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Terça-feira, 22/05/2012

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Quem faz o blog
Enviado por Cristiano Castilho, 12/01/2010 às 14:25

O texto é grande, já aviso. Mas a efeméride que o segura também é. Há exatos 20 anos, o mundo do rock ganhava uma pequena pérola de quatro músicas. Mal talhada propositalmente, a joia fez com que quatro meninos de Oxford, Inglaterra, ganhassem uma notoriedade quase planejada.

Explica-se: os garotos que em 1988 formaram a banda Ride não atingiram o mainstream, não tiveram discos lançados no Brasil, não emplacaram hits como algumas bandas contemporâneas fizeram, mas, além de pavimentar o caminho de grupos como Radiohead e Supergrass, cativaram milhares de pessoas pelo mundo com seu som, ao mesmo tempo melódico, delicado, mas também explosivo, visceral e raivoso.

Tudo isso era novidade na cena musical da Inglaterra no final dos anos 1980. Somada à postura de indiferença quando subiam ao palco, Ride capitaneou a chamada cena shoegazer, que teve bandas como Chapterhouse e Slint como companheiras.


 / Quarteto de Oxford: desbravadores barulhentos.Quarteto de Oxford: desbravadores barulhentos.

O que chegava às lojas das cidades inglesas naquele janeiro era The Ride EP, primeira gravação profissional de Mark Gardener e Andy Bell (guitarras e vozes), Steve Queralt (baixo) e Loz Colbert (bateria).

A história dos quatro amigos é o velho clichê de banda de rock: universidade, coisas em comum, vontade de ser ouvido bla bla bla. O interessante, aqui, é a proposta sonora que quiseram abordar.

Fãs de bandas como My Blood Valentine, Sonic Youth, Spacemen 3 e The Smiths, o quarteto se equilibrava entre uma voz adocicada e melancólica de Gardener e o tufão musical em volume quase insuportável que acontecia atrás de si – guitarras no talo, microfonias, linha de baixo complexa e mutável; e bateria sincopada, criativa, que, ao dobrar o tempo da música em apenas um compasso, por exemplo, dava a ela estilo e vivacidade e não criava um mero caráter exibicionista.

O Nightshift – Oxford Music Magazine -- publicou uma matéria em que conta como a gravação do primeiro trabalho surgiu. Depois de diversos shows que faziam na universidade, foi a vez do Jericho Tavern Club receber os quatro, em fevereiro de 1989. O delírio começou na passagem de som.

“Começaram a aplaudir e nós estávamos no soundchecking. Fiquei muito assustado”, disse Gardener à publicação.
O produtor Dave Newton era o responsável pelos shows regulares que aconteciam no local e sempre procurava apresentar bandas novas. Dave era amigo do baixista Steve Queralt e aconselhou o Ride a gravar algumas músicas com o dinheiro que estavam fazendo nos shows, sempre lotados.

A ideia se concretizou em janeiro de 1990, com a gravação de The Ride Ep, que tinha quatro músicas: "Chelsea Girl" (de caráter intuitivo e etéreo), "All I Can See "(um bom exemplo do que mais ouviam na época), "Close My Eyes" (música densa e soturna) e "Drive Blind" (uma enxurrada de instrumentalização, a cara da banda).

Conta-se que o engenheiro de som, à época, disse que não podia ouvir nada de forma distinguível porque havia "muita guitarra e muito barulho". “Ótimo, deixa como está”, teria dito Andy Bell. A jornada do Ride começava.


 / The Ride EP: disco comemora 20 anos de lançamento. The Ride EP: disco comemora 20 anos de lançamento.

Depois de avançar um pouco no território inglês – a banda ficou conhecida em Londres e fez alguns shows por lá --, a popularidade do Ride crescia. Da Jericho Tavern foram para o Co-Op Hall, casa que era desejo de muitas bandas iniciantes. “Nós éramos definitivamente ambiciosos”, disse Bell.

A explosão mesmo veio com a turnê que fizeram abrindo os shows da banda Soup Dragons, que, até então, era o maior grupo independente da cena rock britânica daquele tempo.

O Ride foi exposto à mídia nacional e ganhou suas primeiras páginas em publicações como New Musical Express, Sounds e Melody Maker. Então a banda que tocava em amplificadores pobretões e quase caseiros agora regulava marshalls e stacks. A banda que era aplaudida na passagem de som criava a catarse em seus shows. Mesmo sem dar a mínima atenção para a plateia.

