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Sábado, 04/02/2012

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Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 03/02/2012 às 17:43

Olha só o release que recebi aqui no jornal da assessoria do gabinete do vereador Jonny Stica. Leia abaixo e vamos ficar torcendo para que tudo dê certo e tenhamos a Pedreira reaberta com uma maior atuação da prefeitura e maior respeito dos produtores para uma boa convivência entre os que forem lá se divertir e os que moram por ali.

Segunda-feira será dia decisivo para o futuro da Pedreira


Hedeson Alves/Gazeta do Povo

Hedeson Alves/Gazeta do Povo / O último show realizado na Pedreira Paulo Leminski ocorreu em agosto de 2008O último show realizado na Pedreira Paulo Leminski ocorreu em agosto de 2008
Na próxima segunda-feira (dia 6), às 14h, o destino da Pedreira Paulo Leminski terá mais uma chance para ser definido. Isso porque as partes envolvidas no processo que determinou o fechamento do espaço irão, novamente, se reunir em uma audiência de conciliação, na 4ª Vara da Fazenda de Curitiba (Rua Mauá, 920).

A nova audiência foi determinada em novembro, quando o Ministério Público, autor do processo, e a Prefeitura Municipal, que é ré, não fecharam acordo, mas consideraram a possibilidade de resolver a questão. Na ocasião, a municipalidade se comprometeu a apresentar laudos mais completos e uma série de compromissos para garantir melhor organização dos eventos no local.

Os documentos, juntados aos autos na semana passada, trazem várias informações sobre áreas de escape necessárias, equipamentos ideais para evitar vazamento excessivo de som e até os procedimentos sugeridos para gerenciamento de trânsito e segurança da região. Se houver acordo, as partes assinarão um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e a liminar que determinou o fechamento da Pedreira poderá, enfim, ser revogada. Se não houver, o processo seguirá seu trâmite normal.

O vereador Jonny Stica (PT), um dos idealizadores do movimento "A Pedreira É Nossa!", irá acompanhar a audiência. O encontro, novamente, não será aberto à imprensa.

Atenciosamente,

Helio Miguel
Assessoria - Vereador Jonny Stica
(41) 3350-4526

Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 01/02/2012 às 16:33

Da coluna Acordes Locais, publicada toda quarta-feira, no Caderno G da Gazeta do Povo (e que retorna neste ano retomando o tema do final do ano passado que era a eleição dos melhores de 2011 - agora para encerrar o assunto):


Mariana Zarpellon/Divulgação

Mariana Zarpellon/Divulgação / A ruído/mm foi campeã de votos nas categorias melhor show e melhor discoA ruído/mm foi campeã de votos nas categorias melhor show e melhor disco
O Schettino (ou “Scretino”) não voltou à bordo, a Luiza já voltou do Canadá e nós retomamos aqui nossa conversa sobre a música do Paraná. Onde havíamos parado, mesmo? Ah, sim, antes da interrupção, tentávamos descobrir quais foram os melhores de 2011 na música local. Pois teve muita gente mandando mensagens e e-mails e, além disso, o Blog Defenestrando já divulgou toda a relação de vencedores do Prêmio Defenestrando 2011, votação realizada com pessoas convidadas.

O grande destaque da premiação foi a banda ruído/mm (lê-se ruído por milímetro e escreve-se com minúsculas mesmo), que ganhou como melhor show, teve duas músicas eleitas como melhores do ano e ainda ganhou o disco do ano. A Banda Mais Bonita da Cidade também não poderia ficar de fora com a sua “Oração”, que venceu como melhor música e melhor clipe do ano. ABMBC também fez o segundo melhor show.

Os vencedores nas quatro
categorias são:

Lançamento

1 – Introdução à Cortina do Sótão, do ruído/mm. Mais um petardo musical da banda que faz um rock instrumental cheio de referências e que manteve a qualidade mesmo com mudança de componentes.

2 – Mordida. Primeiro álbum completo da banda homônima que já havia lançado seis EPs. Qualidade técnica, irreverência e poesia em boa medida.

