
Em um mundo tecnológico, integrar novas tecnologias à sala de aula ainda é pouco frequente e um desafio para docentes. Em muitos casos, a formação não considera essas tecnologias, e se restringe ao teórico, ou seja, o professor precisa buscar esse conhecimento em outros espaços. Isso nem sempre funciona, pois frequentar cursos de poucas horas nem sempre garante ao professor segurança e domínio dessas tecnologias.
Embora alguns ainda se sintam inseguros e despreparados, muitos educadores já perceberam o potencial dessas ferramentas e procuram levar novidades para a sala de aula, seja com uma atividade prática no computador, com videogame, tablets e até mesmo com o celular.
O fato é que o uso dessas tecnologias pode aproximar alunos e professores, além de ser útil na exploração dos conteúdos de forma mais interativa. O aluno passa de mero receptor, que só observa e nem sempre compreende, para um sujeito mais ativo e participativo. O ideal seria testar as novas tecnologias e identificar quais se enquadram na realidade da escola e dos alunos. Uma das dificuldades é a falta de infraestrutura de algumas escolas e a falta de formação de qualidade para os professores quanto ao uso dessas novas tecnologias.
A tecnologia também auxilia o professor na busca por conteúdos a serem trabalhados. O Google, por exemplo, criou um espaço próprio para a educação, o Google Play for Education – que será lançado no segundo semestre, sendo a versão em português ainda sem data de lançamento. A finalidade é auxiliar professores que buscam atividades educacionais com tecnologia. O programa faz uma peneira por disciplina e série para sugerir aplicativos educacionais específicos para tablets. O professor pode, por exemplo, criar um grupo da sala em que todos os alunos poderão acessar o aplicativo, facilitando a participação.
Hoje, com todos os avanços, existe a necessidade de adequação, de abertura para o novo, a fim de tornar as aulas mais atraentes, participativas e eficientes. A ideia não é abandonar o quadro negro, mas usar das novas tecnologias em sala de aula.
>> Artigo escrito pela Central de Notícias do Direitos da Infância e Adolescência - Ciranda.
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Walter Fernandes/Gazeta do Povo

Uma nação sem educação é uma nação sem dignidade. Um povo sem o mínimo senso crítico e poder de questionamento e contestação acaba, involuntariamente, a perpetuar maus políticos, más práticas, maus hábitos. Conhecemos e sentimos os efeitos deste panorama em nosso cotidiano.
A partir dessa reflexão, acredito que todo brasileiro que, pelo motivo que for, tenha tido um pouco mais de oportunidades tem a obrigação de “fazer política” e de procurar mudar essa realidade. Ser patriota não é se emocionar a cada quatro anos ao ouvir o Hino Nacional em uma disputa de Copa do Mundo, tampouco sair às ruas celebrar um possível triunfo nesse Torneio ou acreditar que o mundo vai acabar caso outra seleção levante o caneco. Todo brasileiro que de fato se importe com seu país tem responsabilidade diária de fazer algo para melhorar a triste realidade social que nos cerca.
O assunto em voga é Educação. Eu, como médico, devo dar orientações educacionais, de hábitos de vida, de saneamento básico e higiene, de planejamento familiar, etc., muito além da “simples” rotina de um médico “comum”, tenho que extrapolar o script diagnóstico, tratamento e prognóstico. A realidade do meu país exige isso. Da mesma forma devem agir os advogados, os engenheiros, os empresários, os dentistas, os professores (principalmente), enfim, todos os profissionais são capazes de modificar o cenário em que vivemos.
Nesse contexto, eu pergunto: e a mídia? A mídia é uma fonte de ampliação da experiência humana e, dessa maneira, medeia a compreensão que temos do mundo e de nós mesmos. No entanto, essa fonte alimentadora do caudal sociocultural dos indivíduos pouco tem contribuído para a inserção do homem na vida social de forma responsável, crítica e cidadã. Penso que pela possibilidade de “entrar” nas casas de milhões de pessoas, a mídia deveria ser fundamental no objetivo de melhorar o nível educacional dos brasileiros. Programação de qualidade seja para crianças, jovens ou adultos. Precisa fazer com que o telespectador desenvolva sua própria verdade, seu próprio pensamento. Precisa preparar para a vida, para a dignidade, para a cidadania. Precisa ser uma porta de acesso às culturas. A mídia de qualidade é aquela que permite a todos uma ascensão sociocultural.
