Segunda-feira, 21/05/2012
Para a sexta-feira, mais uma charge do Carlos Ruas, e essa eu garanto que tem mais de uma interpretação possível:
Reprodução autorizada / www.umsabadoqualquer.com

Aviso de férias
Com essa charge aviso que estou saindo de férias a partir da próxima segunda-feira. Voltarei em junho, na condição de homem casado; enquanto isso, quem pertence à comunidade acadêmica ainda tem tempo de preparar um ensaio para o concurso da Universidade de Oxford!
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Divulgação/Site oficial
Lawrence Krauss virou saco de pancada ao achar que podia redefinir o "nada" e escapar impunemente.Horgan lembra a resenha do livro publicada no New York Times por David Albert (eu já havia dado o link aqui no Tubo, mas repetir nunca é demais) para ressaltar a inconsistência da argumentação de Krauss. Ainda que ela esteja certa, não responde A Questão porque leis físicas servem para descrever o comportamento daquilo que já é. E, se algo já é, não estamos diante do nada: no máximo estamos diante de uma redefinição de nada feita sob medida para acomodar as pretensões do ateísmo militante, porque é preciso lembrar que o conceito de nada ontológico é bem mais antigo que esses "nadas com conteúdo" propostos por Krauss e Stephen Hawking (nessa entrevista de Krauss ao The Atlantic dá para ver como ele mete os pés pelas mãos quando fala do "nada").
(aliás, sobra bordoada também para Richard Dawkins, que escreveu um prefácio bem fora da casinha para o livro de Krauss, dizendo, entre outras coisas, que A universe from nothing é o equivalente na Cosmologia ao que A origem das espécies foi na Biologia: um golpe final no sobrenaturalismo.)
Horgan acredita que uma abordagem melhor d'A Questão virá em um livro que está para ser lançado no meio do ano: Why does the world exist?, de Tim Holt. O autor conversou não apenas com físicos, mas também com filósofos, teólogos e outros curiosos. Horgan concorda que o tema não é exclusividade dos cientistas. "Quando se trata d'A Questão, todos e ninguém são especialistas, porque A Questão é de uma natureza diferente de qualquer outra questão colocada pela ciência", afirma. E conclui dizendo que o tipo de coisa que Krauss e Dawkins fazem é um desserviço à ciência. "Eles se tornam uma imagem espelhada do fundamentalismo religioso que desprezam", afirma. É bem por aí.
(Confiram também os comentários ao texto, em que Krauss aparece usando um ad hominem só para levar outra bordoada de Horgan.)
E tem mais Lawrence Krauss!
Neste sábado (ou seja, depois de amanhã), o autor de A universe from nothing debate com Rodney Holder, do Faraday Institute, no programa Unbelievable?, da rádio cristã britânica Premier. O programa começa às 14h30, hora local (10h30 no horário de Brasília, alguém me corrija se eu estiver errado). Parece que há transmissão pela internet; eu estarei ocupado no horário, mas se alguém puder ouvir e fazer um relato depois, agradeço.
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Não faz muito tempo foi comemorado o "dia da Terra", e um dos assuntos que sempre vêm à tona nessas horas é o do aquecimento global. Os evangélicos norte-americanos pareciam ter adotado o pacote dois-em-um: negue a evolução e, de brinde, seja também um cético em relação à participação do homem no aquecimento global. Aliás, essa negação da influência humana nas mudanças climáticas é algo que eu vejo também em alguns católicos (sim, também há rejeição à evolução, mas em escala menor). Ah, sim: coloquei "participação do homem" em itálico mais acima porque acho difícil alguém negar que o mundo esteja realmente passando por um processo de mudança climática (isso hoje; mais abaixo vocês verão que quatro anos atrás o quadro era bem mais feio); a controvérsia é relativa ao nosso papel nisso tudo. Que estejamos poluindo o planeta em escala nunca vista antes também parece bem óbvio, mas há quem diga que isso não tem nada a ver com o aquecimento global.
Mas um professor da Universidade Biola, uma instituição confessional no sul da Califórnia, alega que os evangélicos estão cada vez mais aceitando que o homem ajuda a causar o aquecimento global, segundo reportagem do The Christian Post. Mark McReynolds leciona Ciência Ambiental na universidade; sua percepção, pelo que se entende do texto, deriva não tanto de estatísticas, mas do fato de cada vez mais líderes cristãos evangélicos estarem participando de eventos internacionais que, entre outras coisas, reforçam a necessidade de cuidar do mundo como parte da criação divina. A Convenção Batista do Sul, que era um bastião do ceticismo em relação ao aquecimento global, também vem mudando o tom nos últimos anos, afirma McReynolds.
Em relação a números, o que o texto traz é uma pesquisa de 2008 mostrando que apenas 27% dos evangélicos "acreditavam firmemente" que o aquecimento global estava acontecendo; em dezembro do ano passado, o mesmo Christian Post divulgava uma nova pesquisa (feita por um instituto diferente) segundo a qual mais da metade dos evangélicos acreditavam não só que havia aquecimento global, mas que ele era causado pelo homem e era perigoso.
Bahnmoeller/Creative Commons
No Vaticano, a preocupação com o meio ambiente está até no teto da sala papal de audiências, coberto com painéis solares desde 2008.O efeito bom de tudo isso é que está aumentando entre os cristãos de todas as denominações a consciência de que o cuidado com o meio ambiente é parte da missão cristã (obviamente como meio, e não como fim). O Gênesis diz que Deus colocou o homem no jardim para cuidar dele, e não para depredá-lo. Temos visto declarações do Papa Bento XVI, da Pontifícia Academia de Ciências e do Conselho Mundial de Igrejas apontando nesse sentido. Podemos até supor, por um momento, que os céticos estejam certos, que o aquecimento global seja um fenômeno cíclico do planeta no qual temos pouca ou nenhuma participação. Mesmo assim, a mobilização que estamos vendo agora certamente ajudará a tornar o mundo um lugar melhor e mais limpo.
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Steve Greer Photography / iStockphoto
Mais uma pesquisa indica que há várias regiões do cérebro ligadas à espiritualidade e a práticas religiosas.Quando assisti à palestra de Peter Clarke no curso de ciência e religião em Cambridge, em julho do ano passado, ele já havia dito que boa parte dos estudos neurológicos recentes indicavam que não existia um ponto específico ligado à religiosidade no cérebro das pessoas. Então, quando li uma matéria do Kansas City Star dizendo "contrary to previous theory, there is no one 'God spot' in the human brain", só posso imaginar que a repórter estava querendo dar uma esquentada no assunto.
De fato, uma nova pesquisa dá mais força à ideia de que a espiritualidade envolve diversas partes do cérebro. Brick Johnstone, da Universidade de Missouri, estudou pessoas que tiveram seu lobo parietal direito afetado por algum tipo de trauma. Essa região do cérebro, já se sabia, influencia pensamentos relativos à própria pessoa. Os pesquisados descreviam um maior senso de ligação com um "poder superior". Até já posso imaginar um ou outro ateu sorrindo ao pensar na ligação entre "espiritualidade" e "lesão cerebral", mas o próprio Johnstone já afirma que uma coisa não tem nada a ver com a outra: padrões parecidos já foram encontrados em freiras franciscanas e monges budistas cujos cérebros não tinham sofrido nenhum tipo de trauma, segundo o press release da universidade.
O pulo do gato está no fato de o hemisfério direito do cérebro ser, em geral, associado à relação do indivíduo consigo mesmo, enquanto o hemisfério esquerdo direciona a relação da pessoa com os demais. É bem verossímil supor que pessoas com um hemisfério esquerdo mais ativo que o direito sejam menos centradas em si mesmas e, assim, estejam mais abertas à espiritualidade, seja na forma de práticas religiosas, seja em um direcionamento à caridade ou mesmo a uma conexão maior com a natureza, o que não depende de religião. O que Johnstone também encontrou, e aí voltamos ao ponto de que não existe uma única área cerebral responsável pela espiritualidade, foi uma ligação entre atividade no lobo frontal: maior atividade naquela religião estava relacionada a uma maior frequência a cerimônias religiosas. Ao Kansas City Star, o cientista ainda disse que "isso também apoia a noção de que nossa espiritualidade está baseada no cérebro, em vez de ser dada por Deus". Sério? Pelo menos para mim está bem claro que uma coisa é descobrir como o cérebro processa as informações relativas à espiritualidade; outra coisa é decifrar sua origem última (ou primeira, como for). Aí sim, parece coisa puramente da cabeça do pesquisador...
