Mike Rozulek

Quem visitou o blog ontem descobriu que Karl Giberson é o atual presidente (com a saída de Francis Collins) da Fundação BioLogos, uma entidade sediada nos Estados Unidos que promove a conciliação entre a ciência, especialmente evolucionista, e o cristianismo evangélico. Giberson também é autor de Saving Darwin, o livro que eu resenhei ontem aqui no blog. Claro, falamos um pouco do livro, mas principalmente sobre qual é exatamente o papel de Deus no processo evolucionário e sobre as melhores abordagens na hora de promover a ciência entre pessoas cuja fé é arraigada.
O subtítulo do seu livro é "como ser cristão e acreditar na evolução". Mas não se "acredita" na evolução como se "acredita" em Deus, em anjos ou em Papai Noel...
Divulgação/HarperCollins
Giberson acredita em uma evolução guiada, mas que Deus não interfere nos detalhes dos processos naturais.Mas há dois sentidos de "acreditar" que, para mim, são relevantes aqui. No sentido literal, quer dizer simplesmente "aceitar como verdadeiro". Todos "acreditam" que dois mais dois são quatro. Esse sentido mais leve poderia se aplicar, penso eu, às pessoas que acreditam em Deus, mas para quem essa crença não tem consequências. Muitos deístas acreditam em Deus como acreditam nas leis da Física – há alguma coisa "lá fora" que existe, mas que efetivamente não significa nada de profundo para eles.
Mas há outro significado de "acreditar" que tem uma carga mais profunda. Minha crença em Deus tem implicações que minha crença na gravidade não tem. Mas eu acrescentaria que minha "crença" na evolução também me afeta em maneiras muito mais pessoais que a mera aceitação da teoria. Ela me leva a refletir sobre como eu me relaciono com os outros seres vivos, como eu me insiro na história natural do universo, como eu devo tratar os animais, o que eu deveria pensar sobre os primatas, e assim por diante. A evolução tem um poder transformador que muda a maneira como uma pessoa se relaciona com o mundo a seu redor – de formas que não se diferem muito da crença em Deus.
Uma pesquisa recente do Pew Forum apontou que 31% dos norte-americanos dizem que o homem e outros seres vivos foram criados exatamente como são, desde o início dos tempos; 32% dizem que eles evoluíram por processos naturais; e outros 22% falam em evolução "guiada por um ser supremo". Isso é possível, ou o termo esconde visões como o Design Inteligente?
Uma "evolução guiada" é aceita por muitas pessoas, especialmente cristãos com conhecimento científico. Ela aparece sob nomes diversos, como "evolução teísta", "criacionismo evolucionista", ou "BioLogos", o termo que usamos para nosso projeto (e que escolhemos para escapar da bagagem negativa que vem com o termo "evolução").
Mas a ideia de que Deus guia a evolução é bem complexa. Para ela ser relevante, não podemos simplesmente pegar a versão secular da história e dizer "foi Deus quem fez". É preciso fazer afirmações teologicamente sólidas sobre o que Deus fez ou está fazendo, e sobre como Ele está envolvido no processo.
Eu diria que nós, no BioLogos, defendemos uma versão limitada dessa "evolução guiada". Nós acreditamos que ela é guiada no sentido de que o cenário como um todo está cumprindo as intenções do criador, mas, dentro dessa noção ampla, os detalhes incluem vários eventos aleatórios e contingentes.
Permita-me contar uma anedota para me fazer entender: quando ensino evolução a estudantes evangélicos no Eastern Nazarene College, eles normalmente se incomodam com a ideia de que Deus pode trabalhar de forma invisível através das leis naturais. Isso não se parece com o Deus bíblico que fala na sarça ardente, criou Eva tirando uma costela de Adão e fez chover fogo sobre Sodoma e Gomorra. Então eu pergunto aos alunos: "quantos de vocês creem que Deus os guiou até aqui?", e muitos levantam as mãos. Em seguida pergunto "quantos de vocês foram guiados por meio de interrupções dramáticas e sobrenaturais do curso natural da vida?", e ninguém levanta a mão.
A conclusão é óbvia: se Deus pode guiar pessoas através dos eventos corriqueiros do dia-a-dia, Ele pode guiar a história natural trabalhando por meio das leis da natureza. E aqui temos uma diferença fundamental em relação às alegações do Design Inteligente: não é necessário que Deus interrompa o curso natural das coisas para, de vez em quando, fazer diretamente parte do trabalho criativo. Em vez disso, temos um Deus que permeia todo o processo.
Além disso, o DI não é exatamente um ponto de vista particular. O saco de gatos deles é tão grande que inclui gente muito diferente: intervencionistas que aceitam a evolução desde que Deus dê as caras de tempos em tempos de forma detectável; criacionistas da Terra jovem; criacionistas da Terra antiga; e até gente que não crê em Deus. O livro de DI mais recente (Signature in the cell, de Stephen Meyer) diz que Deus criou a primeira célula, e daí em diante a seleção natural se encarregou do resto. É um tipo de "deísmo biológico". O DI não passa de um movimento político em que antievolucionistas concordaram em deixar de lado suas divergências para combater a evolução. O caráter político do DI está se tornando cada vez mais evidente, e há sinais de que o movimento esteja perdendo força.