Talvez a “luz no fim do túnel” seja a internet. A rede mundial possibilita, de forma democrática, o acesso aos mais variados tipos de conteúdo, incluindo sites e blogs com assuntos interessantes. Ideal será o dia em que todos tenham condições de acesso à internet.
A formação de um povo educado e questionador parece não ser a intenção das pessoas que estão no poder e que nele se perpetuam. Não podemos esperar de “braços cruzados” a boa vontade desses senhores. Sejamos nós, a cada dia, os protagonistas da revolução educacional de que nosso amado país necessita há séculos.
>> Mario Cesar Fressato é membro da Mensa Brasil.
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Hugo Harada/ Gazeta do Povo

Sobre a “atração” do videogame, é bom lembrar que, antes de tudo, trata-se de um jogo e este é o principal motivo de as crianças gostarem tanto dos videogames. Na sua especificidade, os videogames solicitam ao jogador possibilidades de vivenciar diversos sentimentos através de ações, observações, simulações de situações simbólicas para resolver a situação-problema do jogo. Nessas escolhas e tomadas de decisões do jogador no desenrolar de ações coordenadas que as regras dos jogos sugerem, há também o componente das recompensas, que em geral diz respeito à premiação por um desafio vencido e/ou por avançar etapas correspondentes com níveis e fases complexas na medida em que o jogo se desenvolve. Para vencer os desafios propostos, o jogador precisa mobilizar uma série de habilidades e competências enquanto joga, e além do prazer que o desafio e a tomada de decisões provocam, esse processo envolve diferentes tipos de aprendizagens. Ou seja, quando jogam as crianças resolvem situações-problemas, enfrentam desafios, conquistam recompensas, se divertem e aprendem. Aprendem sobre os mais diversos pontos de vista e é isso que nos interessa refletir.
Em uma pesquisa que procurou ouvir jogadores pré-adolescentes sobre o que eles achavam que aprendiam jogando videogame, mencionaram diversas habilidades: ler e decifrar códigos em imagens e textos escritos que muitas vezes também incluem expressões em inglês; identificar as regras; selecionar informações; fazer previsões; antecipar ações; elaborar estratégias; relacionar causa e efeito; reconhecer padrões; imaginar soluções e buscar alternativas para resolver os problemas; observar situações simultâneas e coordenar ações; orientar-se no espaço-tempo do jogo; ter persistência e aprender com tentativas e erros. No entanto, esta percepção a respeito dos modos de ver o videogame e suas aprendizagens nem sempre é consensual. Nos depoimentos de jogadores pré-adolescentes verificamos diferentes percepções que remetem ao entretenimento: “videogame é só para passar o tempo quando não se faz nada e, nesse tempo de não fazer nada, não se aprende nada” e às possibilidades de aprendizagem: “podemos aprender inglês, ser mais criativos, ágeis e pacientes”.
Assim, é possível entender os videogames como mais um meio de produção de conhecimentos, especialmente em relação ao desenvolvimento de habilidades hipotético-dedutivas, que são essenciais para a formação do pensamento científico, como diz o estudioso G. Orozco. Também envolve competências cognitivas como rapidez de raciocínio e concentração, competências interpessoais como saber se relacionar e trabalhar em pares e competências sociais sobre os conteúdos culturais e formas de agir na sociedade em que vivem.