O quarteto gravou quatro discos e se separou em 1996. O mais lembrado e cultuado é Nowhere (também lançado em 1990). Sabe-se lá porque o grupo nunca fez sucesso internacionalmente – nenhum de seus discos foram lançados no Brasil. Mas o culto ao trabalho que fizeram é enorme. É fácil ouvir suas músicas, por exemplo, em sets de DJ's que abrem shows de rock.

Nowhere
“Seagull”, a primeira faixa (ouça ali embaixo), começa com uma microfonia sinuosa, parte para um riff de baixo galopante e, enfim, se agiganta quando a bateria de Loz Colbert entra, virtuosa, barulhenta, como se a raiva contida em algum momento da vida tivesse somente aqueles compassos para se exibir.

A microfonia continua ao fundo, enquanto Mark e Andy Bell cantam em duo, com voz algo preguiçosa, aérea, “Meus olhos estão doloridos/ meu corpo está fraco/ minha garganta está seca/ não posso dormir/ minhas palavras estão mortas”.

A música de seis minutos reflete em parte o modus operandi do Ride: camadas de guitarras barulhentas, embora harmônicas, que sustentam uma melodia cantarolável que poderia sair de qualquer banda britpop.

Ao final da faixa, um solo arpejado de Mark explode, enquanto Loz marca os tempos 3 e 4 de cada compasso batendo com a maior força do mundo em sua caixa, como se gritasse sem abrir a boca.

Ainda há a linda “Polar Bear”, uma música sobre uma garota que pensava que podia voar. A música surpreende e se recria no meio do caminho – de novo devido à criatividade de Loz Colbert.

“Paralysed”, faixa que em seu fim traz solos de bateria em bases de piano; e "Vapour Trail", uma das melhores faixas já compostas pelo quarteto. É aí que todas as característica do Ride, quem diria, encontram violinos.

Para “celebrar” o aniversário do primeiro EP, os amigos se reuniram para beber cerveja no pub Rusty Bicycle, em Oxford, provando que nem todo fim de banda é traumático.

Hoje Mark Gardener trabalha como produtor musical em seu próprio estúdio, em Oxford. Montou a quase anônima Animalhouse, e, quando é convidado, compõe e toca suas músicas em festivais pela Inglaterra.

Andy Bell passou a última década como baixista do Oasis e mesmo depois da separação dos irmãos Gallagher deve continuar trabalhando com Noel.

Steve Queralt mora em Londres e trabalha para uma indústria de móveis italiana. E Loz continua tocando – o músico faz turnês com Jesus & Mary Chain, International Jetsetters e outros grupos.

E Ride ainda vive. Seja em publicações esporádicas – como no Nighshift ou neste blog –, na memória afetiva de quem ouviu a banda em seu auge, ou na influência que tiveram em bandas inglesas posteriores.

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Abaixo, a música "Seagull", que abre o disco Nowhere. E "Mouse Trap", música presente no disco Going Blank Again, de 1992, em versão ao vivo.


Enviado por Guilherme Voitch, 24/09/2009 às 16:29

Este blog voltou de uma longa ausência. Não é minha culpa leitor. Eu deveria falar sobre música. Mas nada acontece. Escuto e tento, mas nada salta aos olhos e exige que se escreva. Enquanto nada de bom me provoque os ouvidos, gasto o tempo com algo melhor, resolvendo os grandes problemas da humanidade. Aqui minha colaboração com Honduras:

Não tenho dúvidas que a queda do Muro de Berlim foi benéfica para a humanidade. Serviu pra comprovar a ineficiência da ditadura da igualdade e sepultar alguns dos regimes mais assassinos que a humanidade conheceu. Certo. Mas que tínhamos um mundo bem mais fácil de ser compreendido antes disso, isso tínhamos...A coisa funcionava mais ou menos assim: Estados Unidos e União Soviética dividam o mundo. Tinham lá suas áreas de influência determinadas e ali, nos respectivos cantões, mandavam e desmandavam.

