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Terça-feira, 22/05/2012

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Uma família brasileira na China

Quem faz o blog
18/05/2012 às 21:44

Ni Hao,


Quando decidimos vir morar na China por nossa livre e espontânea vontade, ouvi (e ainda ouço) muitos cumprimentos pela minha coragem. Confesso que tomar uma decisão tão radical realmente demandou muito desprendimento de toda a família, incluindo meus pais e sogros.

No entanto, a cada dia que passa, conheço diferentes pessoas com diferentes histórias que fazem da minha aventura um conto de fadas.

Esta semana, tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente a Elen (com quem estabeleci contato através deste blog) e desfrutar da companhia de sua família.


Chris Dumont

Chris Dumont / Da esquerda para direita, eu, Elen, Lia, a garçonete do restaurante onde estávamos, Alexandre e Theo. Da esquerda para direita, eu, Elen, Lia, a garçonete do restaurante onde estávamos, Alexandre e Theo.

Elen, mãe da Lia e do Theo e esposa do Alexandre, morava em Capão da Canoa (RS) onde possuía com o marido um curso de idiomas/intercâmbio. Por motivos que nem eles mesmos sabem ao certo (sempre conhecemos nossas razões, mas nem sempre conhecemos e dominamos nossas emoções) decidiram arriscar a vida fora do Brasil.
Espalharam seus currículos pelo mundo e foram chamados pelos chineses para serem professores de inglês numa escolinha parecida com a que tentei trabalhar tempos atrás, só que em Changchun.

Changchun é uma cidade ao norte da China, perto de Haerbin, mais conhecida pelo Festival de Inverno com suas esculturas e castelos de gelo.


Divulgação

Divulgação / À esquerda o Festival de Gelo de Haerbin e à direita Changchun no inverno.À esquerda o Festival de Gelo de Haerbin e à direita Changchun no inverno.

Só que, chegando em Changchun há quase 5 anos, as coisas não aconteceram exatamente como previsto. Nem tudo o que foi prometido foi cumprido e a família viveu uma barra pesada.

Para começar, em Changchun o inverno dura 7 meses e a temperatura cai a – 30º C, o que é difícil de aguentar até mesmo para gaúchos natos.

Em Changchun, ninguém fala inglês. Ninguém! Ou seja, é quase impossível a comunicação com eles. Como dizer que o ralo do banheiro do quarto do hotel está entupido e transbordando, como aconteceu comigo? Fazendo mímica?

Em Changchun, os chineses são muito mais chineses do que na ocidentalizada Shenzhen (eu já desconfiava que Shenzhen não fosse padrão chinês, mas agora tive a confirmação). Eles arrotam, empurram, fumam em qualquer lugar, escarram, escarram, escarram, não cheiram bem. Os taxistas dirigem como loucos e, na busca por maiores ganhos (a bandeirada lá é 5RMB, menos da metade de Shenzhen) fazem lotação: você está lá, sentada encolhidinha no seu taxi, quando o motorista para e entram mais 2 pessoas!

Fora encarar uma cidade assim, a Elen precisou matricular os filhos em escola chinesa. As crianças choraram muito até se adaptar ao mundo chinês, não sem antes quase desaprender a comer com garfo e faca (Elen diz que eles pareciam uns porquinhos empurrando comida pela boca com os pauzinhos, sujando a mesa, a roupa...) ou voltar para casa com uma ponta de lápis enfiada na testa como aconteceu com o Theo. Quem é mãe, sabe o que é isso, ainda mais quando a escola diz “se não está satisfeita, pode ir embora”.

Fora a cidade, a escola, o preconceito contra os estrangeiros em geral, o emprego como professora num jardim de infância (que maltratava os chinesinhos), outras coisas estranhas e, às vezes, engraçadas aconteciam na vida de Elen. Por exemplo, a proprietária do antigo apartamento, que por “lei” mantinha uma cópia da chave com ela, amanhecia na sala, lendo jornal, para checar se estava tudo bem com o apê. Isso aconteceu com tanta frequência (ela chegava até a lavar a louça do jantar para eles), que a família decidiu mudar de apartamento antes que a proprietária flagrasse o casal em... enfim.

Hoje, 5 anos depois, a família da Elen está muito bem!

Alexandre está trabalhando numa escola americana, o que proporcionou a possibilidade das crianças estudarem lá. Está fazendo mestrado e crescendo profissionalmente. E, mais do que tudo, tem um brilho invejável nos olhos quando fala de seus alunos.

As crianças são os intérpretes da família. Adivinhem quem fez a reserva do meu hotel? Falam, leem e escrevem em chinês, fora o inglês e o português.

Lia toca, entre outros instrumentos, o inimaginável Erhu. Theo aprendeu a fazer sushi e vem mostrando dotes para fotografia. Ambos são doces, meigos e carinhosos. Assim o são, porque estão amparados por pais corajosos que se ajudam e seguram juntos as barras mais pesadas.

Theo fazendo shushi chinês


Lia tocando Erhu


E, finalmente, Elen, depois de 5 anos de resignação, está voltando a se enxergar. Parou de trabalhar e está pensando em aprender chinês, se dedicar mais ao corpo e voltar a pintar. Enfim, a reencontrar a paz de espírito que ficou meio perdida frente a tantos desafios.



Alexandre

Alexandre /


Como vocês podem ver, quem sou eu para falar de coragem vivendo em Shenzhen, sustentada por um marido com emprego estável e com dinheiro para encarar os imprevistos?

Galerinha de Changchun vocês são demais!

Obrigada pelos dias maravilhosos que passei e por me deixarem compartilhar da/ a história de vocês!

09/05/2012 às 12:59

Ni Hao,

Foi numa tarde quente de verão. Marido no trabalho, crianças na escola... dia perfeito para dar uma escapada e viver novas aventuras.

Venci a timidez, tomei coragem e fui falar com ele. Nossa empatia foi imediata! Ele foi logo me pegando pelo braço e me aconchegando numa grande poltrona macia.

Minha vontade era tanta, que pensei em começar a tirar a roupa ali mesmo... mas, senti que ainda não era hora e me controlei.

Ele pegou gentilmente meus pés e mergulhou-os em água quente. Sentou atrás de mim, encostando suas pernas em minhas costas, e começou a me acariciar com roupa e tudo. Em seguida, passou a esfregar seu antebraço em meus ombros, pegou meus braços, cruzou-os em frente ao corpo e me puxou de encontro ao seu peito. E, como se não bastasse, começou a me bater em ritmo acelerado e compassado, com suas mãos firmes e, ao mesmo tempo, delicadas.

Sem cerimônia, me fez deitar em seu colo, encaixou seus joelhos em minhas costas e começou a fazer movimentos com as pernas que me faziam subir e descer, subir e descer... pronto, me apaixonei!!!

Amigos, o nome disse não é sacanagem, nem traição. O nome disso é Foot Massage!!!!