Mas o que videogames os transmitem em termos de conteúdos culturais? Quais os significados atribuídos às narrativas e imagens veiculadas nesses jogos? Que posturas, atitudes e modelos estão sendo oferecidos nas histórias que os videogames contam e nos desafios que colocam? E de que forma isso tudo pode ser interpretado e apreendido? Como em toda mídia, nos videogames há uma cultura veiculada nas imagens, sons e efeitos que participam do tempo de lazer “modelando” opiniões e sugerindo possíveis comportamentos sociais, e com isso também oferecem formas e conteúdos para os jogadores se identificarem ou não. Além disso, há a dimensão do consumo, sobretudo diante da velocidade enorme com que os videojogos são produzidos e colocados no mercado em séries e pacotes de expansão cada vez mais articulados com cinema, televisão, brinquedos e outros produtos consumidos por crianças e jovens. E isso tudo precisa ser desvelado no sentido de propiciar uma reflexão crítica sobre o que os videojogos propiciam.
Enfim, pensar nos videogames e na educação requer pensar num universo de práticas de crianças, jovens e adultos que precisa ser reconhecido para ser mediado pedagogicamente. Mais uma tarefa da mídia-educação!
>> Monica Fantin é Doutora em Educação, Professora do Curso de Pedagogia da UFSC e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa Educação e Comunicação, PPGE/UFSC. Confira o blog dela aqui.
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No post que escrevi neste blog em março afirmei que sendo a internet uma extensão da vida como ela é em todas as suas dimensões e sob todas as suas modalidades, os professores estão desafiados a estar no ciberespaço e educar na cibercultura. Isso implica em se utilizar espaços disponíveis no ciberespaço em atividades profissionais também. Será que muitos professores pensam como minha amiga? Surge aí uma excelente hipótese de pesquisa, parece que vida e trabalho devem ficar separados na rede, ou internet e escola devem estar separados. Quem é o professor que separa vida e trabalho? Ele consegue estabelecer esta separação? Por que faz isto? Com a chegada de tecnologias digitais na escola e redes de banda larga os professores conseguirão manter esta separação?
Enfim a semana seguiu e, por um acaso ou capricho do destino, me deparei com o livro de Gil Giardelli: “Você é o que você COMPARTILHA. E-agora: como aproveitar as oportunidades de vida e trabalho na sociedade em rede”, publicado pela editora GENTE. A apresentação do livro feita na contracapa não me motivou muito à leitura do livro, mas duas questões sim: o título estava diretamente ligado as minhas elocupletações da semana e o uso de QR Code, que é um código de barras bidimensional, que remete a links na internet que podem ser acessados a partir de um programa leitor e de uma câmera fotográfica de um celular ou smartphone.
O autor escreve sobre o mundo da economia colaborativa e da inovação acelerada, negócios, webemprendedorismo, sociedade em rede e ativismo digital, social Good, economia criativa. Faz uma boa argumentação sobre “Você é o que compartilha” aliando as questões de aldeia global à previsão de Marshall MacLuhan. Concordo quando afirma:
Qualquer que seja o mundo em que estamos começando a viver, com qualquer otimismo à parte, o fato é que existe algo de novo no ar. É algo feito com centenas de colaboradores que promovem não mais a produção em massa, mas a inovação em massa. (GIARDELLI, 2012, p. 27)
Tenho visto muitas inovações nas escolas que surgem com a conexão e com o compartilhamento nas redes sociais. E, como seres humanos, com tecnologia ou não já nos relacionamos, nos conectamos e compartilhamos, por que não utilizar a rede para isto?
Giardelli desenvolve a questão da educação com o subtítulo - Ensine menos, aprenda mais - e nos convoca a “rediscutirmos a educação em um mundo conectado 24 horas, sem tempo, com vários formatos de integração mundial”. (GIARDELLI, 2012, p 102). Ler este livro me levou a uma grande navegação pelos QR Code indicados e me instigou a convidar minha amiga para um debate on-line sobre esta questão. Será que ela topará uma conversa sobre este assunto pelo facebook ou marcaremos um café?De repente acontecerá os dois, pois “a tecnologia está impulsionando as pessoas a encontros em massa no mundo real” (GIARDELLI, 2012, p. 25). E você toparia participar deste compartilhamento a distância e presencial?
>> Glaucia Brito é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação.
