Terça-feira, 09/02/2010
HEDESON ALVES/Gazeta do Povo
Cavalo Babão também é rock and rollNa época os comerciantes não se importavam se era prudente autorizar que três adolescentes, na média, dessem uma beiçada em cinco litros de vinho. Não havia copos. Controlar a dose certa do gole num garrafão era necessário treino, que estava sendo religiosamente cumprido há pelo menos um ano. Do contrário, entrava até pelas narinas.
Éramos 1,3 milhão, só que sem crack. O máximo de violência era voltar para casa sem os sapatos. A meia jogava-se fora para não passar ridículo. As gangues normalmente tinham o nome da praça usada para confabular o melhor ataque aos inimigos, os meninos das outras praças. Em algumas regiões, como o Água Verde, até padaria podia dar origem ao nome de um “temido grupo”. Assistiu “The Warriors - Os Selvagens da Noite”? Era mais ou menos assim, só que sem revólveres, facas, bastões de beisebol e metrô.
As ruas escolhidas para chegar até o Largo da Ordem eram as que tivessem relação com o meretrício. Não para consumir. Mas a paisagem era mais bonita e sempre rendia uma boa história no dia seguinte. Talvez ainda não fosse politicamente incorreto esvaziar a bexiga numa árvore. E sempre dava vontade na altura da Muricy. O problema era achar árvores ali. Então...
Na chegada os dentes já estavam roxos. Encontrava os outros, com camisetas do Pantera, Sepultura e... Slayer!!! As meninas se fantasiavam de Mortícia. Roupa comprada no Shopping Omar. Era óbvio que ninguém que estava ali iria para o El Mago, coisa de playboy. Só existia um lugar que poderia abrigar tanta gente diferentemente igual: Hangar.
Primeiro problema: não podia entrar com bebida. Garrafão vazio no lixo então. A vantagem é que já se entrava com a mira calibrada. Digamos que o local não era reconhecido pelas lindas mulheres que lá aportavam. Só que era preciso se manter em pé. Caso caísse uma saraivada de botinadas lhe acertava até o âmago. Pura diversão.
Uma coisa não tinha explicação: você simplesmente não podia se encostar nas paredes. E não era tinta fresca. A teoria mais aceita é que a combinação engolir vinho rapidamente, mulher feia mais pontapés no estômago causavam um vômito imediato e forte que o golfo acertava as paredes antes de encontrar o solo. Uma noite perfeita naqueles tempos.
Hoje é difícil você encontrar um curitibano legal que não tenha passado bons fins de semana no Hangar no começo dos anos 90. Que não tenha escutado Gipsy Dream e dezenas de outras bandas cover de “rock pauleira”.
Pois bem. O bar chegou à maioridade. Completou 18 anos e ficou registrado na memória de muitos. A dúvida que fica é se hoje ainda há espaço para esse tipo de experiência inocente inconsequentemente divertida. Que não começa e termina dentro da balada. Não se vê mais pessoas passeando a pé na madrugada. Os motivos são óbvios. Temos violência, Lei Seca, mulheres mais bonitas (as feinhas têm muito mais recursos hoje, vai) e internet. Ou seria apenas o que chamamos de nostalgia?
uma das melhores coisas da vida...sair de casa,beber vinho vagabundo e depois ir curtir um rock and roll no hangar...depois vai procurar uma puta na Cruz Machado...huahauaua..sem contar aquele dogãod e R$1,50 da praça tb...ainda dá pra se divertir no largo,mas a invasão de manos e o autoritarismo de alguns integrantes da PM e Guarda Municipal,não todos, que vão dando geral pelo simples fato de ter um monte de gente reunida e achando que vão encontrar droga,isso desanima tb
rafahe11 | 25/03/2009 | 16:00Como já falaram, o Bill's também foi um marco na formação de uma geração inteira de metaleiros. Lembro bem uma vez que o banheiro entupiu e aquela água marrom, misturada com macarrão e milho, vazou e fez uma pisicina... True!
juliano | 25/03/2009 | 14:03HUAhuahua tem uns caras que não entendem a essencia do texto e xingam o autor, por nao ter nada melhor a dizer! Ewandro, muito bom seu texto. A descrição foi ótima! Centrão de Curitiba era mto show!
Rodrigo | 24/03/2009 | 15:45Muito legal o texto! Era bem assim que funcionava. Sextas e sábados no Hangar (e Argamassa do Rock, hahahah), emendando com uma sinuca no Ponto Zero. Já o domingão era no Barigui, com mais cerveja, heheheh!!! Na época, eu nem tinha carro. Era tudo a pé mesmo, sem perigo nenhum. Ótimos tempos esses!
