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Tubo de Ensaio

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 25/04/2013 às 17:00


Divulgação / Fermilab

Divulgação / Fermilab / Richard Feynman, apesar de ateu, não defendia que a ciência pode provar a inexistência de Deus.Richard Feynman, apesar de ateu, não defendia que a ciência pode provar a inexistência de Deus.

Filho de judeus devotos, o físico norte-americano Richard Feynman era ateu. Mas nem por isso defendia uma incompatibilidade entre ciência e religião, ou achava irracional que um cientista tivesse fé religiosa. Na semana que vem, uma palestra que Feynman deu no California Institute of Technology (Caltech) faz 57 anos. Em "The relation of science and religion", o físico se pergunta como um cientista pode acreditar em Deus, e explica em que bases isso é possível.

Para defender essa possibilidade, Feynman parte de uma história familiar: a do jovem que, criado em uma família religiosa, começa a estudar ciência e passa a duvidar. E por que isso acontece?, pergunta-se o físico. Ele descarta duas hipóteses iniciais para afirmar que "Uma terceira resposta que poderíamos ter é que esse jovem realmente não entende a ciência corretamente. Não creio que a ciência possa desmentir a existência de Deus. Acho que isso é impossível. E, se é impossível, a crença na ciência e em Deus – um Deus comum, das religiões – não seria uma possibilidade consistente? Sim, é consistente. Apesar de eu ter dito que mais da metade dos cientistas não crê em Deus, muitos outros cientistas creem tanto na ciência quanto em Deus de uma forma perfeitamente consistente. Mas essa consistência, embora possível, não é fácil de alcançar, e eu gostaria de tentar discutir dois pontos: por que não é fácil, e se vale a pena tentar alcançá-la". O que chama a atenção nesse trecho é que Feynman discorda da noção de que a ciência conduz inevitavelmente ao ateísmo.

A chave que abre espaço para a crença em Deus, explicará Feynman, é a incerteza. Ela é fundamental para a ciência, e é o que impulsiona a pesquisa científica. "Para progredir no conhecimento precisamos permanecer humildes e admitir que não sabemos. Nada está certo ou comprovado para além de qualquer dúvida. Você pesquisa por curiosidade, porque é desconhecido, não porque você já sabe a resposta." Feynman defende que tenhamos isso em mente não apenas na ciência, mas em diversos outros aspectos da vida.

Como isso se aplica à crença em Deus? Feynman retorna ao caso do jovem cientista e afirma que, quando se incorpora a mentalidade da incerteza, a pergunta muda de "Deus existe" para "Quão certo é que exista um Deus?" Falando dos cientistas que têm fé, Feynman afirma: "Se eles são coerentes com sua ciência, acho que eles dizem a si mesmos algo como 'Estou quase certo de que existe um Deus. A dúvida é mínima'. Isso é bem diferente de dizer 'Eu sei que Deus existe'. Eu não acredito que um cientista seja capaz de chegar a esse ponto – essa compreensão realmente religiosa, esse conhecimento real de que existe um Deus –, a essa certeza absoluta que as pessoas religiosas têm".


Reprodução

Reprodução / Tomé teve a evidência empírica da ressurreição, mas esse é um privilégio que poucos tiveram. Nós precisamos dá fé, e com ela vem a dúvida.Tomé teve a evidência empírica da ressurreição, mas esse é um privilégio que poucos tiveram. Nós precisamos dá fé, e com ela vem a dúvida.

Vale a pena ler todo o resto da palestra. Nele, Feynman trata da alegada irracionalidade da crença em Deus, do caráter anticientífico do socialismo, e da relação entre a ciência e os aspectos metafísico, moral e inspiracional da religião, entre outros temas. Mas eu queria ficar aqui na distinção que o físico traça entre a "maneira como o cientista crê" e a "maneira como o não cientista crê".

Os dicionários (inclusive dicionários de Teologia) registram a expressão "fé do carvoeiro" como sinônimo de fé cega, inquestionável, sem fundamentos. Difícil saber quanta gente de fé hoje crê dessa maneira (mas, isso é minha opinião pessoal, tal fé também tem valor, especialmente entre quem não tem a possibilidade de se aprofundar naquilo em que crê). Mas, entre aqueles que têm a chance de estudar pelo menos um pouco sobre sua religião, acho que a dúvida é um fator que sempre faz parte do jogo, independentemente de a pessoa ser cientista ou não. Não sei se, ao falar de "certeza absoluta que as pessoas religiosas têm", Feynman se referia à tal "fé do carvoeiro" ou de algum outro tipo de certeza mais fundamentada, como por exemplo a certeza filosófica (que um cientificista abominaria, como bem sabemos). Mas não me parece que haja tanta diferença assim entre a maneira como o cientista crê em Deus e a maneira como as demais pessoas o fazem. Eu agradeceria se os leitores que são crentes e cientistas pudessem contar um pouco sobre sua experiência pessoal.