Aqui na China, a gente encontra casas de massagem a cada esquina. Perto de onde moramos há pelo menos três.

Apesar do nome ser “massagem no pé”, o ritual é sempre o mesmo. Você vê aquele poltronão delicioso e, quando vai se refestelar nele, o massagista o coloca sentado no banquinho de apoio com os pés enfiados em água quente (temperada com leite, ou gengibre ou outro aromatizante qualquer) e é ele quem, num primeiro momento, senta no poltronão.


Chris Dumont

Chris Dumont /


Alguns Foot Massage oferecem salas reservadas com 4 ou 5 poltronas para você fazer massagem com os amigos. Outros colocam todo mundo num ambiente único. Ninguém precisa tirar a roupa. A massagem é feita por cima da calça jeans, da blusa e a gente nem lembra que está de roupa.


Chris Dumont

Chris Dumont /


É claro que eles também oferecem a Body Massage na qual você deita de roupão e recebe uma massagem tradicional. Eu, particularmente, curto esta liberdade de poder estar no meio da rua e, subitamente, decidir fazer uma massagenzinha de roupa e tudo. Igual como se estivesse parando para tomar um sorvete e aliviar o estresse.

A duração média é de 80 minutos e o preço varia entre 48 e 80 RMB ou 10 a 20,00 reais!!!!

Massagear as pessoas parece ser um talento inato dos chineses. Qualquer um que pega nas suas costas, o faz com muita competência. E em qualquer lugar.

No cabelereiro, o momento de lavar as madeixas é inesquecível. Você não senta naquelas cadeiras que colocam seu pescoço num ângulo de 260 graus com o gogó pulando para fora. Aqui, você deita, confortavelmente, numa cama que possui uma pia acoplada e recebe uma massagem... na cabeça. E nos ombros, braços e pernas se desejar. E ainda uma máscara de gengibre e limpeza do ouvido. Uma delícia!


Chris Dumont

Chris Dumont /


É claro que algumas casas de massagem também oferecem lazeres menos nobres, mas aí eu não sei contar como funciona exatamente. Mas imagino.

Agora deem uma olhada no vídeo aí embaixo e vejam se vocês também não iam se apaixonar!

Ah, relevem a locução “simpática” do Marquinhos. Coisa de adolescente.



03/05/2012 às 23:46

NO DIVÃ


Ni Hao,

Aqui é a terra dos tufões.

Na primeira reunião com o diretor da escola das crianças, um dos assuntos que ele mais enfatizou foi o plano de emergência em caso de tufão.


Divulgação

Divulgação /

Nesses 9 meses, não vimos nenhum tufão de verdade, apenas chuvas e ventos fortes.

Nesses 9 meses, já passei por diversos tufões emocionais.

Hoje foi um desses dias.

Todas as minhas ideias do que fazer na China - estudar, trabalhar, abrir um negócio em parceira com um chinês – que pareciam tão sólidas, hoje não são mais do que folhinhas secas voando de um lado para o outro.

Nesses dias, melhor seguir o plano de emergência do diretor: buscar um lugar seguro e esperar a tempestade passar.

E quando o sol abrir novamente, procurar as folhinhas secas; ver quais se perderam na tempestade e quais resistiram a ela.


Mas por que publicar isso num blog sobre a China?

Sei lá. Porque talvez outras pessoas estejam debaixo de uma tempestade emocional e possam se sentir mais abrigada ao ler esse post.

Na China ou no Brasil, gente é tudo igual.

28/04/2012 às 06:38

Ni hao,


Em 1982, meu pai foi transferido para França o que me deu a grande chance de morar em Paris por um ano e meio. Eu me lembro de que, isolada dos amigos em plena adolescência, sentia muita falta do Brasil. Passei a ser forte defensora da pátria amada. Como não ter orgulho da terra do samba, sol, carnaval, futebol, belas mulheres e povo solidário? Do país do futuro?

Hoje, 30 anos depois, vejo meus filhos morando fora do país (a vida é uma grande repetição, não é mesmo?) e se orgulhando das mesmíssimas coisas! Mariana me contou que os amigos dizem que ela dança muuuuito bem porque é brasileira. Os amigos do Dudu, que viram o desenho “Rio”, perguntam se lá tem muito passarinho e se ele já foi a alguma favela. As estrangeiras volta e meia deixam escapar que as brasileiras são muito sensuais! E, pasmem, todos, não importa a nacionalidade ou sotaque, sabem cantar “nossa, delícia, assim você me mata”.

Gente, como assim? Passaram-se 30 anos e permanecemos o país da frivolidade? Ou não sabemos divulgar no exterior nossas grandes conquistas como as mostradas no último censo do IBGE? Quando o “futuro” vai finalmente chegar?

O fato é que ainda não conheci nenhum brasileiro morando aqui que tenha revelado alguma vontade de voltar a morar no Brasil! Por quê?

Enfim, o que tudo isso está fazendo num blog sobre a China?

Explico. Meu pai me enviou uma matéria, que anda circulando pela Internet, sobre um suposto papo entre o primeiro ministro chinês e a Dilma. Evidente que o texto não é do Joelmir Betting como dizem por aí. Não sei nem se a conversa realmente aconteceu. Só sei que tudo que está escrito aí embaixo, de alguma forma, faz muito sentido!

E, se a vida for realmente uma grande repetição, espero que meus netos tenham a oportunidade de morar algum tempo fora do Brasil, mas que seu orgulho pelo país possa ir além do samba no pé.

"As soluções para melhorar o Brasil (que funcionaram na China)


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O Primeiro Ministro da China, Wen Jiabao, visitou o Brasil recentemente pela primeira vez e surpreendeu pelo conhecimento que tem sobre nosso país, segundo ele, devido o aumento da amizade e dos negócios entre Brasil e China, vem estudando nossa cultura, nosso povo, desenvolvimento e nosso governo nos últimos 5 anos e, por isso aproveitou a visita de acordos comerciais para lançar algumas sugestões que, segundo ele, foram responsáveis pelas mudanças e pelo crescimento estrondoso da China nos últimos anos.

Durante uma de suas conversas com a Presidente Dilma e seus ministros, Wen foi enfático no que ele chama de "Solução para os países emergentes", que é o caso do Brasil, China, Índia e outros países que entraram em grande fase de crescimento nos últimos anos, sendo a China a líder absoluta nessa fila.

1) PENA DE MORTE PARA CRIMES HEDIONDOS COMPROVADOS:
Fundamento: Um governo tem que deixar de lado a hipocrisia quando toca neste assunto, um criminoso não pode ser tratado como celebridade, criminosos reincidentes já tiveram sua chance de mudar e não mudaram, portanto, não merecem tanto empenho do governo, nem a sociedade honesta e trabalhadora merece conviver com tamanha impunidade e medo, citou alguns exemplos bem claros: Maníaco do parque, Lindeberg, Suzane Richthofen, Beira Mar, Elias Maluco, etc. Eliminando os bandidos mais perigosos, os demais terão mais receio em praticarem seus crimes, isso refletirá imediatamente na segurança pública do país e na sociedade, principalmente na redução drástica com os gastos públicos em segurança. Ao longo prazo isso também reflete na cultura e comportamento de um povo.

