Domingo, 05/09/2010
O melhor blog de economia do mundo procura a resposta:
1. Most Brazilians do not read. I don't mean they can't read, I mean they don't read for leisure so much. I was stuck at the Sao Paulo airport for seven hours and did not see a single person reading a book, not once.
Taking that as given, low demand means high prices. That's why Stephen King paperbacks are cheap and Edward Elgar (the name of an academic publisher) tomes go for $100 and up.
2. Brazilian retailing is not in every way efficient. Efficient retailing in the traditional sense is, by the way, bad for the quality of your food because it means it is easy to serve large numbers. And Brazil has some of the world's best food, and so inefficient retailing for its books.
3. No other supply source is right nearby and the Portuguese language does not produce an extremely thick market. Note that the Portuguese of Portugal is very different from the Portuguese of Brazil.
4. The Brazilian currency may be overvalued at the moment, at least in purchasing power parity terms, due to Brazil's commodity exports.
Nos comentários, muita gente também tenta responder. A discussão logo se desloca para o motivo de os brasileiros não lerem. Alguém cita a história do "trauma": por exemplo, a obrigatoriedade de ler José de Alencar aos 15 anos. Outro questiona se os brasileiros não lêem justamente porque os livros são caros. Há quem diga que é uma questão cultural: não lemos porque conhecer alguém vale mais do que o que conhecemos. Provavelmente, é um pouco de tudo isso.
Aqui uma matéria da Super Interessante explicando exatamente como funciona o primeiro ponto colocado por Tyler Cowen. Menor a tiragem, maior o custo.
Atualização - O blog Hellfire Club, da Anica, também discute o tema.
Olá. Entro agora no bonde e não faço questão de sentar na janela, mas amplio a dúvida: o brasileiro não lê livros, mas me pergunto também, por que o paranaense não lê jornais?
Sandra Gonçalves | 03/06/2008 | 19:14Essa de que livro é caro não cola. Tem biblioteca pública e sebo suficiente por aí. Acho que a questão é cultural mesmo. O brasileiro, como ninguém, é dado ao diálogo, o que é sem dúvida uma excelente característica. Mas, como a leitura é uma atividade mais isolada, acaba sendo preterida em nome dos dias de praia ou das rodinhas de cerveja. Precimos imitar outros povos (argentinos e chilenos, por exemplo) no que têm de melhor: eles lêem a qualquer hora e em qualquer lugar.
George de Moraes | 27/05/2008 | 10:39Já que a matéria é sobre cultura em geral, poderia ser feita uma específica sobre os livros, abordando tanto o preço quanto a falta de leitura, além de mostrar as várias opções (sebos, bibliotecas...). Talvez sirva de incentivo para os que não leem muito mas tem acesso ao jornal.
Breno | 24/05/2008 | 19:25Leonardo, segue o link. A matéria fala da cultura em geral, e não apenas de livros http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=713795&tit=A-cultura-custa-caro
Breno | 24/05/2008 | 02:12@Leonardo, conversei com a coordenadora do G hoje, e ela me disse que o tema é recorrente no jornal -- inclusive fizemos uma matéria sobre isso recentemente. Vou tentar encontrar o link e coloco aqui. abraço!
Breno | 24/05/2008 | 02:10@George, olha, informação que eu tenho de um colega da área, portanto não-oficial, é que os livros de bolso da Cia das Letras vendem bastante. Como vc deve ter lido lá nos comentários do post do Cowen, alguém falou sobre não existirem as edições baratas ("paperback") no Brasil. Essa coleção da Cia foi um passo nesse sentido. (continua)
Breno | 24/05/2008 | 02:09...A tiragem é quase o dobro da do formato tradicional -- mas ainda assim ridiculamente pequena, entre 5 e 6 mil exemplares. Até o ano passado, dois anos após o lançamento, o selo representava 15% das vendas da editora e ultrapassava os 200 mil exemplares vendidos. Isso, novamente, segundo meu colega (continua)
Breno | 24/05/2008 | 02:07...Claro, a Cia percebeu o sucesso de outras editoras – Globo, Braziliense e, principalmente, L&PM – nesse nicho e correu atrás. Se isso que eu disse é verdade, que livros mais baratos estão sendo comprados, então é realmente um mistério por que as editoras não deixam a qualidade da edição um pouco de lado pra tornar os livros mais acessíveis. Quer dizer, estão deixando de ganhar. São, portanto, ineficientes. Mas se é isso mesmo, não sei.