Muito tempo atrás li um ótimo texto sobre como a dúvida é parte integrante da fé. Pena que não guardei a referência. Até tentei uma busca enquanto escrevia esse post, mas não achei o artigo que eu tinha lido. Mas, em vez disso, apareceram algumas contribuições interessantes, como as de Philip Yancey, Ray Pritchard, Doug Gibson e William Lane Craig.

Obrigado!
Queria agradecer às dezenas de pessoas que estiveram na Escola do Bosque no sábado passado, para minha palestra sobre ciência e fé na mídia. Apesar de eu estar com a bateria pela metade, foi muito bom poder conhecer alguns dos leitores do blog e poder contribuir para o debate.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 19/04/2013 às 17:21


Fons Reijsbergen/stock.xchng

Fons Reijsbergen/stock.xchng / O aviso de troll na área deveria ser obrigatório em vários fóruns e listas de discussão.O aviso de troll na área deveria ser obrigatório em vários fóruns e listas de discussão.
Todo mundo que já participou de debates na internet, seja em fóruns, seja em comentários de blog, seja em listas de e-mail, conhece o troll, aquele sujeito que só está ali para tumultuar, que lança opiniões polêmicas só para ver o circo pegar fogo, isso quando não parte direto pro insulto para ver o que os outros vão responder. E volta e meia moderadores e blogueiros aparecem para dizer "não alimente o troll", porque o troll vive de atenção: ignorar esse tipo de pessoa é o melhor modo de garantir que ela não cause mais problemas.

Pois então, o jornalista Tyler Francke sugere, no recém-criado site God of Evolution - Theology with attitude (que defende a conciliação entre Cristianismo e evolução), que os criacionistas sejam tratados exatamente como trolls, e que o melhor jeito de a discussão evolução-criação evoluir (acho que o trocadinho é intencional) é ignorando essa turma.

Francke apresenta alguns argumentos: primeiro, muitos criacionistas não admitem nem mesmo a hipótese de analisar as evidências em favor da evolução, e por isso discutir é perder tempo. Segundo (derivado do primeiro), esse debate infrutífero tira tempo de outro trabalho intelectual mais produtivo, que é o de interpretar a Bíblia à luz do que a Biologia nos ensina. Terceiro, dar ouvidos aos criacionistas significa implicitamente conceder a eles uma legitimidade que você não daria, por exemplo, a um revisionista caso estivesse escrevendo algo sobre o Holocausto. Quarto, manter o quebra-pau ativo só intensifica divisões dentro de uma comunidade religiosa.

São bons argumentos. É fato que muitos criacionistas são mesmo bitolados (o mesmo vale para muitos ateus militantes). Concordo que a tarefa de oferecer uma interpretação da Bíblia compatível com a evolução seja um trabalho importante e que merece uma boa dose de atenção. Também concordo que fomentar divisões dentro de uma comunidade é receita para problemas. E concordo com a questão da legitimidade. Mas acho que ignorar os criacionistas é contraproducente. Vejam o que Francke diz: "deixar de dar espaço à posição criacionista [de Terra jovem] pode impedir novos crentes de serem doutrinados e pode até fortalecer o testemunho da Igreja diante do mundo". Isso seria verdade uns 30 anos atrás, quando ainda havia filtros entre os produtores de conhecimento e o público consumidor de informação. Hoje, nessa era em que a coisa mais fácil do mundo é divulgar suas ideias, por mais loucas que sejam, é ingênuo achar que vamos impedir as pessoas de ter contato com o criacionismo de Terra jovem simplesmente fingindo que isso não existe.

Ontem, vimos o biólogo Douglas Futuyma dizer que não sabe o que fazer a respeito do fato de a controvérsia evolução-religião seguir acesa, apesar de a conciliação estar amplamente disponível. Francke oferece uma resposta, mas não creio ser a mais adequada. Enquanto não achamos uma solução melhor, acho que a estratégia ainda inclui gastar tempo tentando explicar aos criacionistas por que eles estão errados. E explicar aos demais por que eles não devem cair na conversa dos criacionistas.

Evento sobre ciência e fé em Curitiba
É amanhã, última chamada!


Divulgação

Divulgação / Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 18/04/2013 às 17:00

Quem diz isso é o biólogo evolucionista norte-americano Douglas Futuyma, autor de diversos livros que defendem a teoria da evolução e refutam o Design Inteligente. Ele esteve na Índia e deu uma entrevista ao site livemint. O propósito de sua viagem era falar sobre evolução e o futuro das doenças, mas as perguntas começaram pela relação entre a teoria de Darwin e a fé religiosa.


