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Sábado, 04/02/2012

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Tubo de Ensaio

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 02/02/2012 às 14:25


Tommy LaVergne/Divulgação

Tommy LaVergne/Divulgação / Elaine Ecklund é professora da Rice University e autora de Elaine Ecklund é professora da Rice University e autora de "Science vs. Religion: What scientists really think".
A socióloga Elaine Ecklund, da Rice University, ficou famosa no círculo dos que acompanham o debate sobre ciência e fé quando publicou um estudo com vários cientistas norte-americanos a respeito de sua espiritualidade e de como eles viam esse diálogo. O blog já comentou essa pesquisa aqui e aqui (e também mencionou outros dois artigos dela aqui). Quando estava em Cambridge, tive a chance de levar pra casa seu livro Science vs Religion: what scientists really think, mas acabei enchendo a mala com outras obras.

Agora Elaine vai levar sua pesquisa para outros países. Ela recebeu uma bolsa de US$ 2 milhões da Fundação John Templeton para aprimorar seu estudo: desta vez serão entrevistados cerca de 10 mil físicos e biólogos de seis países: Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Turquia e China, em diferentes estágios da carreira acadêmica e pertencentes às universidades de ponta em seus países. Escrevi à dra. Ecklund perguntando como foi feita a escolha dos países. "Eles têm tipos diferentes de relação entre o Estado e comunidades religiosas, diferentes níveis de infraestrutura em Biologia e Física, e todos são, de uma forma ou de outra, relevantes no cenário científico global. Também existe muita diversidade neste conjunto de países, que vai de nações católicas a protestantes, muçulmanas e seculares", ela respondeu, acrescentando que muitos outros países, inclusive o Brasil, seriam de interesse para a pesquisa, mas o limite de fundos obrigou a uma escolha. No entanto, Elaine acrescentou, à medida que o estudo for sendo realizado, mais países podem ser incluídos.

Desse grupo inicial de 10 mil cientistas, 600 serão novamente entrevistados, de forma mais aprofundada. Um dos objetivos é descobrir semelhanças e diferenças na percepção do debate sobre ciência e fé de acordo com o país ou a região. "Esperamos, por exemplo, que a pesquisa nos mostre se os debates na Europa, por exemplo, são mais ou menos polarizados que nos Estados Unidos, e quem são as vozes relevantes nesse debate em cada país", disse a socióloga no e-mail que me enviou. Parte dessas diferenças eu já pude perceber quando estive no México para o VI Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião: enquanto no mundo anglo-saxão a polêmica mais intensa se refere às origens do universo e do homem, na América Latina os temas mais quentes são os de bioética.

Assim como na primeira pesquisa, feita apenas nos EUA, este novo projeto também vai render um livro. A dra. Ecklund afirmou que a coleta de dados terminará em 2014, e a publicação deve sair em um intervalo de até dois anos após o fim das entrevistas. "Fiquei honrada com a recepção positiva que meu livro teve entre especialistas e o público geral nos Estados Unidos, e até no Reino Unido. Esse foi um dos fatores que motivou nossa equipe a ir além das fronteiras dos EUA e estudar a relação entre ciência e fé em outros países", comentou, lembrando que seu time ainda conta com outros dois pesquisadores, Kirstin Matthews e Steve Lewis.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 27/01/2012 às 16:49

Dois textos publicados recentemente, um no blog 13.7, da National Public Radio norte-americana; e outro no Huffington Post, lidam com as razões pelas quais as pessoas não conseguem aceitar a teoria da evolução. O brasileiro Marcelo Gleiser, um dos colaboradores do 13.7, ressuscita uma pesquisa do Gallup segundo a qual o nível de educação e a religiosidade da pessoa são fatores que influenciam sua aceitação das ideias de Darwin. Mas uma pesquisa da Ohio State University revela que não basta ter um nível educacional mais alto para que seja mais fácil aceitar a evolução.

O que Brandon Withrow explica no Post é que mesmo se o indivíduo tiver um nível educacional avançado, e for apresentado aos fatos relativos à evolução, ele não vai aceitar a teoria se, de alguma forma, não "sentir" que ela é verdadeira, não admitir sua verossimilhança. O estudo não nega a influência da educação ou da religiosidade, mas acrescenta um novo fator à resposta para a pergunta de Gleiser (confiram o PDF da pesquisa e o gráfico que está na página 6). A dificuldade, admitem os pesquisadores mais pro fim do artigo, é como trabalhar esse "sentimento de certeza" em sala de aula.