E, só porque hoje é sexta, recupero um vídeo publicado lá nos começos do blog, em que o John Cleese anuncia outra descoberta muito caçada pelos cientistas: o gene responsável pela crença em Deus.
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Jeff Swensen/Getty Images/AFP
Eu aceito a evolução, e você devia aceitar também!Com a saída de Rick Santorum, parece que a disputa presidencial norte-americana será mesmo entre o republicano Mitt Romney e o atual presidente, o democrata Barack Obama. Agora que acabou a briga de foice interna entre os republicanos, é hora de prestar atenção nesta pesquisa divulgada no começo do mês pelo site ScienceDebate.org: mesmo os eleitores mais religiosos querem um debate entre os candidatos envolvendo temas de ciência e meio ambiente. E não é só isso: eles acham que o debate científico é mais importante que a discussão sobre fé e valores (confiram as páginas 7 e 8 do PDF)! Claro, temas como economia e segurança nacional ainda são as prioridades, e eu não esperaria algo diferente. Mas ver a ciência em terceiro lugar é para se comemorar.
Um dos cofundadores do site, Shawn Lawrence Otto, escreveu no Huffington Post que os responsáveis pelas campanhas políticas normalmente acham que a população considera os temas de ciência pouco importantes porque eles mesmos, normalmente provenientes da área de Humanas, não se interessam pelo assunto.
Reprodução
Independentemente do grupo religioso, todos acham importante saber o que os candidatos pensam sobre temas de ciência.O que não ficou claro é como as opiniões dos candidatos influenciariam o voto dessas pessoas pesquisadas. Se o sujeito disser que aceita, sim, a evolução e a tese de que o homem é responsável (ou pelo menos um dos responsáveis) pelas mudanças climáticas, como fez Jon Hunstman no Twitter, ganharia ou perderia votos? Mitt Romney, em outubro de 2011, se declarou um cético em relação ao aquecimento global antropogênico, mas parece também aceitar a evolução, e combateu a tentativa de alterar o currículo das escolas para introduzir o criacionismo e o Design Ingeligente quando era governador de Massachusetts. A página 13 do PDF tem um dado relevante: as pessoas acreditam que é errado colocar as convicções pessoais (ou a fé) acima das evidências científicas. Reparem que a porcentagem de pesquisados que consideram esse comportamento incorreto é maior entre os republicanos que entre democratas e independentes. Para quem generaliza os republicanos como adversários da ciência, o dado deve ser uma verdadeira surpresa.
Lançamento de livro
Recebi o seguinte aviso, e parece interessante para os leitores do blog que são de São Paulo:
Divulgação

Saúde e espiritualidade
Fui avisado pelo Facebook que o Canal Saúde, da Fiocruz, vai tratar do tema "saúde e espiritualidade" no programa Sala de convidados, que vai ao ar às 11 horas desta sexta-feira. É possível mandar, desde já, perguntas por e-mail ou ao vivo, durante a transmissão.
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Em primeiríssimo lugar, devo pedir desculpas aos leitores (os que seguem o blog pelo Facebook e pelo Twitter já souberam ontem) pela falta de posts novos na semana passada. Estive fora da redação, fazendo um curso oferecido pela Gazeta do Povo a seus editores, e antes de começar achei que conseguiria escrever pelo menos um ou dois posts, mas acabei superestimando minha disponibilidade de tempo. Além disso, uma transição também engoliu um pouco do tempo livre: a partir de hoje, deixo a editoria de Economia para integrar a equipe de Opinião do jornal.
O post de hoje é quase uma dica de viagem. A primavera é uma época sensacional para conhecer a Europa, e quem estiver passeando pela Itália e quiser dar um pulinho em Pisa tem um motivo para não se limitar à catedral, ao batistério e à famosa torre inclinada do campanário. Até 1.º de julho, o Palazzo Blu recebe a exposição "Histórias do outro mundo – o universo dentro e fora de nós", realizada pelo Observatório Vaticano em parceria com uma série de outras instituições.