3 – A Banda Mais Bonita da Cidade. Disco de estreia da banda que conquistou o YouTube com a canção “Oração”. Todo produzido no sistema de crowdfunding, em que os próprios fãs financiam o projeto.

4 – Crocodilla. Disco de estreia do grupo que conseguiu o direito de produzi-lo sob os cuidados de André Abujamra após vencer o Kaiser Sound Festival de 2010.

5 – Humanish. Mais uma estreia em disco que leva o nome da banda, com ex-integrantes da Terminal Guadalupe, mas que não guarda mais parentesco com o antigo grupo. O álbum foi produzido por Carlos Trilha.


Música do Ano

1 – “Oração”. Canção de Léo Fressato que causou furor no YouTube com o videoclipe produzido pela trupe da Banda Mais Bonita da Cidade.

2 – Três músicas empatadas em segundo lugar: “Maria Lúcia Estava em Chamas”, de Rodrigo Lemos, com a banda Lemoskine; e mais duas do ruído/mm: “O Prestidigitador” e “Zarabatana”.

5 – Outras três em empate no quinto lugar: “Vou de Bike”, do Real Coletivo Dub; “Domingo”, versão de Alexandre Nero para texto de Domingos de Oliveira; e “Canção pra Não Voltar”, interpretação da Banda Mais Bonita da Cidade para música de Léo Fressato.


Melhor Show

1 – ruído/mm

2 – A Banda Mais Bonita da Cidade

3 – Klezmorin

4 – O Lendário Chucrobillyman

5 – Banda Gentileza

Melhor Clipe

1 – “Oração”, da A Banda Mais Bonita da Cidade.

2 – “Alice”, da Lemoskine.

3 – “Esquece”, da Uh La La!.

4 – “Boa Noite”, de Karol Conká.

5 – “Descontrolada”, do Sabonetes.


Motivado pela eleição defenestranda, convidei os leitores para darem suas opiniões, de uma maneira mais informal. E entre eles, os mais citados foram a banda Match, com o clipe “Planos” e o Trio Quintina, com o DVD Cyrk. Mas também foram lembrados A Banda Mais Bonita da Cidade, Charme Chulo, Hélio Brandão, Humanish, Jô Nunes, Lemoskine, Luiz Felipe Leprevost, Mário Conde, MC Cabes, Murillo da Rós, Na Tocaia, Nuvens, Pão de Hamburguer, Supertônica e Troy Rossilho.

Parabéns a todos pelo bom trabalho em 2011 e vamos manter o bom nível neste 2012.

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Enviado por Luiz Claudio Oliveira, 23/01/2012 às 16:26


 /
Não tenho sido muito frequente nesse início de ano, tudo bem, reconheço (sei, alguns vão agradecer a ausência), mas a preguiça dos memes internéticos me pegou.

Vamos lutar contra a preguiça e eu tive um ótimo encontro no fim de semana com uma turma que eu não via há 30 anos e isso me revigorou.

Então, vamos afastar os maus espíritos e aproveitar os poucos momentos sem preocupações.

E aí vai um vídeo de um projeto que eu não canso de postar aqui: Playing For Change, em novo trabalho da banda criada através do projeto (e enquanto não sai o vídeo inspirado neles que está sendo finalizado pelo pessoas da Rádio música Curitibana).

Algum problema? Don't worry:

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Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 11/01/2012 às 17:01

O ano virou e já tem um monte de novidades videomusicais de Curitiba.

Aí vão algumas dos últimos dias.

Tem Mixtape, A Banda Mais Bonita da Cidade, Mordida, Daniel Fagundes e Gruvox.




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Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 10/01/2012 às 17:26

Leonard Cohen é um daqueles caras que faz bem todas as coisas. É elegantemente simples e simplesmente sofisticado. Músico e escritor que sabe como ninguém mesclar as duas coisas. E ele está de volta em disco com músicas novas e também em livro.

No dia 31 deste janeiro - chuvoso aqui em Curitiba - sai o novo disco do bardo canadense: "Old Ideas". Já tem algumas músicas novas passeando pela internet. Abaixo, você pode ouvir duas delas: Darkness e Show Me The Place e ver um vídeo da segunda.