2) PUNIÇÃO SEVERA PARA POLÍTICOS CORRUPTOS:
Fundamento: É estarrecedor saber que o Brasil tem o 2º maior índice de corrupção do mundo, perdendo apenas para a Nigéria, porém, comparando os dois países o Brasil está em uma situação bem pior, já que não pune nenhum político corrupto como deveria, o Brasil é o único país do mundo que não tem absolutamente nenhum político preso por corrupção, portanto, está clara a razão dessa praga (a corrupção) estar cada vez pior no país, já que nenhuma providência é tomada, na China, corrupção comprovada é punida com pena de morte ou prisão perpétua, além é óbvio, da imediata devolução aos cofres públicos dos valores roubados. O ministro chinês fez uma pequena citação que apenas nos últimos 5 anos, o Brasil já computou um desvio de verbas públicas de quase 100 bilhões de reais, o que permitiria investimentos de reflexo nacional. Ou seja, algo está errado e precisa ser mudado imediatamente.

3) QUINTUPLICAR O INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO:
Fundamento: Um país que quer crescer precisa produzir os melhores profissionais do mundo e isso só é possível quando o país investe no mínimo 5 vezes mais do que o Brasil tem investido hoje em educação, caso contrário, o país fica emperrado, aqueles que poderiam ser grandes profissionais, acabam perdidos no mercado de trabalho por falta da base que deveria prepara-los, com o tempo, é normal a mão de obra especializada passar a ser importada, o que vem ocorrendo a cada vez mais no Brasil, principalmente nos últimos 5 anos quando o país passou a crescer em passos mais largos.

4) REDUÇÃO DRÁSTICA DA CARGA TRIBUTÁRIA E REFORMA TRIBUTÁRIA IMEDIATA:
Fundamento: A China e outros países desenvolvidos como os EUA já comprovaram que o crescimento do país não necessita da exploração das suas indústrias e empresas em geral, bem pelo contrário, o estado precisa ser aliado e não inimigo das empresas, afinal, é do trabalho destas empresas que o país tira seu sustendo para crescer e devolver em qualidade de vida para seus cidadãos, a carga tributária do Brasil é injusta e desorganizada e enquanto não houver uma mudança drástica, as empresas não conseguirão competir com o mercado externo e o interno ficará emperrado como já é.

5) REDUÇÃO DE PELO MENOS 80% DOS SALÁRIOS DOS POLÍTICOS BRASILEIROS:
Fundamento: Os Brasil tem os políticos mais caros do mundo, isso ocorre pela cultura da malandragem instalada após a democracia desorganizada que tomou posse a partir dos anos 90 e pela falta de regras no quesito salário do político. O político precisa entender que é um funcionário público como qualquer outro, com a função de empregar seu trabalho e seus conhecimentos em prol do seu país e não um "rei" como se veem atualmente, a constituição precisa definir um teto salarial compatível com os demais funcionários públicos e a partir dai, os aumentos seguirem o salário mínimo padrão do país, na China um deputado custa menos de 10% do que um deputado brasileiro. A revolta da nação com essa balbúrdia com o dinheiro público, com o abuso de mega-salários, sem a devida correspondência em soluções para o povo, causa ainda mais prejuízos ao estado, pois um povo sentindo-se roubado pelos seus líderes políticos, perde a percepção do que é certo, justo, honesto e honrado.

6) DESBUROCRATIZAÇÃO IMEDIATA:
Fundamento: O Brasil sempre foi o país mais complexo em matéria de negociação, segundo Wen, a China é hoje o maior exportador de manufaturados do mundo, ultrapassando os EUA em 2010 e sem nenhuma dúvida, a China e os EUA consideram o Brasil, o país mais burocrata, tanto na importação, quanto exportação, além é claro, do seu mercado interno, para tudo existem dezenas de barreiras impedindo a negociação que acabam em muitas vezes barrando o desenvolvimento das empresas e refletindo diretamente no desenvolvimento do país, isso é um caso urgente para ser solucionado.

7) RECUPERAÇÃO DO APAGÃO DE INVESTIMENTOS DOS ÚLTIMOS 50 ANOS:
Fundamento: O Brasil sofreu um forte apagão de investimentos nos últimos 50 anos, isso é um fato comprovado, investimentos em infraestrutura, educação, cultura e praticamente todas as demais áreas relacionadas ao estado, isso impediu o crescimento do país e seguirá impedindo por no mínimo mais 50 anos se o Brasil não tomar atitudes fortes hoje. O Brasil tem tudo para ser um grande líder mundial, tem território, não sofre desastres naturais severos, vive em paz com o resto do mundo, mostrou-se inteligente ao sair ileso da grande crise financeira de 2008, porém, precisa ter a coragem de superar suas adversidades políticas e aprender investir corretamente naquilo que mais necessita.

8) INVESTIR FORTEMENTE NA MUDANÇA DE CULTURA DO POVO:
Fundamento: A grande massa do povo brasileiro não acredita mais no governo, nem nos seus políticos, não respeita as instituições, não acredita em suas leis, nem na sua própria cultura, acostumou-se com a desordem governamental e passou a ver como normal as notícias trágicas sobre corrupção, violência, etc, portanto, o Brasil precisa investir na cultura brasileira, iniciando pelas escolas, empresas, igrejas, instituições públicas e assim por diante, começando pela educação patriótica, afinal, um grande povo precisa amar e honrar seu grande país, senão é inevitável que à longo prazo, comecem surgir milícias armadas na busca de espaço e poder paralelo ao governo, ainda mais, sendo o Brasil um país de proporções continentais como é.

9) INVESTIR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA IMEDIATAMENTE:
Fundamento: Proporcionalmente, o Brasil investe menos de 8% do que a China em ciência e tecnologia, isso começou a ter forte reflexo no país nos últimos 5 anos, quando o Brasil passou a crescer e aparecer no mundo como um país emergente e que vai crescer muito a partir de agora, porém, não tem engenharia de qualidade, não tem medicina de qualidade, tecnologia de qualidade, não tem profissionais com formação de qualidade para concorrer com os países desenvolvidos que encontram-se mais de 20 anos a frente do Brasil, isso é um fato e precisa ser visto imediatamente, pois reflete diretamente no desenvolvimento de toda nação.