Gleiser tem sua hipótese para tanta rejeição à evolução: "Por trás dessa forte resistência à evolução há uma profunda antipatia em relação a um entendimento científico de como a natureza trabalha. O problema parece relacionado à velha agenda do 'Deus das lacunas', segundo a qual quanto mais entendemos sobre o mundo, menos espaço existe para um Deus criador. Isso é má teologia, ao ligar crença ao desenvolvimento da ciência." Acho ótimo ver um cientista não crente (não sei se Gleiser é ateu ou agnóstico) criticar o "Deus das lacunas"; quem acompanha os debates sobre ciência e religião sabe que é muito comum entre os ateus militantes o uso indiscriminado do argumento de que as descobertas da ciência deixam menos espaço para aceitar a existência de Deus.

Um longo PS: Uma discussão interessante no começo do artigo dos pesquisadores de Ohio trata do uso do termo "acreditar", referindo-se à evolução. Você "acredita" na teoria da evolução? Em um outro post, mais recente, no 13.7, Gleiser aborda esse assunto de passagem, mencionando o leitor que disse não ver tanta diferença em acreditar num Deus abstrado ou na afirmação de que o universo tem quase 14 bilhões de anos. "E no entanto, essas duas [afirmações] não podiam ser mais diferentes!", diz Gleiser. Não no sentido de que sejam incompatíveis, mas no sentido de que a atitude intelectual exigida diante das duas afirmações é diferente. Eu não "acredito" na evolução, ou num universo de 13,7 bilhões de anos, como acredito em Deus. Quando se trata de teorias científicas, prefiro usar o verbo "aceitar" para indicar minha adesão intelectual, justamente para não misturar as coisas. A fé também é uma adesão intelectual, acho que também envolve o "sentimento de certeza" analisado pelos pesquisadores de Ohio, mas que não depende de prova laboratorial.

E, já que estamos falando de evolução e hoje é sexta, mais uma tirinha do Carlos Ruas:


Reprodução autorizada / www.umsabadoqualquer.com

Reprodução autorizada / www.umsabadoqualquer.com /

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 24/01/2012 às 14:56


Ludovicus XIV/Wikimedia Commons

Ludovicus XIV/Wikimedia Commons / O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, também ficará no comando da nova fundação vaticana para ciência e fé.O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, também ficará no comando da nova fundação vaticana para ciência e fé.
Desde a semana passada o Vaticano tem, oficialmente, um departamento especializado na relação entre ciência e fé. O projeto Science, Theology and the Ontological Quest (Stoq; aviso que o site não é um primor de atualização), criado em 2003 por iniciativa do Papa João Paulo II, agora foi, digamos, "absorvido" pelo Pontifício Conselho para a Cultura, que já era um dos parceiros do Stoq ao lado de várias universidades romanas, como a Gregoriana, a Lateranense, a Salesiana, o Angelicum, a Urbaniana, o Ateneu Regina Apostolorum (dos Legionários de Cristo) e a Pontifícia Universidade da Santa Cruz (do Opus Dei). Estas instituições oferecem um mix que vão de conferências até cursos de pós-graduação na área de ciência e fé.

Segundo reportagem da Catholic News Agency, o padre polonês Tomasz Trafny, diretor-executivo do Stoq, afirma que o projeto pretende "oferecer uma visão coerente da sociedade, da cultura e do ser humano a pessoas que gostariam de saber como viver as dimensões espiritual, religiosa e científica" e explorar "a possibilidade de ser pessoas de fé no início do terceiro milênio sem renunciar ao progresso científico". Espero que, agora, dentro da estrutura do Vaticano, o novo departamento possa expandir seu alcance e cumprir sua missão com mais eficácia.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 20/01/2012 às 15:08


Yoichi R. Okamoto/White House Press Office

Yoichi R. Okamoto/White House Press Office / Martin Luther King, com o presidente Lyndon Johnson ao fundo: tanto a ciência quanto a religião podem trazer tanto o melhor quanto o pior do homem.Martin Luther King, com o presidente Lyndon Johnson ao fundo: tanto a ciência quanto a religião podem trazer tanto o melhor quanto o pior do homem.

