Terça-feira, 09/02/2010
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Engarrafamento na BR 163 próximo a canteiro de obras. Rodovia cheia de desníveis vem sendo reformada, mas à custa de muita paciência dos motoristas.A safra do Centro-Oeste lota as rodovias que ligam a região aos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP). Na zona central de Mato Grosso, em cada dez veículos, oito são carretas carregadas com até 40 toneladas de grãos, conforme pesquisa de tráfego local.
Obras na BR 163 complicam o tráfego e, durante a noite, forçam os caminhoneiros a dormirem no acostamento. Um veículo pequeno, para não se limitar à velocidade de 60 quilômetros por hora, precisa ultrapassar dezenas de caminhões por quilômetro, o que torna o trajeto mais arriscado do que em qualquer outra época do ano.
Entre Nova Mutum e Cuiabá, os matogrossenses estão gastando 4 horas para percorrer 200 quilômetros. Em metade do trecho, foi construída uma nova rodovia, mas o tráfego de caminhões é proibido nesta via (entre Nobres e Cuiabá). O argumento é que os cargueiros destruiriam o asfalto em poucos dias.
Dirceu Portugal/Gazeta do Povo
Em Palotina, estrada asfaltada em uma parceria entre produtores e prefeitura deve facilitar o escoamento da safra no pico da colheita, em março.Já os irmãos João e Valdemar Kliemann, de Toledo, preferiram escalocar os ciclos, dividindo seus 435,5 hectares entre variedades de soja precoce, média e tardia. A colheita começou na quarta-feira e só será finalizada em março.
Eles esperam neste ano o escoamento da produção na boca de safra seja mais tranquilo este ano. A estrada que passa em frente ä propriedade foi asfaltada recentemente, num parceria entre a prefeitura e 22 produtores da região, que investiram R$ 150 mil na obra.
Produtores de Mato Grosso refazem planos e falam em aumentar produção, mesmo com silos cheios
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Plantadeiras perseguem colheitadeiras para que a terra não fique descoberta após retirada da soja.O plantio de milho segunda safra segue a todo vapor em Mato Grosso. As colheitadeiras tiram a soja e as plantadeiras passam atrás. Os produtores estão mudando planos e, na região de Nova Mutum, dizem que vão plantar mais que em 2009.
"O produto no armazém é um cartucho na mão", explica o produtor Emerson Bonini, que vai plantar 1,2 mil hectares. O milho não é a principal aposta, mas se tornou uma necessidade, para que a terra não fique descoberta após a soja e sujeita à invasão de ervas daninhas, afirma Nestor Poletto, que vai ampliar a área do cereal de inverno de 1,3 para 1,4 mil hectares.
O produtor e presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Alcindo Uggeri, conta que todos os produtores com quem tem mantido contato falam em manter ou ampliar a área do milho. Ele acredita que o preço do produto, abaixo do custo, não vai inibir a produção.
Poletto está com a produção do ano passado nos armazéns. Para vender, se mantém atento aos leilões lançados pela Companhia Nacional de Abastecimento.
Dirceu Portugal/Gazeta do Povo
Soja em área de reforma de pastagem rende 2,7 mil quilos no primeiro ano em Perobal.Soja no verão, braquiária no inverno. Essa é a receita do produtor Osvaldo Zaguine para recuperar áreas de pastagem degradadas em Perobal, no Noroeste do Paraná. Após três anos de rotação gramínea-legumisosa a terra está pronta para receber o gado novamente. No primeiro ano, está colhendo uma média de 2,7 mil quilos por hectare.
Outros pecuaristas da região também adotam o sistema. Lazaro Melo, de Umuarama, resolveu experimentar neste ano. Escolheu a integração lavoura-pecuária com cultivo consorciado de milho e braquiária no inverno. Neste verão, planta soja pela primeira vez. Começou com pouco menos de 50 hectares. Em sua propriedade, Melo tem também mil cabeças de gado nelore.