Mas se o processo evolucionário é movido a competição, seleção natural e mutações genéticas aleatórias, a "atividade criativa de Deus" não tem um papel pequeno demais para um ser todo-poderoso?
No fim das contas, precisamos olhar para a ciência. Parece mesmo que Deus está intervindo de formas dramáticas ao longo da história natural? Nós não podemos colocar Deus numa caixa feita de acordo com nosso interesse e insistir que Suas ações se conformem à nossa ideia de como Deus deveria se comportar.
Eu perguntaria, a quem prefere uma "presença" maior de Deus na história, de que modo eles procuram por Deus no mundo. Essas pessoas buscam um Deus das lacunas, que aparece naquilo que a ciência não explica? Ou buscam por Deus na grandeza de um pôr-do-sol, na nobreza de um voluntário de sopão, ou no sorriso de uma criança? Sem saber, nós aderimos à teologia de um Dawkins quando insistimos que Deus deve funcionar como um engenheiro cujas ações devem ser claramente identificadas pela ciência.
Seu livro relata casos de ridicularização dos criacionistas na mídia, como em episódios dos Simpsons, mas o senhor acredita que essa estratégia não é muito adequada para levar as pessoas a aceitar a evolução. Como, então, levar o público a ver a compatibilidade entre evolução e fé religiosa?
A chave, para a maioria, é desenvolver uma compreensão da Bíblia que vá além do que aprenderam no catecismo ou na escola dominical. O catecismo conta histórias sobre o Gênesis que são adequadas para crianças, mas depois ninguém revisita essas histórias para ajudar os jovens adultos a criar uma visão madura do Gênesis. Descobrir que o livro sagrado tem várias indicações de que não se trata de história literal é uma experiência libertadora para os cristãos. Se nosso primeiro contato com a criação segundo o Gênesis ocorresse na vida adulta, não aceitaríamos tão rapidamente a literalidade das histórias de cobras falantes, jardins mágicos e Deus "descendo do céu" para conversar com Adão e Eva diariamente. Mesmo os nomes dos personagens principais são pistas. A palavra hebraica para Adão significa apenas "homem", e Eva significa "vida". Pense numa história em português, ou inglês, sobre um casal chamado Homem e Vida num jardim mágico. Será que não entenderíamos imediatamente que não se trata de registro histórico?
Reprodução autorizada / The Brick Testament / www.thebricktestament.com
"Se nosso primeiro contato com a criação segundo o Gênesis ocorresse na vida adulta, não aceitaríamos tão rapidamente a literalidade das histórias de cobras falantes"Também é importante – embora não tanto quanto a questão da Escritura – o fato de que existe uma montanha de evidências a favor da evolução. O mapeamento do genoma comprova sem sombra de dúvida que os humanos e outros primatas têm um ancestral comum. Apresentar essa evidência é muito importante para ajudar as pessoas a fazer essa transição.
O que funciona melhor para quem nega a evolução: mostrar a evidência favorável à evolução, apelando para a razão? Ou mostrar que a evolução não prejudica a crença em Deus, apelando para a religiosidade?
É fundamental proteger a religião dos supostos "ataques evolucionistas". A maioria das pessoas está mais preocupada em estar de acordo com sua religião do que em estar cientificamente atualizadas. O problema no caso dos cristãos evangélicos, infelizmente, é que existem prateleiras sem fim de livros argumentando que a ciência comprova o criacionismo. Para a maioria das pessoas leigas no assunto, a batalha nem é entre ciência e religião, e sim entre "a ciência de que eu gosto" e "a ciência que ataca minha religião".
No seu livro o senhor parece um tanto pessimista e desiludido sobre o rumo da discussão sobre a evolução, que deixou de ser uma busca pela verdade científica e se tornou uma guerra cultural, onde o que importa é desmoralizar o adversário. Nós realmente chegamos a um ponto sem volta?
Temo que sim. Algumas semanas atrás eu estava em um impressionante museu no Kentucky, mantido pelo Answers in Genesis, o maior e mais eficiente promotor do criacionismo de Terra jovem em todo o mundo. Eles têm uma livraria enorme e, enquanto eu a explorava, era esmagado pelo gigantismo do esforço feito para atacar a evolução. Havia centenas de livros, DVDs, material didático para todas as séries (até pré-escola), canecas, camisetas com mensagens antievolução... Answers in Genesis é uma máquina de propaganda multimilionária, com o propósito de convencer cristãos de que eles não devem acreditar em evolução. Eles têm revistas, um site cheio de informações, workshops, um time de "cientistas", livros sem fim e muito mais. Tudo isso ruiria se eles se convencessem de que a evolução é real. Por outro lado, eu não consigo imaginar como fundamentalistas científicos como Richard Dawkins e Daniel Dennett fariam as pazes com fundamentalistas religiosos como Ken Ham, o chefe de Answers in Genesis.