Mari | 23/03/2009 | 21:05Cara.....fiquei lembrando dos bons tempos. O que vc escreveu era bem assim mesmo. Hoje em dia as coisas não são bem assim, a galera acha que sair pra beber e curtir um rock n\'roll tem que brigar, mexer com os outros, etc. O largo não é mais o mesmo. Ô tempinho bom, fala sério. Boa lembranças.....
Zil | 23/03/2009 | 18:18Eu frequentei o largo nos tempos em que vc não era assaltado ou sofria coisas piores; Crack é questão de saúde pública e sim essa droga tirou a qualidade de vida dos brasileiros, tenho 36 anos e fui adolescente; o largo de hj em nada conserva os traços de 2 décadas atrás, independente da tribo a que pertençam, creio que o autor só fez referência à uma certa ingenuidade juvenil que tomava conta dos jovens, e eles naõ tinham com o que se preocupar, não havia o perigo e nem tanta arrogância.
Marcos | 18/03/2009 | 17:04Pela agressividade de alguns comentaristas, os caras nã entenderam nada do que leram.
Alan | 18/03/2009 | 13:02Não mudou nada na região do largo, palavra de quem já madrugou muito por lá.
Cordeiro | 17/03/2009 | 22:48Era um outro discurso aquela epoca. Parabens pelo texto. A questao é que o largo ja teve os seus anos gloriosos. E hj sabem como é as mina pà e os manos po'. Nada mais para por os pés.
Tiago | 17/03/2009 | 18:54Porra velho, mandou bem!!! Saudades daquele tempo... E pors jacús de plantão, é lógico que hj em dia ainda tem gente bebendo por lá... Mas a diferença é que naquela época tu podia andar pelo centro inteiro à pé e de madrugada, sem ter que ficar cuidando pra ver se alguém vinha assaltar... Tu podia circular pelo largo sem a cada 50 metros alguém vir oferecendo maconha... Tu podia largar o carro na rua e , quando voltasse, ele ainda estaria lá... Essa é a essência, tigrada do contra...
Fran | 17/03/2009 | 17:02Legal mesmo era o bar do tio Bills, era o melhor, e o vinho era Campo Largo, Pantera cover, camisa xadrez, calça rasgada, camiseta de banda...saudades!! Todas as mulheres que frequentam e já frequentaram o Largo são lindas...
John | 17/03/2009 | 15:38Pessoas feias continuam bebendo e frequentando o Largo da Ordem, a fim de ouvir "rock pauleira". Um dos textos "menos ruins" que você escreveu até agora. Continue assim que já já chegará à mediocridade =))
Rafa | 17/03/2009 | 10:12Gente se embebedando com vinho barato sempre vai existir. Não sei porque tanta revolta, me lembro muito bem desses tempos. Lembro de amigos com camisetas do Pantera, ACDC, dos shows na Pedreira. Não sabia que tinha limite de tempo para ser nostálgico. Como alguns que acharam um absurdo sentir saudades dos anos 90. Se não existe mais dá para ser nostálgico. Enfim, faltou falar também do El Potato...
Revoltados !!! | 17/03/2009 | 01:35Nossa, mas como tem gente revoltada nesse lugar !!!!
Ewandro | 16/03/2009 | 14:44Joe, valeu pelo toque. Já está arrumado.
Fábio | 16/03/2009 | 14:42a maioria das pessoas que escreve aqui não sabe o que o texto quis dizer. Isso ai, da-lhe woods pra vocês
Joe | 16/03/2009 | 11:44Cara....falar que lê o blog "Buzz" e ainda dar risada daquilo é pra quem tem problema mental. Só lixo.
Joe | 16/03/2009 | 11:42O nome do filme é "The Warriors" e eu curtia o Pantera cover que tocava lá, mandavam bem.
maluco | 16/03/2009 | 10:30carai...ce num contenta ninguem, mano !
um vizinho de Santa Quitéria | 16/03/2009 | 10:22Hangar que era coisa de playboy...
gustavão | 16/03/2009 | 09:55PS.: Podem ter certeza que daqui a 18 anos não vai ter ninguém fazendo nostalgia com a breguice caipira do woods (por exemplo). O pessoal que frequenta lá não deve ser dado a esses negócios de juntar letrinhas
gustavão | 16/03/2009 | 09:54Não tem jeito. É a essência do "nheco-power": Curitibano não pode ver alguém se destacando que desce a lenha. O Ewandro fez um resgate nostálgico. Pode ser que a coisa ainda aconteça, na base da vinhada ou tubão. A descrição foi uma ambientação do que acontecia antes do Hangar. Retrato de uma época. Mesmo porque ninguém tá aqui pra ser unânime. Valeu pela lembrança, véio! Traz mais umas dessas.
preta | 16/03/2009 | 09:52Gostei do texto. Só acho muito cedo pra tanta nostalgia kkkkkkkk
lucas | 16/03/2009 | 08:14Cara, até o blog do "AllDream"(Buzz), é melhor q o seu!! Pelo menos lá eu dou risada...aqui eu tenho vontade de desligar a merda do computador...