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Hugo Harada/ Gazeta do Povo

Tal reflexão nos instiga a pensar se estamos dando atenção para isso. Considerando que toda a sociedade educa, a responsabilidade com a formação de crianças e jovens interpela a todos nós: escola, família, mídia, poder público, espaços de cultura e outras instituições. Desde a função mais elementar sobre construção de vínculos e valores até os espaços sociais e culturais de socialização de experiências e conhecimentos que envolvem tanto o âmbito formal como informal.
Se crianças e jovens estão inseridos em uma sociedade da informação, do conhecimento ou sociedade multitela, só para mencionar algumas denominações que caracterizam nossa sociedade atual, educar para a cultura digital é também educar para a cidadania. Para tal, precisamos ir além do mencionado “atraso” e “descompasso” da escola e pensar uma formação que seja qualificada no sentido de diminuir distâncias da escola diante dos novos desafios colocados pela cultura digital.
A web é hoje considerada um espaço legítimo de conhecimento, e não podemos nos furtar a ela. No entanto, suas práticas de uso implicam selecionar de forma criteriosa o que ela apresenta e essa é uma competência a ser desenvolvida por todos nós. É importante ir além do deslumbramento inicial, ter um olhar crítico diante da explosão do comércio eletrônico e saber se situar diante das inúmeras possibilidades de comunicação através de sites diversos: seja de relacionamento nas redes sociais que também permitem estabelecer redes de conhecimentos a partir de certos critérios (amizade, interesse profissional, afinidade cultural) e compartilhar comentários, fotos, vídeos, depoimentos pessoais e comunidades de interesse; seja o correio eletrônico e suas listas de discussão como os programas de comunicação pessoal e tantos outros.
Diante do grande número de acesso a blogs e de pesquisa em sites como Youtube, Wikipedia, Flickr e suas inúmeras ferramentas disponíveis na criação e no compartilhamento de informações, filmes, imagens, músicas, documentos, calendários, livros, etc, parece que compartilhar é a palavra de ordem na web 2.0. Mas qual a real necessidade deste compartilhar? Se compartilhar não significa apenas “mostrar/fazer/ver”, mas também integrar informações e trabalhos colaborativos, precisamos discutir também a questão da autoria, tema cada vez mais difícil de definir nesse contexto de produções coletivas, de releituras e de remix.
Por outro lado, ao mesmo tempo em que se afirma a necessidade de construir competências digitais no sentido de desenvolver habilidades operativas e instrumentais para uso das ferramentas tecnológicas a fim de compartilhar e buscar informações de forma confiável, outro desafio que se coloca à escola é entender as tecnologias como cultura. Isso implica ir além de “saber usar a tecnologia” e aponta a necessidade de desenvolver competências de reflexão crítica sobre os conteúdos e seus processos construídos nas práticas midiáticas e culturais.
Na perspectiva da mídia-educação, a relação entre educação, tecnologia e cultura digital é mais do que saber o conteúdo da chamada “informática pedagógica” ou da “tecnologia educativa”, é o desenvolvimento de atitudes relacionadas ao pensamento crítico, é entender a tecnologia como possibilidade de acesso seletivo e consciente à informação. Nesse contexto, educação para a cidadania hoje implica também um uso ético e responsável da tecnologia na escola e fora dela.
>> Monica Fantin é Doutora em Educação, Professora do Curso de Pedagogia da UFSC e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa Educação e Comunicação, PPGE/UFSC. Confira seu blog aqui.
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Reprodução

Discursos acalorados e até ofensas são postadas em entrevistas de Martel no Youtube – há também aqueles “Policarpos Quaresmas” modernos que acreditam que o Brasil foi colocado de lado “novamente”. Scliar, um ano antes da sua morte, foi elegante e sublime gravar uma entrevista relativizando o caso.
