Terça-feira, 09/02/2010
Mike Rozulek

Como não podia deixar de ser, Darwin é o personagem principal do capítulo inicial do livro. O Darwin de verdade, e não as lendas criadas em torno dele, seja a história piedosa de uma reconversão no leito de morte e rejeição de sua teoria, seja a do sujeito que tinha como objetivo de vida "matar Deus". O verdadeiro Charles Darwin, a bordo do Beagle, viu que o paradigma que explicava a vida na Terra tinha suas falhas (curiosamente, esse paradigma, o de William Paley, era muito parecido com o Design Inteligente que temos hoje), e trabalhou em cima disso. O resultado todos nós sabemos, mas o que escapa de muita gente é que a teoria da evolução, na verdade, acomoda Deus melhor do que a opção existente até então.
Divulgação
"Saving Darwin" é um dos livros que promove a compatibilidade entre fé e evolucionismo."Ah, mas Darwin não virou agnóstico?" Sim, virou. Mas Giberson mostra que o agnosticismo do naturalista não era consequência nem causa de sua teoria da evolução. Para começar, Darwin tinha sérios problemas com o conceito de inferno – ainda mais porque seu pai morreu sem acreditar em Deus. Admitir que um familiar esteja no castigo eterno é duro para qualquer um, e com Darwin não foi diferente. A reação é bem humana: diante de uma crença incômoda, é mais fácil mudar de crença que mudar de vida. A gota d'água foi a morte de sua filha Annie, aos 11 anos. Era inaceitável para Darwin que o Deus bíblico, que não deixava um pardal cair do céu sem Sua permissão, deixasse a menina morrer. E a fé do naturalista se foi junto com Annie.
No capítulo seguinte, vemos a repercussão das ideias de Darwin nos meios religiosos. Uma repercussão quase nula, aliás: as pessoas mais religiosas da virada do século 19 para o século 20 não estavam muito alarmadas com A origem das espécies. O perigo vinha da Vida de Jesus escrita por David Strauss em 1835. Milagres, a veracidade da Bíblia e a própria existência de Jesus foram questionados, numa prévia do que fariam no século 20 em nome do "Jesus histórico". Foi para reagir a Strauss que protestantes norte-americanos lançaram o movimento fundamentalista, assim chamado por causa de The fundamentals, uma coleção abrangente de coisas que os cristãos deviam aceitar para serem bons fiéis. Darwin passou por esse teste. Havia poucas críticas ao evolucionismo em The fundamentals, mas nem sinal de criacionismo de Terra jovem – que em 1909 era defendido apenas por uma pequena seita, os adventistas do sétimo dia, e isso por causa não da Bíblia propriamente dita, mas de visões da fundadora do grupo.
Allison Stillwell
Parece incrível, mas é esse tipo de vespa que está no centro de um debate sobre Deus e design na natureza.Para mim, existem dois capítulos que constituem pontos-chave do livro. Um deles é o terceiro. Nele vejo uma explicação para grande parte da rejeição atual ao evolucionismo ao descrever os "dark companions" de Darwin, que todo criacionista adora lembrar. "A eugenia e o nazismo se basearam em Darwin", dizem. Giberson enumera os expoentes daquilo que se convencionou chamar de "darwinismo social": desde Francis Galton, primo de Darwin, que sugeriu às famílias "boas" que tivessem mais filhos, até os nazistas, inspirados por Ernst Haeckel (que era contemporâneo de Darwin, e não de Hitler), com a Solução Final e a eliminação dos inaptos. No meio disso, esterilizações forçadas nos Estados Unidos e outras crueldades. Mas, enquanto a eugenia já existia muito antes de Darwin, Giberson aponta outro aspecto fundamental: a teoria da evolução é descritiva, não propositiva; ela diz o que acontece na natureza, e não o que deveria acontecer – e muito menos o que o homem ou a sociedade deveriam fazer. Em A origem das espécies não há juízo de valor, ao contrário do "darwinismo social", que pode ser social, mas não é darwinismo. O problema é que, depois de tanta propaganda criacionista associando Darwin a Hitler, explicar que focinho de porco não é tomada ficou quase impossível. E aí, sejamos honestos, quem quer aderir a uma teoria que serviu de base para tanta atrocidade?