10) MENORIDADE PENAL E TRABALHISTA A PARTIR DE 16 ANOS (o mundo está envelhecendo...):
Fundamento: O Brasil é um dos poucos países que ainda possuem a cultura de tratar jovens de 15 a 18 anos como crianças, não responsáveis pelos seus atos, além de proibi-las de oferecer sua mão de obra, isso é erro fatal para toda a sociedade, afinal, o Brasil, assim como a grande maioria dos países, estão envelhecendo e precisam mais do que nunca de mão de obra renovada, além do que, essa contradição hipócrita da lei, serve apenas para criar bandidos perigosos, que ao atingirem 18 anos, estão formados para o crime, já que não puderam trabalhar e buscaram apenas no crime sua formação. Na China, jovens tem permissão do governo para trabalhar normalmente (não apenas como estagiários como no Brasil) a partir dos 15 anos, desde que continuem estudando e, sim, respondem pelos seus crimes normalmente, como qualquer adulto com mais de 18 anos.

21/04/2012 às 04:19

Ni hao,


Faz mais de 6 meses que estou aprendendo mandarim. Quer dizer, aprendendo a “falar mandarim”, porque a “ler e escrever em mandarim”, por enquanto, não tem a menor chance!

O que fazemos é usar o pinyin, que é o som do ideograma em alfabeto romano, para aprender a pronunciá-lo. Exemplo: “xié xié” é a fonética deste desenhinho aqui 谢谢.

O único problema é que a fonética dos ideogramas não está escrita nas placas de rua, nos supermercados ou embalagens de produto. Ou seja, os estrangeiros, que até conseguem se comunicar em mandarim são em sua maioria analfabetos!

Aliás, não sei se vocês sabiam que a China possui vários dialetos totalmente diferentes uns dos outros, mas apenas uma escrita. Desta forma, qualquer chinês, não importa de que parte do país for, consegue se comunicar com outro chinês através dos ideogramas. Eu acho isso o máximo!

Os ideogramas são muito parecidos e qualquer perninha ou tracinho puxado no lugar errado muda totalmente o significado da palavra. Olhem só:


Chris Dumont

Chris Dumont /

Assim como é difícil para os ocidentais aprenderem a escrever em chinês, o mesmo acontece com os chineses que precisam aprender a escrever em inglês. Aliás, a Tina me disse para nunca escrever palavras em inglês em caixa alta porque isso confunde os chineses.

Faz sentido: BEAUTIFUL parece bem mais complicado do que beautiful.

Enfim, todo este blá blá blá foi apenas uma introdução para mostrar que, assim como nós ao tentar desenhar os caracteres, os chineses também misturam, trocam e repetem letras quando estão escrevendo em inglês.

O que eu vi escrito na seção de congelados do supermercado “Metro”, cujo consumidor principal é o estrangeiro, foi inacreditável!


Chris Dumont

Chris Dumont /

Imagino que FISHFIUET seja fish filet. Mas que diferença faz “ll” e “u”? Os dois não são dois pauzinhos para cima?

Os chineses adoram sorvete de feijão. Inclusive, já compramos por engano o verde, achando que era de limão e o rosa achando que era de morango. Não preciso dizer que os brasileirinhos aqui de casa detestaram! ICE CBEAM dever ser uma mistura de ice cream com ice bean. Detalhe: beam com “m” significa “viga”. Preparem os dentes!

Sobremesa ou dessert virou DESSET. Na dúvida, melhor não aceitar e manter o regime!

Vejam outras plaquinhas:


Chris Dumont

Chris Dumont /

FRIEDDUMPLINGWANTUN é fácil se colocarmos os devidos espaços entre as 3 palavrinhas: fried dumplig wantun. Ou seria fried dump linguado, em latim?

Agora, que cazzo quer dizer FROZENSTEAMEDSFCFFEDBUN? E FROZENSHEMEDROU? “Medrei” mesmo!


Mais 3 para fechar o “Soletrando”:


Chris Dumont

Chris Dumont /

INPOTEDBUTIER é manteiga importada ou imported butter.

STEAMED BROAD STEAMED CAMBREOD e FROZEFCV… eu passo.

Nas gondolas, a descrição dos produtos também é ligeiramente complicada. Vejam só esta... este.... esta..... enfim...


Chris Dumont

Chris Dumont /


Mas, se você ficar confuso com tanto nome esquisito, não tem problema. O supermercado disponibiliza a seus clientes a moderníssima Máquina Rastreadora das Estrelas da Fazenda (Tia ba jala). Alguém se arrisca?


Chris Dumont

Chris Dumont /


Depois disso tudo, melhor desistir de comprar comida e se divertir na seção de comésticos. Mas onde fica mesmo?


Chris Dumont

Chris Dumont /

16/04/2012 às 07:45

Ni hao,

Dudu chegou em casa sexta-feira feliz da vida!

_ Realizei um desejo!!!
_ Nossa Dudu, que bom! O que você fez?
_ Joguei uma torta na cara da Ms. Tower!
_ Como assim, jogou uma torta? De verdade? Na cara da professora?
_ É! Eu fui uma das crianças que mais leu livros nas últimas semanas e ganhei o prêmio!!! Ela ficou toda suja!

E aí, meu amigos? Eu fico aqui, do alto do meu “suposto mais civilizado comportamento ocidental”, falando das maluquices dos chineses, e o Dudu me chega com uma novidade desta?

Já imaginaram um aluno do Bom Jesus ou do Santo Inácio jogando uma torta na cara do professor?

E não é só isso. Semana passada rolou uma experiência com as crianças para introdução de conceitos básicos de “Engineering”. Eles tinham que “salvar” ovos de uma queda de 10 metros, mais precisamente, do terceiro andar da escola até o piso térreo.

No Brasil (e acredito que também na China), países que ainda lidam com o problema da fome, jogar comida fora nos parece, no mínimo, politicamente incorreto. No entanto, para os americanos que dirigem a escola, isto é absolutamente divertido e envolvente!

E o pior é que é! Vejam pela animação do Dudu! E, alguma dúvida de que as crianças que participaram do projeto “ovo em queda livre” amaram a experiência?

Agora, olha que engraçado! A Mariana, que já está no High School, foi convidada a participar de um projeto de conscientização que consistia em passar 30 horas sem comer nada! Trinta! E para que? Para sentir o que as pessoas que estão morrendo de fome pelo mundo sentem!

Sabe o que significa dizer para uma mãe brasileira que seu filho vai ficar 30 horas sem comer? Literalmente, a morte! Óbvio que não deixei a Mariana participar!

Mas óbvio para quem, né?

Para as mães latinas super protetoras, com certeza! Ou para aquelas que, como eu, acreditam ser mais interessante colocar os adolescentes para distribuir comida nas ruas, para os probres da China, do que brincar de passar fome.

No entanto, para a galera da Dinamarca, que não conhece a dor de encarar uma criança magrinha pedindo esmola, talvez o projeto seja o máximo.Este e o do ovo.

Enfim, todos nós temos nossos telhados de vidro! E quem achar que não tem, que atire a primeira pedra! Ou a primeira torta!

Vejam a newsletter da escola que não me deixa mentir.


Chris Dumont

Chris Dumont /


Chris Dumont

Chris Dumont /

10/04/2012 às 10:24

Ni Hao,

Por incrível que pareça, a maior mudança em minha vida ao vir para China não foi vir para a China, mas sim parar de trabalhar.