Nasa/Noao/ESA/The Hubble Helix Nebula Team/Divulgação
A nebulosa Hélix, na constelação de Aquário, tem o nome formal de NGC 7293, mas é chamada por aí de "olho de Deus".A mostra conta a história de como o homem primeiro se maravilhou, e depois buscou conhecer o universo, esse "outro mundo" a que se refere o título da exposição, com seus quase 14 bilhões de anos (e não os 6 mil que muita gente insiste em atribuir ao Cristianismo como um todo). Várias salas mostram o que existe para lá do Sistema Solar, como acabamos formados de "poeira espacial", quem foram os principais responsáveis por descrever o que conhecemos hoje sobre o universo, e qual tem sido a participação de instituições como o Observatório Vaticano e o Instituto Nacional de Física Nuclear italiano nas pesquisas sobre o espaço. A visitação ocorre de terça a domingo, e sempre é gratuita. Segundo o GoogleMaps, o Palazzo Blu fica a uns 20 minutos de caminhada da praça da catedral.
Agenda de Oxbridge
O prazo para tentar uma bolsa acabou na sexta-feira passada, mas o Faraday Institute, da Universidade de Cambridge, ainda aceita inscrições para quem quiser participar do seu curso de verão 2012 (mas neste caso bancando as próprias despesas). Ano passado este blogueiro recebeu uma bolsa do instituto, e a experiência foi verdadeiramente incrível (para saber como foi, é só conferir os posts de julho de 2011 e procurar pelos que têm o título "Direto de Cambridge"). O instituto ainda promove outros cursos, curtinhos (o curso de verão tem cinco dias inteiros), ao longo do ano; em setembro, por exemplo, haverá um sobre "Deus e genética", que começa no fim da tarde de sexta e acaba na tarde de domingo. Esse ainda tem inscrições abertas para bolsas.
Quem ainda tem inscrições abertas é a Universidade de Oxford, que promove, por meio de seu projeto Ciência e Religião na América Latina, um concurso de ensaios para membros da comunidade acadêmica e um congresso que ocorrerá no Rio de Janeiro, em outubro. O concurso de ensaios aceita participações (em português, mesmo) até 15 de julho; já o congresso convoca interessados em fazer apresentações curtas, de 20 minutos com outros 10 para perguntas e respostas, sobre temas de ciência e religião. Ano passado, na Cidade do México, tive a oportunidade de fazer uma dessas apresentações. É preciso enviar, até 30 de junho, um resumo da apresentação (não é necessário ter tudo pronto; no meu caso, uma sondagem de opinião, ainda não havia terminado de coletar os dados, mas enviei resultados preliminares). Confira todas as regras tanto para o concurso de ensaios quanto para as apresentações no congresso pelos links acima.
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Resolvi adiar a hora de ir pra cama ontem e fiquei vendo dois dos episódios da série Em busca do tesouro sagrado, que o History Channel está passando nesta Semana Santa (veja no post anterior os horários). Os dois, produzidos em 2009, eram sobre panos que teriam envolvido o corpo de Cristo no sepulcro.
Turim
O primeiro era sobre o sudário de Turim, do qual muito já se falou aqui no blog. A primeira metade do episódio é uma tentativa de reconstituir o trajeto feito pelo sudário desde Jerusalém até Turim. Parece que os responsáveis pela série endossam a tese de Ian Wilson de que o Mandylion de Edessa, um pano que se conhece desde o primeiro milênio e que traria impresso o rosto de Jesus, era o próprio sudário de Turim, mas dobrado algumas vezes para que só o rosto fosse visto. Desta primeira metade, o mais interessante, pelo menos para nós, é o trecho que menciona o bispo Pierre d'Arcis, aquele que teria denunciado o sudário como uma fraude, em 1389, e dizia que seu antecessor, Henri de Poitiers, tinha conhecido o pintor. Mas existe a parte menos conhecida da história: nenhum dos bispos chegou a dar o nome do pintor, coisa que o antipapa Clemente VII, a quem d'Arcis recorreu, queria saber. Além disso, Lirey havia se tornado um grande centro de peregrinação, criando uma rivalidade com Troyes, a sede episcopal, que, para os bispos, não podia ser ofuscada por uma paróquia em outra cidade, especialmente porque o dinheiro dos peregrinos acabava em Lirey, não em Troyes. No fim, o antipapa não deu razão a d'Arcis e permitiu a veneração do sudário.