Como brinde, dois vídeos. Um de um dos melhores shows de todos os tempos que eu, infelizmente não vi, mas que felizmente ganhei o DVD do meu amigo Ruy Dikram. O outro vídeo é de uma das músicas mais gravadas de todos os tempos.

O livro


Reprodução

Reprodução / Capa do livro de Leonard Cohen, da Cosac NaifyCapa do livro de Leonard Cohen, da Cosac Naify
No dia 1º de março, a Editora Cosac Naify lança o primeiro romance dele, ainda inédito no Brasil: A brincadeira favorita, com tradução de Alexandre Barbosa de Souza. E, como bem lembra Mitie Taketani, da Itiban Comic Shop, com capa de Dw Ribatsky (que vocês podem conferir aqui mesmo ao lado).

O livro, apesar de inédito por aqui, não é novo. Foi escrito e lançado em 1963, antes mesmo de Cohen ter lançado seu primeiro disco - são 12 discos em 45 anos de carreira e o artista tem 77 anos de idade.


Leonard Cohen - Darkness by leonardcohen


Show Me The Place by leonardcohen


Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 28/12/2011 às 12:11


Divulgação

Divulgação / Nova versão do disco lançado por Celso Fonseca e Ronaldo Bastos em 1997 é uma obra coletivaNova versão do disco lançado por Celso Fonseca e Ronaldo Bastos em 1997 é uma obra coletiva
É preciso prestar muita atenção quando um disco atual é comparado a Chega de Saudade (João Gilberto, 1959) e Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges, 1972), duas obras fundamentais da música brasileira do século 20. O crítico e historiador musical Zuza Homem de Mello acaba de fazer esta comparação com o recém refeito e relançado (já explico isso) Liebe Paradiso (Dubas Música), de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos - este, não coincidentemente, também foi letrista e produtor do Clube da Esquina.

A história deste disco começa na década de 90 do século passado, quando há o encontro artístico da dupla. A parceria rendeu uma trilogia, da qual Paradiso é o produto do meio, com canções perfeitas em um estilo que foi batizado como “slow motion bossa-nova”.

Passados mais de dez anos do lançamento de Paradiso, Ronaldo Bastos encontrava-se em uma cruzada política e uma encruzilhada artístico-empresarial. Metera-se numa discussão interminável - pouco compreensível para quem não é do ramo - sobre direitos autorais e internet. Desgastou-se.

“A polêmica começou a ficar rala, eu estava sendo arrastado e precisava de um projeto que me salvasse, que me resgatasse”, lembra Bastos.

Nessa época, recebeu uma herança que poderia lhe dar uma folga para um novo projeto. Comentou o caso com o produtor uruguaio radicado no Rio de Janeiro Leonel Pereda. Ouviu então, pela primeira vez, a ideia de refazer o Paradiso, um disco de autores, uma pequena joia que foi influente entre os músicos, mas desconhecida do público.

Para ele, uma remasterização, ou remix, soaria como se fosse uma vingança. “A vingança não vale uma obra de arte”, resume. Teria de ser feito de outra forma. “Deveria ser um projeto de vida, ter significado de mudança, de firmar valores, de importância para a arte brasileira”, afirma o parceiro de músicos como Tom Jobim, Milton Nascimento, Edu Lobo e Caetano Veloso e que é proprietário do selo Dubas Música - que já lançou outros tantos bons discos brasileiros que vão de João Donato a Os The Darma Lóvers.

Ideia aceita, foi chamado o jovem engenheiro de som e produtor Duda Mello. O primeiro passo foi desconstruir o disco original até deixá-lo no esqueleto. A partir daí, procuraram um timbre, um som próprio que desse uma nova orientação para o disco. “Foi tudo feito sem plano de viagem, sem astrolábio”, lembra Bastos. Celso Fonseca passou seis meses no estúdio na primeira etapa e depois deixou tudo nas mãos dos produtores, em total confiança. O trabalho demorou quase três anos para ser concluído.

Os produtores também criaram e convidaram outros artistas para participações especiais. Gravaram Nana Caymmi (sensacional em “Flor da Noite”), Milton Nascimento, Paulo Miklos, Luiz Melodia (na mais conhecida “Ela Vai pro Mar”), Marcos Valle, Sandra de Sá e Kassim, entre muitos outros.

Em um momento de bloqueio criativo, os produtores viajaram para a Alemanha. “Queria ir para um lugar onde não soubesse a língua”, lembra o autor de “Nada Será como Antes”. E foi lá que o disco recebeu no título o acréscimo da palavra liebe, que significa amor, em alemão. Foi também a ideia de um amor romântico que o fez escolher um poema de Goethe para ser lido no original logo na canção de abertura, Liebe Paradiso.

Os músicos convidados aderiam tanto ao projeto que alguns até interpretaram de forma diferente do que fazem nos discos próprios deles. Por isso Ronaldo Bastos não tem dúvida ao afirmar que Liebe Paradiso é uma obra coletiva.


--------- PONTO DE VISTA -----

Produção valoriza trabalho de autores

Há músicas que tem o poder de suspender o tempo, desintegrar lugares. Nos transportam para um “não-lugar”. Quem gosta de música já se pegou perdido no espaço-tempo durante uma conversa, ou uma leitura sem saber o que está acontecendo, sobre o que estava falando e só depois de alguns instantes percebe que foi abduzido pela música. O som ocupou o cérebro e não deixou espaço para mais nada. Isso não tem a ver com o volume ou a quantidade de ruídos. É o poder da música que te arrebata e desloca para um outro mundo.

Chega de Saudade, Clube da Esquina e Liebe Paradiso são dessa linhagem de sons. Há muitos outros, claro, e soam diferentes para cada pessoa.

Liebe Paradiso é um dos melhores discos deste 2011. Situa-se entre o amor romântico de Goethe e o paraíso de sons incansavelmente trabalhados e retrabalhados até parecerem algo simples como a música de um canário em meio à cidade, capaz de abafar os ruidos de carros.

Além de belas canções, Liebe Paradiso recupera e recomenda o trabalho de produção. Os produtores adotaram o projeto e trabalharam para ele com liberdade artística, mas respeitando os autores. Não se trata apenas de entulhar de programações eletrônicas ou escolher o ruído que está mais na moda. É uma obra feita com competência, que encontra os timbres certos, os músicos adequados e com produtores que sabem pesquisar e valorizar o som primordial.

“Trabalhamos o disco como um artista plástico, esculpimos com o som”, nas palavras precisas de Ronaldo Bastos descrevendo o processo de produção.

As músicas originais respeitam o tradicional cancioneiro brasileiro. Os produtores atualizaram arranjos e intervenções sonoras. Como bem definiu Bastos: “Colocamos Nana Caymmi num ambiente de Bjork”. O surpreendente nos é familiar. O improvável transformou-se em belo. Um “não-lugar” aconchegante.

VÍDEOS

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Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 21/12/2011 às 15:50

Quem disse que música de Natal é chata? Olha aqui embaixo tem do mais puro e melhor jazz, num oferecimento de Winton Marsalis. É só baixar e se divertir.

E na sequência tem os vídeos com músicas de Natal que bandas paranaenses gravaram especialmente para o Gaz+ e eu surrupiei e coloquei aqui (espero que o Cristiano Castilho não fique brabo). Não vou ficar em cima do muro e digo que as três bandas são boas, mas a versão natalina do Pão de Hamburguer foi a melhor.










CROCODILLA

GENTILEZA

PÃO DE HAMBURGUER


Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 21/12/2011 às 15:19

Esta eu recomendo a pedidos de pessoas de confiança, que apreciam a boa música. Nestas quarta e quinta serão as últimas noites do espetáculo Tributo a Noel Rosa, no Colarinho Chopp Bar (Rua Brasílio Itiberê, 3.642).

O bar tem um projeto chamado Encontro Cultural. No primeiro semestre, houve um tributo a Vinicius de Moraes, agora tem o Noel e no ano que vem terá o Tributo a Cartola.