Divulgação/Stony Brook University

Divulgação/Stony Brook University / para Douglas Futuyma, já existe um modelo acabado para a conciliação entre evolução e fé religiosa.para Douglas Futuyma, já existe um modelo acabado para a conciliação entre evolução e fé religiosa.

Futuyma, que preferiu não dizer se tinha alguma religião para que isso não "contaminasse" suas afirmações (e não consegui descobrir se ele realmente tem alguma religião; alguém tem mais informações?), dá por encerrada a controvérsia entre religião e evolução, no sentido de que a conciliação não apenas é possível, como também é adotada por muitos cientistas e crentes. "O ponto é que isso é um fato empírico, as pessoas são capazes de conciliar evolução e religião. Normalmente, o modo como isso é feito é o modo que a Igreja Cátólica emprega, isto é, dizer que há um Deus, que Ele criou as leis e forneceu a energia inicial, e deixou que tudo isso se desenvolvesse por conta própria. São essas regras que a ciência, então, tenta descobrir", afirmou, depois de citar várias pessoas que Futuyma conhece e que fazem essa conciliação tranquilamente.

Mas, ao mesmo tempo, o cientista afirma que, por mais que os termos da paz entre evolução e fé estejam acertados e assinados, a polêmica não vai desaparecer, e que ele não sabe o que fazer a respeito (além do que ele já vem fazendo, imagino eu). Na entrevista, Futuyma cita Dawkins como um exemplo de estratégia que não deve ser seguida, por reforçar a percepção de que a evolução nega a existência de Deus. Acho que é justamente essa percepção que vai manter o debate sempre aceso, mas ela não é exclusividade do ateísmo militante, pois também é o grito de guerra dos criacionistas. É justamente isso que une os dois extremos do debate, e talvez essa constatação seja o melhor indicador de que nenhuma das posições extremistas está correta.

Evento sobre ciência e fé em Curitiba
No próximo dia 20, é a vez deste blogueiro dar uma palestra na Escola do Bosque:


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Divulgação / Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 12/04/2013 às 18:17

A frase do título é um tanto óbvia, mas precisou acontecer uma tragédia para algumas pessoas perceberem isso? O Washington Post publicou, anteontem, uma reportagem mostrando como o suicídio, na semana passada, de Matthew Warren, filho do pastor Rick Warren, está chamando a atenção de líderes e fiéis pentecostais americanos para que encarem com mais seriedade problemas como a depressão. Warren é um dos pastores americanos mais conhecidos em todo o mundo, autor de best-sellers como Uma vida com propósitos, e por isso a tragédia familiar ganha proporções ainda maiores.

Vejam o que diz o pastor Ed Stetzer: "Parte de nossa crença é a de que Deus pode mudar tudo e, porque Cristo vive em nós, tudo em nossas corações e mentes deve ser consertado. Mas isso não significa que algumas vezes não precisemos de ajuda médica, ou da comunidade, para conseguir isso". Já é um começo, mas algumas vezes? Eu diria "sempre que for o caso", e quem decide quando é o caso não é exatamente o padre ou o pastor...


Janet Burgess/stock.xchng

Janet Burgess/stock.xchng / Vitral da catedral de Canterbury mostra a cura de um homem louco; várias vertentes do Cristianismo ainda estão à procura da maneira sensata de lidar com problemas mentais.Vitral da catedral de Canterbury mostra a cura de um homem louco; várias vertentes do Cristianismo ainda estão à procura da maneira sensata de lidar com problemas mentais.

Talvez a relação entre o Cristianismo é as doenças de ordem mental ainda não tenha achado seu ponto de equilíbrio. O extremo mais comum é esse que vemos no caso dos pentecostais, a tendência de atribuir todo e qualquer tipo de problemas mentais a causas espirituais: ação demoníaca, uma vida de pecado, resistência à graça divina, ou até mesmo os pecados dos ancestrais. Já vi esse tipo de "quebra das maldições familiares" entre católicos carismáticos, por exemplo, o que é assustador (só para ressaltar, estamos falando de gente que genuinamente acredita nisso, e não das "sessões de descarrego" de pastores caça-níqueis). O outro extremo, menos comum, é um ceticismo exagerado que chega a negar a ação do sobrenatural no mundo (pense no padre Karras de O Exorcista).