Consegui meu primeiro estágio em 1986 e, a partir dai, nunca mais parei! Em resumo, sou uma mulher que há mais de 20 anos acorda de manhã, se fantasia de executiva, sai para o trabalho e só volta à noite.

Infelizmente ou felizmente, ao vir para a China, fui “obrigada” a largar esta vida e assumir, pelo menos por uns tempos, o papel de “mulher do Luiz” ou “mãe de família” ou “do lar”, ou como preferirem.

Só que, ao longo desses 10 meses, passei a ter crises de abstinência, complexos de culpa, ansiedade, desorientação... até que meu amigo Hera me conseguiu um trabalho: professora de inglês para chinesinhos de 3 a 10 anos.

Yes! Que experiência maravilhosa, pensei! Trabalhar na China e ainda mais com crianças!

Preparei-me para a aula demo de 15 minutos para criancinhas de 4 anos. Comprei uns bichinhos de madeira, adesivos, balinhas; procurei ideias no Youtube, conversei com o Hera e com uma amiga que mora perto de Harbin, que também é professora, e fui à luta.

A aula foi um sucesso! Durantes os 15 minutos, os chinesinhos brincaram e se divertiram com os bichinhos e eu fui contratada para dar aulas para 3 turmas: criancinhas de 3/4 anos, crianças de 7/8 e pré-adolescentes de 9/10.

Enquanto estava lendo no contrato as cláusulas que falavam sobre a metodologia de ensino, apresentação prévia do conteúdo das aulas, etc., a professora responsável pela contratação me disse num inglês macarrônico: “Nada disso é importante. O que importa é que você não chegue atrasada nem falte a nenhuma aula.” No contrato havia multas para 5 minutos de atraso, para ausência sem aviso, para pedido de demissão e várias outras penalidades que incidiriam diretamente no meu salário, além de um incentivo financeiro para o professor que apresentasse outro professor.

Comecei a achar aquilo meio, digamos, pouco sério e repressor.

Assinei o contrato, fechei o valor da aula (190 rmb por hora/aula ou R$ 47,00) e fui para casa sabendo que começaria na terça seguinte, mas ainda sem saber o conteúdo das aulas. Fiquei cobrando por email os conteúdos ao longo do sábado, domingo e segunda (sim, o curso funciona todos os dias), e nada de eu saber o que eu iria ter que ensinar.

A ficha começou a cair devagarinho...

Finalmente, na segunda à noite, duas das três professoras me responderam e pude preparar alguns joguinhos.

As aulas funcionam em 2 partes. Os primeiros 40 minutos são dados pelo professor estrangeiro e os outros 40 minutos pela professora chinesa.

Os nomes das crianças (nomes americanos como Kevin, Jasmine, David e por aí vai) ficam escritos no canto esquerdo do quadro e o professor vai desenhando estrelas por bom comportamento e performance. Ao fim das aulas, a professora conta as estrelas e passa para a cartelinha da criança.
Meritocracia? Adestramento? Sei lá, só sei que as crianças não pareciam ligar muito para as estrelinhas.


Chris Dumont

Chris Dumont /

Terça-feira, saí de casa super cedo munida de bolas, balas, estrelas de papel, fantoches e qualquer coisa que pudesse me ajudar a dar aulas divertidas e interessantes. ( Meu amigo Hera não precisa de nada disso! Ele descobre o conteúdo 5 minutos antes da aula começar e faz os 40 minutos renderem absurdamente!)

Em minha primeira aula, para criancinhas de 3 a 4 anos, de 17:20h às 18:00h, descobri que esses grandes bebês estão programados para repetir. Repetir. Repetir... gritando! Eu dizia “Hi Cody!” e eles tinham que dizer “Hello, Cody”, mas não funcionava. Se eu dizia Hi eles gritavam Hi, se eu dizia Hello, eles gritavam Hello.

Além disso, percebi que ia ser muito, mas muito difícil mesmo decorar o nome daquelas coisas fofas, todas parecidinhas, com nomezinhos que não tinham nada a ver com a carinha delas. Para complicar, ainda havia gêmeas na sala (Emily e Ema).

Meus joguinhos acabaram 10 minutos antes do tempo previsto e tive que inventar uma brincadeira de última hora.

Na segunda aula, para crianças de 7 anos, de 18:10 às 18:50h, (aula cujo conteúdo a professora não me passou) aprendi que esses chinesinhos são muito, mas muito mal educados. O perfil básico é o seguinte: filhos únicos (havia 8 meninos e 2 meninas na turma), de pais ricos (que podem estudar em escolinhas particulares) e criados pelos avós que fazem parte do núcleo familiar. Ou seja, crianças altamente mimadas.

Assim que cheguei, o Hank (os pais devem ter assistido a Forrest Gump) parou na minha frente, fez uma careta e começou a rebolar desdenhando da nova professora. Se fosse o Dudu, já tinha levado logo um safanão! Pensei como os outros professores faziam em uma situação destas e percebi que, exceto eu e o Hera, os outros professores eram africanos, negões (pelo amor de Deus, sem qualquer preconceito!) e fortões.


Divulgação

Divulgação / Fotos retiradas do site da escola.Fotos retiradas do site da escola.

Neste momento, a ficha que vinha caindo devagarinho, deu uma grande deslizada. Eu era mulher e pequeninha como todas as professoras chinesas. Esses pestinhas não vão me respeitar nunca!

A aula foi uma zona! Eu não tinha tido acesso ao conteúdo e tive que improvisar joguinhos os quais as crianças faziam questão de melar! Tem que jogar a bolinha e acertar a “doll”! O primeiro jogava, errava, a bola caía no chão, o Hank corria e pegava, um outro vinha e pegava a bola da mão dele, um terceiro entrava na disputava e eu ficava tentado apartar a briga e ameaçando apagar as estrelinhas dos nomes deles.

Lá pelas tantas, peguei um pelo colarinho da blusa e coloquei sentado na carteira. Caraca, esses pestinhas conseguiram me tirar do sério! Vou ser presa por agressão física!

Finalmente, chegou a hora da última aula para crianças de 9 anos, de 19:00h às 19:40h. Eram 3 meninos e 2 meninas unidíssimos que não olhavam para minha cara. Ficavam desenhando e conversando em chinês entre eles.

Havia um aluno novo, o Kevin, que ficou na dele e não quis jogar os joguinhos que eu havia preparado. Com esta turminha, aprendi que é impossível para uma criança que passou o dia inteiro na escola (de 8:00 às 17:00) ter fôlego para encarar mais uma aula de inglês. Lembrando que depois que eu terminasse minha parte, eles ainda ficariam com a outra professora até às 20:30! Como conquistar, seduzir, empolgar crianças tão cansadas? Fora a parte em que eles rasgaram e jogaram no chão os envelopinhos coloridos que fiz para eles, a aula foi... chata.


