Sábado, 22/11/2008
Plantio de milho foi sensivelmente reduzido, enquanto a soja ganhou área. Ainda é possível chegar a uma produção recorde. Só o mercado causa preocupação
Não será uma supersafra, mas tem tudo para ser uma excelente temporada, com a possibilidade de o Paraná estabelecer um novo recorde em volume de produção. A conclusão é da Expedição Safra 2008/09, da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), que projeta para o ciclo atual um aumento de 2,5% na área de soja, para 4,1 milhões de hectares, e um recuo de 1,5% no milho de verão, para 1,33 milhão de hectares.
Jonathan Campos
Plantio de milho foi praticamente concluído em todas as regiões do estado. A soja segue em ritmo normal, até dezembro.A estimativa é resultado da combinação de clima favorável e ganho de produtividade. A equação revela que o produtor reduziu a área de milho, mas o impacto no potencial produtivo não será tão grande, o que significa que ele não deixou de investir em tecnologia. A alta no preço dos insumos apenas impediu um incremento mais significativo na área de soja e segurou a aposta no milho. O rendimento, contudo, tende a compensar parte da redução na área do cereal.
Os dados apurados pela Expedição indicam que a produtividade média do milho sai de 6,89 mil na safra passada para 6,93 mil quilos/ha. Na oleaginosa, o rendimento salta de 2,97 mil quilos para uma estimativa de 3,05 mil quilos/ha em 2008/09. Feitas as contas, a safra parananense do cereal tende a ser ligeiramente menor (-1%) que no ciclo anterior, somando 9,22 milhões de toneladas. Já a produção de soja tem potencial para crescer 5,20% no estado neste ano, para 12,5 milhões de toneladas.
Os dados foram levantados com apoio técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Organização das Cooperaitvas Brasileiras (OCB).
A sondagem não traz os números do feijão das águas, que segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), terá um aumento de 23% em área, para 352,5 mil hectares, e de 39% em produção, para 596 mil toneladas. Contabilizando soja, milho e feijão, o Paraná deve cultivar 5,78 milhões de hectares e produzir 22,3 milhões de toneladas de grãos no ciclo atual, que está em fase final de plantio.
Com a decisão de plantio consolidada e a maior parte das lavouras já implantadas, a preocupação agora é com a rentabilidade da safra. Num momento do mercado em que sobra produto e falta liquidez, o principal gargalo deste ciclo será a comercialização. Nos últimos quatro meses, soja e milho desvalorizaram mais de 40% na Bolsa de Chicago.
Chuva mantém campos úmidos e adia retirada da produção
As colheitadeiras estão entrando e saindo de cena a cada mudança no clima no Paraná. Com isso, a reta final da safra de grãos se dá em ritmo mais lento que no ano passado. A colheita da soja e do milho acabam de passar de 50% da área plantada, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) do estado. O atraso médio de cada região fica entre 5 e 10 pontos nas duas culturas.
Foto: Rodolfo Bührer
Máquinas precisam recuperar atraso que chega a dez pontos porcentuais nas regiões mais chuvosas.Nesta quarta-feira, os produtores terão de aproveitar bem o tempo. No interior do estado, deve dar sol durante a tarde. No entanto, as previsões são pouco favoráveis para a colheita nos próximos dias. Todas as regiões devem ter pancadas de chuva até sábado.
Região toma dianteira e chega perto do fim da colheita
Foto: Henry Milléo
Máquinas praticamente concluíram o serviço na divisa com MS.A região de Guaíra, na divisa com Mato Grosso do Sul, já colheu cerca de 80% da safra de verão e confirmou produtividade bem maior que a do ano passado. Em parte, o avanço deve-se à seca de 2006/07, mas os produtores mostram-se satisfeitos.
José Carlos Bortholazzi registrou 3,2 toneladas por hectares de soja -- 300 quilos a mais que em 2007 e 100 a mais que a média do Paraná. O milho se manteve em 7,4 t/ha. Ele diz que é cedo para falar em recorde, porque houve problemas como fungos e plantio de sementes não adaptadas, que limitaram os resultados na regão.
Eloi Schioshet concluiu a colheita de soja e teve 3,4 t/ha. Como tem área menor que os vizinhos, agora atua como prestador de serviço. "Tenho que aproveitar o caminhão para tirar um extra." O transporte de grãos até as cooperativas custa de 50 a 70 centavos o saco.
Cooperativa bate recorde no recebimento diário de grãos
Soja com rendimento de 4.000 Kg/ha, acima da média, em Campo Mourão.