Onde está a posição sensata no meio dos dois extremos? É o que os pentecostais americanos estão tentando descobrir agora, depois dessa e de outras experiências traumáticas, como o caso de Michelle Freeman, que conta ao Post como ela afastou de si o marido, que tinha depressão, dizendo que não existia "depressão", ele é que estava resistindo a Deus. Anos depois, foi a vez de ela ser diagnosticada com o mesmo problema. Foi necessário chegar a esse ponto para ela perceber que doenças mentais não tinham ligação nenhuma com o desenvolvimento espiritual do indivíduo. O que faz falta é o velho conselho (atribuído a santo Inácio de Loyola, se não me engano) de rezar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse de si mesmo. Ou aquele trecho do Eclesiástico que fala do médico (38, 1-8): "Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo quem o criou. (Toda a medicina provém de Deus), e ele recebe presentes do rei: a ciência do médico o eleva em honra; ele é admirado na presença dos grandes. O Senhor fez a terra produzir os medicamentos: o homem sensato não os despreza. Uma espécie de madeira não adoçou o amargor da água? Essa virtude chegou ao conhecimento dos homens. O Altíssimo deu-lhes a ciência da medicina para ser honrado em suas maravilhas; e dela se serve para acalmar as dores e curá-las; o farmacêutico faz misturas agradáveis, compõe unguentos úteis à saúde, e seu trabalho não terminará, até que a paz divina se estenda sobre a face da terra." Sei que os protestantes não consideram o Eclesiástico um livro canônico, e por isso o retiraram da Bíblia, mas ninguém diria que o conselho não é sensato.

A reportagem ainda trata do tema do suicídio, mostrando como ele é encarado pelo Cristianismo e pelo Judaísmo. Mais recentemente, adotou-se uma atitude mais tolerante em relação ao suicida, e arrisco dizer que isso só foi possível graças aos avanços da medicina, que jogou luz justamente sobre problemas como a depressão e o transtorno bipolar. Vejamos, por exemplo, o que diz o Catecismo da Igreja Católica, que reafirma a gravidade do suicídio, mas faz ressalvas: "Perturbações psíquicas graves, a angústia ou o temor grave duma provação, dum sofrimento, da tortura, são circunstâncias que podem diminuir a responsabilidade do suicida", acrescentando ainda que "(n)ão se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida". Assim, como a medicina comprova que o suicídio nem sempre é uma opção livre, deliberada e refletida de um ser humano, a doutrina católica compreendeu esse aspecto e o incorporou em seu ensinamento sobre o suicídio. Afinal, quem pode julgar a responsabilidade moral de uma pessoa que se mata graças a um desarranjo químico em seu cérebro?

Evento sobre ciência e fé em Curitiba
No próximo dia 20, é a vez deste blogueiro dar uma palestra na Escola do Bosque:


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Divulgação / Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 11/04/2013 às 11:21

Nesses dias, os bispos brasileiros estão todos reunidos em Aparecida para a Assembleia Geral da CNBB. Dias atrás, foi a vez de parte dos bispos europeus se reunir em Paris, junto com os responsáveis pela Pastoral Universitária de cada nação europeia, para discutir o papel da universidade na relação entre ciência e fé. O site Vatican Insider, do jornal italiano La Stampa, tem um relato em espanhol.


Divulgação/CCEE

Divulgação/CCEE / Evento de quatro dias em Paris, para bispos europeus, tratou da relação entre ciência e fé, especialmente nas universidades.Evento de quatro dias em Paris, para bispos europeus, tratou da relação entre ciência e fé, especialmente nas universidades.

Um dos convidados para falar aos bispos e demais representantes foi o britânico Andrew Pinsent, que, além de padre, é o diretor de Pesquisa do Centro Ian Ramsey para Ciência e Religião da Universidade de Oxford – a mesma instituição que vem organizando o projeto Ciência e Religião na América Latina. Foi assim que o conheci em 2011, na Cidade do México. Por e-mail, o padre Pinsent escreveu um pouco sobre o encontro, e sobre como os bispos europeus encaram o tema. "Até onde posso ver, existe um amplo entendimento dentro da Igreja de que atualmente existem poucas (quando existem) autênticas dificuldades teóricas sobre a relação entre ciência e fé, desde que os verdadeiros significados da fé e da ciência sejam esclarecidos com uma boa formação filosófica e teológica", afirmou. Mas, ao mesmo tempo, ainda existem dificuldades culturais e pastorais, porque o Novo Ateísmo adotou a retórica dos velhos ateus do século 20, especialmente os soviéticos, ao retratar a fé como anticientífica. "Essa propaganda tem o seu impacto, especialmente entre estudantes, formadores de opinião e políticos", diz o padre Pinsent.

Por isso, ele conta, o centro da sua palestra e de outras foi a necessidade de contestar o paradigma de conflito e mostrar um relato mais rico e positivo sobre a interação entre ciência e fé. E, para o sacerdote (que tem doutorados em Física e Filosofia), uma maneira de conseguir esse objetivo é espalhar o máximo possível de informações históricas que desafiem essa noção do conflito. "É fato histórico, por exemplo, que padres católicos criaram a genética (Mendel) e a teoria do Big Bang (Lemaître), e ambas as teorias foram rejeitadas por décadas na União Soviética ateia", afirma. Outra estratégia é ressaltar as contribuições culturais da fé para a civilização, como a criação das primeiras universidades na Europa medieval. "Por fim, também podemos demonstrar como uma percepção católica do mundo produziu um senso de beleza e ordem na maneira como entendemos o cosmos (como pode ser visto através da história da arte). Não é questão de nos gabarmos, mas de mostrar mais enfaticamente esses 'frutos da fé' por bons motivos, por razões pastorais", acrescenta Pinsent.


