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Segunda-feira, 21/05/2012

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Inclusilhado

Quem faz o blog
Enviado por Rafael Bonfim, 20/05/2012 às 20:20

Há um tempo eu tive contato com uma teoria social que achei interessante e quando aproximei esse pensamento do contexto de uma pessoa com deficiência, percebi ter um tema irresistível e acho que pouco comentado. Você já se perguntou se você é uma pessoa desacreditada? Ou será que você é desacreditável?


 / Erving GoffmanErving Goffman

A teoria é de Erving Goffman, um cientista social e escritor canadense, professor da Universidade da Califórnia. Por meio de suas obras, Goffman trouxe luz a uma série de questões envolvendo as interações humanas no dia a dia, estudando como indivíduos respondem à sociedade e vice-versa. O autor comenta os conceitos de desacreditado e desacreditável na obra Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada, de 1963 e eu dei uma olhada rápida no que ele disse.

Goffman comenta que todo sujeito tem duas identidades: a sua identidade social real e a sua identidade virtual. A identidade social real é a que interage com outras pessoas e, na maioria das vezes, vai conduzir a maneira como a sociedade responde ao indivíduo. É o que todo mundo percebe do outro e com isso, forma um conceito sobre um amigo, um chefe, um colega de trabalho e por ai vai.


 / Séculos de história fizeram da população negra um dos grupos mais estigmatizados e que ainda briga contra uma série de preconceitosSéculos de história fizeram da população negra um dos grupos mais estigmatizados e que ainda briga contra uma série de preconceitos

A identidade virtual está em nós também, mas em uma atmosfera não concreta. Nela encontramos todas as impressões que os outros formam, ou têm, de nós mesmos, que podem se manifestar depois que alguém nos conhece, ou mesmo antes, tendo suas bases naquilo que esperam da gente. É a identidade desenhada por outra cabeça e o interessante sobre a identidade virtual é que ela tem a nossa influência. Ela guarda tudo aquilo que nós não queremos que os outros saibam sobre a gente mesmo.


 / A sociedade define quem é desacreditado e esse conceito muda de tempos em temposA sociedade define quem é desacreditado e esse conceito muda de tempos em tempos

De acordo com Erving Goffman o que separa os desacreditados dos desacreditáveis é o quanto da nossa identidade virtual se manifesta na nossa identidade real, ou a diferença entre o que se espera e aquilo que você mostra. Se a sua identidade virtual apresenta características que levam a formação de conceitos negativos, nem sempre justos, e ela está próxima da sua identidade real, então você caminha para a turma dos desacreditados. Se você mantém esses dois lados em um relativo equilíbrio, você é um desacreditável.

Ainda de acordo com o autor, os desacreditados têm essa dinâmica particular entre as duas identidades e ao entrarem para esse grupo, tornam-se estigmatizados.


 / A mulher do período pós-guerra se consolida nos anos 50 e imprime um novo estigma feminino, que ainda é sustentado por um machismo arcaicoA mulher do período pós-guerra se consolida nos anos 50 e imprime um novo estigma feminino, que ainda é sustentado por um machismo arcaico

Por que um tema aparentemente complexo abre espaço para uma discussão irresistível? Porque acredito que a sociedade sempre precisou ter o seu grupo de desacreditados. E eu acho que sempre vai precisar ter.


 / A homossexualidade ainda é tabu social, tendo preconceito calcado em conceitos religiosos, ideias de leis naturais e de fraquezaA homossexualidade ainda é tabu social, tendo preconceito calcado em conceitos religiosos, ideias de leis naturais e de fraqueza

Só que o grupo dos desacreditados não é sempre o mesmo e isso acontece porque a identidade virtual é mutante. Durante o século XX, tivemos diferentes estigmas que formaram o grupo dos desacreditados. Mulheres, negros e homossexuais são três grupos que provocaram mudanças muito positivas nas dinâmicas sociais e conseguiram bater de frente com uma série de preconceitos e até hoje brigam para não serem mais estigmatizados.

E quem será que é o desacreditado da vez? Há quem diz que são os fumantes e pessoas acima do peso. Volta e meia eu ouço histórias de discriminação explícita em relação a esses dois grupos. Hoje o cigarro e o sobrepeso representam escolhas negativas no inconsciente social, dizendo de cara que quem fuma, ou quem é gordo fez escolhas terríveis e não merece muito crédito. Algum fumante, ou obeso gostaria de se manifestar?


 / Uma série de políticas vêm contribuindo para a diminuição do consumo do cigarro, mas esse movimento tem transformado a imagem social do fumanteUma série de políticas vêm contribuindo para a diminuição do consumo do cigarro, mas esse movimento tem transformado a imagem social do fumante

Mas por que será que a dinâmica social retoma esse tipo de mecanismo, mudando o grupo que sofre opressão, mas sempre precisando oprimir alguém? É algum tipo de defesa contra o que não é desejado naquele contexto? Pode ser que em determinadas décadas quem não era negro, nem mulher e nem homossexual realmente não gostaria de o ser e desprezava quem era.


 / Alvo de piadas e chacotas de maneira aberta e pública, uma pessoa acima do peso tem em sua identidade virtual a preguiça para se exercitar, a falta de disciplina com a alimentação e, por vezes, isolamento socialAlvo de piadas e chacotas de maneira aberta e pública, uma pessoa acima do peso tem em sua identidade virtual a preguiça para se exercitar, a falta de disciplina com a alimentação e, por vezes, isolamento social

A pessoa com deficiência está no grupo dos desacreditados, pelo conjunto de características da identidade virtual que ela carrega. E se a opressão é um mecanismo de defesa contra o que a sociedade não quer, o deficiente está numa situação bastante complexa. A deficiência não é desejada por quem não tem e também é rejeitada por quem a tem.