Jonathan Campos
Colheita em fase inicial deve ter melhores índices da metade em diante.
A produtividade da soja precoce vem sendo menor que a média esperada, ao Norte de Mato Grosso do Sul. Os agricultores dizem estar alcançando de 40 a 45 sacas por hectare em áreas que renderam mais de 50 sacas na safra passada.
Eles optam pela soja precoce para escapar da ferrugem, que atinge as lavouras com mais força a partir de janeiro e fevereiro. A opção, independentemente da variedade, desaponta o setor.
A explicação dos produtores para a queda está na falta de luminosidade durante os últimos três meses. Há lavouras que, em janeiro, tiveram apenas três dias de sol, conta Alceu Carmona. Em Chapadão do Sul desde 82, ele diz que não lembra de um janeiro tão chuvoso.
A expectativa é que, com o avanço da colheita da soja de ciclo médio, a produtividade alcance pelo menos os patamares de 2008/09.
A Expedição Safra RPC conferiu que, em propriedades onde a colheita já está a todo vapor, as máquinas estão retirando até 56 sacas de soja por hectare. Chapadão do Sul planta perto de 82 mil hectares de soja, 3 mil a mais que na safra passada, área que a oleaginosa tirou do milho, agora com 15 mil hectares.
Dirceu Portugal/Gazeta do Povo
Moacir Rossato, de Sertanópolis, mostra à equipe da Expedição o resultado das chuvas de verão: plantas com raízes superficiais ainda estão suscetíveis a perdas.A preocupação de Rossato é compartilhada por produtores de Cândido Mota, no Oeste de São Paulo. Na região de atuação da Coopermota, que cobre 100 mil hectares em oito municípios paulistas, a expectativa é de 3 mil quilos por hectares na soja, rendimento 36% acima do obtido na safra anterior, quando o clima seco derrubou a produção na região. A estimativa poderia ser maior, mas a ferrugem pode comprometer o resultado da safra. Segundo técnicos da cooperativa, esta é a infestação mais severa desde 2002, quando a doença chegou às lavouras brasileiras.
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Lucas Galvan (esquerda), assessor técnico da Famasul, e Paulo Dias (centro), da OCB, consideram que há risco para produtividade.Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Água que ajuda no enchimento das vagens é a mesma que põe qualidade e peso dos grãos em xequeA colheita em meio a chuvas diárias. Esse será o desafio dos produtores de soja do Sul e do Centro-Oeste nos próximos dois meses. Se as previsões climáticas se confirmarem, deve chover acima do normal nessas regiões. O quadro já preocupa Mato Grosso do Sul, um dos estados que mais sofreu com a seca ano passado.
"O excesso de chuva tende a prejudicar a qualidade dos grãos", afirma o assessor técnico da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), Lucas Galvan. Ele conta que o fato de as precipitações estarem diminuindo um pouco traz certa tranquilidade, mas considera que o risco para a colheita persiste.
As primeiras áreas que estão sendo colhidas em Goiás redem soja de boa qualidade mas com grãos mais leves que o esperado, relata o agrônomo Paulo Dias, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Ele considera que o fato pode estar relacionado ao excesso de chuvas. A expectativa é que esse quadro seja uma exceção, pondera.
Paulo Dias participa da Expedição Safra RPC dando apoio técnico à equipe de jornalistas que percorre o Centro-Oeste esta semana, numa viagem de 5 mil quilômetros.
Roberto Soares/Gazeta do Povo
Tiago Garcia Tasques Fonseca, de Ponta Grossa, espera produtividade recorde em ano de El Niño.Os trabalhos de campo começam neste mês nos Campos Gerais, mas só se intensificam em março. A expectativa é de boa produção. “Todo ano de El Niño quebramos recorde de produtividade”, diz Tiago Garcia Tasques Fonseca, de Ponta Grossa.
Na região da Batavo, cooperativa com sede em Carambeí, produtores esperam colher em média 9,2 mil toneladas de milho por hectares, 19% mais do que na safra anterior. Na soja, a expectativa é que o rendimento médio chegue a 3,2 mil quilos por hectare, 3% mais que no ano passado.
