Domingo, 01/08/2010
Em primeiro lugar, queria agradecer a todos que assistiram ao programa Escola da Fé da quinta-feira passada, na Canção Nova. O programa foi reprisado no fim de semana, mas só lembrei disso depois que já era tarde demais. Aos que descobriram o blog por causa do programa, espero sinceramente que continuem acompanhando as nossas discussões. Infelizmente o blog não tem um feed RSS individualizado, mas o pessoal aqui está trabalhando nisso. Enquanto isso, o melhor a fazer é ou visitar o blog periodicamente para ver se houve atualizações (eu escrevo de duas a três vezes por semana) ou seguir o Tubo no Twitter.
Reprodução
O Dilúvio retratado por Michelangelo na Capela Sistina: não foi bem assim, mas o que vale é a mensagem espiritual.Na primeira parte, Seely se empenha em demonstrar que a inundação não foi global. Partindo dos próprios textos bíblicos, ele determina a época em que o Dilúvio teria acontecido (usando genealogias e fatos como o início do cultivo de uvas), e verifica as evidências arqueológicas que desmentem uma inundação global: rochas encontradas na Mesopotâmia, camadas de gelo na Groenlândia, árvores milenares na América e na Europa, e sítios arqueológicos no Oriente Médio. Nenhum deles dá sinais de uma enchente gigante.
Mas nós já meio que tínhamos essa intuição de que o Dilúvio não era um evento em escala mundial. Seely avança, na segunda parte, dizendo que talvez não tenha ocorrido nem mesmo um grande evento local, ou seja, na terra habitada pelos hebreus do Antigo Testamento. Os pesquisadores efetivamente acharam evidência de uma grande inundação mesopotâmica mais recente que o intervalo a que se chegaria analisando os textos bíblicos, e Seely conclui que, então, o relato bíblico pode, sim, se basear em um evento real, e não poderia, então ser considerado um simples mito (Seely prefere chamá-lo de "Parabolic Legend". Como poderíamos traduzir? "Lenda parabólica"?). Mas ainda assim existem várias discrepâncias entre a narrativa bíblica e o fato em si. O autor termina essa parte recordando que o conhecimento científico dos hebreus era bastante limitado: para eles, "o mundo todo" não era propriamente o mundo todo, mas a terra que eles conheciam; eles acreditavam em um oceano no céu, que seria a fonte das águas do Dilúvio. Enfim, era uma história que batia perfeitamtente com a "ciência" israelita da época.
Reprodução
O "pós-Dilúvio", na visão de Gustave Dore: justiça divina, misericórdia e amor pela humanidade não são excludentes entre si.1. Só existe um Deus. No relato mesopotâmico da inundação, vários deuses interferem nas ações uns dos outros. O relato bíblico deixa claro que há uma única divindade.
2. Deus é justo: Ele manda a enchente como punição pelos pecados dos homens (o motivo do deus babilônico é bem mais fútil).
3. Deus ama a humanidade: parece contraditório, já que o Dilúvio quase extermina o gênero humano, mas Ele providencia um meio para que os homens continuem a existir no planeta e, após o fim da inundação, faz uma aliança com o homem.
4. Embora justo, Deus também é misericordioso, pois usa de misericórdia para salvar alguns.
Para Seely, essas quatro mensagens são perfeitamente compatíveis com a revelação do Novo Testamento. Ou seja, usando uma ciência bem capenga, que não bate com a realidade, mas podia ser entendida pelo israelita médio de milênios atrás, o autor sagrado estaria mais preocupado, na verdade, com as lições espirituais do episódio do que com sua exatidão histórica.
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Jesa, a discussão aqui não é sobre a crença católica, e sim sobre acreditar ou não em Deus. Aceitar ciência e religião, ou não. A questão não é a denominação (católico, protestante, espírita...), é a crença em um Deus que não se vê. E ninguém aqui quer fazer o outro mudar de idéia. Aceitamos a opinião e crença (ou não) de cada um. Apenas dizemos aquilo que pensamos, e discutimos a (in)compatibilidade de ciência e religião... Apenas opiniões, sem imposições de ninguém...
Paulo K. | 27/02/2010 | 10:55Cara Jesa. Eu não desejo mudar uma só letra do que você acredita sobre sua igreja e seu deus. Não gosto de 'pregações', sejam religiosas ou não, mas se real for o princípio de reciprocidade, então os descrentes tem o mesmo direito que os crentes de propalar as suas opiniões e convicções. Quanto ao direito de errar, eu prefiro fazê-lo sozinho, baseado em meus conhecimentos e valores, do que se deixar fazer por alguma instituição supostamente detentora da "verdade".