Quando cheguei em casa depois, do que me pareceu 10 horas de escritório, imensamente desapontada, duvidando do meu carisma e competência, Marcos e Dudu ameaçaram começar uma discussão. Já fui logo avisando: meu estoque de paciência está deficitário; o primeiro que abrir a boca vai.... enfim, logo no primeiro dia, minha vida profissional já começava a interferir em minha vida particular.

Depois dessa terça, dei aulas no sábado seguinte, com a presença dos pais (eu mal tinha começado e já estava encarando uma “open class”!) que foram um pouco melhores.
O Kevin, da turminha de 9 anos, não veio.


Divulgação

Divulgação / Esta é a foto de uma Open Class, mas não a da minha.Esta é a foto de uma Open Class, mas não a da minha.


Na terça seguinte, sabendo o conteúdo de 2 das 3 aulas (qual a p. da dificuldade de me dizer com antecedência o que eu tenho que ensinar?) fui à labuta, depois de ter esperado o ônibus durante meia hora, o que me fez sair correndo com um computador nas costas e minha bolsa cheia de tralha para não chegar atrasada e ser descontada (lembram do contrato?).


Na última aula para as crianças de 9 anos, o Kevin reapareceu. Sentou bem longe de todo mundo e se recusou a participar do jogo inicial. Na hora de mostrar uns filminhos no meu computador (vocês estão de prova que eu estava me empenhando para conquistar a criançada cansada!), o Kevin sentou longe de todo mundo e de costas para a tela.

Lá pelas tantas, a avó do Kevin entra na sala, vê aquela cena (o netinho alijado, excluído, segregado do grupo) e começa a me pagar o maior esporro! Não bastasse, ficou me empurrando para me forçar a olhar para ela. A professora chinesa tentou interferir, mas ela não parava de gritar. Quando minha paciência acabou, levantei da cadeirinha em que estava sentada, encarei a vovó e mandei-a parar de gritar comigo. A professora quase enfartou! Pediu pelo amor de Deus para eu não fazer nada, ignorá-la e continuar a dar a aula.

O Kevin queria morrer!

Eu continuei a mostrar o vídeo para as crianças por mais 20 minutos, durante os quais a velhinha permaneceu gritando na sala.

Nesta hora, a ficha, finalmente, caiu! Alô, Chris? Aproveita a deixa da vovó e pede demissão!

Minha única reação quando a aula acabou foi chamar o Kevin num canto, dizer que a culpa não era dele e dar-lhe uma barra de chocolate, a qual ele teve muita dificuldade em aceitar.

No dia seguinte, por email mesmo, disse que não era possível continuar. O Hera pegou meu salário no fim do mês por mim (eles não me aplicaram nenhuma das multas previstas no contrato) e ponto final.

Minha crise de abstinência passou e agora só penso em estudar, viajar, ser esposa do Luiz e mãe de família!

E viva o Hera, meu herói!

Estes vídeos não são da minha escola, mas poderiam ser. É tudo i-gual-zi-nho!


03/04/2012 às 08:57

Ni Hao,

Depois que nos mudamos para China, já fui logo avisando ao maridão: presente, agora, só viagem! Além de todas as cidades chinesas que ainda temos para conhecer, existem vários outros países aqui em volta esperando por nós! Então, qual o sentido de ganhar roupinhas novas com um mundo totalmente diferente à nossa volta?

Por conta disso, meu presente de aniversário este ano foi uma viagem a Macau!

Macau! Que legal! Todo mundo vai para Macau, não é mesmo? Mas tem que levar passaporte? Precisa de visto? Macau é um país? Que língua se fala por lá? Português ou chinês? Onde fica mesmo?



Chris Dumont

Chris Dumont /


Macau ou Amen, como se fala em mandarim, é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China. As Regiões Administrativas funcionam no esquema de “um país, dois sistemas”, ou seja, possuem governos independentes do da China (moeda, leis, política, etc) ,mas encontram-se sob sua legislação no que diz respeito à política externa e defesa nacional.

Macau e Hong Kong são as duas RAEs da China e, sim, precisa de passaporte para poder entrar.

Já ouvimos falar de muita gente que veio visitar a China com visto de “única entrada”, resolveu dar um pulinho em Hong Kong ou Macau e não conseguiu mais voltar! Já imaginaram?!

Gente, Macau é uma loucura! Ou, para ser menos superficial, eu diria que Macau inaugurou o termo “globalização” há 500 anos.


Chris Dumont

Chris Dumont /


Chris Dumont

Chris Dumont /


Chris Dumont

Chris Dumont /

Toda a sinalização da cidade está escrita em cantonês (que é diferente do mandarim que falamos aqui em Shenzhen) e português! Agora, sabem quantas pessoas falam português em Macau? Três mil de uma população de 560 mil. Sabem qual o sistema de trânsito que rola por lá? O inglês: mão invertida. Sabem qual a carinha das pessoas andando pelas ruas? Aquelas de olhinhos puxados.

Cara, que maluquice é esta? Por que está tudo escrito em português se ninguém fala esta língua por lá? Imaginem se no Brasil as fachadas das lojas, as placas de trânsito, os avisos nos banheiros fossem todos escritos em português e chinês?


Chris Dumont

Chris Dumont /

Para entender isso tudo, tem que conhecer um pouquinho da história deste país, ou melhor, desta Região Administrativa Especial da China.

Pescadores e fazendeiros da província de Guandong foram os primeiros habitantes de Macau, também conhecida como A Ma Gao (lugar de A Ma), deusa dos homens do mar.

Em 1550, os portugueses chegaram a A Ma Gao e adotaram este nome que, gradualmente, foi mudando para Macau. Com a autorização dos mandarins, os portugueses foram desenvolvendo a cidade que, em pouco tempo, se transformou no maior entreposto comercial entre China, Japão, Índia e Europa.


Chris Dumont

Chris Dumont /


A Igreja Católica Romana, obviamente, mandou missionários para Macau e construiu colégios, igrejas e fortalezas que dão uma cara de Europa para esta cidade asiática.


Chris Dumont

Chris Dumont /

Quando os ingleses e holandeses dominaram o comércio Leste-Oeste, os chineses preferiram continuar a fazer negócios com os portugueses. No entanto, depois da Guerra do Opium em 1841, , Hong Kong foi oficializada pelos ingleses e a maioria dos mercadores abandonou Macau. O país virou, então, um local pitoresco e parada obrigatória para escritores e artistas internacionais que vinham aproveitar os lazeres multiculturais.

E isso acontece até hoje! Olhem o que Macau, cuja economia atual está voltada para o turismo, ainda oferece aos turistas!


Chris Dumont

Chris Dumont /



Em 20 de dezembro de 1999, Macau deixou de ser administrada por Portugal e passou a ser a tal Região Administrativa Especial chinesa. Nesta data, todas as placas de rua foram refeitas para que os dizeres em chinês viessem antes dos em português. Os chineses tomaram cuidado para que os tradicionais azulejos portugueses fossem perfeitamente copiados.

