Sábado, 04/02/2012
Estou de férias. No andar de cima, a reforma da vizinha já dura 20 dias. Ao lado, uma britadeira incessante destrói lentamente minha paciência há quase uma semana. Em todos os cantos os cachorro latem como se fossem buzinas repetidas infinitamente. Na garagem, dispara o alarme do carro de um morador do edifício. Em frente de casa, um congestionamento monstro rege a sinfonia de motores ligados e buzinadas impacientes. A vendedora de dvds pirata não perde o fôlego ao anunciar "os mais novos lançamentos do cinema". Os caminhões retirando terra da construção na quadra de baixo passam acelerando alto, junto ônibus, motos e aquelas estúpidas caminhonetes tocando dance music/sertanejo em volume igualmente estúpido. Ah, agora uma furadeira ronca as paredes de casa. Talvez ela esteja tentando encobrir a música que vem do vizinho de cima do vizinho de cima. Ouço, longe, o carro sonho parado. (Se ele está sempre parado, porque vive dizendo que está "passando"?) Em meio a tudo isso, ainda consigo distinguir o barulho da chuva batendo no vidro da minha janela. E sinto uma felicidade indescritível.
P.S. - Curitiba está cada vez mais suja, violenta, corrupta e barulhenta.
Cachorro

Ilustrações publicadas na Gazeta do Povo ao longo do mês.
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e mais uma do Cachorro


Todo mês de janeiro eu lembro do primeiro cartunista de carne e osso que conheci na vida: o Ireno. Já escrevi sobre ele aqui antes. Foi em janeiro de 1998 que ele nos deixou. Nunca vou esquecer o dia em que um amigo meu chegou em casa e me deu a notícia. Eu fiquei atônito! Senti muito por isso. No encontramos apenas uma 4 ou 5 vezes, mas eu era seu fã e recortava seus desenhos do jornal.
Boleslau, personagem do Ireno que tentei redesenhar de memória...

Ontem a noite estava pensando no Ireno novamente. Se ele estivesse um pouco mais de tempo por aqui, tenho certeza que a internet iria colocá-lo em seu devido lugar como um dos grandes cartunistas do Brasil. Ele tinha cartuns tão legais, tão sutilmente engraçados. Um traço tão primoroso, elegante, econômico. Coisa que nunca consegui atingir com meus desenhos toscos.
O que me deixa frustrado é saber que o Ireno nunca pode lançar um livro com seus trabalhos. Acho que a cidade de Ponta Grossa deve isso a ele, à memória de um grande artista da cidade.
Vasculhando a internet em busca de referências sobre o Ireno - só achei um texto meu e uma comunidade do Orkut, que foi de onde roubei educadamente a foto dele- encontrei enfim o começo do reconhecimento: A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo publicou edital do Concurso Nacional de Histórias em Quadrinhos Ireno José Guimarães.
Sensacional. O Ireno ficaria feliz em saber que vai continuar influenciando novos desenhistas. Você pode obter mais informações aqui!
Mas ainda acho que cidade devia construir uma estátua de bronze do Boleslau, nos mesmos moldes que fizeram com os personagens do Schulz, em Santa Rosa, nos EUA. Clica aqui para ver.
Algumas ilustrações que tenho feito para a Gazeta do Povo...
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Minha versão para a personagem Vó, do Jean.