Divulgação / Answers in Genesis
Parte do Museu da Criação, mantido pela organização criacionista Answers in Genesis.Bento XVI, quando era cardeal, pediu que houvesse um debate honesto sobre a legitimidade das afirmações metafísicas feitas em nome da teoria de Darwin. Na sua opinião, cientistas como Dawkins "sequestraram" Darwin como fizeram os eugenistas descritos em seu livro?
Certamente Dawkins e o Novo Ateísmo sequestraram Darwin, e nós deixamos que eles dessem o tom do debate em termos de explicação científica, e não de Metafísica. A ciência leva crédito pelo que pode explicar, e Deus leva crédito pelo resto. Se Deus não é necessário para explicar o que a ciência vai desvendando, Ele não é mais necessário para nada. Nós deixamos um "antiteólogo", Dawkins, nos dizer o que a Teologia pode ou não fazer.
Apesar de descrever o criacionismo como um fenômeno norte-americano, o senhor alerta que ele está se tornando global. De fato, um dos criacionistas mais famosos do mundo hoje é um muçulmano turco, Harun Yahya. É possível frear a expansão do criacionismo?
Se o criacionismo, profundamente hostil à ciência, conseguiu fincar raízes nos Estados Unidos na mesma década em que pusemos o homem na Lua, é impossível impedir que ele finque raízes num país como a Turquia. O criacionismo tem uma vantagem injusta sobre a ciência: ele continua reciclando qualquer alegação que funcione, ainda que já tenha sido refutada. Isso é tão prevalente que até Answers in Genesis tem uma página em seu site com argumentos antievolução que já foram rebatidos, mas muitos criacionistas não estão nem aí e continuam usando esses mesmos argumentos.
No caso de Harun Yahya nós podemos receber socorro de outra direção. Ele tem sido acusado de ligação com o crime organizado. Se ele fosse para a cadeia, a causa da ciência na Turquia ganharia tanto quanto ganhou nos Estados Unidos quando Kent Hovind (um criacionista da Terra jovem acusado de diversos crimes de ordem fiscal) foi preso.
2009 é o ano de Darwin, pelo bicentenário de seu nascimento e pelos 150 anos de A origem das espécies. Com o ano quase no fim, qual sua avaliação dos esforços feitos para contra-atacar os argumentos criacionistas e promover a conciliação entre religião e evolução?
Esse foi um ano interessante. Por um lado, o Novo Ateísmo dominou a agenda, alinhando-se tanto contra o criacionismo quanto contra a religião em geral. A reação por parte de pensadores religiosos consolidou a polarização, que provavelmente responderá pela parte mais ruidosa do debate nos próximos anos.
Mas, entre esses dois extremos, vozes moderadas se levantaram. Intelectuais agnósticos ou não-religiosos contestaram a posição ateísta de que "a religião é má e deve sumir". Michael Ruse, Chris Mooney, Eugene Scott e outros afirmam que alienar as pessoas religiosas em nome da ciência só pioraria as coisas para a própria ciência ao alimentar o antievolucionismo. E também – e nisso eu tenho um papel relevante – houve o surgimento da Fundação BioLogos, criada por Francis Collins para incentivar a conciliação entre evolução e cristianismo. Apesar de – ou talvez por causa de – ser uma ponte entre ciência e fé, temos sido criticados pelos dois extremos, enfurecendo todo mundo, de Ken Ham (do Answers in Genesis) e Bill Dembski (do Discovery Institute, promotor do DI) até Sam Harris e Jerry Coyne, dois líderes do Novo Ateísmo.
A experiência do BioLogos tem sido estimulante. Somos a única voz dentro do cristianismo evangélico lutando pela harmonia entre ciência e fé – o que inclui, claro, a aceitação da evolução. Nós esperávamos ser um pequeno e solitário grupo que cresceria com o tempo, mas descobrimos que já existe um número considerável de cristãos, geralmente entre as camadas mais instruídas, que já compartilhavam da nossa posição, mas estavam marginalizados porque não havia quem os representasse em público. Nós estamos emergindo como o Flautista de Hamelin da Ciência, atraindo cristãos e conseguindo enorme apoio. Quase diariamente alguém nos manda um e-mail querendo saber como participar. Isso é encorajador e me faz pensar que talvez haja uma luz no fim deste longo túnel da anticiência.
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esta se baseia na razão e no empirismo, mesmo quando no campo da especulação pura, e que está totalmente aberta para críticas e modificações. Portanto, no meu entender, a visão do senhor Lampedusa, como de resto dos demais nobres comentaristas acólitos, só é possível se aceitarmos a premissa de que há algo de natureza sobrenatural e que não pode ser cognoscível pelas ciências naturais. Mas “a ciência não crê em milagres” conforme afirmou o senhor Flávio Antônio, assertiva que tem o meu apoio.
Paulo K. | 03/12/2009 | 14:01Destarte eu estar mais próximo, em linhas gerais, com o pensamento do senhor Flávio Antônio, eu e o senhor Lampedusa concordamos que as diferentes interpretações de mundo que temos diferem de quais premissas nós adotamos. E por isto mesmo que eu escrevi, há muitas luas passadas, que fé e ciência não são conciliáveis porque aquela propugna a existência de uma “verdade transcendental” não verificável nem pela razão e nem pelo empirismo, inclusive sem aceitar qualquer contestação. Ao passo que...