Reprodução
Até Os Simpsons já fizeram sátira ao criacionismo.Após uma pequena introdução sobre como a evolução levou Karl Popper a abrir uma exceção na sua descrição de "teoria científica" como algo necessariamente falseável, Giberson dedica o capítulo 8 a uma explicação altamente convincente das cinco grandes evidências a favor de Darwin: o registro fóssil (Giberson não falou de Nicolau Steno, mas permitam-me recordar a importância desse bem-aventurado católico nesse ponto), a Biogeografia, a Anatomia comparada, as semelhanças no desenvolvimento das espécies, e Bioquímica/Fisiologia comparadas. Até aí, o leitor se pergunta: a leitura está muito boa, mas e a promessa do subtítulo? Até agora, o autor não explicou "como ser cristão e acreditar na evolução". Isso fica para a conclusão do livro, Pilgrim's Progress (o nome é inspirado na obra religiosa homônima do século 17, de John Bunyan). Deus, diz Giberson, é o autor da natureza, mas não cuida dos detalhes. Gatos cruéis e a morte terrível dos hospedeiros de larvas não levam o dedo divino. E, talvez até mais importante, o homem não é um "acidente" da evolução. Há propósito e significado no processo, que Giberson descreve como "expressão da criatividade divina, embora em um modo que não possa ser capturado pela visão científica do mundo". Que apenas dois tipos de objetos físicos (quarks e léptons) e quatro forças (gravitacional, eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca) tenham dado origem a tudo é um testemunho dessa criatividade.
É uma pena que Saving Darwin ainda não tenha uma tradução para o português. A guerra cultural em torno do evolucionismo está chegando ao Brasil, mobilizando defensores e detratores da teoria. Eu particularmente discordo de algumas elocubrações teológicas de Giberson no livro (o que provavelmente se deve ao fato de eu ser católico e ele, protestante), mas o valor dessa obra como construtora de uma ponte sólida entre fé cristã e adesão ao evolucionismo é inegável.
Amanhã no Tubo de Ensaio: confira uma entrevista exclusiva com Karl Giberson, o autor de Saving Darwin.
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para assim também queimá-los vivos. Importante. Antes das execuções era lido o 'Requerimiento'”.
Paulo K. | 03/12/2009 | 13:58suposta cosmovisão genocida atéia propugnada pelo senhor Leandro, um trecho da contribuição cristã para a “salvação dos povos indígenas” da América, conforme STANNARD (1.992): “Sob os olhares de dois frades franciscanos, os soldados espanhóis construíram forcas com alturas variáveis para evitar o sufocamento imediato. A matança ocorria em grupos de 13 homens – uma homenagem ao Messias e seus doze apóstolos – com o requinte de crueldade de deixar embaixo deles, lenha em brasa...
Paulo K | 03/12/2009 | 13:57Quanto aos “posts” do senhor Leandro, farei um comentário mais amplo apenas após o re-envio deles, visto que saíram truncados. Mas, para iniciar a interlocução, afirmo que a sua proposição de que Darwin tenha sido criado em um ambiente cético não é correto, pelo menos não no âmbito familiar. Já no científico ele certamente teve contatos com ateus céticos, mas teve igualmente (contatos) com cristãos, fundamentalistas (literalistas) principalmente. E para finalizar, cito como contraponto à...
Paulo K. | 03/12/2009 | 13:55conotação metafísica, de tal modo que não acho que a proposição de Bergson não seja pertinente e muito menos que o assunto esteja esgotado. Abraços.
Paulo K. | 03/12/2009 | 13:54Para finalizar caro Lampedusa. Primeiro. Farei uma correção para não deixar os matemáticos e os físicos furiosos. Substituo o “zero matemático” pelo “conjunto vazio” e o “vazio físico” pelo “nada físico”, pois o “vazio” físico ainda contém (ou está contido) no espaço. Segundo. Tendo a concordar com você sobre a necessidade de explicar a origem da mente como um ente se eu tomar como necessária (ou correta) a ontologia. Mas há filósofos que rejeitam-na ou não lhe atribuem uma...
Paulo K. | 03/12/2009 | 13:49Em tempo. Ainda estou lhe devendo a resposta sobre o determinismo no cristianismo! Abraços.
Eduardo Kalinowski | 02/12/2009 | 10:40Ainda que as afirmações sejam verdadeiras, não passam de falácias ad hominem (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ad_hominem), portanto vamos tentar procurar argumentos de verdade se queremos defender algo?
Leandro M Moreira | 30/11/2009 | 18:54mas como o Dr. Benjamin Wiker, em seu livro O Mito Darwin, acertadamente observa: \"O problema fundamental com o darwinismo não é que ela leva ao nazismo, mas que pode levar a qualquer coisa\" (p. 147 ). O Darwinismo destrói a base de qualquer verdadeiro código moral. David Cloud Que Deus nos perdoe por tentar ser deus.
Leandro M Moreira | 30/11/2009 | 18:48Outro filho, George Darwin, pregava o divórcio e a contracepção para incentivar a sobrevivência dos mais aptos, isto antes da revolução sexual dos anos 1960. Um neto, Charles Galton Darwin, uma figura importante no Projeto Manhattan, foi presidente da Eugenics Society 1953-59. Margaret Sanger, a fundadora da ateística organização Planned Parenthood, era uma eugenista fervorosa. Hitler elogiou a eugenia em seu livro (Hitler, Mein Kampf, v.I cap. X, p. 255, apud Edwin Black, op. cit. p. 443),...