Como tirar o deficiente desse grupo? Deixando que ele mostre o seu potencial? Dando oportunidades iguais? Tratando-o como uma pessoa sem deficiência? Também, mas não só isso. É necessário enxergar a deficiência como uma possibilidade. Algo que pode acontecer com absolutamente qualquer um.

Talvez precisaremos de algumas gerações para que isso aconteça, porque preparo a coisas que queremos longe ainda não é o nosso forte. Não nos preparamos nem para a 3ª idade (outro grupo desacreditado) e muito menos para a morte.

O que é uma pena, porque podemos nos preparar para essas coisas todas com muita serenidade e experiências positivas. Podemos nos preparar para a velhice com saúde e economia. Podemos nos preparar para a morte com legado e espiritualidade. Podemos nos preparar para a deficiência com união e respeito.

Que no futuro os desacreditados sejam apontados apenas por uma questão de caráter. E que desacreditáveis continuamos a ser todos nós.

*Quer entrar em contato? Escreva para inclusilhado@hotmail.com.

Enviado por Rafael Bonfim, 14/05/2012 às 10:40

A inclusão da pessoa com deficiência acontece em muitas esferas, mas a mais importante delas é também a mais próxima. Independente da limitação, ou do tempo que se convive com ela, a família será sempre o primeiro mundo em que a inclusão acontece. O texto que publico hoje é mais do que especial. Comemoro o dia das mães convidando a minha mãe para participar do Inclusilhado, dando o seu depoimento sobre a jornada de ser mãe de uma pessoa com deficiência, com texto dela e fotos escolhidas por ela.

Desde o começo, eu e ela desafiamos muitas ideias e hoje brincamos que foi uma teimosia que deu certo. Como homenagem e agradecimento eterno à ela, deixo o espaço livre para que a gente possa abraçar todas as mães que encaram, ou encararam desafios parecidos. Com vocês, a minha mãe, falando sobre muitos desafios vencidos:

“Ao pensar em desafios, não sei por que, penso em laços. Talvez pelo sentido que cada qual contém. Desafios lançam-nos a riscos, laços lançam-nos a fios, linhas, etc. Ambos lembram-me traçados, caminhos e jornadas. E a vida é feita de muitos fios, sejam desafios, sejam laços.

O Rafael nasceu prematuro de seis meses, em 1982. O nascimento dele foi o primeiro grande laço que meu coração deu e o primeiro grande desafio que minha alma enfrentou. Prematuro de seis meses de gestação, ele veio ao mundo para descortinar os desafios e laços que eu e seu pai nunca imaginamos que poderíamos traçar (e enfrentar).

Os médicos e especialistas nos diziam dos riscos e limites que ele, provavelmente, teria. Esta palavra "provável" possuía uma conotação estranha à minha intuição. Aquilo que era provável significava que poderia ser saboreado, ser sentido e não apenas uma possibilidade, ou chance ou tentativa... ou limite.


 / Rafael, Lucília e LíviaRafael, Lucília e Lívia

Provavelmente ele não poderia fazer muitas e muitas coisas... E eu pensava no que ele poderia "provar" daquilo que não lhe seria possível, segundo o que a medicina nos dizia, alcançar.

Dentre os primeiros grandes limites que nos foi sinalizado, era de que "dificilmente" ele poderia pentear o cabelo... Rafael tinha quase três anos, já havia quase três anos de fisioterapia, dois de terapia ocupacional e psicomotricidade. Eu e ele já tínhamos os nossos laços e nossos desafios há muito mais tempo do que isto, e meu coração dizia que esse limite não existia e Rafael, mesmo com muita dificuldade em suas mãos, divertia-se ao tentar pentear seus cabelos.

Para mim era muito mais significativo seu sorriso ao tentar tal proeza do que o olhar sisudo e descrente de seu neurologista. Que sorte a nossa!

Acreditava que o que, de fato, teria que ser vencido era o limite e não apenas aprimorar o que ele poderia fazer com suas mãos e seu corpo. Seu limite físico era um fato, mas até que ponto, ou até qual seria o limite máximo ninguém nos afirmava com segurança, mas baseavam-se em estudos de diversos casos. Todos os médicos nos diziam que “cada caso era um caso em particular", tudo dependeria das condições individuais que ele poderia apresentar.

Devo explicar que, em decorrência de seu nascimento prematuro e de suas condições
iniciais muitas habilidades motores não lhe seriam possíveis, tal como segurar um pente, um garfo, lápis, régua, etc. Além disso, decorreriam problemas com a escrita, alimentação e cuidados com seu asseio pessoal. Quando pensava no que ele "provavelmente" teria, sentia que eles deveriam ser vencidos.

Ele poderia "saborear" uma nova condição? Mas como? Qual seria o caminho a percorrer para que tais limites fossem superados? Deveríamos aceitar tais limites e simplesmente conviver com eles? Rafael seria feliz? Poderia ele, ao crescer, ter sua vida, sua independência? Não. Para os médicos, resposta era esta. “Ele teria que ter sempre alguém para cuidar destes detalhes”

Detalhes?! Era a vida dele, como de qualquer outra pessoa. Significava não ter privacidade e liberdade. Era ser dependente da ajuda de outras pessoas. Eu como sua mãe, e com todo o meu amor, poderia passar o resto de minha vida cuidando dele, mas sentia, em meu coração, que não era isso que era para ser feito, que não seria este o caminho que ele deveria percorrer, mas, sim, o que deveria ser feito é dar-lhe condições de percorrer sozinho, com independência e segurança, sentindo e percebendo que, mesmo com suas dificuldades, ele poderia ultrapassar e alcançar sua própria independência.