Você podia ser uma criança de dez anos, sem muito entendimento da conjuntura internacional, mas mesmo assim, conseguia saber o que estava acontecendo. A televisão dava a notícia de um golpe em algum país exótico e desconhecido. As imagens mostravam uma bombas pra lá e pra cá, seguida de muita fumaça. Logo depois apareciam uns soldados barbudos comemorando num jipe ou dando tiros pra cima, pendurados uns no cangote dos outros.
Do alto da sabedoria dos seus dez anos, você conseguia concluir que ou Estados Unidos ou a União Soviética estavam metidos ali. Se a presepada ocorria na América Latina, tinha dedo dos Estados Unidos, se ocorria no Leste Europeou ou na Ásia, era a União Sovitética que metia o bedelho. E se ninguém desse as caras, era simplesmente porque um tinha medo de mexer com outro – a tal da Fria Guerra. Aí a solução era ficar financiando gente do próprio país que estivesse disposta a brigar com o governo oficial, alinhado com o inimigo. Mundo cartesiano aquele.

Hoje em dia, a coisa é bem mais complicada. A Rússia se esforça pra conseguir o respeito das ex-repúblicas soviéticas e apita muito pouco no resto do mundo. Os Estados Unidos continuam sendo a nação mais poderosoa do mundo, mas já não tem aquele ímpeto de outrora. Honduras é o caso mais recente. Fosse um tempo atrás, já teríamos mariners desambarcando no país que conseguiu fazer uma guerra por conta do futebol. Mas não é o que acontece e isso é bom. O mundo tem de aprender a resolver seus problemas sem a salvaguarda das potências de plantão. Mais. Os países da América do Sul precisam se preocupar em resolver seus problemas e deixar de lado a gritaria histórica contra os Estados Unidos. O problema é conseguir isso.

Recapitulemos rapidamente os episódios do país que fez a guerra por causa de um jogo de futebol. O presidente eleito, Manuel Zelaya, queria promover um plebiscito, que serviria para mantê-lo no cargo. A proposta ia contra a carta magna do país; o Legislativo e o Congresso desautorizaram a medida. Zelaya queria que o Exército garantisse suas vontades. Tentou se sobrepor à Constituição e aos demais poderes. Tentativa de golpe. Pois bem. A reação do Legisativo foi igualmente fanfarrona. Dizem quem não existe o instrumento do impeachment na Constituição hondurenha. Mas procurei lá e também não achei nenhum dispositivo que permita tirar o presidente de cueca da sua casa, enquanto dormia, e jogá-lo no país vizinho. Zelaya poderia ter sido preso, poderia ter respondido um processo
administrativo. Mas ser enxotado do país, convenhamos, não faz muito sentido. Contragolpe.


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Divulgação / Democracia e respeito às instituições: serei um gênio?Democracia e respeito às instituições: serei um gênio?

A situação desandou de vez com a volta do presidente deposto para a embaixada brasileira. Lá, ele, que não é refugiado político, tem feito campanha contra o governo interino.
Não pode dar boa coisa e já não está dando. A ONU e a comunidade internacional tem condenado a deposição de Zelaya, ao mesmo tempo em que não sentem muita confiança no bigodudo para tentar qualquer pressão mais efetiva. Lembre-se, os tempos são outros. Se com dez anos eu conseguia entender os conflitos de um mundo bipolar, hoje consigo resolvê-los.

É simples a receita: democracia e respeito às instituições: É preciso manter o governo atual, de Roberto Micheletti e anistiar Zelaya, com a condição de que ele reconheça a legitimidade dos atuais governantes. Feito isso, antecipesse o processo eleitoral em Honduras. Se o povo hondurenho quer a volta de Zelaya, que o eleja novamente. Ele ou qualquer outro, porém, devem estar atentos ao que manda a Constituição. A vontade pura e simples do povo não pode estar acima das instituições. Porque aí deixa de ser democracia e vira ditadura da maioria. Quem ganhar, portanto, tem de respeitar a Constituição e isso inclui Zelaya. Feito isso não precisaremos de mariners e nem de soldados atirando pra cima.

Enviado por Guilherme Voitch, 25/05/2009 às 15:41

O senhor Steven Patrick Morrisey completou 50 anos na última sexta-feira. Morrisey, nascido em Manchester (onde mais?), é uma das figuras mais extremas de toda história do rock mundial. Se você não conhece nada dele, escute. Nem que seja para falar mal.