Leandro M Moreira | 30/11/2009 | 18:47" A filha de Charles Darwin, Henrietta e seu marido Robert Litchfield foram eugenistas fervorosos. O Filho de Charles, Leonard foi presidente do Primeiro Congresso Internacional de Eugenia. Ele lamentou o fato de que "os incapazes" já não são mortos por fome e doenças, mas "são apreciadas com cuidado, sendo capazes de reproduzir sua espécie.
Leandro M Moreira | 30/11/2009 | 18:47A palavra "eugenia" foi cunhada pelo primo de Darwin, Francis Galton. Refere-se à tentativa de melhorar a raça humana, por meio de controle de natalidade, aborto e eutanásia. Em seu livro Hereditary Genius, Galton diz aguardar com expectativa o dia "quando a população da terra deve ser mantida tão estritamente dentro dos limites do número e da aptidão da raça, filha como as ovelhas sobre um bem-ordenado pântano."
Leandro M Moreira | 30/11/2009 | 18:46Assim, Darwin acreditava que os negros e aborígines australianos são inferiores na escala evolutiva do que brancos, e essas raças "selvagem" em breve seriam exterminados para fazer o caminho para um homem evoluído ou mesmo superior aos brancos. Isso é racismo do tipo mais mesquinho. E esta "ciência", que foi o produto do ceticismo (contrário a Deus), em que Darwin foi criado. Essa cosmovisão de existencialidade engendrou idéias nazistas e trouxe ao mundo um conceito secularizado de que o mais fo
Leandro M Moreira | 30/11/2009 | 18:46AMEDRONTADORA VISÃO DE CHARLES DARWIN PARA O FUTURO Charles Darwin acreditava que o homem evoluiu do reino animal em grande parte pelo processo da seleção natural ou da lei de sobrevivência do mais forte, e ele previu que essa luta resultaria na aniquilação das raças de homens menos evoluídas. Em seu livro de 1871 “Descent of Man”, Darwin escreveu:....
Lampedusa | 30/11/2009 | 15:11Não conheço a fundo o pensamento de Bergson, mas diria que, para efeitos da discussão aqui travada, tal concepção de nada não invalida a distinção entre nada ontológico e zero matemático, pois mesmo para se aceitar o nada como um constructo da mente - como parece dizer Bergson - devo considerar a existencia de um ente (a mente) com realidade originária e, portanto, passível do questionamento sobre sua origem.
Paulo K. | 28/11/2009 | 00:34Caro Lampedusa. Eu jamais iria lhe ofender filosoficamente pretendendo afirmar que o zero matemático e o vazio físico sejam IGUAIS ao conceito de nada ontológico. Sou neófito em filosofia mas não sou irresponsável. Ao meu ver a minha análise propositiva científica está mais próxima da filosofia de Bergson, que considera o "nada" um produto da mente, do que a de Hegel ou Heidegger, que consideram o "nada" como uma entidade real, em oposição ao ser. Um abraço.
Paulo K. | 27/11/2009 | 23:17Caro Lampedusa. Concordo com a observação de seu primeiro "post". Eis o seu complemento: "Deriva, pois, que a proposta de 'criacionismo evolucionista' do entrevistado é de natureza religiosa ou metafísica e não científica, e como tal será rejeitada pela comunidade científica, como teoria científica".
Lampedusa | 27/11/2009 | 16:52Por fim, Paulo, gostaria de dizer que o restante de suas afirmações goza em grande medida de minha concordância, mesmo partindo de pressupostos muito distantes.
Lampedusa | 27/11/2009 | 16:50Paulo, permita-me dizer que sua afirmação "Considerando a “lei da conservação de energia” e as hipóteses de um Universo eterno e, mais recentemente, a das Super Cordas permite-se aventar a possibilidade de que a natureza não necessita de um suposto criador racional, não influenciado, mas que influencia a malha do espaço-tempo." que sei ser comum em algumas comunidades científicas, peca por confundir o zero matemático ou o vazio com o nada ontológico.
Lampedusa | 27/11/2009 | 16:47Creio que sua afirmativa "Deriva, pois, que a proposta de “criacionismo evolucionista” do entrevistado é de natureza religiosa ou metafísica e não científica, e como tal será rejeitada pela comunidade científica." estaria absolutamente correta se terminasse com as palavras "como teoria científica".
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:12Para estes: a) deus não existe ou não é possível, ainda, afirmar ou negar a sua existência e; b) não há incompatibilidade entre a teologia (religião, fé) e ciência, se e somente se, a primeira for considerada sob a perspectiva de mito.