Aroldo Gallassini, presidente da Coamo: uma safra normal.Fotos: Albari Rosa
Equipe com produtor de milho e soja em Campo Mourão.Uma das equipes da Expedição está em Campo Mourão, Noroeste do Paraná, sede da Coamo, que concentra ¼ de toda a área cultivada com soja no estado. Dos 4 milhões de hectares estimados pela Expedição, 1,3 milhão de hectares está nas mãos da cooperativa, através dos mais de 20 mil cooperados. Perto de 300 mil hectares estão fora do Paraná, em municípios de atuação da Coamo em Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
Com 38% da soja colhida, a produtividade média é de 2.925 quilos/hectares, 5% mais baixa que na safra anterior, que fechou em 2.969 quilos. No milho de verão, as máquinas já passaram por quase a metade da área de 250 mil hectares. O esforço agora é no plantio do cereal de 2.ª safra, o safrinha, que na cooperativa deve crescer próximo de 10%, para 417 mil hectares.
Para o presidente da Coamo, Aroldo Gallassini, a safra atual é considerada normal, com produtividade dentro das médias históricas, num cenário favorecido pela cotação internacional dos grãos. Em pleno pico de colheita, em março a cooperativa bate recordes sucessivos no recebimento de milho e soja, em volume que chega perto de 1,3 milhão de sacas/dia de soja.
Dia de sol é chance de tirar atraso da última semana
Foto: Henry Milléo
O condutor Ari de Oliveira, de Catanduvas: vasta oferta de trabalho.Os produtores de soja e milho que estão com a colheita atrasada não perderam tempo nesta segunda-feira na região Oeste do Paraná, que está sendo percorrida pela Expedição Caminhos do Campo. Logo que o sol reduziu a umidade das plantas, eles lançaram as colheitadeiras a campo, e mantiveram as máquinas em ritmo acelerado, pois sabem que logo terão de interromper novamente a tarefa. Niguém duvida que as pancadas de chuva registradas na semana passada voltem a ocorrer nos próximos dias, como prevêem os meteorologistas. Minutos de chuva bastam para suspender o serviço na lavoura.
Carlos Zuquetto, de Catanduvas, afirma que já teve prejuízo. Ele é produtor de sementes de soja e os grãos de cerca de 50 hectares passaram do ponto exigido pelas sementeiras. A produção terá de ser vendida como grão comum. Ele ainda não calculou exatamente quanto vai deixar de lucrar. Teve de investir mais que os outros produtores e agora vai receber o preço geral.
Foto: Henry Milléo
Expedição coleta dados junto a produtores do Oeste do estado.O condutor de colheitadeira Ari de Oliveira está na melhor fase do ano para sua profissão. Em seu ramo, é possível arrecadar R$ 3 mil por mês na região de Toledo na época da colheita da soja e do milho. Falta mão-de-obra capaz de aproveitar o potencial das máquinas que chegaram nos últimos anos ao campo.
Produtores querem concluir tarefa o quanto antes
As pancadas de chuva que caíram nesta terça-feira em todas as regiões do Paraná interromperam a colheita da soja e do milho justamente quando a tarefa começava a ganhar ritmo. Os produtores querem liberar o solo o quanto antes para plantar o milho de 2.ª safra e definir a área de trigo. No entanto, já não sabem quando poderão definir a situação, uma vez que a colheita ficou concentrada em março e a previsão é que o clima siga instável.
Em Mauá da Serra, na região de Londrina, o produtor Humberto Hiromitsu, não teve outra saída senão deixar as máquinas no barracão. Até o repasse de sementes para um caminhão teve que ser feita em área coberta.
Nas instalações da cooperativa Integrada em Londrina, as primeiras cargas de soja 2007/08 estão sendo carregadas em vagões de trem, mas logo não haverá mais grãos para transportar a Paranaguá. Só a soja precoce pôde ser colhida até agora, conta o agrônomo Romildo Birelo.
Foto: Rodolfo BÜHRER
Cooperativa Integrada só conta com soja precoce para enviar a Paranaguá.Rendimento chega a 3,5 t/ha em lavoura atingida por fungo
A Expedição Caminhos do Campo começou a percorrer o Paraná nesta segunda-feira para verificar o desempenho da safra de verão. A primeira região visitada foi a de Ponta Grossa, onde a produtividade da soja chega a 3,5 toneladas por hectare mesmo em áreas atingidas pela ferrugem asiática.
Foto: Rodolfo BÜHRER
Campos Gerais colhem até 400 quilos a mais de soja que a média estadual.A doença foi a principal preocupação da safra passada, mas, neste ano, apresenta menor impacto na produção. Os produtores dizem que aprenderam a controlar melhor o fungo que provoca a ferrugem e que a principal conseqüência, agora, é sobre o custo da produção.