Divulgação/CCEE

Divulgação/CCEE / O público-alvo do congresso, além dos bispos, incluía os representantes da Pastoral Universitária de cada país europeu.O público-alvo do congresso, além dos bispos, incluía os representantes da Pastoral Universitária de cada país europeu.

"Poderíamos resumir da seguinte maneira: precisamos mostrar que, embora a principal tarefa da Igreja seja levar as pessoas ao Céu, quando somos fiéis a essa missão ajudamos a preservar e a espalhar a civilização na Terra", conclui.

Até onde sabemos, a palestra de Andrew Pinsent em Paris não foi gravada, ou pelo menos a gravação não foi divulgada, mas uma apresentação muito parecida (segundo o próprio Pinsent) está no vídeo abaixo:

Evento sobre ciência e fé em Curitiba
No próximo dia 20, é a vez deste blogueiro dar uma palestra na Escola do Bosque:


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Divulgação / Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/04/2013 às 15:20


Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Daniel Castellano/Gazeta do Povo / O banco de cordão umbilical do Hospital de Clínicas da UFPR guarda células-tronco dos bebês doadores para utilização no futuro: avanços científicos que respeitam a dignidade humana contam com o apoio da Igreja Católica.O banco de cordão umbilical do Hospital de Clínicas da UFPR guarda células-tronco dos bebês doadores para utilização no futuro: avanços científicos que respeitam a dignidade humana contam com o apoio da Igreja Católica.

Apareceu no serviço noticioso do próprio Vaticano: de 11 a 13 de abril, o Pontifício Conselho para a Cultura organiza uma nova conferência internacional sobre o uso de células-tronco adultas. Serão apresentados os últimos avanços no setor, e haverá inclusive a participação de pacientes que já receberam tratamentos com células-tronco adultas. No último dia do evento, os participantes terão uma audiência com o papa Francisco.

O evento dá sequência à parceria entre o Vaticano (por meio do Pontifício Conselho para a Cultura) e a empresa NeoStem, cooperação sobre a qual já falamos muito aqui no blog. É a melhor resposta que se pode oferecer a quem cita a oposição ao uso de células-tronco embrionárias como "prova do obscurantismo católico". Muitas vezes a imprensa afirma simplesmente que a Igreja "se opõe às pesquisas com células-tronco", sem diferenciar as células adultas das embrionárias. Mas a verdade é que a Igreja sempre apoiou a pesquisa com as células-tronco adultas.

Evento sobre ciência e fé em Curitiba
No próximo dia 20, é a vez deste blogueiro dar uma palestra na Escola do Bosque:


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Divulgação / Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.Evento sobre ciência e fé ocorre em Curitiba no dia 20.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 04/04/2013 às 15:09


Reuters/KNA-Bild

Reuters/KNA-Bild / João Paulo II e o então cardeal Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI: ambos ajudaram a consolidar a conciliação entre catolicismo e evolução.João Paulo II e o então cardeal Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI: ambos ajudaram a consolidar a conciliação entre catolicismo e evolução.

Conheci Peter Hess, um dos diretores do National Center for Science Education, em 2011, no VI Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião, na Cidade do México. Na ocasião, ele deu a palestra "Creatio continua et imago Dei: uma aproximação teológica católica para a evolução do universo". Uma pena que o vídeo da palestra não esteja disponível. Mas, voltando a Hess, anteontem ele aproveitou o fato de, na última década, já termos visto dois papas e estarmos passando pelo terceiro para fazer, no Huffington Post, uma recapitulação de como os pontífices do novo milênio têm tratado a ciência.

Hess não adere à tese de que antigamente a Igreja era hostil à ciência e só agora deu uma guinada; pelo contrário, lembrou da contribuição católica ao progresso científico e ressaltou, por exemplo, que nunca houve oposição oficial da Igreja à teoria da evolução. E é por ela que Hess começa a tratar dos papas do novo milênio, já que João Paulo II deixou ainda mais clara a concordância entre evolução e catolicismo, especialmente em seu discurso de 1996 à Pontifícia Academia de Ciências; um trabalho que foi continuado por Bento XVI antes mesmo de Joseph Ratzinger ser eleito papa. O então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé já havia escrito, a título de reflexão pessoal, um livro sobre o relato bíblico da origem do mundo, e aprovou um documento da Comissão Teológica Internacional que endossa, em linhas gerais, tudo que a ciência vem revelando sobre a origem do universo e do homem.