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:11Ao meu ver, a síntese desta entrevista está na sétima pergunta (aquela em que são citados o atual papa Bento XVI e o biólogo Richard Dawkins). Nela está clara a diferença de pressupostos entre crentes e não crentes. Para aqueles: a) deus (é e) existe e; b) não há incompatibilidade entre a teologia (religião, fé) e ciência, pois eles representam conhecimentos sobre objetos reais de natureza distinta e que se complementam.
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:10Acho que afirmar que o “argumento de autoridade” não é anti-científico é verdade se admitirmos que existem conhecimentos objetivos que só podem ser alcançados pela “revelação”. Do contrário...
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:09Mas a questão sobre o conhecimento da “origem” do Universo, que sempre foi matéria da filosofia metafísica e da teologia, apresenta agora a contribuição da ciência, ainda que no insipiente grau de especulação. Considerando a “lei da conservação de energia” e as hipóteses de um Universo eterno e, mais recentemente, a das Super Cordas permite-se aventar a possibilidade de que a natureza não necessita de um suposto criador racional, não influenciado, mas que influencia a malha do espaço-tempo.
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:07Em meu entendimento, sob o ponto de vista filosófico metafísico, tão ao gosto de vários comentaristas deste “blog”, todos os religiosos são criacionistas, pois creem que um ser perfeito (onisciente, onipotente e onipresente) é o responsável por tudo. Portanto, em essência não há diferença entre um “cristão criacionista protestante literalista” e um “cristão criacionista evolucionista católico interpretalista”, pois nenhum deles admite o Universo sem um criador “ex nihilo”.
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:07É, em termos análogos, a mesma dúvida que paira sobre o significado dos textos religiosos: Como distinguir qual trecho deve ser considerado literalmente de um trecho que deve ser considerado somente após a interpretação de um “iluminado” sob “revelação”? Deriva, pois, que a proposta de “criacionismo evolucionista” do entrevistado é de natureza religiosa ou metafísica e não científica, e como tal será rejeitada pela comunidade científica.
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:06Posto de outro modo. Qual é o critério objetivo que me permite diferenciar um evento natural, seja dinamicamente complexo (aleatório) ou não, de um evento em que houve interferência divina? E como é possível afirmar, além da dúvida razoável, que o pôr-do-sol é de natureza divina? Não é possível! Quem o faz, o faz por fé. Mas a ciência não corrobora nem a fé e nem milagres.
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:05As suas frases “o cenário como um todo está cumprindo as intenções do criador, mas, dentro dessa noção ampla, os detalhes incluem vários eventos aleatórios e contingentes” e “(que deus está) na grandeza de um pôr-do-sol, na nobreza de um voluntário de sopão, ou no sorriso de uma criança” apenas demonstram a sua crença, mas não são de caráter científico.
Paulo K. | 27/11/2009 | 15:04Concordo, em linhas gerais, com o senhor Flávio Antonio e acrescento mais algumas observações. O entrevistado, corretamente, caracteriza e critica os criacionistas dos tipos “fixistas biológicos” e “terra jovem” porque eles fazem afirmações que contrariam, como um todo, o atual conhecimento científico. Mas são frágeis, para dizer o mínimo, os seus argumentos para afirmar que há uma “evolução guiada”.
Eduardo Kalinowski | 26/11/2009 | 13:33Eu até concordo que não se trata de um enfraquecimento da religião em si, mas de determinados tipos de religião (e, mesmo assim, alguma coisa sempre vai sobrar no final). Mas tenho que discordar quanto à questão do deus das lacunas. Eu citei alguns exemplos (e há outros, como alguém vivendo dentro de uma baleia...) específicos da doutrina cristã.
Marcio Antonio Campos | 26/11/2009 | 11:46Eduardo, isso não seria o enfraquecimento "da" religião, e sim de um determinado tipo de religião que se apoia no Deus das lacunas. Você viu o documentário da BBC? Nele, o Cunningham diz que Darwin não matou Deus, mas matou, aí sim, o Deus de Paley, o "Deus designer". O Deus das lacunas não é o Deus cristão; no máximo é uma deformação do Deus cristão feita por quem entende pouco tanto de ciência quanto de religião.
Eduardo Kalinowski | 26/11/2009 | 09:13Uma verdadeira conciliação, como feita com relação à evolução, seria aceitar que nem tudo relatado nos evangelhos deve ser lido literalmente e que pode ter havido algum exagero nos relatos, e que Cristo foi um homem normal, que Maria não era virgem, que não renasceu, etc. Mas isso não é um enfraquecimento de um dos pilares da religião e da figura central do cristianismo?