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 20:17Com a fé aconte algo semelhante. Não é questão simplesmente cognitiva. Acredito porque vi; ou algo do gênero. Afinal de contas, sabemos todos que sequer nos nossos sentidos podemos confiar (nem tudo quanto supomos ver realmente existe, não é?). A fé é sobremodo uma questão de vontade (ou melhor, de sentimento - como quer Freud, o lançamento de desejo sobre objetos). Quem é tocado pela Revelação dificilmente conseguirá racionalizá-la (vide o sentido de imersão - Mal Estar na Cultura, Freud).
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 20:14Ou melhor: em que medida conseguimos demonstrar, cientificamente, opções de fé? Valores? Moral?, etc. Mal comparando - e a metáfora é grosseira, sei bem - todos podemos estabelecer critérios prévios para atribuirmos notas a carros (cor, potência, preço, etc.). Dificilmente, porém, conseguiremos justificar racionalmente o peso a atribuir a cada valoração. Para alguns, a beleza do carro seria mais importante que a sua potência. Talvez todos estejam de acordo quanto a tópicos mínimos...
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 20:12Ainda acredito que a melhor fundamental para a Religião está em Hegel (ainda que examine seus postulados sempre com muita reserva). Mas retomando ao ponto central da discussão, questiono: será que realmente esse constante embate entre Religião e Ciência é necessário? Em que medida a fé carece de alguma explicação racional? Não deveria ser fé pela fé e doa a quem doer? Afinal de contas, isso decorre da praticamente impossibilidade de se justificar racionalmente valores, dependem de gosto...
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 20:10Ademais, e penso que esta é uma crítica fundamental, ao dizer que 'nada podemos saber do noumenico', Kant nada mais fazia do que contraditar sua premissa. Afinal de contas essa asserção também é sobre o noumenico, não é? (não posso conhecer a coisa em si; porém Kant pretendeu detalhar a razão em si, dizendo o que ela - a razão - não poderia conhecer, o que é uma asserção contraditória com a premissa)...
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 20:06Lampedusa, é que Kant tomava como premissa a existência de conhecimentos intuitivos, semelhantes às conclusões matemáticas. A rigor, a asserção '2 + 2 = 4' não demanda demonstração, desde que aceita a premissa do sistema decimal (seria algo evidente para o intelecto). Agora, realmente concordo que ele levou muito longe essa premissa, pois acabou deixando várias lacunas (p.ex., por que aquelas categorias do conhecimento, e não outras?).
Lampedusa | 27/11/2009 | 17:03Sim, Flávio, concordo. É curioso que a própria base do pensamento kantiano (apenas conhecemos o 'fenoumenon' e nada podemos afirmar do 'noumenon') é uma posição dogmática. Justo ele que dizia ter acordado de seu sonho dogmático pela leitura de Hume :)
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 13:31Bom, podemos realmente questionar a verdade da afirmação de Kant (do ser não posso inferir, validamente, um dever ser). A questão é metafísica; pois está calcada na pressuposição de uma sempre indemostrável LIBERDADE DE AGIR (algo questionado com a construção de Freud; Wilhelm Reich, etc.). Cai sempre naquele dilema religioso, já questionado a Jesus Cristo: fulano nasceu doente por que pecou em outra vida? Qual a razão de uns sofrerem e outros gozarem, etc?
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 13:28Como sabemos, Descartes utilizou um artifício. Disse que deve haver um ente perfeito, para que o conceito de perfeição exista (algo próximo ao Platonismo). Esse Ente Perfeito seria Deus. Dado que Deus - para ser Perfeito - não pode me enganar, minha razão deve poder compreender o Mundo tal qual é. Mas, ora bolas, hoje temos a compreensão de que não vemos o Mundo tal qual é (átomos; raios 'x', etc.). No Mundo, em si, sequer há cores (é fenômeno, inerente a quem pensa; está em nós e não no Mundo).
Flavio Antônio | 27/11/2009 | 13:26Lampedusa, realmente essa é uma questão dogmática. Assim como o próprio 'cogito' fundante da concepção cartesiana e, sobremodo, do idealismo alemão (destaque para Fichte e Hegel). O problema está no saldo lógico, que já referi abaixo. Como sair da linguagem/razão para o Mundo? Sequer Wittegenstein tem uma resposta exata. Só penso logicamente; mas disso não decorre que a Lógica regule necessariamente o Mundo (apenas o meu Mundo). Não vejo como fugir disto; pois é uma armadilha lógica.
Lampedusa | 27/11/2009 | 11:04Flávio, concordo em grande parte com o que você afirma, mas acrescentaria que a postura idealista de Descartes levou a grande parte da filosofia posterior pensar que o "eu pensante" não só é o fundamento gnoseológico, mas também o fundamento do real. Daí o "dever ser não poder advir do ser". E isso é uma postura dogmática e impossível de ser aferida pela epistemologia própria das ciências naturais.
fabio alexandre | 27/11/2009 | 00:48Não existem indícios Bíblicos sobre a evolução de alguma espécie de animal. Então meus caros amigos... desafío-os a crerem em Deus.
