Anacreon de Téos
Quanto aos mexicanos, tive um bom convívio com o dia-a-dia de sua gastronomia ao passar praticamente dois meses por lá em cobertura de Copa do Mundo. E até me acostumei a comer feijão no café da manhã. Há alguns bons restaurantes, mas a maioria se perde nas mesmices.
Quanto aos árabes, me criei vizinho de uma família síria, que sempre me encantava com aqueles charmosos almoços de domingo. Até hoje me vem à memória as mulheres todas elegantes, adornadas com muito ouro, e a mesa farta, com incríveis variações de sabores – alguns deles que nunca mais experimentei.
Pois agora conheci um restaurante árabe que me fez voltar um pouquinho no tempo. O tempero é bem caseiro, como se fosse uma extensão da comida da família. Chama-se Tahine, está funcionando há um ano e meio ali nas Mercês e é propriedade de uma família descendente de libaneses, transformado em restaurante depois de muita insistência dos amigos, até então os únicos privilegiados a degustar os pratos preparados por Calil El-Khoury nas reuniões mensais do pessoal.
Anacreon de Téos
Na sexta-feira a casa também abre para jantar, aí cobrando R$ 39,80 por pessoa (ou serviço à la carte, conforme o desejo do cliente), com buffet à vontade. E com duas atrações especiais: o Carneiro assado e a Mussaka.
Nosso jantar começou com um belisco saboroso: esfihas. As de carne, irrepreensíveis. E uma agradável surpresa: esfihas de coalhada. Seguida de outra, Labne, Sopa de coalhada – delicada, leve, vem com um quibe dentro e chama pelo bom paladar. Depois de algumas idas ao convidativo buffet, duas sobremesas que não estão entre as mais comuns nos restaurantes árabes. A primeira foi um Ataif, espécie de panqueca em formato de pastel recheada com nata. Depois, Malabie, delicado manjar branco feito com água de rosas e coberto por doce de mamão (pode ser também com damasco), que mais parecia abóbora. Muito boas, sem serem necessariamente doces demais, como se conhece basicamente a doçaria árabe.
Embora não haja uma carta de vinhos, apenas uns quatro ou cinco rótulos, as opções de acompanhamento são interessantes e bem escolhidas.
Vale a pena experimentar, pois, além dos sabores caseiros de todos os pratos, Calil e Ariane (sua esposa) recebem a todos como se realmente estivessem em sua casa. E na verdade estão, pois eles moram ali, naquele mesmo imóvel.
Anacreon de Téos
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Anacreon de Téos
Restaurante Tahine
Rua Joaquim da Silva Sampaio, 172 - Mercês
Fones: (41) 3019-7852 e 3016-7630
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Entre em contato:
Blog anterior: http://anacreonteos.blogspot.com/
Twitter: http://twitter.com/AnacreonDeTeos
E-mail: a-teos@uol.com.br
A Ariane tem razão aqui... realmente olhando melhor, a foto é de um kibbeh bi laban (não tem o "chapeuzinho" na sopa, mas um kibe). De qualquer forma, não é o labneh, que seria mais uma coalhada seca.
ariane | 20/06/2012 | 15:06Rafael. A Chichbarak é a coalhada temperada, com massa (formato de chapéu) recheada de carne, com tempero de hortelã,sal e pimenta síria (não é quibe). O prato que está aí, é o Quibe labanie , é o quibe cozido na coalhada temperada. Você pode entrar em qualquer site de culinária árabe,e ver as receitas. Ariane
Maria | 20/06/2012 | 15:01Independente do nome, tudo é uma delícia, sempre almoço lá, só de pensar me dá água na boca... lugar muito receptivo, atendimento 10!
Rafael Coninck Teigão | 20/06/2012 | 09:53A sopa nãoo é labneh, mas shishbarak bi laban. Shishbarak é o kibe dentro da massinha. Laban é a sopa de coalhada/yougurt. Labneh é uma forma de coalhada, em que o soro (whey) é removido por filtragem. Minha avó costumava fazer todo esse processo em casa.
Bandeira | 19/06/2012 | 20:56A kafta é de carneiro ou de boi?RESPOSTA: DE BOI.
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