Quinta-feira, 02/09/2010
Carol Pinnell-Alison/LSU
Carol Pinnell-Alison/LSU
Os trabalhos de campo começaram pelo estado da Louisiana, no extremo Sul, região que responde por 4% da produção total de grãos do país
O relatório de acompanhamento de safra que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga na próxima segunda-feira deve trazer as primeiras informações sobre o início da colheita de grãos no país. Os trabalhos começaram há poucos dias na região Sul, no estado da Louisiana, com pelo menos duas semanas de antecedência. Com o plantio concluído mais cedo devido ao clima favorável, a colheita será antecipada em todo o Corn Belt norte-americano. Mississipi e Arkansas devem iniciar os trabalhos na próxima semana.
Ainda é cedo para contrapor os números de produtividade estimados pelo USDA. Para isso, as colheitadeiras precisam entrar nos campos de Iowa e Illionis, os dois estados mais importantes em produção, o que deve acontecer dentro de dez a quinze dias. Para o milho, as produtividades ainda são muito variadas, de 7,5 mil a mais de 10 mil quilos/hectare, segundo Roger Carter, agrônomo da consultoria Agricultural Management Services.
No condado de Franklin, na Louisiana, Keith Bringol, produtor que também presta serviço de colheita para terceiros, conta que os rendimentos do cereal em sua área são bons. Mas ele acredita que a produtividade média deste ano será menor que a do ano passado por causa do clima quente e seco durante o período de formação de grãos.
Conforme o último relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado há uma semana, os EUA têm potencial para colher a sua maior safra de soja e milho de todos os tempos. A previsão é que o cereal atinja 339,5 milhões de toneladas e a oleaginosa 93,4 milhões de toneladas. A grande dúvida é por conta do clima, que ainda pode revelar surpresas, como a possibilidade de geadas precoces.
De qualquer forma, o fato é que as cotações se sustentam na Bolsa de Chicago (CBOT), apesar das previsões recordes e da entrada, por enquanto ainda tímida, da safra norte-americana no mercado.
Leia a matéria completa na edição de hoje da Gazeta do Povo.
Sondagem da Gazeta do Povo/RPC vai abordar oferta e demanda, com estimativa e balanço da safra, da América do Sul à América do Norte, e também o mercado de commodities agrícolas

No ciclo 2010/11, em sua quinta temporada na estrada, a Expedição Safra Gazeta do Povo/RPC consolida a cobertura da América do Sul à América do Norte e faz uma incursão pela Europa.
Os técnicos e jornalistas vão à França, Holanda e Alemanha. O primeiro país é o maior produtor da do continente; o segundo, a principal porta de entrada, com o Porto de Roterdã; e o terceiro, o centro comercial da União Européia.
A Expedição 2010/11 está em fase de prospecção e alinhamento com parceiros técnicos e patrocinadores.
Do lado direito, soja menor, que precisou ser replantada em Iowa.Gazeta do Povo/RPC
Lavoura de milho em Iowa. Excesso de umidade é dúvida sobre produtividade.Gazeta do Povo/RPC
Abertura do pregão, nesta quinta-feira, em Chicago.Apesar da safra recorde, crise do trigo sustenta alta das cotações na Bolsa de Chicago, que teve nesta quinta-feira (12) um dos pregões mais agitados do ano
Ao anunciar uma estimativa de produção de 93,4 milhões de toneladas de soja e 339,5 milhões de toneladas de milho, o USDA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, surpreendeu o mercado e o mundo na manhã desta quinta-feira. As últimas grandes safras foram na temporada passada, com 91,4 milhões de toneladas de soja e 333 milhões de milho. Por conta do anúncio do USDA, a Bolsa de Chicago, referência na formação de preços e comércio de grãos, teve nesta quinta-feira um dos pregões mais agitados do ano. Isso porque, na véspera do relatório, de oferta e demanda mundial, era quase unânime entre os traders e analistas que a nova previsão iria mostrar uma estabilidade no milho e uma redução no potencial da soja, devido ao excesso de chuvas verificado nas últimas semanas, principalmente no estado de Iowa, que ao lado de Illinois, é um dos maiores produtores de grãos do país.
Em entrevista coletiva logo após a divulgação dos novos números e pouco antes da abertura do pregão, Joe Bedore, executivo do CME, grupo que controla a Bolsa de Chicago, disse que o mercado tentou influenciar o relatório, operando em baixa boa parte da semana. Segundo Bedore, a tática não funcionou porque “os números do USDA deixam claro que o atual rali de preços não está sendo conduzido pelos fundos de investimento, mas atende aos fundamentos de oferta e demanda, movimento sustentado principalmente pela crise do trigo”. Em comparação a julho, o relatório de ontem reduziu a produção mundial de trigo em 15,3 milhões de toneladas, de 661,1 milhões para 645,7 milhões de toneladas. A quebra é resultado da forte estiagem no leste europeu, notadamente na Rússia e Ucrânia, importantes produtores do cereal na Europa. Da redução total estimada, 11 milhões de toneladas deixaram de ser produzidas nesses dois países.