O blogueiro esteve fora de combate por boa parte desta semana, mas, graças àquele profissional exaltado em Eclesiástico 38,1, está de volta. Na segunda-feira os norte-americanos comemoraram a vida de uma pessoa que, na minha opinião, está entre os grandes heróis do século 20: Martin Luther King Jr. A pausa forçada me impediu de comentar, na ocasião, um texto muito bacana que saiu no Huffington Post, no qual a blogueira Cara Santa Maria lembra que King (cujo memorial e túmulo pude visitar nas duas vezes em que fui a Atlanta) também era um defensor da ciência, e de que ciência e religião podiam e deviam caminhar juntas. Ela começa com a seguinte citação de King:

A ciência pesquisa; a religião interpreta. A ciência dá ao homem conhecimento, que é poder; a religião dá ao homem sabedoria, que é controle. A ciência lida principalmente com fatos; a religião lida principalmente com valores. Os dois não são rivais, são complementares. A ciência evita que a religião afunde no vale do irracionalismo manco e do obscurantismo paralisante. A religião evita que a ciência caia no pântano no materialismo obsoleto e do niilismo moral.

Achei bem interessante King ter usado o "principalmente", e não o "apenas", como fazem os proponentes da convivência entre ciência e fé na base do "cada um no seu quadrado". Como pastor batista, King sabia muito bem que a religião também faz afirmações factuais sobre várias coisas. A blogueira preferiu ressaltar que, na visão de King, a religião evita que a ciência (e não as pessoas) caia no materialismo. Não é preciso ser religioso ou ateu para saber que tanto a religião quanto a ciência podem revelar o que há de mais fascinante no ser humano (ao lado do esporte e da arte, na minha opinião); mas, descalibrados, também podem trazer o pior, e King sabia disso quando disse que sua época era uma época de "mísseis guiados e homens sem direção", outra citação que Cara Santa Maria traz.

Lamentavelmente, tanto argumentos religiosos quanto científicos foram usados para justificar o racismo, ou a supremacia de uma raça sobre outra (embora a história de que a Igreja Católica tenha ensinado que os negros não tinham alma seja uma mentira das grossas). As teorias de Darwin, por exemplo, foram distorcidas para "comprovar" que brancos eram superiores. Felizmente estamos aprendendo a jogar esse tipo de ideia no lixo. King já sabia que a ciência, mesmo depois de ter sido usada para justificar o racismo, agora estava ajudando a derrubá-lo. Mas ele também ressaltava a necessidade de um compromisso ético e moral entre os seres humanos, e sabia do potencial da religião para conseguir isso.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 13/01/2012 às 16:33


Reprodução

Reprodução / Johannes Kepler descartou uma intervenção especial de Deus no surgimento de uma estrela nova no céu.Johannes Kepler descartou uma intervenção especial de Deus no surgimento de uma estrela nova no céu.
É, parece um anacronismo, e talvez seja mesmo. Mas é o exemplo que Paul Wallace oferece no Huffington Post para mostrar que, bem antes de os pioneiros do Design Inteligente começarem a publicar seus livros, um dos maiores astrônomos de todos os tempos já descartava o tipo de raciocínio que os defensores do DI usam.

O artigo de Wallace surgiu por causa de um debate na internet sobre o suposto esgotamento do DI. O episódio citado por Wallace ocorreu em 1604, quando Kepler observou um brilho novo no céu. Era a SN 1604, uma supernova, consequência de uma tremenda explosão estelar. Mas Kepler não sabia de nada disso e chegou a considerar a hipótese de Deus ter simplesmente posto a estrela naquele lugar. O astrônomo logo colocou de lado essa hipótese, que colocaria um fim imediato na discussão, e disse que deveríamos pensar em alguma outra explicação. Kepler não tinha a menor ideia de que explicação seria a correta, mas séculos depois tivemos a resposta.


Reprodução

Reprodução / Desenho de Kepler mostrando a localização da SN 1604: marcada com um Desenho de Kepler mostrando a localização da SN 1604: marcada com um "N", em um dos pés do serpentário.
Wallace argumenta que, para Kepler, "o universo foi projetado; então ele deve ser compreensível", enquanto os defensores do Design Inteligente invertem o argumento para "o universo é incompreensível; então, ele deve ter sido projetado". O intrigante é que Kepler adotava essa posição justamente por respeito a Deus, o mesmo respeito que vários adeptos do DI também têm. O artigo diz que a atitude de Kepler "surgiu de sua convicção de que o trabalho criativo de Deus não se encontra no que está oculto, na escuridão e na confusão. Ele acreditava, de um modo que superava seus contemporâneos, na compreensibilidade da criação de Deus porque era criação de Deus". Já o DI, diz Wallace, "reduz Deus a um tipo de santo gambiarrador" [perdoem o neologismo] por localizar o divino justamente naquilo que ignoramos ou não sabemos explicar. Isso, afirma, não só é desnecessário como também é prejudicial.