Até 2049, quando a administração de Macau passar definitivamente para a China, tudo deve estar escrito em português e todas as repartições públicas precisam ter pelo menos uma pessoa que fale esta língua. Por isso, a grande maioria dos portugueses que ainda vive em Macau é de advogados que ajudam a interpretar as leis escritas em português.



Chris Dumont

Chris Dumont /

A comida também é globalizada e por isso pudemos matar as saudades de casa. Comemos bacalhau ao Braz, bacalhau na nata, bolinho de bacalhau, dobradinha, pastéis de Santa Clara, serradura... tudo isso sem nenhum filho para pedir: “dá para tirar o bacalhau do meu bolinho que eu não gostei?”

Mas se quiséssemos permanecer na comida asiática, sem problemas! Em todas as “pastelarias” havia doces portugueses, doces macauenses (crepe de massa doce com alga e farofa de amendoim) e as famosas carnes secas temperadas. Confesso que não provamos nem um pedacinho da carne, embora todas as pastelarias oferecessem amostras pelas ruas.


Chris Dumont

Chris Dumont /



Além de ser uma cidade globalizada por natureza (muito antes da Internet existir), Macau é absolutamente civilizada, principalmente se comparada à China. Em todas as esquinas, há placas lembrando que a multa por infrações como escarrar no chão (recadinho explícito para chinesada) custa 600 patacas, ou 490 RMB ou 120 reais.


Chris Dumont

Chris Dumont /

Em resumo, adoramos Macau!

Mas, ficou faltando explicar o porquê das ruas e dos carros terem direção inglesa. Mortos de curiosidade, buscando explicação histórica para o fato, perguntamos ao português que gerenciava nosso hotel. Ele respondeu com seu sotaque característico:

“Muito simples. Porque Macau importa seus carros de Hong Kong!”

Ah, tá!

29/03/2012 às 21:00

Ni Hao,


Um dos meus maiores medos ao vir morar na China era o que fazer quando ficássemos doentes.

Para nossa felicidade, existe uma clínica perto de casa estruturada para atender estrangeiros ( a maioria dos expatriados prefere ir para Hong Kong). Isso significa que a recepcionista e alguns médicos falam inglês e praticam a medicina ocidental. Mas eles não são um hospital e, por isso, possuem diversas restrições.

Quando fizemos nosso check-up anual, o Raio-X de tórax, por exemplo, teve que ser feito num hospital público: Shenzhen Shekou People’s Hospital.

Difícil descrever um hospital sem conhecimento de causa. O que posso dizer é que, do ponto de vista de um paciente brasileiro da classe média alta, acostumado a hospitais como o Copa D’Or no Rio ou Vita em Curitiba, a experiência de entrar num hospital chinês é bastante, digamos, assustadora.


Chris Dumont

Chris Dumont /


Este é o local que me ofereceram para tirar a blusa para poder fazer o Raio-X. Em cima desta coisa, que eu não sei dizer o que é, havia um avental usado. Graças a Deus, estava com minha roupa de yoga na bolsa, se não teria desfilado com os peitos de fora até a sala de Raio-X, pelo meio dos doentes deitados em macas pelos corredores.

Enfim, quando achei que minha cota anual de hospitais tinha acabado, a Mariana me aparece com um pequeno probleminha. Ela fez mais um furo na orelha e, durante a cicatrização, a tarraxa do brinco entrou na pele e o furo fechou com a tarraxa dentro.

E agora? Agora tem que pedir a ajuda de um médico para retirar! Fomos a tal clínica que atende estrangeiros e eles disseram para irmos a um hospital.

Ai, meu Deus, hospital de novo? Liu, socorro!

Sem problemas, disse ela, vamos no... adivinhem.... Shenzhen Shekou People’s Hospital!!!

De novo, senhor? Mas, como diria um amigo meu, melhor um bêbado conhecido do que um alcoólatra anônimo! Meti a Liu e a Mari num taxi e lá fomos nós.


Chris Dumont

Chris Dumont / Chinês odeia que você tire foto, por isso as minhas sempre parecem meio clandestinas.Chinês odeia que você tire foto, por isso as minhas sempre parecem meio clandestinas.

Chegamos à recepção, preenchemos um papel com nome e idade da Mari, pagamos 7 RMB e explicamos o problema para atendente.

Ela nos mandou para o terceiro andar onde ficava o otorrinolaringologista. Ops! Ela não enfiou a tarraxa no tímpano! A tarraxa está dentro da pele! Pele... dermatologista... Ai, Jesus, Buda, sei lá!

O tal otorrino usava jaleco branco e a máscara de proteção caída no queixo, deixando de fora uma boca cheia de dentes amontoados e alguns espaços vazios. Mariana começou a entrar em pânico: “eu vou embora, tô indo embora!”

O médico a mandou sentar numa poltrona ao lado que parecia ter sido arrancada de um ônibus velho. Tinha até um rasgo no encosto. Perto da poltrona, estava uma pilha de tesouras, alicates e bisturis amontoados dentro de uma grande caixa de metal.

O médico analisou, grunhiu alguma coisa (tradução do grunhido: "se estiver muito fundo, vamos ter que cortar") e nos mandou para a sala ao lado desinfetar o local.

Na sala imediatamente ao lado, algumas crianças faziam nebulização e um chinesinho, de mais ou menos 10 anos, segurava dois palitos enfiados no nariz. Na ponta dos palitos, por baixo da pele, dava para ver duas luzes vermelhas que piscavam.

Na sala seguinte, aonde a orelha da Mariana seria desinfetada, um bebê de dias estava deitadinho na maca, levando pontos na cabecinha e chorando como um bebê de dias.

Diante desse episódio da Família Adams (médico cheio de dentes, menino de nariz vermelho e neném suturado), Mariana desestabilizou de vez! Começou a me empurrar dizendo “Como se fala anestesia em chinês? Eu não vou cortar nada sem anestesia! Liga pro meu pai! Liga pro meu pai!”

A Liu saiu para pagar o procedimento
enquanto eu fazia o telefonema. Expliquei o lance da anestesia para o Luiz que falou com nossa amiga chinesa Clair que falou com a enfermeira pelo telefone que passou para o médico que falou com a Liu que já tinha voltado... mas ninguém dizia nada sobre anestesia.

No meio deste telefone sem fio, literalmente, Mariana foi empurrada para dentro da sala e deitada na maca com as lágrimas escorrendo.

Enquanto a Liu passava a mão pelo braço dela tentado acalmá-la, o médico fazia o procedimento e eu narrava os acontecimentos: “agora ele pegou uma pinça, agora outra pinça menor, agora ele está pegando uma gaze por que sangrou um pouquinho... vamos tomar um delicioso Frapuccino no Starbucks depois disso tudo?”

A verdade é que: os instrumentos estavam em sacos esterilizados, o médico de mil dentes era um doce (perguntava o tempo todo se estava doendo) e, acima de tudo, retirou a tarraxa que estava encravada na orelha da Mari com uma delicadeza e competência infinitas.

Todo o procedimento custou 160 RMB (R$ 40,00) incluindo o remédio e levou apenas 20 minutos, desde a chegada até a saída do hospital!

E aí? Onde a gente enfia nossa cara depois de tudo que pensamos sobre eles? Depois de todo um julgamento preconceituoso e elitista? Ou não é nada disso e nós demos sorte de ter dado tudo certo?

Não sei. Só sei que depois disso tudo, fomos direto para o Starbucks, um ambiente 100% ocidental, tomar nosso Frappuccino para nos sentirmos “seguras” novamente.


Sistema de Saúde na China

O sistema de saúde na China é assim. O cidadão paga um parte, que é descontada do seu salário, e a empresa paga a outra. Ele tem um cartão que dá direito a usufruir gratuitamente do serviço médico. Se não tiver emprego, não tem cartão. Se não tiver cartão, tem que pagar. Se não puder pagar, morre.

Pobre e rico frequentam os mesmo hospitais, com exceção daqueles especializados em frescuras como cirurgia plástica, dentista...isso explica os dentes muito feios da maioria da chinesada.

Ou seja, por um lado, o sistema é bem socialista: ricos e pobres frequentam os mesmos hospitais. Por outro, é de um capitalismo extremo: não tem como pagar, sinto muito.



Chris Dumont

Chris Dumont / ID da Liu e carteira de saúde.ID da Liu e carteira de saúde.

21/03/2012 às 11:05

Ni Hao,


Faz tempo que venho fazendo umas conexões malucas sobre o comportamento dos chineses. Não sei se elas fazem sentido, mas hoje, depois de ler um artigo que meu pai me enviou, resolvi dividir com vocês.

Uma parte deste texto, escrito pelo presidente da Abramaco (Associação Brasileira da Ind. e Com. de Máquinas para Costura Industrial), Giuseppe Tripo Somma, diz o seguinte:


Chris Dumont

Chris Dumont / http://pt-br.paperblog.com/o-ocidente-esta-prestes-a-declarar-guerra-a-china-sera-uma-luta-desigual-e-o-ataque-sera-a-qualquer-momento-406004/http://pt-br.paperblog.com/o-ocidente-esta-prestes-a-declarar-guerra-a-china-sera-uma-luta-desigual-e-o-ataque-sera-a-qualquer-momento-406004/


Não entendo nada de carga tributária, mas que o chinês trabalha para caramba, isso é a pura verdade. E mais do que isso. Vejam os pontos que andei conectando:

Ponto 1
Trabalho

Chinês, literalmente, não sabe o que significa fim de semana. As lojas de rua abrem, os salões de cabelereiro também, as academias de ginástica, as obras...já falei sobre isso no post sobre a Foxconn.

Para exemplificar, outro dia meu professor de pilates deu uma aula super pesada. Abdominal, alongamento e tudo mais a que tinha direito. Na saída, perguntei: “Você deu essa aula punk porque hoje é sexta-feira, véspera do fim de semana?” Ele me respondeu: “Não sei o que isso quer dizer. Vocês, estrangeiros, sempre comemoram _ Thanks God it’s Friday!”.

Outro dia, estava falando para Liu que uma grande amiga tinha sido dispensada do trabalho. Ela me disse: na China não tem problema. Você é demitido num dia e arruma emprego em outro.


Ponto 2
Estudo

As crianças chinesas estudam muito! Por falar na Liu, sua filha de 16 anos fica internada na escola de segunda à sexta. Sua rotina diária é a seguinte: aula de oito ao meio dia; pausa para o almoço; aula de duas às cinco; pausa para descanso e jantar; aula até às oito e meia para fazer os deveres de casa. Sábados ela ainda tem aulas de inglês em casa.

Falando em inglês, meu amigo Hera dá aula para crianças chinesas num curso que começa às 5:20h (ou seja, depois da escola regular) e vai até às 8:30. Eu fui lá e vi titiquinhas de 4 anos até garotões de 10 aprendendo a falar inglês depois de um dia inteiro de escola. Não sei se fico com pena das crianças chinesas ou das nossas que, às 8 da noite, provavelmente estarão em casa brincando ou vendo TV.

Abre parênteses:
Educação é outro destes assuntos extremamente polêmicos que pretendo falar, mas só quando tiver maior conhecimento de causa. Fecha parênteses.


Ponto 3
Dinheiro

Chinês não tem vergonha de dinheiro. Eles tratam melhor quem é rico, trocam dinheiro no Ano Novo, jogam os preços no teto para poder negociar depois, pedem dinheiro para seus deuses, cobram para ter o segundo filho... Outro dia, uma amiga chinesa disse que foi convidada para jantar na casa de uns ocidentais. Ela fez as contas: “O taxi de ida e volta e mais o presente que eu vou ter que levar vão sair mais caro do que se eu fosse a um restaurante. Sem falar que eles provavelmente vão servir um prato só como fazem no ocidente.” Sentiram o pragmatismo financeiro?


Ponto 4
Amor à Pátria

Os chineses gostam da China. Eles ouvem música chinesa, assistem a novelas chinesas, a filmes chineses. Já fui várias vezes ao karaokê com uma galera super jovem e eles preferem cantar os rocks chineses aos sucessos internacionais. Quer ver a Tina virar um guerreiro mongol? É só criticar a China na frente dela. Muito pretendente já se ferrou por conta disso. Sem falar que raros foram os chineses que conheci que questionaram o Governo. A maioria, por exemplo, acredita que: “se não podemos acessar determinados sites na Internet, é porque o Governo sabe o que é melhor para nós”.


Ponto 5
Lei do Mais forte

O maior ícone deste comportamento é a fila. Pode morrer de fazer fila onde quer que seja. Na hora de entrar no elevador, comprar o ticket do cinema, pesar as frutas no supermercado... leva quem chega primeiro. E o chinês que é ultrapassado não reage. Isso vale também para o trânsito: um corta o outro, entra no cruzamento sem esperar não vir carro pela pista principal e está tudo certo. É a lei natural da sociedade.


Ponto 6
Sonsice

Ainda não sei ao certo se chinês é inocente ou sonso. Eu tendo fortemente a achar que todos são educados, amáveis e sociáveis, mas que este comportamento tem sempre um preço, mesmo que não consigamos enxergar o valor exato ou a moeda de troca.

Abre parênteses: Peço desculpas a todos os nossos amigos chineses que por ventura traduziram este blog e o estão lendo agora: nós, brasileiros extremamente emotivos, acreditamos fielmente no carinho incondicional de vocês. E a recíproca é verdadeira. Fecha parênteses. Ai, como é difícil se relacionar em outra cultura sem cometer gafes!


Enfim, vamos conectar os pontos?



Chris Dumont

Chris Dumont /


Daqui a 30 anos, para não perder o hábito de dizer esta frase, voltamos a nos falar.

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