Jesa | 25/02/2010 | 15:08Eu acho tão interessante como aqueles que acreditam em algo diferente daquilo que um católico acredita se acham no direito de querer nos fazer mudar de idéia... Um direito pelo qual brigam a ponto de levar uma discussão até os últimos recursos e se preciso for perder o \"amigo\" que percam... Eu hein... Coisa estranha... Com ciência ou sem ciência o que a igreja e a santa escritura fala é reto pra mim.. Prefiro errar com a igreja do que sozinha.
ju | 19/02/2010 | 14:56não acreditam em papai noel... vai contra a crança cristã, afinal o 25 de dezembro é o nascimento de Cristo... Dividir a cena com papai noel e suas renas, e acreditar neles seria contraditório. Mais...
Rafael | 18/02/2010 | 16:52É muito difícil, sim, d\'Holbach. Tem gente que acredita na "inspiração divina".
d\'Holbach | 18/02/2010 | 10:51Verdades incontestáveis?? - Adão veio do barro e Eva de uma costela? - Humanos que viveram até 969 anos (Matusalem)? - Baalão e sua jumenta falante?? - Sol parado por 3 dias? - Jesus nasceu de uma virgem? - Anjos?? ... fora muitas outras contradições e histórias fantásticas Acho que quem ainda acredita nisso tbm não deve duvidar de papai noel com suas renas voadora. Será que é tão difícil ver que \"as escrituras\" são histórias criadas e adaptadas por homens comuns ao longo de anos?
Nanda Olive | 17/02/2010 | 15:52Olha, agora até eu fuquei curiosa... Sempre acreditei no dilúvio, por causa de minha criação cristã, mas nunca levei ao pé da letra o fato de uma inundação mundial. Acreditava que fosse mais uma inundação em determinado ponto, que foi acreditada mundial pelo pouco conhecimento geográfico do povo da época... Nunca ouvi falar de "bases científicas e geológicas que comprovam a veracidade do relato do dilúvio bíblico"... Essa eu quero saber... Fala aí,Johnny!!
Paulo K. | 15/02/2010 | 19:00Caro senhor Johnny. Estou curioso para saber quais são as "bases científicas e geológicas que comprovam a veracidade do relato do dilúvio bíblico"?
Johnny Torralbo Bernardo | 15/02/2010 | 05:45O dilúvio foi mesmo universal. não tenho a menor dúvida disso. Há bases ciêntificas e geológicas que comprovam a veracidade do relato bíblico. Nós do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas) defendemos com garras e unhas esta verdade incontestável das Escrituras.
Ismael de Freitas | 12/02/2010 | 15:45O prêmio Nobel em Literatura, José Saramago, além de oferecer uma aventura maravilhosa aos seus leitores no seu último livro, Caim, discute com perspicácia a estranha moral do deus hebraico do Gênesis. O curioso é que boa parte dos preceitos morais estabelecidos na contemporneidade podem ter se originado do cristianismo, ou adaptados por essa religião. Já o comportamento do deus da bíblia, vamos dizer, não coaduna muito bem com o que os cristãos pregam, ou seja, façao o que eu digo, mas...
antonio carlos | 11/02/2010 | 11:06Discutir questões de fé à luz da ciência sempre gera a conflitos. Dou crédito á ciência quando ela merece crédito, mas entendo que a Bíblia é a revelação escrita em uma linguagem e contextos antigos. Não é porque use palavras pouco conhecidas, que elas deixem de ser verdadeiras. Desmerecer a Bíblia porque lá diz que o Dilúvio abrangeu a Terra toda, é ser muito mesquinho, como tacanho e mesquinho era o conhecimento dos povos naquela época. Deve-se ler a Bíblia no contexto de então. ACarlos
Rafael | 11/02/2010 | 10:16"Os judeus a copiaram e a adaptaram para o contexto religioso de sua principal divindade." Ou seja, os textos bíblicos não são, como diria Bento XVI, a "verdade Divina".
Paulo K. | 11/02/2010 | 01:04Portanto, mesmo que tivesse ocorrido o 'dilúvio bíblico', sua narrativa seja como história ou como mito é primordialmente suméria-mesopotâmica. Os judeus a copiaram e a adaptaram para o contexto religioso de sua principal divindade.
Paulo K. | 11/02/2010 | 01:02De fato, excertos escritos do mito sumério de Gilgamesh datam de 2.000 a.C. o que o tornam o mais antigo texto conhecido. Além disto, há indícios que este texto representa um conjunto de tradições orais que datam de pelo menos 3.500 a.C., ainda no auge da civilização suméria. Já o texto judaico escrito mais antigo data de 1.000 a.C. e os especialistas afirmam que a história judaica, transmitida oralmente, inicia-se em 1.900 a. C.