Eduardo Kalinowski | 26/11/2009 | 09:13O comentário do Flávio é bastante pertinente a isso: vários eventos relatados na Bíblia da vida de Cristo desafiam a ciência. Claro que podemos puxar a carta do milagre, mas isso seria deixar a ciência e suas descobertas totalmente de lado, não muito diferente do que fazem os que insistem que a Terra tem 6000 anos e a evolução não existe só por que a Bíblia diz isso.
Eduardo Kalinowski | 26/11/2009 | 09:12O que sabemos sobre a criação do universo e sobre a evolução das espécies mostram que o mito cristão da criação não pode ser considerado literalmente. Da mesma maneira, outras descobertas científicas podem levar à conclusão que outras partes da Bíblia estão equivocadas. Como fica a religião, então, se para "conciliar" a ciência e a religião temos que aceitar o que a ciência mostra e adaptar a religião (abandonando/adaptando alguns de seus preceitos) para não irem de encontro à ciência?
Eduardo Kalinowski | 26/11/2009 | 09:12Marcio: Sim, respondeu. Pelo que entendi, para conciliar os dogmas ou mitos da religião com a ciência, você abandona uma interpretação literal do que dizem as escrituras e adapta a interpretação para ser coerente com a ciência. Mas isso não pode ser considerado um enfraquecimento da religião?
Rubens | 26/11/2009 | 09:06A imagem e semelhança é do espírito e da alma. Com certeza O universo gira seguindo uma Razão, um Logos ou como se diz mais simplesmente: segundo a vontade de Deus. Não há caos. Mesmo o aparente caos, visto de mais acima aparece como perfeita ordem. Vejam os fractais... A ciência do homem nunca conseguirá provar a não-existência de Deus. Primeiro porque ainda somos muuito limitados pra isso. Segundo porque não oferece hipótese melhor - em todos os sentidos -para es grande mistério que nos cerca.
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 22:50Mas, prezado Lampedusa, corrija-me se estiver enganado. A Ciência parte da premissa de que tais 'leis universais' seriam inextensíveis; inquebrantáveis; inexoráveis. Logo, o princípio fundante é que as tais Leis Naturais (Natur der Sache) não poderiam ser ab-rogadas; suspensas. A eventual constatação de fenômenos físicos inexplicáveis apenas levaria à revisão dos enunciados científicos; pois - para a Ciência - as verdadeiras Leis Naturais não poderiam ser excepcionadas. Ciência ñ crê em milagre.
Lampedusa | 25/11/2009 | 12:03Flávio, os milagres, por definição, são aqueles fenômenos que não possuem explicação natural e que supõem uma intervenção direta de Deus na natureza. Logo, eles não contradizem a ciência, pois são, justamente, uma suspensão das leis naturais nas quais a ciência se baseiam.
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 11:58Ou melhor: será que seria desejável; válido, etc., que algum cientísta passasse a sustentar que Jesus Cristo, tendo nascido de uma virgem (algo próximo à partenogenese), não teria 23 pares de cromossomos? Até que ponto esse grau de especulação soa útil? Pode gerar tanto um descrédito da Ciência; quanto uma quebra no fundamento da Religião (Fé pela Fé). Algo semelhante tem ocorrido com a Mecânica Quântica; e seu constante emprego (indevido) para fundamentar sincretismos os mais variados...
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 11:24Mas, prezado Márcio, disso decorre um problema, salvo engano. Ora, a Bíblia diz - por exemplo - que Jesus Cristo nasceu de uma mulher virgem. Também diz que ressuscitou após ter sido executado pelos romanos. Diz que andou sobre as águas e que ressuscitou Lázaro. São narrativas incompatíveis com a Ciência, não é? Devemos também aqui sustentar que a Bíblia não poderia ser interpretada literalmente? Como escolher quando compatibilizar dogmas de fé (cânones) com as demonstrações científicas?
Marcio Antonio Campos | 25/11/2009 | 10:48Se existe mais de uma interpretação do Gênesis que pode ser adotada sem prejuízo para a fé, então basta seguir o conselho do cardeal Bellarmino e descartar aquelas interpretações que claramente não batem com a evidência científica. É como eu faço essa conciliação entre minha fé e a teoria da evolução, sem atribuir a Darwin implicações metafísicas e sem forçar interpretações bíblicas incompatíveis com as descobertas científicas. Espero ter respondido.