E nos lançamos aos desafios que seu limite psicomotor, e a vida comum, nos apresentaram. Muitas horas, muitos meses, muitos anos, em tudo o que fizemos juntos. Muito amor, muita paciência e, acima de tudo, muita perseverança. Muito mais dele do que minha, muitas vezes. Muito mais minha do que dele por quase todo o tempo.

Muitos exercícios, muito treino para que não apenas suas mãos, mas todo seu corpo, pudessem adquirir mobilidade, destreza e movimentos que, teoricamente, ele não teria. Sem se dar conta, ele vencia! Simplesmente percebia que conseguia fazer algo novo e que era bom.


 / Rafael pós operação, em 1989Rafael pós operação, em 1989

Nestes momentos tinha certeza de que minha ajuda, auxiliada pela minha intuição, valia a pena. Era gratificante ouvir dizer "pode deixar, isto eu sei fazer", "pronto, já terminei”, "Olha só como é fácil fazer isto agora!”. Meu coração se enchia de alegria e minha alma desafiava-me a continuar. Respeitar seus limites era imprescindível, mas lança-lo a novos era muito mais. Dar condições para que ele os superasse era a ordem do dia e esperar que ele conseguisse era a ordem do meu coração.

De todas as coisas que uma criança desavaja fazer, Rafael também fez, como empinar "pipa", mesmo que seu pai o pusesse em seu ombro e corresse muito para que a pipa alçasse um lindo vôo. Ou descer no tobogã do parque de diversões, mesmo sendo levado no colo escada acima, por tantas e quantas vezes ele assim o desejasse.


 / Rafael de andador, antes de ir para a escola, no ensino fundamentalRafael de andador, antes de ir para a escola, no ensino fundamental

Aprendemos ainda que a cadeira de rodas deveria ser vista como um lugar onde se está sentado, com rodas para te levar a outros lugares. Ela não existe apenas por permitir algumas coisas, como estacionar em lugares mais próximos, "furar filas" de cinema, teatro, supermercados, etc.

Ela existe para que se possa ir, seguir, traçar seu próprio caminho. Para ele, ela não é limite. Para muitas pessoas é tabu, para outras tantas, desigualdade, discriminação, exclusão.

E quando ele atingiu a adolescência e seguia à idade adulta meu coração apertou e doeu, porque nossos laços seriam desfeitos. Nossos caminhos seriam outros, seus sonhos seriam outros que nunca sonhados comigo.

E eu precisei vencer meus laços e desafios. Vi que limites novos seriam vencidos por ele e apenas ele os venceria... E isto, com certeza, para mim é a maior conquista que a vida nos trouxe. Superar o desafio a que meu coração se lançou de ver meu filho vencer os seus próprios desafios. E ser feliz.

Lucília Bonfim”.

A Lucília quer saber da sua história. Escreva para ela, mande suas dúvidas e impressões para luciliabonfim@hotmail.com

Enviado por Rafael Bonfim, 09/05/2012 às 17:45

*com a colaboração de Carolina Giovanelli e fotos de Mario Rodrigues

Trabalhar com o atendimento ao público por meio do telefone não é tarefa simples. De um lado temos o colaborador, que é obrigado a seguir um determinado roteiro e tem como desafio atender o cliente em um tempo estipulado, usando os recursos que a empresa oferece e além disso precisa vender um produto que o consumidor em muitos momentos não quer. Se ele não vai vender nada, precisa resolver um problema que o cliente nem queria que existisse.

Do outro lado temos quem recebe o telefonema em um momento inoportuno, ou que faz a ligação, já irritado por ter que acionar esse tipo de serviço. Quando passa por todos os momentos de espera (que por vezes o faz desistir do contato) precisa ser o mais claro possível para que a outra pessoa possa entender o que está acontecendo e de vez em quando encara uma odisseia na forma de um diálogo interminável, sem conseguir o que quer.

No meio dessa bagunça toda, encontrei um exemplo e tanto de sucesso, vindo do estado de São Paulo. Por lá, uma iniciativa do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU, recebeu em abril um certificado americano de qualidade, concedido pela Academia Internacional de Despacho de Emergências Médicas. A certificação avaliou a eficiência do atendimento prestado a quem pede socorro e a agilidade de chegada das ambulâncias ao local solicitado, que em 2011, chegou a uma média de 10 minutos.


Mario Rodrigues

Mario Rodrigues / Sala de atendimento às chamadas do SAMU, em São PauloSala de atendimento às chamadas do SAMU, em São Paulo

A iniciativa tem como base uma ação de inclusão da pessoa com deficiência. Em 2009 o SAMU passou por uma fase de reestruturação que contou com a contratação gradativa de pessoas com deficiência. Hoje, o serviço conta com um quadro de 160 colaboradores, sendo que 140 deles são deficientes e alguns já foram atendidos pelo SAMU.

“Queríamos agregar humanidade ao serviço, e quem melhor do que alguém que já dependeu dos outros para isso?”, comenta o coronel Luiz Carlos Wilke, diretor do Samu na capital. A iniciativa foi tão bem-sucedida que ele autorizou a admissão de um número maior de deficientes. Antes de assumirem as funções, eles precisam passar por um curso de quarenta horas com informações básicas. “Não fazemos filantropia. Eles se mostraram mesmo os mais competentes para essa tarefa”, completa Wilke.