Já no pontificado, Bento XVI também apoiou um congresso sobre Darwin no bicentenário de nascimento do naturalista inglês, mas Hess lamenta que ainda haja alguns enclaves problemáticos entre católicos. Ele cita o Centro Kolbe, um grupo de criacionistas da Terra jovem que alega se apoiar em uma encíclica de Leão XIII sobre a interpretação das Escrituras (eu preciso dar uma olhada com mais calma na Providentissimus Deus, mas de cara eu já tenho a impressão de que o pessoal do Centro Kolbe precisa recorrer a um non sequitur para defender um universo de 6 mil anos). Para piorar, essa turma ainda ganhou o apoio de um bispo norte-americano! E, para completar, há os geocentristas liderados por Robert Sungenis, autor de Galileo was Wrong (sim, esse é meu momento "vergonha alheia").


Reuters/LOsservatore Romano

Reuters/LOsservatore Romano / Francisco e Bento XVI se encontram em Castel Gandolfo: sem hostilidade em relação à ciência.Francisco e Bento XVI se encontram em Castel Gandolfo: sem hostilidade em relação à ciência.

E o papa Francisco? Como já dissemos algumas vezes no blog, sabemos pouquíssimo sobre sua relação com a ciência, exceto pelo diploma de técnico químico obtido antes de ele se tornar jesuíta. Mas também precisamos lembrar que os jesuítas têm uma admirável tradição científica. Hess destaca, como também já fizemos aqui, a presença constante de menções ao cuidado ambiental nos primeiros pronunciamentos do novo papa. "Tenho uma grande esperança de que um papa que fala tão eloquentemente sobre proteger a criação frágil respeite, da mesma forma, a ciência que nos permite aprender tanto sobre a natureza da qual todos dependemos para a vida", conclui Hess.

Quase funcionou


Giampiero Sposito/Reuters

Giampiero Sposito/Reuters / Seria o maior planetário do mundo, se a notícia da Seria o maior planetário do mundo, se a notícia da "Physics World" não fosse trote de primeiro de abril...

A piada de primeiro de abril do site Physics World era das boas: o papa Francisco, encantado após conferir os resultados mais recentes do satélite Planck, teria decidido aderir à moda do "show de luzes" e permitido a projeção, no interior da cúpula da Basílica de São Pedro, do céu da Palestina na época da morte de Jesus. Como toda boa piada de primeiro de abril, essa mistura informações reais com outras falsas, mas verossímeis. Se não tivessem exagerado em alguns aspectos, poderiam enganar mais gente.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 27/03/2013 às 16:52


Reprodução

Reprodução / Novas pesquisas colocam o Sudário de Turim como contemporâneo de Jesus Cristo, e não como farsa medieval.Novas pesquisas colocam o Sudário de Turim como contemporâneo de Jesus Cristo, e não como farsa medieval.
Anteontem eu disse que a televisão estava vivendo uma entressafra de Sudário de Turim na Semana Santa desse ano. É que não vai dar tempo de produzir nada sobre um livro que está saindo exatamente hoje nas livrarias italianas. É Il Mistero della Sindone ("O Mistério do Sudário"), do jornalista Saverio Gaeta e do professor Giulio Fanti, da Faculdade de Engenharia da Universidade de Pádua.

O jornalista Andrea Tornielli conta, no site do jornal La Stampa, de Turim (onde o Sudário está guardado), que foram feitos três novos testes, dois químicos (usando infravermelho e espectroscopia) e um mecânico, em um pedaço do pano que foi retirado para os exames de 1988, e que foi entregue a Giulio Fanti por um membro da equipe que fez as pesquisas que em 2013 completam 25 anos.

Um dos testes datou o pano de 300 a.C. com margem de erro de 400 anos; o segundo deu como resultado 200 a.C. com margem de erro de 500 anos; e o terceiro indicou como data do pano 400 d.C. com margem de erro de 400 anos. Ou seja, o Sudário seria, mesmo, da época de Jesus, e não uma farsa medieval.

Aqui faço a ressalva que sempre costumo fazer quando se trata de Sudário. Os resultados do teste, que também serão divulgados em publicações científicas, indicam que o pano é contemporâneo de Jesus, e só. Esses testes, em específico, não têm a finalidade de indicar se o sudário era um pano mortuário, muito menos se foi o tecido que envolveu o corpo morto de Cristo após a crucifixão. Pelo menos no nosso estágio atual de conhecimento, é mais fácil sabermos o que o Sudário não é (não é uma farsa medieval, não é uma pintura etc.). Afinal, há afirmações sobre a natureza do Sudário que dependem mais da fé que da ciência.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 26/03/2013 às 13:42

Desde novembro, o Brasil tem dois membros na Pontifícia Academia de Ciências. Naquele mês, o físico Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo, se juntou ao órgão vaticano que já contava com o neurocientista Miguel Nicolelis. "Sou católico, mas isso não é a parte mais importante. Antes de mais nada, sou um cientista que está comprometido com a verdade das coisas que nos rodeiam", afirma Bagnato, que se mostra entusiasmado com o que já viu em seu primeiro evento como membro da Academia e está animado com futuras colaborações. O físico concedeu entrevista por e-mail ao Tubo de Ensaio há algumas semanas, antes ainda do anúncio da renúncia de Bento XVI.


