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Salmonelas

Quem faz o blog
25/06/2012 às 08:18

Domingo foi um dia de sol e friozinho convidativo para uma caminhada pela manhã até a banca de jornais, depois almoço em algum lugar com árvores e gramado ao redor e um passeio à tarde em qualquer lugar onde tivessem pessoas bonitas com sorrisos no rosto, certo?

Sim, mas por algum motivo entre os últimos minutos de sono e os primeiros até a pia do banheiro para lavar o rosto, um mau humor monstruoso tomou conta do meu ser, como o demônio possuindo o corpo de Regan, em O Exorcista. Só que pior.

Foi difícil domar a criatura. Domingos de sol e friozinho convidativos não significam absolutamente nada para o Drácula. Para mim o tempo se fechou e tudo eram árvores secas, relâmpagos e noite sem lua. Eu era uma criatura das trevas amaldiçoando até o reflexo no espelho que espertamente desapareceu para não ter que aturar a encheção de saco.

Até que comecei a ler os jornais na esperança de o dia passar mais rápido. Fui amaciado por algumas tiras em quadrinhos, depois uma charge e por fim... uma gargalhada inesperada emergiu com vigor das profundezas da minha faringe surpreendeu todo mundo, mais ou menos como se eu tivesse acordado de um coma induzido.


 /

Um cartum de Christopher Weyant perdido no canto inferior da página foi responsável por extirpar o edema que se apossou do meu bom humor. Ele existe, eu sabia disso. Mas meus olhos estavam cegos e meu corpo esmaecido, como aquele rei persuadido por Saruman em Senhor do Anéis.

Não sei o que tem de especial nesse cartum. É só um cachorro numa palestra -provavelmente para outros cães - dizendo "em off: miau". Em um episódio de Seinfeld, quando Elaine Benes resolve se tornar cartunista porque não acha a mínima graça nos cartuns da revista The New Yorker, o editor da publicação diz que "cartuns são como teias de aranha, não podem ser dissecados". E tentar explicar um cartum é tão de mau gosto quanto colocar os joelhos em cima da mesa durante as refeições.

O fato é que esse desenho desligou uma chavinha que estava marcando "ódio" e mudou para "diversão". Foi como mágica, parece que uma sombra pesada escorreu para uma fenda no solo e eu me tornei uma pessoa quase tão feliz quanto a de uma propaganda de absorventes. Os raios de sol voltaram a iluminar o domingo e eu ouvi uma musiquinha ao longe "o bem vence o mal, espanta o temporal".

No Curitiba Social Media um cara citou Millôr Fernandes que dizia "Só existem dois tipos de humor, o que é engraçado e o que não é engraçado". Eu discordo. Acho que existe humor. Ponto. Quem acha ou não graça nele é o leitor. Eu achei esse cartum genial, sensacional e recortei para guardar afetivamente nas páginas de algum livro. Outros provavelmente não acharão a mínima nesse desenho porque se divertem mais com o Bolinha dando uma ripada nas costas do Bola com um pedaço de madeira com um prego atravessado na ponta. O humor causa reações diferentes em cada pessoa e elas procuram aquele que se ajusta melhor a sua expectativa.

As vezes acho que o humor, em especial o cartum, é como maconha. Ele tem efeitos diferentes para cada organismo. Alguns morrem de rir, outros olham, olham, olham... e esquecem porque tavam olhando mesmo.

Os cartuns estão minguando das publicações impressas, seu habitat natural, e encontrar um assim no jornal, para mim, é como um biólogo quando acha por acaso filhotes de urso polar brincando despreocupadamente longe da mãe. Eu pergunto o que você está fazendo aí e então torço para que ele sobreviva, se reproduza e volte a povoar o planeta.

Acredito que, ao contrário das teorias mais pessimistas, o cartum não vai desaparecer de todo. Não enquanto caras como Christopher Weyant estiverem por aí. Thanx, Weyant. Você salvou meu dia e de ao menos mais duas pessoas que não foram massacradas por Cthulhu em pessoa.

(Benett)

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ancora
Comentários
Jean | 28/06/2012 | 13:35

Como seu texto sobre um cartum salvou o meu dia!

ancora

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