O debate é rico, sem dúvida, mas cresce ainda mais e se pensarmos que, por trás da questão da autoria, há um sociedade com infinitos veios virtuais criando conteúdo coletivamente e, em algumas vezes, meramente reproduzindo ou mencionando outros. A polêmica Martel/Scliar não é anacrônica; é fundamental para entender como os processos, ideias e mesmo a arte são criados no mundo hoje. O fel que transborda pela internet tem razão de ser. Como educador, me preocupa que este assunto esteja tão longe da escola quanto debate, mas tão perto quanto realidade. Há vinte anos, tirar fotocópias de livros e “colar” nas provas parecem atitudes simplórias se pensarmos na questão do plágio hoje.
Mergulhar a fundo na questão significa debater o “crowdsourcing” e a inteligência coletiva, compreender o “Control C+ Control V”, colocar a Wikipédia em xeque e perceber as nuances possíveis em licenças como o Creative Commons. Em suma, redefinir o próprio conceito de “autoria” faz-se necessário. As experiências educativas que mais conseguem colocar o estudante frente a frente com essas e outras questões contemporâneas, fazem dele mesmo, o jovem, um produtor e criador. Não apenas estimulam o debate, mas estimulam o aluno a produzir e questionar seus métodos.
Os projetos que envolvem desenvolvimento de comunicação por jovens, como revistas e documentários, colocam a “autoria” num outro patamar de debate – o texto não morre na gaveta da escola e a colagem não vai apenas para o mural da sala – são publicadas para a sociedade. Isso acontece porque, quando bem feitas, os trabalhos com comunicação não tratam de uma simulação; lidar com a polêmica Martel/Scliar torna-se então inevitável.
Quando era adolescente, fiquei indignado com o plágio que o cantor britânico Rod Stewart fizera da canção “Taj Mahal”, de Jorge Benjor, após umas férias no Brasil. Tentei levar esse debate a uma aula, mas não reverberou. Hoje não é diferente. “Autoria” e “criação” são ainda distantes, salvo as exceções mencionadas, do cotidiano de uma escola “vouyeurista” e estéril.
Dentro das salas de aula, Scliar é sinônimo apenas de um grande escritor e Martel, um predestinado ao Oscar; questões mais profundas, continuam sendo vistas pela janela, do lado de fora, no lugar onde a vida pulsa mais forte.
>> Alexandre Le Voci Sayad é jornalista e educador. Desenvolve projetos interdisciplinares com foco em educação para escolas, governos e empresas. É autor do livro Idade Mídia: A Comunicação Reinventada na Escola, publicado pela Editora Aleph.
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"Desemprego bate recorde histórico em fevereiro"
Sites de notícias, como jornais, colocam suas chamadas em letras garrafais, com conteúdo curto e direto. A diferença é que o conteúdo da notícia nos jornais está, geralmente, logo na sequência, enquanto na internet o conteúdo somente pode ser acessado se o leitor clicar no link da notícia. E aqui começamos a separar o leitor em diferentes camadas.
Existem os que podem ser chamados de leitores de manchetes. Estes cidadãos, independente da idade, escolaridade ou sexo irão rolar os olhos pelas chamadas das notícias, deixar seu raciocínio rápido se encarregar de registrar o que acabou de ler e partir para uma próxima chamada. Quando digo “existem”, é sugerido que mais pessoas apresentam esse costume:
- O desemprego está batendo recordes.
- Eu li algo a respeito.
Sim, ela leu uma chamada de uma notícia. Isso é trapaça, apesar da pessoa não se sentir trapaceando. Ela de fato se sente bem informada com a chamada de uma notícia que mal lembrava ter lido, mas está trapaceando o interlocutor e, acima de tudo, a ela mesma. Neste exemplo, o interlocutor também não leu toda a notícia. Logo, podemos antecipar que a conversa trilhará por rumos que não condizem com a veracidade da situação em questão, rumos que apontam para um cenário bastante negativo.
Em segundo plano, existem os que avançam um pouco mais e se dão o trabalho de ler o cabeçalho – ou gravata, como chamam os jornalistas - da notícia, os leitores de cabeçalho:
"Recorde é válido para medições do mês de fevereiro desde 2002"
Ora, isso muda bastante o contexto. O cenário já não é tão negativo. Uma pena se o leitor parar por aí, mais interessado nas notícias do esporte (assim como alguns leitores desta postagem).