A ironia do DI, diz Wallace, é que, ao fechar as portas à ciência, ele tira das pessoas a chance de apreciar a natureza com mais profundidade e de se aproximar do Criador em que essas pessoas acreditam. É por isso que, mais cedo ou mais tarde, o DI deve desaparecer, diz o professor de Física.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 12/01/2012 às 15:22

O BeliefBlog da CNN trouxe o resultado de uma pesquisa feita por telefone com pastores protestantes nos Estados Unidos pela Convenção Batista do Sul (no caso, Sul dos EUA, não Sul do mundo). Os números dão uma pontinha de esperança para os que gostam de ver o copo meio cheio. O editor de Religião da CNN, Dan Gilgoff, conta que, apesar de 73% dos pastores ainda recusarem a teoria da evolução, eles estão igualmente divididos sobre a questão da idade da Terra: 46% concordam com a afirmação de que a Terra tem 6 mil anos, mas 43% discordam (suponho que os 11% restantes não saibam, mas o texto não diz nada a respeito).


Reprodução

Reprodução / Mosaico na catedral de Monreale, na Sicília: Deus faz o Sol e a Lua. Bilhões de anos atrás, para boa parte dos pastores norte-americanos.Mosaico na catedral de Monreale, na Sicília: Deus faz o Sol e a Lua. Bilhões de anos atrás, para boa parte dos pastores norte-americanos.

Por que estou vendo o copo meio cheio? Porque quase metade dos pastores já demonstra aceitar as evidências da ciência em pelo menos um campo "controverso"; não seria razoável esperar que, mais cedo ou mais tarde (acho que "mais tarde" é a melhor descrição), eles também passem a aceitar as evidências relativas à evolução? Em um país onde grupos criacionistas de Terra jovem como o Answers in Genesis têm grande apelo, eu esperaria que a opinião contrária não fosse tão popular. Claro que entre os defensores da Terra antiga também há opositores da evolução, como os criacionistas do Reasons to Believe ou os partidários do Design Inteligente. Mas admito: nesses casos, eu sou um otimista em relação ao futuro.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 10/01/2012 às 15:38

Lembram da polêmica com os estudantes islâmicos que estavam boicotando aulas sobre evolução na Inglaterra? O blog tratou do assunto aqui e aqui. Na semana passada, o astrofísico Nidhal Guessoum comentou o episódio no Huffington Post e trouxe mais algumas informações interessantes sobre a controvérsia.

No título do artigo, Guessoum pergunta se o Islã proibiria até mesmo o estudo da evolução. Em vez de citar o preceito de "buscar o conhecimento nem que seja na China", o cientista preferiu mostrar que as teorias de Darwin são estudadas sem problemas em vários países de maioria islâmica; curiosamente, é justamente nos países ocidentais que estaria havendo um princípio de rejeição (e vale a pena ressaltar que é um princípio mesmo, já que o boicote é obra de uma minoria). Guessoum busca entender as possíveis motivações desses estudantes, mencionando um eventual conflito cultural e a associação entre evolução e ateísmo.


Reprodução

Reprodução / Adão e Eva na representação de Manafi al-Hayawan (século XIII): muitos muçulmanos não aceitam a descrição da origem do homem feita por Darwin.Adão e Eva na representação de Manafi al-Hayawan (século XIII): muitos muçulmanos não aceitam a descrição da origem do homem feita por Darwin.

No entanto, Guessoum também afirma que no mundo islâmico, em geral, existe uma rejeição ao que diz a teoria da evolução especialmente sobre a origem do homem: aí é que mora o problema. Mas o astrofísico tem uma posição diferente da manifestada tanto pelo imã Joe Bradford (no vídeo da Al Jazeera) quanto pelo professor Jamil Iskandar, da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná (entrevistado no primeiro link deste post). Para Guessoum, o Islamismo é, sim, compatível com a noção de que os humanos e os macacos dividem um ancestral comum. Guessoum alega que a interpretação 100% literal dos textos referentes à criação do homem não é a única possível, ainda que hoje pareça ser a majoritária (entre outros motivos, graças à formidável máquina de divulgação do criacionista Harun Yahya), e cita o xeque Yusuf Al-Qaradawi entre os que também defendem a compatibilidade entre os Islã e a origem do homem como proposta por Darwin. O difícil é saber se o fato de Guessoum ter citado apenas uma autoridade é reflexo da dificuldade de encontrar mais pessoas com visões parecidas.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 06/01/2012 às 15:04

Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: "Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo." (...) E eis que a estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar ao lugar onde estava o menino e ali parou. (Mateus 2, 1-2.9)

