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Enviado por Marcos Xavier Vicente, 16/01/2012 às 19:13

Crônica publicada no último dia 12, na Revista Viver Bem Verão da Gazeta do Povo.

É bem provável que nesse exato momento você esteja lendo esse texto na telinha do seu celular. E também é bem provável que você esteja fazendo isso da praia. Não necessariamente da areia da praia. Talvez da casa de veraneio. Ou do restaurante do balneário de sua preferência. Afinal, é janeiro. Mês de praia. E você no celular. Uma pena.

Se há uma coisa maldita nisso de se ter internet onde quer que se vá é não se permitir desligar. Nem por um tempinho. Tudo o que acontece está à mão para ser visto. Inclusive quando não acontece nada.

Da queda de mais um ditador à última fofoca do mundo dos artistas – que muitas vezes nem são tão artistas assim – nada se perde. Muito menos se transforma. Mesmo que nas férias haja coisas muito mais bacanas para se apreciar. Como o mar, que, para compensar um pouco desse desdém, volta e meia é fotografado para ilustrar um comentário clichê e insosso em alguma rede social.

Talvez já tenhamos chegado ao estágio em que o mar seja mais apreciado em fotos do Facebook do que pessoalmente. E nem nos demos conta disso. Ou demos conta demais – na internet, é claro.

Nelson Rodrigues, maldoso, dizia que a pior solidão é a companhia de um paulista. Talvez mudasse de conceito hoje, ao se sentar à mesa com um desses cyberviciados que nos rodeiam, armados com seus celulares de mil e uma parafernálias em uma das mãos, e a desconsideração na outra. Essa é a solidão do momento: ser desprezado em detrimento de alguém ou algo que nem presente está.

Não sei onde li esses dias que os comentários nas redes sociais são a arte de falar sozinho com o maior número de pessoas. Uma definição lamentável, porém boa. Nas férias, período de estar com a família e os amigos, o ideal seria que todo mundo conversasse coletivamente com cada pessoa ao seu lado. Olho no olho. Sem nenhum aparelho a intermediar o bate-papo.

Sorte que o mar é perspicaz e promete vingança nessa temporada. Para cada foto chocha e sem graça das ondas com comentários vazios nas mídias sociais, o oceano despejará uma dose abissal de maresia na terra, capaz de enferrujar a mais minúscula peça do mais minúsculo celular que existir. Netuno, que não manda recados pelo celular, garante que cavoucará pessoalmente o fundo do mar em busca das mais salgadas pedras a serem atiradas com mira precisa por seu enorme tridente.

Protejam seus celulares. Ou simplesmente curtam as férias sem paranóias digitais. Vocês escolhem, Netuno acata.

Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
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