Para o espetáculo em homenagem a Noel Rosa, o time de músicos é composto por Fabiano Santos (percussão), Kico (pesquisa, textos e voz), Rubinho (voz e violão), Dycesar Martins (voz de veludo) e o sensacional Daniel Migliavacca (bandolin).


Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 20/12/2011 às 17:54


Capa CD Alexandre Nero

Capa CD Alexandre Nero /
Aos poucos, Alexandre Nero vai soltando vídeoclipes das músicas de seu novo disco, Vendo Amor, em Suas Mais Variadas Formas, Tamanhos e Posições (veja a capa do disco aí ao lado).

Matéria sobre ele e o novo disco eu já fiz e vocês podem ver ou rever aqui a publicação na Gazeta.

Mas este post é só para reunir os videoclipes que ele já soltou. São bem simples, pero eficientes. Divirta-se:




Enviado por Luiz Claudio Oliveira – luizs@gazetadopovo.com.br, 16/12/2011 às 17:14

Nesta semana o meio da música fora do eixo foi um tanto estremecido com a notícia da saída em bloco de vários produtores de festivais da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin). A debandada aconteceu no meio do congresso nacional do Coletivo Fora do Eixo, que segue até domingo, no interior de São Paulo.


Gilberto Abelha / Arquivo / Gazeta do Povo

Gilberto Abelha / Arquivo / Gazeta do Povo / Marcelo Domingues, idealizador do Festival Demo Sul, de Londrina, em foto de 2009Marcelo Domingues, idealizador do Festival Demo Sul, de Londrina, em foto de 2009
Entre os que deixaram a Abrafin estão dois representantes dos mais tradicionais festivais paranaenses, Vlad Urban, do Psycho Carnival, e Marcelo Domingues, do Demo Sul (Londrina). A razão apontada pelos dois para a saída é simples: a "politicagem", no que tem de pior no termo, se sobrepôs à cultura.

Abaixo eu coloco dois textos a respeito. O primeiro, é um depoimento do Marcelo Domingues sobre as motivações da saída e novidades do Demo Sul que vai ser antecipado em 2012 por causa das eleições. O segundo texto é o documento oficial dos festivais que deixaram a Abrafin.

Leiam os dois e entendam um pouco mais dos bastidores dos festivais independentes.

Começamos com o depoimento do Marcelo, feito a meu pedido:

Não foi fácil, mas demos um passo muito importante nessa reunião da ABRAFIN em SP. Depois de nossa desfiliação, chegamos à conclusão de que fizemos as coisas do modo correto, na medida, de cabeça erguida e sem revanchismo ou provocações. Mantermos o equilíbrio e apresentarmos as causas concretas que levaram à nossa saída.

Acho que essa deve ser a tônica daqui pra frente. Temos que manter esse nível de debate e equilíbrio. Este grupo de festivais que sai em bloco não tem a perspectiva de minar ou destruir a ABRAFIN ou mesmo o Fora do Eixo. Pelo contrário, estamos todos aqui unidos para construir novos modelos de lidar com a música brasileira.


No mais, quero dizer que penso este encontro com os festivais “descontentes” foi uma grande vitória pra todos nós. Vejo muita gente nesse grupo aqui bastante empolgada com o futuro. Voltamos a dialogar traçar planos em conjunto, estabelecer metas coletivas. E o mais importante de tudo: todos esses festivais que saíram entendem que uma entidade só poderá ser forte de fato se tiverem em perspectiva as particularidades e idiossincrasias de seus membros. Estamos unidos pela diferença.

Acredito que nosso propósito maior seja o de colocar a Música e a Cultura em primeiro plano. Essa é a nossa postura política, nós fazemos a política da Cultura, enxergamos Cultura como política e não usamos a Cultura para fazer política.

Acredito mesmo que, em muito pouco tempo, daremos a resposta mais adequada a tudo isso.
Nosso trabalho e as bandas vão falar por nós.

Sobre o Demo Sul 2012, posso dizer pouca coisa, pois os projetos ainda estão em fase de avaliação nos editais onde foram inscritos. O que posso adiantar é que pensamos num festival mais pulverizado na cidade, acontecendo em locais inusitados e tradicionais de Londrina. Vamos manter a grade de shows, com uma média de 25 bandas/artistas se apresentando e as ações formativas que englobam oficinas, workshops e palestras gratuitas. Devido as eleições e os feriados de outubro, tivemos que antecipar o Demo Sul para setembro (tradicionalmente ele acontece no mês de outubro).


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Agora o documento oficial da saída dos festivais da Abrafin:

Prezados,

Existe um debate acerca da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) ocorrendo dentro e fora da entidade. Deste debate público depreendem-se importantes pontos, dentre os quais a evidência de que a ABRAFIN não é mais uma unanimidade. Boa parte da aura de independência se esvaiu e, não raras vezes, percebemos que a entidade é vista com desconfiança. Qualificar e aprofundar este debate de forma íntegra, democrática e sem ranços é uma necessidade que se impõe à ABRAFIN e à própria rede de festivais independentes espalhados pelo país.

Goiânia Noise Festival, Casarão, Psycho Carnival, DemoSul, 53 HC, Goiaba Rock, PMW, RecBeat, MADA, El Mapa de Todos, Campeonato Mineiro de Surf, Mix Music e Abril Pro Rock são festivais afiliados à ABRAFIN (alguns deles membros-fundadores) que não se sentem à vontade com o atual estado de coisas. Discutindo os rumos tomados pela entidade nos últimos anos, estes festivais, apesar de sua diversidade, apresentam dois aspectos em comum: não pertencerem ao coletivo Fora do Eixo (ainda que praticamente todos eles possuam parcerias pontuais com este mesmo coletivo) e não se sentirem representados pela ABRAFIN. Com base nesta constatação, o conjunto de festivais em questão elaborou este documento apresentando suas perspectivas e anseios em relação à entidade.

A ABRAFIN deve ser capaz de abarcar a complexidade, as diferenças e particularidades de seus festivais membros. O atual panorama da produção musical independente brasileira evidencia os diversos caminhos e abordagens adotados no conjunto de festivais que se congrega na ABRAFIN. Adotar um modelo único de funcionamento é um erro crasso, completamente oposto às premissas da fundação da entidade. Em um país de tantas diferenças e de proporções continentais como o Brasil é inadmissível acreditar na existência de um só paradigma que valha de Norte a Sul. Cada festival possui não apenas a autonomia, mas principalmente a expertise necessária para lidar com sua realidade local, bem como com sua proposta estética.

A ABRAFIN não é e jamais deverá ser Fora do Eixo. Com erros e acertos, o Fora do Eixo é uma das diversas possibilidades no trabalho com a música independente brasileira. Não é a única. Infelizmente, nos últimos anos, houve uma indevida sobreposição entre as duas entidades. O fato desta reunião da ABRAFIN estar acontecendo dentro de um Congresso Fora do Eixo é prova irrefutável desta sobreposição. A opinião pública, obviamente, tem sido incapaz de diferenciar ABRAFIN e Fora do Eixo. Cabe à ABRAFIN se desfazer deste erro e voltar a lidar com a multiplicidade de enfoques que existe em seu arcabouço.

O estatuto da ABRAFIN deve ser mantido e respeitado. Sua construção foi fruto de anos de trabalho laborioso, norteado pelo espírito de independência da nova música brasileira, bem como por sua diversidade e complexidade. Nele estão edificados conceitos ainda pertinentes e válidos, como aquele que define o que vem a ser um festival independente aos olhos da entidade. Abrir mão deste patrimônio é esvaziar de forma oportunista o próprio espírito da ABRAFIN.

A condição de três anos consecutivos para que um festival se filie à ABRAFIN deve ser mantida. Esta premissa tinha vistas a afastar a entidade de festivais aventureiros que surgem aos montes a cada instante. Para que a ABRAFIN seja uma entidade sólida, em sua composição deve haver apenas festivais que apresentem este compromisso com a continuidade. De outra forma não será possível construir um circuito efetivamente forte de festivais por todo o território brasileiro.

Festivais independentes e artistas não são entes antagônicos. A fundação da ABRAFIN trazia em sua concepção a moderna ideia de que tanto os festivais e seus produtores quanto as bandas e artistas que nele se apresentavam necessariamente faziam parte de um mesmo grupo, uma mesma proposta e um mesmo ideário. Nos últimos tempos o que se tem percebido é uma distensão entre estes dois pólos. Cada vez mais a ABRAFIN e artistas têm se encarado de forma animosa, como se fossem opostos. A concepção original da ABRAFIN preconizava músicos e produtores como pares, como partes de uma mesma engrenagem capaz de fazer a música independente avançar rumo a um profissionalismo cada vez mais acentuado, bem como a uma total liberdade criativa.

A ABRAFIN é uma entidade que congrega e aglutina festivais independentes ao longo do país. A razão de ser de cada um de seus festivais afiliados é converter-se em plataforma para a nova expressão musical brasileira. Cada festival deve trazer em si o compromisso com o novo, com a diversidade e com a riqueza musical do nosso país e do mundo, a partir do olhar estético que é próprio de cada afiliado. Estabelecer um grupo único e excludente de artistas que são sempre os mesmos a circular artificialmente por todos os festivais é atentar contra a própria razão de ser da ABRAFIN. Mais que isso, é transformar o circuito de festivais congregados pela entidade num pastiche do mainstream da velha indústria fonográfica.

Dividir a ABRAFIN em regionais é algo a ser evitado neste momento de ataques, dúvidas e fragilidades. Os festivais, cada qual em sua região, já agem localmente. Inflar a entidade com outros tantos festivais de trajetória ainda incipiente ou mesmo duvidosa é abrir brechas para uma ainda maior fragilização da entidade. Ao contrário, a ABRAFIN deve se fortalecer a partir das premissas expressas em seu estatuto, assegurando solidez para saltos maiores num futuro, quiçá, próximo.

Ser ponta de lança na efetiva construção de um mercado independente sustentável é um dos pilares da ABRAFIN. Tal construção passa, necessariamente, pelo apoio do poder público progressista. Por esta via, o uso de verbas públicas deve ser estratégico e voltado para a construção, a médio e longo prazos, deste mesmo mercado. Desafortunadamente, o que se tem visto é uma ABRAFIN que cada vez mais enxerga os recursos públicos como um fim e não como um meio. É papel da ABRAFIN buscar recursos não apenas junto ao poder público, mas também à iniciativa privada, sempre tendo a independência como paradigma de primeira ordem.

A ABRAFIN é uma entidade suprapartidária e superior a qualquer grupo que esteja sob sua alçada. A atuação política da ABRAFIN se dá pelo próprio caráter transformador e progressista da arte e da cultura. A ABRAFIN deve estar a serviço, única e exclusivamente, de seus afiliados e da cadeia produtiva que os cerca.

Tal e qual foi explicitado no início deste documento, o conjunto de festivais que ora o redige não se sente mais representado pela ABRAFIN. Por esta via Goiânia Noise Festival, Casarão, Demo Sul, Psycho Carnival, 53 HC, Goiaba Rock, PMW, RecBeat, MADA, El Mapa de Todos, Campeonato Mineiro de Surf, Mix Music e Abril Pro Rock vêm respeitosamente solicitar sua desfiliação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes. Todavia, o mesmo grupo entendeu por bem contribuir para o debate acerca da entidade compreendendo o importante papel que ela pode vir a cumprir na seara da produção cultural brasileira.

Não se trata aqui de uma debandada movida por disputas políticas internas. Fosse assim, a desfiliação seria uma estratégia absurdamente equivocada. É notório que o grupo que assina este documento possui força e representatividade para quaisquer disputas dentro da entidade, mas tais disputas estão completamente fora do escopo de seus interesses. A sobreposição existente entre ABRAFIN e Fora do Eixo tem criado uma série de desafortunados e prejudiciais mal-entendidos a este conjunto de membros e, por ora, a alternativa entendida como mais apropriada a todos aqui é o afastamento.
Sucesso a todos!

Este é um espaço público de debate de idéias. O Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM) não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
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