Pela rotina tensa da atividade que realizam, os funcionários ganham acompanhamento psicológico. O objetivo é que eles tenham tranquilidade, sangue-frio e paciência no trabalho. Baiano de Salvador, o atendente Lázaro Sena passou por uma tragédia em 2009. Seu filho de 3 anos morreu engasgado com um amendoim. “Perdi meu chão”, diz ele, que tem pernas de tamanhos desiguais. “Quando pego um caso parecido no telefone, eu me transformo. Não estava presente no momento em que meu garoto passou mal, por isso me desdobro para ajudar quem liga.”

Ex-vendedor de uma multinacional, o supervisor da seção de despacho de ambulâncias Thiago dos Santos sofreu um acidente de carro e precisou deixar o emprego. Ele fraturou duas vértebras e ficou nove meses sem sair da cama do hospital. Hoje, apenas sofre com dificuldades para executar alguns movimentos. “Quando apareceu a chance de trabalhar no Samu, foi como se surgisse um propósito para eu não ter morrido”, conta. “É gratificante ver que eu posso fazer a diferença na vida de alguém.”

Será que essa iniciativa pode ser aplicada aqui no Paraná? Seria um bom ganho para o mercado, para a pessoa com deficiência e para a sociedade.

Enviado por Rafael Bonfim, 30/04/2012 às 17:40

Durante os dias 26 e 27 de abril, sessenta policiais e bombeiros que atuam na capital e Região Metropolitana de Curitiba participaram do primeiro curso de acessibilidade específico para policiais militares, organizado pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. De acordo com a Secretaria, o curso é inédito no país.

Eu gostei da ideia, mas ela me fez coçar a cabeça.


Valdecir Galor/SMCS

Valdecir Galor/SMCS / Em exercício, policiais e bombeiros usam cadeira de rodas. A foto é de Valdecir Galor e está na página da Prefeitura Municipal de CuritibaEm exercício, policiais e bombeiros usam cadeira de rodas. A foto é de Valdecir Galor e está na página da Prefeitura Municipal de Curitiba

A vivência foi dividida em teoria e prática. No primeiro dia os participantes tiveram contato com conceitos a respeito das diversas dimensões da acessibilidade e suas características, como mobilidade, amputações, audição, visão, lesões musculares, paralisia cerebral e baixo funcionamento cerebral.

O momento prático foi pautado por atividades que fizeram com que os policiais e bombeiros experimentassem os limites de uma pessoa com deficiência. Eles jogaram bola com os olhos vendados, usaram bengalas, cadeiras de rodas e imobilizaram seus braços. Tudo isso em um ambiente controlado, dentro do espaço onde o curso foi ministrado.

Ainda de acordo com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, o objetivo da ação foi sensibilizar as corporações para a inclusão e oferecer ferramentas para que uma abordagem mais adequada à pessoa com deficiência seja realizada.

Um curso como esse, com esse propósito e no contexto atual vale a pena ser debatido. A primeira pergunta que quero lançar tem a ver com a abordagem realizada hoje pela polícia e pelos bombeiros. Eu, infelizmente, não tenho uma história minha para compartilhar, mas adoraria saber de quem tem.

Você é deficiente e tem uma história de abordagem policial, ou dos bombeiros para contar? Alguém conhece uma história sobre isso?

A imagem da Polícia Militar passa por um momento de abalo significativo, que tem raízes justamente no relacionamento entre policiais e a sociedade civil. O ano de 2012 foi palco de episódios históricos (e nem um pouco memoráveis), sendo que um deles foi em Curitiba mesmo, bem perto de nós.

Diferentes equipes da polícia curitibana tiveram uma atuação controversa e polêmica após a apresentação do bloco pré-carnavalesco Garibaldis e Sacis, no Largo da Ordem, em fevereiro deste ano. Após um suposto ato de vandalismo contra uma viatura, policiais da Rone começaram a dispersar a multidão. Eles desceram pelo Largo da Ordem, disparando balas de borracha e bombas de gás nos foliões. Para saber mais, clique aqui.

Entre março e abril tivemos um momento de respiro na relação entre a polícia e sociedade. A instalação da primeira Unidade Paraná Seguro (UPS), no bairro do Uberaba foi marcada por um processo tranquilo, aprovado pela comunidade, como mostra o vídeo produzido também pela Gazeta do Povo.

Vida e Cidadania | 2:20

Moradores aprovam ação policial no primeiro dia da UPS

Cerca de 450 policiais participaram de uma ação na região do bairro Uberaba, em Curitiba, nesta quarta-feira (01). Moradores eram revistados ao chegar e ao sair do bairro. A Unidade Paraná Seguro (UPS) pretende pacificar regiões violentas da capital.

Mesmo assim, o episódio teve seu ponto de conturbação: Ismael, um jovem de 19 anos, acusa a polícia de tortura. Em um relato corroborado pela família, vizinhos e advogada, Ismael diz ter sido seguidamente torturado por policiais militares – após supostamente ser confundido com um assaltante – dois dias depois da instalação da UPS. Para saber mais, clique aqui.

Estamos de fato em um momento (não é o primeiro) que pede esse tipo de humanização. Ter a pessoa com deficiência como personagem desse processo é sim uma boa ideia e, de acordo com as informações que tive acesso, essa ação me pareceu ter foco pontual. Se teve, foi subaproveitada.

Fazer um curso desse para ensinar uma abordagem adequada quando se lida com uma pessoa com deficiência e parar aí é pouco.

Colocar um policial e um bombeiro numa cadeira de rodas é uma ação que abre portas para muita coisa. Isso mexe com a relação que esse profissional tem com as próprias habilidades e uso da força. Insere-o em um contexto de limitação que é inaceitável no desempenho da atividade prática da profissão.

