Terça-feira, 09/02/2010
Que pese sobre mim toda a petulância de fazer algo remotamente parecido com o que fez Truman Capote. Mas hoje, vou me entrevistar. É justo que o leitor tenha a mínima noção do que pensa a pessoa que vos tecla.
Você não acha que já há muito blog por aí? Por que alguém deveria ler o seu?
Concordo com a primeira parte. Sobre a segunda, espero que os próprios posts respondam. Mas posso adiantar alguma coisa. Além do papel tradicional do jornalista -- aquele que faz a notícia --, que nunca vai deixar de existir, hoje surge um novo tipo de profissional, o que agrega conteúdo. É uma espécie de personal da informação. Acho que esse será o meu papel no blog. O de indicador. Há tanta coisa pela web, tanta informação, que alguém tem que fazer o filtro. Assino mais de 200 blogs. Tento ler todos. Passo o dia acompanhando o que está acontecendo no mundo. É meu ganha pão. O blog está aí para tentar ajudar no entendimento destas notícias. Além de complementar e analisar aquilo que está saindo no papel. Essa é a idéia, pelo menos.
Você é religioso?
Não. Sou agnóstico. Não acredito em Deus, mas considero genuinamente a possibilidade de estar enganado. Pode ser coincidência, mas a maior parte das pessoas mais interessantes que conheci nestes 25 anos é religiosa. Isso deve significar alguma coisa.
Dizem que você é um reaça-mor, do tipo direita pró-Bush. Confere?
Besteira. As pessoas confundem. Sou um libertário sem moderação, só isso. Acho que o Estado está metido demais na minha vida. O Estado é como o encosto do filme Espíritos. Está sentado nos meus ombros. Na casa ou no escritório, mexe no meu bolso. Nas condições do Brasil de hoje, o Estado mínimo é inviável. Concordo. Dizem que o Brasil é um gigante adormecido. Meu sonho é que o Brasil seja um anão eficiente. Quanto ao Bush, sou um anti-anti-Bush. Como diz uma colega, falar mal da Veja numa coluna sobre política equivale a falar mal do Paulo Coelho num artigo de literatura. Num blog de política internacional, o equivalente seria falar mal do Bush. Mas se quiser saber minha posição sobre a Guerra do Iraque, pode ler aqui.
Você poderia fazer o Politicômetro da Veja, para sabermos onde você se posiciona no espectro político?
Claro.
(um tempo depois)
E aí?
De acordo com o teste, sou do extremo liberalismo de direita.
Rá.. eu sabia.
(risos) Olha, antes que você queira me rotular, vamos deixar bem claro: não gosto de rótulos. Eu acredito, acima de tudo, no indivíduo. Tem muita gente inteligente dos dois lados, na esquerda e na direita. O que vale é o bom argumento. Pra quem ainda não percebeu, jornalista é gente como qualquer outra e tem suas convicções. O bom jornalista não se deixa cegar por elas. A verdade está acima das ideologias.
Nisso você está certíssimo.
Obrigado.
Qual virtude você considera importante?
Gosto de gente civilizada, que pense antes de falar. Não vejo altruísmo em quem sai arrotando a verdade por aí. Isso não quer dizer que não tenho interesse pela, uhm, realidade – sou jornalista, ora. Só acho que há casos em que, não sendo de interesse público, o melhor é sorrir e fazer cara de bobo. Quando uma mulher lhe perguntar se está bonita, diga: mulher, você é o animal mais belo sobre a Terra! (Ava Gardner já fez o check-out, então fale sem medo).
Ídolos do jornalismo?
H.L. Mencken, Joel Silveira e Paulo Francis.
Ih, você gosta do Mainardi?
Gosto.
Muito?
Não.
Você também acha que o jornal de papel vai acabar?
Não. Pelo menos não no meu tempo de vida -- e falo isso me imaginando velhinho. O jornal terá de mudar, se adaptar, mas acabar, não acaba. O caminho mais óbvio parece que é o da análise, da contextualização. A notícia da bomba ficará para o online, e como e por que a bomba foi feita ficará para o impresso. O impresso tem um tempo que o online não tem, e precisa colocar isso a seu favor.
Você tem pouco mais de três anos de formado. Qual foi o grande momento da sua carreira?
Quando minha avó entendeu uma matéria que fiz sobre o Hamas, rs. Brincadeira. Tive dois momentos especiais, que foram as coberturas das últimas eleições presidenciais na Argentina e no Paraguai. De vez em quando, nem que seja uma vez por ano, o jornalista tem que ir pra rua.
E o que você aprendeu?
Que um cavalheiro não tem memória, rs. É um ditado paraguaio.
Qual seu maior medo?
Isso é ridículo, mas tenho medo de avião.
Você tem medo de morrer, então, não de voar?
É o que dizem. Eu entendo que racionalmente isso não faz sentido algum, ter medo de voar. Porque 1) as estatísticas estão a meu favor, 2) se algo acontecer, será muito, muito rápido e 3) vai ser uma única vez. Mas não adianta, eu tremo. E o pior: quanto mais eu vôo, mais medo tenho.
É, isso é bem rídiculo.
...
Quais seus blogs favoritos?
Como disse, leio bastante blogs. Com o tempo, vários deles vão aparecer por aqui. Há muitos pessoais nos meus favoritos, mas segue uma pequena amostra daqueles que de alguma maneira trabalham com notícias.
Em inglês: a turma toda da Atlantic (Andrew Sullivan, Matthew Yglesias, Megan McCardle, Marc Ambinder, etc), do NYT, The Lede, The Caucus e o Freakonomics, Hit and Run, Marginal Revolution, Gideon Rachman, Daniel Drezner, The Volokh Conspiracy, Fugitive Peace, FP Passport, Greg Mankiw, Ideas e o Dilbert.
De tecnologia, em inglês e português: TechCruch, Scripting News, Lifehacker, Engadget, Techdirt, Tiago Doria, Caveat Emptor, Garota Sem Fio e Zumo.
Do Brasil: Daniel Piza, Guilherme Fiuza, Filisteu, Pedro Doria, Tas, Arrastão, Hermenauta, Dissidência, A Torre de Marfim, Desculpe a Poeira, Michel Laub, Todoprosa, De Gustibus Non Est Disputandum, Escolhas e Consequüências e o Novo em Folha.
Do Paraná: a turma da old school que não parou no tempo, Nego e Campana, mais o Zé Beto, Jean e os meus vizinhos, Paulo e Galindo.
xxxxxxxxxxxxxxxxxx
É isso. Fica a promessa de tentar responder todos os comentários. Traduções do inglês ou do espanhol serão feitas livremente. Ou vão no original mesmo, dependendo do tempo e da disposição. ;) E seguindo na linha transparência, aí vão mais alguns lugares em que vocês podem me encontrar na net: Orkut, Facebook, Twitter e Itens compartilhados do Google Reader.
Presentes de casamento: em que situações devem ser devolvidos?
ATUALIZADOhá 2h
ATUALIZADOhá 4h
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé