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Blog Alexandre Borges
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Greg News: o jornalismo que saiu do armário

“Para um socialista, um fracasso é apenas um sucesso mal explicado.”

Roberto Campos

A HBO Brasil, seguindo a linha ideológica que caracteriza a matriz americana (e que explica o apelido ‘Heil, Barack Obama’ da emissora nos EUA), acaba de lançar “Greg News“, um programa em que o militante do PSOL é um âncora de telejornal comentando assuntos do momento. Nada mais justo.

A tentativa alegada pela emissora é de reproduzir o modelo consagrado nos EUA de comediantes de extrema-esquerda traduzindo o noticiário em “esquerdês” para jovens. Deu certo com o clássico Saturday Night Live e nos programas estrelados por Bill Maher, Jon Stewart, Trevor Noah, Stephen Colbert e John Oliver, com um impacto particularmente devastador na mente da Geração Y (ou Millennials), os nascidos entre o início dos anos 80 e meados dos anos 90.

Os Millennials formam a primeira geração americana com uma visão mais positiva sobre o socialismo do que sobre o capitalismo. A chamada Geração Z, que veio imediatamente após e já nasceu com a internet, dá sinais que pode ter mais resistência ao discurso de esquerda pela facilidade de acesso à informação livre. Há esperanças.

Não é de hoje que a esquerda busca fazer revisionismo histórico. No cinema, diversos filmes são produzidos anualmente para dar versões ideológicas para fatos históricos como o infame JFK de Oliver Stone ou Argo de Ben Affleck. Quando a indústria da TV lança programas que simulam telejornais e dão versões humorísticas de esquerda para um noticiário já totalmente influenciado por ela, a idéia é fazer revisionismo histórico em tempo real.

Para quem não acompanha política com atenção e se informa por programas deste tipo, a lavagem cerebral é quase irreversível. A HBO Brasil, ao colocar um ativista de extrema-esquerda neste papel, dá uma declaração ideológica clara para o público, assim como os anunciantes que vierem a patrocinar o conteúdo.

A batalha política é antes de tudo cultural e a esquerda leva muito a sério o aparelhamento da indústria do entretenimento e do jornalismo. Muitos liberais acreditam que basta “ter razão” e falar como economistas, dando números, estatísticas e argumentos objetivos, para que um dia possamos tirar o Brasil do 140º lugar em liberdade econômica do ranking da The Heritage Foundation. Nunca deu certo ou dará, mas eles vão continuar tentando.

Criar um telejornal explicitamente comandando pelo PSOL, na prática, é apenas uma mudança estética. Neste sentido, a HBO Brasil está desnudando o que está por trás da edição e das pautas da esmagadora maioria dos produtos jornalísticos do país. Se você não acredita, é provável que não tenha muitos amigos ou conhecidos no jornalismo. Se tiver, mostre o “Greg News” para eles e peça para que digam se discordam do que o apresentador defende no programa. Você vai se surpreender.

Todo ano, o site Congresso em Foco promove uma premiação em que jornalistas e internautas escolhem “os melhores parlamentares do país”. Na última edição do prêmio, os jornalistas participantes escolheram, pela ordem, como melhores deputados federais do Brasil: Chico Alencar (PSOL), Jean Wyllys (PSOL), Alessandro Molon (Rede), Luiza Erundina (PSOL) e Ivan Valente (PSOL). O PSOL tem, no total, seis deputados federais. Para os jornalistas brasileiros, dos cinco “melhores” deputados federais do Brasil, quatro são do PSOL. Podemos encerrar o assunto sobre o partido da esmagadora maioria dos jornalistas do país.

Veja por você mesmo: quando o jornalismo da TV Globo faz qualquer matéria no Congresso Nacional, especialmente quando o assunto é “ética na política”, quem são os escolhidos? Pode apostar que Chico Alencar, Ivan Valente, Alessandro Molon e o senador Randolfe Rodrigues (ex-PSOL) são sempre os entrevistados.

O PSOL, com seis deputados federais, representa 1% da Câmara (são 513 no total). Já no Bom Dia Brasil ou no Jornal Nacional, uma bancada minúscula se transforma, num passe de mágica, em quase onipresente, sempre com pautas leves e agendas positivas que servem de escada para que o PSOL se apresente como o sacrossanto PT nos anos 90.