Flavio Antônio | 26/11/2009 | 19:17Lenise. Concordo quanto ao último post. A Religião é um tema sério; e que exige respeito (sei bem).Reconheço que nunca me atrevi a ler integralmente a Summa Teologica, de Santo T. Aquino; ainda que já tenha lido Confissões; Cidade de Deus (Agostinho) e também a Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis. Na outra mão, também já lancei os olhos sobre o Malleus Malleficarum (Hexenhammer); que não recomendo. Há gente séria lendo e estudando a Bíblia; as tradições...
Lenise Garcia | 26/11/2009 | 18:25O interessante é que dificilmente alguém discute com um doutor em Física, sem ser especialista, mas muita gente se considera competente, sem nem mesmo ter lido a Bíblia, para questionar os doutores em Teologia :) [não penso que seja o seu caso, esclareço].
Lenise Garcia | 26/11/2009 | 18:23Flávio, certamente falamos de modos e perspectivas diferentes do conhecimento, quando tratamos de ciência e religião. É justamente por isso que elas não "competem", mas podem ser compatíveis. Entretanto, há também pontos comuns. Dois exegetas discutem com argumentos fundamentados, assim como dois físicos ou biólogos. O "argumento de autoridade" somente se forma DEPOIS dessa discussão. No caso da Igreja há a particularidade do Magistério, mas esse somente se pronuncia depois de muito estudo.
Flavio Antônio | 26/11/2009 | 16:39Sei, p.ex., que a tal maçã surge da expressão 'arboris mali' (a rigor, é 'arboris scientiae boni et mali'), que por época da Vulgata alguns traduziram também por macieira... Com Gadamer, sabemos que todo texto só pode ser compreendido a partir do seu contexto. E a maioria dos Cristãos não compreende a bíblia em aramaico; mas com todas as suas interpolações (do grego para o latim, etc.). Como assegurar que os estudos estão sendo feitos sobre a Bíblia correta? Apenas na crença em quem prega, ñ é?
Flavio Antônio | 26/11/2009 | 16:34Mas Lenise, perdõe-me a insistência num ponto. Aí está uma diferença fundamental. Ainda que você sustente que há estudos sérios - e sei que há - a respeito da hermenêutica bíblica, é fato que a Revelação não pode ser compartilhada; transmitida. É questão essencialmente existencial, pessoal. Agora, a crença jamais deixará de estar calcada na autoridade de quem prega. Na ciência, não basta dizer que há estudos sérios; é imprescindível a demonstração e coerência.
Marcio Antonio Campos | 26/11/2009 | 15:45Mas, Eduardo, o que o Giberson está dizendo é justamente isso: o criacionismo nos EUA se tornou uma indústria que movimenta tanto dinheiro que seus promotores jamais renunciariam a isso, e por isso mesmo eles não vão aceitar a evolução. É por isso que Giberson fala em "guerra cultural": a essa altura, infelizmente a verdade científica está importando menos que o triunfo na arena pública (ainda que se esteja errado) e a desmoralização do oponente.
Lenise Garcia | 26/11/2009 | 14:02Nesse sentido, a Teologia é também uma ciência, e também evolui. A exegese bíblica séria apóia-se em estudos profundos. Há quem estude latim, grego, hebraico, para poder melhor analisar os originais. Quem se aprofunde na história e costumes dos povos, trazendo dados que muito contribuem para a compreensão de determinadas passagens. Nesse contexto, perguntas como "por que o Gênesis é alegórico e o Evangelho não?" são de um simplismo quase pueril, quando feitas de modo retórico.
Lenise Garcia | 26/11/2009 | 13:56Caro Flávio, está sendo um prazer debater com você. De fato, ciência e religião são essencialmente distintas, mas não vejo que se proponha aqui uma sobreposição de ambas. São compatíveis, exatamente porque não são duas respostas diferentes para a mesma pergunta, mas respostas diferentes para perguntas diferentes. Bem compreendidas ambas, existe complementação e não contradição. E a religião não se baseia na "verdade da fé", pois esse é um ponto de chegada, não de partida. E sim na Revelação.
Eduardo Kalinowski | 26/11/2009 | 13:26Bela distorção no parágrafo acima da imagem com parte do "museu" da criação. O entrevistado afirma que o "museu" e seus defensores ruiriam se aceitassem a evolução. Mas o ponto é que essas pessoas *nunca* vão aceitar a evolução, por mais provas que lhes sejam mostrados. Por outro lado, um verdadeiro cientista (nem todo mundo que se diz cientista necessariamente é um sempre...) *vai* mudar de opinião caso novos fatos sejam descobertos, mesmo com relação a algo muito fundamentado como a evolução.
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 22:35Aristóteles defendeu ardualmente a teoria do impetus; posteriormente superada com Galileu Galilei. Mesmo o grande Isaac Newton acreditou na teoria da geração espontânea, superada definitivamente com Pasteur, etc. Toda teoria tem 'furos'; razão que basta para que o conhecimento científico não seja estagnado. Mas a virtude da Ciência é justamente essa capacidade de refutação; esse desejar algo mais. Com todos os seus méritos, a Religião tem fundamentos distintos. Está calcada na 'verdade de fé'.