Morrisey foi fundador e vocalista do Smiths, a banda que provocou uma reviravolta na cena musical da década de 80. Sem ser enfadonho, dá para resumir assim: a explosão do punk tinha acabado e o furacão de outrora tinha perdido força.No seu lugar havia sido introduzida uma alegria festeira movida a teclados e sintetizadores. New romantics, ou apenas new wave. Escolha o rótulo, não importa. O fato é que as bandas tinham nomes pomposos, maquiagens, cabelos darks e poucas guitarras. Aí esse rapaz (Morrisey) encontra um guitarrista de talento incomum (Johnny Marr), batiza sua banda de The Smiths (algo como os Silvas, no Brasil) e saí por aí cantando sobre o isolamento afetivo do ser humano e a imensa dificuldade em fazer um relacionamento dar certo.


Com letras sobre solidão, timidez, ataques de raiva, descontrole emocional, Morrisey e Marr colocam as guitarras novamente na parada e arrebatam uma multidão de fãs na Inglaterra e mundo afora (O falecido líder da Legião Urbana, Renato Russo, declarava publicamente que buscava seguir o estilo Morrisey de fazer letras e cantar). Pois bem. Tudo era um sucesso completo até que a banda acaba.
Lembra-se da história da incapacidade de relacionamentos? Então. Não era só letra para vender música. Marr não suportava mais Morrisey e a banda degringolou.
Quando a notícia chegou à imprensa, a Inglaterra registou a maior onda de suicídios desencadeada pela música. Sim, mais gente se matou por conta do fim do Smiths do que pelo fim dos Beatles. Pelo menos é o que dizem.


Guilherme Voitch

Guilherme Voitch / Chato,excêntrico e exagerado. Um gênio, em suma.Chato,excêntrico e exagerado. Um gênio, em suma.


Morrisey, no entanto, não se matou. E deve viver bastante ainda já que não bebe, não fuma, não usa drogas, é vegetariano e já disse ter pavor de relações sexuais (um cara estranho esse Morrisey). De lá para cá, ele continua fazendo músicas sensacionais, com letras devastadoras sobre a imperfeição humana. Apesar do fim dos Smiths, Morrisey permanece na crista da onda. Foi eleito o segundo maior britânico vivo (o maior, se considerado apenas o universo artístico) deixando gente do naipe de Paul
McCartney e John Lydon para trás. Os fãs, os que não se mataram, costumam dizer que Morrisey salvou suas vidas (vá entender...) e que o Smiths é a única banda pela qual vale a pena sofrer. Eles estão certos?

...

Estamos lá no Twitter também. Continuamos escrevendo coisas desconexas e tendenciosas.

Enviado por Guilherme Voitch, 20/05/2009 às 18:55

Dizem que até gravar Dookie - terceiro álbum na discografia do Green Day, responsável por jogar a banda no mundo das celebridades, Billie Joe Armstrong mal tinha dinheiro para comer e vivia emprestando grana de amigos para beber, usar drogas e manter a banda na ativa. Não sei se é verdade, mas serve para ilustrar a mudança pela qual passou o grupo. Dookie está longe de ser um dos meus discos preferidos e de encabeçar qualquer lista séria de grandes discos de rock.
Não entra na lista dos 20 melhores. Não entra nem na lista dos 20 melhores da década de 90.


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Divulgação / O Green Day em 1990: Com fome e vontade.O Green Day em 1990: Com fome e vontade.


Mas, convenhamos, era um disco divertido. Tinha toda aquela empolgação adolescente que deveria funcionar muito bem no palco. Lembro de ter visto na televisão algumas apresentações ao vivo do Green Day. Na época, as pessoas pareciam estar se divertindo, com as rodas de pogo e os stage dives. Billie Joe era bem mais magro e cantava sobre andanças a pé pela cidade, namoradas complicadas e benzina. Não era revolucioário, mas era bacana.


O sucessor "Insomniac" ia pelo mesmo caminho. Letras e arranjos simples. Bastante energia, uma pitada de pop. Tudo certo.
O Green Day continuou a lançar discos e eu parei de acompanhar a banda. Ouvia uma coisa ali e aqui, na internet e na MTV, e as novas músicas não pareciam muito melhores que "When I Come Around". Fui questionando minha assumida indiferença com uma sequência de críticas boas e repetitivas quatro estrelinhas para os novos discos do grupo.