Jonathan Campos/Gazeta do Povo.
Em dois meses as equipes vão percorre mais de 30.000 quilômetros. Roteiro começou hoje pelo Paraná e Mato Grosso do Sul.Com a expectativa de safra cheia, a Expedição Safra da Rede Paranaense de Comunicação (RPC) volta a campo para fazer o balanço da temporada 2009/10. A considerar a produtividade das primeiras áreas colhidas, no Paraná e no Mato Grosso, a expectativa é confirmar as tendências apontadas no início do ciclo, de recorde na soja e o segundo melhor resultado da história no milho. A oleaginosa tem condições de superar a estimativa inicial da Expedição Safra, de 64,64 milhões de toneladas e ficar entre 65 e 66 milhões de toneladas.
O milho, a depender do desempenho da safra de verão e da aposta na safrinha, que começa a ser plantada, deve render entre 52 e 53 milhões de toneladas, muito próximo da previsão de 52,59 milhões de toneladas (1ª safra com 32,96 milhões e 2ª safra com 19,63 milhões). Com o desempenho acima da media na soja e no milho, que representam 80% do volume de grãos produzido no país, a expectativa é que a produção total brasileira retome o patamar registrado na safra 2007/08, quando o país colheu 144 milhões de toneladas.
Para conferir o resultado in loco, a partir desta semana, equipes de técnicos e jornalistas refazem o circuito das principais regiões produtoras do país. Nesta fase, da colheita, a sondagem tem início pelos dois principais estados produtores, Paraná e Mato Grosso, no Sul e no Centro-Oeste. Juntos, eles plantaram no ciclo atual mais de 45% da área nacional de soja. Na sequência, ainda em fevereiro e entrando em março, o levantamento conclui os circuitos Sul e Centro-Oeste e avança para o Centro-Norte e Sudeste. No total, a Expedição vai a 12 estados.
América do Sul
Nesta etapa, a Expedição segue ainda para a Argentina e o Paraguai em busca de contrapontos na América do Sul. Fora do Brasil, o objetivo não é estatístico. Assim como ocorreu nos Estados Unidos, em outubro de 2009, os técnicos e jornalistas vão aos países vizinhos acompanhar a colheita e conferir o desempenho da produção em locais que têm participação significativa na oferta de grãos.
As equipes de campo viajam acompanhadas de técnicos e analistas da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e Federação da Agricultura do Paraná (Faep). A Expedição tem patrocínio da New Holland, Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e Banco do Brasil, além do apoio logístico da Toyota do Brasil e Toyota Sulpar.
Serviço:
Para acompanhar as equipes e ter outras informações sobre a Expedição e safra brasileira, acesse www.rpc.com.br/expedicaosafra
Média é 25% maior que a alcançada ano passado, quando houve seca no campo
Jonathan Campos/Gazeta do Povo
O produtor Roberto Tutida, de Naviraí, em meio à soja de 1 metro de altura. Às vésperas do início da colheita da safra de verão, os produtores da região de Naviraí -- Mato Grosso do Sul -- acreditam que irão alcançar 3,3 toneladas de soja por hectare. Eles contam que as chuvas favoreceram a cultura, que no ano passado rendeu 25% menos que essa expectativa por causa da seca.
A soja cresceu até um metro e, na maior parte dos campos, está em fase em enchimento de grãos. A previsão é que, dentro de um mês, as colheitadeiras estejam 100% ocupadas.
Na região da Copasul, cooperativa que cobre 70 mil hectares no Sul do estado, os grãos começam a ser vendidos agora. Os preços, na casa de R$ 31 a saca, desagradam os produtores, que temem ver todo o aumento de produtividade indo embora pelo ralo.
ATUALIZADOhá 28min
Presentes de casamento: em que situações devem ser devolvidos?
ATUALIZADOhá 2h
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé