Sexta-feira, 12/03/2010
Quarenta anos depois, o blogueiro Jason Kottke criou uma página que simula como foi a transmissão ao vivo da chegada do homem à lua. A narração é de Walter Cronkite, o famoso jornalista da CBS que morreu na última sexta-feira.
A página pode ser acessada aqui.
A programação é a seguinte, horário de Brasília:
Início da transmissão da aterrissagem na lua: 17:10:30
Caminhada na lua: 23:51:27
Discurso de Nixon à tripulação: 00:51:30

O blog volta no próximo dia 20.

Novas fitas divulgadas pela Casa Branca revelam que Richard Nixon era favorável ao aborto em algumas circunstâncias. Em casos de estupro, por exemplo. E também, segundo o próprio: "Existem situações em que o aborto é necessário. Eu sei disso. Quando você tem um negro e uma branca." (Ou uma negra e um branco, black and white, em inglês)
Nixon era o presidente quando o caso Roe v. Wade foi julgado, em 1973, mas não fez nenhuma declaração pública a respeito.
Como diz o Andrew Sullivan, o 37º presidente teria abortado o 44º.
Parece que o Photoshop continua a ser um grande desafio para o governo iraniano. Depois das fotos do mísseis, agora essa manifestação pró-Ahmadinejad:


Meu colega e professor durante a faculdade Fabio Marchioro, hoje residente no Canadá, pegou a gripe suína. A Gazeta publicou na edição desta terça um relato dele sobre como foram os dias com a doença. Por causa de espaço, o texto foi editado, mas segue aqui na íntegra:
Minha esposa disse: “Vamos para o hospital”? E eu, virando de lado e puxando as cobertas: “Amanhã”. Ela: “Fabio, isto é sério”. Eu: “Amanhã. Depois do almoço”. Ela: “Vou chamar o médico”. Eu, depois de um acesso de tosse seguido daquele gemido pré-desencarne: “Amanhã, depois do almoço, se eu não melhorar a gente vai. Prometo”. Não fui. Melhorei.
Apesar de estarmos morando no Canadá e de já termos enfrentado variações bruscas de temperatura, nevascas e temperaturas de -25º C com sensação térmica de -35º C por causa do vento, nunca tivemos problemas. Sou curitibano e para mim gripe não é novidade. Mas desta vez foi diferente. Minha gripe não era uma gripe. Era “a” gripe. Desta vez ela tinha nome, sobrenome, código e até apelido: Gripe Suína, Influenza A, H1N1, Gripe da Epidemia, Gripe da Pandemia (mais recentemente) e como ficou conhecida lá em casa: aquela praga dos infernos.
Ela é matreira. Começa devagarzinho: um espirro, incômodo na garganta e aquela pontadinha na cabeça. Você pensa: acho que me resfriei. No final da tarde, delirando por causa da febre, você conclui que a única explicação para o que está sentindo é que foi atropelado por um gigantesco caminhão de cimento. Depois de mais algumas horas você jura que o caminhão era um monstro na forma de um leitão.
Em seres humanos, os sintomas de gripe A (H1N1), já presente em 74 países, são semelhantes aos das gripes comuns: calafrios, febre, garganta dolorida, dores musculares, coriza, dor de cabeça, tosse, espirros, fraqueza e aquilo que se convencionou chamar de “desconforto geral” que, naquele início de noite, soava para mim como o mais desbotado eufemismo.
O governo Canadense anunciou em todos os possíveis meios de comunicação que, ao sentir os sintomas, ao contrário do que seria de se esperar, as pessoas não devem ir a um hospital. Devem, sim, ficar em casa. Isto porque é o único meio de se evitar a transmissão do vírus. Estranhei o fato até o momento em que li as estatísticas: a maioria dos infectados no Canadá são profissionais da área de saúde. No caso de uma pandemia severa, estes são os profissionais que devem estar preparados para enfrentar a crise. Se estiverem em casa com gripe, suína, aviária ou de qualquer outra espécie, não poderão desempenhar suas funções. Como conseqüência, mais gente morre.
Segui a recomendação: fiquei em casa. Lembra do comercial? Recomendava certo produto e cama. Como aqui não existe o tal produto, que não adiantava mesmo, tomei um descongestionante “genérico” e hibernei por três dias. O final do terceiro dia marcou minha páscoa: ressuscitei.
Os números da pandemia são ainda muito fluídos. É como estar no alto de um edifício durante uma tempestade e querer acompanhar um único pingo de água na sua queda até o chão. Quando parece que a situação está estabilizando surge um novo foco da doença, descobre-se que o desenvolvimento da vacina vai demorar mais do que o esperado e a Organização Mundial de Saúde muda o nível do alerta mundial. A propósito estamos no nível 6, o mais grave.
Esta “instabilidade” ocorre porque existem, grosseiramente, três grupos de afetados. A maioria acaba não precisando de nenhum tratamento especial e estes casos não entram nas estatísticas. Estas pessoas, como eu, ficam entocados em casa, repousam, tomam a canjinha da esposa (ou mamãe) e safam-se sem maiores conseqüências.
O segundo grupo passa dias, até duas semanas como se estivessem “encubando” uma típica gripe curitibana. A diferença é que quando a porciúncula resolve colocar as patinhas de fora, o coitado do cristão tem que ir para o hospital, porque o quadro é agravado por vômitos, diarréia e tonturas que, como fica óbvio, pioram em muito o “desconforto geral”.
Já o terceiro grupo é apressadinho: os primeiros sintomas já são acompanhados de diarréia, desorientação, febre alta e, em questão de dias (documentou-se caso de horas), a pessoa tem que ser internada ou acabará falecendo.
Pandemia
A noção de pandemia é muito simples – algo que afeta muitos países ao mesmo tempo, que é geral, uma epidemia que afeta uma vasta área ou grandes números da população. No Canadá o plano para enfrentar a gripe suína existe desde 1986 e a versão atualizada de 2006 está disponível para download no site do ministério da saúde para quem tiver interesse em ler suas 550 páginas.
O relatório cobre todas as eventualidades. Caso ocorra o pior e uma pandemia de “leve a moderada” tome conta do país, estima-se que 10 milhões de canadenses serão infectados (em torno de um terço da população), 138.000 serão hospitalizadas e 58.000 morrerão. No caso de uma “pandemia severa”, o número de mortes deverá ser de mais de 700.000 pessoas.
O governo aqui no Canadá está tão preparado que foram realizados estudos e já se sabe o tipo de prateleira de madeira que terá de ser adaptada para que caminhões frigoríficos de supermercados sejam convertidos em necrotérios temporários até que possam ser cavadas as covas coletivas ou sejam preparadas as piras para cremação dos cadáveres. Tudo foi pensado.
E no Brasil: “Não foi possível distribuir os panfletos antes porque nós estávamos adaptando o material que existia sobre gripe aviária. Além do mais, temos que imprimir poucos panfletos por vez porque as informações mudam o tempo todo”, explicou Gerson Pena, Secretário de Vigilância em Saúde.
Há algumas semanas estavam distribuindo aquelas máscaras cirúrgicas azuis nos aeroportos internacionais. No entanto, apenas para os passageiros que vinham de países que já haviam declarado muitos casos da doença. Perguntaram para a Ministra da Saúde do Canadá, Leona Aglukkaq, se iriam distribuir as máscaras para a população: “Por que? Não são eficientes para conter o vírus. Servem somente para criar uma falsa sensação de segurança”.
As recomendações: sempre que chegar em casa lave as mãos com sabonete e água bem quente esfregando vigorosamente por pelo menos 30 segundos. Alternativamente, use álcool em gel. Quando for tossir ou espirrar, em casa ou em lugares públicos, cubra a boca e o nariz. Use, de preferência, lenço de papel. Se na hora daquele inesperado e explosivo espirro você não tiver um lenço, apesar de parecer coisa de terceiro mundo, curve o braço sobre o rosto e use como anteparo a dobra entre o braço e o antebraço.
Jamais use as mãos. A tendência é que, se você estiver no metrô ou ônibus, depois de “espirrar na mão”, vai acabar tocando nas barras de segurança, nos corrimões de escadas e até mesmo em outras pessoas, espalhando o vírus.
Quer forma mais simples de evitar a gripe suína? Seja educado e lave as mãos. Todos à sua volta ficarão agradecidos. Menos, claro, a maldita.
AFP PHOTO/BEHROUZ MEHRI
Mir Hossein Mousavi participa de protesto em TeerãAinda que as eleições no Irã não tenham sido roubadas -- e tudo indica que foram, apesar do que diz nosso presidente --, o resultado trouxe à tona um racha entre iranianos que não existia antes da votação. Por si só, esse já é um fato bastante relevante. Há vontade de democracia no Oriente Médio.
Em países fechados ou "semi-fechados", caso do Irã, uma ruptura com o poder costuma ser sempre bem-vinda -- não quando descamba na violência, óbvio, algo que já está acontecendo no Irã. Mas o pesadelo de qualquer ditador é a sensação de que as coisas estão fora de controle.
No Irã, hoje, uma parcela significativa da população acha que algo está muito errado. Acha que quem está no poder é incompetente e corrupto. Ainda que Mir Housein esteja longe de ser um reformista de verdade, a "onda verde" não deixa de ser uma esperança de que algo muito importante esteja acontecendo no país dos persas.
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Alex Massie faz uma provocação: os eventos de hoje no Irã são mais como o 1989 da Polônia ou da China? Ele mesmo responde: provavelmente nenhum dos dois. É algo completamente novo e imprevisível. Mas a questão que ele levanta é a que todo mundo se faz, a pergunta de 1 milhão de dólares: que rumo vai tomar o país depois dessas manifestações?
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O sempre sensacional The Big Picture publica as melhores fotos.
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Na blogosfera americana, Andrew Sullivan está dando show de cobertura. Do lado da "MSM", vale ler o The Lede, do NYT.
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Para acompanhar no twitter, em inglês, mas sem garantia de que as informações são confiáveis: @stopahmadi,@IranElection09,@mousavi1388, @IranNewsNow

George Tiller era um dos poucos médicos que realizavam aborto tardio nos EUA. Fazia tudo de acordo com a lei do Kansas, onde vivia, mas se tornou um alvo óbvio do movimento antiaborto. Óbvio porque, na cabeça desse pessoal, ele estava há 30 anos assassinando futuros cidadãos americanos. No programa de Bill O´Reilly, era constantemente chamado de "o matador de bebês". Ou "Tiller, the killer".
No último domingo, enquanto entregava o boletim do culto daquela manhã na porta da Igreja, Tiller foi assassinado. Ele já havia sido vítima de outros atentados: em 1993, levou um tiro em cada braço; em 1986, seu consultório foi alvo de uma bomba.
Agora, tem muita gente relacionando a retórica inflamada de O´Reilly e cia e a morte do médico. Em alguns casos, relacionando é eufemismo: o apresentador da Fox News chega a parecer culpado pelo assassinato.
Em teoria da comunicação, muito se estuda sobre o poder da mídia de influenciar sua audiência. Cá no nosso quintal, tome o exemplo do deputado Carli Filho. Não tivesse a história ganhado tanta atenção, seria razoável imaginar que ele não teria renunciado – ainda que a renúncia não tenha sido tão custosa quanto aparenta.
Ideias têm poder, sim, mas culpar a mídia pelo o que aconteceu com o médico americano é ignorar completamente o valor da responsabilidade individual. Scott Philip Roeder, o homem que puxou o gatilho, o fez deliberadamente. Sem dúvida que experiências passadas contribuiram para essa decisão. Mas se esse raciocínio fizesse sentido perante a justiça, quem acabaria presa seria a mãe de Roeder -- culpada última pela sua existência (deveria ter abortado :D). As influências sobre Roeder e como ele se tornou o que é podem até render um bom estudo para sociólogos e psicólogos, mas não mudam em nada o que ele fez.
No fundo, parece que culpar os comentários incendiários de porta-vozes de grupos antiaborto pela morte de Tiller tem mais a ver com o desejo de calar a boca dessa turma do que de fato entender o que aconteceu. Certamente não ajuda em nada a causa do movimento pró-escolha, porque não resolve o problema -- pró-vida continuarão a militar em defesa do que acreditam. Fico com os libertários da Reason:
“Tentar restringir o discurso de um apresentador na base de que poderia inflamar os espectadores a fazer algo terrível é um insulto a todos nós, pois somos tratados pouco melhor do que cães de ataque que ouvem "ordens" e depois as cumprem. E tentar restringir discursos na base de que podem influenciar um ou dois loucos solitários a fazer algo terrível seria transformar a sociedade no equivalente a um manicômio, onde todo mundo observa o que diz e controla o tom de voz para não dar a impressão errada a um maluco.”