Marcio Antonio Campos | 25/11/2009 | 10:44No início do cristianismo, Santo Agostinho já dizia que o Gênesis não devia ser interpretado de forma totalmente literal, pois não é livro de ciências. No século 17, São Roberto Bellarmino escreveu que, se a evidência científica contraria o que a Bíblia parece dizer, então é melhor admitirmos que nossa interpretação da Bíblia é equivocada do que jogar fora a evidência científica. (continua)
Marcio Antonio Campos | 25/11/2009 | 10:35Eduardo, eu, como católico, acredito que Deus tirou o universo do nada e que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, embora essa imagem e semelhança estejam nos atributos espirituais, e não físicos. O cristianismo não diz que "o homem e os animais foram criados do jeito como são hoje", como está no seu comentário. Como eu disse em resposta a outro leitor, isso é uma interpretação 100% literal que é um tanto recente na história de 2 mil anos da fé cristã. (continua)
Eduardo Kalinowski | 25/11/2009 | 09:59Márcio, considerando que esse o ponto principal de seu blog, eu gostaria de saber (talvez num post dedicado a isso) a sua resposta para o "como ser cristão e acreditar na evolução". Várias vezes você já deixou claro que aceita a teoria da evolução (no que concordo com você), mas onde fica a religião então? O cristianismo afirma que o homem e os animais foram criados do jeito como são hoje, o que é sim conflitante com a teoria da evolução.
AYMARA C B D C | 24/11/2009 | 14:02Muito interessante essas colocações sobre a posição do fantástico estudioso do naturalismo, Charles Darwin, com a qual concordo plenamente, mesmo sendo cristã, pois, seleção natural não tem nada a ver com religiosidade e sim com natureza, e a humana, com sua capacidade de raciocínio, deve alimentá-lo e merecer ser classificado de 'filho de Deus' entendendo que religião e ciência se completam, com respeito.
Lampedusa | 24/11/2009 | 10:35Max, em certo sentido eu concordo com você. Todo aquele que acredita no Deus judaico-cristão é "criacionista", mas apenas no sentido de que Deus criou o mundo do nada, isto é, a FORMA COMO Deus criou é questão para a ciência estudar: se é o criacionismo fixista, se é o DI ou se o criacionismo movido pelo acaso e pela seleção natural (como eu creio).
izabel | 24/11/2009 | 10:35Algum comentarista aí já leu os estudos do professor Adauto lourenço? Não?? Pois para se comparar uma coisa a outra é preciso ler o pró e o contra e comparar as coisas, e não ficar dando opínião parcial. Quem já leu ou assistiu suas palestras, vê que não existe nada de criacionismo sem ciência. E encontramos muito mais a favor da criação que da evolução. Não sejam dendenciosos, leiam as duas partes por favor.
Lampedusa | 24/11/2009 | 10:31Afonso, o que eu quis afirmar é que a TE não é fundamento suficientemente sólido para o ateísmo, pois ela é compatível também com o teísmo. Em outras palavras, eu afirmei que basear o ateísmo na TE é tão válido quanto basear o teísmo na mesma TE, isto é, essa teoria é indiferente para ambas as crenças./// Ahh... perdoem-me pela falta do H em meu post sobre Darwin!
Max | 24/11/2009 | 08:38Um bom debate recente sobre o tema pode ser baixado daqui: http://apologetics315.blogspot.com/2009/11/william-lane-craig-vs-francisco-j-ayala.html William Lane Craig vs Francisco Ayala (o próprio): O Design Inteligente é viável?
Max | 24/11/2009 | 08:37Engraçado é que os membros da Biologos apesar de se dizerem críticos de do design inteligente, na verdade são defensores de algo que o pessoal do DI já havia proposto antes deles com o nome de front loading. Eu sempre digo a mesma coisa: evolucionismo teísta = criacionismo em câmera lenta. Quem quer que acredite que houve agência ou na origem do universo, e/ou da vida e/ou no desenvolvimento dos seres vivos também é criacionista. Simples assim.
Elleandro | 23/11/2009 | 20:50só pra esclarecer, os adventistas do sétimo não defendem o cristianismo pelas \"de visões da fundadora do grupo\" apenas, essa religião, com certeza, tem como base principal e única a Bíblia! Sendo as visões da fundadora apenas um complemento, e se fossem algum dia encontradas controvérsias com o que é dito na Bíblia, as visões dela seriam deixadas de lado, com certeza!
Adriano | 23/11/2009 | 20:03continuando... pagamos caro, para ver um jogo de futebol, na chuva ou no sol, mas ir na igreja apenas uma hora 1% vai.. porque questioanamos a Biblia e acreditamos em tudo que o homem fala? porque para entrar na faculdade, temos que fazer vestibular; ao trabalho temos que cumprir horas; temos que seguir regras e ordens nesse mundo; pagar impostos absurdos sem reclamar e depois para ir para o CEU nao precisa ler a Biblia? acreditar em DEUS? temos que ser servos de DEUS e nao crentes...