Paulo K. | 11/02/2010 | 01:01É importante ressaltar que muitos historiadores apontam evidências da origem mesopotâmica do povo hebreu, tais como as semelhanças entre mitologias (como o do dilúvio, por exemplo) e as linguísticas, pois que o hebreu é uma língua de origem semita na qual a mais antiga é o acádico, de origem suméria-mesopotâmica.
Paulo K. | 11/02/2010 | 01:00Caro senhor Jetro. A sua expressão “Os relatos pagãos sobre uma inundação em grande escala (2.750 aC) são posteriores a época que ocorreu o dilúvio” indicam que o senhor considera factível o ‘dilúvio bíblico’. Quais são, em seu entender, as evidências científicas deste fenômeno?
Paulo K. | 11/02/2010 | 00:59Caro senhor Marcus. Acho que as evidências físicas são importantes para que vocês crentes possam ter o discernimento e a sabedoria de reconhecer que a Bíblia não é um compêndio de Ciência, e sim de moral e de religião. Cordiais saudações.
Paulo K. | 11/02/2010 | 00:58Caro senhor Tom. Quais são as evidências científicas que permitem o senhor afirmar que houve uma inundação global como o dilúvio bíblico?
Jetro | 10/02/2010 | 15:34Julio, os relatos "pagãos" sobre uma "inundação" em grande escala (2750 A.c), são posteriores a época que ocorreu o dilúvio logou o termo "chupou" que vc usou deveria ser utilizado para os relatos "pagãos" e não para o relato bíblico. Como vc entendeu que as revelações apocalípticas deveriam ter ocorrido a 2.000 anos atras? Segundo as principais correntes teológicas apontam para os acontecimentos "apocalípticos" para o futuro ou para esta época.
marcus | 10/02/2010 | 08:56Continuo achando que não devemos nos prender tanto às evidências físicas e que devemos dar uma importância maior para os conceitos morais. Caso realmente haja um desejo de se aprofundar na busca por evidências, tudo bem. Mas não podemos deixar de lado os conceitos morais inerentes à Bíblia caso as referidas evidências não sejam encontradas em nosso tempo.
Rafael | 09/02/2010 | 21:33José de Souza, adaptar os relatos bíblicos aos conceitos modernos significa dizer que a "palavra de (e inspirada por) Deus" errou, e isso, meu camarada, é um prejuízo muito grande.
Júlio César Pereira | 09/02/2010 | 19:58A placa do dilúvio confeccionada para a biblioteca do rei Sumério Ashurbanipal em 750 aC, conta o plano dos deuses para destruir o mundo. Ut-napishti constrói um enorme barco para salvar sua família e cada tipo de animal. Esta história já era narrada por poetas Mesopotâmicos 2000 anos antes da confecção desta placa, cuja versão é um episódio do primeiro épico daliteratura mundial, o de Gulgamash.
José de Souza | 09/02/2010 | 19:40Na medida em que a ciência e a tecnologia evoluem, porquê que os relatos bíblicos não são adaptados aos conceitos modernos? Seria fácil admitir que uma inundação local naquela época,pudesse ser entendida como um diluvio mundial.
Júlio César Pereira | 09/02/2010 | 19:27As pessoas procuram justificativas toda vez que as limitações e imprecisões da bíblia são expostas, e.g. as revelações apocalípticas que segundo Jesus e Paulo deveriam ter acontecido há 2000 anos. Em 1872, George Smith traduziu uma placa da Mesopotâmia, o 11o episódio do épico de Gugelmash e que descreve com detalhes a história do dilúvio. Para variar o cristianismo "chupou" a estória e a mudou, assim como quando "colaram" a biografia de Hórus, deus egípcio e disseram que era a de Jesus.
Tom | 09/02/2010 | 18:01Seely se baseou em que para falar isso? Quão de certeza podemos ter nessas afirmações? Quem além de Seely diz sobre as rochas da Mesopotâmia, camadas de gelo, árvores milenares e sítios arqueológicos? O problema que tudo isto é uma teoria, infelizmente há pessoas que ao lerem um artigo destes vão acreditar que o Dilúvio não existiu pois um cientista qualquer relatou isto, melhor frizarem que é apenas uma teoria, pois alguns ignorante levaram isto como Lei do Anti-Dilúvio rsss.
Luiz | 09/02/2010 | 17:09Acho que Parábola Lendária ficaria melhor para traduzir o termo: Parabolic Legend.
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