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O sistema de comentários dos blogs do portal mudou. Agora, será liberado após moderação do blogueiro. Tentarei liberar sempre o mais rápido possível, mas não estranhem quando demorar um pouco pra entrar no ar.
O jornal San Diego Union Tribune foi recentemente comprado pela Platinum Equity, uma empresa que recebeu 30 milhões de dólares em investimento do fundo de pensão dos policiais e bombeiros de Los Angeles. Depois de algumas críticas negativas contra a classe, o presidente do Sindicato dos Policiais de L.A., Paul M. Weber, está reivindicando uma mudança no conselho editorial do jornal. "Uma vez que os próprios funcionários públicos que são continuamente criticados agora são seus patrões, estamos firmemente convencidos de que aqueles que atualmente comandam as páginas editoriais devem ser substituídos", disse Weber. Tudo bem que o dono do jornal queira usar as páginas editoriais para dar sua opinião -- é exatamente pra isso que elas servem --, mas investir em jornal impresso nos EUA em 2009? Isso sim parece estúpido.[via, link]
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A Polícia de Boston está no twitter, aparentemente fazendo um trabalho bastante bacana de informação pública. Inclusive para os fãs de George A. Romero:
bloggasm.com

Além de haver post novo, claro.
1) Pesquisa mostra que a presença de uma loja do Wal-Mart numa comunidade qualquer nos EUA equivale a um aumento médio de 6,5% na renda anual dos moradores da região. O benefício é sentido mesmo por quem não faz compras na loja – o preço baixo da rede força os concorrentes a fazerem o mesmo. Ao contrário do que se imaginava, a taxa de obesos na comunidade também cai. Uma das explicações possíveis é que a comida fresca (mais saudável) se torna mais acessível. (link)
2) Os moradores da Alemanha Oriental que não tinham acesso ao noticiário do outro lado do muro eram mais críticos ao governo socialista do que os que tinham. (link, mas o autor não cita a fonte).**
3) Lavar louça na mão gasta mais água do que na máquina. Na média, uma pessoa gasta 10,51 litros por dia para limpar a louça manualmente. A melhor máquina de lavar louças gasta 2,27 litros. (link)
4) Pessoas que vivem com menos de dois dólares ao dia são bastante disciplinadas em suas finanças pessoais, diz um livro recém-laçado. Não sei se o mesmo é válido para o Brasil, onde sabidamente o amanhã é desvalorizado (© Giannetti) – a resenha do livro cita casos da África do Sul, Índia e Bangladesh. Como a renda dessas famílias é imprevisível – não se sabe se haverá dinheiro no dia seguinte –, elas aprenderam a melhor utilizar os instrumentos financeiros – empréstimos e poupança, por exemplo, mas não só -- para não ficarem reféns da sorte. (link)
5) A Newsweek, repaginada, aumentou o preço de capa e está deliberadamente tentando cortar sua circulação pela metade. (link)
** Nos comentários, o Jean-Philip, um apaixonado pela história da Alemanha, diz que isso não faz sentido. Ele deixou links e fontes.
REUTERS/Rick Wilking
Wal-Mart emagrece.A coisa está feia no Paraguai. Depois que a terceira mulher veio a público anunciar mais um filho do bispo, resolveu-se criar uma comissão para atender a todos os pedidos de paternidade do presidente. Não é brincadeira, mas piadas não faltam:
Minha intuição me diz que a crise política do país hermano estará em breve resolvida.
É provável que 2/3 da população seja composta por filhos, netos e bisnetos do Bispo Lugo. Não precisa nem de Assembléia Constituinte para mudar a Constituição.
Oliveira, o canalha da redação, comentou que esse escândalo com o religioso revela também uma importante distinção de gênero no seio (opa) do clero: "Está provado que há uma diferença importante entre os padres de direita e os de esquerda: os esquerdistas preferem meninas", tripudia o patife.
Esse levou mesmo a sério a missão de ser pai dos pobres.
Fosse só a criançada, os problemas de Lugo seriam poucos. Por trás do oba-oba do bispo-pegador ainda se desenrola uma preocupante crise de governabilidade.
Norberto Duarte/AFP

* o título do post é emprestado de François Chateaubriand
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