Como será que eles se sentiram quando foram vendados, ou limitados fisicamente? Eu não estou falando dos chavões que todo mundo pensa. Estou falando de uma relação mais séria. Eles se sentiram impotentes, fracos e intimidados por essas limitações?

Provavelmente é assim que muita gente se sente quando sofre abuso de poder e de força.

Temos uma chance de explorar a inclusão de forma mais orgânica e mais ousada, dentro de corporações vitais para a sociedade. A deficiência física tem uma de suas origens na violência urbana, ou em acidentes que podem ser evitados. Essas origens têm tudo a ver com a razão de existência da polícia e dos bombeiros. Será que esse link foi feito? A deficiência pode ser uma das consequências da não presença desses dois grupos. Que tal falar desse conceito em ações de cultura de paz?

Fazer isso em um ambiente controlado também me pareceu uma pena. Podíamos colocar as cadeiras e bengalas na rua. Propor que os policiais e bombeiros se virassem para circular nas calçadas, no meio dos carros e no transporte público.

Seria uma força interessante para a inclusão ter o Corpo de Bombeiros, uma das corporações mais respeitadas e prestigiadas, exigindo melhorias urbanas de acessibilidade.

Como você acha que a inclusão pode contribuir para uma nova relação da polícia e bombeiros com a sociedade?

Enviado por Rafael Bonfim, 16/04/2012 às 11:31

*Com colaboração de Gabriela Ruic

Estudantes de Ciência da Computação Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), João Paulo Oliveira, Lucas de Araújo Mello Soares, Amirton Chagas, Flavio Almeida e Daniel Ferreira, criaram um aplicativo que quebra uma série de mitos em relação à projetos inovadores pela inclusão.

O Prodeaf, é um aplicativo que assume o papel de intérprete de português e LIBRAS, através de um avatar. Isso coloca o Brasil e a região nordeste em destaque na inovação tecnológica para esse fim e prova que inclusão gera demandas de negócios específicos.

De acordo com João e Lucas, com o aplicativo é possível que um surdo se aproxime de qualquer pessoa para pedir uma informação, por exemplo. Com a câmera do aparelho, o surdo registra os sinais em LIBRAS e o sistema então os converte em áudio. Para responder, basta que o ouvinte fale com o app, que irá então representá-lo, via avatar no display.

Outra boa notícia é que o Prodeaf está em vias de ser colocado em testes com um grupo de surdos de associações parceiras do projeto, como a Associação de Surdos de Pernambuco, por exemplo.


 /

O entusiasmo não ficou reservado apenas aos jovens e aos grupos de surdos parceiros do projeto. No ano passado, o Prodeaf recebeu reconhecimento internacional ao ficar no segundo lugar mundial da Imagine Cup 2011 da Microsoft.

O desafio proposto pela edição passada era imaginar soluções tecnológicas que pudessem ajudar a resolver problemas mundiais. E, ao que parece, os meninos de Pernambuco absorveram perfeitamente a ideia da competição estudantil.

Enviado por Rafael Bonfim, 25/03/2012 às 11:09

Uma revolução no tratamento fisioterapêutico acontece no Centro Universitário Campos de Andrade, a Uniandrade, com o uso de equipamentos com tecnologia de ponta. A novidade é o uso de uma roupa especial, que cumpre a função de um esqueleto externo possibilitando uma série de intervenções específicas realizadas pelos profissionais, que garantem resultados de desenvolvimento surpreendentes. O método desse tratamento recebeu o nome de Pediasuit.

Hoje 11 crianças com idade entre 02 e 12 anos são atendidas por uma equipe de 06 fisioterapeutas, que usam o método no Centro de Pesquisa Vitória, instalado no campus da universidade.

O tratamento por meio do Pediasuit pode posicionar Curitiba e a Uniandrade como um polo de vanguarda de pesquisa e tratamento na reabilitação, no cenário nacional.


 / Arthur é um dos pacientes do centro.Arthur é um dos pacientes do centro.


A história do tratamento

O método Pediasuit é o resultado de uma série de modificações e aprimoramentos desde o primeiro tratamento. A palavra suit (roupa, em inglês) funciona como um sufixo e está presente nos nomes dos outros métodos.

Em 1971, o Pinguin Suit foi desenvolvido pelo programa espacial russo para neutralizar os efeitos nocivos da falta de gravidade e hipocinesia e todas suas consequências sobre o corpo dos astronautas. Mais tarde, a tecnologia da “suit terapia” passou a ser compartilhada por profissionais de reabilitação.

Em 2006, o Pediasuit foi criado, juntamente com dois fisioterapeutas brasileiros e um fisiologista americano nos EUA. Eles perceberam que o traje precisava de melhorias e adaptações além de integração sensorial. A idéia era fazer uma roupa tão fácil de usar que pudesse ser ensinada aos terapeutas do mundo todo.


O Centro de Pesquisas Vitória

Pouco depois da chegada do Pediasuit ao Brasil, Mari Elen Andrade, mãe de uma criança com paralisia cerebral conheceu o método e submeteu a filha ao tratamento de terapia intensiva. Ao acompanhar os avanços proporcionados pelo tratamento, Mari Elen iniciou uma jornada para trazer o tratamento à Curitiba e contou com o apoio das fisioterapeutas Ana Cláudia Szczypior Costin e Claudiana Chiarello


 / Claudiana Chiarello usa a cama elástica combinada aos equipamentos do Pediasuit.  Fernando se diverteClaudiana Chiarello usa a cama elástica combinada aos equipamentos do Pediasuit. Fernando se diverte
. Ana Cláudia e Claudiana foram a três centros de tratamento no Brasil, localizados em São Paulo capital, Campinas, no interior de São Paulo, e Salvador, na Bahia, além de realizarem o curso para certificação pelo Método Pediasuit em Fortlauderdale, Flórida, nos Estados Unidos.

