Terça-feira, 09/02/2010
Divulgação/Biscoito Fino
“PIXINGUINHA E SEU TEMPO” CONTÉM GRAVAÇÕES FEITAS COM COMO PIXINGUINHA E SEU CONJUNTO E O LENDÁRIO GRUPO OS OITO BATUTAS: GENIALIDADE COMO COMPOSITOR, INTÉRPRETE E ARRANJADORSabe os bolachões? É, aqueles de 78 rotações feitos de goma-laca? A sensação de estar ouvindo um desses antigos e pesados discos percorre “Pixinguinha e seu tempo”, CD lançado pela Biscoito Fino com 14 faixas registradas entre 1919 e 1941. Compilação do projeto “Princípios do choro”, lançado em 2002.
O acervo completo – o livro “A Casa Edison e seu tempo” e cinco CDs digitalizados e remasterizados com aval da Petrobras, pertence ao Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro.
Tá, a tecnologia foi até o possível, mas o som “abafado” ainda é o grande atributo de “Pixinguinha e seu tempo”. A genialidade de Alfredo da Rocha Vianna (1897 – 1973) vai desde o intérprete até o arranjador dos “choros orquestrais” como gostava de ser designado.
Pixinguinha sobrepõe-se a todos os rótulos. Foi ele, sobretudo, um experimentador ao mesclar elementos da cultura européia e africana à música brasileira.Um criador, um estilista, isso sim!
É só deixar os ouvidos – sensibilidade também conta, viu? -passearem pela inventividade melódica, encadeamento harmônico, contrastes, modulações e improvisações. Ah, os improvisos! O Brasil precisa se atentar mais à música instrumental!
“Pixinguinha e seu tempo” mostra também o flautista – foi aclamado como o maior da MPB – atuando para a “sofreguidão” dos acompanhantes, no caso músicos da Orquestra Pixinguinha e o do mítico conjunto “Os Oito Batutas”.
Interessante ouvir o violonista – com marcação perseverante - dando o que tinha para acompanhar as sinuosidades e improvisos de Pixinguiinha nos choros “A vida é um buraco” e “O urubu e o gavião”, por exemplo. No encarte não há menção dos instrumentistas, uma pena.
Reprodução
ÁLBUM COMPILA FAIXAS REGISTRADAS ENTRE 1919 E 1941, EXTRAÍDAS DO PROJETO “PRINCÍPIO DO CHORO”: SENSAÇÃO DE ESTAR OUVINDO OS ANTIGOS E PESADOS BOLACHÕESUm dos destaques, aliás, fica por conta de “Mi dêxa serpetina”, de 1923, com os Oito Batutas, com o qual Pixinguinha viajou por todo o Brasil e França. Há também os clássicos: a polca “Lamentos” (1941) que receberia letra de Vinicius de Moraes em 1962; o choro “Carinhoso” (a gravação é de 1941, mas a melodia teria sido composta entre 1916 e 1917, gravada instrumentalmente pelo Pixinguinha e seu conjunto e eternizada,em 1937, por Orlando Silva, com letra de Braguinha).
Há a valsa “Rosa” (1919) num arranjo envolvente. Anos depois, a canção ganharia letra de Otávio de Souza – mecânico e um dos mistérios da música brasileira por não se ter referências de outras letras por ele composta – e gravada em 1937 por Orlando Silva e, em 1991, relida por Marisa Monte quando ainda se preocupava com resgate e não só pops radiofônicos. Pois é...
As três últimas faixas do álbum – “Mexe com tudo” (1940, Levino Ferreira), “Urubatan” (1919, co-parceria com Benedito Lacerda) e “Sururu na cidade” (1934, Zequinha de Abreu) apresentam o mestre à frente da Orquestra Victor Brasileira e Típica Victor. Naipes de metal acentuados e percussão bem explorada, dinâmica evolutiva, tudo ao mesmo tempo. Genial!
“Pixinguinha e seu tempo” é tão histórico quanto agradável de se ouvir. Vem de Pizindin, mas podem chamá-lo de mestre, gênio ou São Pixinguinha, como tão bem “canonizaram” os Hime em “Cada canção”.
Ah, sim, Pizindin era o apelido de Pixinguinha.
Mais informações sobre Pixinguinha podem ser obtidas no site www.pixinguinha.com.br
É isso aí Maria Amélia. Eu diria mais, que a educação musical nas escolas fosse enfatizada principalmente na rede pública de ensino. Faço questão de ter em minha discoteca \"Pixinguinha E Seu Tempo\" e espero que venham muito mais iniciativas similares.
Maria Amélia | 17/10/2008 | 19:41O Brasil idolatra cultua por demaiso que vem exterior. Se o Brasil realmente almeja ser um país sério que haja investimento na educação, inclusive na educação musical nas escolas onde pudessem ser ensinadas obras de pilares do nosso cancioneiro como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Ary Barroso, Tom Jobim, Villa Lobos dentre muitos outros. Desta maneira acredito que as futuras gerações poderão nos redimir da condição de país sem memória.
Marcelo Azevedo | 16/10/2008 | 16:01Apesar de estar muito aquém do necessário, o Brasil ainda preserva algumas de suas relíquias. Este disco resgata um pouco da memória brasileira através de um de seus ícones, senão o maior, Pixinguinha.
Doralice Araújo | 16/10/2008 | 00:19Desde menina , Antônio Mariano, aprendi a gostar de Pixinguinha, pois minha mãe, pianista, tirava das teclas a sonoridade das notas da comovente composição" Carinhoso". A sua postagem, meu caro vizinho de blog, é cativante. Obrigada pela visita ao Na Mira e, principalmente, pelo trato distinto e afetuoso das suas palavras a mim dirigidas.
Zé Luiz | 15/10/2008 | 20:40Pizindin, Pixinguinha, São Pixinguinha.Boa Antonio, concordo com você que o Brasil deve se atentar a música instrumental e seus mitos como Alfredo da Rocha Vianna, nosso Pixinguinha.
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