Não por coincidência, os citados acima estavam no PT nos anos 90 pedindo “ética na política” ou “fora FHC”, contando com o mesmo beneplácito da imprensa. Como pega mal associar petismo à ética nos dias de hoje, o PSOL emergiu como um novo PT. O mesmo discurso, as mesmas pessoas, as mesmas idéias, mas a imprensa jura que o resultado será totalmente diferente. Veremos.

Com uma relação quase umbilical entre o jornalismo atual e o PSOL, Gregório Duvivier ganhar seu próprio Bom Dia Brasil é, na verdade, cortar os intermediários. Ou alguém sinceramente acredita que Chico Pinheiro tem qualquer idéia política diferente do âncora do Greg News? Se é para fazer jornalismo-entretenimento com pautas do PSOL, por que não trocar logo William Bonner, Sandra Annenberg ou Ricardo Boechat por Gregório Duvivier, Marcelo Adnet, Monica Iozzi, Camila Pitanga, Letícia Sabatella ou Wagner Moura? Alguém sentiria qualquer diferença relevante no conteúdo?

Greg News é o jornalismo que finalmente saiu do armário ideológico gritando pelas ruas, sem medo de ser feliz, assumindo que nada mais é do que uma máquina de propaganda das idéias, pautas e dos políticos do PSOL e da esquerda brasileira em geral. Greg News é, por incrível que pareça, o telejornal mais sincero do país.

Dilma Rousseff com jornalistas-setoristas do Palácio do Planalto. Foto: Ichiro Guerra/PR

O programa tem o conteúdo descerebrado que você imagina, com destaque para a ignorância enciclopédica do apresentador que resolveu explicar a história recente do Brasil e a ligação da Odebrecht com a corrupção como se tudo fosse culpa da “iniciativa privada”. Qualquer bípede sabe que corporações protegidas por governos são a antítese do liberalismo e é exatamente por isso que empresas como a Odebrecht multiplicam de tamanho em governos de esquerda. Num regime verdadeiramente liberal, empresas como a Odebrecht não são beneficiárias de tantos contratos governamentais de infraestrutura quanto possível, não receberiam subsídios governamentais e nem teriam proteções governamentais que explicam seu “sucesso”. “Capitalismo de compadrio” não é capitalismo, mas Greg não sabe disso.

As propinas que empresas como a Odebrecht dão aos políticos são o pagamento pelo benefício dado pelo estado, o mesmo estado que o PSOL quer aumentar de tamanho e tratar como santo. O PSOL é um apoiador de primeira hora e entusiasmado do chavismo na Venezuela, onde estas idéias foram aplicadas, com os resultados conhecidos. Acredite se quiser, o programa termina com Gregório sugerindo a estatização da Odebrecht como solução. Se as piadas são ruins, espere para conhecer as propostas.

Gregório tem idéias confusas e constrangedoras, como quando defendeu que o Uber é “de esquerda”. Nada disso muda o fato de que é um ativista engajado de um partido de extrema-esquerda e a ele foi confiado pela HBO Brasil explicar o noticiário, o que diz muito sobre a educação política dos executivos brasileiros das principais emissoras. Ele está lá principalmente para demonizar adversários e explicar fracassos de aliados, como no caso dos escândalos de corrupção que envolvem a Odebrecht e que o culpado é o capitalismo, o PSDB e até o Juscelino Kubitschek, não o governo que o PSOL ajudou a eleger, apoiou até o fim e hoje diz que foi tirado por um golpe.

Se você achou tudo isso bizarro, não esqueça que é exatamente o que o professor de história do seu filho está ensinando para ele no colégio, quase todos filiados ao PSOL como o ex-professor de história Marcelo Freixo. No fim das contas, Greg News não deixa de ser um libelo a favor do Escola Sem Partido. Sem um mínimo de controle sobre a militância radical e a doutrinação em sala de aula, seu filho vai crescer acreditando que a solução para acabar com a corrupção no estado é aumentar o tamanho estado e mais controle sobre a livre iniciativa, como defendiam Josef Stálin, Benito Mussolini e Adolf Hitler. Ou como defendem Lula e Nicolás Maduro. E isso é tudo menos o liberalismo que Gregório pensa que combate.