Assessoria de Comunicação IFSC/USP

Assessoria de Comunicação IFSC/USP / Vanderlei Bagnato é membro da Pontifícia Academia de Ciências desde novembro do ano passado.Vanderlei Bagnato é membro da Pontifícia Academia de Ciências desde novembro do ano passado.

Como o senhor avalia essa nomeação dentro do panorama mais amplo de sua carreira como cientista?
Como cientista, sempre queremos estar entre nossos pares para discutir, aprender mais e vislumbrar novas e excitantes possibilidades. Ser eleito membro da Academia do Vaticano é uma dessas oportunidades. Nesse caso em especial, pelo elenco que compõe a Academia, cria-se um espaço quase que único para essas discussões. Eu considero esse um dos pontos elevados de minha carreira. Ser reconhecido como uma fonte legítima a contribuir para uma academia tão importante é uma honra para mim e um grande reconhecimento ao meu trabalho.

O senhor participou da plenária da Academia sobre "Complexidade e Analogia na Ciência". Que impressões o senhor teve do evento, do nível dos debates e do trabalho da Academia como um todo?
Primeiro, deixe-me dizer que o Vaticano como um todo causou um impressão muito boa em mim. A forma séria de lidar com os acadêmicos, o tratmento especial dispensado, o carinho etc. mostram o respeito que a Igreja oferece às ciências e aos cientistas. Depois, há a seriedade com que os temas são discutidos. Numa única sala tivemos palestras de oito prêmios Nobel em diferentes áreas sobre o mesmo tema. Deu para ter uma visão clara do panorama desse tópico. Finalmente, o discurso feito por Bento XVI sobre o tema mostra o grau de profundidade com que o assunto está sendo visto pela Igreja, além de seu grande interesse. O nível dos debates foi o mais alto que já presenciei. Acho que terei momentos muito bons como membro dessa Academia. Já estou pensando na próxima reunião.

O senhor também teve a oportunidade de ouvir e encontrar [o agora papa emérito] Bento XVI. O que o senhor teria a dizer sobre a maneira como ele encara a relação entre ciência e fé? O senhor destacaria algum trecho do discurso que ele fez no encerramento da plenária?
Os momentos de conversa com o papa serviu para me mostrar a resposabiliade que temos como braisleiros. Quando ele disse que o Brasil tem responsabilidades com o mundo que vão além da economia, acho que ele deixou claro o quanto todos acreditam no Brasil e, em especial, nos brasileiros. Achei suas posições com relação à ciência muito maduras e despreocupadas de qualquer outra interpretação. O papa me pareceu interessado e compromissado com a verdade dos fatos científicos, sem fantasias. Agora, o mais imporntate de tudo é a credibilidade que as ciências vêm ganhando como elemento de integração dos povos e nações. Ciências não causam guerra, cientistas não causam guerra, e além disso eles podem ajudar a evitá-las...


Assessoria de Comunicação IFSC/USP

Assessoria de Comunicação IFSC/USP / O nível de profissionalismo na Pontifícia Academia de Ciências impressionou o físico da USP.O nível de profissionalismo na Pontifícia Academia de Ciências impressionou o físico da USP.

Antes da indicação, o senhor já conhecia o trabalho da Pontifícia Academia de Ciências?
Sendo a mais antiga Academia do mundo, com Galileu em seu início, e com grandes imortais da ciências modernas, como Pauli, Heisenberg e Bohr, dentre outros, sempre ouvimos notícias sobre ela. Mas tornando-me parte dela é que pude ver em seus arquivos e instalações o quanto de história e contribuições ela apresenta. Acho que vou aprender muito frequentando a Academia.

O seu trabalho tem uma vertente social e também de difusão da ciência. O senhor considera que isso foi relevante para sua indicação à Academia? Que outros aspectos o senhor acredita terem sido levados em consideração?
Não sei dizer especificamente os pontos que foram relevantes. Mas estou convencido de que é interesse de todos que as ciências sejam algo de grande valor social. A ciência e os cientistas têm de estar comprometidos com a verdade científica e com o uso do conhecimento em prol do homem. Nesse sentido, acho que a forma com que venho conduzindo minhas atividades deve ter tido, sim, importância na escolha. Para mim, a relevância social da ciência está em local de destaque no valor que dou às coisas que faço. Por outro lado, tornar público o conhecimento científico é uma obrigação de todo homem de ciência. Somos pagos, na maioria das vezes, com recursos públicos. É, portanto, importante que todos tenham acesso aos nossos conhecimentos.