O Evangelho de são Mateus é o único que conta a história da "estrela de Belém". Já cheguei a ouvir um padre dizer em homilia que os tais magos do oriente nunca existiram, mas nunca lhe dei crédito (até pelo histórico de bobagens que ele acumulava). Sempre tomei esse trecho por real, e acho interesantes essas hipóteses de associar a estrela de Belém a um evento astronômico real ocorrido cerca de 2 mil anos atrás. Não vejo problema nenhum no fato de Deus ter disposto as coisas de forma que o nascimento do Seu Filho coincidisse com um evento no céu que servisse de sinal aos magos do oriente (uma nota de rodapé na minha Bíblia diz que os magos teriam tido uma revelação interior para que pudessem associar a "estrela" ao Menino). Também não vejo problema na hipótese de um evento extraordinário, um milagre. E que dia seria melhor para falar do assunto que hoje, 6 de janeiro, dia de Reis (ou, mais formalmente, dia da Epifania do Senhor)?


Reprodução autorizada / www.thebricktestament.com

Reprodução autorizada / www.thebricktestament.com / E lá foi a estrela guiando os três reis magos rumo ao Menino Jesus: fenômeno astronômico normal ou intervenção sobrenatural?E lá foi a estrela guiando os três reis magos rumo ao Menino Jesus: fenômeno astronômico normal ou intervenção sobrenatural?

O grupo criacionista (de Terra antiga, deve-se ressaltar) Reasons to Believe tem em seu site um texto de seu fundador, o astrônomo Hugh Ross, analisando as várias hipóteses sobre a "estrela". O texto é de 2002, e foi atualizado no fim de 2010, suponho que incorporando novas possibilidades levantadas nesse intervalo de oito anos. A primeira coisa que Ross diz é que qualquer hipótese é meramente especulativa. Até porque, por mais que se encontre um evento astronômico contemporâneo ao nascimento de Cristo e observável no Oriente Médio, nada indica que aquele evento teria sido o que conduziu os magos a Belém.

Ross parece descartar as possibilidades "extraordinárias" ou sobrenaturais, e lista cinco hipóteses de ocorrências astronômicas: uma conjunção de planetas, uma conjunção entre planetas e estrelas particularmente brilhantes, uma "ocultação" (quando a Lua passa na frente de um planeta), um cometa ou uma supernova. Esta última possibilidade é descartada de imediato por Ross porque não há notícias de supernovas na época do nascimento de Jesus (e naquele tempo indianos, egípcios, chineses e gregos já tinham registros precisos de eventos astronômicos importantes); supernovas, argumenta, são tão evidentes que podem ser observadas até durante o dia, mas a história da estrela mostra que a maioria das pessoas ignorava o sinal no céu.

Ross usa os mesmos argumentos (falta de registro de outras civilizações e a "discrição" do evento, notado por poucos) e acrescenta a enorme frequência de outras ocorrências (como a "ocultação" lunar) para descartar as quatro hipóteses restantes, mas percebi que ele não comentou a possibilidade de conjunção entre Júpiter e a estrela Regulus, que mencionei no fim de 2010. É claro que, se a nota de rodapé da minha Bíblia estiver certa, haveria a possibilidade de um evento "comum" ser a estrela de Belém, desde que os magos soubessem, por revelação interior, que tinham um motivo especial para prestar atenção naquela ocorrência que, de outra forma, passaria batida justamente por ser frequente. Mas Ross parece não contar com essa possibilidade. Para ele, se a estrela de Belém for um evento astronômico real, esse evento deve ser suficientemente incomum e não muito escancarado, algo que só gente treinada conseguiria perceber.

Segundo o astrônomo, o evento que se encaixa nesses critérios é uma nova, uma explosão estelar mais "discreta" que a de uma supernova, e cujo brilho vai diminuindo com o tempo. A julgar pelo texto da Wikipedia, novas são bem frequentes (quase uma por semana só na Via Láctea), mas o pulo do gato é que só uma parte delas é visível a olho nu. Segundo Ross, chineses e coreanos registraram duas novas em datas suficientemte próximas a 4 a.C., considerado o ano mais provável do nascimento de Cristo.

No entanto, segundo Ross, fica um mistério: a Bíblia diz que a estrela guiou os magos até Belém e "parou" sobre o local onde estava a Sagrada Família. Nenhum fenômeno astronômico "se movimenta" no céu como se estivesse marcando a estrada entre Jerusalém e Belém. O astrônomo sugere que a nova estivesse bem visível à medida que os magos se aproximaram de Belém, perdendo brilho à medida que eles chegavam ao local exato. Mas, como ele mesmo ressalta, isso é apenas uma especulação. Seja lá o que tenha acontecido, Ross afirma que a mensagem principal está no esforço que aqueles homens puseram para, reconhecendo o sinal no céu, procurar o Messias.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 02/01/2012 às 14:48

O primeiro post do Tubo neste novo ano, compreensivelmente, é uma agenda de eventos para 2012. Na verdade, é um esboço de agenda...