Caso ele persevere, chegamos à terceira camada de leitores, aquela que de fato lê a notícia. Ao final da mesma, a seguinte informação: "Pesquisa realizada pelo Instituto X com a seguinte amostragem (...)".
E aqui chega o grande momento. Aquele em que o já citado raciocínio crítico aflora. O momento em que o leitor irá se transformar em um leitor propriamente dito. Buscará informações em outras fontes e perceberá que elas abordam o mesmo assunto de diferentes ângulos, usando outros instrumentos de pesquisa. Mais que isso, o leitor irá pesquisar a respeito dos institutos de pesquisa, entender como eles funcionam, quem costuma usá-los e para qual finalidade. Finalmente, irá buscar opiniões a respeito da notícia para, enfim, compilar todas as informações coletadas e montar sua própria opinião.
Infelizmente o raciocínio crítico nem sempre é desenvolvido, instigado, e elevado a sua devida importância. Mídia, sala de aula, lar. Infância, adolescência, vida adulta; não temos uma educação crítica, assim como não somos formados a ter uma mente empreendedora. Aprendemos a interpretar textos, mas não somos desafiados a extrair nossas próprias opiniões a partir deles.
Isto é visível em um fórum de discussão qualquer, quando pessoas tendem a usar o senso crítico para apontar erros em interpretações alheias, quase nunca para desenvolver suas próprias teorias ou ideias. Disso são derivados outros péssimos hábitos, como o de não se pensar para responder. Hoje, toma-se como uma resposta inteligente aquela reposta rápida, sem tempo para ser elaborada uma estrutura, uma linha de raciocínio, sem questionamentos. E aqui quem escreve este texto toma a liberdade de encerrá-lo com uma frase esquecida, mas não menos verdadeira: estamos criando uma geração que sabe um pouco de quase tudo e tudo de quase nada.
Agora peço licença, pois vou ler a seção de esportes.
Sabino, quase um leitor de manchetes.
>> Gustavo Callado é membro da Mensa Brasil.
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-Com informações e traduções do documento “Recomendaciones del Consejo Audiovisual de Andalucía para el Fomento de la Alfabetización Mediática”
>> Cristiane Parente é jornalista, educomunicadora, blogueira, membro da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação – ABPEducom, coordenadora do Programa Jornal e Educação – ANJ.
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- Municípios estão aderindo ao programa um computador por aluno e adquirindo computadores para seus alunos e professores.
- Ministério da Educação, em parceria com as secretarias de Educação dos Estados, irá distribuir tablet para os professores do ensino médio.
- Alguns estados e municípios comprando e instalando lousa digital nas escolas.
E a previsão de formação de professores para o uso destas tecnologias qual é?
Numa rápida análise de alguns destes projetos existe a previsão de se realizar treinamentos e não cursos de formação para os professores, ou seja, irão apenas adicionar alguma técnica ou conhecimento à técnica de que o profissional já dispõe, fazendo um treinamento instrumental. Já temos resultados de pesquisa que apenas treinar o professor não adiantará, pois isto não implicará, necessariamente, numa mudança de atitudes ou de valores na sala de aula. Já comentei isto em um post anterior.
Lutarei para que em 2013 se pense em formação e não mais em treinamento. Na formação, devemos, ao menos, propiciar meios para que haja uma mudança na forma do professor ver a sua prática, entender o processo de ensino- aprendizagem e assumir uma nova postura como educador.
Defendo a necessidade dos professores adquirirem uma compreensão das relações entre as tecnologias e a sociedade, além de uma visão crítica dos diferentes usos de tablet, computadores, lousas digitais na educação.