Adriano | 23/11/2009 | 19:52o que é engraçado que os serese humanos acreditam tao facilmente em Drawin,e suas teorias, mas qualquer coisa da Biblia é questionada! as escolas ensinam na quarta série aulas sobre SEXO e distribuiem camisinhas e nos aceitamos, mas ao falar na Biblia todos repunem... tratam os tarados como doentes, mas se alguem bater um vossa casa para falar da Biblia, chamam o mesmo de louco e criticam... ficamos na frente de uma televisão por horas aceitando todos os noticiarios, mas ler a biblia jamais..
Afonso L.R. | 23/11/2009 | 18:44Ciência e fé podem andar juntas, mas cuidado c/o q vcs escrevem. Ana: Einsten era de família judia não praticante. Revoltou-se com isso qdo criança (o fato de a família não praticar) mas, segundo ele mesmo, virou ateu depois que ganhou seu primeiro livro de matemática. Morreu ateu, como Darwin. Lampedusa, sem desmerecer as qualidades das religiões, mas... falando em fundamentos sólidos!? Qual o fundamento sólido das religiões, que nem entre si concordam e não tem prova de nada???
Raul Karnoski | 23/11/2009 | 18:35Bom galera, ultimamente a TDI tem ganhado muito mais espaço do que a TE... http:// pos-darwinista.blogspot . com/
Lampedusa | 23/11/2009 | 18:30Ana// "lembrar que alguns cientistas como Albert Einstein eram cristãos e acreditavam na Bíblia acima de tudo"// Einstein não era cristão e, sim, judeu. E há controvérsias sobre sua crença em Deus, sendo que mais provavelmente era agnóstico ou panteísta (o "Deus de Espinosa"). A uma míriade de cientistas cristãos ao longo da história, mas não Einstein!
Marcio | 23/11/2009 | 18:18O Homem nunca vai ter inteligencia suficiente pra explicar as coisas que Deus criou. Utilizamos percentagem infima de nosso cerebro, o máximo que chegamos é entender as coisa fisicas, e olha lá. No mundo criado por Deus tudo se mistura em obra espiritual e material ao mesmo tempo. "Quem pode entender a mente de Deus"??? Qual relês humano, Darwin, Aristoteles,Salomão Bill Gates ou... eu mesmo pode querem entender ou explicar Deus??????? Me desculpem, prefiro não tentar.
Lampedusa | 23/11/2009 | 17:31Giberson deixa claro, segundo essa resenha, o porquê crê na evolução (indícios científicos) e porquê crê no cristianismo (fé). E aponta claramente que só enxerga incompatibilidade entre as duas crenças ou aqueles que não compreendem a teoria da evolução ou o cristianismo. Ou ambos... Aqueles que baseiam sua crença no ateísmo na teoria de Darwin o fazem por ignorância, já que ela em nada contraria a crença em Deus. Que ao menos esses ateus tentem fundamentar sua crença em fundamentos mais sólidos
Ana | 23/11/2009 | 17:09... tanto na mídia como nas escolas, enquanto muitas vezes, a "teoria" (entre aspas pq a bíblia para mim é mais do que uma simples teoria, mas se pelo menos assim fosse vista seria ensinada)bíblica nem é mencionada nas escolas, e quando é, é passada como um mito... Acredito que antes de se acreditar em alguma coisa é necessário pesquisa, e nossas crianças tem o direito de conhecer todas as possíveis verdades de maneira imparcial...
Ana | 23/11/2009 | 17:06Gostaria de ter acesso ao livro em inglês para poder formar minha opinião sobre o tem. A princípio, para aqueles que não conseguem entender que a ciência e a Bíblia podem e devem andar juntas, gostaria de lembrar que alguns cientistas como Albert Einstein eram cristãos e acreditavam na Bíblia acima de tudo, e nunca se decepcionaram com isso. Não estou aqui dizendo que concordo com Darwin ou com o autor do presente livro. Mas estou cansada de ver teorias sendo passadas como verdade absoluta
ROBERTO SHINITI FUJII | 23/11/2009 | 17:03Enfim um texto que procura enfatizar as questões evolutivas sob um ponto-de-vista crítico. Infelizmente alguns comentários aqui não compreenderam o texto e continuam a criticar o que já não pode ser mais criticado pelo nível das discussões que a Evolução tomou. Relacionar crença religiosa com acreditar ou não em Evolução já é inadmissível na atual situação dos debates científicos.
Afonso L.R. | 23/11/2009 | 16:43"Há propósito e significado no processo (evolução)" ??? Disso(propósito) não há evidência alguma, pelo jeito nunca vai haver! Isso sim é "achômetro"... Significado: está mais p/acaso, tentativa e erro. Homem, macaco, vespas, moluscos e bactérias são apenas conseqüências do processo. A esmagadora maioria das mutações genéticas passa despercebida ou é referente a processos deletérios. Minha nossa...