Breno Baldrati | 24/05/2008 | 01:36@Antonio, claro que há uma questão cultural, mas só isso não explica os preços serem tão altos. @Daniel, mesmo os livros usados são caros (o valor deles está diretamente ligado ao dos livros novos). @Lucinano, o que você tem aí? ;) @Ricardo, a compra de livros pelo Estado seria uma boa saída pra aumentar a demanda, não fosse o fato de o Estado usar nosso dinheiro, hehe. @Lezinha, eu não te adoro à toa. ;*
Leonardo Alberto Bonassoli | 23/05/2008 | 17:35Um bom assunto para um G Idéias...
George de Moraes | 23/05/2008 | 15:53Sobre preços (e não sobre motivos da pouca leitura): 1 - os preços são altos e a maioria no Brasil parece disposta a pagar o mesmo valor por um jogo de futebol, mas não por um livro; 2 - nós temos boas lojas varejistas. Temos problemas logísticos, que afetam não só os livros; 3 - muitos brasileiros têm dificuldade para ler o português de Portugal e também o português do Brasil (vide teste Pisa); 4 - não vejo a valorização do R$ como causa. Pergunto: o mercado editorial é eficiente?
Lezinha | 23/05/2008 | 15:37o povo nao le porque realmente nao quer, porque talvez nao tenham ouvidos historias pra dormir quando pequenos, porque talvez os proprios professores literatos tem mal se expressado. Mas eu leio, leio pra ser feliz, pra ter uma vida dupla por aquele momento único, pra sair de mim mesma e o mais gostoso, ver que as palavras valem tanto como uma boa imagem, ou até sabe mais. Tem melhor fotografia de Budapeste que o livro do Chico...só louco pra nao ler. * desculpe falta de acentos, teclado alemao
Ricardo H. Sakata | 23/05/2008 | 12:13Eu realmente acho os preços dos livros muito caro, mas nem por isso deixo de ler, sou um assiduo frequentador da biblioteca pública, portanto sempre estou lendo, o único problema é que não consigo ler os lançamentos. Analisando chegamos a conclusão que os brasileiros não gostam de ler, se levassemos em consideração o aumento da população hoje teriamos que ter no minimo mais 2 ou 3 bibliotecas publicas.
Luciano | 23/05/2008 | 11:31Para quem acha os livros caros, eu posso emprestar alguns. Não tem desculpa para não ler...
Daniel | 23/05/2008 | 09:56Nos sebos se acha livros extremamente baratos(5, 10 reais e até menos), o povo não lê pq não tem cultura e hábito de leitura mesmo. Na escola se aprende que os livros são para os nerds e manés, e \"cool\" mesmo é ser o cara que tem orgulho de nunca ter lido.
antonio carlos | 23/05/2008 | 08:50Papo furado, o povo não lê porque não quer, pois as cidades grandes estão cheias de sebos, ou livros usados, como se fala hoje. Fico até com vergonha quando entro em um sebo e vejo livros novinhos à venda, as pessoas não tem o hábito de formarem bibliotecas. A leitura é tudo, menos uma atitude burra. Se os livros fossem gratuitos, nem assim o povo leria, o povo brasileiro não lê porque é preguiçoso e burro, e fica inventando desculpas para a própria preguiça e pouca, ou nenhuma vontade de ler.
Breno | 22/05/2008 | 21:41Cara Doralice, é uma boa pauta, de fato. Mas não é muito da minha área (mundo), e até o fim do m?s estou na ediç?o (sem tempo pra fazer matérias). Vou repassar a idéia pro pessoal do G ou de Vida e Cidadania, ok? Luso, não sei não. Tenho a impressão que até os livros dos sebos são caros. E sobre o argumento da renda ser baixa, é como o Cowen disse: mesmo o pessoal que freqüenta aeroportos não lê.
Luso | 22/05/2008 | 19:56Cara Doralice, é uma boa pauta, de fato. Mas não é muito da minha área (mundo), e até o fim do mês estou na edição (sem tempo pra fazer matérias). Vou repassar a idéia pro pessoal do G ou de Vida e Cidadania, ok? Luso, não sei não. Tenho a impressão que até os livros dos sebos são caros. E sobre o arqumento da renda, é como o Cowen disse: mesmo o pessoal que freqüenta aeroportos não lê.
Doralice Araújo | 22/05/2008 | 18:20Eu não sei, Breno, porque os livros são tão caros. Daria uma boa pauta descobrir as causas desse encarecimento. Gostaria muito de ler algo sobre o assunto; topa levá-lo adiante numa conversa com o seu editor? Investigar o trânsito da edição de um livro ajudaria ao leitor compreender as razões dos preços exorbitantes, o que acha? Um rol de editoras locais, por exemplo, já nos faria entender o processo.
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