Na segunda metade do programa é que se conhece mais sobre as pesquisas científicas feitas no sudário, desde a famosa fotografia de Secondo Pia, passando pelo estudo de Pierre Barbet sobre a crucifixão, pela bateria de testes do Sturp e chegando ao carbono 14, que domina boa parte do tempo dedicado às pesquisas no documentário. Os produtores entrevistaram tanto críticos do resultado do carbono 14 quanto seus defensores. A tese da "costura invisível", que mencionei no post anterior, não é citada no programa; em vez disso, os debates se concentram na possibilidade de contaminação do pano original. O Sudário pegou fogo, foi remendado, molhado, manipulado inúmeras vezes, dizem uns; outros rebatem que, para a contaminação alterar tão significativamente o resultado da datação, a proporção de contaminante precisaria ser enorme. Por fim, ainda há críticas à maneira como o exame foi conduzido (aquelas mesmas que já vimos no link da Wikipedia sobre a datação). Comentando outros resultados de exames, Bruno Barberis explica que a presença de óxido de ferro no pano poderia ser explicada pela prática de colocar objetos em contato com uma relíquia, o que os tornava relíquias também (é o que tecnicamente se chama de "relíquia de terceira classe").
Reprodução
Exposição do Sudário "à moda antiga", registrada em gravura de 1578: intensa manipulação do pano é usada como argumento por críticos da datação por carbono 14.Enfim, o programa tem fontes interessantes: um padre responsável pela exposição do Homem do Sudário em Jerusalém (igual à que passou por Curitiba e está no Rio), engenheiros, estatísticos, sindonologistas, gente de Oxford (um dos laboratórios que fez a datação). Mas, para quem está interessado nas descobertas científicas sobre o sudário, este não é o melhor documentário. Eu recomendaria A verdadeira face de Jesus, de 2010, que o mesmo History Channel exibiu no ano passado (e que eu comentei na ocasião e está disponível em DVD)
Oviedo
O programa seguinte foi sobre o bem menos conhecido sudário de Oviedo, o pano que teria coberto o rosto de Cristo e que está descrito no Evangelho de São João (20,7: [Pedro] Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.). Até por ele ser bem menos pesquisado que o de Turim, a produção encontrou problemas para encher uma hora de programa apenas com informações sobre este pano: boa parte do programa foi usada para debates sobre a existência histórica de Jesus.
Labé/Wikimedia Commons
A catedral de Oviedo, na Espanha, guarda o pano que teria coberto o rosto de Jesus. O sudário, no entanto, não tem nenhuma imagem, apenas manchas de sangue.O que o programa efetivamente conta sobre o sudário de Oviedo é seu trajeto histórico (de Jerusalém a Alexandria, de lá para o sul da Espanha, e de lá para Oviedo, após a ocupação muçulmana da Península Ibérica), e as poucas pesquisas que foram feitas sobre o pano, que não mostra imagem nenhuma. O que se sabe é que as manchas de sangue são do tipo AB, o mesmo encontrado no sudário de Turim e que é bem comum no Oriente Médio, mas raro entre os europeus medievais. E também se descobriu que o perfil das manchas nos dois sudários é compatível (confiram um paper sobre o tema). A Wikipedia diz que, segundo uma datação de carbono 14, o sudário de Oviedo seria do século 7.º, mas que há controvérsias sobre o processo (suponho que sejam de natureza parecida às contestações à datação do sudário de Turim), mas isso não é mencionado no programa, que aliás usa muitos dos entrevistados que já apareciam no documentário anterior. Enfim, como eu nunca tinha visto nada na televisão sobre esta relíquia, parece uma introdução decente, embora ache que pudesse haver um aprofundamento.
Corre, que dá tempo!
O programa sobre o sudário de Turim ainda tem quatro reapresentações: hoje, às 13 horas; no sábado, às 19 horas; e no domingo, às 7 e 11 horas. Já o documentário sobre o sudário de Oviedo vai passar só mais uma vez, hoje, às 14 horas.
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Semana Santa é tempo de sermos inundados por reportagens sobre temas religiosos. Arrisco dizer que na maioria das vezes trata-se de nonsense do tipo "Evangelho de Judas" ou teorias inacreditáveis do tipo "Jesus não morreu e foi morar na Índia". Mas, de vez em quando, ficamos aliviados ao ver algo mais equilibrado como a reportagem que saiu na Veja desta semana, sobre as pesquisas no Sudário de Turim (um tema que fica adormecido por quase todo o ano para ressurgir, assim como Cristo, nesta época do ano). Infelizmente o texto não está no site da revista.
O texto se baseia principalmente em um novo livro sobre o Sudário que está sendo lançado nesta semana: O Sinal, de Thomas de Wesselow. Como comentou um amigo, leitor do Tubo, a matéria "nem cedeu aos interesses dos crentes em ver tal relíquia como prova definitiva de sua fé e nem aos desejos dos ateus de descaracterizar a ciência quando essa não fundamenta suas crenças". Afinal, o texto lembra que há poucos registros históricos da existência de Jesus e que nem mesmo o Vaticano afirma com todas as letras que o Sudário é efetivamente o pano que cobriu o corpo de Cristo (confiram o discurso de João Paulo II em 1998 sobre o Sudário).
Reprodução
"Sepultamento de Cristo", de Giovanni Battista della Rovere.A reportagem não força a barra a ponto de dizer que o Sudário é irrefutavelmente o pano descrito nos Evangelhos e que a imagem foi deixada lá após qualquer fenômeno físico-químico que tenha ocorrido no momento da Ressurreição. Em seu livro sobre o Sudário, os italianos Bruno Barberis e Massimo Boccaletti dizem (e eu já lembrei isso aqui, mas vou repetir) que existem três "níveis de autenticidade" no Sudário. No primeiro nível, se atestaria que o pano realmente envolveu um cadáver e que a imagem foi produzida por processos "naturais", ou seja, sem pintura ou outra intervenção humana similar. No segundo nível, se comprovaria que o pano é realmente do século 1.º, e que envolveu um cadáver (não necessariamente o de Cristo). No terceiro nível, o Sudário seria autêntico se fosse realmente a mortalha que envolveu o corpo de Cristo, que ressuscitou e deixou no pano a marca do seu corpo. A ciência só vai até o segundo nível de autenticidade. O terceiro depende da fé.
Se por um lado a reportagem não empurra goela abaixo dos leitores a ideia de que o Sudário realmente é a mortalha que envolveu Cristo, por outro ela mostra como várias teses de que o pano é uma falsificação medieval foram desmontadas ao longo do tempo. Como não poderia deixar de ser, há vários trechos dedicados ao exame de carbono-14. A reportagem falou inclusive com Joe Marino, coautor da hipótese que, segundo a Veja, é a mais aceita na atualidade para explicar os resultados da datação, a de que a amostra era um remendo medieval unido ao pano original com uma técnica que tornava imperceptível o ponto de união entre os dois panos (confiram o paper de Marino e Sue Benford; o artigo da Wikipedia sobre a datação também explica bem as controvérsias em relação ao processo, inclusive com as quebras de protocolo ocorridas durante a pesquisa).
O livro, pelo que se entende da reportagem, não traz nada exatamente novo, mas faz uma compilação de tudo o que se sabe até o momento sobre o Sudário, trabalho que eu considero importante, até porque volta e meia aparecem novos estudos e tentativas de reprodução do Sudário. Eu tenho dois livros sobre o tema, ambos do início de 2010; são suficientemente recentes para cobrir a mais nova tentativa de reproduzir o Sudário (a de Luigi Garlaschelli), mas sabe-se lá o que foi publicado nesses últimos dois anos. A única "viajada" que encontrei ocorre justamente quando o autor se afasta do tema principal, as pesquisas sobre o Sudário: para Wesselow, o que reforçou a fé dos apóstolos não foi a visão de Cristo ressuscitado, e sim do pano. É verdade que São João conta, em seu Evangelho, que ele e São Pedro, ao verem o túmulo vazio e os panos, acreditaram; mas daí a concluir que todos os demais relatos das aparições de Jesus aos apóstolos sejam, na verdade, "encontros com o pano", bom, é demais, até porque alguns episódios são bem explícitos, com Jesus comendo peixe na frente dos apóstolos, por exemplo. Como Wesselow explicaria uma coisa dessas é o que vou descobrir assim que conseguir um exemplar de seu livro.
Mais Sudário
Falando em Sudário, os cariocas não podem perder a exposição que está ocorrendo no shopping Via Parque.
Na televisão
Fiz uma pesquisa nos sites de alguns canais para ver o que teremos nesta Semana Santa que pode interessar. Confiram aí:
History Channel
Em busca do tesouro sagrado: o Sudário de Turim
Quarta, 21 horas
Quinta, 1 hora e 13 horas
Sábado, 19 horas
Domingo, 7 horas e 11 horas
Em busca do tesouro sagrado: o Sudário de Oviedo
Quarta, 22 horas
Quinta, 2 horas e 14 horas
Em busca do tesouro sagrado: a Santa Cruz
Sábado, 21 horas
Domingo, 1 hora e 13 horas
Em busca do tesouro sagrado: o túmulo de Cristo
Sábado, 22 horas
Domingo, 2 horas, 9 horas e 14 horas
Em busca do tesouro sagrado: a lança sagrada
Quinta, 21 horas
Sexta, 1 hora, 7 horas e 13 horas
Em busca do tesouro sagrado: a coroa sagrada
Quinta, 22 horas
Sexta, 2 horas, 11 horas e 14 horas
Em busca do tesouro sagrado: Guadalupe
Sexta, 21 horas
Sábado, 1 hora e 13 horas
Em busca do tesouro sagrado: O sangue de São Januário
Sábado, 17 horas
Domingo, 5 horas
Em busca do tesouro sagrado: a Arca de Noé
Sábado, 23 horas
Domingo, 3 horas e 15 horas
Crucificação
Sexta, 22 horas
Sábado, 2 horas
National Geographic
A lança que feriu Cristo
Quinta, 23h15
Sexta, 5 horas
Sábado, meia-noite
As chagas de Cristo
Terça, 21 horas, 19 horas e meia-noite
Quarta, 6 e 12 horas
Sábado, 19h50
No Discovery Channel não achei nada. Os leitores que quiserem acrescentar alguma informação podem usar a caixa de comentários.
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Divulgação/Dartmouth College
Marcelo Gleiser escreveu "Conversa sobre a ciência e a fé", com frei Betto.Gleiser todos nós conhecemos, tanto pelo seu trabalho na televisão e na Folha de S.Paulo como por seus livros, dos quais dois estão na minha fila de leitura (Criação imperfeita e Conversa sobre a ciência e a fé, este último em parceria com frei Betto). Numbers é coordenador de um livro que eu considero fundamental para quem se interessa por ciência e religião: a coletânea Galileo goes to jail, que eu resenhei para a Dicta&Contradicta em 2009 (posteriormente publiquei o texto aqui no Tubo). Os temas das palestras de ambos, no entanto, ainda não foi divulgado.
E parece que o congresso do Rio vai repetir o modelo do evento do ano passado, na Cidade do México, em que 75 participantes (incluindo este blogueiro) tiveram a oportunidade de fazer apresentações curtas (20 minutos, mais 10 de perguntas) de trabalhos selecionados por uma comissão. Até 30 de junho, os interessados devem enviar um resumo do trabalho que pretendem apresentar, junto com um pequeno currículo. Se for como no ano passado, não será necessário elaborar um artigo para publicação, nem antes, nem depois do congresso (embora isso fique a critério de cada um, caso haja interesse em publicar o trabalho em algum lugar após o evento). Os temas estão listados no primeiro link deste post.
Quem quiser ter uma ideia de como foi o congresso do ano passado pode (e deve) visitar a página do Ciência e Religião na América Latina no YouTube. Como aperitivo, deixo aqui uma das palestras, a de Hector Velázquez, sobre "finalidade e natureza":
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Mike Stone/Reuters
Líder tibetano receberá o equivalente a US$ 1,7 milhão.A Fundação John Templeton anunciou na manhã de hoje que o Prêmio Templeton 2012 foi concedido ao Dalai Lama, o líder espiritual tibetano (suponho que os chineses não vão gostar). Entre outros motivos para a escolha, a fundação citou o fato de o Dalai Lama encorajar a pesquisa científica sobre o poder da compaixão. "Ele tem se concentrado vigorosamente nas conexões entre as tradições investigativas da ciência e do Budismo como modo de entender e promover o melhor que ambas as disciplinas podem oferecer ao mundo. Ele tem encorajado uma pesquisa científica séria sobre o poder da compaixão e seu potencial para resolver os problemas fundamentais do mundo. Essa busca é central em seus ensinamentos", diz o comunicado assinado por John Templeton Jr., que comanda a fundação.
O Dalai Lama já foi assunto no blog em pelo menos duas ocasiões: durante sua visita ao Brasil, ano passado, e depois de uma palestra em Atlanta, em 2010. A Fundação John Templeton colocou no ar um vídeo em que o Dalai Lama agradece pelo prêmio:
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DOP Cucina e Templo da Cerveja promovem beer dinner hoje
ATUALIZADOhá 1h
ATUALIZADOhá 2h
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