campo da educação no Brasil nos anos 90 e 2000.

Isso ficou mais claro durante o evento Transformar, que ocorreu na semana passada em São Paulo. Esse foi talvez o mais importante encontro de Educação ocorrido no Brasil nos últimos cinco anos, porque levou o tema da inovação despudoradamente próximo ao campo conservador da educação. Experiências norte-americanas, ainda que pontuais, mostraram como algumas escolas “charters”, e outras públicas, vêm reinventando espaços e processos com uma mão forte da tecnologia como catalisadora – e não estrela principal – da transformação.

A High Tech High, por exemplo, destacou a customização e personalização do ensino e a importância em se trabalhar por projetos. Assim, aproximou a figura do professor da de um “designer”. A fala da diretora Melissa Agudelo, valorizando uma escola próxima à vida do aluno, me fez mergulhar no tempo, no fim dos anos 90, nas experiências iniciais de ONGs como a Cidade Escola Aprendiz, Gol de Letra, Casa do Zezinho e algumas outras redes aceleradoras de experiências como o Instituto Ayrton Senna.

Na Cidade Escola Aprendiz, da qual foi um dos fundadores, havia um núcleo que se chamava Design Social, justamente com as mesmas preocupações de aproximar o fazer educativo de “projetos”. Mas sem nostalgia, tentando avaliar o que ficou, as experiências inovadoras que sobreviveram e deixaram o campo laboratorial para ganhar alguma escala fora aquelas que se aproximaram do poder público mais recentemente.

Ora, que contradição! Governos são antíteses de inovação. Sim, esse é quase um pacto com o próprio diabo. E só tem chance de sobreviverem as experiências baratas, simples e flexíveis. Foi assim com o bairro-escola, da Cidade Escola Aprendiz. Certamente, muito da inovação se esvai nesse processo, mas a experiência pontual ganha oxigenação e novos espaços.

Para o poder público, abrir essa porta para a inovação é quase uma concessão; mas deveria ser regra. Voltando ao evento, a reflexão mais importante do Transformar veio do próprio anfitrião da Fundação Lemann, Denis Mizne: “governos têm que dar autonomia às pontas, às escolas, para que a inovação surja”. Talvez seja essa a única possibilidade de coexistência entre máquina pública e criação: a descentralização e autonomia de gestão.

Mas onde mora a inovação educativa hoje no Brasil? Difícil de responder. As “start ups” coordenadas por jovens empreendedores têm se mostrado fetichistas com a tecnologia e pouco preocupadas com o que a educação foi, é e deverá ser de fato. Mesmo assim , olhando a cena educativa como um todo, não dá saudade nenhuma dos anos noventa. Caminhamos muito, ao abrir ao menos ou ouvidos para que a escola não deve se manter como a mesma do século 19.

>> Alexandre Le Voci Sayad é jornalista e educador. Desenvolve projetos interdisciplinares com foco em educação para escolas, governos e empresas. É autor do livro Idade Mídia: A Comunicação Reinventada na Escola, publicado pela Editora Aleph.

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