Com "American Idiot" a coisa ficou séria. Lembro de ter lido em algum lugar que aquele era o maior disco conceitual desde "Tommy" do The Who e que o Green Day havia tomado ares políticos. Cheguei até a ver Billie Joe cantando e dando entrevistas pelas grandes causas do nosso tempo com Bono (sempre ele).Escutei duas músicas e preferi me abster. Eu deveria estar sendo o chato da história.

Aí vem "21st Century Breakdown", rapidamente lançado ao topo da parada americana com uma enxurrada de criticas construtivas: a prova de que o Green Day virou uma “banda adulta”, “uma ópera rock que segue o padrão de American Idiot”, um "petardo na sociedade americana".
Abri meu coração e fui escutar. Pelo que entendi, a banda conta a história de um casal adolescente a perambular por um país decadente e próximo do colapso, adivinhem qual o país? Lógico. Os Estados Unidos da América.


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Divulgação / Billie Joe há algum tempo atrás: gordinho e xarope.Billie Joe há algum tempo atrás: gordinho e xarope.


Seria tudo muito bonito e eu estaria aqui comentando sobre a genialidade do Green Day se o disco não fosse muito chato. Pior. Não é que seja ruim (o que está longe de ser um defeito por si só). O disco é morno e morno para uma banda de rock, meu amigo, é um atestado de suicídio. Mostre os hits do disco, como "Last night on Earth" e "Know your enemy" para sua avô quase surda e ela vai dizer que achou tudo bonito. O Green Day virou um Semisonic com menos arranjos. Falta conteúdo para ser a dita banda adulta que eles querem ser. Faltam hormônios para ser a banda punk teenager de outrora. Nem quente e nem frio. Só um monte de acordes bem gravados emendados uns nos outros. Um grande candidato ao disco mais chato do ano. Billie Joe era mais legal quando passava fome.

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Vox Pop também está no Twitter, embora não saiba ao certo que fazer lá.

11/05/2009 às 12:47

Acho que já fiz aqui minhas considerações nem sempre pertinentes sobre o Oasis. Shows não têm a grande capacidade de mudar muita coisa, com raras exceções. Se você gosta da banda, se o som estava bom, se o lugar oferece condições mínimas, então ok. Será divertido, mas não será um divisor de águas. Shows desse tipo, lendários e definitivos, são poucos.

Como o primeiro do Sex Pistols, aquele em que o Iggy Pop parou tudo e quis descer a mão em um motoqueiro, aquele em que o Ian Curtis não quis cantar as músicas e, em terras brasileiras, a apresentação do Nirvana no Hollywood Rock. Nenhum desses foi quadrado. Não foram bons na medida em que se define bom como aquela sequência de músicas coladas umas na outra, conversa com o público, parada pra água, bis e palminhas de agradecimento.

Um show caótico, em que a banda não consegue tocar todas as músicas e o vocalista sai se arrastando do placo tem muito mais chances de virar história.
No que me diz respeito, o que mais perto chegou de histórico foi o show de uma banda chamada And You Know Us By The Trail of Dead... no extinto Big Bowling (sim, acredite) na frente da Igreja do Água Verde, lá por 2001, 2002. Se tinha cinqüenta pessoas vendo os caras era muito e umas duas semanas antes eles tinham tocado num Reading Festival da vida para cinqüenta mil pessoas. Eles se importaram?Nem um pouco. Tocaram como garotos numa garagem. Fizeram uma das maiores balbúrdias que eu já vi em cima do palco. Trocaram de instrumentos, pularam, buscaram ultrapassar todos os limites de microfonia/ capacidade de audição do ouvido humano. Quebraram tudo, em suma. Um baita show.


Antônio Costa

Antônio Costa / Oasis: serviço feito.Oasis: serviço feito.

Dito isso, volto ao Oasis. Os ingleses são um grande clichê rock and roll. Liam é o frontman, classudo e maloqueiro ao mesmo tempo, com as mãos no bolso, parado no palco, olhando para a plateia. Estará debochando, entediado ou inspirado por litros de uísque e outras substâncias?
Noel é o cérebro e candidato a novo Paul McCartney. Vai estar com setenta anos e continuar fazendo grandes discos, sem precisar rebolar como os Stones. Saindo da dupla, a cozinha atual do Oasis é a melhor na história da banda. Em algumas partes, dá para ver uma pitadinha do Ride, antiga banda do baixista Andy Bell, com aquele climão mais arrastado e shoegazer. Chris Sharrock desce a mão com vontade, fazendo o que se espera de um baterista e Gem Archer é um segundo guitarrista dos mais competentes.