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 22:31Ademais, prezada Lenise, você bem o disse: a Ciência está fundada na premissa de que a Natureza seja compreensível. Ou melhor, que haja alguma lógica nas coisas. Do contrário, toda a pesquisa seria vã; pois o Universo poderia ser randômico; absurdo; sem coerência alguma (por sinal, essas premissas caem quando em causa a Mecânica Quântica; ou a Teoria das Cordas). Mas daí não decorre necessariamente que o Universo tenha que ter sido planejado. Algo pode ser lógico, sem que tenha sido \'concebido\'.
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 22:27Há algum tempo alguém sustentou que haveria provas de que o Sol realmente teria sofrido um eclipse, à época reportada em Josué 10:13. O grande problema está em utilizar a Physis para fundamentar a Metaphysis. São conceitos distintos. Não há como demonstrar cientificamente a existência da Alma; assim como tampouco há prova do contrário (aliás, respeitosamente, não me convenceu do contrário a tentativa lançada no Livro dos Espíritos, de Kardec). A metafísica ñ pode ser alicerçada no empírico...
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 22:18A grande pergunta reside na capacidade de descortinar o real. Descartes/Fichte, etc., divisavam no Ego (Ich bin Ich) o fundamento gnoseológico. Há algo que pensa o Mundo; e esse ente pensante sou Eu. O problema está - repito - no salto. Como posso provar que a minha razão regula também o Mundo? Afinal, a razão não pode demonstrar a si mesma. Só posso pensar racionalmente; mas daí não decorre que o Mundo mesmo, em si, seja lógico. O problema está em supor que a Religião seja científica; o que ñ é
Flavio Antônio da Cruz | 25/11/2009 | 22:12Julgo-me alguém religioso. Acredito em Deus. Mas não vejo como adaptar a Bíblia à visão científica moderna. De igual modo, tenho várias dúvidas (e quem não as têm? Pois reza a lenda que até Santo Agostinho duvidou...) a respeito da fundamentação da hermenêutica bíblica. Esse é um ponto. O outro reside na tentativa de empregar asserções científicas (p.ex., o princípio da incerteza de Heisenberg) para dar colorido de validade a certos sincretismos religiosos (New Age, etc.).
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 22:08Prezada Lenise. Obrigado pelas considerações. Concordo com o argumento de que há limites (e como há!) para a fundamentação científica. Esse é um tema difícil da gnoseologia; que retoma a Hume (e, após, Kant; Fichte e Hegel, só para ficarmos em alguns). Aliás, Hegel supunha uma distinção entre causa e razão (ao tratar dos universais). Não estou sustentando, em momento algum, que a Ciência seja superior ou inferior à Religião. São essencialmente distintas. Questiono apenas a sobreposição de ambas.
Lenise Garcia | 25/11/2009 | 17:41Flávio (continuando) Voltando à sua colocação: "A ciência está fundada no pressuposto de que a Natureza é algo compreensível". Sim, e por isso mesmo faz todo o sentido pensarmos que ela provém de uma Razão criadora. Nós somos recém-chegados ao universo, e é estranho pensar que, se não tivéssemos surgido (o que é totalmente pertinente), não haveria ninguém capaz de compreender a Natureza... A religião nunca foi uma crença cega, e nunca teve medo de dialogar com a filosofia e a ciência.
Lenise Garcia | 25/11/2009 | 17:36Flávio, você diz: "A ciência está fundada no pressuposto de que a Natureza é algo compreensível". Exato, e temos diversas estratégias para tentar desvendar o mundo pela via científica. Como você mesmo admitiu (e é o que dizem todos os atuais filósofos da ciência) há limitações para o tipo de pergunta que a ciência é capaz de responder. O problema é que, se a sua epistemologia da ciência está correta, o que você considera "epistemologia da religião" está equivocado. (segue)
Lenise Garcia | 25/11/2009 | 17:33Márcio, meus parabéns pelo especial sobre Darwin, está muito bom, e traz temas que realmente merecem um bom debate.
Lampedusa | 25/11/2009 | 12:17Flávio, seus questionamentos sobre a interpretação da Bíblia são extremamente pertinentes e, para mim, representam o grande problema do protestantismo: o 'sola scriptura' aliado à livre interpretação dela. O catolicismo parte do princípio de que a autoridade da interpretação é dada pela Tradição e pelo Magistério. Sim, reconheço que é um princípio de fé, mas é coerente e, em tese, minimiza ou mesmo elimina os problemas que você, corretamente, apontou.
Flavio Antônio | 25/11/2009 | 11:17O problema é justamente este, Maria. A Bíblia deve ser estudada - você o diz -; mas com que balizas? A alegação de que determinada interpretação seria inspirada pelo Espírito Santo diz pouco. Qualquer pessoa pode formular uma leitura da Bíblia (p.ex., puritana; machista; ufanista, etc.) e sustentar que se cuida da VERDADEIRA INTEPRETAÇÃO, pois escudada na vontade de Deus. Como afastar falsos e bons profetas? Fé há muitas, dos mais variados tipos; e todas supostamente fundadas na vontade de Deus!