Foto: Rodolfo BÜHRER
Equipe da Expedição com jornalistas da TV Esplanada em lavoura de Tibagi."O forte da colheita ainda não chegou, mas 95% da soja está salva", considera o produtor Paulo Liedermann.
No milho, a produtividade chega a 11,5 t/ha e pode ultrapassar os índices do ano passado. Quem esperou chuva suficiente no plantio, está colhendo resultados.
A tendência é que soja e milho apresentem produtividades recordes.
A Expedição segue para a região de Londrina, onde os problemas com a seca de setembro/outubro foram mais acentuados.
Foto: Rodolfo BÜHRER
Produtor Paulo Lidermann diz que 95% da soja passou da fase crítica da ferrugem.Albari Rosa/Gazeta do Povo
A equipe em encontro com técnicos do USDA, na Embaixada dos EUA, em Brasília. A expansão da área de produção no Cerrado, que consolida uma nova fronteira agrícola no país, também favorece um crescente movimento de especulação de terras na região. Em alguns estados, como Tocantins e Bahia, a cotação do hectare saltou de 10 para 100 sacas de soja, em apenas cinco anos. O mercado de imóveis rurais, que atrai produtores nacionais e investidores estrangeiros, pautou nesta sexta-feira (07) a audiência da Expedição Caminhos do Campo/Gazeta do Povo na Embaixada Americana, em Brasília, numa reunião com técnicos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Albari Rosa/Gazeta do Povo
Expedição apresenta os números do Cerrado ao corpo técnico da CNA.Na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a equipe apresentou ao corpo técnico da entidade o diagnóstico do Cerrado, com informações sobre área cultivada e potencial de expansão das regiões produtoras do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. A Expedição apurou que os quatro estados cultivam, juntos, 3,5 milhões de hectares de milho e soja. No prazo de 10 anos, essa área tem espaço para triplicar, avanço que vai depender de investimentos em pesquisa e infra-estrutura. Os principais tópicos que pontuaram o debate na CNA foram a projeção de aumento de área, logística e meio ambiente.
A agenda de sexta-feira encerrou a programação no Cerrado Brasileiro, onde o grupo percorreu 9 mil quilômetros, visitou quatro estados e 18 municípios. Em Brasília, a Expedição também teve encontros no Ministério da Agricultura e Organização das Cooperativas Brasileiras. Na próxima semana tem início o roteiro no Paraná.
Albari Rosa/Gazeta do Povo
Expedição discute com o ministro, em Brasília, a produção e alogística do Cerrado Brasileiro.Albari Rosa/Gazeta do Povo
Equipe apresenta os números do Cerrado ao presidente da OCB e equipe.A projeção foi validada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Os dados apurados pela Expedição foram apresentados ontem, em Brasília, ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Na avaliação do ministro, “essa nova fronteira, necessariamente, vai acontecer”. Ele acredita que o ritmo desse avanço vai depender de preço e mercado, e que isso será inevitável, com ou sem a participação do governo. Stephanes destaca, no entanto, que o poder público tem consciência de que precisa criar as condições para que isso ocorra.
Ainda mais enfático, o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, diz que o aumento de 6,5 milhões de hectares estimado pela Expedição “é líqüido e certo”. O dirigente entende que o crescimento da agricultura no Cerrado tem relação com questões naturais, de maturidade das discussões ambientais e conscientização da opinião pública. “O Cerrado cultivado é mais sustentável”, defende Freitas, para quem, a agricultura trouxe mais vida bioma.
Albari Rosa/Gazeta do Povo
Agenda oficial em Brasília encerra roteiro no Cerrado.No final da viagem ao Cerrado, a Expedição Caminhos do Campo/Gazeta do Povo cumpre agenda oficial em Brasília. Na tarde desta quinta-feira (06/03) os técnicos e jornalistas têm encontro com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. A equipe também estará na Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).
Para sexta-feira, está marcada uma reunião na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e uma audiência na Embaixada dos Estados Unidos, onde o grupo será recebido por Elizabeth Autry, adida do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A agenda na capital federal marca o encerramento da sondagem no Cerrado, onde a Expedição percorreu 18 municípios, em quatro estados (Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia). Nos 15 dias em que está na estrada, a Expedição rodou quase 8 mil quilômetros. Na próxima semana começa o roteiro no Paraná.
O adeus do RBD e o videoclipe do Capital Inicial
ATUALIZADOhá 11h
ATUALIZADOhá 13h
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé
Compare Preços MP3 Player A partir de R$59,90
Fast Shop.com.br MacBook Intel Core 2 Duo Apple Em 10x de R$299.90
CASA&VIDEO.COM Sony Ericsson W350 Em 10x de R$49.90
Compare Preços Câmera Digital A partir de R$59,90
Compra Fácil Positivo PC da Família F190L Em 10x de R$129.90