Divulgação

Divulgação / Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião será na PUC-Rio. Difícil vai ser manter todo mundo assistindo às palestras...Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião será na PUC-Rio. Difícil vai ser manter todo mundo assistindo às palestras...
O primeiro dos eventos é o mais acessível. Vocês já sabiam que o VII Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião ocorreria no Brasil. Mas agora está confirmadíssimo: será na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, de 2 a 4 de outubro. A programação, a lista de conferencistas e os detalhes para apresentação de trabalhos ainda estão sendo definidos, mas os leitores do blog serão informados à medida que mais informações forem surgindo. Se vocês quiserem ter uma ideia de como deve ser o evento, confiram os vídeos do VI Congresso no YouTube. Como aperitivo, deixo a palestra do bioquímico chileno Rafael Vicuña (que também deu uma pequena entrevista ao blog):

Também ligado ao programa Ciência e Religião na América Latina, da Universidade de Oxford, já estão abertas as inscrições para um novo concurso de ensaios. O do ano passado era restrito a mestrandos, doutorandos e alunos do último ano de graduação. O de 2012 é mais amplo: qualquer membro da comunidade acadêmica (professor, aluno, pesquisador) pode participar. É claro que o candidato precisará comprovar sua filiação acadêmica, e o artigo deve ser inédito. O link acima tem todos os detalhes, e o prazo para enviar os textos termina em 15 de julho. Os três melhores ensaios serão premiados, com o vencedor levando mil libras esterlinas, ou quase R$ 3 mil.

Mudando de Oxford para Cambridge, o Instituto Faraday já divulgou seu calendário de cursos para 2012. O destaque é o curso de verão, de 8 a 14 de julho. O programa é um tanto diferente daquele que fiz no ano passado (apenas algumas palestras são as mesmas, como as de Peter Clarke e Ian Hutchinson; outros convidados que estavam em Cambridge em 2011, como David Lahti e John Wyatt, falarão de temas diferentes). E há convidados que eu adoraria ter a oportunidade de ouvir, como Alister McGrath, John Polkinghorne, Elaine Ecklund e Jennifer Wiseman. Ano passado, eu tive a felicidade de participar do curso graças a uma bolsa concedida pelo Instituto Faraday, que cobriu as despesas de viagem e hospedagem. As inscrições para bolsas já estão abertas: quem quiser se candidatar precisa ler as instruções com cuidado e preencher o formulário. Você vai precisar de três referências (chefes, orientadores, professores etc.), deverá escrever um texto curto explicando por que você deveria receber uma bolsa, e vai se comprometer com algumas iniciativas pós-curso, como a difusão do conhecimento adquirido em Cambridge.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 30/12/2011 às 13:43

Não conheço muito da história do bem-aventurado cardeal Newman, fora o fato de ele ter sido clérigo anglicano antes de se converter e entrar na Igreja Católica. Mas, enquanto estava no México, achei na livraria da Universidade Panamericana um pequeno volume, Cristianismo y Ciencias en la universidad, de sua autoria (Eunsa, 2011, 113 páginas). É um livrinho curto, que o leitor pode matar tranquilamente em uma tarde (é bem menor que o The God particle, que eu tinha planejado ler no recesso de Natal, mas não consegui), e que reúne três conferências direcionadas a estudantes da Universidade Católica da Irlanda, que Newman ajudou a fundar e da qual foi reitor por alguns anos. Até por isso, pressupõe-se que sua audiência seja formada apenas por católicos, o que ajuda a matizar algumas das declarações do então padre Newman.


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Reprodução / O cardeal Newman, retratado por Sir John Everett Millais: paixão pelo ambiente universitário.O cardeal Newman, retratado por Sir John Everett Millais: paixão pelo ambiente universitário.


Divulgação

Divulgação /
A primeira conferência, "Cristianismo e ciência médica", é de 4 de novembro de 1858 e direcionada aos estudantes de Medicina da universidade. Uma das primeiras coisas que o reitor diz aos alunos é que a saúde do corpo, da qual se ocupa o médico, não é o fim último da existência. Newman cita o exemplo hipotético de uma religiosa que cuida de doentes durante uma epidemia. Os médicos a avisam que, se permanecer no local, acabará doente também ela e morrerá, mas a religiosa insiste (é a mesma situação pela qual passaria são Damião de Molokai). Não é que os médicos estivessem errados, diz Newman; é que a verdade a respeito da saúde da religiosa está, de certo modo, subordinada à sua missão.