Maria | 25/11/2009 | 08:46na minha opiniao as pessoas deveriam ter conciencia e conhecimento exato da verdade.joao:17.3 pense um pouco: - Deus é amor.1joao 4:8, leiampor favor estes testos e rciocine sobre eles. A Biblia presisa ser estudada e nao lida. Espero que Deus que é o CRIADOR DE TUDO toque no coraçao de cada um.Que abençoe atodos do fundo do meu caração!!Leiam 1corintios 15:33. me procure pelo meu E-mail um abraço!!!
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 19:48Outro exemplo: a Bíblia revela, como mandamento de Deus, a vedação ao homicídio ('NÃO MATARÁS!'). Todavia, esse mesmo Deus teria determinado a Saul MATAR todos os amalequitas; o que não teria sido totalmente cumprido pelo então rei de Israel (I Samuel, 15). A descoberta de uma intenção na Bíblia; de uma interpretação literal ou metafórica, etc., sempre dependerá de um ato de vontade. Há passagens na Bíblia que, conforme a fundamentação, podem até justificar ignomínias. Como fundamentar a fé??
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 19:25O grande problema acaba recaindo na questão da hermenêutica; o que já afligia os cristãos com o Concílio de Nicéia (Jesus era Deus feito homem; homem feito Deus, ou nada disto?). A Tradição Católica prega que Maria teria ido ao Céu (assunção em corpo e alma), conquanto nada na Bíblia revele isto... Qual o fundamento da crença? A fé pela fé? A fé na Palavra escrita? A fé na Palavra dos clérigos? A fé na minha própria interpretação? Como fundamentá-la racionalmente? Se é que isto é necessário...
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 19:15Ademais, a conjugação da Religião/Ciência - na linha propugnada pelo entrevistado - leva a outras questões. A despeito do problema da indução (Hume), a ciência está calcada na busca de Leis Inexoráveis. Ainda não as descobriu totalmente (vide paradoxo Relatividade/Mec. Quântica); mas as busca. A ciência está fundada no pressuposto de que a Natureza é algo compreensível, regida por Leis insuscetíveis de hiatos. A religião crê no Milagre; no episódico afastamento de tais Lei, pela vontade de Deus.
Orlando Silva | 24/11/2009 | 19:11As pessoas acreditam em muitas bobagens, misturar religião e ciência é uma delas.Que bom seria se todos acreditassem no que podem ver e pegar.A ciência deve ser respeitada em todo seu pleno, a religião também mais cada coisa no seu lugar.O que seria do homem se não fosse a ciência? com certeza estaria escrevendo a bíblia até hoje nos dias atuais.
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 19:06Hume dizia que a indução científica seria falaciosa, já que jamais se poderia demonstrar - pela lógica - que o amanhã será igual ao ontem. A indução pressupõe uma premissa de que a natureza seja constante (vi patos brancos; o próximo será branco). E isso também é crença, não desconheço. Kant; Fichte; Hegel, etc., não conseguiram dar demonstração inequívoca da validez do 'salto lógico' (a lógica da linguagem implica lógica do mundo). Ainda assim, a Ciência evolui(antibióticos; cirurgias, etc.)...
Cidinei Tiburcio Costa | 24/11/2009 | 18:53Cada ser humano, tem o direito de conceber em que acreditar, e como conduzir a sua vida aqui na terra,eu particcularmente aceito a bíblia como ela é,literalfigurada e alegórica,e interpretada segundo a lei da hermenêutica sagrada. Porém só do outro lado da vida essa polêmica será plenamente esclarecida, até lá prefiro viver a minha fé, firmada na palavra de Deus. Se eu estiver certo me darei bem no futuro, se errado arcarei com as consequências do meu erro.A bíblia é aceita pela fé:
Edson | 24/11/2009 | 18:48É simples assim!!! você acredita em Deus ou acredita na ciência. Leia a Biblia Sagrada de Genesis á Apocalipse!!!
Marcio Antonio Campos | 24/11/2009 | 18:41Flávio, a Bíblia não aponta nenhuma idade para o planeta. Foi um arcebispo anglicano que, somando idades dos patriarcas bíblicos, chegou aos tal 6 mil e poucos anos. Mas a conta dele partia do pressuposto de que a criação ocorreu em seis dias literais, sendo que a Bíblia não dá nenhuma indicação nesse sentido e comentaristas do início do cristianismo, como Santo Agostinho, já apontavam para uma interpretação alegórica dos "seis dias". A interpretação 100% literal é algo relativamente recente.
Hipólito Álvaro Batista | 24/11/2009 | 18:39Eu concordo em muitas partes com ciência coerente.De fato a Bíblia não é um compêndio de ciência, até porque está a muito `frente da ciência. Foi a Biblia que primeiro falou sobre a "redondeza da terra". e sobre o "cíclo das águas". Agora, Michele, dizer que Deus não existe?. Lamento não ser uma declaração inteligente.Quando alguém ateu perguntou um sábio cristão. "AONDE ESTÁ DEUS?" O cristão respondeu.:"AONDE ELE NÃO ESTÁ?".De fato, Ele pode estar a 1 palmo do teu coração.
