*

Enkontra.com
Blog Bad, bad server

Curitibana supera depressão ao criar fanpage “Ajudar o povo de humanas a fazer miçanga”

Criatividade e ter sorte são algumas das dicas mais comuns que celebridades da internet dizem para quem quer alcançar a fama online. Mas converter um “pé na bunda” do ex-namorado em mais de 1 milhão e meio de fãs no Facebook é algo para poucos mortais. Este é o caso da curitibana Dominique Vargas, 27, que não esperava que a fanpage “Ajudar o povo de humanas a fazer miçanga” iria se tornar uma verdadeira válvula de escape para o término de seu namoro.

Criada em janeiro de 2015, a página dentro da rede de Mark Zuckerberg é uma das badaladas por falar, sempre de forma bem-humorada, da vida cotidiana e de relacionamentos que não dão certo.  “A graça da fanpage é que ela é bem humana, tem coisas pessoais ali, e o povo se identifica. Virou meio que uma página de autoajuda com humor”, descreve Nikki, como prefere ser chamada.

Nascida em Curitiba, a garota estuda o terceiro ano de Direito, depois de trocar de faculdade 7 vezes . “Bem coisa de gente que sabe o que quer da vida”, conta, entre risos. Além de continuar com a página, ela garante que 2016 virá com novidades, desde a criação de um vlog e até um site para os “miçangueiros”. Veja o bate-papo:

 

1- Como era a sua vida antes da criação da página e como veio a ideia?

Nikki – A página surgiu de um evento que eu criei no Facebook, com o mesmo nome da página, que surgiu depois que eu voltei de Videira (SC) e levei um ‘pé na bunda’ de um ex-namorado e eu precisava me distrair. O evento (Para ver, clique aqui) cresceu tanto que me pediram pra fazer uma página.

A ideia de que estudante de humanas só faz miçangas me veio a cabeça, porque eu era estagiária de Direito na época e também veio a coisa de estágio ser escravidão e ganhar pouco – só sofrimento mesmo, ou seja, tudo a ver com humanas. Já fiz 7 faculdades, no total, mas sempre desisti. Passei por Design, Publicidade, Administração… Bem coisa de gente que sabe o que quer da vida.

 

2- Como foram as primeiras semanas e o que ajudou a repercutir?

Nikki – Na verdade, fiz dois eventos: o das miçangas e outro da ‘Reciclagem dos papeis de trouxa que já fiz’. O primeiro fez mais sucesso e o segundo surgiu mais por conta do término do namoro mesmo. No começo, o ‘Ajudar o povo de humanas a fazer miçangas’ crescia pouco, mas alguns amigos virtuais se ofereceram para ajudar e a repercussão foi aumentando. A fama veio sozinha.

Depois de uns 4 meses, eu comecei a ver amigos meus compartilhando sem saber que era minha página e, inclusive, meus ex-namorados sem saber que era eu por trás. Foi algo como “parece que o jogo virou, não é mesmo?!”

Nunca fiz e nunca farei post pago. Não vou pagar o Facebook, né? Não tenho nem dinheiro para mim. (risos)

 

Nikki Vargas, criadora da fanpage. (Foto: Arquivo pessoal)

Nikki Vargas, criadora da fanpage. (Foto: Arquivo pessoal)

3- Como você se organizava no início e quais são as suas referências hoje?

Nikki – Eu postava na aula, antes de entrar na sala e sempre foi assim. Às vezes, nem prestava atenção na aula só para postar. Durante as classes, é normal eu colocar algum post sobre o professor e suas manias, o povo adora isso, é tudo real mesmo.

Eu sempre posto coisas que eu vivo ou que eu acho engraçado, desde que não ofenda ninguém. Se eu levo um pé na bunda, eu posto lá, que é para o povo ver que é normal se ferrar em relacionamentos. Vivo no Twitter pegando coisas legais.

Atualmente, são 8 editores na página, todos de fora, só eu de Curitiba. Mesmo que não postem nada, deixo lá pela amizade, porque são meus amigos. Eles ajudam principalmente para defender a fanpage, quando somos atacados em algum post.

 

4- Como tem sido o retorno das pessoas e quais são os contatos via inbox mais comuns? Teve algum muito diferente e que vocês puderam ajudar?

Virou meio que uma página de autoajuda com humor. Quase todos os dias, recebo mensagens de pessoas com depressão que amam a página porque ela de alguma forma ajuda. Elas entram lá para se distrair. Eu mesma já tive depressão um tempo, mas foi com humor que eu me curei, pois percebi que sempre que eu estava para baixo e ver algo engraçado me ajudava a esquecer e levar a vida mais tranquila.

A página é uma válvula de escape. É isso que me faz seguir, porque é bom ajudar as pessoas.

 

5- Qual é o seu desejo em relação a página? Ou desenvolver que tipo de conteúdo no futuro?

Eu pretendo criar um vlog, falar de coisas aleatórias mesmo e ser meio que a psicóloga das pessoas. Fiz um ano de psicologia e já dá para arriscar (risos).  Penso talvez em pedir apoio da Prefs para criarmos um projeto de arte universitária e ir ao ‘Jô Soares’. Só isso! (mais risos)