O grande destaque do relatório são as produtividades. Apesar da expectativa de que o clima poderia ter comprometido o rendimento das lavouras, o USDA mostrou ao contrário. Com 165 bushels/acre, ou 10.350 quilos/hectare, o milho supera o desempenho do ciclo anterior, até então o melhor de todos os tempos, de 164,7 bushels. Difícil de acreditar, dizem alguns analistas, mas a previsão para soja iguala a marca do ano passado, de 44 bushels/acre, ou 2.960 quilos/hectare, de média.
A queda significativa na produção mundial de trigo de certa forma contribui para sustentar os preços de soja e milho, apesar da previsão nos Estados Unidos. Com menos trigo, aumenta a demanda pelos outros grãos, fortalecendo ainda mais a demanda e, por conseqüência, a capacidade de exportação dos EUA. Mesmo com a entrada da safra americana, não há muito espaço para queda nas cotações. Para novembro, os analistas prevêem soja a entre US$ 9,50 e US$ 10/bushel (27,2 quilos) e o milho a US$ 3,90 (25,4 quilos).
Cotações reagem com alta em Chicago
Reflexo do relatório do USDA e sustentada pela crise do trigo, a Bolsa de Chicago viveu ontem mais um dia de euforia, com as cotações das principais commodities encerrando o pregão com alta acima de 2 dígitos. Cotada a US$ 10,62/bushel, a soja mantém a melhor marca do ano; o milho terminou o dia com US$ 4,07; o trigo a US$ 7,10/bushel (27,2 quilos).
No Paraná, as cotações absorvem aos poucos as reações em Chicago. Os preços médios recebidos ontem pelos produtores, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), foram R$ 37,51 a saca de soja (60 quilos); R$ 14,21 o milho; e R$ 23,19 o trigo.
Safra dos EUA
339,5 milhões de toneladas de milho
é 6 vezes a produção total do cereal no Brasil, em duas safra, de inverno e verão.
93,4 milhões de toneladas de soja é 40% maior do que produção total de soja no Brasil, o segundo maior produtor mundial.
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Apresentação do pesquisado Décio Gazzoni, durante o Ciclo de Palestrras RPC, realizada na Expoingá 2010. A promoção foi em parceria com a Ocepar, Faep, Sociedade Rural de Maringá (SRM) e Associação dos Engenheiros Agrônomos de Maringá.
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Área vai a 1,12 milhão de hectares e a produção tem potencial para 2,75 milhões de toneladas.Sondagem contempla 55% da área plantada e 56% da produção estadual
O plantio de trigo, que começou sem ânimo pelas novas restrições de padrão anunciadas pelo governo, ganhou estímulo das previsões climáticas mas, no final das contas, deve cobrir área 14% menor que a do ano passado no Paraná – estado responsável por metade da produção nacional. O índice foi apurado pelo Caminhos do Campo e pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), com base em dados repassados na última semana por 11 cooperativas líderes nessa cultura.
Perto de 60% das lavouras paranaenses já foram plantadas. Os produtores do Norte estão concluindo a tarefa, enquanto Oeste e Sudoeste atingem 70% da área reservada para a semeadura. Dados referentes às regiões Sul, Campos Gerais e Centro, últimas na escala de plantio, também já foram consolidados. A avaliação geral é que o produtor não esqueceu o excesso de chuva nem os problemas de comercialização da última safra. Sem expectativa de aumento significativo nas cotações, mostra-se retraído ante a triticultura, principal opção de larga escala no inverno.
Este é o segundo ano em que o Caminhos do Campo e a Ocepar realizam avaliação conjunta sobre a área de trigo. No plantio de 2009, o trabalho antecipou tendência de ampliação de 10% do cultivo. O potencial produtivo, que era recorde, para 3,2 milhões de toneladas, foi derrubado pelo excesso de chuvas. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab) estima que tenham sido colhidas 2,67 milhões de toneladas, enquanto a Conab mantém estimativa de 2,54 milhões de toneladas para o estado.
Cotações
Os preços do trigo no Brasil e no mercado internacional ampliam o desânimo do produtor em plena fase de plantio. No Paraná, em relação a um ano atrás, o triticultor recebe 15% menos – R$ 23,5 pela saca de 60 quilos. Em Chicago, depois de uma recuperação de 11% nas cotações em abril, novas baixas foram registradas nos últimos dias. A queda acumulada nos últimos quatro meses é suficiente para somar 15
Novas regras
As mudanças na classificação do trigo que serão cobradas pelo governo federal a partir de julho do ano que vem criam novos gargalos na triticultura, segundo a Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem).
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Greg Drake/Meredith
O clima frio e úmido vai obrigar produtores norte-americanos a replantar parte de suas lavouras de soja, milho e trigo. O mau tempo das últimas duas semanas deixou lavouras recém plantadas debaixo d’água no Sudeste dos Estados Unidos e reduziu o ritmo dos trabalhos de campo no Meio-Oeste, o coração do cinturão de produção de grãos do país.