Otoniel Alvaro da Silva | 23/11/2009 | 16:40matéria muito boa
Rodrigo Seixas Moreira | 23/11/2009 | 15:50Deus é atemporal, a evolução e a criação aconteceram e ainda estão acontecendo juntas. O Tempo foi criado para o homem e Deus é senhor do tempo também, não está limitado por ele. è difícel conjugar a teoria da evolução e o criacionismo com nossa limitação temporal, mas se entendermos que o que já foi ainda é e o que vai ser já é, começaremos a nos aproximar da verdade. abraço
Aldir | 23/11/2009 | 15:30Recomendo dentre várias obras sobre o assunto o livro do Saudoso prof. Newton Freire-Maia, da UFPR. Teoria Da Evolução: De Darwin À Teoria Sintética. Este sim escrito por um especialista na área, não um físico evangélico. O autor já conciliava com argumentos sólidos o cristianismo e a evolução detalhadamente citando diversos autores como Teilhard de Chardin. Com certeza melhor do que o livro citado acima.
CB | 23/11/2009 | 14:25...verdades e ponto final, elas não pedem mais ser questionadas. Um exemplo clássico: deus existe? As religiões simplesmente dizem que sim (afinal sem deus, elas não existem). Já a ciência, não pode provar nem que sim, nem que não, mas pode dizer que tem forte evidencia de que não existe pela simples analise da história da humanidade e da evolução das diversas crenças que existem no mundo. Tudo é uma questão de até onde você quer limitar seu pensamento. A ciencia busca nunca impor nenhum limite.
CB | 23/11/2009 | 14:18Mas como são insistentes essas pessoas religiosas. Por que tanto esforço em tentar compatibilizar duas coisas incompatíveis? A ciência busca a verdade considerando todas as teorias possíveis, incluindo as mais absurdas. Depois ela filtrando todas elas até chegar na teoria estatisticamente mais adequada. Ela não para por aí: sempre uma teoria nova pode entrar na jogada e derrubar a anterior. Já as religiões são baseadas nos dogmas, ou seja, alguem um dia afirmou que algumas coisas são...
Cristiano | 23/11/2009 | 13:44As pessoas devem definir se acreditam em Deus, e se acreditam na Biblia ou não, não adianta literaturas se ninguém as Lê, ou será que este livro é mais confiavel que a Biblía? Em Gênises 1:26 fala "E Deus prosseguiu, dizendo: “Façamos o homem à nossa imagem". Bom, se Deus inspirou a Biblía então devemos acreditar nela, não em que eu ou algum outro homem escreve. Prefiro ser decendente de Adão do que de um macaco!
Suzana | 23/11/2009 | 13:41Parabéns pelo texto esclarecedor. Estou cansada desse tipo de mentalidade que insiste em pintar Darwin como um ateu arrogante, o que ele definitivamente não era. Darwin foi um verdadeiro cientista, uma mente livre em busca da verdade e exímio observador da natureza, diferente de muitos que se utilizam da ciência para provar seus pontos de vista e opiniões pessoais.
Ubiratan | 23/11/2009 | 13:29Ser cristão e acreditar na evolução é um oxímoro. É óbvio que as religiões vão ter que ficar "evoluindo" porque em pelno século XXI não convencem mais como aos judeus de 2 mil anos atrás. Vão ter que aceitar os fatos que não podem mais ser negados, assim como não podem mais simplesmente jogar os "infiéis" na fogueira. Pena que essa teoria não funciona para os seres humanos, senão todos já teriam "evoluido" e os padres, pastores, médiuns, curandeiros e outros charlatães iriam morrer de fome.
Rafael | 23/11/2009 | 11:45Há algum tempo eu tenho visto capas de revistas e temas de livros que se auto proclamam como científicos utilizarem a teoria de \"ponte\" entre o cristianismo e ciência. Seria talvez pelo fato de que a mentalidade religiosa está precisando adaptar-se ao abondono da crença cega e tendência à crença racional? Seja qual for a transformação que ocorre na sociedade, a racionalidade que buscam nas crenças só reforça a tentativa frustrada e desesperada de impor uma verdade que com o tempo só se declina.
Hermes Galvão | 23/11/2009 | 11:31sou evangelico e acompanho as teorias de Darwin e comparo com a minha religiosidade, quando chegar a versão em portugues vou ler, acredito na dualidade das ações, se Deus criou o bem o mal surgiu, sem essa regra não haveria o ceu e o inferno, da mesma forma agora estarimos conversando atraves de sinais de fumaça e não por este email, que traz o bem ou pode nos levar a qualquer outro caminho, por este motivo não critico a decendencia dos macacos pois em algum momento fizemos a escolha certa.
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