Em julho de 2011 o Centro de Pesquisas Vitória foi criado, na Uniandrade, tendo como primeira paciente a pequena Vitória, de 03 anos, filha de Mari Elen e que deu nome ao centro.


 / A menina Vitória, que deu nome ao centro de pesquisas da UniandradeA menina Vitória, que deu nome ao centro de pesquisas da Uniandrade

Tratamento intensivo com acompanhamento de ponta

Os moldes do tratamento realizado em Curitiba são resultado do estudo e aprimoramento do que foi observado em outros polos, antes da abertura do centro curitibano. Sob a orientação de pesquisa do Doutor em Engenharia Biomédica, Eduardo Borba Neves, a equipe realiza o tratamento combinando as diferentes metodologias, fazendo um trabalho inovador e diferenciado, adequado ao quadro de cada paciente.

O paciente atendido entra em uma rotina de treinamentos digna de atletas. O tratamento inicial é feito em um módulo intensivo, com duração de cinco semanas, variando de 70 a 80 horas. A manutenção entre os módulos intensivos, é realizado no centro, 3 vezes por semana.

Os resultados são então analisados e os profissionais detectam quais são as necessidades de continuidade do tratamento em cada caso.

O acompanhamento da evolução do paciente conta com o suporte de um aparelho chamado Biofeed, uma criação notável de um paranaense, também deficiente: o cientista da computação e mestre em engenharia biomédica, Leonardo Silva, de 39 anos. O aparelho tem como princípio fazer a leitura do movimento de uma pessoa através da colocação de sensores posicionados em lugares específicos do corpo.


 / Rafaela, acompanhada pela fisioterapeuta Ana Cláudia Costin, tem os seus movimentos medidos e monitorados pelo BiofeedRafaela, acompanhada pela fisioterapeuta Ana Cláudia Costin, tem os seus movimentos medidos e monitorados pelo Biofeed

O Biofeed é então um sistema de apoio ao terapeuta, usado para a avaliação de pacientes, ou atletas. Ele lê a amplitude do movimento das pessoas, mostra a informação no computador e possibilita a análise da evolução do tratamento, não só em uma ótica qualitativa, mas também quantitativa.

Tratamentos e quadros

A terapia com o macacão terapêutico ortopédico combinada com a fisioterapia intensiva tem sido benéfica para crianças com diagnósticos, incluindo:

- Paralisia Cerebral
- Atraso no desenvolvimento motor
- Traumatismo Crânio-Encefálico
- AVC
- Deficiências neurológicas
- Deficiências ortopédicas
- Doenças genéticas
- Incapacidades pós-cirúrgicas
- Lesões da medula espinhal
- Transtornos vestibulares
- Síndrome de Down

A sensação de quem vestiu a camisa

Depois de conhecer a história do Centro, do método e conversar muito com Ana Cláudia, Claudiana e Mari Elen, fui convidado a experimentar o macacão. Fui à sala de tratamento e me deparei com um ambiente bem colorido, com uma série de adereços lúdicos e vi de perto as instalações usadas no Pediasuit. Foi a chance que tive também de conhecer a própria Vitória.

A roupa é divida em duas partes, uma para o tronco e outra para os membros inferiores. O macacão sozinho é relativamente simples, composto por um colete e uma espécie shorts. A inovação vem com a combinação de infinitos ganchos, com uma série de elásticos especiais que permitem as fisioterapeutas a fazerem ajustes diretos na postura, ou no posicionamento muscular do paciente. A roupa te aperta, te puxa e te coloca no prumo em menos de cinco minutos.

Além do macacão, o Centro de Pesquisas Vitória conta com instalações que permitem trabalhos de fortalecimento e alongamento muscular, correção de postura e marcha, com o uso de cabos, pesos e grades que cercam o paciente em um ambiente monitorado e controlado pelas fisioterapeutas.


 / O autor no blog experimentou o método e foi parar na esteiraO autor no blog experimentou o método e foi parar na esteira

Eu fiquei na mão das doutoras por 40 minutos e sai de lá moído. As crianças treinam por três horas (com intervalo), todos os dias, e quem já fez fisioterapia sabe que esse pessoal não dá moleza não. Garanto que elas dão baile em muitos atletas. É uma experiência e tanto.

Serviço:

Para saber mais sobre o Pediasuit, entre em contato com o Centro de Pesquisa Vitória:

Centro de Pesquisa Vitória

Rua Marumby, 283 – Campo Comprido, no campus do Centro Universitário Campos de Andrade.

Telefone – 41 3219-4101

Email -
vitoria@uniandrade.edu.br

Facebook: Centro de Pesquisa Vitória

Enviado por Rafael Bonfim, 24/03/2012 às 16:26

Tramita na Câmara dos Deputados, desde 2005, a Lei 40/2010, que prevê a permissão para pessoas com deficiência se aposentarem com menos tempo de contribuição à Previdência Social. Esse novo direito abre precedentes para o debate sobre a relação entre equidade de tratamento e respeito aos limites de um deficiente. Os detalhes sobre a lei foram publicados em uma série de veículos e deixam bem claro qual seria esse novo cenário.


 / Nem tudo é tão bom quanto pareceNem tudo é tão bom quanto parece

De acordo com o novo texto, o tempo exigido de contribuição vai variar de acordo com a deficiência apresentada, a qual poderá ser classificada em leve, moderada ou grave. A avaliação será feita através de pericia médica e social executada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e não será permitido o ingresso neste regime especial de contribuição apenas através de testemunhas.