Sem firulas, o Oasis fez o que se esperava. Intercalou os grandes sucessos com as boas músicas do último disco. Uma hora e meia de show, com um pouco mais de conversa do que eu esperava, mas sem nenhum blábláblá. A banda entrou com o jogo ganho e não desperdiçou. Os fãs gostaram, com direito a menininhas com bandeira da Inglaterra e milhares de celulares tentando filmar alguma coisa. Um grande clichê do rock numa noite fria de domingo. O que poderia ser melhor?

Enviado por Guilherme Voitch, 27/04/2009 às 15:52

Não sei se é cedo para falar e a coisa carece de uma análise mais fria e equilibrada. Mas o bom e velho metal parece estar novamente na vitrine da música mundial. E, ao que parece, não se trata de nenhum sub-gênero metaleiro, como o nü metal (ou Adidas Metal devida a clara preferência de gente como Chino Moreno e Fred Durst) e sua mistura com o hip hop.

A coisa agora é o metal bom e velho de guerra mesmo. Vocal de macho, com a afinação das guitarras lá embaixo e a cozinha fazendo aquele esporro competente.

O responsável pela guinada é o Mastodon. Mesmo sem nenhum esforço para ser palatável e comercial - a banda faz discos conceituais (a Rússia dos czares, a história de Moby Dick) e músicas com duração de dez a quinze minutos - os rapazes de Atlanta viraram os novos queridinhos da mídia mundial. O New York Times disse que o último disco da banda, "Crack The Skye", é "fantástico sob qualquer aspecto", a Rolling Stone cravou que eles estão prontos para viver seu momento Metallica e ganhar as massas. A Mojo também os comparou com o Metallica e definiu "Crack The Skye" como sendo o novo "Master Of Puppets".


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Divulgação / Mastodon: metaleiros, mal-encarados e queridinhos da imprensa.Mastodon: metaleiros, mal-encarados e queridinhos da imprensa.

É obviamente um hype se formando que pode beneficiar um monte de novas bandas que ainda não ganharam a mesma projeção. São coisas assim que me fazem desconfiar que o metal pode ser sim o novo pop.

Antes que os metaleiros me joguem pedras, afirmo aqui: Fã de metal é o fã mais fiel que tem no mundo. Vai escutar a mesma banda dos 16 aos 84 anos, ir em show debaixo de chuva, comprar tudo que é disco e camiseta e montar uma banda parar tirar os covers do ídolo.

Graças a esses público fiel, os metaleiros vivem em seu mundo à parte da música pop. Para o bem ou para o mal, o metal segue sua vida nossa de todo dia sem ligar para as novas ondas e tendências do universo pop.

De quando em quando, porém, mesmo que os xiitas torçam o nariz, o metal vira mainstream. Foi assim em grande parte dos anos 70 até que o excesso de pose de certas bandas do hard rock ferrou tudo. Voltou a ser pop depois que os metaleiros roubaram um pouco da energia punk das ruas e passaram a falar mais de coisas reais do que de duendes e dragões.

São desse período dos anos 80 fenômenos como o Iron Maiden, com a retomada do metal britânico, até então, asfixiado pelo punk e pela new wave e o Metallica, que popularizou no mundo todo o estilo headbanger. Na mídia ou não, vida longa aos metaleiros.

Enviado por Guilherme Voitch, 24/04/2009 às 16:47

Os irmãos Gallagher devem fazer um grande show em Curitiba. Motivos não faltam. Pelo menos não do ponto de visto financeiro. Enquanto a maioria dos grandes nome do rock perdeu dinheiro com a crise mundial, os líderes do Oasis viram sua fortuna subir para 52 milhões de euros.
Mais aqui


 / Familiar to Millions - literalmenteFamiliar to Millions - literalmente


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Lendas do ska, o The Specials está de volta. A banda que foi fundamental para todo mundo que passou a misturar elementos da música jamaicana ao rock tem uma série de shows programados pela Inglaterra. Quem sabe, não passam por aqui?

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Quem acha que os elogios feitos aqui e aqui ao show do Heavy Trash foi coisa de curitibano deslumbrado, precisa conversar com algum dos paulista que viram o show da nova turma do Jon Spencer.
Ao que parece, lá como cá, a coisa foi nervosa, caótica e sexy, como o rock deve ser.


Enviado por Guilherme Voitch, 21/04/2009 às 23:15

Leonardo Bonassoli é um caboclo peculiar para se conversar sobre música e futebol. Você sempre aprende alguma coisa na conversa e dá risada com as narrativas pouco convencionais do Bona. Ele colabora com o blog na série o "Disco que mudou sua Vida". Segue o texto:


O disco que mudou minha vida - The Smashing Pumpkins - "Mellon Collie and the Infinite Sadness"

Que um álbum pode mudar a vida de um adolescente, todo mundo sabe. O interessante é notar que a influência dele pode ir muito além daquele momento e se espalhar pelo mundo da música. Mellon Collie and The Infinite Sadness é um desses casos e aconteceu comigo.

O ano era 1998 (o álbum já tinha três anos de lançamento) e eu estava na faixa dos meus 15 anos de idade). Estudava no primeiro ano do atual Ensino Médio e, musicalmente, já tinha ouvido o Nevermind, do Nirvana. A fase musical da época, porém, era o skacore, uma onda naquele momento.

Como cheguei ao álbum? Emprestei. Uma colega de sala estava com o álbum voltando de empréstimo. Eu conhecia duas músicas de trabalho apenas: "Tonight, Tonight" e "Bulllet With Butterfly Wings". Mesmo assim, pedi emprestado. Era a versão em CD importada dos States. Logo, era aquela caixa grande com os CDs em dois compartimentos distintos e sem influência um do outro. O disco duplo tinha dois encartes inclusive.

O álbum, lançado em 1995, pode ser considerado, pelo menos por mim, como um divisor da década do rock, apontando caminhos passados, então presentes e futuros. É algo estranho de se explicar, mas eu vou explicar.

Mellon Collie... é um álbum extremamente eclético dentro dos limites que se convencionou chamar de Smashing Pumpkins, fronteiras que o próprio disco tratou de evadir como se fossem bandeirantes indo além da Linha de Tordesilhas. Vai do piano com cordas da faixa título, que abre o álbum, ao peso de canções como "Zero". Vai dos arranjos orquestrados de "Tonight, Tonight" às influências eletrônicas de "1979" e "Beautiful", que se radicalizaram no Adore, álbum seguinte. Tudo bem trabalhado e pensado, num álbum feito propositalmente para ser o dia e a noite, a vida e a morte.


Divulgação.

Divulgação. / Efervescência musical no disco dos Pumpkins.Efervescência musical no disco dos Pumpkins.

Eu ouvi em duas etapas. O animal aqui não tinha fita cassete (suficiente, pois daria 2 fitas mais ou menos) para gravar tudo, muito menos gravadora de CD (em 1998 nem tinha muito como) e meu computador na época (um genérico de Pentium 100) não suportava mp3 e nem programa para converter tinha. Sendo assim, perdi a chance de arquivar uma verdadeira viagem sonora e confesso que até hoje não consegui recuperar tudo (isso é extremamente loser de minha parte). Mas no que me influenciou este álbum clássico para que eu pudesse dizer que ele mudou minha vida? Eu não falei isso até agora e já está o texto chegando ao fim...

Praticamente tudo que eu escuto hoje pode ser desdobrado no Mellon Collie. São tantas vertentes do rock que se encontram no álbum que sou obrigado a desdobrar. A banda de Corgan é colocada muitas vezes no grunge por ter surgido na mesma época, embora os próprios integrantes refutem tal classificação. Mas o som deles, no entanto, fez que eu prestasse atenção em outras vertentes do grunge (que na verdade é um verdadeiro balaio de gatos) além do som do Nirvana.
Outra descoberta foi o shoegazer, presente nos overdubs do álbum, que escuto hoje. O mesmo para as fusões de rock com música eletrônica, que aparecem discretamente no disco, e por aí vai.
Ouvindo o disco faixa a faixa com atenção, dá para enxergar uma miríade de escolhas sonoras. Digamos que a mudança na vida acabou sendo gradual com relação aos sons que fui procurar depois, como se fora um big-bang fonográfico. Mellon Collie And The infinite Sadness foi um suave ponto de virada na minha vida musical.


Gosta do disco, desgosta? Mande bala nos comentários.