Como o senhor imagina a sua colaboração com a Pontifícia Academia de Ciências ao longo dos próximos anos?
Já estou propondo tópicos a serem discutidos, e com o passar do tempo pretendo estar bastnate envolvido com as discussões e ações conjuntas da Academia com o resto do mundo.

Como o senhor vê a relação entre ciência e religião atualmente? O que poderia ou deveria mudar ou ser melhorado?
Não vejo conflito. A ciência estuda as leis da matéria, enquanto a religião procura estabelecer as bases do espírito. Isso, para mim, cria uma forma elegante de não haver conflitos.

Sua participação na Pontifícia Academia de Ciências faz do senhor uma voz mais relevante sobre a relação entre ciência e fé. O senhor pretende tomar parte nesse debate de forma mais ativa?
A minha posição quanto a isso já é bem estabelecida. Sou um homem de fé, pois isso me torna um pouco melhor no meu relacionamento com os outros. Tenho em mim a convicção de que o homem precisa de momentos especiais de reflexão, e nesse aspecto ter um pouco de fé pode ajudar muito. Como disse, atuo nas descobertas das leis da matéria; tudo aquilo que extrapola a matéria pertence ao outro lado, em que a religião pode ajudar. Como poderia eu ser contrário a uma proposta que só procura o bem? Viver melhor e ser digno de sua existência... Há certas cosias em que a discussão não cabe. Por exemplo, toda vez que tentamos explicar a fé com ciências nos atropelamos e vice-versa. Acho que sou feliz separando essas partes.

A relação entre ciência e fé é um tema que aparece, ainda que ocasionalmente, em seu ambiente de trabalho? Em caso positivo, como o tema é tratado pelos seus colegas? Eles veem uma oposição intrínseca entre ciência e religião, ou tendem a acreditar em uma colaboração possível entre esses dois campos?
Eu procuro nunca entrar em debate sobre isso. Respeito a crença ou descrença de todos e espero ser respeitado pelas minhas convicções. Há sempre colegas que julgam além de seu próprio talento, fazendo comentários maldosos e indevidos. Há aqueles que, sem saber por quê, assumem que ciência e fé são incompatíveis. Isso me parece apenas um equívoco. Muitos, talvez a maior parte, de nossos grandes cientistas tiveram fé e fizeram a ciência existente, como Einstein, Newton e tantos outros. Acho que a sabedoria, nesse caso, é não procurar os conflitos, mas aquilo que cada parte nos fornece de bom. Entender a natureza para melhorar nossa existência é uma tarefa da ciência, e isso não deve conflitar com as coisas que vão além da matéria.

Saindo um pouco do tema "ciência e religião", como o senhor vê o estado atual da divulgação científica no Brasil? Como estimular ainda mais o interesse do brasileiro pelo tema, seja para ampliar a cultura geral, seja para incentivar jovens a abraçar a carreira científica?
Temos um longo trabalho pela frente. A tarefa é de todos e em todos os lugares. Temos de alimentar nosso povo com conhecimento científico, não para serem cientistas, mas para não serem ignorantes. Temos de convencer a todos que só através do conhecimento a sociedade se torna mais justa e melhor. Também é importante desmistificar a ideia de que os países grandes só investem em ciência porque já são grandes. Na verdade, essas nações só chegaram a ser grandes justamente porque investem em ciência.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 25/03/2013 às 17:40

O site Rome Reports informa que o Sudário de Turim será novamente exposto neste Sábado Santo. No entanto, apenas um grupo de 300 pessoas terá acesso à relíquia. O arcebispo de Turim decidiu pela exposição por estarmos no Ano da Fé, decretado por Bento XVI em 2012.

Acho que, depois do lançamento de O Sinal, no ano passado, estamos numa entressafra de Sudário. Mesmo o History Channel só vai reprisar programas de anos anteriores, como a série Em busca do tesouro sagrado, e mesmo assim os episódios sobre os sudários (de Turim e de Oviedo) não estão na grade, pelo menos por enquanto. Promete-se também um tal O rosto de Jesus para as 22 horas de sábado; não consegui confirmar se é um documentário mais antigo sobre o Sudário com entrevistas dos membros do Sturp; se for, é muito bom. No Discovery Channel, alguma programação de ciência e fé só estará disponível nas noites de sábado e domingo, com programas sobre a crucificação e a ressurreição (a julgar pela descrição, parece que se trata mais especificamente da ressurreição de Simcha Jacobovici, e não de Cristo).

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