Para as equipes de gestores que ficarão responsáveis pela formação dos professores em 2013 aconselho a se prepararem tanto nos aspectos ligados as tecnologias quanto nos aspectos pedagógicos da utilização destas tecnologias em ambientes de aprendizagem. Essa formação deve ter como referência o papel político-pedagógico esperado do professor, para tanto proponho o desenvolvimento de programas de formação de professores que não repitam o modelo tradicional, mas incentivem tanto o trabalho independente quanto o cooperativo nas escolas.
Desafio os gestores educacionais das secretarias estaduais e municipais de educação a refletir sobre sua ação, planejando e elaborando uma proposta de formação para seus professores comprometida com a qualidade da aprendizagem para que este professor tenha condições de utilizar pedagogicamente, com coerência, qualquer recurso tecnológico que se coloque a sua frente.
>> Glaucia Brito é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação.
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Enfim, muitos são os caminhos. Mas e se perguntássemos sobre os filmes que assistimos quando criança e que de alguma forma marcaram nossa infância, será que lembraríamos? Que imagens, vínculos e sentidos essa lembrança dos “filmes de criança” nos traz? Que relações construímos com as histórias, os personagens, os dramas e as aventuras que os filmes propiciam? O que permanece como experiência em nós?
Afinal, o que acontece quando entramos numa sala de cinema para assistir a um filme? Uma sala grande, escura, cheia de poltronas, climatizada, música ambiente, com uma imensa tela na frente e algumas “janelinhas” atrás, por onde sai a luz que, aos poucos, vai iluminando a tela e criando um clima que nos convida à imersão em outra história. É nesse tempo/espaço próprio do cinema que as imagens, as músicas e o ambiente nos transportam para um lugar onde deixamos de ser espectadores para viver emoções: nos identificamos com os personagens, vibramos com as aventuras, choramos com as amarguras, e nos emocionamos com a vida. E quando se acendem as luzes, o letreiro sobe e o filme termina, a saída do cinema nos faz voltar para a vida cotidiana.
Muitas explicações têm sido dadas sobre tais experiências e o que elas propiciam, como entretenimento e diversão ao estímulo à inteligência, à crítica e à imaginação. Em pesquisa intercultural sobre criança, cinema e educação aprofundei um pouco alguns estudos sobre isso, chegando a uma proposta de um percurso didático para trabalhar o cinema na escola. E com isso aprendi que a história do cinema oferece diversas explicações sobre as transformações provocadas pela sétima arte nas mais diferentes sociedades, pessoas e imaginários.
E aqui podemos trazer a criança de volta à cena de nossa discussão e pensar desde os filmes do cinema mudo como O Garoto, de Charles Chaplin, até alguns filmes da 7ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que acontece em diversas cidades do país entre os dias 3 a 8/12/2012.
Oferecer a possibilidade de outra experiência de sensibilidade para além do que o cinema comercial traz pode revelar outras formas de crianças e jovens entenderem o mundo. Além da fruição que os filmes propiciam, alguns também nos levam a pensar nos mais diferentes valores e na ética e estética que certas histórias colocam em jogo. E com a mediação adequada podemos enriquecer o nosso olhar diante dos filmes e da vida.
Esse é um dos papéis da crítica de cinema, pois além de prolongar o impacto da obra, pode fornecer meios para os espectadores terem uma leitura mais rica do que assistem e assim aproveitar melhor o filme. Além disso, pode trazer outras referências não apenas para ampliar o repertório cultural do espectador, mas para inspirar outras formas de sentir o mundo, o outro e nós mesmos.
O cinema pode oferecer um caminho privilegiado que une educação, experiência lúdica, lazer, entretenimento com formação e reflexão. Por meio das narrativas cinematográficas podemos ampliar a discussão sobre a relação das crianças e jovens com as produções culturais desse e de outros tempos a partir de outros olhares. Afinal, tão importante quanto as histórias que os filmes trazem, é saber como crianças e jovens vivem, interpretam, reelaboram e significam tais experiências. E o tema dos direitos humanos pode ser uma boa pedida para essa conversa.
>> Monica Fantin é Doutora em Educação, Professora do Curso de Pedagogia da UFSC e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa Educação e Comunicação, PPGE/UFSC. Confira seu blog aqui.
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