Outros discos que salvaram vidas aqui no VoxPop

The Queen is Dead. The Smiths. Cláudio Pimentel
Animal Boy. Ramones. Por Felipe Lessa
Nevermind. Nirvana. Por Guilherme Voitch

Enviado por Guilherme Voitch, 17/04/2009 às 14:16

Você acha que o rock de hoje em dia anda muito molengão? Que a onda emo banalizou o sentimentalismo transformando as letras "românticas" em trilha sonora da Malhação?
Você acha que falta atitude, perversão e um pouquinho de mau-caratismo nas bandas de hoje em dia?

Se você acha isso, não pode perder o Heavy Trash, nova banda da lenda Jon Spencer. Se você conhece o figura, aposto, não irá faltar ao show. Se não conhece, mas se identifica com todas essas premissas acima, vá ao Jokers.

Jon Spencer é um herói (ou anti?) do esporro e da barulheira. O currículo do rapaz é invejável. Tocou no Pussy Galore, uma banda que misturava guitarras mais ou menos desafinadas, palavrões e baterias feitas de lata de lixo, injetou hormônios em melodias de blues com o Jon Spencer Blues Explosion e agora toca seu projeto de rock a billy não-usual com o Heavy Trash.

Em comum a todas elas, o fato de que o rock do Jon Spencer combina com quantidades industriais de cerveja, ironia, sarcasmo, diversão e pegação no banheiro. Música suja e sacana. Ainda bem.

Enviado por Guilherme Voitch, 02/04/2009 às 21:47

Eu Serei a Hiena

Tem um grupo de bandas que os críticos ou aspirantes ao cargo adoram rotular. É uma saída fácil (para os críticos, não para as bandas). Qualquer grupo que minimamente fuja dos padrões convencionais de melodia-refrão-clímax-anticlímax  entra no rol do post- rock, math rock ou noise rock. Tanto faz que as definições englobem bandas tão distintas como o Tortoise ou o Mars Volta.

Os paulistanos do Eu Serei a Hiena entram nessa seara de bandas complicadas. Os rótulos, porém, dizem pouco sobre o grupo.


Divulgação

Divulgação / Math, noise ou post?Math, noise ou post?
Eu Serei a Hiena é a típica banda produzida pela cidade mais esculhambada e maluca do Brasil (com tudo que isso tem de bom e de ruim). As músicas seguem padrões não-lineares, com muitas quebras de andamento. Uma hora você tem uma pancada hardcore, na outra tem um ensaio de jazz. Reflexo, talvez, do fato dos integrantes tocarem todos em outros grupos (o guitarrista Paulo Sangiorgi Jr, por exemplo, é baixista do Ratos de Porão).

O Eu Serei a Hiena lembra um Hurtmold, só que mais nervoso do que metódico, mais instintivo que cerebral. Olha aí eu mesmo tentando rotular...Vá lá no site deles e baixe a faixa título Hominis Canidae e Talking and thinking about the weather.  Escute e tire suas próprias conclusões.


Tristessa

Não sei se ainda estão na ativa, se estão lançando algo ou fazendo shows, mas se estiverem e você gostar da fusão de guitarras sujas com melancolia, vá atrás.TristessaA banda Tristessa é uma das melhores coisas que eu escutei em Curitiba nos últimos tempos.

Eles definitivamente não são uma banda pró-mídia. Não criam polêmicas ou fazem músicas como tese, seja para propositalmente agradar ou incomodar certos públicos. Talvez por isso sejam menos conhecidos do que deveriam. No MySpace escute Ceillig With a Star, Sleeptite.


Caio Marques

Caio Marques é um dos grandes músicos da cidade.  É importante deixar isso claro. Caio toca de tudo (e bem), compõe e canta com competência.

Já passou pelo Bad Folks, pelo Gente Boa da Melhor Qualidade e pelo Frutos Madurinhos do Amor.


 / Caio Marques: misturado e competente.Caio Marques: misturado e competente.
Pois bem, Caio lança no próximo dia 23 o EP Cidade Vazia, no James Bar. As músicas podem ser conferidas no MySpace e são uma espécie de continuação do Frutos, uma bossa nova meio eletrônica e meio folk.

Me lembrou muito o Otto, mais classudo e melancólico. No My Space ouça Cidade Vazia e Condições Atmosféricas.

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