Prefácios
Heil, heil. Sabe, achei em minhas gavetas algo que me deixou orgulhoso: um lindo e sorridente prefácio. Todos um dia deveriam ter um prefácio. Não, prefácio não é aquela gola de pele que recobre a glande. Aquilo se chama prepúpcio. Prefácio é aquele texto de abertura dos livros que, muitas vezes, são tão bons quanto os próprios livros. Como o que Borges escreveu para A Máquina do Tempo, de H. G. Wells. Aliás, se não me engano Borges pensou em algo como um livro só de prefácios. Bem, eu já escrevi um prefácio. Não é tão bom quanto o livro, mas foi gratificante escrevê-lo. Foi para o livro de tiras da Vó, do Jean Galvão, publicado pela editora Barba Negra. Quer ler?
Como eu conheci a Vó? Eu me lembro bem, foi há muitos e muitos anos...
Em 2006 editei uma revista chamada Zongo Comix que disparou vertiginosamente como um raio pela avenida do fracasso rumo ao esquecimento absoluto, levando miseravelmente consigo 56 páginas de humor tremulante e empolgação quase juvenil. Foram tempos árduos aqueles. O mercado editorial no Brasil atravessava mais uma de suas crises de síndrome do pânico contra publicações que resolvessem ousar um pouquinho mais do que formiguinhas evangélicas e mangás pré-adolescentes. A vida da Zongo durou pouco menos que a de uma Drosophila melanogaster mas alguns personagens ali viveriam para sempre no coração dos leitores. Um deles era a Vó, do Jean, rapidamente alçado a condição de “a coisa que eu mais gostei nessa revista que tem um erro de português na capa”. O segredo? a identificação.
A Vó do Jean, é desses personagens que acertam em cheio aquele comando que aciona a empatia dos leitores para com a criação do autor. Todo mundo tem –ou teve- uma Vó e a maioria das vós são como a Vó do Jean: queridas, religiosas, solitárias, apegadas ao passado, hipocondríacas, frágeis, carentes, sofredoras, amorosas, carinhosas, cozinheiras de mão cheia...enfim, seres adoráveis que dá vontade de abraçar infinitamente – mesmo que elas impliquem com seu cabelo, suas roupas, suas más companhias e insistam para que você empurre goela abaixo o dobro de comida que seu estômago pode suportar.
Com seu humor e desenho privilegiados, Jean criou uma personagem de carne, osso e comprimidos de Valium inconfundível. Ela é a minha vó e provavelmente a sua também. E eu não vejo a hora de ficar velho para poder implicar com tudo e com todos igualzinho a Vó do Jean. Ora, ser velho é uma licença poética da vida, não é?
Benett, Curitiba 22 de julho de 2010
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Algumas tiras publicadas na Gazeta do Povo ao longo deste mês.
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Há uma semana publiquei nas páginas da Gazeta do Povo o resultado de minhas visitas à Assembleia Legislativa do Paraná: uma reportagem em quadrinhos de uma página inteira sobre aquelas respeitáveis pessoas de terno amarfanhado e gravatas tortas que conhcecemos como deputados estaduais. E olha, achei que o espaço foi pouco para o que vi lá. Uns 3 ou 4 deputados me pareceram realmente esforçados, mas os outros apenas reforçam aquela velha imagem estereotipada que temos deles e que nem preciso repetir aqui qual é. Abaixo, para quem não viu, a hq Espiando a Assembleia Legislativa.

Estou pensando em fazer a próxima na Câmara do Vereadores... para breve.

Vi na TV a quantidade de lixo espalhada pelo Parque Barigüi no final de semana. Acho que existem diferentes maneiras de enxergar aquele cenário desolador. Um político esperto e populista poderia dizer risonho "o brasileiro está consumindo mais". Um morador da região poderia esbravejar desesperançado "essa 'gente diferenciada' não combina com a paisagem européia do local". O catador de latinhas abraçaria suas duas dúzias de cachorros e comemoraria "estamos ricos!".
Se fosse para desenhar uma charge sobre o assunto, entre embalagens de garrafas de cerveja, comidas com gorduras saturadas e sob os olhares soturnos dos urubus, eu espalharia pelo gramado uma dúzia de presidentes de câmaras de vereadores, meia dúzia de presidentes da Assembléia Legislativa, uma centena de prefeitos e governadores, deputados, vereadores, senadores, milhares de secretários de educação, cultura, e homens públicos incompetentes em geral.
No mesmo dia da matéria sobre o lixo no Barigüi, pesquisas mostravam que o Paraná tem apenas uma escola entre as 90 melhores do país. E é o pior dos três estados da região Sul no Enem.
Irônico o governo do Estado vir jogando gerações e gerações de pessoas no lixo da educação pública e no esgoto à céu aberto da corrupção e dos escândalos políticos, e todos cobrarem que a população se comporte elegantemente em locais públicos como se fossem noruegueses. Só se for como o Anders Breivik.
Benett
A ilustração deste texto foi tirada da Porko Parade
A última HQ do Cachorro. É isso mesmo, acabou, fim.

Os personagens de quadrinhos ajudaram a moldar a criatura que sou hoje tanto ou quanto as pessoas da minha família e, obviamente, muito mais do que meus professores nos tempos de colégio. Estamos falando de visão de mundo, princípios, caráter, pensamento, essas coisas ajudam a dar algum sentido a nossa existência. Vocês não imaginam o quanto eu devo a pessoas que criaram esses personagens, como Henfil, Bill Watterson, Dik Browne, Johnny Hart, Charlie Schulz, Laerte, Adão, Mauricio de Sousa, Angeli, Jaguar, Ziraldo, Matt Groening entre dezenas de outros cartunistas. Abaixo, redesenhei alguns desses personagens com meu traço simples e vacilante, sem perder muito as características originais, como uma forma de homenagem a meus verdadeiros heróis da vida toda.
Mafalda, de Quino

Calvin, de Bill Watterson

B.C., de Johnny Hart

Hagar, de Dik Browne

Niquel Náusea, de Fernando Gonsales

Calvin, de novo

Fradim, de Henfil

Frank & Ernest

Horácio, de Mauricio de Sousa

Haroldo, de Bill Watterson

Mickey Mouse, de Walt Disney

Woody Allen, de Stuart Hample

Patty & Selma, de Matt Groening

Little Dot, Harvey Comics

Dilbert, de Scott Adams

Calvin, novamente.