Newman também pede aos estudantes que não caiam em duas tentações: uma é a de se concentrar apenas em sua profissão e descartar outros tipos de conhecimento; é preciso ver além da Medicina, ver o homem como mais que um aglomerado de funções fisiológicas em nada diferentes das que realizam os demais animais. A outra tentação é a de ceder ao materialismo, já que, enquanto as descobertas científicas são feitas de evidências, a moral e a religião, em comparação, se assemelham a "sombras e contornos". "Que lânguida é a iluminação que [a consciência] projeta e que fraca sua influência comparada com a convicção que trazem a vista e o tato, que são o fundamento da ciência física", afirma Newman. Ao convidar os estudantes a recusar o materialismo, o reitor ainda afirma que o médico católico é uma ponte entre ciência e fé.

A segunda conferência, "Cristianismo e pesquisa científica", foi escrita em novembro de 1855, mas nunca chegou a ser lida. Dirigia-se aos estudantes da Faculdade de Ciências, e logo no início Newman se propõe a criticar "o desnecessário antagonismo que às vezes existe entre os teólogos e os cultivadores das ciências em geral". Um tema recorrente ao longo do livro é o próprio conceito de universidade, não como um amontoado de faculdades isoladas, mas como o local por excelência onde se adquire um conhecimento "universal", amplo, sem que cada profissional fique "bitolado" em sua área de atuação. Infelizmente isso vem se perdendo hoje. Como diz o professor Carlos Ramalhete, colunista da Gazeta, hoje o advogado já não entende o que diz o engenheiro, que por sua vez é incapaz de compreender o médico, e por aí vai. Não estamos falando do jargão próprio de cada profissão, mas do próprio modo de pensar, dos pressupostos de cada área. O que Newman defende é o papel da Filosofia como eixo comum entre os diferentes conhecimentos.

Segundo o reitor, o cientista cristão não deve se alarmar ao perceber que há "diferenças de tom" (e não "uma dificuldade inexplicável, uma contradição assombrosa, muito menos uma contradição em relação a fatos reais") entre a Revelação e a Natureza. O que parece contraditório na verdade não o é, diz Newman, para quem as coisas que parecem estranhas à imaginação não o são à razão. "O que crê na Revelação com a fé absoluta que é patrimôno do católico não é uma criatura nervosa que se assusta com qualquer barulho repentino e que se sente tomada pelo pânico ante qualquer situação estranha o inédita que se lhe apresente. Não tem temor algum (a própria ideia lhe faz rir) de que por qualquer outro método científico se possa descobrir algo que contradiga qualquer dos dogmas da religião", afirma Newman. Ele segue falando sobre a "segurança inamovível de que se há algo que parece ser provado por um astrônomo, um geólogo, um cronólogo, um historiador ou um etnólogo contra os dogmas da fé, ao fim isso resultará: ou não ter sido realmente provado; ou não ser contraditório; ou não ser contraditório com nada que tenha sido verdadeiramente revelado, e sim com algo que foi confundido com a Revelação". O reitor cita dois exemplos: o do heliocentrismo e o da aceitação da filosofia de Aristóteles.

Por fim, Newman faz uma defesa ardorosa da liberdade de pesquisa, e afirma que os dogmas católicos não são obstáculos a essa liberdade, assim como as leis físicas não são obstáculos ao movimento do corpo. Também critica os teólogos que, "com uma impaciência nervosa com a possibilidade de as Escrituras não se encaixarem com a última especulação da moda, se empenham em publicar comentários geológicos ou etnológicos que logo precisam ser alterados ou até mesmo retirados antes da publicação devido aos avanços da ciência, essa mesma que tão temerariamente utilizam para auxiliar as Escrituras". E adverte (ao mesmo tempo tranquilizando) os teólogos de que, ainda que a ciência cometa erros, eles são temporários e benéficos, à medida que, "no fim das contas, o único efeito do erro é promover a verdade". Confiar na soberania da verdade ajuda a não se inquietar com novidades científicas.

O texto que encerra o livro é "Cristianismo e Física", conferência lida em 17 de dezembro de 1855. Nela, Newman diz querer demonstrar que não há antagonismo entre Física e Teologia e explicar por que, apesar disso, tantas pessoas acreditam nessa incompatibilidade. Mas, antes disso, ele alerta a audiência para não cair nos extremos de rejeitar a ciência em nome de uma certa "pureza de fé", nem de desprezar a religião em nome dos "avanços da ciência" (um aviso que segue atual, acrescento).