João Ricardo Nascimento | 24/11/2009 | 18:35A ciência hoje fala uma coisa e amanhã está falando outra.Cietistas estão questionado outros cientistas,no que diz respeito ao aquecimento global. Como acreditar em algo que é contarditório. Reconheço que muitos beneficios foram obtidos,através da ciência,mas muito do que a ciência nos diz hoje,a biblia já falava antes da ciência.
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 18:27Por fim, e apenas para consignar o respeito à opinião distinta, não desconheço que (a) Newton era extremamente crente, eis que possuía verdadeira paixão pela teologia; (b) a própria concepção do Big Bang fora formulada por um padre (Lamaître); (c) a Igreja preservou, durantes séculos, o conhecimento matemático e filosófico, etc. Logo, não desconheço que a própria Ciência deve muito à Religião... Mas, ao cabo, penso que há certa aporia antre ambas, quando levadas a seus extremos!
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 17:26Caro Manzoni. Há uma questão metafísica, subjacente tanto à Religião quanto à Ciência. É a tal capacidade noumenica. Afinal de contas, podemos realmente conhecer o Mundo, tal como ele é? A escolha - pela crença na autoridade da tradição/Bíblia, etc; ou pela crença na demonstração científica, com seus limites (não deixa de ser fé) - surte efeitos práticos, pois orienta a ação (é imperativa). Apenas ñ vejo como conjugar as 2 coisas. Segundo a Bíblia, o mundo teria 5.000anos; Astrologia - bilhões..
Marcio Antonio Campos | 24/11/2009 | 16:24Só um aviso aos comentaristas: é preciso manter um mínimo de respeito àqueles de quem se discorda.
Joachim di Fiore | 24/11/2009 | 16:18Lendo os posts do Fábio e da Michelle eu fico me perguntando quem são os reais dogmáticos e fundamentalistas... Tantos argumentos juntos expostos assim tão educadamente e civilizadamente...
Manzoni | 24/11/2009 | 16:15Flávio, a religião se preocupa, fundamentalmente, com o porquê do ser, enquanto que a ciência se debruça sobre o como esse ser se comporta. Evidentemente, ou há a Santíssima Trindade ou há Shiva (na concepção hindu) ou não há ambos. Só não pode ser verdade as 3 alternativas simultaneamente. E não cabe ao crente optar (ao menos no catolicismo) por qual interpretação da Bíblia adotar, mas isso diz respeito à Tradição e ao Magistério.
Michelle | 24/11/2009 | 16:05A idéia de Deus é tão absurda que eu ainda não entendo o que é que vocês querem conciliar com a ciência... Não existe Deus, não tem o que conciliar...[2]
Fábio | 24/11/2009 | 14:06A idéia de Deus é tão absurda que eu ainda não entendo o que é que vocês querem conciliar com a ciência... Não existe Deus, não tem o que conciliar...
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 13:34Grato, Manzoni, pelo comentário. Ambas (ciência e religião) têm o mesmo objeto: a explicação do tudo; do \'Ontos\'. As religiões - sobremodo quando monoteístas - possuem uma pretensão de verdade, de caráter excludente. Quem acredita na Santíssima Trindade (Três Deuses que são Um só) não pode acreditar, ao mesmo tempo, em Shiva. Quem acredita na Bíblia não pode escolher que partes salvar; que partes interpretar literalmente e que partes adaptar à ciência...
José Pedro | 24/11/2009 | 13:25Nunca ví tantas bobagens em uma matéria. Não merece comentário nenhum.
Cristina | 24/11/2009 | 13:14Excelente entrevista! Parabéns pra ti e para a Gazeta que possibilita a leitura deste ótimo material!
Manzoni | 24/11/2009 | 12:20Flávio, é possível "usar as duas canoas" porque o argumento de autoridade - na qual se baseia a fé - não é científico; porém, igualmente não é ANTI-científico. Isto é, são conhecimentos que versam sobre objetos (ou pontos de vista do mesmo objeto) diferentes e, portatno, não se contrapõem.
Lampedusa | 24/11/2009 | 12:17Márcio, excelente entrevista. Parabéns!
Flavio Antônio | 24/11/2009 | 11:54O fundamento da fé é a autoridade; não permite demonstrações. Caso alguém se depare com o sobrenatural, com uma verdadeira singularidade, encontrará enormes dificuldades para transmitir a experiência (alegoria da caverna, de Platão). A crença em um regente cósmico está calcada em uma escolha pessoal (acreditar ou não). A ciência exige, ao contrário, demonstração; a falseabilidade de Karl Popper. Não vejo como alguém possa ficar nas duas canoas...
Elis Ribas | 24/11/2009 | 11:00Parabéns ao autor e a Gazeta do Povo que mantém este blog e, outros, com assuntos relevantes e que nos possibilita conhecer outros pontos de vista e fazer nossa própria reflexão.
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