Pessoas com uma deficiência leve terão de contribuir pelo menos 30 anos, no caso do homem, e 25 no caso da mulher; lesão moderada exigirá 27 anos de contribuição ao homem e 22 à mulher; e a lesão grave pedirá 25 anos de contribuição para o homem e 20 para a mulher.

No caso da aposentadoria por idade, independentemente do grau da deficiência, o homem poderá se aposentar aos 60 anos e a mulher aos 55, desde que tenham cumprido o mínimo de 15 anos de contribuição.

Se o contribuinte tornar-se deficiente após a filiação à previdência, ou tiver o grau de deficiência alterado, a redução no tempo de contribuição será proporcional ao tempo em que a pessoa trabalhou sem e com deficiência.

A pessoa com deficiência pode ter a necessidade de se aposentar mais cedo por uma questão de saúde e respeito ao seu próprio limite. Achei interessante a lei considerar a possibilidade do trabalhador tornar-se deficiente e levar em conta o período em que ele contribuiu, antes de adquirir a limitação. Isso pode ser um passo para que a deficiência seja vista como uma condição e não um defeito. Ou mais: uma possibilidade do ser humano.

Mas será que o Brasil está pronto para isso?

Participei da III Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba e o tema central do encontro foi discutir a Convenção da ONU sobre os direitos para esse mesmo público. Foi possível propor políticas para nos aproximarmos dessa diretiriz das Nações Unidas. Na Conferência, acompanhei as discussões em torno do eixo “Educação, esporte, trabalho e reabilitação profissional” e notei que os debates tinham como foco uma maioria de deficientes que nem sequer entrou para o mercado de trabalho, ou que conquistou recentemente um emprego formal.

A lei que obriga empresas com mais de 100 colaboradores a contratarem profissionais com deficiência está longe de virar rotina natural e ainda é um desafio para todo mundo que está envolvido no processo. Além disso, eu não me lembro de ter visto colaboradores com deficiência com um longo tempo de casa nas empresas por onde passei. Alguém tem um caso assim para contar?

Outra característica que precisa ser levada em conta é o fato da população brasileira estar envelhecendo. Isso significa que já temos um número muito grande de aposentados para uma parcela pequena de trabalhadores economicamente ativos e essa desproporção vai aumentar. O sistema de previdência pública brasileiro tem um déficit significativo, que entre janeiro e agosto de 2011 chegou a 25,8 bilhões de reais, segundo o ministério da previdência social.

Para finalizar, estima-se que apenas 2% dos aposentados brasileiros conseguem sustento por meio das suas reservas e aposentadoria pública. Os outros 98% contam com a ajuda da renda de parentes.

Que impacto na economia uma lei como essa teria? Qual a aplicabilidade dela na sociedade atual? Quais brechas para maracutaias ela possibilita?

Enviado por Rafael Bonfim, 18/03/2012 às 14:40

A Secretaria Especial Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba divulgou na semana passada uma iniciativa que merece ser divulgada e reconhecida. A equipe da Secretaria relançou o projeto Quem é você, que visa mapear as pessoas com deficiência de Curitiba e Região Metropolitana, analisando diferentes aspectos, necessidades e hábitos dessas pessoas. A população da Região Metropolitana será contemplada indiretamente, entrando na estatística de quem estuda, trabalha, ou utiliza permanentemente os serviços da capital.


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O secretário Irajá de Brito Vaz pontuou que cerca de seis mil pessoas já foram cadastradas, desde o início do projeto, em novembro do ano passado. “O objetivo é saber quantos deficientes temos na cidade, quais as áreas, qual escolaridade, trabalho. Se estão inseridos em atividades terapêuticas, quem faz tratamento para seu caso, se recebem benefícios garantido por lei”, enumerou Irajá.

No entanto, o secretário diz que o mais importante no projeto é promover a “qualidade de vida” para a pessoa com deficiência, a partir de um mapa que trace o perfil real do deficiente.

Eu espero que ao final do mapeamento, previsto para acontecer em cinco anos, Curitiba consiga não só detectar as pessoas com deficiência que têm relação com instituições estabelecidas, mas que reconheça também os deficientes independentes sob o ponto de vista da educação, mobilidade e economia. Além disso, tenho a esperança de que essa emancipação seja incentivada e valorizada.

Apesar da iniciativa tida como pioneira pela Secretaria, Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e Piauí já tem programas estaduais com esse tipo de monitoramento. Curitiba seria então o quarto município com um cadastramento dessa natureza.

Serviço

O Instituto Curitiba de Informática é responsável pelo formulário do Quem é você, que cataloga informações pessoais, dados específicos referentes aos direitos e necessidades dos deficientes. O sistema permite que a busca seja feita de vários modos: sexo, idade, econômico, região e demais ferramentas.

O cadastramento é realizado em eventos, escolas e a meta é estender para unidades de saúde. Também pode ser preenchido formulário na própria Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência, na Rua Engenheiros Rebouças, 875, no Jardim Botânico, ou pelo telefone (41) 3262-1314/3363-5236.

Enviado por Rafael Bonfim, 12/03/2012 às 13:10

Porto Alegre é a primeira capital a receber uma iniciativa muito interessante e acredito que inédita no Brasil. Na última sexta-feira, dia 09, foi inaugurada a exposição Para Todos – O Movimento das Pessoas com Deficiência no Brasil. A mostra conta a história da mobilização e luta pelos direitos da pessoa com deficiência, adotando um escopo temporal amplo tem como foco principal a história do movimento no Brasil, mas traz personagens de outros países também.

A mostra fica em Porto Alegre até o dia 8 de abril, na Usina do Gasômetro, localizada na Avenida Presidente João Goulart, 551 - Marcílio Dias, das 10h às 18h.