Maria Regina | 16/03/2009 | 01:03Tenho que parabenizá-lo. Não pelo texto, mas pela sua capacidade de conseguir esse espaço na RPC para falar besteira. Quanta baboseira...! Do jeito que você fala parece que isso aconteceu há 50 anos. Se você não sabe, isso aí que você descreveu acontece hoje. Espere mais algumas décadas para você tentar fazer História.
Daniel | 16/03/2009 | 00:05Não sou rockeiro, sou curitiboca sim, mas ao ler suas frases, cheguei a enorme conclusão de que tu és um grande tapado. Caso você não saiba, a piazada continua tomando vinho barato na rua com os amigos (eu fiz muito isso) e até hoje eu e meus amigos(hoje tenho 20 anos), damos um pulo ali no "dorama" e ficamos tomando cachaça barata até umas horas da noite. A "pira" ainda é a mesma da tua época (tipo, no texto você fala como se já fosse avô), o que muda é só o estilo da piazadinha.
Giovana | 15/03/2009 | 23:57Perfeita descrição! Adorei o texto! Quase pude sentir o cheiro (argh!)! rsrsrs
Inconformado | 15/03/2009 | 23:56Caro Ewandro, vez em quando é bom saber que tem alguém contemporâneo aí nessa bosta de RPC. Bons tempos aqueles. Vc descreveu muito bem o que era aquela época. Pouca gente sabe como era bom, mesmo pq, os meios de comunicação faziam pouco caso do que era diversão. Realmente, hoje, com a net, muita merda aparece à toa (vide o blog do Salsinha) e sim, hoje é muito mais difícil sair e esse pessoal da geração net, não sabe o grau de liberdade que tínhamos naquela época.
Renato | 15/03/2009 | 21:55Acho que vocês estão muito é elitizadinhos,hoje morrem de medo,mas ontem eram os "Warriors" da noite, portanto vinhos baratos e brigando a ponta pés com as suas tão aclamadas "gangues de praça" (aff, estilo Torcida Organizada).Eu não vejo motivo para se vangloriar dessa vadiagem e digo que frequento o Largo nos dias de hoje (tenho 19) e não é só crack, briga, assalto e volto a pé até o Hauer sem problemas, pq?Pq não faço vadiagem, nem muito menos brigo por ai, so quero curtir meu rocknroll.
Juca bala | 15/03/2009 | 19:06A galera que critica não conhece ironia não? Parabéns pelo belo texto. Mandei o link para uma moçada que curtia o hangar. Ou ainda curte
paulo | 15/03/2009 | 18:58Nossa! Seus textos são muito ruins cara. Vc se supera heinm?!?! Ainda bem q a RPC não tem concorrencia nessa Curitiba, pq se tivesse...
VICTOR | 15/03/2009 | 18:08A rua é pra quem pode não pra quem quer,não importa se é homen ou mulher,travesti ou freira, se ta de porre ou é um FPD com bebedeira! Poema meu: CUritiba puta RoCk 'n RolL http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=3516219790322188983&aid=1237124094
Renato | 15/03/2009 | 18:03Acho que vocês estão muito é elitizadinhos,hoje morrem de medo,mas ontem eram os "Warriors" da noite, portanto vinhos baratos e brigando a ponta pés com as suas tão aclamadas "gangues de praça" (aff, estilo Torcida Organizada).Eu não vejo motivo para se vangloriar dessa vadiagem e digo que frequento o Largo nos dias de hoje (tenho 19) e não é só crack, briga, assalto e volto a pé até o Hauer sem problemas, pq?Pq não faço vadiagem, nem muito menos brigo por ai, so quero curtir meu rocknroll.
Julio | 15/03/2009 | 16:56Cara! Vc tá desatualizado mesmo. Encontro sempre uma galera de madrugada no fim de semana tomando Campo Largo ou tubão. Aquele tempo passou pra você, pq pra outros ele ainda continua.