Newman passa a explicar as diferenças entre Física e Teologia de uma maneira que faz pensar nos Magistérios Não Interferentes de Stephen Jay Gould. A Física, diz o reitor, é a "Filosofia da matéria", lida com os fenômenos, as leis da natureza. Mas o espiritual escapa completamente ao escopo da Física. Um físico que também tem fé religiosa manifesta uma opinião pessoal, não "de cientista", porque a Física "não diz absolutamente nada" sobre as realidades sobrenaturais. O físico lida com fatos e leis; o teólogo, com razões e com o Autor das leis. É verdade, diz Newman, que as Escrituras também fazem afirmações sobre o mundo físico; mas a Igreja sempre se absteve de dar uma interpretação definitiva para essas passagens bíblicas, que admitem tantas interpretações que seria impossível uma descoberta física contradizer todas elas. Assim, a Teologia não tem nada a temer em relação à Física, argumenta o reitor.

Assim, os desentendimentos entre Física e Teologia ocorrem não por causa dos campos de estudo, mas devido ao fato de que uns resolveram impor seu método aos outros. A Física, diz Newman, é empírica e indutiva, vai ordenando e analisando uma massa de informações que se oferece ao cientista, para chegar a novas verdades; a Teologia é dedutiva, trabalha com a Revelação. Na descrição do reitor, "desde a época dos Apóstolos até o fim do mundo não se pode agregar nenhuma verdade estritamente nova à informação teológica que foi inspirada aos Apóstolos para que a guardassem. Naturalmente, é possível fazer inúmeras deduções partindo da doutrina original. Mas, como as conclusões já estavam nas premissas, tais deduções não são, para falar com propriedade, adições."

A seguir, Newman dá exemplos de intromissões. O primeiro deles ocorre quando religiosos, baseados em suas interpretações da Bíblia, tentam fazer afirmações taxativas sobre como o mundo é, como foi ou como deverá ser. O reitor cita profecias milenaristas e a controvérsia do heliocentrismo para ilustrar esse tipo de situação. Depois disso, o reitor passa a criticar as tentativas de aplicar o método indutivo à Escritura, à história eclesiástica e ao mundo natural para tirar daí conclusões teológicas. Newman ataca de forma especial a chamada "Teologia Natural", que não por coincidência é o nome do livro de William Paley que introduz a metáfora do relojoeiro. Quatro anos antes de Darwin publicar A origem das espécies, Newman argumenta que "colocar o peso da prova principal [da existência de Deus] exclusivamente no argumento de um Desenho que o universo proporciona" é muito cômodo. O sacerdote reconhece que a Teologia Natural (ou Teologia Física, como a chama Newman) tem lá seus méritos, mas aponta que Paley não trouxe nada de novo. "O raciocínio com que Sócrates, diante de Xenofonte, rebateu o pequeno ateu Aristodemo é exatamente o mesmo raciocínio da Teologia Natural de Paley", diz, citando Thomas Macauley.

Newman vai além: levada às últimas consequências, a Teologia Física ajudaria a combater o Cristianismo. O reitor a chama de uma "verdade falsa", já que é meia verdade. Ela considera apenas três atributos divinos, o Poder, a Bondade e a Sabedoria, colocando peso demais no Poder e peso de menos na Bondade. Fora isso, não diz absolutamente nada sobre o Cristianismo, os demais atributos divinos, a consciência ou a Providência divina; ao colocar ênfase excessiva nas leis da natureza, desconsidera a sua suspensão (o milagre, que é "a própria essência da ideia de uma Revelação"). "O Deus da Teologia Física pode, com muita facilidade, chegar a ser um mero ídolo", afirma Newman. Ao tirar de Deus a possibilidade de suspender as leis que Ele mesmo criou, a Teologia Física diminui Deus, conclui o sacerdote.

Feliz 2012!
Como este é o último post do ano, quero desejar aos leitores do blog um feliz 2012! Aos mais apreensivos com o que o ano reserva, uma pequena historinha: ao visitar a loja do Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México (aliás, o museu é parada obrigatória para quem for à capital mexicana), vi que as agendas de 2012 vendidas lá iam até 31 de dezembro. Então, se os próprios mexicanos não estão botando fé no fim do mundo, não seremos nós que vamos nos preocupar...

Premiado!
No dia 17 o Tubo de Ensaio recebeu, pela segunda vez seguida, o prêmio Top Blog como melhor blog profissional de religião do ano, pelo voto dos internautas. Gostaria de agradecer a todos os que votaram no blog e fizeram propaganda!

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