Faltaram alguns personagens menos mainstream, como os do Crumb, do Daniel Clowes, Peter Bagge, etc. E também os heróis. Que pretendo postar na próxima semana.
Como um bom vilão dos quadrinhos, Amok está de volta. Como um antigo espírito do mal em forma decadente, ele nunca morre. O cruzamento do Caveira Vermelha com a Suzane Von Richtofen está entre nós, e agora em uma seleção com suas melhores/piores tiras. Atenção: não é para fãs de Smilingüido.

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Aliás, você sabe o que significa Amok? Clica aqui e descubra.
Quase caí de costas quando li que o nosso estimado senador José Sarney iria se aposentar. Mesmo sabendo que essa aposentadoria virá somente depois de 2014 - que pode ser 2015 ou 2090 - a notícia joga uma pequena luz de esperança como para aqueles que nunca imaginavam que um dia Hosni Mubarak ou Muamar Khadafi largariam o osso. Quando comcei a ler charges, as primeiras foram sobre o então presidente Sarney.
Nunca imaginei que, depois de adulto e trabalhando justamente com charges, eu ainda estaria desenhando sátiras sobre o sujeito de bigode prosaico que o Paixão ridicularizava nas páginas da Gazeta do Povo.
Abaixo, algumas charges que fiz sobre Ribamar, o eterno, para a Folha e a Gazeta

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Pelo que me contam, as mulheres "adoram" o Cachorro. Amam a consideração que ele tem por elas e sua devoção, dedicação e, claro, sua fidelidade infalível. Então...segue uma leva com o "melhor" do pior dos personagens (Benett)
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Twitter? Pois é, tenho: AQUI
Sexta-feira aconteceu uma cena inusitada no engarrafamento que fica em frente de casa: dois carros desses que tocam "música" bate-estaca em decibéis violentos ficaram lado a lado e se anularam em termos de barulho. Eles pareciam as Casas Bahia e a Ponto Frio: um do lado do outro, tocando música ruim e oferecendo emoções baratas.
No entanto os dois motoristas pareciam ser as únicas pessoas empolgadas no congestionamento. Pareciam eufóricos com a possibilidade de alguém, dentro do ônibus à frente olhar para eles e pensar: "Uau, esses caras sim é que sabem impressionar as pessoas".
O curioso é que esses caras NUNCA estão com mulher, já perceberam? Mas se eu fosse uma mulher que leitura eu faria de um sujeito desses? "Puxa um carro tocando música alta, isso é o mais interessante que você tem para oferecer?
Por outro lado a música alta pode ser uma boa: eu não vou ouvir as asneiras que você fala. O que vamos fazer, ficar rodando a cidade para todo mundo ouvir nossa música? Nós somos o que, um circo? O carro da Pamonha? Você não consegue pensar em um lugar para jantar que não seja um posto de gasolina? Você adora passar em frente desse colégio, mas nunca pensou em entrar lá e estudar um pouco? Cara, que vida triste!!!".
Depois fiquei pensando no que esses dois figuras do engarrafamento pensaram quando um olhou pro outro:
Bate-Estaca 1: - Maneiro esse CD Planeta DJ da Jovem Pan que você tá tocando. Esse óculos também é legal e o boné virado para trás tá maneiro. Mas só tem lugar para um playboy nesse congestionamento, meu chapa.
Bate-Estaca 2: - Minha vontade é convidar você para tomar um energético no estacionamento de alguma farmácia, mas eu nunca farei isso por um motivo muito simples: gastei todo meu dinheiro em gasolina e agora estou sem nada.
Ando cansado de morar em ruas barulhentas. Já morei na Mariano Torres, na Comendador Araújo e na Visconde Guarapuada. Uma mais barulhenta que a outra. Pensei em me mudar para uma cidade pequena, com 10 ou 20 mil habitantes. Há duas semanas estive em uma com esse perfil, em Santa Catarina. Adivinha qual a principal diversão dos caras cidade? Isso mesmo: rodar de carro sozinho pelas ruas do centro ouvindo bate-estaca no último volume. Que mundo mais sem imaginação!
Tenho Twitter AQUI e outro blog AQUI.
TIRAS!!!!!

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ATUALIZADOhá 6h
Música do dia - "Smoke gets in your eyes"
ATUALIZADOhá 18h
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