A desaceleração preocupa os produtores, mas ainda não chega a impactar as cotações dos grãos na Bolsa de Chicago. O plantio da safra 2010/11 começou em ritmo acelerado nos EUA e, apesar das recentes complicações, permanece acima da média histórica no país. Por enquanto, a situação é mais preocupante no Sudeste do país, onde a produção de grãos é pouco representativa.
"A maior parte do milho que plantei já emergiu, mas as plantas que não foram danificadas pelas geadas estão debaixo d’água. Tentei replantar, na semana passada, parte dos meus 120 hectares cultivados com o cereal, mas o trator quase atolou no solo encharcado. Por causa do clima frio e úmido ainda não consegui começar o plantio da soja", relata um produtor da região Norte de Illinois.
Caso seja realmente preciso refazer os trabalhos de campo, parte dos produtores que tiveram lavouras de milho perdidas podem optar pela soja. Se confirmada, a migração de parte da área de milho para soja será positiva para os preços do cereal, que pode ter sua oferta reduzida no maior produtor e exportador mundial, beneficiando assim produtores brasileiros. Por outro lado, a mudança terá impacto negativo nas cotações da oleaginosa, já que implicaria em uma safra maior que a prevista atualmente.
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O pesquisador Décio Gazzoni, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República para o Desenvolvimento Sustentável é o convidado da etapa Maringá do Ciclo de Palestras Informação e Análise do Agronegócio, neste sábado, 15 de maio.
A iniciativa é do Núcleo de Agronegócio da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), em parceria com entidades da cadeia produtiva, como Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Associação Maringaense de Engenheiros Agrônomos (Amea) e Sociedade Rural de Maringá (SRM).
A palestra será desenvolvida no auditório da SRM, dentro do Parque Francisco Feio Ribeiro, na programação técnica da Exposição Agropecuária e Industrial de Maringá (ExpoIngá), a partir das 9h30. Logo após, a RPC recebe e seus parcerios recebem os participantes para um almoço de conraternização e relacionamento na Casa do Criador.
Ciclo de Palestras - As duas primeiras etapas ocorreram em Cascavel, no Show Rural (fevereiro), e em Londrina, na ExpoLondrina (abril). As próximas edições serão em julho, com o Fórum de Mercado em Cascevel, agosto, em Castro, na Agroleite, e novembro, em Pato Branco, na ExpoPato.
Inscrições - As incrições são gratuitas, mas as vagas limitadas. Para se inscrever ou obter maiores informações, use o e-mail rsvp@rpc.com.br ou o telefone (44) 3261-1700.

Sementes geneticamente modificadas cobrem quase dois terços da área plantada com soja e milho no país. Mesmo em desvantagem, grãos convencionais sustentam mercado cativo

A liderança é da soja RR, que foi liberada na safra 2006/07 e hoje cobre 16,2 milhões de hectares, o equivalente a 70% da área total brasileira. Mas a adesão ao milho transgênico ocorre mais rapidamente. O cereal Bt, que controla a lagarta-do-cartucho, teve seu plantio comercial legalizado na safra passada e hoje já cobre mais de 7 milhões de hectares no Brasil. A estimativa considera lavouras de primeira e segunda safra. No verão, 50% da área foram semeados com milho transgênico. Na safrinha, o índice saltou para 65%.
O Paraná, estado onde a Expedição Safra monitora a adoção da tecnologia desde 2006, tem 61% (4,2 milhões de ha) da área reservada à soja, milho verão e safrinha cobertos com sementes GM. Assim como no Brasil, a oleaginosa RR lidera, com 66% da extensão cultivada. O cereal Bt, que ocupou 40% da área no verão, ultrapassou o convencional na safrinha e atingiu 61% de cobertura no estado.
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Analista afirma que preços poderão melhorar às vésperas da próxima safra dos Estados Unidos
José Rocher/Gazeta do Povo
Demanda no Brasil e no mundo mostra recuperação gradual, disse Alexandre Mendonça de Barros, na ExpoLondrina.Os produtores de soja devem atravessar mais dois meses ruins para comercialização da safra 2009/2010, disse o analista Alexandre Mendonça de Barros, da MB Associados, na palestra sobre mercado de commodities agrícolas realizada pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC) e pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) na ExpoLondrina. O evento faz parte do ciclo de palestras em feiras agropecuárias que vem sendo realizado neste ano no estado.
Barros considera que o ano começou com pouca soja no mercado, mas a chegada das safras do Brasil e da Argentina inverteu os prêmios positivos, pressionando fortemente os preços. A safra brasileira será praticamente encerrada em duas semanas e deve haver uma janela de preços melhores entre julho e agosto, antes da safra norte-americana, acrescentou.
No longo prazo, no entanto, a perspectiva é positiva, avalia. Barros considera que a economia mundial está em recuperação e a demanda chinesa mostra-se capaz de sustentar cotações mesmo com a redução do peso dos fundos de investimento nas cotações. A informação trouxe alívio aos cerca de 150 produtores que participaram da palestra. Eles esperavam vender soja pelo menos a R$ 40 a saca este ano, mas vêm recebendo 25% menos.
Dose tripla: Barbixas, Rabin e Antropofocus
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