Fabiano do Amaral

Fabiano do Amaral / Visitante da mostra que conta a história da mobilização de pessoas com deficiênciaVisitante da mostra que conta a história da mobilização de pessoas com deficiência

Quem já conferiu a exposição, arriscou dizer que ela reconta a história da humanidade sob o ponto de vista de quem tem alguma deficiência. Isso sim é inovação.

Concebido a partir do desenho universal, o espaço na Usina conta com todos os recursos de acessibilidade permitindo a todas as pessoas, sem exceção, o acesso às informações. Por meio de uma linha do tempo os visitantes farão um passeio pela história da discriminação sofrida e da luta das pessoas com deficiência para terem seus direitos humanos garantidos

O conteúdo poderá ser usufruído independente da condição física, sensorial, intelectual ou capacidade de comunicação dos visitantes. Estarão disponíveis catálogo em braile, recuso de áudio-guia e áudio descrição, piso podo táctil e atendimento em libras.

A cerimônia de abertura contou com a presença da ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Ela destacou a valorização e respeito à dignidade de todos através da mostra. "A característica da exposição é valorizar pessoas que são protagonistas das suas histórias", comentou.

O evento é promovido pela Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e OEI (Organização dos Estados Ibero Americanos), com apoio da Faders (Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas Portadoras de Deficiência e de Altas Habilidades no Rio Grande do Sul).

A exposição Para Todos – O Movimento das Pessoas com Deficiência no Brasil vai visitar mais nove cidades nos próximos meses: São Paulo, Florianópolis, São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Brasília, Cuiabá, Rio Branco, Belém e Recife.

A ação nasceu em Porto Alegre, vai passar por Florianópolis e não vem para Curitiba? Por que?

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Enviado por Rafael Bonfim, 09/03/2012 às 14:44


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Nesse mês uma aluna do último ano de Administração me procurou para conversar sobre o seu trabalho de conclusão de curso. Ela teve a ideia de desenvolver o projeto de um bar completamente preparado para receber pessoas com deficiência e que use desse preparo como diferencial para atrair a clientela. O projeto foi barrado e impedido de continuar, pelos seguintes motivos:

• O empreendimento não teria mercado. Pessoas com deficiência não frequentam casas noturnas, bares e afins.

• As pessoas com deficiência não dispõem de recursos financeiros para usufruir desse serviço.

• As pessoas sem deficiência se sentiriam desconfortáveis em um estabelecimento voltado para deficientes.

Alguém mais, além de mim e dessa aluna, discorda completamente disso?

O bar iria contar com rampas de acesso, cardápios em braile, um profissional com domínio de Libras, banheiros adaptados e as mesas seriam dispostas visando a boa circulação de cadeira de rodas. Era nesse conjunto de medidas que a aluna estava apostando para apresentar um negócio inovador, requisito pontuado pela orientação.

Além disso, a aluna trabalharia com a norma NBR-9050, da ABNT, que estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.

É espantoso ver que uma postura como essa está dentro de uma universidade, sendo transmitida para futuros administradores. Dizer que deficiente não sai. Afirmar que um projeto que visa inclusão é uma perda de tempo. Reafirmar preconceitos.

Que tal avaliar o projeto como algo sim inovador, que visa atender uma clientela ainda não contemplada? Se a pessoa com deficiência não freqüenta estabelecimentos noturnos, por se sentir mal acolhida, podemos propor um espaço que mude esse conceito, não podemos?

Eu debati recentemente aqui no blog o aumento do número de pessoas com deficiência no Brasil, tendo duas referências principais: o IBGE e o DPVAT. De acordo com o Censo do IBGE 2010, o Brasil tem hoje cerca de 45 milhões de pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. Em 2000 esse grupo chegava 24,5 milhões.

Casos de invalidez permanente, entre pessoas vítimas de acidentes de trânsito se multiplicaram por quase cinco entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil por ano. E esse número não parou de aumentar. Até setembro de 2011, já eram 166 mil casos, segundo o DPVAT, seguro obrigatório pago por proprietários de automóveis. Os dados revelam que a maioria dos acidentados (mais de 70% dos casos em 2011) usava moto e está em plena idade economicamente ativa, entre 18 e 44 anos.

O dado mais pontual que eu encontrei em relação ao poder econômico de pessoas com deficiência veio da Reatech, a segunda maior feira de acessibilidade e reabilitação do mundo, que acontece anualmente em São Paulo.

A expectativa de movimentação de recursos na última edição foi de R$ 550 milhões em negócios, só durante a Feira. Ainda de acordo com a Reatech, o setor de produtos e serviços para reabilitação movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão no País, ao ano, sendo R$ 200 milhões só com vendas de cadeiras de rodas e R$ 800 milhões em automóveis e adaptações veiculares.

Público para o empreendimento existe sim e dinheiro também. Temos bares em diferentes bairros, para diferentes classes, com diferentes preços. E tem bolso para tudo também.

Desenvolver um bar que fosse modelo em adaptação e atendimento à pessoa com deficiência tem a ver com cumprimento de normas técnicas, com sustentabilidade (uma vez que ele contempla o pilar social e o pilar cultural), apresenta oportunidades legais de marketing e comunicação com o público e agregaria valor ao bairro e à cidade. É um ótimo exercício e poderia perfeitamente ser aceito.

Mas não, ao invés disso, o profissional que tem como função fomentar ideias para o futuro foi conservador e tolheu uma proposta diferente, vinda de uma estudante com vontade de quebrar um paradigma, de arriscar.

Você, empreendedor, o que achou dessa proposta?

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Este é um espaço público de debate de idéias. O Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM) não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
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