Tiberius, M. | 15/03/2009 | 13:46Meu nome é alexandre Ramos e eu sou um curitiboca cheio de valores hipócrita. Não gosto de tudo o que leio aqui, mas gostei do texto. Particularmente, não ia ao Hangar, não bebia vinho barato de garrafão e nem vomitava nas paredes, mas lembro da época, e lembro também que passava de madrugada ali no largo (morava nas Mercês) e nunca fui sequer ameaçado pela galera em questão. Alexandre, dar-lhe-ei uma dica: você é um "bobalhão". (queria mandá-lo à merda, mas acho que não posso, ne?) :
José de Souza | 15/03/2009 | 13:24Se aquilo te fazia feliz,imagine nos anos 70 juntando o dinheiro da passagem do ônibus pra tomar duas cervejas numa noite de verão na rua xv,e tambem voltar a pé com os amigos lá pro bairro Agua Verde...
Rafael | 15/03/2009 | 13:00Rsrsrsrsrs...caraca velhinho...é a mais pura verdade...o pessoal fazia uma caminhada e tanto com garrafões de vinho barato...depois dava uma parada no Tubas...no Novak...etc...até acabar no Hahgar...bons tempos mesmo..não tinha a violência que tem hj...e o consumo de drogas era muito menor...excelentes tempos que não voltam mais..infelizmente...
Angelo | 15/03/2009 | 11:32HAHAHAHA... Surtiu efeito o artigo, manifestações a favor e outras contra. Particularmente eu achei muito legal e válida a matéria, pois, hoje é totalmente diferente, mesmo que ainda tenhamos um restinho disso no largo. Os críticos estes jamais serão colunistas ou algo parecido, serão este vômito moral insensato e inculto da sociedade bairrista Curitibana. Parabéns Schenkel, hj os adolescentes não tem essa mesma história para contar, a não ser balas, acido e música eletrônica. Gipsy Dreams rules
Alexandre Ramos | 15/03/2009 | 11:17Falar de Curitiba com 1,3 milhão de habitantes como se fosse uma época remota. Nunca vi tanta coisa \'trash\' num mesmo artigo. Como disse alguém acima, difícil acreditar que a RPC pague alguém escrever essas tolices. E outra coisa, \'experiência inocente\' um escambau! Vocês mesmos é que contribuíram para piorar um pouquinho mais com a degradação do centro de Curitiba. Para falar de bons tempos com alguma proprieda, vá estudar cara!
Alexandre Ramos | 15/03/2009 | 11:17Falar de Curitiba com 1,3 milhão de habitantes como se fosse uma época remota. Nunca vi tanta coisa 'trash' num mesmo artigo. Como disse alguém acima, difícil acreditar que a RPC pague alguém escrever essas tolices. E outra coisa, 'experiência inocente' um escambau! Vocês mesmos é que contribuíram para piorar um pouquinho mais com a degradação do centro de Curitiba. Para falar de bons tempos com alguma proprieda, vá estudar cara!
Marcelo | 15/03/2009 | 08:09Bons tempos aqueles...ainda dava para se divertir sem preocupação...hoje não sabemos se voltamos para casa...
Amendoim | 15/03/2009 | 07:31Perfeito. Hoje (domingo) estarei no HANGAR para tocar (NO MILK TODAY) e sem dúvida, seu texto justifica totalmente o esforço. Abraço!
Alastis | 15/03/2009 | 06:20Quase me cairam lagrimas ao lembrar daquele tempo... hoje estou morando em Goiania - GO, muito longe daí, mas minha alma permanece na minha amada Curitiba! Um ponto extremamente importante foi comentar que naquela época não tinhamos o "crack", causa principal da violnecia dos dias de hoje... que saudade daquele tempo...
Luiz Francisco da Silveira | 15/03/2009 | 01:38Veja só como é a vida, estou morando aqui em Ponta Grossa e li este texto , voltei no tempo , percebo então, como foi bom esse tempo, você realmente abordou com detalhes aquelas noitadas , em que saíamos para nos divertimos , apenas nos divertirmos, sem violência.. sem maldades, boas lembranças....
Juvenal | 15/03/2009 | 01:21Cara, te pagam pra vc escrever aqui? Também quero trabalhar na RPC, eu tb conseguia escrever tanta asneira nostálgica. O que aconteceu com o Luigi, mandaram ele embora depois dele reclamar da Lique, né? Se manda daê, rapá. O Largo continua com gente feia e bebendo Campo Largo ou 7 Colinas. Ficadica.
Robson | 15/03/2009 | 00:39Nossa, me lembrei das minhas noitadas passando na rua dos putero e mexendo com as garotas! hahaha....voltando a pé para casa pq perdia o madrugueiro ou esperando o primeiro onibus do dia....dormiamos no tubo...alguns anos mais recentes kkk
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